"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

São Luís

A Caminho de São Luís

2ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)

Praia da Baronesa - Freqüentada pela comunidade local e por turistas, está a apenas 1 km do centro da cidade, onde temos bares, restaurantes e pousadas
          Praia da Itatinga - Fica cerca de 3 km do centro da cidade, onde a travessia é feita a pé, quando a maré está seca ou a canoa, quando a maré está alta, possui cerca de 5 km de extensão e é constituída de área leve e fina com a parte de traz coberta por mangues e plantas nativas. É muito linda sendo mais utilizada por pescadores do que por banhistas.
          Praia do Barco - Está localizada na orla marítima da cidade, de frente à ilha do Livramento, possui cerca de 1 km de extensão e é utilizada mais por pescadores de camarão e banhistas locais.
          Praia do Tapireí - Praia que fica dentro da área da base Militar de Alcântara, onde o acesso só é permitido mediante uma autorização da Aeronáutica.
          Os manguezais são vegetações que se desenvolvem em locais com altas temperaturas e onde há o encontro de rio com mar. Local rico em alimento de várias espécies d peixes, mariscos etc. e onde muitos deles se reproduzem.
         
          O manguezal pode ser dividido em três áreas distintas: lavado, bosque e apicum. O Brasil fez um acordo com os Estados Unidos para lançamento de Foguetes daquele país no Centro de Lançamento de Alcântara, mas o acordo assinado entre os dois países, para os especialistas no assunto, fere a soberania do povo brasileiro. Pelo acordo, os Estados Unidos usarão o local como se fosse parte do seu próprio país. Várias cláusulas do acordo impõe restrições a entrada de brasileiros na base. Também definem que países inimigos dos EUA não poderão lançar foguetes de lá. E mais grave ainda: os cientistas brasileiros não poderão ter acesso à tecnologia dos Estados Unidos, utilizada no local.
          O acidente ocorrido há poucos meses com o Veículo Lançador de Satélite (VLS) brasileiro, na Base de Alcântara, que causou a morte de 21 pessoas, foi causado por uma corrente elétrica, que acionou precocemente o motor A do aparelho, conforme confirmou o ministro da Defesa, José Viegas. No dia 7 de novembro do corrente ano, foi inaugurado, o Museu, em Alcântara, na Casa de Cultura Aero Espacial – C L A,, onde foi entregue um convite pelo Diretor do Museu, o qual subscrevemos na íntegra : Conheça o novo espaço cultural do Centro cultural do Centro de Lançamento de Alcântara Aqui se encontra um pouco de acervo histórico do Programa Nacional de Atividades Espaciais – PNAE, organizado de forma didática e cronológica, para ser melhor apreciado e facilitar a sua compreensão. As diversas exposições representadas por quadros, telas, réplicas autênticas, documentos, filmes educativos e vídeos institucionais são capazes de reunir num só lugar este vasto, cobiçado e interessante campo da ciência, demonstrando com simplicidade os segmentos que compõem a atividade espacial no Brasil, ao longo de quase quatro décadas de existência. A criação desta Casa objetiva, principalmente, a realização do sonho de muitos que acreditam na sua importância dentro do contexto social e cultural da região, identificando antigos anseios do nosso público, visitantes e turistas de todos os lugares do mundo que incluem em seus roteiros de viagem a secular cidade de Alcântara, patrimônio histórico nacional e " janela brasileira para o espaço.
         
Bem – vindos à CASA DE CULTURA AEROESPACIAL
          E, finalmente, registramos algumas datas importantes historicamente para ALCÂNTARA :
          1612 – Os franceses fundaram a França Equinocial.
          1613 – Meretim, índio tupinambá é batizado com o nome de Martinho Francisco e em sua aldeia ergue-se uma capela para hospedar padres.
          1615 – Os portugueses expulsaram os franceses do Maranhão.
          1644 – Os holandeses invadiram o Maranhão.
          1648 – A vila de Santo Antônio é elevada a categoria de sede da província de Grão – Pará e Maranhão e passou a ser chamada de Santo Antônio de Alcântara, deixando de ser vila para ser uma cidade política.
          1684 – Revolta dos Becmam.
          1701 – Francisco Albuquerque Coelho Carvalho herda a Capitania de Cumã.
          1722 – Os jesuítas fundaram a povoação indígenas de São João, hoje São João Cortes.
          1755 – É criada a companhia Grã – Pará e Maranhão.
          1803 – Consagrado o altar da igreja do Rosário de São Benedito.
          1819 – Alcântara conta com 12.000 habitantes.
          1822 – Independência do Brasil.
          1860 – Período de grande luta política entre os Partidos Liberal e Conservador.
          1889 – Proclamação da República.
          1890 – O Pelourinho é quebrado pelos Republicanos.
          1896 – Alcântara entra em decadência total.
          1947 – A Casa da Câmara é transformada em Penitenciária do Estado.
          1948 – A Cidade torna-se monumento Histórico Nacional.
          1982 – Implantação do C. L. A . - Centro de Lançamento de Alcântara.
         
