Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)
Brasão do Maranhão
Apresenta, contornado por uma
moldura, um círculo dividido em quatro partes: As duas da direita, em verde e amarelo,
representam as cores nacionais; As duas da esquerda retratam, na parte superior, a
bandeira maranhense e, na parte inferior, o emblema da instrução (um pergaminho
atravessado por uma pena) O Escudo Estadual foi criado pelo Decreto nº 58, de 30/12/1905,
baixado pelo 1º Vice-Governador em exercício Alexandre Colares Moreira Junior e mantido
pela Lei nº 416, de 27/8/1906, sancionada pelo Governador Benedito Pereira Leite.
O modelo original traz a assinatura
do desenhista Lucílio. A forma do contorno da superfície do escudo será a mesma do
escudo da Confederação Suíça e será limitada por molduras de estilo barroco amoldadas
ao contorno; o campo do escudo será dividido em quatro partes - duas, em um dos lados,
contendo as cores nacionais, verde e amarelo, e duas, do outro lado, contendo, a de cima,
a bandeira do Estado reproduzida, e a de baixo o emblema da Instrução no meio de raios
de luz; o escudo será encimado por uma coroa de louros e as molduras, ornatos e a coroa
serão da cor dourada.
Bandeira do Maranhão
Bandeira do Maranhão A
bandeira idealizada pelo poeta maranhense Sousândrade, representa, com suas listras nas
cores vermelha, branca e preta, as raças formadoras do povo brasileiro:
índio vermelho;
português branco;
africano negro.
A estrela branca, contida no
retângulo azul do canto superior esquerdo, simboliza o Maranhão, no céu do Brasil, como
Estado da Federação.
Nestes textos falámos de:
Martim Afonso de Sousa: "Nasceu em Vila viçosa (Alentejo Portugal) em
1500 e morreu em Lisboa em 1571). Comandou uma frota de cinco navios que lhe foi confiada
por D. João lll a fim de combater as pretensões francesas a territórios do Brasil.
Explorou e enviou expedições que percorreram o litoral desde o cabo de Santo Agostinho
até ao Rio da Prata. Em 1532, fundou as vilas de São Vicente e Piratininga e construiu o
primeiro engenho de açúcar do Brasil. Em 1533, foi nomeado capitão-mor do mar das
Índias, cabendo-lhe, com a divisão do Brasil em capitanias hereditárias, as de São
Vicente e do Rio de Janeiro. Nas Índias, defendeu a fortaleza de Diu contra os ataques de
indianos e turcos, derrotou o rajá de Calicute, destruiu a fortaleza de Damão e tomou a
ilha de Repelina. Em 1542, foi nomeado vice-rei das Índias (governou durante três anos).
Regressou a Portugal para ocupar o seu lugar no Conselho de Estado".
Para falar da personagem seguinte,
foram convocados os homens. Por sorteio, o primeiro a falar foi o Paulo Tamiazo, um perito
em História:
"Fernão Álvares de
Andrade: "No ano de 1535 o Rei Dom João III concedeu para Fernão Álvares de
Andrade, o mais poderoso e importante dos Fernão Álvares de Andrade: No ano de 1535 o
Rei D. João III concedeu para Fernão Álvares de Andrade, o mais poderoso e importante
dos agraciados com terras no Brasil que era fidalgo descendente dos Condes de Andrade,
Tesoureiro Mor de Portugal e membro actuante do Conselho Real e o principal conselheiro do
rei - João de Barros que era Feitor da Casa da Índia, Tesoureiro das Casas das Índias e
de Ceuta. Aires da Cunha navegador e militar experiente afeito às agruras da vida
no mar e `a conquista em terras estrangeiras. Sendo o Rei D. João III consciente da
importância das dimensões e dos vultuosos investimentos a ser movimentado por aquele
projecto colonial, tratou de conceder aos donatários associados vantagens adicionais,
além daquelas que já lhes tinham sido asseguradas pelos respectivos forais e no processo
de partilha do Brasil. A esses três homens coubera quase todo o vasto território que se
prolongava desde a Baia da Tradição na Paraíba, até a Ilha de Marajó no Pará.
