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"A
Travessia do Atlântico"
Do Livro de Bordo
BELEM
A Caminho de Belém
2ª PARTE
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Editor:Carlos Leite Ribeiro |
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Por fim, fomos almoçar ao
Restaurante "O Cantinho do Portuga", sito na Rua
Conselheiro Furtado, Nº 1.563. Depois do almoço, o pessoal excursionista brasileiro, num
coro mais ou menos desafinado, começou a cantar:
Fado Tropical - (Chico Buarque e Ruy Guerra)
"Oh! musa do meu fado oh! minha mãe gentil / Te deixo consternado
no primeiro de Abril /
Mas não sê tão ingrata, não esquece quem te amou / Em tua densa mata, se perdeu e se
encontrou / Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal
/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal / "Sabe no fundo eu sou um
sentimental / todos nós herdamos no sangue lusitano / uma boa dosagem de lirismo
além da sífilis, é claro. / Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas / em torturar
esganar trucidar / meu coração fecha os olhos e / sinceramente chora". / Com
avencas na caatinga, alecrins no canavial / Licores na moringa, um vinho tropical / E a
linda mulata com rendas de Alentejo / De quem numa bravata arrebata um beijo / "Meu
coração tem um sereno jeito / e as minhas mãos o golpe duro e presto / de tal maneira
que depois de feito / desencontrado eu mesmo me contesto. / Se trago as mãos distantes do
meu peito / É que há distância entre a intenção e o gesto. / E se meu coração nas
mãos estreito / me assombra a súbita impressão de um incesto. / Quando me encontro no
calor da luta / ostento a guda empunhadora à proa. / Mas o meu peito se desabotoa / e se
a sentença se anuncia bruta / mais que depressa a mão executa / pois que senão o
coração perdoa. / Guitarras e sanfonas jasmins coqueiros fontes / Sardinhas
mandioca num suave azulejo / E o rio Amazonas que corre Trás-os-Montes / E numa pororoca
deságua no Tejo / Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal / Ainda vai tornar-se um
império colonial".
Foi a vez dos
tripulantes portugueses, cantarem a primeira canção portuguesa, desde que estamos a
visitar o Litoral do Brasil. O fado-canção:
CANOAS DO TEJO - Cantor: Carlos do Carmo - Letra e música: Frederico de
Brito
Canoa de vela erguida, / Que vens do Cais da Ribeira, / Gaivota, que andas perdida, / Sem
encontrar companheira
O vento sopra nas fragas, / O Sol
parece um morango, / E o Tejo baila com as vagas / A ensaiar um fandango
Canoa, / Conheces bem / Quando há
norte pela proa, / Quantas voltas tem Lisboa, / E as muralhas que ela tem
Canoa, / Por onde vais? / Se algum
barco te abalroa, / Nunca mais voltas ao cais, / Nunca, nunca, nunca mais
Canoa de vela panda, / Que vens da
boca da barra, / E trazes na aragem branda / Gemidos de uma guitarra
Teu arrais prendeu a vela, / E se
adormeceu, deixa-lo / Agora muita cautela, / Não vá o mar acordá-lo
De volta ao
navio, logo começámos a dissecar o tema "Estado do Pará". Depois de efectuado
o sorteio dos oradores, calhou à Marisa Cajado começar a falar sobre:
Estado do Pará
"A ocupação do delta
amazónico foi iniciada por ingleses e holandeses. Penetrando pelo Amazonas e montaram
feitorias e pequenos estabelecimentos fortificados até às cercanias do Rio Tapajós. No
Xingu e nos estreitos estavam os principais estabelecimentos. A presença dos portugueses
no Pará, deu-se no século XVll. Em Janeiro de 1616, o capitão português, Francisco
Caldeira de Castelo Branco iniciou a ocupação da terra, fundado o Forte Presépio,
núcleo da futura cidade de Belém. A fixação portuguesa foi efectivada com as missões
religiosas e as bandeiras, que ligavam o Forte do Presépio a São Luís do Maranhão, por
terra e subiram o Rio Amazonas".
