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"A
Travessia do Atlântico"
Do Livro de Bordo
BELEM
A Caminho de Belém
1ª PARTE
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Editor:Carlos Leite Ribeiro |
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Durante o longo
percurso marítimo entre Manaus e Belém, a Comandante Manuela Madeira resolveu
encarregar os excursionistas, Abílio e Luiza Terra de organizarem um "Baile de
Máscaras" a bordo. Foi um grande êxito como nos conta o relato destes nossos
amigos e excursionistas:
Baile dos Mascarados
(Trabalho de Abílio e Luiza Terra)
"A viagem corria
tranqüila e todos a bordo do Navio "Cuco" estavam agitados, pois finalmente ia
acontecer o famoso Baile dos Mascarados. Estava marcado para sábado, às 22 horas.
A Comandante Manuela mal tinha
tempo para respirar, ficava a sonhar sem saber ainda qual seria sua máscara.
O Abílio andava de um lado para o
outro, passava a mão no rosto, olhava para o infinito mar, deu um sorriso misterioso e
voltou à sua cabine.
O Carlos estava muito calmo, parece
que já sabia com qual máscara iria.
A Luiza corria sem parar, estava
muito agitada e não parava de estalar os dedos e olhar no grande espelho da sala
principal.
Todos estavam tão empenhados nos
preparativos que até se esqueceram do ratinho a bordo, objeto de julgamento.
Passavam uns pelos outros dando
risinhos e olhares desconfiados.
A Rosélia não perdia tempo,
queria por que queria saber as máscaras de todos e a Flóra estava preocupada com os
arranjos que faria para o salão e, já havia providenciado a sua misteriosa máscara.
No convés do Navio Cuco, o Von
Trina apreciava as ondas que pareciam bailar. Ele olhava atento! O que se passaria na
imaginação dele? Seria daquela paisagem que sairia a sua máscara.?
Arlinda, Arneyde, Célia ,
Cristina, Gislaine, Henriette, Malou, Márcia, Marisa, Regina e Vilma,estavam
morrendo de rir, quando o "Mi Burro" passou sacudindo os quadris e relichando
todo faceiro.
Nesse exato momento, cada uma foi
para sua cabine, riam tanto que ládo convés se podiam ouvir as suas estrondosas
gargalhadas. Elas estavam aprontando alguma!!!
Humberto, Nilson, Paulo e Tito
estavam muito compenetrados e com olhares misteriosos e também entraram para as suas
cabines.
Como será o grande Baile dos
Mascarados?
Cada tripulante dará um nome à
sua fantasia, sem se identificar.
Cada um terá que se arrumar sem
que o outro veja. Ninguém sabe quem é quem.
No Baile, os homens ficarão de um
lado e as mulheres do outro. As damas mascaradas então, escolherão, cada uma, o seu
mascarado, sem saber quem estará escondido detrás daquela máscara...
Como tem pouco homem
(numericamente, é claro), cada homem terá o privilégio de escolher, pelo menos, duas
parceiras, de maneira que ninguém ficará tomando o famoso "Chá de Cadeira"
(ou seja, sem parceiro)...
E assim, o Navio "Cuco"
estará agitado, não só pelas ondas, mas pelos mascarados e mascaradas, a se esbaldarem
no salão, ao som de animadas músicas, tanto portuguesas quanto brasileiras.
O "Mi Burro", a rodopiar
no meio do salão, dando deliciosos relinchos, deixará todos a pularem e dançarem a uma
boa distância, com medo de fraturarem alguma perna ou costela.
A deliciosa cachaça mineira não
deixará ninguém sério, todos cantarão a plenos pulmões e darão gostosas gargalhadas.
Ninguém perderá o Baile dos
Mascarados!
Finalmente, chegou o sábado e às
22 h os primeiros mascarados começaram a entrar no salão.
O mascarado, capuz a bandido,
camisa com o mapa do Brasil, calções verde-amarelos, descalço, trazendo nas mãos um
arco e flechas, foi o primeiro a entrar, bem à vontade e começou a dar voltas em
torno de duas mascaradas, imitando um índio e dando uns gritos que deixaram as duas
eletrizadas. Uma delas, Pompadour, peruca com o cabelo muito encaracolado, máscara de
olhos branca dourada, vestido vermelho muito decotado, ficando os peitos perto da garganta
e descalça; a outra, pombinha branca, descalça. Quanto mais o índio gritava, mais
doidas elas ficavam e acabaram os três saindo agarrados, pulando animadamente pelo
salão.