Os três lotes concedidos aos
donatários associados perfaziam 225 léguas de costa que abrangia todo o litoral
setentrional do Brasil, embora a extensão das terras fossem enormes, havia um grave
problema logístico, pois aquelas capitanias ficavam na região chamada de Costa
Leste-Oeste uma porção menos conhecida do litoral brasileiro e a que apresentava as
maiores dificuldades náuticas para os homens dispostos a percorrê-la nos tempo da
navegação a vela. Os donatários já sabiam disto, mas sabiam também que a partir de
seus lotes, seria possível tentar a conquista do Peru . O donatário Fernão Álvares de
Andrade, embora fosse muito rico, não se lançou sozinho em suas aventuras brasileira,
ele decidiu se associar com João de Barros que havia sido agraciado com duas donatárias
em parceria com Aires da Cunha, sendo que um dos seus lotes tinha 50 léguas de extensão
que iniciava-se no extremo norte do Brasil, no chamado Cabo de Todos os Santos e ao sul
era estabelecido pela foz do Rio Gurupi na chamada Abra de Diogo Leite e o outro lote mais
tarde conhecido como Capitania do Rio Grande que ficava bem mais ao sul e tinha 100
léguas de larguras que começava na ponta de Mucuripe e ia até a Baia da Tradição na
Paraíba e entre os lotes de João de Barros e Aires da Cunha existiam duas outras
capitanias, uma que mais tarde passou a se chamar de Maranhão que fora entregue a Fernão
Álvares com 75 léguas de costa que principiava na foz do Rio Grande e ia até a foz do
Rio Paraíba, e em Novembro de 1535, com Aires da Cunha no comando da expedição, pois
Fernão Álvares de Andrade e João de Barros haviam permanecido na corte, onde alias os
seus serviços eram indispensáveis ao bom funcionamento dos negócios ultramarinos, que
na oportunidade João de Barros foi representado pelos seus filhos Jerônimo e
João".

O orador seguinte, foi o Abílio
Terra, que embora um pouco afónico, conseguiu ler muito bem o apontamento:
"No dia 6 de Janeiro de 1536 a
grande esquadra deu entrada no Porto de Pernambuco, onde o donatário Duarte Coelho e os
seus colonos que o acompanhavam na dura rotina dos trabalhos de construção da Vila de
Olinda e com a chegada da esquadra que era composta por dez embarcações e armada pelos
três donatários coligado, se deu o reencontro de Duarte Coelho e Aires da Cunha, velhos
conhecidos de outras jornadas, pois juntos eles já tinham combatidos em Malacá (Índia)
e compartilhados a chefia da esquadra dos Açores, e quando Duarte Coelho tomou
conhecimento dos planos de seu antigo companheiro de armas, forneceu-lhe alguns mapas,
quatro interpretes e uma fusta. Assim, na segunda quinzena de Janeiro a armada de Aires da
Cunha partiu de Pernambuco em direcção ao nordeste e depois de navegar ao longo da
costa, a frota de Aires da Cunha cruzou pela ampla foz do Rio Potengi, que apesar de ser
aquele local um ponto estratégico e ficar dentro dos limites das donatárias que ele
compartilhava com João de Barros, Aires da Cunha inexplicavelmente não fez escala ali,
indo desembarcar na tortuosa foz do Rio Baquipe onde foram rechaçados pelos índios
Potiguar que nesta época estavam unidos com os franceses. Por este motivo Aires da Cunha
zarpou com sua frota para as terras de Fernão Álvares de Andrade Acompanhando a linha da
Costa até dobrarem o Cabo de São Roque onde entraram na traiçoeira Costa Leste-Oeste
onde as correntes corriam paralelamente à costa conduzindo os navios em direcção ao
Caribe; por este motivo a frota foi levada bem mais à oeste na zona dos chamados
Lençóis Maranhenses e foi justamente ai que a frota de Aires da Cunha perdeu o auxilio
inestimável da fusta que a acompanhava, que fora empurrada por ventos contrários, com
isto essa pequena embarcação sumiu e se desgarrou da armada. Sem o insubstituível apoio
do barco de reconhecimento a tragédia logo se abateu sobre a frota de Aires da Cunha,
pois a nau capitaneia foi tragada pelos Corais do Parcel de Manoel Luiz, porém os navios
da frota chegaram até a uma ilha junto ao Rio Maranhão onde ao desembarcarem foram bem
recebidos pela gente que ali viviam, a ilha foi baptizada como Ilha da Trindade e nela
ergueram uma povoação e edificaram uma fortaleza que recebeu o nome de Nazaré. Porém o
desanimo e a anarquia se abatera sobre os sobreviventes e os nativos indígenas Tremembé
que a principio tinham recebido bem os forasteiros, se rebelaram queimando as plantações
e sitiando a Vila de Nazaré e ao longo de dois anos, isolados no remoto litoral
maranhense os sobreviventes ainda perseveraram mas sem a energia e o comando de Aires da
Cunha e sem deparar com o ouro nem preciosidade e cercados pelos índios, eles decidiram
renunciar aos sonhos de grandezas, e aos poucos foram iniciando a melancólica jornada de
retorno para Portugal".