Quando esta
oradora terminou, a Marcia Smith já estava preparada para entrar (falar):
"As
dificuldades enfrentadas pelos portugueses, foram enormes. Além da natureza hostil,
tiveram que lutar contra os núcleos europeus já instalados na região, além de
enfrentar a oposição guerreira dos índios. Em 1637, uma expedição comandada por Pedro
Teixeira partiu de Belém e, subindo os Rios Amazonas e Napo, chegou a Quito, no Equador.
Ao voltar a Belém, tomou posse, em nome de Portugal, de todas as terras que se estendiam
da margem esquerda do Rio Napo até ao Oceano Atlântico, ou seja, quase toda a Amazónia.
Nas décadas seguintes, foram explorados os principais afluentes do Amazonas. Teve início
a procura das chamadas "drogas do sertão", como a canela, a baunilha, o cravo,
o urucu e o cacau. Sertanistas, religiosos, tropas de resgate, tropas de guerra,
contratadas para vencer a resistência dos índios ou escravizá-los, subiam e desciam
rios, montando feitorias, explorando a floresta, pescando, estabelecendo portanto, os
fundamentos para uma ocupação efectiva".
A seguinte foi a
Malou, que começou a falar com um pincel na mão e houve logo quem perguntasse se ela ia
falar de batuta !:
"Para esta
ocupação, contribuiu a presença de casais açorianos e degredados portugueses. A
capitania paraense estava integrada no Estado do Maranhão e Grão-Pará, criado em 1621,
mas de 1751 em diante, passou para a capitania do Grão-Pará e Maranhão, passando Belém
a sede do governo. Em 1755, foi fundada a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e
Maranhão, que deu início a uma época de maios prosperidade para o Pará, com
organização de lavouras de café, arroz, tabaco, cana-de-açúcar, cacau e algodão. A
partir dessa época, surgiram fazendas de gado em Marajó e nas margens do Amazonas".
A Henriette,
sempre preocupada com os fundos de maneio, arranjou um momento para a dissertação:
"Em 1775,
Pará e Maranhão foram definitivamente separados. Em 1821, o sentimento nacionalista e
ideias antilusitanas levaram os paraenses a apoiar o movimento liberal do Porto, que
extinguiu o poder absoluto do rei. Houve lutas políticas e de rua, apaziguadas quando a
junta do Governo local foi substituída por outra, sob a presidência do bispo Romualdo
António de Seixas, favorável à independência do Brasil. Todavia, essa junta do
dissolvida após a declaração da Independência do Brasil e os novos governantes eram
contra a independência. Um expedição enviada por D. Pedro l, do Brasil (4º de
Portugal), comandada pelo capitão John Pascoe Grenfell, chegou a Belém em Agosto de 1823
e dominou os dissidentes, forçando-os a apoiar o Imperador. As agitações, porém,
continuaram".
A professora
Gislaine, sempre preocupada com o seu grande hobby, a pesca, interrompeu o banho à isca,
e veio dar o seu depoimento:
"Em 1833, o
movimento popular conhecido como Cabanagem irrompeu no Pará. A partir de 1835, as lutas
intensificaram-se e os cabanos conseguiram dominar a província. Sufocado em 1840, o
levante causou a morte de cerca de 30 mil pessoas e paralisou a economia do Pará. Somente
no final de século XlX haveria recuperação, com a alta dos preços mundiais da borracha
e a chegada de imigrantes nordestinos. Esse período de desenvolvimento coincidiu com os
primeiros tempos da República. Todavia, na década de 1910, surgiram na Ásia
plantações de seringueira com métodos de produção mais rentáveis".
Foi a vez da
descontraída e sempre alegre, Flóra Cavalcanti:
"O relevo
geográfico paraense divide-se em três grandes planos: Planície Amazónica, Planalto das
Guianas e Planalto Brasileiro. A Planície Amazónica é composta pela várzea e pela
terra firme. A primeira estende-se ao longo do Rio Amazonas e nas suas partes mais baixas
é inundada na época das cheias; a segunda é mais elevada, com altitude média de 100
metros, e forma duas faixas paralelas ao Norte e ao Sul a várzea, sendo constituída por
terrenos arenosos. O Planalto das Guianas, ao norte da Planície, apresenta elevação das
altitudes em direcção ao norte, até à serra de Acari, onde atinge o seu ponto
mais alto, 906 metros.