Logo em seguida, o mascarado, na
cabeça um barrete à descobridor/marinheiro, e capa total com uma régua de cálculo
pintada, com botas altas nos pés, foi-se aproximando de outras duas mascaradas, olhando
fixamente, a ponto de as deixar sem saber o que fazer. Uma delas, com uma máscara,
chapéu tipo tirolês com uma enorme pena de pavão, pequena máscara de olhos preta
veludo, blusa e saia transparente, com uma capa dourada, sapatos de saltos altos, e a
outra, de máscara a lagarto, fato verde, cauda comprida, cabeça de lagarto e descalça.
De repente, ele se animou e abraçou, entusiasmado, a de chapéu tirolês, no que,
imediatamente assustada, a dama deu um pontapé bem na canela do descobridor, que deu um
grito, segurou a perna dolorida e saiu a dar pulinhos apoiado na outra perna. Mas, assim
que a dor passou, ele voltou, desta vez mais calmo e começou a dizer galanteios ao ouvido
da tirolesa, que começou a sorrir; depois, ele fez o mesmo com a lagarta, que também se
animou e saíram os três dançando no salão.
Então, o mascarado com um capuz
azul, rosto tapado com um pano preto, com a abertura dos olhos em azul florescente,
sapatos de pano preto, numa das mãos, uma pena (para escrever) e na outra um bloco de
notas, estava correndo desabalado pelo salão, com três senhoras atrás dele: a mascarada
de peruca muito alta e preta, olhos tapados pelo enorme vestido em forma de cheque
bancário e sandálias douradas; a outra, com um enorme pincel, tapando desde a cabeça
até aos pés descalços e a terceira, com a máscara à colombina, cor violeta com
máscara de olhos amarela. As três queriam tirar-lhe a máscara de qualquer jeito.
Finalmente, os quatro se cansaram e se sentaram em quatro cadeiras em redor de uma mesa,
onde tomaram, cada um, uma boa dose da cachaça mineira e dali a pouco, já estavam
pulando feito loucos pelo salão.
Foi quando o mascarado de dragão,
cor verde, boca enorme e muito aberta, com a língua muito vermelha e a crispar chamas,
sapatos de tênis brancos se foi aproximando das damas. Todas queriam ser comidas,
perdão, dançar com o dragão. Ele deu uma baforada (com forte gosto de cachaça) na
mascarada com chapéu de pescadora, máscara de olhos tipo lenço, biquini superior
pequenino e o debaixo ainda mais pequeno, numa das mãos uma cana de pesca e na outra uma
grande minhoca, que balançou para um lado e para o outro, virando os olhos para cima e
perdendo, por uns segundos, a noção de onde estava. Não contente com isso, o dragão
deu outra baforada na mascarada à rainha do Egito, com pouca e curta roupa, máscara nos
olhos verde escura, uma tiara de pedras faiscantes e cabelos muito longos e muito pretos,
que começou a rodopiar no mesmo lugar, como se fosse um pião. Ele esperou pacientemente
que as duas damas voltassem ao normal, passou os braços nas cinturas delas e saíram os
três pulando como se tivessem molas nos pés.
Nisso, o mascarado, barrete na
cabeça, olhos meio tapados, camisa branca, calções pretos, meias altas amarelas,
sandálias castanhas e debaixo do braço, uma pipa de livros, entrou apressado, olhando
para um lado e para o outro e tropeçando nos próprios pés. Três senhoras vieram logo
correndo socorrê-lo, preocupadas com o seu esforço e desorientação: a mascarada de
peruca vermelha, máscara de olhos preta brilhante, vestido branco com uma enorme cruz
vermelha pintada, com o comprimento (vestido) a um palmo do joelho, no
pescoço um estetoscópio e nas mãos seringas, a de pantera negra com um enorme rabinho,
com dentes e garras afiadas, numa das mãos um balde e na outra um enorme pincel e a
terceira, à rainha, com coroa, tiara e máscara de rosto azul, vestido comprido,
sandálias brancas, numa das mãos, um manual de contabilidade. Elas se agarraram nele e
mostraram-lhe o centro do salão, que era o melhor lugar para onde ele se deveria dirigir.
Ainda por cima, as três fizeram questão de saírem pulando com ele até aquele local,
demonstrando como se deveria comportar nesse preciso momento. Em poucos minutos, o
mascarado se revelou um aluno interessadíssimo e já começava a se encostar nas damas
com toda desenvoltura. A essa altura, já estavam se entendendo às mil maravilhas.