O Baçan com a sua reconhecida
capacidade de orador, continuou:
"Devido as grandes despesas
ocorridas, as mesmas deixaram João de Barros arruinado, no entanto ele não desistiu de
imediato do Brasil, pois em 1539 ele enviou o fidalgo Luiz de Melo para instalar-se no
Maranhão, mas sua sorte foi, uma vez mais desastrosa e fugidia, pois Luiz de Melo também
veio a naufragar nos tenebrosos baixios da costa maranhense e em três anos após a este
novo fracasso os portugueses tiveram que amargar uma outra vitória dos castelhanos, pois
Francisco de Orelhana partindo de Quito no Equador em Junho de 1541, em companhia do frei
dominicano Gaspar de Carvayal havia chegado, em 26 de Agosto de 1542 ás águas do
Atlântico, e se tornando como o primeiro homem a ter navegado da nascente à foz do maior
rio do mundo o qual ele baptizou com o seu próprio nome, porém ele ficaria conhecido
como o Rio das Amazonas. João de Barros em cujas capitanias se localizavam a foz do
Amazonas, ainda levaria alguns anos para desistir da conquista da região. Embora
financeiramente arruinado pelos fracassos de suas expedições anteriores, João de Barbos
tornou a enviar Jerônimo e João seus dois filhos, para novas tentativas de instalar-se
na Costa Leste-Oeste. Com uma expedição partindo de Lisboa em 1556, mas ao tentar fundar
uma colónia na donatária os dois irmãos foram novamente rechaçados pelos índios
Potiguar e por seus aliados franceses. Velho, empobrecido e fatigado João de Barros
desistiu definitivamente de seu lote no Brasil, e ao contrario de João de Barbos o
Tesoureiro-mor, Fernão Alvares de Andrade, que também perdera muito dinheiro na
tentativa de ocupar o Maranhão, este manteve-se como um dos principais incentivadores do
projecto de investir no Brasil. O Provedor-mor da Fazenda António Cardoso de Barbos que
era subalterno directo de Fernão Alvares e de Antônio de Ataíde e, em 20 de Novembro de
1535 recebeu a Capitania do Ceará com 40 léguas de largura que ia da foz do Rio Paraíba
à ponta de Mucuripe e que ficava entre as possessões de Fernão Alvares e às de Aires
da Cunha e de João de Barros, que por qualquer motivo não se associou ao projecto no
qual os três donatários associados lançaram-se conjuntamente e também nunca empreendeu
a colonização de seu lote. Já no inicio do século XVII os portugueses haviam desistido
do glorioso projecto de conquistar o Peru pela via do Atlântico. Porém, a Capitania de
Pernambuco, a do primeiro donatário Duarte Coelho que possuía uma extraordinária folha
de serviços prestados a Coroa Portuguesa nos mares e campos de batalhas do Oriente, filho
bastardo de Gonçalo Coelho e que, apesar de ser militar provinha da nobreza agrária de
Portugal, o mesmo sucedia com sua mulher Dona Brites de Albuquerque, a qual viria a ser a
primeira mulher chefe de governo na América, portanto ambos eram descendentes de senhores
rurais do norte de Portugal".