         
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

         
LENÇÓIS MARANHENSES
          Chegar aos Lençóis Maranhenses é uma das maiores emoções que um ser humano Pode ter a ventura de experimentar. A festa visual começa desde o momento em que o turista sai de São Luís do Maranhão ou de qualquer outra cidade ou lugarejo com destino a eles. Quem se desloca de São Luís, viaja cerca de três horas até chegar em Barreirinhas, onde acontece a primeira parada para mudar de carro e partir num veículo possante, com pneus especiais para atravessar riachos, areais e com capacidade para enfrentar ladeiras íngremes e dunas.
          As principais atrações da cidade são as dunas e o rio Preguiças. O rio é fonte de economia e diversão. Do Rio Preguiças, saem os peixes para o alimento e comércio da população ribeirinha. Além disso, o rio Preguiças é utilizado pelos turistas para passeios de barcos rumo à entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
          De Barreirinhas, depois de atravessar o rio Preguiças, até chegar aos Lençóis, viaja – se cerca de cinqüenta minutos a uma hora, em estrada, ou quase vereda de terra batida, de areia fofa e pesada, respirando o ar mais puro que se possa imaginar, com a impressão de quem está partindo para uma aventura.
          O rio Preguiças em determinado ponto do seu curso atravessa os Lençóis ... Esse nome deve-se à calmaria de suas águas. O rio deságua em Atins, uma grande colônia de pescadores, onde é possível encontrar pescado e camarão. É rodeado por vegetação nativa, especialmente de palmeiras. Possui uma área 155.000 ha e 70 Km de praia. Está localizado no estado do Maranhão, abrangendo os municípios de Barreirinhas, Humberto de Campos e Primeira Cruz. O acesso é realizado por via terrestre pela BR 135, por via Marítima, entrando no canal do Rio Preguiças em Atins e por via Fluvial, a partir de Barreirinhas, através do Rio Preguiças. Por via terrestre, saindo de São Luís, a capital do estado, percorre-se 58 Km até Rosário, e a partir daí mais 22 Km até Morros e 162 Km até Barreirinhas, cruzando-se o trevo para Humberto de Campos. Por via fluvial, adentra-se através do mesmo Rio Preguiças, a partir de Barreirinhas, onde se pode chegar até Atins, onde existe uma sede administrativa. A sede do Parque fica a 2 Km de Barreirinhas, do outro lado do Rio Preguiças, onde se atravessa de balsa. Existem passeios a partir de Barreirinhas, utilizando veículos apropriados, onde se chega até as Dunas e Lagoas de água doce.
          É nos "Lençóis", como é carinhosamente chamado o parque, que Barreirinhas tem seu maior trunfo. Imagine um deserto à beira do oceano, repleto de dunas e lagoas de águas cristalinas. Imaginou? O espetáculo é realmente de tirar o fôlego. As imensas dunas mudam constantemente de forma e de lugar com o vento que vem do mar, parecem retratar um imenso deserto seco. Mas ao se aproximar, o visitante percebe que entre elas existem piscinas naturais de água doce. Um cenário que faz dos Lençóis Maranhenses um espetáculo natural que você não pode perder por nada deste mundo. Em Barreirinhas, deve-se aproveitar para adquirir peças de artesanato local, feito da palha de palmeira de buriti. Ao chegar aos Lençóis, nos deparamos com imensas dunas de areia finíssima e branca que se entendem como um lençol pelas águas do Atlântico. São milhares de ilhas formadas pela água cristalina das chuvas.
          As dunas, que se movimentam ao sabor do vento, se estendem por 100 km de extensão e adentram 50 km no continente. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhense, um intrigante fenômeno ecológico, tem a cidade de Barreirinhas, como já frisamos, como principal portão de entrada e é maior do que a cidade de São Paulo.
          A região possui ainda belas praias e povoados simples, de visitação quase obrigatória, como Mandacaru, Caburé e Atins. Habitadas por pescadores, as vilas são simples e deliciosamente rústicas.