Por fim, calhou
à Arneyde falar. E ela que estava ansiosa ... :
"O Planalto
Brasileiro estende-se ao sul da Planície, com uma superfície ondulada onde as altitudes
não ultrapassam os 500 metros. O principal rio paraense é o Amazonas, que no Estado tem
como principais afluentes o Jari, o Paru, o Trombetas e o Nhamundá, pela margem esquerda;
e o Xingu e o Tapajós, pela margem direita. Também são importantes o rio Gurupi, na
fronteira com o Maranhão, e o Araguaia, na fronteira com Goiás. A maior ilha brasileira,
Marajó, fica no Pará, entre a foz do Rio Amazonas e o Oceano Atlântico. Cerca de 85% da
superfície do Estado do Pará, são ocupados pela floresta amazónica. A parte restante,
cabe aos campos e campos cerrados. Os primeiros ocorrem na várzea e na ilha de Marajó,
enquanto os campos cerrados formam pequenas manchas a norte de Óbidos e Monte Alegre, e
ainda no médio vale do Rio Trompetas".
Mais uma vez, a nossa querida Maria
Nascimento nos surpreendeu com outro belíssimo trabalho sobre o Estado do Pará. Todos
ficaram absortos da sua bela voz e do seu belo trabalho:
PARÁ ( o
Estado ) (Trabalho da Drª Maria Nascimento)
Para que todos os integrantes da
comitiva conheçam um pouquinho melhor o Estado do Pará, necessário se faz
que, inicialmente, prestemos algumas informações sobre o referido Estado.
O Pará, cuja capital
é Belém, ocupa cerca de 15% de todo o território nacional e é o segundo
maior Estado da federação em extensão territorial. Está localizado no
Norte do Brasil e se situa entre a Guiana e o Suriname, ao norte; o Amapá e o
Oceano Atlântico, a nordeste; o Maranhão, a leste; Goiás, a sudeste; Mato
Grosso, ao sul e Amazonas e Roraima, a oeste e sua
área é de 1.248.042km2.
Duas das mais importantes
obras construídas pela engenharia brasileira estão localizadas no PARÁ,
ambas cortadas pelo Tocantins e o Araguaia que são : A Hidrelétrica de Tucuruí e a
exploração mineral da Serra dos Carajás.
Suas cidades mais importantes são
: Belém (capital), Santarém, Castanhal, Abaetetuba, Altamira, Marabá,
Faro, Óbidos, Bragança, Cametá, Vigia, onde se realizou o primeiro Círio de Nazaré,
Capanema, Serra dos Carajás, Salva terra, Soure, Igarapé, Tucuruí,
Conceição do Araguaia, Marajó, a maior ilha fluviomarítima do mundo, Barcarena etc.
No Pará encontram-se
outras cidades, tais como : Acará, Afuá, Alenquer, Igarapé-Açu,
Itaituba, Moju, Monte Dourado, Novo Repartimento,
Ponta de Pedras, Redenção, Rondon do Pará,
Salinópolis, Tucumã.
Tecendo alguns comentários
sobre as regiões do Pará, registramos que :
Barcarena : A praia do
Ciripy, de água doce e extensos coqueirais, é a principal atração deste
município, tem acesso rodo fluvial e fica a 50 km de Belém.
Marapanim : Aqui o turista
conhece o autêntico carimbó, nas festas de São Benedito, em dezembro. É a
primeira praia de nudismo do norte do Brasil.. Acesso : rodoviário. 150 km
de Belém.
Bragança : É o lugar mais
apropriado para o turista dançar a Marujada e depois se refrescar numa
das mais bonitas praias oceânicas, a Ajuruteua. Acesso : rodoviário.
210 km de Belém.
Vigia : Em novembro acontece o
Festival da Gurijuba, peixe típico e delicioso da região. Acesso :
rodoviário. 77 km de Belém.
Santarém : É a "
Pérola do Tapajós " e a segunda maior cidade do estado. É nela
que se verifica o encontro das águas límpidas do rio Tapajós e as águas
barrentas do Amazonas. As águas não se misturam. Alter do Chão,
vila tranqüila enfeitada por uma praia deslumbrante, acalentada pelas águas azuis
do Tapajós.
