GUITA CHARIFKER

Semira Adler Vainsencher
psicóloga e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
 

 

Guita Charifker nasceu no dia 10 de setembro de 1936, na cidade do Recife, em Pernambuco. Seus pais pertenciam à família Greiber, composta por judeus tradicionalistas, oriundos da Europa Central, que, por volta de 1914, imigraram para o Recife, fugindo dos pogroms e demais perseguições antissemitas. O casal Greiber teve dois filhos - Guita e Fernando - que foram educados dentro da comunidade e dos preceitos das leis judaicas.
 Desde a pequena infância, Guita gostava de desenhar. Aos dezesseis anos, descobriu o Ateliê da Sociedade de Arte Moderna do Recife, na época, dirigido pelo artista plástico Abelardo da Hora, e cujos freqüentadores eram Samico, José Cláudio, Wellington Virgolino, Ivonaldo Marins, entre outras pessoas de renome, sendo a maioria do sexo masculino. Com exceção de Guita, apenas, Celina Lima Verde e Maria de Jesus Costa freqüentavam aquele Ateliê. Poucos anos depois, ela iria estudar desenho e escultura no Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna, na Rua de São Bento, em Olinda, também sob a orientação de Abelardo da Hora. Com esse mestre, voltou a ter aulas na Associação Cristã Feminina, e deu início às pinturas com tinta a óleo. Em se tratando de esculturas, começou amassando e trabalhando o barro.
             A jovem artista se apaixonou por um rapaz judeu, chamado Júlio Charifker, e, após um namoro de três anos, casou-se com ele em 1957. Desejando logo ter filhos, engravidou de Rosaly (nascida em 1958). Dois anos depois, veio Saulo.
Na garagem de sua casa, situada à Rua do Sossego, Guita improvisou uma espécie de ateliê para desenhar e pintar. Quando os filhos dormiam, ela ia para lá, e só saía quando o dia amanhecia. Trabalhava cerca de dez horas seguidas. Seu marido era tão generoso que assumia todos os encargos com as crianças, deixando-a dormir até às onze horas da manhã.
             Conforme declarações que deu, casamento e arte são vocações, e, dessa maneira, não é possível alguém se dedicar de corpo e alma às duas vocações ao mesmo tempo: chega uma hora em que se é obrigado a escolher. E, para Guita, a arte foi sua escolha mais forte. Ela saiu de sua casa com uma pasta de desenhos e uma mala de roupas; e, apesar de muito sofrimento, deixou os filhos com seu marido e escolheu viver em outro mundo.
 Em 1964, colaborou com outros artistas para a fundação do Ateliê da Ribeira e da Oficina 154, ambos em Olinda, e lá ensinou desenho. Dois anos depois, fundou e dirigiu a Galeria do Teatro Popular do Nordeste (TPN), encarregando-se de realizar exposições e criar figurinos e objetos de cena para as peças teatrais. Buscando suas origens, viajou para Israel, em 1967, e redescobriu o prazer de desenhar. Naquele país, sentiu-se como uma semente plantada no Nordeste.
 Na década de 1970, foi morar na Urca, no Rio de Janeiro, em um lugar onde só residiam artistas. Ali, realizou gravuras em metal, com a orientação de Anna Letycia. Guita viajou para Portugal, Argentina, França e Alemanha, fazendo exposições pelo mundo inteiro, e viveu em vários lugares. Quando foi ao México, participar de uma exposição íbero-americana de desenhos e gravuras, ficou tão deslumbrada com o colorido das feiras e das roupas locais, que comprou papel, pincéis, uma caixa de aquarelas e tornou-se aquarelista, sem ter feito qualquer curso para isso.
 Em 1974, retornou ao Estado de Pernambuco, e foi morar em Olinda. Guita trabalhou no estúdio de João Câmara e freqüentou a oficina do escultor Frans Krajcberg. No ano de 1985, organizou o Ateliê Coletivo, em Olinda, ao lado de Gil Vicente, José Cláudio, Gilvan Samico, e outros artistas.
 Recebeu o Troféu Cultural Cidade do Recife, no ano 2000; e, em 2001, a Secretaria de Educação e Cultura do Recife publicou o livro Viva a Vida! Guita Charifker: aquarelas, desenhos, pinturas. Em 2003, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo (PESP), foram apresentadas exposições retrospectivas com seus trabalhos.