          Nos Lençóis Maranhense se encontram as lagoas : lagoa Esperança, lagoa da Gaivota, lagoa santo Antônio, lagoa Travosa, lagoa da Lua, lagoa do Peixe, lagoa Bonita, lagoa Azul, lagoa Vassouras, lagoa Alazão , lagoa Baixa Grande, lagoa Queimada dos Britos e muitas outras. Para quem tem mais tempo e um poder aquisitivo mais elevado, além do itinerário já descrito, deve, continuando a magnífica aventura, descer o rio Preguiças, que em determinado ponto do seu curso, margeia o Parque dos Lençóis até desembocar no Oceano Atlântico. Vale, aproveitando o passeio, visitar as comunidades de Caburé, Atins e Mandacaru, com destaque em Mandacaru, para o farol, de onde se tem uma visão inigualável do Parque. Na prainha do vilarejo de Caburé, os pescadores montam cabanas no período chuvoso para pescar. É ideal para acampar, pois é banhado pelo Rio Preguiças. Também possui pousadas e restaurantes simples. A Praia de Vassouras também de ser vista como carinho. São apenas 5km de dunas, entre o mar e o Rio Preguiças. A visitação é feita a partir de Barreirinhas, onde se obtêm, através de agencias locais, as melhores opções de deslocamento dentro do Parque. As acomodações existentes na região são melhores em Barreirinhas, com pousadas e hotéis, mas também pode- se pernoitar em Atins (2 pousadas ) e Caburé ( 4 pousadas ). O Parque não tem acomodações regularizadas dentro de sua área. O deslocamento interno é feito por veículos 4 x 4, que podem ser locados em Barreirinhas. As melhores atrações do Parque são as belezas cênicas, os passeios nas dunas, os banhos de lagoas, que são melhores nas épocas de chuva (Dezembro a junho), e os banhos de Rio e Mar, em Atins e Caburé. Do farol, é possível avistar as dunas margeando o mar do Maranhão. Localiza-se na cidade de Mandacaru, nos limites do parque. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é bastante extenso e sem estradas de acesso. Para conhecê-lo é preciso enfrentar as dunas e o forte calor, sempre em companhia de um guia local. Pequenas caminhadas podem ser feitas a pé. Para caminhadas mais longas, é preciso um veículo 4x4 ou até um tradicional jegue. O Parque é um celeiro de pescadores, sendo que alguns deles tornam-se nômades em algumas épocas do ano, principalmente no verão que é mais propício a pesca. Existem dois oásis dentro do Parque onde vivem diversas famílias. Suas dunas são móveis provocando muitas vezes soterramento de casas e carros. O nome da unidade é devido à visão que se tem ao observar o Parque do alto, a qual lembra um lençol jogado com desleixo sobre a cama. O forte calor é recompensado pelo banho refrescante nas lagoas cristalinas e nas praias desertas, que ocupam cerca de 70km. A lagoa mais famosa, por sua beleza, é a Azul. No interior do parque há dois oásis, o Queimada e o Baixada Grande. Nas bordas do parque existem grandes manguezais. Nas praias, pode-se encontrar caranguejos e tartarugas marinhas. Já as lagoas recebem a visita de aves migratórias, como o maçarico, a marreca-de-asa-azul e o trinta - réis, que param para descansar e se alimentar. A preservação de um ecossistema único de dunas, mangues e restingas é muito importante. A área apresenta potencial para serem desenvolvidas atividades científicas, educativas, de recreação e de turismo. Sendo o único deserto brasileiro (cheio de água durante alguns meses do ano), a região chamou a atenção dos pesquisadores do Projeto RADAMBRASIL, que sentiram a necessidade da preservação do local. Desta forma, com base na proposta apresentada pelo projeto para preencher lacunas existentes no então sistema de Unidades de Conservação, que objetiva conservar amostras de toda a diversidade de ecossistemas naturais do País, foi criado o Parque pelo decreto n° 86.060 de 02.06.1981
          (Maria Nascimento Santos Carvalho)
         