Nem sempre acontece - só às vezes
que as mulheres reconhecem o esforço dos homens, no sentido mais lato. Foi o que
aconteceu à querida amiga Drª Maria Nascimento, que considerou os textos muito longos e
que estavam a fatigar demasiadamente os homens. Assim, para os aliviar, propôs ser ela a
próxima oradora:
"No dia 10 de Março de 1534,
Duarte Coelho tornou-se o primeiro donatário a receber uma capitania no Brasil e de ter
recebido o melhor lote da colónia, numa zona que, além de possuir as terras mais
férteis e mais apropriadas à lavoura da cana-de-açúcar, ficava mais próximo de
Portugal do que qualquer outra porção da costa brasileira. Tinha 60 léguas de largura
estendendo-se desde o Rio Iguaracu, na ponta sul da Ilha de Itamaracá até a foz do Rio
São Francisco, e que no final de Outubro de 1534, partiu de Portugal com duas caravelas
para Pernambuco tendo como acompanhante diversos lavradores pobres do norte de Portugal,
das províncias de Entredouro e Minho, e de vários fidalgos que entre eles se encontravam
Jerônimo de Albuquerque e Vasco Fernandes de Lucena que se destacaram pelos seus
decisivos serviços desenvolvido na colonização de Pernambuco No dia de 9 de Março de
1535, a frota comandada por Duarte Coelho chegou ao seu destino contornando a Ilha de
Itamaracá pelo canal sul e segui em direcção a foz do Rio Iguaraçu até ancorar em
frente a velha feitoria que Cristóvão Jacques havia transferido do Rio de Janeiro em
1516 para a Ilha de Itamaracá. A sua capitania estabelecia limites com a de Pero Lopes e
delimitava os antigos territórios tribais dos Caetês, que eram aliados dos franceses e
dos Tabajaras,
eventuais
aliados dos portugueses. Ali o donatário Duarte Coelho se estabeleceu. Em 27 de Setembro
de 1535 fundou a Vila de Cosme e Damião, cuja designação se manteve por muito tempo,
pois o estabelecimento continuou sendo chamado de Iguaracu . E após estabelecer a vila o
donatário tratou de fincar um marco de pedra para demarcar o limite de sua capitania com
a de Pero Lopes, a nordeste de Iguaraçu, onde foi erguido um povoado que ficou conhecido
como Sitio dos Marcos. Os primeiros tempos de Duarte Coelho na Ilha de Itamaracá, foram
muito difíceis ; a começar pelo fato de seu lugar-tenente, Francisco de Braga que havia
vivido na Ilha de Itamaracá e que falava bem a língua Tupi, e como Duarte Coelho era
homem de moral rígida e acostumado a mandar, logo se desentenderam, após uma calorosa
discussão. Duarte Coelho mandou marcar o rosto de Francisco de Braga conforme antigo
costume feudal. E, impossibilitado de enfrentar um nobre fidalgo, Francisco de Braga
preferiu abandonar a Ilha de Itamaracá partindo para o Caribe carregando tudo o que podia
levar, por isto durante os quatro anos seguintes, a Ilha de Itamaracá ficou praticamente
abandonada, tornando-se um valhacouto ou refugio de delinquentes e degredados que
escapavam das duras punições impostas pelo donatário de Pernambuco e após a fundação
da Vila Cosme Damião".
Ao ver que a colega estava a ficar
fatigada, a Drª Célia Lamounier, interrompei-a, dizendo: "De maneira nenhuma, quero
fazer a apologia dos homens. Não me compete nem estou virada para esse lado. Proponho-me
a ler parte desta dissertação, simplesmente por a Drª Maria Nascimento estar a ficar
fatigada. E, dizendo isto, começou a falar:
"Duarte Coelho organizou uma
expedição para o sul da capitania que ao vislumbrar uma verdejante colina bem protegida
por barreiras de recifes e que era ocupada por uma aldeia de seus inimigos Caetês, que
logo foram duramente atacados pelos homens de Duarte Coelho e, que após vários dias de
violentos combates acabaram desalojando os nativos. Foi dado início à fundação da vila
que estava destinada a se tornar sede da Capitania de Pernambuco. Em 1536 Duarte Coelho
deixou alguns colonos em Iguaraçu, sob o comando do Lugar-tenente Afonso Gonçalves e se
transferiu para a colônia em frente ao porto de Pernambuco e começou a erguer ali a vila
que foi baptizada com o nome de Olinda, que anteriormente tinha baptizado de Nova
Lusitânia, pois sonhava em transformar o Brasil num novo Portugal. Para isto, deu inicio
ao pleno estabelecimento da vida conversável e civilizada em Pernambuco, estimulando a
miscigenação entre seus colonos e as mulheres indígenas. Em 1540, com Duarte Coelho já
estabelecido as Vilas de Iguaraçu e Olinda e também mais três povoados. Então,
empreendeu uma viagem a Portugal em busca de financiamento para construir, alguns engenhos
de açúcar na sua capitania. Nos primeiros meses de 1542, já estava em construção o
primeiro dos cinco engenhos que o donatário ergueu nas cercanias de Olinda e que eram do
tipo trapiche movido por animal, que produziam cerca de mil arrobas anuais de açúcar e
cujos investimentos incluíram a captura de escravos nativos, contratação de mãos de
obras especializada de calafates, tanoeiros, carpinteiros, capatazes e feitores, e um
engenho de porte médio. Pertencia a Jerônimo de Albuquerque e outros; quatros engenhos
pertenceram ao próprio donatário Duarte Coelho; outro era propriedade do Feitor e
Almoxarife da Fazenda Real Vasco de Lucena; um outro de Afonso Gonçalves que era
Lugar-tenente de Iguaraçu, e o engenho de nome Santiago de Camaragibe, que era de
propriedade de um cristão novo Diogo Fernandes. Duarte Coelho quando retornou de
Portugal, trouxe consigo os mais conceituados especialistas em cozer, secar e armazenar
açúcar, os quais eram judeus que tinham largas experiências nos canaviais das Ilhas das
Madeira e das Canárias, para onde haviam se transferido para escapar da fúria
persecutória que grassava na península ibérica. As mudas de cana de açúcar foram
trazidas por Duarte Coelho das Ilhas do Atlântico, pois já estavam bem adaptadas aos
trópicos, assim sendo quando plantadas no fértil solo de Pernambuco o massapé
que era uma espécie de argila cuja cor varia entre o roxo e o vermelho, se desenvolveram
extraordinariamente a que se somava um regime de chuvas abundantes regulares e com
temperaturas altas e uniforme".