O mascarado à craque de
futebol, com máscara de olhos branca e azul, equipamento desportivo com uma bola de
futebol nas mãos, escorregou e teve que mostrar toda a sua ginga para não cair,
conseguindo ainda, segurar a bola com firmeza. Isso despertou o interesse e o entusiasmo
de duas mascaradas: a de penteado aos caracolinhos, tiara na testa, que segura um vestido
transparente de sete véus, tendo por baixo um biquini amarelo, descalça e com argolas
nos tornozelos e nos braços e a outra, a de máscara à boneca, com cabelos mal
penteados, máscara de rosto amarela, vestido muito curto à boneca e descalça.
Ele começou a fazer malabarismos
com a bola, se exibindo para elas e, em seguida, lhes deu os braços, ao que elas, sem
vacilar, aceitaram e assim se formou mais um grupo alegre de foliões.
O mascarado, todo vestido de negro,
com cabeça de urubu e patas enormes de avestruz foi chegando, dando uns pulos de urubu
malandro para o lado de duas damas: a de máscara à cigana, peruca loira, máscara de
veludo preto, vestido de várias cores, camiseta transparente, descalça, na mão um
baralho de cartas e cantando: sou cigana mascarada/ que ainda tem um colo/ na passarela do
Cuco/ comandante a tiracolo; e a outra, a de máscara a arco íris, com cabelo pintado de
várias cores, um olho pintado de verde e outro de vermelho, vestido multi-cores muito
curto, na bunda um enorme arco-íris e nos pés umas sandálias do feitio de estrelas. As
duas acharam o urubu muito divertido e charmoso e dali a pouco, os três formavam um dos
grupos mais animados do Baile dos Mascarados.
De repente, chegou mais uma
mascarada, entrando pela porta do salão, esbaforida: é que ela estivera dormindo e
perdera a hora do início do baile. A sua máscara era a de Helena de Tróia, com véu
azul escuro, comprido, encobrindo-lhe os olhos, preso na cabeça com uma tiara de
borracha, no tronco um insuflavel parecendo um pneu, e botas de borracha de cano médio.
Ela tomou, logo de cara, uma talagada da boa pinga (cachaça) mineira, ficou observando a
euforia dos foliões que dançavam, pulavam e cantavam como se fosse o último dia na
Terra e agarrou a primeira mão que passou perto dela: era a da rainha do Egito, que
dançava junto com o dragão e a pescadora. Foi levada aos trancos e barrancos, tal era a
velocidade a que eles estavam mas, fazendo um certo esforço, conseguiu acompanhá-los
integrando-se assim, naquele grupo desimbestado.
O último a chegar foi o Mi Burro
que não se fez de rogado: entrou todo animado no salão, relinchando todo alegre e dando
uns pulos animados, mostrando toda a sua simpatia, já bem conhecida de todos.
E assim, o Baile dos Mascarados do
navio "Cuco" transcorreu animadamente, varando a madrugada de sábado para
domingo e fazendo o navio balançar ainda mais, tamanha a animação dos foliões! Basta
dizer que o estoque de cachaça mineira acabou completamente, não ficando uma gota para
contar a história!"
(Um grande abraço amigo, - Luiza e
Abilio)
Uma das maiores folionas do Baile
de Máscaras, foi a Arlinda Lamêgo. No outro dia de manhã, ainda com uma garrafa de
whisky, fez o seguinte comunicado:
Comunicado da Médica de Bordo (Drª. Arlinda Lamêgo)
"Hoje faz um calor incrível . Cerca de 40 à sombra. Ao tomar banho não sei se
enxugo água ou se é suor. Por esses lados, na Amazonia, a floresta faz esse clima
húmido. Assim, quem não sabe, fica pensando que pode ficar debaixo do sol impunemente.
Tive um caso hoje de insolação (e outros motivados de ingerirem altas quantidades de
álcool). Não houve soro que melhorasse. Vou ter de fazer uma campanha no navio
inteiro para alertar esses viajantes ingénuos."
Arlinda Lamêgo
Antes do almoço, ainda tivemos
tempo de falar um pouco da cidade que íamos visitar: Belém. Calmamente, como é seu
timbre, o Baçan, procurou entre os seus apontamentos, e por fim começou a sua
dissertação sobre a capital do Estado do Pará:
"A
fundação da cidade de Belém, data de 1616, ano em que Francisco Caldeira Castelo Branco
ergueu o fortim do Presépio em redor do qual surgiu o núcleo que posteriormente se
transformou na cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Na sua expansão pelo Norte
do Brasil, os portugueses tentavam a reagir com um baluarte colocado na entrada dos
piratas franceses, ingleses e holandeses. Belém foi o lugar escolhido, pois além de
oferecer excelente abrigo à navegação, proporcionava acesso franco a toda a
Amazónia".