Oriximiná : Fica às margens
do rio Trombetas, um dos mais belos tributários do rio Amazonas, onde há uma
infinidade de cachoeiras, reservas florestais e biológicas. Sua população é se
constitui de nativos indígenas, descendentes de escravos africanos ( quilombolas ) e de
europeus. Acesso : Aéreo e fluvial. 819 km de Belém em linha reta.
Óbidos : Em frente à cidade, o
rio Amazonas tem apenas um quilômetro de largura e mais de 80m de profundidade. É
igual a um prédio de 30 andares. Cidade histórica, berço do escritor Inglês de
Souza. Uma das visitas mais importantes é a serra da Escama com suas
incontáveis e indescritíveis cavernas. Acesso : aéreo e fluvial. Fica a 779 km de
Belém em linha reta.
Monte Alegre : Contém
grutas, cavernas, sítios arqueológicos e as fontes de águas sulfurosas que fazem parte
da paisagem da cidade. Acesso : aéreo e fluvial. Fica a 623 km de
Belém.
Alenquer : Visite a
Morada dos Deuses : concentração de rochas em calcário forma inúmeros córregos
de água cristalina. Acesso : aéreo e fluvial. A 701 km de Belém.
Tucuruí : Nos lagos da
hidrelétrica de Tucuruí, acontece o Festival do Tucunaré, no mês de
agosto, com torneio de pesca, que atrai turistas até de outros países.
Acesso : aéreo, rodoviário e fluvial. Dista 385 km de Belém.
Marabá : Aqui acontece
outro magnífico encontro das águas dos rios Tocantins e Itacaiúnas. O
turista não pode deixar de conhecer a Casa de Cultura Antônio
Morbach e as bonitas praias do Tucunaré e de São Félix. Acesso
: aéreo e rodoviário. Fica a 500 km de Belém.
Conceição do
Araguaia : É reconhecida pela Embratur como área e local de interesse
turístico devido à sua beleza nativa e suas paradisíacas ilhas , praias e corredeiras.
Acesso : aéreo e
rodoviário. Está a cerca de 1.000 km de Belém.
Altamira : Bem no
coração do Pará, às margens do misterioso rio Xingu, está cercada
por densa floresta, com igarapés e rios cheios de espécies cobiçadas pelos
pescadores esportivos. No município, há dezenas de reservas
indígenas. Acesso : aéreo e fluvial. Encontra-se a 512 km de
Belém, em linha reta.
Marajó : É a maior
ilha fluviomarítima do mundo. Nela encontramos uma infinidade de búfalos, praias,
mangues, igarapés, muito carimbó e, freqüentemente acontece aqui o fenômeno da
pororoca. Visitando Marajó, o turista pode conhecer ainda estas cidades :
Soure , onde se destacam as praias,
como a do Pesqueiro e os campos de criação de búfalos e cavalos da raça
marajoara. Acesso : fluvial. Está a 87 km de Belém.
Salvaterra : Local da
praia de Joanes. No mês de julho se realiza o Festival do Abacaxi.
Acesso : rodofluvial, fluvial e aéreo. Fica a 83 km de Belém.
Seus Rios mais importantes são :
Rio Amazonas, Xingu, Trombetas, Araguaia, Tapajós, São Benedito e Rio Pará.
Há também outros Rios, como : o Mapuera, o Caruá, o Capim, Rio Fresco, Paru,
Maicaru, Teles, Rio Gurupi, Arapiranga, Arataú, Guamá, do Leão etc.
Suas principais Ilhas são : Ilha
do Marajó, de Mosqueiro, do Outeiro, de Cotijuba, Mexiana , Ilha Grande
etc.
O Pará é dotado de um grande
número de cachoeiras e entre elas estão :Cachoeira Grande, Tucunaré, Maranhão, da
Bateria, do Tubarão, das Guaribas, Bacuri, Araras, Cantagalo, Ubá, do Chacorão,
da Liberdade etc.
