"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

BELEM

A Caminho de Belém
1ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Durante o longo percurso marítimo entre Manaus e Belém, a Comandante Manuela Madeira resolveu encarregar os excursionistas, Abílio e Luiza Terra de organizarem um "Baile de Máscaras" a bordo. Foi um grande êxito como nos conta o relato destes nossos amigos e excursionistas:
         
         
Baile dos Mascarados
          (Trabalho de Abílio e Luiza Terra)
         
"A viagem corria tranqüila e todos a bordo do Navio "Cuco" estavam agitados, pois finalmente ia acontecer o famoso Baile dos Mascarados. Estava marcado para sábado, às 22 horas.
          A Comandante Manuela mal tinha tempo para respirar, ficava a sonhar sem saber ainda qual seria sua máscara.
          O Abílio andava de um lado para o outro, passava a mão no rosto, olhava para o infinito mar, deu um sorriso misterioso e voltou à sua cabine.
          O Carlos estava muito calmo, parece que já sabia com qual máscara iria.
          A Luiza corria sem parar, estava muito agitada e não parava de estalar os dedos e olhar no grande espelho da sala principal.
          Todos estavam tão empenhados nos preparativos que até se esqueceram do ratinho a bordo, objeto de julgamento.
          Passavam uns pelos outros dando risinhos e olhares desconfiados.
          A Rosélia não perdia tempo, queria por que queria saber as máscaras de todos e a Flóra estava preocupada com os arranjos que faria para o salão e, já havia providenciado a sua misteriosa máscara.
          No convés do Navio Cuco, o Von Trina apreciava as ondas que pareciam bailar. Ele olhava atento! O que se passaria na imaginação dele? Seria daquela paisagem que sairia a sua máscara.?
          Arlinda, Arneyde, Célia , Cristina, Gislaine, Henriette, Malou, Márcia, Marisa, Regina e Vilma,estavam morrendo de rir, quando o "Mi Burro" passou sacudindo os quadris e relichando todo faceiro.
          Nesse exato momento, cada uma foi para sua cabine, riam tanto que ládo convés se podiam ouvir as suas estrondosas gargalhadas. Elas estavam aprontando alguma!!!
          Humberto, Nilson, Paulo e Tito estavam muito compenetrados e com olhares misteriosos e também entraram para as suas cabines.
          Como será o grande Baile dos Mascarados?
          Cada tripulante dará um nome à sua fantasia, sem se identificar.
          Cada um terá que se arrumar sem que o outro veja. Ninguém sabe quem é quem.
          No Baile, os homens ficarão de um lado e as mulheres do outro. As damas mascaradas então, escolherão, cada uma, o seu mascarado, sem saber quem estará escondido detrás daquela máscara...
          Como tem pouco homem (numericamente, é claro), cada homem terá o privilégio de escolher, pelo menos, duas parceiras, de maneira que ninguém ficará tomando o famoso "Chá de Cadeira" (ou seja, sem parceiro)...
          E assim, o Navio "Cuco" estará agitado, não só pelas ondas, mas pelos mascarados e mascaradas, a se esbaldarem no salão, ao som de animadas músicas, tanto portuguesas quanto brasileiras.
          O "Mi Burro", a rodopiar no meio do salão, dando deliciosos relinchos, deixará todos a pularem e dançarem a uma boa distância, com medo de fraturarem alguma perna ou costela.
          A deliciosa cachaça mineira não deixará ninguém sério, todos cantarão a plenos pulmões e darão gostosas gargalhadas.
          Ninguém perderá o Baile dos Mascarados!
          Finalmente, chegou o sábado e às 22 h os primeiros mascarados começaram a entrar no salão.
          O mascarado, capuz a bandido, camisa com o mapa do Brasil, calções verde-amarelos, descalço, trazendo nas mãos um arco e flechas, foi o primeiro a entrar, bem à vontade e começou a dar voltas em torno de duas mascaradas, imitando um índio e dando uns gritos que deixaram as duas eletrizadas. Uma delas, Pompadour, peruca com o cabelo muito encaracolado, máscara de olhos branca dourada, vestido vermelho muito decotado, ficando os peitos perto da garganta e descalça; a outra, pombinha branca, descalça. Quanto mais o índio gritava, mais doidas elas ficavam e acabaram os três saindo agarrados, pulando animadamente pelo salão.
          Logo em seguida, o mascarado, na cabeça um barrete à descobridor/marinheiro, e capa total com uma régua de cálculo pintada, com botas altas nos pés, foi-se aproximando de outras duas mascaradas, olhando fixamente, a ponto de as deixar sem saber o que fazer. Uma delas, com uma máscara, chapéu tipo tirolês com uma enorme pena de pavão, pequena máscara de olhos preta veludo, blusa e saia transparente, com uma capa dourada, sapatos de saltos altos, e a outra, de máscara a lagarto, fato verde, cauda comprida, cabeça de lagarto e descalça. De repente, ele se animou e abraçou, entusiasmado, a de chapéu tirolês, no que, imediatamente assustada, a dama deu um pontapé bem na canela do descobridor, que deu um grito, segurou a perna dolorida e saiu a dar pulinhos apoiado na outra perna. Mas, assim que a dor passou, ele voltou, desta vez mais calmo e começou a dizer galanteios ao ouvido da tirolesa, que começou a sorrir; depois, ele fez o mesmo com a lagarta, que também se animou e saíram os três dançando no salão.
          Então, o mascarado com um capuz azul, rosto tapado com um pano preto, com a abertura dos olhos em azul florescente, sapatos de pano preto, numa das mãos, uma pena (para escrever) e na outra um bloco de notas, estava correndo desabalado pelo salão, com três senhoras atrás dele: a mascarada de peruca muito alta e preta, olhos tapados pelo enorme vestido em forma de cheque bancário e sandálias douradas; a outra, com um enorme pincel, tapando desde a cabeça até aos pés descalços e a terceira, com a máscara à colombina, cor violeta com máscara de olhos amarela. As três queriam tirar-lhe a máscara de qualquer jeito. Finalmente, os quatro se cansaram e se sentaram em quatro cadeiras em redor de uma mesa, onde tomaram, cada um, uma boa dose da cachaça mineira e dali a pouco, já estavam pulando feito loucos pelo salão.