Por sorteio, a
próxima oradora foi a Regina Lyra, que depois de tossir e alisar o cabelo, começou:
"Nos fins
do século XlX, a região teve um enorme surto económico devido à borracha. Belém, teve
grande desenvolvimento e ganhou a categoria de cidade, transformando-se numa grande
metrópole e no entreposto de toda a região Norte do Brasil. Infelizmente, depois da 1ª
Grande Guerra, o surto do progresso não teve continuidade. Com a decadência económica
da borracha, só mais tarde Belém deu sinal de retomar o antigo ritmo de crescimento
urbano".
O Paulo Tamiazo
foi o seguinte. Sempre com o seu inseparável microfone junto à boca, justificando que
estava um pouco rouco por causa da humidade, começou a falar do assunto principal:
"A
expansão do mercado interno brasileiro, ligada principalmente ao processo de
industrialização reflectiu-se em Belém, através do aparecimento de novos bairros, da
multiplicação de instalações fabris e sobretudo, através de centros comerciais,
dotados de modernos arranha-céus. Belém está localizada em plena faixa equatorial,
junto à baía de Marajó e ao Rio Pará, tendo a Sul o Rio Guamá e a W a baíade
Guajará. A sua situação geográfica à entrada do Rio Amazonas permite-lhe desempenhar
o papel de maior entreposto comercial da Amazónia".
A querida Maria
Nascimento, levantou-se dizendo que tinha feito um elaborado trabalho sobre Belém e que o
gostava de apresentar. Todos concordaram, sabendo de antemão o grande valor literário
desta excursionista e amiga:
Trabalho da
Maria Nascimento (Advogada, moradora em Copacabana - Rio de Janeiro - Brasil)
Após uma longa
viagem a bordodo" CUCO ", um navio portuguêsque zarpou na cidade da Marinha
Grande, em Portugal, comum selecto grupo de integrantes do PORTAL" CÁ ESTAMOS NÓS
", com a primeira parada em Macapá, no Amapá, onde embarcamos nós, os brasileiros.
Fui incumbida pelo Coordenador dadelegação, Jornalista CARLOS LEITE RIBEIRO, o famoso
Dr. CACO de PEDRA, para exercer a função de Guia Turística, em nossa estada em BELÉM,
no PARÁ.
Como o nosso tempo não nos permite
permanecer por muitos dias no Pará, dadas algumas informações sobre o que há de mais
importante nele, teceremos alguns comentários sobre Belém, mostrando os pontos
turísticos a serem visitados durante a nossa permanência na Capital.
Em primeiro lugar, sugiro que os
integrantes da delegação se hospedem no Equatorial Pálace Hotel, situado na Rua Braz de
Aguiar, cujos alojamentos e atendimento são de primeiríssima qualidade e de preço
bastante atraente,bem como pela sua localização que permite mais rápido acesso aos
pontos turísticos a serem visitados. Outra vantagem é a de se encontrar na mesma rua, a
dois pequenos quarteirões, o Spazio Verdi, um Restaurante com serviço também de "
self service " onde se pode encontrar a maior variedade e a melhor qualidade da
culinária paraense, a preços relativamente baixos.
BELÉM, a atual capital do PARÁ , fica na planície quaternária( 7 a 14m de alt. ),
localizada junto à Baía de Marajó e ao rio Pará, tendo a Sul o rio Guamá e a Oeste a
baíade Guajará. Como está próxima à entrada do rio Amazonas, é o maior entreposto
comercial da região. Sua população actual é de cerca de um milhão e oitocentos mil
habitantes.
Santa Maria de Belém do Grão
Pará foi fundada em 1616 pelo capitão português, Francisco Caldeira Castelo Branco
e sua localização estratégica, na foz do Amazonas, permitia a defesa da região pelos
portugueses, dos invasores de inúmeras nacionalidades, principalmente franceses e
holandeses que rondavam pela calha do rio Amazonasem busca do "Eldorado".
Além das belezas naturais que
tanto encantam o turista, Belém tem várias ruas ornamentadas por um verdadeiro túnel
formado por centenárias mangueiras, o que dá um toque poéticoe original. A
arborização de Belém com mangueiras importadas da Índia foi uma decisão tomada no
início do século pelo intendente Antônio Lemos, responsável por obras de grande
impacto na capital paraense, nos áureos tempos da borracha.
