FAROL GARCIA D'ÁVILA (Bahia)
Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

Durante mais de três séculos e
meio, a única construção notável da Praia do Forte, no Estado da
Bahia (uma praia, hoje, repleta de turistas), era um castelo em
estilo medieval, erigido em 1551 por Garcia d’Ávila um
almoxarife de fazenda da expedição de Tomé de Souza. O castelo
ficava situado no alto de uma colina, e sua torre era visível a
uma distância de 19 milhas náuticas.
Ao longo de todo aquele tempo, a maior referência na área era a
Casa da Torre, assim denominada a torre do castelo porque, nela,
sempre se acendia uma fogueira para a luz nortear os navegantes.
Em 1916, junto aos coqueiros da Praia do Forte, mas preservando
os seus 12 quilômetros de praia, foi erigido o Farol Garcia
d’Ávila. Em se tratando de modelo arquitetônico, escolheu-se uma
torre Mitchell, o mais usado na época, bem como o mais
apropriado ao solo da região.
Duas décadas depois disso, contudo, devido ao avanço contínuo do
mar, a estrutura do farol ficou muito abalada. A despeito dos
esforços empreendidos, e das inúmeras barreiras feitas com os
próprios coqueiros derrubados, as ondas salgadas do mar
continuaram corroendo e ameaçando a base do farol.
Por causa disso, então, uma outra torre teve de ser construída.
Esta, por sua vez, possuía um equipamento automático. O acervo
de tal obra, porém, desapareceu quase por completo, porque se
encontrava dentro do Navio Balizador Faroleiro Wanderley, que
naufragou em Cumuruxatiba, no litoral da Bahia.
A torre atual do Farol Garcia d’Ávila, construída em concreto,
foi inaugurada no dia 20 de maio de 1971. No que diz respeito à
Praia do Forte, cabe salientar que, nas proximidades do farol,
são desenvolvidas uma série de atividades, por parte de
biólogos, com o intuito de preservar as tartarugas marinhas que
vivem ou passam pelas redondezas da costa.
Fonte consultada:
SIQUEIRA, Ricardo. Luzes do novo mundo; história dos faróis
brasileiros/fotos Ricardo Siqueira; texto: Ney Dantas. Rio
de Janeiro: O Autor, 2002.