          Foi quando o mascarado de dragão, cor verde, boca enorme e muito aberta, com a língua muito vermelha e a crispar chamas, sapatos de tênis brancos se foi aproximando das damas. Todas queriam ser comidas, perdão, dançar com o dragão. Ele deu uma baforada (com forte gosto de cachaça) na mascarada com chapéu de pescadora, máscara de olhos tipo lenço, biquini superior pequenino e o debaixo ainda mais pequeno, numa das mãos uma cana de pesca e na outra uma grande minhoca, que balançou para um lado e para o outro, virando os olhos para cima e perdendo, por uns segundos, a noção de onde estava. Não contente com isso, o dragão deu outra baforada na mascarada à rainha do Egito, com pouca e curta roupa, máscara nos olhos verde escura, uma tiara de pedras faiscantes e cabelos muito longos e muito pretos, que começou a rodopiar no mesmo lugar, como se fosse um pião. Ele esperou pacientemente que as duas damas voltassem ao normal, passou os braços nas cinturas delas e saíram os três pulando como se tivessem molas nos pés.
          Nisso, o mascarado, barrete na cabeça, olhos meio tapados, camisa branca, calções pretos, meias altas amarelas, sandálias castanhas e debaixo do braço, uma pipa de livros, entrou apressado, olhando para um lado e para o outro e tropeçando nos próprios pés. Três senhoras vieram logo correndo socorrê-lo, preocupadas com o seu esforço e desorientação: a mascarada de peruca vermelha, máscara de olhos preta brilhante, vestido branco com uma enorme cruz vermelha pintada, com o comprimento (vestido) a um palmo do joelho, no pescoço um estetoscópio e nas mãos seringas, a de pantera negra com um enorme rabinho, com dentes e garras afiadas, numa das mãos um balde e na outra um enorme pincel e a terceira, à rainha, com coroa, tiara e máscara de rosto azul, vestido comprido, sandálias brancas, numa das mãos, um manual de contabilidade. Elas se agarraram nele e mostraram-lhe o centro do salão, que era o melhor lugar para onde ele se deveria dirigir. Ainda por cima, as três fizeram questão de saírem pulando com ele até aquele local, demonstrando como se deveria comportar nesse preciso momento. Em poucos minutos, o mascarado se revelou um aluno interessadíssimo e já começava a se encostar nas damas com toda desenvoltura. A essa altura, já estavam se entendendo às mil maravilhas.
          O mascarado à craque de futebol, com máscara de olhos branca e azul, equipamento desportivo com uma bola de futebol nas mãos, escorregou e teve que mostrar toda a sua ginga para não cair, conseguindo ainda, segurar a bola com firmeza. Isso despertou o interesse e o entusiasmo de duas mascaradas: a de penteado aos caracolinhos, tiara na testa, que segura um vestido transparente de sete véus, tendo por baixo um biquini amarelo, descalça e com argolas nos tornozelos e nos braços e a outra, a de máscara à boneca, com cabelos mal penteados, máscara de rosto amarela, vestido muito curto à boneca e descalça.
          Ele começou a fazer malabarismos com a bola, se exibindo para elas e, em seguida, lhes deu os braços, ao que elas, sem vacilar, aceitaram e assim se formou mais um grupo alegre de foliões.
          O mascarado, todo vestido de negro, com cabeça de urubu e patas enormes de avestruz foi chegando, dando uns pulos de urubu malandro para o lado de duas damas: a de máscara à cigana, peruca loira, máscara de veludo preto, vestido de várias cores, camiseta transparente, descalça, na mão um baralho de cartas e cantando: sou cigana mascarada/ que ainda tem um colo/ na passarela do Cuco/ comandante a tiracolo; e a outra, a de máscara a arco íris, com cabelo pintado de várias cores, um olho pintado de verde e outro de vermelho, vestido multi-cores muito curto, na bunda um enorme arco-íris e nos pés umas sandálias do feitio de estrelas. As duas acharam o urubu muito divertido e charmoso e dali a pouco, os três formavam um dos grupos mais animados do Baile dos Mascarados.
          De repente, chegou mais uma mascarada, entrando pela porta do salão, esbaforida: é que ela estivera dormindo e perdera a hora do início do baile. A sua máscara era a de Helena de Tróia, com véu azul escuro, comprido, encobrindo-lhe os olhos, preso na cabeça com uma tiara de borracha, no tronco um insuflavel parecendo um pneu, e botas de borracha de cano médio. Ela tomou, logo de cara, uma talagada da boa pinga (cachaça) mineira, ficou observando a euforia dos foliões que dançavam, pulavam e cantavam como se fosse o último dia na Terra e agarrou a primeira mão que passou perto dela: era a da rainha do Egito, que dançava junto com o dragão e a pescadora. Foi levada aos trancos e barrancos, tal era a velocidade a que eles estavam mas, fazendo um certo esforço, conseguiu acompanhá-los integrando-se assim, naquele grupo desimbestado.
          O último a chegar foi o Mi Burro que não se fez de rogado: entrou todo animado no salão, relinchando todo alegre e dando uns pulos animados, mostrando toda a sua simpatia, já bem conhecida de todos.
          E assim, o Baile dos Mascarados do navio "Cuco" transcorreu animadamente, varando a madrugada de sábado para domingo e fazendo o navio balançar ainda mais, tamanha a animação dos foliões! Basta dizer que o estoque de cachaça mineira acabou completamente, não ficando uma gota para contar a história!"
          (Um grande abraço amigo, - Luiza e Abilio)
         