A arquitetura dos bairros mais
antigos reflecte o talento português de se adaptar aos seus novos domínios, uma perfeita
sintonia com o clima. As fachadas revestidas de azulejos , pé-direito alto, sótãos e
saguões que garantiam a ventilação e atenuavam a umidade e o calor.
Belém floresceu com pau-brasil e
drogas medicinais do Sertão paraense e desabrochou com a expansão da exploração da
borracha e até agora se beneficia com os efeitos de outros tesouros descobertos na
região. Contudo, sua maior riqueza continua sendo a floresta bem próxima, pela sua
bio-diversidade e pelo fascínio que o mundo tem pela sua beleza e pelos mistérios que
guarda em suas águas, fauna, florestas, manguezais e igarapés.
É a cidade das mangueiras, do
cheiro-cheiroso, do açaí, do cupuaçu, do Círio de Nazaré, da chuva que cai quase
todos os dias, cidade hospitaleira, Metrópole do Amazônia, em síntese :Belém do Pará
é uma festa para os olhos e para a alma.
Iniciando a falar sobre os seus
pontos turísticos, comecemos pelas suas Igrejas mais famosas :
Basílica de Nazaré, construída
em 1774, como capela, foi a partir de 1908 que começou a construção da Basílica. O seu
interior todo em mármore, segue o modelo da Basílica de São Paulo, em Roma.
É nas imediações da
Basílica de Nazaré que se realiza o Círio de Nazaré.
No segundo domingo de Outubro de
cada ano, o Círio de Nazaré é a maior procissão religiosa do Brasil e reúne cerca de
dois milhões de pessoas num percurso de dois quilômetros que leva cinco horas para ser
percorrido. Após a procissão se realizam banquetes com pratos típicos da
região. O almoço do Círio que reúne as grandes famílias amazônicas. Esta
procissão é a maior de um conjunto de sete : Círio Rodo-fluvial, motorizado; Círio das
Crianças; Trasladação, noturna; Círio Fluvial, só de barcos; Recírio, a procissão
de encerramento; e o Círio dos Doentes. Essas procissões centralizam uma festa que dura
todo o mês de Outubro e mobiliza extenso e variado programa cultural : autos de rua,
peças teatrais, shows populares, eruditos e folclóricos, festas dançantes, exposições
de arte e feiras.
Nossa Senhora de Nazaré é a
Padroeira dos pescadores portugueses e do povo paraense que pratica a religião cristã.
Catedral Metropolitana de Belém
Igreja da Sé, construída em 1755 pelo arquiteto Antonio Landi, em estilo
barroco-colonial e neoclássico. Destacam-se nela os painéis pintados e ricamente
emoldurados nos altares.
Igreja do Carmo, erguida no século
XVII , foi reconstruída em 1716. Serviu de abrigo para as tropas legalistas na revoltados
cabanos. Integra o conjunto arquitetônico que inclui o antino Convento dos Carmelitas.
Igreja das Mercês, faz parte dum
conjunto arquitectónico que inclui o Convento dos Mercedários e a antiga Alfândega. O
seu traçado original é do século XVII, mas a restauração de Landi fez substanciais
alterações.
Igreja de Santana, construída em
estilo renascentista, também é um projecto de Landi, cujo corpo foi sepultado em sua
nave.
Capela de São João Batista,
pequena obra-prima de Landi do final do século XVIII. Restaurada em 1996 quando foram
encontradas as pinturas originais do altar principal e dos altares laterais, que eram
considerados perdidos.
MUSEUS :Outros pontos muito
importantes para visitar são também os museus
Têm muito a ver com a riqueza
culturalde uma cidade e, em Belém, encontramos :
Museu do Círio :Expõe peças e
documentos do maior evento religioso do Brasil, o Círio de Nazaré. ( tel. ( 0xx91) 219
1152.
Museu de Artes de Belém, possui um
acervo eclético demoveis e adornos, na sua maioria do século XIX e princípios do
século XX. São mais de 200 peças, inclusive um conjunto Luiz XVI. ( tel. 0xx91 ) 219
8550.
Museu de Arte Sacra :Instalado no
antigo Palácio Episcopal, património tombado pelo Governo Federal. Integra o Projeto
Feliz Lusitânia, do qual também faz parte a Igreja de Santo Alexandre, do século XVII,
onde pregou o Padre Vieira. Abriga mais de 500 artes sacras, parte delas originada do
espólio jesuítico.(tel. 0xx91 ) 219 1150.