          Baçan, escolheu o tema de uma lenda de São Luís, que segundo nos disse, já há muito tempo que a conhecia. Ao levantar-se, tombou uma cadeira o que provocou uma enorme gargalhada geral, o que levou o Humberto a perguntar-lhe: "Amigo Baçan, é você que vai falar, ou será a cadeira !":
         
          Lenda da Serpente da Ilha - (São Luís)
          "Uma grande serpente pela boca, abraçará a Ilha com força descomunal e, com fúria diabólica, a arrastará para as profundezas do mar, afogando, de maneira trágica, todos os moradores. Submersa nas águas que circundam a Ilha de São Luís, continuamente cresce, enquanto dorme, camuflada pelo limo e pelo musgo grudados sobre suas grossas escamas. Ninguém sabe por quanto tempo esse animal dormirá. O certo, porém, é que chegará o dia em que, findo o processo de crescimento, a cabeça desse monstro encontrará a ponta de sua própria cauda. Nesse dia, para desgraça dos habitantes de São Luís, essa fenomenal criatura acordará. Então, produzindo rugidos ensurdecedores, soltando enormes labaredas pelos olhos e habitantes da ilha".
         
          Entretanto, o Navio Cuco tinha chegado a São Luís e logo foram todos almoçar ao Restaurante do Hotel Vila Rica, sito na Praça Dom Pedro 11, Nº 299. Foram escolhidos vários pratos regionais.
          Nesse dia, a Marisa Cajado tinha estado muito calada, o que não é nada comum nela. Todos notaram o estado de espírito desta querida amiga e foi a Comandante que, em voz alta lhe perguntou se ela tinha algum problema. Em princípio, ficou muito surpreendida com a observação da Manuela, mas logo se recompôs e contou o que lhe tinha acontecido:
         
          "Eu tive um sonho muito esquisito. Um fantasma que fazia-me cócegas no pé. Era muito estranho, Tinha uns olhos de vidro, eram bonitos , cor do mar, pensei até por um momento ser real, mas vi que não era infelizmente. Fazia-me tantas cócegas nos pés e eu arrepiei, morro de cócegas e fiquei brava com ele. Naquele instante entrei em pânico , mas depois vi que seus olhos eram bonitinhos, como estou acostumada a lidar com fantasmas, se bem que os meus fantasmas são todos músicos, como ele não era fiquei contente. Estava ali um fantasma diferente. Num repente, olhei pra ele mais atentamente e o achei indecente, francamente meus amigos, não somente seus olhos eram de vidro, as pernas de pau e um nariz de pica-pau, nunca vi tanta feiura junta. Em matéria de fantasma, prefiro meus músicos mesmo pois passam-me letras e melodias lindas. Este fantasminha era fofoqueiro!! Imagine que me contou que viu o Von na cozinha assaltando a geladeira 'a noite . Disse também que haviam duas espiãs femininas, uma delas de olhos azuis que colocou um olho mágico em todos os camarins. Já pensou????? E agora vai descobrir muita coisa que eu nem quero saber. Cantei pra ele uma musiquinha minha que canto pros fofoqueiros:
          " Fofoca é pra ficar dentro da boca/Palavra é pra contar noticia boa/ Se não tem nada de bom pra ser contado/É bem melhor ficar calado/"
          Ele olhou-me meio desconfiado e embasbacado. Foi saindo de fininho em busca de outra pra assustar. Comigo coitado nem teve vez, pois não me assusto com fantasma, sou muito amiga deles . Eles me falam da vida de lá e eu fico até querendo dar umas voltinhas. Mas por enquanto estou muito feliz aqui nesta viagem maravilhosa que embora tanta confusão é uma animação só. Estou ansiosa para chegarmos à Fortaleza. É um lugar maravilhoso, com praias lindíssimas. Tem um artesanato de rendeiras fantástico. Lá, vou comprar uma rede. As redes do Ceará são famosas. Nos restaurantes à beira mar preparam uma lagosta deliciosa. Ai meu regime.... Estou me preparando com um belo biquini pois lá faz muito calor e a gente quer ficar no mar o tempo todo. Meu biquini de bolinhas amarelinhas vai fazer inveja a todas... E vamos seguindo". (Trabalho de Maria Cajado)
         
          Durante o seu relato, todos fartaram-se de rir, incluindo a Marisa. Foi a vez de lhe ser feito o pedido de cantar um dos seus fado. Acedeu, pegou na viola e começou a cantar (e a encantar) :

          A MESMA CANÇÃO
          Marisa Cajado/Cancioneiros do Infinito
         
          "Sim meus irmãos / Aqui também se canta o fado / Um fado tão bem cantado / Como lá em Portugal /
          Do Grão Senhor / A Terra é uma videira / E toda gente plantadeira / Da mensagem do Natal
         
          Embora seja o Brasil o coração / Toda Terra tem também / Uma partida da missão / E Portugal também /
          Dá o seu cadinho / Juntando se bocadinho / À lei do amor universal
         
          Mas no futuro / Tudo vai ser diferente / Nação, vai juntar a gente / Vamos todos dar a mão /
          Cantando polka, valsa, tango / Samba ou fado / Cantaremos separado / Porém a mesma canção"

         Tão bem cantado foi este fado, que a Marisa levou uma enorme salva de palmas (merecidas).
          Não tardou em que o voo Trina, com ar de grande sofredor, também começasse a cantar (ou a tentar cantar). Não passou despercebido o tom nostálgico deste amigo. Ainda alguém perguntou: "A quem é que o Trina está a dedicar esta canção? ...