 O Instituto Ricardo Brennand (IRB), no Recife, de 23 de agosto a 30 de setembro de 2004, realizou o Projeto "Pernambuco Cultural by Orismar Rodrigues", reunindo a diversidade e a riqueza da cultura do Estado. E, pela primeira vez, abriu as portas para uma exposição coletiva de pintura, desenho, gravura e escultura de uma série de artistas plásticos, nascidos (ou radicados) no Estado. Nessa ocasião, Guita expôs ao lado da italiana Mirella Andreotti (seu estúdio está localizado em Boa Viagem); da francesa Marianne Peretti (cuja casa-ateliê situa-se em Olinda); dos paraibanos João Câmara e Roberto Lúcio (que residem e possuem estúdios em Olinda); de Telles Jr., Cícero Dias, Mário Nunes, Lula Cardoso Ayres, Vicente do Rêgo Monteiro, João Câmara, Roberto Lúcio, Abelardo da Hora, Samico, Gil Vicente, Luciano Pinheiro e outros artistas de renome.
 Guita participou das seguintes exposições individuais e coletivas:
 1) Individuais
 1962 - Galeria de Arte do Recife, PE;
1963 - Galeria de Arte do Recife, PE;
1965 - Ateliê de Arte Sacra, Recife, PE;
1970 - Galeria Goeldi, Rio de Janeiro, RJ;
1977 - Galeria Nega Fulo, Rio de Janeiro, RJ;
1991 - Galeria Artespaço, Recife, PE;
1991 - Galeria Nara Roesler, São Paulo, SP;
1994 - Aria Espaço de Dança e Arte, Recife, PE;
1995 - Aria Espaço de Dança e Arte, Recife PE;
2001 - Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro, RJ;
2003 - Viva a Vida! MNBA, Rio de Janeiro, RJ;
2003 - Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP;
 2) Coletivas
1954 - 12º Salão de Arte de Pernambuco, Recife, PE;
1963 - Museu de Arte Popular de Salvador, Salvador, Bahia;
1964 - Atelier da Ribeira, Olinda, PE;
1965 - Ateliê de Arte Sacra da Igreja do Rosário, Recife, PE;
1965 - Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, RJ;
1966 - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas, Salvador, BA;
1968 - 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas, Salvador, BA;
1968 - 2ª Jovem Arte Contemporânea, MAC/USP, São Paulo, SP;
1968 - 2ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, MAM/SC, Florianópolis, SC;
1969 - 2ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Porto Alegre, RS;
1970 - 19º Salão Nacional de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro, RJ;
1971 - 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea, Belo Horizonte, MG;
1971 - 1ª Bienal Americana de Artes Gráficas, Cali, Colômbia;
1971 - 28º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba, PR;
1971 - Artistas do Recife, Recife, PE;
1971 – Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro, RJ;
1972 - 21º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, RJ;
1972 - Galeria da Collectio, São Paulo, SP;
1973 - 22º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, RJ;
1974 - 1º Salão Global de Pernambuco, Recife, PE;
1975 - 1º Salão Global de Pernambuco, Olinda, PE;
1976 - Galeria Nara Roesler, São Paulo, SP;
1977 - Arte Actual de Ibero-America, Madri, Espanha;
1978 - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas, MNBA, Rio de Janeiro, RJ;
1979 - 2ª Mostra Anual de Gravura Cidade de Curitiba, Curitiba, PR;
1980 - 2ª Bienal Ibero-Americana, México;
1984 - Espace Latino-Américain, Paris, França;
1986 - ECT Galeria de Arte, Brasília, DF;
1988 - 1º Salão Baiano de Artes Plásticas, MAM/BA, Salvador, BA;
1989 - Atelier Coletivo, Olinda, PE;
1989 - Centro Cultural Adalgisa Falcão, Recife, PE;
1989 - Centro Cultural Adalgisa Falcão, Recife, PE;
1990 - Atelier Coletivo, Olinda, PE;
1992 - Ateliê Coletivo, Centro Cultural Candido Mendes, Rio de Janeiro, RJ;
1993 - Atelier Coletivo, Km Wolff, Hamburgo, Alemanha;
2001 - Centro Cultural Light, Rio de Janeiro, RJ.


     

 
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Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
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