Museu do Estado :Criado em 1994,
contém, em seu acervo, inúmeros exemplares de mobiliário, pintura e artes decorativas
dos séculos XIX e XX, sendo que o próprio prédio é um dos mais importantes exemplares,
em Belém, da arquitetura de Antônio Landi.
( tel. 0xx91 ) 219 1138.
Museu Paraense Emílio Goeldi,
reconhecido mundialmente como um dos mais importantes Institutos de investigação
científica da Amazônia. Dedicado ao estudo da flora, da fauna, do homem amazônico e do
seu ambiente físico, possui um parque zôo-botânicoe uma exposição permanente com
objectos etnográficos de vários povos indígenas do Amazônia. ( tel. 0xx91 )219
3369. Aberto de terça- feira a domingo , de 9 às 17h.
Os demais Museus de Belém
funcionam de terça a sexta feira, das 13 às 18h e sábado e domingo das 9 às 13
h.
Há, na cidade de Belém, uma
infinidade de Edifícios e Logradouros cuja importância histórica, cultural e
arquitectónica não permite ao turista se privar de visitá-los, sob qualquer pretexto,
mesmo que, como nós, não dispomos de um período longo para nos deleitarmos com as
preciosidades existentes ao longo de toda a Capital do Estado do Pará.
Vejamos, dentro da nossa
precariedade de tempo o que poderemos visitar :
Forte do Presépio :É o marco de
fundação de Belém. Foi a primeira construção realizada na cidade, em 1616. Os velhos
canhões originais ainda se encontram lá. É do Forte do Presépio que até aos nossos
dias ainda se continua a desfrutar de uma das melhores vistas de Belém. Integra, junto à
Casa das Onze Janelas, o projeto Feliz Lusitânia.
Cidade Velha : Começou ali a
cidade de Belém, ao lado do Forte do Castelo. Preserva em parte a sua arquitectura
colonial, com fachadas de azulejos portugueses, varandas e gradis de ferro.
Memorial da cabanagem :É um
Projeto de Oscar Niemeyer, homenagem à Cabanagem, que, em 1835 se tornou a única revolta
popular no Brasil a chegar ao poder.
Bosque Rodrigues Alves : é um
pedaço da floresta amazônica dentro da cidade. São mais2.000 árvores, um orquidário,
viveiros de aves e animais.
Parque de Residência: Antiga
residência dos Governadores do Pará, no início do século. Um orquidário abriga
espécies da Amazônia. O antigo vagão do governador da Estrada de ferro de Bragança,
adaptado, abriga uma sorveteria. A Estação gasômetro, toda em ferro, abriga um teatro
para 400 pessoas, um café e lojas de produtos regionais e tem ainda um restaurante, tudo
em pleno funcionamento.
Palácio da República :é um dos
pontos mais bonitos da cidade e ganha vida e magia, principalmente, por conservar suas
exuberantes mangueiras que formam um extenso túnel de indescritível beleza.
Palacete Bolonha :Construído com
material importado da Europa, no início do século XX, pelo arquiteto Francisco Bolonha,
para sua residência. Faz parte de um conjunto arquitectónico que inclui uma vila de
casas seguindo o mesmo estilo do palacete. É um autêntico exemplo da exuberância do
poder aquisitivo existente na época áurea da borracha.
Palácio Lauro Sodré: Também é
um Projeto do arquitectoconstrutor José Landi, de estilo neoclássico, inaugurado
em 1771. Sofreu várias adaptações em sua fachada e estrutura interna, no final do
século XIX. Nos anos 90 foi restaurado para abrigar o Museu do Estado. É considerado o
palácio mais sumptuoso em tamanho e riqueza decorativa do período colonial.
Theatro da Paz:É um dos mais bonitos do Brasil e foi tombado pelo Patrimônio Nacional.
Sua construção foi iniciada em 1868 em estilo neoclássico. É também o teatro mais
antigo da região. Recebeu grandes companhias de ópera europeias; a imortal Ana Pavlova,
CarlosGomes, que regeu sua ópera" O Guarany ". Hoje sedia festivais
internacionais de música e dança. ( tel. 0xx91 212-7915 ). Visitas com guias de
terça-feira a sábado, em vários horários.