Principais Serras do Pará :
Serra dos Carajás, Serra dos Gradaús, do
Cachimbo, da Seringas etc.
Bibliografia :Este
trabalho foi realizado com base nas informações contidas
no folheto " PARÁ, a obra - prima da AMAZÔNIA ", da
PARATUR Companhia Paraense de Turismo".
Maria Nascimento
Santos Carvalho
Hino do Pará
Segundo alguns pesquisadores, o
Hino ao Pará surgiu em época anterior ao ano de 1915 e não tinha caráter ou sentido
oficial, desconhecendo-se qualquer ato que tenha oficializado naquela oportunidade.
Cantado pelos alunos do
"Colégio Progresso Paraense", foi publicado em 1895, na página 5 dos
"Annaes do Colégio Progresso Paraense", edição comemorativa do tricentenário
da fundação de Belém.
O referido Hino se tornou oficial
com o nome de "Hino do Pará" através da Emenda Constitucional nº 1, de 29 de
outubro de 1969.
LETRA: ARTHUR PORTO
MÚSICA: NICOLINO MILANO
ADAPTAÇÃO E ARRANJO: GAMA MALCHER
Salve, ó terra de ricas florestas,
Fecundadas ao sol do equador !
Teu destino é viver entre festas,
Do progresso, da paz e do amor!
Salve, ó terra de ricas florestas,
Fecundadas ao sol do equador!
Estribilho
Ó Pará, quanto orgulha ser filho,
De um colosso, tão belo, e tão
forte;
Juncaremos de flores teu trilho,
Do Brasil, sentinela do Norte.
E a deixar de manter esse brilho,
Preferimos, mil vezes, a morte!
Salve, ó terra de rios gigantes,
D'Amazônia, princesa louçã!
Tudo em ti são encantos vibrantes,
Desde a indústria à rudeza pagã,
Salve, ó terra de rios gigantes,
D'Amazônia, princesa louçã ! |
Autores
O professor dr. Arthur Teódulo
Santos Porto foi autor da letra do "Hino ao Pará". Ele era conhecido
intelectual e educador, fundador do "Colégio Progresso Paraense", nascido em
Pernambuco em 1886 e falecido em Belém-PA em 1938.
Embora atribuída a Gama Malcher,
professor de canto coral daquele colégio, a autoria da música é na realidade de
Nicolino Milano, violonista, compositor e regente brasileiro, nascido em Lorena-SP, no ano
de 1876 e falecido no Rio de Janeiro em 1931. O Maestro Gama Malcher foi o autor da
adaptação e do arranjo musical para canto coral.
Simbolismo
A letra deste Hino é um verdadeiro
poema de exaltação ao Pará. Ela fala da beleza natural do Estado, da exuberância de
suas matas e flores, dos seus rios, do heroísmo do seu povo e traz uma mensagem de
otimismo e esperança para o futuro.
Bandeira do Pará
A bandeira do Estado do Pará foi
aprovada pela Câmara Estadual em 03 de junho de 1890, por proposta apresentada pelo
deputado Higino Amanajás. Na verdade, antes mesmo de ser oficializada como símbolo do
Estado, representava o Clube Republicano Paraense. Por isso, tremulou, pela primeira vez,
por ocasião da adesão do Pará à República do Brasil, em 16 de novembro de 1889.
Alguns meses depois, mais exatamente no dia 10 de abril de 1890, o Conselho Municipal, por
proposição do seu presidente, Artur Índio do Brasil, aprovou projeto fazendo do
distintivo do Clube, a bandeira do município de Belém.
O decreto que finalmente
transformou a bandeira municipal em bandeira do Estado, manteve os mesmos simbolismos, e
teve o seguinte teor:
"O Congresso Legislativo do
Estado do Pará decreta:
Art. 1º - Fica considerada como
Bandeira do Estado do Pará a que servia de distintivo ao Clube Republicano Paraense,
antes da proclamação da República, e que em sessão de 10 de abril de 1890 foi adotada
como Bandeira do Município.
Art. 2º - Renovam-se as
disposições em contrário"
Simbolismo
A faixa branca é a faixa
planetária e representa o Zodíaco "projetada como um espelho horizontal".