          AMANTE À MODA ANTIGA
          Roberto Carlos - Erasmo Carlos
         
          "Eu sou aquele amante à moda antiga / Do tipo que ainda manda flores / Aquele que no peito ainda abriga / Recordações de seus grandes amores / Eu sou aquele amante apaixonado / Que curte a fantasia dos romances / Que fica olhando o céu de madrugada / Sonhando abraçado à namorada / Eu sou do tipo de certas coisas /
          Que já não são comuns nos nossos dias / As cartas de amor, o beijo na mão / Muitas manchas de batom /
          Daquele amasso no portão / Apesar de todo o progresso / Conceitos e padrões atuais /
          Sou do tipo que na verdade / Sofre por amor e ainda chora de saudade / Porque sou aquele amante à moda antiga / Do tipo que ainda manda flores / Apesar do velho tênis e da calça desbotada /
          Ainda chamo de querida a namorada / Ainda chamo de querida / A minha namorada /
          Ainda chamo de querida minha namorada / A minha namorada / A namorada / A Minha namorada".

          A Margarida não se conteve ao dizer a meia voz: "Coitado do von Trina ! Deve de estar a sofrer muito !". Até aqui, a tripulante e Imediatada do Navio Cuco, a bela Cristina Estrompa, tem sido uma figura muito caladinha. –Porquê ? Só ela poderá dizer. Mas naquele momento levantou-se da mesa e junto a uma janela do restaurante, começou a cantar com a sua maravilhosa voz:

          UM DIA DE DOMINGO
          Michael Sullivan - Paulo Massadas
          (canta Gal Costa)
         
          "Eu preciso te falar / Te encontrar de qualquer jeito / Pra sentar e conversar / Depois andar de encontro ao vento /
          Eu preciso respirar / O mesmo ar que te rodeia / E na pele quero ter / O mesmo sol que te bronzeia /
          Eu preciso te tocar / E outra vez te ver sorrindo / E voltar num sonho lindo / Já não dá mais pra viver /
          Um sentimento sem sentido / Eu preciso descobrir / A emoção de estar contigo / Ver o sol amanhecer /
          E ver a vida acontecer / Como um dia de domingo / Faz de conta que ainda é cedo /
          Tudo vai ficar por conta da emoção / Faz de conta que ainda é cedo / E deixar falar a voz do coração /
          Eu preciso te falar / Te encontrar de qualquer jeito / Pra sentar e conversar / Depois andar de encontro ao vento /
          Eu preciso respirar / O mesmo ar que te rodeia / E na pele quero ter / O mesmo sol que te bronzeia /
          Eu preciso te tocar / E outra vez te ver sorrindo / E voltar num sonho lindo / Já não dá mais pra viver /
          Um sentimento sem sentido / Eu preciso descobrir / A emoção de estar contigo / Ver o sol amanhecer /
          E ver a vida acontecer / Como um dia de domingo / Faz de conta que ainda é cedo /
          Tudo vai ficar por conta da emoção / Faz de conta que ainda é cedo / E deixar falar a voz do coração /
          Eu preciso te falar".
          Curiosamente, quando a Cristina acabou de cantar, muitas senhora tinham uma lágrima ao canto do olho...

          Para alegrar um pouco o ambiente, a Drª Arlinda Lamêgo levantou-se para ler um relatório médico:
         
          Relatório médico da Drª. Arlinda Lamêgo (a médica de bordo do Navio Cuco)
          "Houve, é verdade, alguns incidentes durante a viagem. Tudo sob controle. Mas, caso precise, posso fazer um relatório dia- a dia, pois a cada porto tenho reabastecido o navio com medicamentos. No caso das fichas dos pacientes, tenho feito analises, com queixas, duração, descrição, mas se possível, tenho usado termos éticos médicos para não expor os pacientes. Assim, no atendimento, tenho sido muito concisa, apesar de escutar algumas coisa, bem...como dizer, pitorescas. Ah, sim , tivemos alguns acidentes de trabalho. É assim mesmo. A tripulação, às vezes, tem feito desvio de função, e no lugar de dirigir o timão fica a cortar batatas. Resultado: chama a Dra . Arlinda.
          Assim, a respeito do corte do Von Trina (a incisão foi mínima), depois de uma noitada. Temos tido pequenas intoxicações alcoólicas. A euforia fez com que se ousasse mais. "A Noite do Comandante , foi a festa super-esperada por todos ,na quinta feira, foi um recorde. A incursão alcoólica levou não só a que eu fizesse algumas suturas, mas também precisado dar alguma glicose endovenosa, e , novamente, fazer-me ficar acordada. No outro dia, fazer o que, tive que dormir de dia , para aguentar a noitada da "Festa do Macarrão".. Tem gente que "pensa que é italiano", e não para de beber vinho . Resultado: nova festa prá lá de animada. Sobre a espinha de peixe, sabe, dessa vez, tive medo de precisar fazer uma intervenção. Às vezes, é preciso fazer endoscopia. E, assim, precisar de anestesiar. Porém, dei apenas um calmante prá Arneide, e consegui retirar a espinha sem problema. É que no Norte e Nordeste, come-se muito peixe de coco com pimenta, o que favorece o sabor. Quando não se está acostumado, precipita-se . Come-se muito peixe frito com as mãos, junto com cerveja. Esquece-se um pouco que comer devagar, cuidadosamente, é necessário. Mas, a coitadinha é quietinha, foi pura falte de sorte.
          Temos que prestar muita atenção nos Acidentes de Trabalho. Acredito que a gente pode receber alguns processos se continuar assim. A Flora teve uma intoxicação alimentar aguda. Ainda bem. Cedeu rápido com Fenergan. Isso acontece.
          Sobre os mal-estares , bem , a turma começou a se acostumar com o balanço do mar. E já está acostumada com as lagostas, os pitéus'. Temos tido algumas alergias a camarões".