Palácio Antônio Lemos :De estilo
neoclássico, é um exemplar da arquitectura da segunda metade do século XIX, época
áurea da borracha na Amazônia. Foi projectado e construído por José Coelho da Gama
Abreu, com início das obras em 1860, cuja inauguração só ocorreu em 1883. Atualmente
funcionam no local o gabinete do Prefeito Municipal e o Museu de Arte de Belém.
Praça Dom Pedro II :Uma das mais
antigas de Belém, é uma homenagem ao nosso último Imperador. Está situada no Centro
Histórico da Cidade e compõe o conjunto
Arquitectónico e histórico,
juntamente com os Palácios LauroSodré e Antônio Lemos.
Ver o Peso :É o mais
conhecido cartão postal de Belém e com as docas e as canoas embandeiradas que encantaram
o Poeta Manoel Bandeira e deslumbram os turistas que vêm de todas as partes do Brasil e
do exterior É formado por uma grande feira e dois mercados. Um deles, todo de ferro, é o
do peixe e foi construído com material importado da Europa e dos Estados Unidos,
embarcado desmontado e meticulosamente remontado no local.
Estação das Docas :Moderno
complexo turístico e gastronómico, construído a partir de três antigos galpões das
docas de Belém. Nas Docas se encontram cinco restaurantes, uma míni-fábrica de cerveja,
bares, lanchonetes, sorveteria, espaço para eventos, um teatro, outros estabelecimentos
comerciais, empresas de turismo, um museu e um terminal fluvial. Fica à beira da Baía do
Guajará, próximo do Ver - o - Peso e é um excelente local para passear, almoçar,
jantar etc. e passar muitas horas gostosas em ambiente totalmente refrigerado, ou na
brisa, desfrutando das belezas da natureza, namorando, sonhando acordado, ou contando
estrelas nas noites mornas e enluaradas de Belém.
Ainda em Belém encontramos muitos
Logradouros históricos, tais como : Solar do Barão de Guarajá, Mercado São Braz,
Theatro Waldemar Henrique, Ruínas do Murucutu, Praça do Relógio, Praça Felipe Patroni,
Praça frei Caetano Brandão, Largo do Carmo, Praça Batista Campos, Praça Magalhães,
Praça da Bandeira, Praça Brasil, Praça Rui Barata ( Ver o - Peso), Praça
Princesa Isabel, Terminal Turístico de Belém, Parque Ambiental de Belém, Praça do
Arsenal, Memorial Magalhães Barata.
A Rede Hoteleira é muito vasta,
mas a título de informações citaremos os melhores hotéis que são :Hotel Belém
Hilton, com Banco 24 horas, Equatorial Palace Hotel, Hotel Regente, Hotel Vila Rica, Hotel
Sagres, Itaoca Hotel, Hotel BeiraRio e Hotel Parque dos Igarapés
Os principais meios de transportes
são encontrados: no Aeroporto Internacional de Belém, Terminal Rodoviário de Belém,
terminal turístico daestação das Docas, Ferry-Boat ( Belém Marajó ) e
Travessia Rodo fluvial.
As informações sobre Espaços de
Eventos, Ciência e Educação podem ser prestadas na PARATUR -Órgão Oficial de turismo
do Estado ( Parque e Artesanato ); BELEMTUR, ( Órgão Oficial de Turismo do Município
);CENTUR Fundação Tancredo Neves( Centro de Convenções );Estação das Docas; Embrapa
Amazônia Oriental ; Campos de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi/CNPq ;
Planetário do Pará ; Universidade Federal do Pará ;Universidade Estadual do Pará
;Universidade da Amazônia e Faculdade de Ciências Agrárias do Pará.
Entre as inúmeras áreas de lazer
de Belém, destacam-se :Bosque Rodrigues Alves ; Estação das Docas Parque da Residência
( Estação Gasômetro ) ;Estádio Olímpico do Pará ( Mangueirão ) ; Praia Fluvial do
Outeiro :Praia Fluvial do Mosqueiro e Praia Fluvial do Cotijuba.
Ainda em relação a Lazer, os
turistas também podem optar por passeios mais afastados da cidade, como a MOSQUEIRO,17 km
de praias de água doce, a 69 km. De Belém. Acesso : rodoviário ou fluvial.
ICOARACI :Vila típica, distrito de
Belém, a 18 km do centro da cidade, com orla fluvial e acesso à praia do Amor, também
de água doce, na ilha do Outeiro.
SALINAS :20 km de praias
oceânicas, a 210 km de Belém. É a maior estação de veraneio da Amazônia. Acesso
:rodoviário e aéreo.