Lembra o equador e o gigantesco Rio da Amazônia.
A estrela pertence à constelação
da Virgem e é de primeira grandeza. Chama-se Spica e simboliza o destaque do Pará na
linha equatorial, visto que, na Bandeira Nacional, o Pará goza de situação privilegiada
sobre a faixa "Ordem e Progresso".
O vermelho é a força do sangue
paraense, que corre nas veias como um verdadeiro espírito de luta harmonizada, dando
provas da dedicação dos patriotas nas causas da adesão do Pará à Independência e à
República, realizadas em 15 de agosto de 1823 e 16 de novembro de 1889, respectivamente.
A autoria da bandeira é atribuída
ao republicano Philadelfo Condurú.
Brasão
do Estado do Pará
O Brasão de Armas do Estado do
Pará foi criado em 9 de novembro de 1903, cuja lei foi sancionada pelo governador Augusto
Montenegro. É a Lei nº 912, que determina a criação de um Escudo d'Armas para o
Estado.
Tem a seguinte redação:
"O Congresso Legislativo do
Estado decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Artigo 1º - Fica criado um Escudo
d'Armas para este Estado.
Parágrafo Único - O Escudo será
vermelho, cortado por uma faixa oblíqua branca da esquerda para direita, com inclinação
de 45º, tendo a mesma faixa ao centro uma estrela azul. Este Escudo avulta sobre outro,
recortado nas extremidades de fundo róseo, encimando-o duas volutas ligadas a um
pedestal, sobre o qual se vê uma altiva águia guianense prestes a alçar vôo.
No último plano por trás da
águia, destaca-se o sol nascente. À base do escudo maior cruzam-se dois virentes ramos,
um de seringueira e outro de cacaueiro. O primeiro acompanhando à esquerda os recortes do
referido escudo e o segundo erguendo-se para a direita, entrelaçando com uma fita
amarela, que se alonga até a parte superior do escudo sobre o qual se lê: "Sub
lege progrediamur - Estado do Pará".
Artigo 2º - Revogam-se as
disposições em contrário".
O Secretário de Justiça Interior
e Inscrição Pública assim a faça executar.
Palácio do Governo do Estado do
Pará, aos nove dias do mês de novembro do ano de mil novecentos e três - décimo quinto
da República.
Autores
O arquiteto José Castro Figueiredo
foi o autor do desenho e o historiador e geógrafo Henrique Santa Rosa fez a sugestão dos
motivos para sua confecção.
Simbolismo
O vermelho e o róseo representam
as cores republicanas.
Os ramos de seringueira e cacaueiro
representam
a riqueza exponencial da época.
A águia guianense representa a
altivez,
nobreza e realeza do povo paraense.
A faixa branca corresponde à linha
imaginária
do Estado do Pará ao extremo Sul.
A estrela solitária representa o
Pará
como unidade da República
Federativa Brasileira.
A inscrição latina Sub lege
progrediamur,
traduzida para o português,
significa: "Sob a lei progredimos".
Neste textos
falámos de:
Francisco Caldeira de Castelo
Branco
Capitão-mor português.
Governou o Rio Grande do Norte, entre 1613 e 1615. Neste último ano, auxiliou Jerónimo
de Albuquerque na luta contra os holandeses, no Maranhão. Ergueu o Forte do Presépio e a
vila de Nossa Senhora de Belém, quando em 1616 fundou a capitania do Pará. Governou esta
até 1618, quando foi deposto, alegadamente por irregularidades. Morreu na prisão, em
Portugal, em 1619.
Pedro Teixeira
Em 1637, o Capitão Pedro Teixeira,
a frente de um expedição cujo efectivo chegava a cerca de 2.500 pessoas, lançou-se para
Oeste, contra a correnteza, pela calha do rio Amazonas, com a finalidade de reconhecer e
explorar a região e colocar marcos de ocupação portugueses, até aonde pudesse chegar.