          Uma das maiores folionas do Baile de Máscaras, foi a Arlinda Lamêgo. No outro dia de manhã, ainda com uma garrafa de whisky, fez o seguinte comunicado:
         
          Comunicado da Médica de Bordo (Drª. Arlinda Lamêgo)

          "Hoje faz um calor incrível . Cerca de 40 à sombra. Ao tomar banho não sei se enxugo água ou se é suor. Por esses lados, na Amazonia, a floresta faz esse clima húmido. Assim, quem não sabe, fica pensando que pode ficar debaixo do sol impunemente. Tive um caso hoje de insolação (e outros motivados de ingerirem altas quantidades de álcool). Não houve soro que melhorasse. Vou ter de fazer uma campanha no navio inteiro para alertar esses viajantes ingénuos."
          Arlinda Lamêgo
         
          Antes do almoço, ainda tivemos tempo de falar um pouco da cidade que íamos visitar: Belém. Calmamente, como é seu timbre, o Baçan, procurou entre os seus apontamentos, e por fim começou a sua dissertação sobre a capital do Estado do Pará:
         
          "A fundação da cidade de Belém, data de 1616, ano em que Francisco Caldeira Castelo Branco ergueu o fortim do Presépio em redor do qual surgiu o núcleo que posteriormente se transformou na cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Na sua expansão pelo Norte do Brasil, os portugueses tentavam a reagir com um baluarte colocado na entrada dos piratas franceses, ingleses e holandeses. Belém foi o lugar escolhido, pois além de oferecer excelente abrigo à navegação, proporcionava acesso franco a toda a Amazónia".
         