As operadoras de turismo
proporcionam, diariamente, passeios de barco em torno das ilhas de Belém. Entre elas, a
COTIJUBA,com praias selvagens de água doce.
Em Belém há umavariedademuito
grandede locais destinados à venda de todos os artigos que se possa imaginar,
incluindo-se entre eles os especializados em peças artesanais, mas há maior
concentração de produtos procurados pelos turistas no Ver o Peso ;Shopping
Center Iguatemi ( com banco 24 horas) ;Shopping Center Castanheira ;Shopping Doca
Boulevard ;Icoaraci, no Bairro do Paracuri( artigos de cerâmica ) e São José Liberto(
Pólo Joalheiro ).
Também são encontradas muitas
lojas e butiques na Avenida Braz de Aguiar e no centro comercial da cidade.
Artigos de cerâmica com
inspiração pré-colombiana , bijuterias com pedras brasileiras , sementes e outros
materiais da floresta , artigos de madeira entalhada, brinquedos de miriti, bordados e
pinturas, alem de cosméticos naturais podem ser encontrados nos mercados, feiras e lojas
especializadas.
Cozinha Paraense : Baseada na fauna
e flora amazônica, com tecnologia européia, a culinária paraense satisfaz todos os
paladares, sofisticados ou não. A enorme variedade de frutas nativas, das quais a mais
conhecida é o açaí, proporciona uma gama de guloseimas, tais como : sucos, sorvetes,
saladas etc. de sabores inesquecíveis.
O Pato no Tucupi (pato assado,
caldo de mandioca e ervas ) ;a Caldeirada ( peixe cozido com pirão de farinha de mandioca
) : a Maniçoba ( folhas de mandioca cozidas com embutidos e defumados de carne ) e o
Tacacá ( sopa de caldo e amido de mandioca, camarões e ervas ), são os pratos mais
conhecidos e mais exóticos da região.
Festas e Folguedos: As festas
paraenses não tem datas e sim ciclos. O ciclo junino, em junho, é uma rica
manifestação folclórica, cujo clímax se verifica no dia de São João, 24 de Junho.
Há actos de rua, apresentações de bois bumba, pássaros e quadrilhas são
encenados em teatros ou nas festas de arraial, típicos da época.
O ciclo carnavalesco vai do
reveillon, 31 de Dezembro até o chamado tríduo momesco, em Fevereiro, quando os blocos e
escolas de samba desfilam em certas ruas da cidade. Durante esse período, todas as festas
que se realizam nos clubes da cidade são de
Carnaval.
Em Outubro, o ciclo do Círio ocupa o mês inteiro com apresentações folclóricas , de
arte popular e erudita.
Os dois clubes esportivos de massa
de Belém são o Paysandu, cognominado "Papão da Curuzu", e o Clube do Remo,
conhecido como "Leão". O primeiro disputa no corrente ano a série principal do
Campeonato Brasileiro de futebol, enquanto o outro disputou a série B do referido
campeonato, sem conseguir classificação para o acesso à série A. A terceira força é
a Tuna Luso, clube composto de muitos atletas da colônia portuguesa da cidade".
Já com todos
preparados para ir almoçar, a Célia Lamounier levantou-se para ler o veredicto do
processo que o von Trina tinha movido contra a tripulação do Navio CUCO e, contra
terceiros:
Processo
von Trina
Como é do
conhecimento de todos, foi aberto o inquérito de Lesões Corporais sendo vítima o Von
Trina que serviu de isca ao tubarão. Citado para prestar depoimento o Tubarão informou
que estava iniciando uma acção com base nos Direitos de Consumidor, considerando que
chegou a provar da isca, mas o colete do Von Trina lhe quebrou dois dentes, razão de sua
Acção, requerendo indemnização para ir ao dentista.
Citada a
tripulação do CUCO para dar explicações sobre o acontecido, até ao momento não foi
marcada a data da audiência, estando o Dr Delegado num Forum contra a violência, onde se
discute a idade penal. O prazo de conclusão do Inquérito está esgotado mas dificilmente
será concluído antes das férias. Acredito que o caso será encerrado, tendo em vista
que, por falta de médicos no Posto do S U S no Porto onde esteve ancorado o navio CUCO, a
vítima Von Trina não se submeteu ao Exame de Corpo de Delito, peça essencial ao
prosseguimento do feito.
No Brasil, casos
de isca para tubarões, são famosos e sempre acabam em pizza.
Célia Lamounier
Fim da 1ª parte
A seguir: (02)
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