E assim foi feito. Valendo-se do conhecimento e da adaptação à selva de mais de um
milhar de índios, levou a cabo sua penosa missão, tendo chegado a Quito, na América
Espanhola. Tal empreitada, que durou cerca de 2 anos, constitui feito memorável e de suma
importância para o reconhecimento, com base no "Uti-possidetis", da presença
portuguesa na Amazónia. Apresentando-se a 25 de julho de 1637, em Belém, com todos os
seus oficiais, inicia Pedro Teixeira seu admirável cometimento, saindo de Cametá, águas
arriba do rio mar, a 28 de outubro, com 45 canoas, nas quais fez embarcar 70 soldados, mil
índios de flecha e remo, nove oficiais, dois sargentos, um almoxarife, e um escrivão de
viagem. Atingindo seu objectivo em setembro de 1638, põe-se Pedro Teixeira a caminho de
regresso, em fevereiro de 1639; tomando posse a 16 de março, na barra do Aguarico, para a
Coroa de Portugal das terras que para o ocidente se estendiam até beira mar, alargando
assim os domínios coloniais de sua pátria.
D. Romualdo António de
Seixas
ARCEBISPO DA BAHIA, depois Marquês
de Santa Cruz -1828/1829; 1841
Conde e Marquês de Santa Cruz
Paraense. Arcebispo da Bahia. Uma
das mais fulgurantes glórias do Clero brasileiro. Foi Deputado pelo Pará e pela Bahia.
Presidiu a Câmara por duas vezes. Faleceu em 1860.
John Pascoe Grenfell
Para submeter os revoltosos do Pará foi
enviado o mercenário John Grenfell, sob o comando de Cochrane, no reinado de D. Pedro l
(1º Imperador do Brasil). Nessa província, a repressão imperial foi a mais cruel e
desumana que se tem notícia. Indistintamente, os paraenses (revoltosos ou não) foram
perseguidos por não aceitarem as ordens de Grenfell, resultando na chacina de 1.300
pessoas, das quais 249 morreram corroídas e dilaceradas pela acção cáustica de cal
virgem lançada no porão do navio onde se encontravam aprisionadas. Os autores foram
punidos exemplarmente. Grenfell continuou prestando "bons serviços" ao Brasil e
Cochrane recebeu os títulos de Marquês e Primeiro Almirante da Marinha Brasileira.
Alexandre Rodrigues Ferreira
O primeiro naturalista brasileiro a
viajar pela Amazónia e relatar suas observações, foi escolhido pelo Instituto Pau
Brasil de História Natural como seu patrono. O texto que se segue foi retirado do artigo
da Revista Ciência Hoje vol. 2 no. 10 "A Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues
Ferreira", esplendidamente escrito pelo Prof. José Cândido de Melo Carvalho do
Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Alexandre Rodrigues Ferreira nasceu
na Bahia em 27 de abril de 1756, e após receber as primeiras ordens eclesiásticas em
1768 foi enviado a Portugal pelo pai, não para continuar seus estudos canónicos, mas
para cursar ciências jurídicas. Matriculado na Faculdade de Leis da Universidade de
Coimbra, transfere-se em 1774 para a Faculdade de Filosofia Natural, vindo a doutorar-se
em 10 de janeiro de 1779. Seu mestre foi Domingos Vandelli, médico e professor de
química em Pádua, contratado pelo governo português para leccionar ciências naturais
em Coimbra, onde fundou o Museu de História Natural e o Jardim Botânico da universidade.
O interesse e a dedicação de
Rodrigues Ferreira (que se assinava Roiz Ferreira) fizeram com que Vandelli o convidasse
para assistente gratuito do Museu de Ajuda, em Lisboa. Nessa época, o então ministro da
Marinha e dos Negócios Ultramarinos, Martinho de Melo e Castro, considerado patrono das
ciências e grande interessado nos territórios de além-mar, decidiu promover
expedições às colónias e autorizou Vandelli a indicar pessoas para esse mister. A
decisão de promover a viagem filosófica ao Brasil e a escolha de Rodrigues Ferreira para
empreendê-la datam de 1782.
A formação do naturalista talvez
reflectisse, juntamente com a de seus colegas que seguiam para outras colônias, as
idéias do reitor brasileiro Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho, que coordenara uma
profunda reforma da Universidade de Coimbra por determinação do marquês de Pombal,
durante o reinado de Dom José I (1750-1777): "A faculdade de pensar é livre no
homem, por isso não deve ter outros limites que não sejam os da razão e da
religião".