A Drª. Célia interrompeu a
leitura, dizendo: "Já estou fatigada. Peço um voluntário para continuar". O
Baçan, um gentil-homem, levantou-se logo para a substituir:
"A Capitania de Pernambuco com isto estava destinada a se tornar o primeiro grande
centro produtor de açúcar no Brasil e a única capitania bem sucedida das doze que o Rei
D. João III estabelecera na colónia. Em 27 de Abril de 1542, o donatário Duarte Coelho
enviou uma carta para o Rei D. João III , dando-lhe conta do que havia ocorrido em
Pernambuco, entre o período de sua chegada até a data de sua carta, revelando não só
as dificuldades vividas na sua capitania como o profundo desprezo que o monarca alimentava
pelo Brasil, pois embora que Duarte Coelho soubesse que o açúcar era uma fonte de renda
segura para o futuro da colónia, ele desconfiava que o Rei D. João III continuava mais
interessado em metais preciosos do que em produtos agrícolas. No dia 28 de Janeiro de
1548, chegou a Olinda, vindo de Lisboa uma nau com um aventureiro chamado Hans Stander que
estava encarregado de conduzir para o Brasil uma nova leva de degredados para a colónia
de Duarte Coelho, que devido aos assaltos praticados pelos selvagens, pediu ajuda a Hans
Stander para socorrer os colonos de Iguaraçu, porque os moradores de Olinda não podiam
ir em auxilio, pois temiam que os índios os atacasse as vilas por eles habitadas. Quando
Hans Stander chegou a Iguaraçu encontrou os portugueses que ali viviam, sitiados e
separados apenas por uma paliçada de toras dos indígenas; a situação encontrada era
dramática, pois o cerco já perdurava quase um mês, porém devido a reacção imposta
por Hans Stander os selvagens perceberam que não podiam fazer nada, pediram trégua e
retiraram-se; o navio de Hans Stander então retornou para Olinda e partiu para Lisboa
levando uma nova carta de Duarte Coelho para o Rei D. João III. Após sete anos , sem que
o monarca respondesse os apelos de Duarte Coelho, este, resolveu ir ao Reino, para
conversar pessoalmente com o rei. Assim, em Julho de 1553, o donatário de Pernambuco
partiu para Portugal levando seus dois filhos Duarte e Jerônimo que iriam estudar em
Lisboa, deixando o governo da capitania entregue a Dona Brites de Albuquerque. Devido à
má recepção recebida em Portugal, por parte de D. João III, Duarte Coelho recolheu-se
na sua residência e poucos dias depois morreu de desgosto. Apesar de ser o único dos
doze capitães do Brasil que fora capaz de desenvolver sua donatária".
Antes de ser lida a próxima figura
histórica, as mulheres pediram um intervalo e reuniram-se todas no convés do navio, não
deixando que nenhum homem estivesse presente. Alguns minutos depois, a porta-voz deste
movimento feminino, a Drª Célia Lamounier, reuniu todos, perguntando em nome das
mulheres: " Nós mulheres, queremos saber porquê os portugueses não ajudam na
leitura destes apontamentos ?". O Carlos, foi o primeiro a falar, alegando que estava
ali só como Coordenador, para comer e para descansar. Não contassem com ele para fazer
nadinha ! Os outros homens portugueses, concordaram logo em ajudar, e o primeiro foi o von
Trina:
Aires da Cunha: "A
história da conquista do território brasileiro ainda revela alguns mistérios. Um deles
é a expedição de Aires da Cunha ao Maranhão. Até hoje, não se sabe ao certo qual sua
verdadeira missão.