         
          Depois da refeição regressámos ao navio, pois ainda tínhamos que falar do Estado do Maranhão. Calhou à Marisa Cajado começar a falar. E deu show, ao acompanhar a sua dissertação com acordes de violão:

       
Estado do Maranhão
          "Parece que em 1500, o espanhol Vicente Yañez Pinzón tenha percorrido toda a costa norte do Brasil, de Pernambuco à foz do Rio Amazonas, portanto, pelo litoral do Maranhão. A partir de 1524, os franceses começaram a visitar com frequência o litoral do Maranhão, abandonado pelos portugueses. Em 1531, quando Martim Afonso de Sousa chegou ao Brasil, ordenou que Diogo Leite explorasse o litoral norte. Diogo Leite chegou até à foz do Rio Burupi, actual fronteira entre os Estados do Maranhão e do Pará. Em 1534, o Brasil foi dividido em capitanias. A do Maranhão foi dividida em dois lotes: o primeiro, doado a Fernão Álvares de Andrade, e o segundo, a João de Barros e Aires da Cunha. Os três donatários organizaram uma expedição para iniciar a conquista e o povoamento de suas terras".
          A Marcia Smith, como sempre, estava na lua, perdão, a consultar os seus mapas astrológicos. Antes de falar, pediu à Marisa que desse uns acordos enquanto ela lia, pois segundo ela, os acordes do violão da Marisa, até os anjos os ouvem ...:
          "A expedição naufragou perto da ilha de São Luís. Com o fracasso da expedição, a capitania foi devolvida ao rei. Durante a segunda metade do século XVl, os franceses continuaram a visitar as costas maranhenses. Em 1594, Jaques Riffault e Charles de Vaux estiveram ali. Foram os franceses que iniciaram o povoamento do Maranhão. Contra a França equinocial, estabelecida pelos franceses, os portugueses organizaram um exército que a derrotou. A vinda de açorianos, trazidos pelos portugueses, consolidou, enfim, o domínio lusitano. Em 1641, os holandeses invadiram a cidade de São Luís. Três anos depois retiram-se derrotados. A ocupação luso-brasileira do litoral maranhense prosseguiu. Em 1648, foi fundada a vila de Alcântara. Em São Luís, o povoamento começou a irradiar-se pelos vales dos rios Mearim e Itapicucu. Em 1682, a Coroa Portuguesa criou a Companhia de Comércio do Maranhão. Seu insucesso levou os colonos à chamada revolta do Bequimão, em 1684".
          A Malou, antes de começar a falar, protesta sempre, alegando que é artista plástica e não locutora. O Carlos disse-lhe que ela tinha uma bela voz, e a reacção desta amigo foi virar-se para ele, dizendo-lhe "Ainda mato você !":
          "Foram derrotados no ano seguinte. Nesse mesmo ano, o Marquês de Pombal criou a Companhia Geral do Comércio do Maranhão e Grão-Pará, que durou até 1777. Os portugueses não aceitaram, de imediato, a Independência do Brasil. Lord Cochrane, a serviço de D. Pedro l ( 4º de Portugal), ajudou a consolidar a independência no Maranhão. O Estado, então província, ainda foi foco de Setembrada, em 1831, revolta contra os privilégios económicos ainda concedidos aos portugueses, e da Balaiada, em 1838, movimento de carácter popular do qual participaram agricultores, escravos fugidos e vaqueiros. Durante o Segundo Reinado, porém, as agitações diminuíram muito, limitando-se a lutas entre famílias pelo poder local. Isso contribuiu para o desenvolvimento da economia da província. Todavia, com a abolição da escravatura, em 1888, a província entrou em decadência, pois a sua economia baseava-se, sobretudo, no trabalho escravo. Da proclamação da República, em 1889 a 1830, o Maranhão viveu um começo de industrialização , com o desenvolvimento sobretudo do sector têxtil e do beneficiamento de arroz e cana-de-açúcar".