          Por sorteio, a próxima oradora foi a Regina Lyra, que depois de tossir e alisar o cabelo, começou:
         
          "Nos fins do século XlX, a região teve um enorme surto económico devido à borracha. Belém, teve grande desenvolvimento e ganhou a categoria de cidade, transformando-se numa grande metrópole e no entreposto de toda a região Norte do Brasil. Infelizmente, depois da 1ª Grande Guerra, o surto do progresso não teve continuidade. Com a decadência económica da borracha, só mais tarde Belém deu sinal de retomar o antigo ritmo de crescimento urbano".
         
          O Paulo Tamiazo foi o seguinte. Sempre com o seu inseparável microfone junto à boca, justificando que estava um pouco rouco por causa da humidade, começou a falar do assunto principal:
         
          "A expansão do mercado interno brasileiro, ligada principalmente ao processo de industrialização reflectiu-se em Belém, através do aparecimento de novos bairros, da multiplicação de instalações fabris e sobretudo, através de centros comerciais, dotados de modernos arranha-céus. Belém está localizada em plena faixa equatorial, junto à baía de Marajó e ao Rio Pará, tendo a Sul o Rio Guamá e a W a baíade Guajará. A sua situação geográfica à entrada do Rio Amazonas permite-lhe desempenhar o papel de maior entreposto comercial da Amazónia".
         
          A querida Maria Nascimento, levantou-se dizendo que tinha feito um elaborado trabalho sobre Belém e que o gostava de apresentar. Todos concordaram, sabendo de antemão o grande valor literário desta excursionista e amiga:
         