Quando a costa brasileira foi
tocada pela primeira vez por Pedro Álvares Cabral, em 1500, os portugueses mal imaginavam
qual a extensão exacta da "Terra Brasilis". Os métodos cartográficos eram
muito rudimentares e os mapas, muito vagos. Assim, o "descobrimento" ainda
estava apenas começando. Tanto que muitas regiões só foram colonizadas décadas depois
da chegada de Cabral. A história do Maranhão ilustra bem a dificuldade dos descobridores
e, até hoje, guarda em seus arquivos a mal-explicada história do navegador Aires da
Cunha - um personagem misterioso e pouco explorado pelos livros. Para entender melhor qual
era, de fato, o intuito da viagem de Aires da Cunha, é preciso relembrar um pouco da
história da colonização. Por mais de 30 anos após o descobrimento do Brasil, o
Maranhão foi totalmente desprezado pelos portugueses. Acredita-se que o primeiro
navegador a avistar o litoral maranhense tenha sido o espanhol Vicente Yañes Pizón, que
em 1500 percorreu o nordeste brasileiro de Pernambuco até a foz do Rio Amazonas. Em 1524,
os franceses começaram a visitar aquelas praias. Somente em 1530 o rei D.João III
começou a se preocupar com as intenções francesas em fundar por aqui a França
Equinocial, e enviou para cá o administrador colonial Martim Afonso de Sousa que, por sua
vez, uma ano depois mandou Diogo Leite explorar o norte da terra descoberta. Só então
Portugal tomou conhecimento do que realmente havia por lá. O desinteresse real pela Ilha
do Maranhão (hoje Ilha de São Luís) durou até 1534, quando o desprezo pela região foi
trocado por um súbito (e grande) interesse. Naquele ano, para facilitar a colonização,
D. João repartiu o Brasil em nove capitanias hereditárias".
O Humberto, depois de
"limpar" a sua bela voz, continuou a leitura:
"O Maranhão foi dividido em
dois lotes (Itamaracá e Pará): o primeiro foi doado a Fernão Álvares de Andrade e o
segundo ao historiador João de Barros e Alves da Cunha, que já conhecia a colónia, pois
participou do descobrimento como membro da expedição de Pedro Álvares Cabral. Rumo ao
desconhecido Repentinamente, as capitanias de Itamaracá e Pará passaram a ser
consideradas como as mais nobres de toda a colónia, pela grandeza de seus rios,
fertilidade das terras, abundância de animais e, o mais importante, devido aos boatos
sobre a riqueza de suas jazidas de ouro. Assim, uma grandiosa expedição foi organizada,
com todo o apoio da corte, através de muitas concessões financeiras da coroa portuguesa,
que adiantou aos donatários muitas armas e munições, além de prometer condições
especiais para a exploração das minas - caso elas fossem realmente encontradas Como
Fernão Álvares e João de Barros não podiam deixar a corte, a missão de comandar a
expedição foi entregue ao experiente Aires da Cunha. Junto com ele, embarcaram também
os dois filhos de João de Barros e um delegado de confiança de cada donatário. Em
outubro de 1535, o navegador zarpou do Tejo, com 10 caravelas muito bem armadas,
tripuladas por 900 homens e, também, 113 cavalos. A armada de Aires da Cunha atravessou o
Atlântico sem grandes surpresas e foi directo para a capitania de Pernambuco, onde o
comandante foi acolhido com grande atenção pelo donatário Duarte Coelho, que havia
recebido muitas recomendações da coroa para dar à expedição tudo o que fosse
necessário. A frota brasileira recebeu mantimentos, batedores práticos da costa e do
sertão, intérpretes de línguas indígenas a até embarcações para sondagem das
baías. Meses depois de chegar ao Brasil, a expedição seguiu para o norte, em busca do
almejado ouro do Amazonas - na época, o Rio Maranhão era confundido com o Rio Amazonas,
tamanha a falta de uma cartografia eficiente".
O nosso Engenheiro de Bordo, o Tito
Olívio, pegou na palavra do Humberto e continuou:
"As 10 embarcações passaram
pelo Cearaminrim, onde a tripulação chegou a desembarcar, mas o local não agradou nem
um pouco, pois estava infestado de índios que mantinham aliança com os franceses.