A formação universitária de
Rodrigues Ferreira pode ser entendida conforme ele próprio expressou em um de seus
manuscritos: "A mim nenhum obséquio faz a filosofia, quem a estuda por deleitável
(...) o grau de aplicação que merece uma ciência mede-se pela sua utilidade".
Talvez tenha sido com essa mentalidade que partiu para sua missão no Brasil, em 1º de
setembro de 1783 levando consigo a ordem de Martinho de Melo e Castro "de averiguar
inscrições, costumes, literaturas, comércios, agricultura, além do peso enorme das
produções dos três reinos".
Embarcando na charrua Águia Real e Coração de Jesus, chegou a Belém 50 dias depois, em
21 de outubro. Sua primeira impressão, transmitida a Martinho de Melo e Castro, foi:
"A terra em si, Senhor Excelentíssimo, é um paraíso; aqui mesmo são tantas as
produções que eu não sei a que lado me volte."
Acompanhava-o uma equipe técnica
formada por um jardineiro botânico, Agostinho José do Cabo, e dois artistas riscadores,
Joaquim José Godina e José Joaquim Freire, todos excelentes profissionais e dedicados
companheiros. Rodrigues Ferreira trazia consigo 11 livros e um mapa do rio Amazonas, além
de 17 volumes com 424 itens de equipamento.
Até fevereiro de 1785, data em que
chegou à barra do rio Negro, hoje Manaus, realizou viagens à ilha de Marajó, ao rio
Tocantins e aos arredores de Belém e rio Amazonas acima. Os preparativos para a viagem ao
rio Negro levaram cinco meses. O material, as ilustrações e as notas coligidas nesse
período foram enviados de Belém ou de Barcelos, onde o naturalista chegou em 20 de
agosto desse ano.
Passou então, por ordem do
governador e capitão-general da capitania do Grão-Pará e Rio Negro, João Pereira
Caldas, a realizar observações na parte superior do rio Negro, acima de Barcelos,
visitando Moreira, Tomar, Lamalonga, Santa Isabel, São Gabriel, o rio Uapés até a
cachoeira de Ipanoré, o rio Içana até a cachoeira de Tunui, o rio Xié, Marabitanas e
Caldas, no rio Cauaboris. Subiu até o salto de Maturacá, visitando ainda os rios
Padeuari e Maracá, para regressar a Barcelos em 30 de dezembro. A viagem foi feita numa
canoa grande que lhe servia de verdadeira habitação.
Em 15 de março de 1786, recebeu
novamente ordens do governador João Pereira Caldas para visitar o baixo rio Negro e o rio
Branco. Deu inicio aos trabalhos percorrendo Poiares, Carvoeiro, Moura, Airão e Fortaleza
da Barra (Manaus), que atingiu em 1.° de maio. Antes de ingressar no rio Branco,
demonstrou a Martinho de Melo e Castro sua preocupação com a extensão percorrida e o
tempo gasto em suas viagens, temendo pelo futuro de suas coleções: "Quanto mais se
prolonga a colecção dos produtos, mais retardará depois o conhecimento individual de
cada uma amostra no confuso caos de milhares de produções diversas".
No rio Branco, passou por São
Felipe, Cachoeira Grande e Serra Caraumaã, seguindo até o forte de São Joaquim,
penetrando pelo rio Maú até a cachoeira do Urubu. Regressou a Barcelos, onde permaneceu
até a ordem de viagem para o rio Madeira, que Ihe foi dada em 3 de setembro de 1787.
Após os arranjos para a viagem, muito demorados, deu inicio à exploração desse rio em
27 de agosto de 1788. Nada menos de dois anos foram consumidos no preparo do material do
rio Negro, elaboração de manuscritos e preparação para a próxima etapa. Sabemos que
de Barcelos foram enviadas 23 memórias, quatro diários de viagem (o do rio Negro com 14
participações), duas descrições, um extracto, um tratado histórico, uma notícia, um
mapa, nove remessas de material e uma de amostras de madeira.
Fim da 2ª Parte
A seguir: (03)
índice da Viagem |
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