          Trabalho da Maria Nascimento (Advogada, moradora em Copacabana - Rio de Janeiro - Brasil)
          Após uma longa viagem a bordodo" CUCO ", um navio portuguêsque zarpou na cidade da Marinha Grande, em Portugal, comum selecto grupo de integrantes do PORTAL" CÁ ESTAMOS NÓS ", com a primeira parada em Macapá, no Amapá, onde embarcamos nós, os brasileiros. Fui incumbida pelo Coordenador dadelegação, Jornalista CARLOS LEITE RIBEIRO, o famoso Dr. CACO de PEDRA, para exercer a função de Guia Turística, em nossa estada em BELÉM, no PARÁ.
          Como o nosso tempo não nos permite permanecer por muitos dias no Pará, dadas algumas informações sobre o que há de mais importante nele, teceremos alguns comentários sobre Belém, mostrando os pontos turísticos a serem visitados durante a nossa permanência na Capital.
          Em primeiro lugar, sugiro que os integrantes da delegação se hospedem no Equatorial Pálace Hotel, situado na Rua Braz de Aguiar, cujos alojamentos e atendimento são de primeiríssima qualidade e de preço bastante atraente,bem como pela sua localização que permite mais rápido acesso aos pontos turísticos a serem visitados. Outra vantagem é a de se encontrar na mesma rua, a dois pequenos quarteirões, o Spazio Verdi, um Restaurante com serviço também de " self service " onde se pode encontrar a maior variedade e a melhor qualidade da culinária paraense, a preços relativamente baixos.
          BELÉM, a atual capital do PARÁ , fica na planície quaternária( 7 a 14m de alt. ), localizada junto à Baía de Marajó e ao rio Pará, tendo a Sul o rio Guamá e a Oeste a baíade Guajará. Como está próxima à entrada do rio Amazonas, é o maior entreposto comercial da região. Sua população actual é de cerca de um milhão e oitocentos mil habitantes.
          Santa Maria de Belém do Grão Pará foi fundada em 1616 pelo capitão português, Francisco Caldeira Castelo Branco e sua localização estratégica, na foz do Amazonas, permitia a defesa da região pelos portugueses, dos invasores de inúmeras nacionalidades, principalmente franceses e holandeses que rondavam pela calha do rio Amazonasem busca do "Eldorado".
          Além das belezas naturais que tanto encantam o turista, Belém tem várias ruas ornamentadas por um verdadeiro túnel formado por centenárias mangueiras, o que dá um toque poéticoe original. A arborização de Belém com mangueiras importadas da Índia foi uma decisão tomada no início do século pelo intendente Antônio Lemos, responsável por obras de grande impacto na capital paraense, nos áureos tempos da borracha.
          A arquitetura dos bairros mais antigos reflecte o talento português de se adaptar aos seus novos domínios, uma perfeita sintonia com o clima. As fachadas revestidas de azulejos , pé-direito alto, sótãos e saguões que garantiam a ventilação e atenuavam a umidade e o calor.
          Belém floresceu com pau-brasil e drogas medicinais do Sertão paraense e desabrochou com a expansão da exploração da borracha e até agora se beneficia com os efeitos de outros tesouros descobertos na região. Contudo, sua maior riqueza continua sendo a floresta bem próxima, pela sua bio-diversidade e pelo fascínio que o mundo tem pela sua beleza e pelos mistérios que guarda em suas águas, fauna, florestas, manguezais e igarapés.
          É a cidade das mangueiras, do cheiro-cheiroso, do açaí, do cupuaçu, do Círio de Nazaré, da chuva que cai quase todos os dias, cidade hospitaleira, Metrópole do Amazônia, em síntese :Belém do Pará é uma festa para os olhos e para a alma.
          Iniciando a falar sobre os seus pontos turísticos, comecemos pelas suas Igrejas mais famosas :
          Basílica de Nazaré, construída em 1774, como capela, foi a partir de 1908 que começou a construção da Basílica. O seu interior todo em mármore, segue o modelo da Basílica de São Paulo, em Roma.
          É nas imediações da Basílica de Nazaré que se realiza o Círio de Nazaré.
          No segundo domingo de Outubro de cada ano, o Círio de Nazaré é a maior procissão religiosa do Brasil e reúne cerca de dois milhões de pessoas num percurso de dois quilômetros que leva cinco horas para ser percorrido. Após a procissão se realizam banquetes com pratos típicos da região. O almoço do Círio que reúne as grandes famílias amazônicas. Esta procissão é a maior de um conjunto de sete : Círio Rodo-fluvial, motorizado; Círio das Crianças; Trasladação, noturna; Círio Fluvial, só de barcos; Recírio, a procissão de encerramento; e o Círio dos Doentes. Essas procissões centralizam uma festa que dura todo o mês de Outubro e mobiliza extenso e variado programa cultural : autos de rua, peças teatrais, shows populares, eruditos e folclóricos, festas dançantes, exposições de arte e feiras.