Continuando em frente, mas ainda longe do destino final, um temporal dispersou a frota; e
uma das naus, justamente a capitânia, desapareceu para sempre na foz do Rio Maranhão,
levando com ela o desaventurado Aires da Cunha e todos os tripulantes.
Casamentos mestiços : A tormenta
destruiu quase toda a armada. Assim, os náufragos da expedição se abrigaram na então
conhecida como Ilha de Trindade, onde hoje está a cidade de São Luís. Por sorte, não
foram hostilizados pelos nativos. Com o pouco que havia restado e auxiliados pelos
índios, levantaram fortificações provisórias e algumas casas. Enquanto uns tentavam a
lavoura, outros tratavam de explorar o sertão. A aliança com os indígenas resultou até
em casamentos que geraram os primeiros portugueses mestiços. Mas essa convivência
cordial não tardou a se transformar em revolução social: os índios queimaram as casas
dos portugueses e destruíram suas plantações. De fato, não seria ainda daquela vez que
as selvagens terras do Maranhão seriam conquistadas.
A grande expedição transformou-se
num grande fiasco; e aos dois donatários que ficaram em Portugal, restaram apenas as
dívidas com a coroa. João de Barros, assim que soube da tragédia, empenhou-se em
resgatar seus dois filhos. Em 1538, sem o apoio da corte e com a moral em baixa, os
malogrados colonos deixaram o Maranhão num regresso desolador, embarcando em três
caravelas e seguindo para as Antilhas. Um barco seguiu para São Domingos e os outros dois
chegaram a Porto Rico, com 140 índios (entre escravos e livres) e somente 45 dos
náufragos a flotilha de Aires da Cunha. Barros pagou apenas parte dos compromissos
obtidos junto ao tesouro português - mais tarde, D. Sebastião perdoou o restante do
"papagaio real".
O Carlos, notando que todos o
estavam a criticar, muito embora sem qualquer ponta de vergonha, acedeu em continuar,
neste caso, terminar. Com a sua voz de trovão, embora com muito pouca vontade, lá
começou a falar:
"Expedição ambiciosa
: Da história toda, com certeza ainda resta muito a saber, pois muitas dúvidas
permanecem sem resposta. Afinal, poucas expedições foram amparadas com tantos recursos
militares. Na época em que a viagem foi organizada, corria o boato em Lisboa de que a
intenção real de Aires da Cunha era apenas o de colonizar o Maranhão. Acredita-se que a
intenção real de Aires da Cunha era a de desembarcar na costa norte do Brasil e
embrenhar-se terra adentro, até chegar ao Peru. Pode parecer estranho, mas a teoria faz
muito sentido. Motivo: já era sabido que as costas da América do Sul contornavam um
grande continente (nada mais óbvio), seguindo do nordeste brasileiros sempre para o
ocidente, os desbravadores chegariam ao Império Inca de Cuzco, que anos antes, em 1532,
havia sido "aliviado" de suas riquezas pelo conquistador espanhol Francisco
Pizarro.
Naturalmente, o ouro arrebatado dos
incas pela Espanha atiçou a cobiça da coroa portuguesa, que não mediu esforços para
dar à expedição todas as provisões necessárias a uma jornada longa e ambiciosa. Ao
contrário de outros donatários, Aires da Cunha levou consigo grande quantidade de
armamentos e, mais revelador ainda, cavalos demais para simplesmente tomar posse de uma
capitania. Assim, tudo leva a crer que seu intuito era o mesmo de Pizarro, que usou a
cavalaria para derrotar o Império Inca. Para reforçar a tese, existe uma carta de Luiz
Sarmiento a Carlos V, na qual este contava ao rei da Espanha sobre os boatos que corriam
as ruas de Lisboa, comentando que a armada do navegador português iria ao Maranhão para
chegar, na verdade, ao Peru.
Outras expedições (portuguesas e
francesas) seguiram os passos de Aires da Cunha. E muitas delas, inclusive, tiveram a
mesma sorte (ou a falta dela). A foz do Rio Maranhão mostrou-se implacável com os
conquistadores e, somente em 1534, a França invadiu a região e iniciou a colonização,
mais tarde retomada por Portugal com a expulsão dos franceses. De qualquer forma, os
segredos militares de Aires da Cunha, que poderiam ter mudado a história das conquistas
europeias na América do Sul, dificilmente serão desvendados. Talvez a costa maranhense
guarde para sempre essa história
que o mar engoliu".
