MANOEL BANDEIRA (pintor)

O pintor Manoel Bandeira
nasceu no engenho Limoeirinho, no município de Escada, Estado de
Pernambuco, no dia 2 de maio de 1900. Ele assinava o seu nome
como M. Bandeira ou Manoel com a letra o, no sentido de marcar a
pequena diferença em relação ao nome do poeta, também
pernambucano, Manuel Bandeira. Era um indivíduo humilde,
prudente e simples, extremamente ligado às raízes recifenses.
Sobre si mesmo, ele dizia:
Não tive mestres. Aprendi a pintar assim como o aprendiz de
barbeiro aprende a cortar cabelo: vendo o mestre trabalhar. A
pintura - a aquarela, por exemplo - comecei a fazê-la olhando os
quadros, bem como o bico-de-pena. Apesar de não seguir escolas,
tenho grande admiração pelos pintores espanhóis, de Grieco até
Ignácio Juruaja.
Manoel Bandeira começou a pintar em 1912, no Liceu de Artes e
Ofícios. Em se tratando de técnica, ele costumava desenhar com
bico-de-pena e tinta nanquim ou estilete - no caso dos trabalhos
sobre papel gessado -, além de elaborar pinturas com aquarela,
guache e óleo. O artista plástico elaborou também um rico acervo
sobre a arquitetura do Brasil Colonial: reproduziu sobrados,
telhados, portões das chácaras, grades, janelas, ruas, casas,
sótãos, praças, lampiões a gás, mocambos, carruagens, cais,
pessoas com seus trajes da época, vendedores ambulantes, enfim,
uma paisagem cultural, todo um documentário sociológico e
histórico de uma região e de seus habitantes, em distintos
momentos de sua evolução.
Bandeira desenhou uma série de personalidades:Joaquim Nabuco ,
Maurício de Nassau, Vidal de Negreiros, Dom Pedro I, Dom Pedro
II, Felipe Camarão, Dom João VI, Frei Caneca, Henrique Dias, o
Conde dos Arcos, Estácio Coimbra, Gervásio Pires Ferreira,
Oliveira Lima, Barreto de Menezes, João Fernandes Vieira, entre
tantas outras.
Documentou inúmeros municípios nordestinos, também, através dos
seus trabalhos: Recife, Olinda, Goiana, Paulista, Cabo,
Jaboatão, Abreu e Lima, Camaragibe, Moreno, São Lourenço da
Mata, Palmares, Ribeirão, Goiana. Neste sentido, Manoel Bandeira
desenhou em bico-de-pena o Palácio Episcopal de Olinda, as
ruínas do Forte de Gaibu, o Forte de Pau Amarelo, o Convento do
Carmo, em Goiana, a Matriz da Boa Vista, a Igreja de Santa Cruz,
no Recife, as igrejas Nossa Senhora de Boa Hora, São Sebastião,
a Basílica do Carmo, o Mosteiro de São Bento e o Seminário, em
Olinda, as ruínas da Fortaleza de Tamandaré, os municípios de
Serinhaém e Itamaracá no período da dominação holandesa e a
Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Recife.
O artista desenhou ainda uma série de ilustrações do folclore
nordestino para o livro Lobishomem da porteira velha, do
folclorista Jayme Griz; as cidades Ouro Preto, Congonhas, Vila
Rica, Sabará e São João d'El Rei, no Estado de Minas Gerais; o
Castelo de São Jorge, Alfama e Mouraria, o Elevador de Santa
Justa e a Torre de Belém, em Lisboa; vinhetas em miniatura
representando cabeças de anjos, igrejas, janelas, lampiões,
cadeiras, bem como capitulares, iniciais, entre outros.
O poeta Manuel Bandeira, grande fã do Manoel Bandeira pintor,
assim escreveu sobre ele no jornal Diario de Pernambuco: "Xará,
o batuta é você". Pouco ambicioso do ponto de vista material, o
artista era empregado da Pernambuco Tramways, hoje Celpe, e
viveu apenas com o salário que recebia como desenhista
profissional, e de algumas ilustrações que fazia para livros e
jornais.
Quando uma vez lhe perguntaram por que não se mudava para o Sul
do País, para poder triunfar na arte e ter uma vida melhor, o
pintor respondeu de imediato: "porque não posso levar meu Recife
e sem ele não posso viver".
Manoel Bandeira faleceu no dia 3 de março de 1964. Devido ao
Golpe Militar ocorrido neste mesmo ano, a imprensa registrou
muito pouco a sua morte. Os seus trabalhos foram publicados em
1967, pelo Arquivo Público Estadual de Pernambuco, três anos
após o seu falecimento. Com o intuito de perpetuar o artista
plástico, evitando que ele caísse no esquecimento, o Governo do
Estado de Pernambuco, a pedido do antropólogo Waldemar Valente,
destinou uma rua e um grupo escolar com o nome Manoel Bandeira.
Recife, 18 de julho de 2003.
FONTES CONSULTADAS:
PERNAMBUCO. Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes. Desenhos
de Manoel Bandeira; originais do Arquivo Público Jordão
Emerenciano. Recife, 1983.
VALENTE, Waldemar. Bandeira, o pintor. Recife: FJN, Instituto de
Pesquisas Sociais, 1984. (Trabalhos para Discussão, 17)
(Texto atualizado em 8 de outubro de 2008)