          Nossa Senhora de Nazaré é a Padroeira dos pescadores portugueses e do povo paraense que pratica a religião cristã.
          Catedral Metropolitana de Belém – Igreja da Sé, construída em 1755 pelo arquiteto Antonio Landi, em estilo barroco-colonial e neoclássico. Destacam-se nela os painéis pintados e ricamente emoldurados nos altares. 
          Igreja do Carmo, erguida no século XVII , foi reconstruída em 1716. Serviu de abrigo para as tropas legalistas na revoltados cabanos. Integra o conjunto arquitetônico que inclui o antino Convento dos Carmelitas.
          Igreja das Mercês, faz parte dum conjunto arquitectónico que inclui o Convento dos Mercedários e a antiga Alfândega. O seu traçado original é do século XVII, mas a restauração de Landi fez substanciais alterações.
          Igreja de Santana, construída em estilo renascentista, também é um projecto de Landi, cujo corpo foi sepultado em sua nave.
          Capela de São João Batista, pequena obra-prima de Landi do final do século XVIII. Restaurada em 1996 quando foram encontradas as pinturas originais do altar principal e dos altares laterais, que eram considerados perdidos.
          MUSEUS :Outros pontos muito importantes para visitar são também os museus
          Têm muito a ver com a riqueza culturalde uma cidade e, em Belém, encontramos :
          Museu do Círio :Expõe peças e documentos do maior evento religioso do Brasil, o Círio de Nazaré. ( tel. ( 0xx91) 219 – 1152.
          Museu de Artes de Belém, possui um acervo eclético demoveis e adornos, na sua maioria do século XIX e princípios do século XX. São mais de 200 peças, inclusive um conjunto Luiz XVI. ( tel. 0xx91 ) 219 – 8550.
          Museu de Arte Sacra :Instalado no antigo Palácio Episcopal, património tombado pelo Governo Federal. Integra o Projeto Feliz Lusitânia, do qual também faz parte a Igreja de Santo Alexandre, do século XVII, onde pregou o Padre Vieira. Abriga mais de 500 artes sacras, parte delas originada do espólio jesuítico.(tel. 0xx91 ) 219 – 1150.
          Museu do Estado :Criado em 1994, contém, em seu acervo, inúmeros exemplares de mobiliário, pintura e artes decorativas dos séculos XIX e XX, sendo que o próprio prédio é um dos mais importantes exemplares, em Belém, da arquitetura de Antônio Landi.
          ( tel. 0xx91 ) 219 – 1138.
          Museu Paraense Emílio Goeldi, reconhecido mundialmente como um dos mais importantes Institutos de investigação científica da Amazônia. Dedicado ao estudo da flora, da fauna, do homem amazônico e do seu ambiente físico, possui um parque zôo-botânicoe uma exposição permanente com objectos etnográficos de vários povos indígenas do Amazônia. ( tel. 0xx91 )219 – 3369. Aberto de terça- feira a domingo , de 9 às 17h.
          Os demais Museus de Belém funcionam de terça a sexta – feira, das 13 às 18h e sábado e domingo das 9 às 13 h.
          Há, na cidade de Belém, uma infinidade de Edifícios e Logradouros cuja importância histórica, cultural e arquitectónica não permite ao turista se privar de visitá-los, sob qualquer pretexto, mesmo que, como nós, não dispomos de um período longo para nos deleitarmos com as preciosidades existentes ao longo de toda a Capital do Estado do Pará.
          Vejamos, dentro da nossa precariedade de tempo o que poderemos visitar :
          Forte do Presépio :É o marco de fundação de Belém. Foi a primeira construção realizada na cidade, em 1616. Os velhos canhões originais ainda se encontram lá. É do Forte do Presépio que até aos nossos dias ainda se continua a desfrutar de uma das melhores vistas de Belém. Integra, junto à Casa das Onze Janelas, o projeto Feliz Lusitânia.
          Cidade Velha : Começou ali a cidade de Belém, ao lado do Forte do Castelo. Preserva em parte a sua arquitectura colonial, com fachadas de azulejos portugueses, varandas e gradis de ferro.
          Memorial da cabanagem :É um Projeto de Oscar Niemeyer, homenagem à Cabanagem, que, em 1835 se tornou a única revolta popular no Brasil a chegar ao poder.
          Bosque Rodrigues Alves : é um pedaço da floresta amazônica dentro da cidade. São mais2.000 árvores, um orquidário, viveiros de aves e animais.
          Parque de Residência: Antiga residência dos Governadores do Pará, no início do século. Um orquidário abriga espécies da Amazônia. O antigo vagão do governador da Estrada de ferro de Bragança, adaptado, abriga uma sorveteria. A Estação gasômetro, toda em ferro, abriga um teatro para 400 pessoas, um café e lojas de produtos regionais e tem ainda um restaurante, tudo em pleno funcionamento.
          Palácio da República :é um dos pontos mais bonitos da cidade e ganha vida e magia, principalmente, por conservar suas exuberantes mangueiras que formam um extenso túnel de indescritível beleza.