          A Luiza Terra estava muito entretida a tentar tirar um pequeno calo que tinha no dedo do pé esquerdo, e quando se levantou para falar, trazia na mão um pequeno alicate de unhas. A galera não perdeu pitado e logo lhe perguntou: "Luiza, você é da censura ?... é que tem um alicate na mão ..." :

          "O desenvolvimento foi particularmente digno de nota a Primeira Guerra Mundial, pois o Maranhão fornecia para exportação óleo de babaçu. De 1930 a 1947, o Maranhão ficou sob intervenção federal, com intervalos em 1935 e 1937. Durante esse período, entraram no Estado grandes levas de cearenses e outros nordestinos, que se estabeleceram nos vales dos rios Mearim e Pindaré, onde incrementaram a cultura de arroz.
          O Estado do Maranhão, pode ser considerado como um território de relevo médio. Cerca de 90% da superfície estadual encontram-se abaixo de 300 metros de altitude. O relevo é mais elevado ao Sul, onde se registam as poucas zonas em que a cota de 600 metros é ultrapassada. Para o Norte, isto é, em direcção ao litoral, as terras baixam gradativamente. O relevo maranhense pode ser definido como uma porção menos elevada do planalto brasileiro, margeada, ao Norte, por uma baixada litorânea. Na baixada, distingue-se, primeiramente, uma fímbria litorânea plana, baixa e inundável na estação chuvosa. Dominando-a, ergue-se, mais para o interior, uma faixa de terrenos tabulares, ligeiramente mais altos: os tabuleiros da série Barreiras. Pode-se ainda dividir a baixada em quatro sectores que se sucedem de W para E. O primeiro, situado entre o Rio Gurupi e a baía de São Marcos, caracteriza-se, por um litoral de rios muito rendilhados".

          A Henriette Effenberger, a tesoureira do Cuco, anda sempre preocupada com as contas. Está a fazer muita confusão ao pessoal, o porquê daquele cheque que ela mandou para um banco suíço ... Mas continuemos:

          "É onde se desenvolvem os terrenos inundáveis, recobertos por uma vegetação aberta: os chamados campos de Perises. O segundo trecho corresponde ao recôncavo do golfão maranhense e engloba a ilha de São Luís. Alternam-se aí os terrenos mais elevados da série Barreiras e a planície inundável. A Este do golfão surgem os chamados lençóis maranhenses, grande extensão de terrenos arenosos, marcada por um vasto conjunto de dunas. Finalmente, próximo ao limite com o Piauí, estende-se o grande delta do Rio Parnaíba. O Maranhão experimenta durante todo o ano temperaturas elevadas. As médias anuais são sempre superiores a 24º C. A pluviosidade também é elevada, mas apresenta maior variação regional que a temperatura. O Maranhão tem, assim, dois tipos climatéricos. Na porção ocidental do Estado, regista-se uma área de clima super húmido, o chamado clima de monção".

          Seguidamente foi chamada a Gislaine Canales, que anda sempre a protestar, alegando que ainda não pescou nada, porque a isca que compram para ela, não é boa, o que não é a opinião da tesoureira :
          Quando a Flóra se levantou para falar, deu-lhe um grande ataque de riso, que a não deixava falar. A Marisa, logo lhe perguntou se era o "fantasma" dela que lhe estava a fazer cócegas. A Flóra não aguentou mais, e ao pé coxinho lá foi para o banheiro.
          Para não atrasar muito a sessão, foi chamada a próxima oradora, que era a Arneyde, que lhe aconteceu o mesmo e teve de seguir o caminho da Flóra ...
          Claro que foi a Arlinda Lamêgo que tomou o lugar destas duas amigas, que ainda as ouvíamos rir dentro do banheiro ! A linda morenaça que é a Drª. Arlinda, soube muito bem controlar-se e começou a dissertar:

          "No resto do Estado domina o clima tropical, com chuvas de verão e Inverno seco. Reveste o território maranhense uma vegetação de campos, cerrados e florestas. Os cerrados dominam as superfícies oriental e meridional do Estado. Recobrem, sobretudo, chapadas e chapadões. As florestas estão no centro – norte e no oeste. Constituem uma continuação da floresta amazónica em terras maranhenses. A sua distribuição geográfica corresponde à região integrada pelas bacias dos rios Gurupi, Pidaré, Grajaú, Mearim e Itapicucu. Nas florestas do Maranhão distinguem-se um sector ocidental, em que se mantém as características amazónicas, e um sector oriental, em que se nota uma transição para a vegetação mais aberta do cerrado. A mata de transição tem como principal característica a presença do babaçu. Existe ainda no Maranhão uma faixa isolada de matas: a floresta do vale do Rio Parnaíba, em que, além do babaçu,, ocorre outra palmeira de importância económica: a carnaúba. Este Estado tem a segunda maior costa litoral brasileira, depois da Bahia, com 640 Km. Mantém a pesca como actividade importante na economia".