A Setembrada de 1831 :
"Movimento com forte componente antilusitanismo motivado por os portugueses dominarem
o comércio, o latifúndio e a sociedade. As revoltas se caracterizavam pelo saque a casas
de comércio de portugueses e exigências de que fossem expulsos. A Setembrada consistiu
numa revolta da guarnição do Exército no Recife iniciada pelo 14 o BI , na noite de 14
Setembro de 1831. Ela dominou a cidade até 16 e foram saqueadas casas comerciais. Na
repressão morreram 300 revoltosos e foram presos 800, que foram enviados inicialmente
para Fernando de Noronha e a seguir para o Rio, onde chegaram quase nus tendo o Ministro
da Guerra Brigadeiro Manoel Fonseca Lima e Silva, tio do Duque de Caxias ,mandado
vesti-los com sapatos, boné, camisa e jaqueta de polícia .Uma peça de cada.(Aviso de 5
Novembro de 1831)".
A Balaiada (1838-1841) -
Maranhão : "A Balaiada foi uma importante revolta popular que explodiu na província
do Maranhão, entre os anos de 1838 a 1841. Nessa época, a economia agrária do Maranhão
atravessava grande crise. Sua principal riqueza, o algodão, vinha perdendo preço e
compradores no exterior, devido à forte concorrência internacional do algodão produzido
nos Estados Unidos (mais barato e de melhor qualidade que o produto brasileiro). Quem mais
sofria as consequências dos problemas económicos do Maranhão era a população pobre.
Ou seja, multidão formada por vaqueiros, sertanejos e escravos. Cansada de tanto
sofrimento, essa multidão queria lutar, de algum modo, contra as injustiças. Lutar
contra a miséria, a fome, a escravidão e os maus-tratos. Havia também muita
insatisfação política entre a classe média maranhense da cidade, que formava o grupo
dos bem-te-vis. Foram os bem-te-vis que iniciaram a revolta contra os grandes fazendeiros
conservadores do Maranhão e contaram com a participação explosiva dos sertanejos
pobres. Os principais líderes populares líderes da Balaiada foram: Manuel Francisco dos
Anjos Ferreira (fazedor de balaios, donde surgiu o nome balaiada); Cosme Bento das Chagas
(chefe de um quilombo que reunia aproximadamente três mil negros fugitivos); Raimundo
Gomes (vaqueiro). A Balaiada não tinha uma organização consistente, nem um projecto
político definido. Não tinha um movimento único e harmónico. Foi um conjunto de lutas
dos sertanejos marcadas pelo desejo de vingança social contra os poderosos da região.
Apesar de desorganizados, os rebeldes balaios conseguira conquistar a cidade de Caxias,
uma das mais importantes do Maranhão. Mas não havia clareza de objectivos entre os
líderes populares ao assumir o governo. O poder foi então entregue aos bem-te-vis, que
já estavam preocupados em conter a rebelião dos sertanejos. Para combater a revolta dos
balaios, o governo enviou tropas comandadas pelo coronel Luís Alves de Lima e Silva.
Nessa altura do acontecimento, a classe média do Maranhão (os bem-te-vis) já havia
abandonado os sertanejos e apoiava as tropas governamentais. O combate aos balaios foi
duro e violento. A perseguição só terminou em 1841, quando tinham morrido cerca de 12
mil sertanejos e escravos".
Luís Xlll : "Rei de
França, filho de Henrique lV e de Maria de Médicis. Nasceu em 1601 em Fontainebleau e
morreu em 1643, em Saint-Germain. Reinou entre 1610 e 1643. O princípio do seu reinado,
foi sob a regência de sua mãe, que confiou o poder a Concini, que foi assassinado em
1617, sendo substituído por Luynes. Ocorreram então novas revoltas dos Grandes, apoiados
pela Rainha-mãe, e uma nova guerra de Religião, marcada pelo cerco de Montauban, em
1621. Depois, de muitos anos conturbados, o rei confiou o poder ao Cardeal Richelieu,
cujos conselhos seguia, apesar das intrigas de sua mãe e de Gastão de Orléans. Em 1635,
teve de sofrer a Guerra dos Trinta anos. Foi casado com a infanta Ana de Áustria, e teve
dois filhos dela, Luís e Filipe".
Carlos Leite Ribeiro
(Agradeço a todos os amigos que me ajudaram com suas preciosas
colaborações. Sem eles, este trabalho não teria sido possível. Bem hajam !)
A seguir: "A Caminho de Fortaleza"
A seguir:
(01)
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Carlos Leite Ribeiro