          Palacete Bolonha :Construído com material importado da Europa, no início do século XX, pelo arquiteto Francisco Bolonha, para sua residência. Faz parte de um conjunto arquitectónico que inclui uma vila de casas seguindo o mesmo estilo do palacete. É um autêntico exemplo da exuberância do poder aquisitivo existente na época áurea da borracha.
          Palácio Lauro Sodré: Também é um Projeto do arquitecto–construtor José Landi, de estilo neoclássico, inaugurado em 1771. Sofreu várias adaptações em sua fachada e estrutura interna, no final do século XIX. Nos anos 90 foi restaurado para abrigar o Museu do Estado. É considerado o palácio mais sumptuoso em tamanho e riqueza decorativa do período colonial.
          Theatro da Paz:É um dos mais bonitos do Brasil e foi tombado pelo Patrimônio Nacional. Sua construção foi iniciada em 1868 em estilo neoclássico. É também o teatro mais antigo da região. Recebeu grandes companhias de ópera europeias; a imortal Ana Pavlova, CarlosGomes, que regeu sua ópera" O Guarany ". Hoje sedia festivais internacionais de música e dança. ( tel. 0xx91 – 212-7915 ). Visitas com guias de terça-feira a sábado, em vários horários.
          Palácio Antônio Lemos :De estilo neoclássico, é um exemplar da arquitectura da segunda metade do século XIX, época áurea da borracha na Amazônia. Foi projectado e construído por José Coelho da Gama Abreu, com início das obras em 1860, cuja inauguração só ocorreu em 1883. Atualmente funcionam no local o gabinete do Prefeito Municipal e o Museu de Arte de Belém.
          Praça Dom Pedro II :Uma das mais antigas de Belém, é uma homenagem ao nosso último Imperador. Está situada no Centro Histórico da Cidade e compõe o conjunto
          Arquitectónico e histórico, juntamente com os Palácios LauroSodré e Antônio Lemos.
          Ver – o – Peso :É o mais conhecido cartão postal de Belém e com as docas e as canoas embandeiradas que encantaram o Poeta Manoel Bandeira e deslumbram os turistas que vêm de todas as partes do Brasil e do exterior É formado por uma grande feira e dois mercados. Um deles, todo de ferro, é o do peixe e foi construído com material importado da Europa e dos Estados Unidos, embarcado desmontado e meticulosamente remontado no local.
          Estação das Docas :Moderno complexo turístico e gastronómico, construído a partir de três antigos galpões das docas de Belém. Nas Docas se encontram cinco restaurantes, uma míni-fábrica de cerveja, bares, lanchonetes, sorveteria, espaço para eventos, um teatro, outros estabelecimentos comerciais, empresas de turismo, um museu e um terminal fluvial. Fica à beira da Baía do Guajará, próximo do Ver - o - Peso e é um excelente local para passear, almoçar, jantar etc. e passar muitas horas gostosas em ambiente totalmente refrigerado, ou na brisa, desfrutando das belezas da natureza, namorando, sonhando acordado, ou contando estrelas nas noites mornas e enluaradas de Belém.
          Ainda em Belém encontramos muitos Logradouros históricos, tais como : Solar do Barão de Guarajá, Mercado São Braz, Theatro Waldemar Henrique, Ruínas do Murucutu, Praça do Relógio, Praça Felipe Patroni, Praça frei Caetano Brandão, Largo do Carmo, Praça Batista Campos, Praça Magalhães, Praça da Bandeira, Praça Brasil, Praça Rui Barata ( Ver – o - Peso), Praça Princesa Isabel, Terminal Turístico de Belém, Parque Ambiental de Belém, Praça do Arsenal, Memorial Magalhães Barata.
          A Rede Hoteleira é muito vasta, mas a título de informações citaremos os melhores hotéis que são :Hotel Belém Hilton, com Banco 24 horas, Equatorial Palace Hotel, Hotel Regente, Hotel Vila Rica, Hotel Sagres, Itaoca Hotel, Hotel BeiraRio e Hotel Parque dos Igarapés
          Os principais meios de transportes são encontrados: no Aeroporto Internacional de Belém, Terminal Rodoviário de Belém, terminal turístico daestação das Docas, Ferry-Boat ( Belém – Marajó ) e Travessia Rodo – fluvial.
          As informações sobre Espaços de Eventos, Ciência e Educação podem ser prestadas na PARATUR -Órgão Oficial de turismo do Estado ( Parque e Artesanato ); BELEMTUR, ( Órgão Oficial de Turismo do Município );CENTUR Fundação Tancredo Neves( Centro de Convenções );Estação das Docas; Embrapa Amazônia Oriental ; Campos de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi/CNPq ; Planetário do Pará ; Universidade Federal do Pará ;Universidade Estadual do Pará ;Universidade da Amazônia e Faculdade de Ciências Agrárias do Pará.
          Entre as inúmeras áreas de lazer de Belém, destacam-se :Bosque Rodrigues Alves ; Estação das Docas Parque da Residência ( Estação Gasômetro ) ;Estádio Olímpico do Pará ( Mangueirão ) ; Praia Fluvial do Outeiro :Praia Fluvial do Mosqueiro e Praia Fluvial do Cotijuba.