          Já sem cócegas e mais bem disposta, apareceu a Flóra, mas para evitar mais problemas, pediu para falar da cabine de rádio, o que foi prontamente atendida :

          "Com cerca de 50 toneladas anuais, o Maranhão responde pela maior produção de pescado artesanal do Brasil, com destaque para o camarão, caranguejo, caranguejo-uçá e sururu, todos de grande presença na culinária regional. As manifestações populares, representada pela coreografia exuberante, são atracções durante todo o ano. As principais são o tambor-de-crioula e o bumba-meu-boi. No Estado localizam-se ainda importantes áreas de protecção ambiental, como as dunas até 50 metros de altura que se espalham pelo Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

          Quando ela saiu da cabine de rádio, foi a vez de entrar nela a Arneyde. Mais ou menos controlada, lá conseguiu falar:
          " No Inverno, a água da chuva forma lagoas na areia e a reserva perde a aparência desértica. Outra importante zona de preservação é o delta do Parnaíba, entre o Maranhão e o Piauí, com mangues, dunas e praias desertas. Várias ilhas, como a do Caju, resguardam espécies raras de aves, como o marreco e o carcará. O maranhão é o Estado que apresenta o maior índice de população rural: 48,08% dos 5,3 milhões de habitantes moram no campo, conforme dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (PNAD) de 1998. A estrutura fundiária permanece fortemente concentrada. A agricultura familiar e de baixo padrão tecnológico, praticada em pequenas propriedades, é predominante".
         
          Apontamento do ano de 1900, do Jornal do Comércio (Portugal):
          "Maranhão, é um dos 20 Estados da República do Brasil. Situa-se entrem os Estado do Pará, Goiás e Piaui e o Oceano Atlântico. A sua superfície é de 459.884 Km quadrados e a sua população de 600 mil habitantes. A capital é São Luís, e as cidades mais importantes, são: Caxias, Alcântara, Carolina, Brejo, Itapicucu-mirim e Viana. O Congresso compões de duas Câmaras, a dos Deputados com 20 membros eleitos por 3 anos, e a dos Senadores, com 15 membros eleitos por 9 anos. O Estado do Maranhão está dividido em 53 municípios. É rico em gado, algodão e tabaco".
         
          Hino do Maranhão
          "O Hino Estadual é da autoria (partitura) do Maestro Antônio dos Reis Raiol e (poema) do Professor Antônio Batista Barbosa de Godóis, com variações, para orquestração e canto, do Maestro Assis Republicano. Foi a Lei n0 167 562 de 30/3/1911, sancionada pelo Governador Luís Antônio Domingues da Silva, que autorizou o Poder Executivo a adotar uma letra para o Letra do HINO DO ESTADO DO MARANHÃO. Letra de Antônio Baptista de Godois, mMúsica atribuída a Antônio dos Reis Raiol".

                                         I
          Entre o rumor das selvas seculares,
          Ouviste um dia no espaço azul, vibrando,
          O troar das bombardas nos combates,
          E, após um hino festival, soando.
          Estribilho
          Salve pátria, Pátria amada!
          Maranhão, Maranhão, berço de heróis,
          Por divisa tens a glória
          Por nume, nossos avós.
         
                               II
          Era a guerra, a vitória, a morte e a vida
          E, com a vitória, a glória entrelaçada,
          Caía do invasor a audácia estranha,
          Surgia do direito a luz dourada.
         
                               III
          Quando às irmãs os braços estendeste,
          Foi com a glória a fulgir no teu semblante
          E sempre envolta na tua luz celeste,
          Pátria de heróis, tens caminhado avante.
         
                               IV
          Reprimiste o flamengo aventureiro,
          E o forçaste a no mar buscar guarida;
          Dois séculos depois, disseste ao luso:
          - A liberdade é o sol que nos dá vida.
         
                               V
          E na estrada esplendente do futuro.
          Fitas o olhar, altiva e sobranceira,
          Dê-te o porvir as glórias do passado
          Seja de glória tua existência inteira.

          O hino maranhense lembra:
          Na primeira estrofe, a batalha de Guaxenduba, contra os franceses;
          Na segunda, a expulsão dos franceses e a vitória do direito a favor dos portugueses;
          Na terceira, o passado de glórias do Maranhão e seus heróis;
          Na quarta, os dois primeiros versos lembram a expulsão dos holandeses e os dois últimos a adesão do Maranhão à Independência do Brasil;
          Na quinta, o poeta pede que o futuro dê ao Maranhão, por toda a vida, as mesmas glórias do passado.

Fim da 2ª PARTE

A seguir:(03)

índice da Viagem

 

         Carlos Leite Ribeiro

   Música de Fundo: Um Dia de Domingo.