          Ainda em relação a Lazer, os turistas também podem optar por passeios mais afastados da cidade, como a MOSQUEIRO,17 km de praias de água doce, a 69 km. De Belém. Acesso : rodoviário ou fluvial.
          ICOARACI :Vila típica, distrito de Belém, a 18 km do centro da cidade, com orla fluvial e acesso à praia do Amor, também de água doce, na ilha do Outeiro.
          SALINAS :20 km de praias oceânicas, a 210 km de Belém. É a maior estação de veraneio da Amazônia. Acesso :rodoviário e aéreo.
          As operadoras de turismo proporcionam, diariamente, passeios de barco em torno das ilhas de Belém. Entre elas, a COTIJUBA,com praias selvagens de água doce.
          Em Belém há umavariedademuito grandede locais destinados à venda de todos os artigos que se possa imaginar, incluindo-se entre eles os especializados em peças artesanais, mas há maior concentração de produtos procurados pelos turistas no Ver – o – Peso ;Shopping Center Iguatemi ( com banco 24 horas) ;Shopping Center Castanheira ;Shopping Doca Boulevard ;Icoaraci, no Bairro do Paracuri( artigos de cerâmica ) e São José Liberto( Pólo Joalheiro ).
          Também são encontradas muitas lojas e butiques na Avenida Braz de Aguiar e no centro comercial da cidade.
          Artigos de cerâmica com inspiração pré-colombiana , bijuterias com pedras brasileiras , sementes e outros materiais da floresta , artigos de madeira entalhada, brinquedos de miriti, bordados e pinturas, alem de cosméticos naturais podem ser encontrados nos mercados, feiras e lojas especializadas.
          Cozinha Paraense : Baseada na fauna e flora amazônica, com tecnologia européia, a culinária paraense satisfaz todos os paladares, sofisticados ou não. A enorme variedade de frutas nativas, das quais a mais conhecida é o açaí, proporciona uma gama de guloseimas, tais como : sucos, sorvetes, saladas etc. de sabores inesquecíveis.
          O Pato no Tucupi (pato assado, caldo de mandioca e ervas ) ;a Caldeirada ( peixe cozido com pirão de farinha de mandioca ) : a Maniçoba ( folhas de mandioca cozidas com embutidos e defumados de carne ) e o Tacacá ( sopa de caldo e amido de mandioca, camarões e ervas ), são os pratos mais conhecidos e mais exóticos da região.
          Festas e Folguedos: As festas paraenses não tem datas e sim ciclos. O ciclo junino, em junho, é uma rica manifestação folclórica, cujo clímax se verifica no dia de São João, 24 de Junho. Há actos de rua, apresentações de bois – bumba, pássaros e quadrilhas são encenados em teatros ou nas festas de arraial, típicos da época.
          O ciclo carnavalesco vai do reveillon, 31 de Dezembro até o chamado tríduo momesco, em Fevereiro, quando os blocos e escolas de samba desfilam em certas ruas da cidade. Durante esse período, todas as festas que se realizam nos clubes da cidade são de
          Carnaval.
          Em Outubro, o ciclo do Círio ocupa o mês inteiro com apresentações folclóricas , de arte popular e erudita.
          Os dois clubes esportivos de massa de Belém são o Paysandu, cognominado "Papão da Curuzu", e o Clube do Remo, conhecido como "Leão". O primeiro disputa no corrente ano a série principal do Campeonato Brasileiro de futebol, enquanto o outro disputou a série B do referido campeonato, sem conseguir classificação para o acesso à série A. A terceira força é a Tuna Luso, clube composto de muitos atletas da colônia portuguesa da cidade".
          Já com todos preparados para ir almoçar, a Célia Lamounier levantou-se para ler o veredicto do processo que o von Trina tinha movido contra a tripulação do Navio CUCO e, contra terceiros:
         
         
Processo von Trina
          Como é do conhecimento de todos, foi aberto o inquérito de Lesões Corporais sendo vítima o Von Trina que serviu de isca ao tubarão. Citado para prestar depoimento o Tubarão informou que estava iniciando uma acção com base nos Direitos de Consumidor, considerando que chegou a provar da isca, mas o colete do Von Trina lhe quebrou dois dentes, razão de sua Acção, requerendo indemnização para ir ao dentista.
          Citada a tripulação do CUCO para dar explicações sobre o acontecido, até ao momento não foi marcada a data da audiência, estando o Dr Delegado num Forum contra a violência, onde se discute a idade penal. O prazo de conclusão do Inquérito está esgotado mas dificilmente será concluído antes das férias. Acredito que o caso será encerrado, tendo em vista que, por falta de médicos no Posto do S U S no Porto onde esteve ancorado o navio CUCO, a vítima Von Trina não se submeteu ao Exame de Corpo de Delito, peça essencial ao prosseguimento do feito.
          No Brasil, casos de isca para tubarões, são famosos e sempre acabam em pizza.
          Célia Lamounier

Fim da 1ª parte

 A seguir:(02)

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