"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

Fortaleza

A Caminho de Fortaleza

1ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

 

          Depois de passar a quadra natalícia e o fim-de-ano, os motores do Navio Cuco voltaram a trabalhar e rumou para a cidade de Fortaleza (Ceará – Brasil).

VAI CUCO - Marisa Cajado

Entra o ano e sai o cuco
Em busca de outras terras
Aporta em Fortaleza
Que tanto encanto encerra
Tem praia e tem coqueiro
É cantiga do Nordeste
Tem cheiro e água de cocô
Tem amor que refloresce
Este nordeste fagueiro
Ao sol quente resplandece.

Vai cuco corta as águas
E a tripulação se abraça
E lava todas a mágoas
Nesta viagem que passa
É Brasil e Portugal
É o CEN dando-se se as mãos
Em literatura fenomenal
Unindo homens e chãos.
Intelecto espiritual
Ligando espíritos irmãos.

Vai cuco dá o recado
De amor e alegria
Diz ao homem derrotado
No canto de paz e harmonia
Que a escrita é luz brilhando
A trazer encantamento
É coração alcançando
A luz do discernimento
Felicidade plasmando
Na pauta do entendimento.

          Todos os excursionistas e tripulantes estavam ansiosos por o navio começar a navegar, pois já estavam fartos de estarem parados em alto mar. Ainda o navio não tinha atingido a velocidade máxima, quando foi avistado um pequeno barco que se aproximava a grande velocidade. Logo a Comandante Manuela Madeira chamou a atenção de todos para este facto...

          A Marcella, abordou o Navio Cuco em alto mar ... (Luiza e Abílio Terra)

          De fato, quando os passageiros do navio Cuco estavam bem a vontade, alguns estirados no convés, tomando banho de sol, enquanto bebiam sucos das diversas frutas tropicais, que além de alimentar, deixam a pessoa mais "ligada' do que nunca, outros lendo, concentrados, livros da Biblioteca Virtual "Cá Estamos Nós", que haviam imprimido especialmente para se distraírem e adquirirem mais cultura durante a viagem, outros ainda batendo papo descontraidamente sobre os mais diversos assuntos, turísticos, culturais, sem se esquecer das fofocas de sempre, alimentadas diariamente pela Rosélia, quando ouviram gritos da Comandante Manuela.
          Ela estava munida da sua potente luneta de Comandante, observando com muita atenção o horizonte, quando arregalou os olhos e deu um grito que se ouviu no navio Cuco inteiro, desde o convés até a casa das máquinas, camarotes, cozinha e demais dependências :- Vamos ser abordados! Vamos ser abordados! Preparem-se! Será algum pirata mal intencionado, querendo levar as nossa jóias e algumas mulheres para saciar os seus instintos bestiais? Vou ver se o navio traz alguma bandeira com uma caveira! Todos, imediatamente, passageiros, cachorros, gatos, papagaios, correram desabalados na direção que a comandante Manuela apontava, alguns com binóculos e outros observando mesmo a olho nu. O Carlos, depois de limpar a vista e olhar de novo através do seu binóculo, disse, aparentando bastante calma: - Comandante Manuela, a mim me parece que se trata de um barco e não de um navio.
          Ao que o Von Trina acrescentou: - E nele há apenas um tripulante, que, aliás, não me parece um pirata.
          Nesse meio tempo, o barco se aproximou bastante do navio Cuco e todos verificaram, bastante surpresos, que se tratava de uma jovem, que acenava animadamente para as pessoas a bordo. Todos responderam à sua saudação, sorrindo, já despreocupados. O barco se aproximou do navio e a Comandante Manuela ordenou que se baixasse uma escada de cordas, para que a jovem pudesse subir a bordo. O Humberto desceu pela escada e amarrou o barco ao navio com uma corda apropriada, dando um nó de marinheiro, desses que não se desatam nunca. Deu a mão a jovem, que agradeceu, sorridente, e começou a subir a escada, acompanhada pelo Humberto.
          Ao chegar ao convés, o Abilio e a Luiza deram gritos, ao mesmo tempo: - Mas é a nossa filha Marcella!
          Ao que ela respondeu: - Oi, papai! Oi, mamãe! Resolvi visitar o navio Cuco, e aproveitei para trazer o meu diploma universitário para mostrar a vocês! Eles se abraçaram, comovidos, como se não se vissem há muitos anos. A Luiza, chorona como sempre, derramava lágrimas de felicidade pela sua face. Marcella foi apresentada a todos, que a abraçaram e apertaram a sua mão. A Marcella, apesar de haver protegido o seu rosto com um chapéu de palha nordestino, estava bem corada pelo sol a pino que havia enfrentado na viagem. Estava de bermudas, uma blusa leve e sandálias. Pediu logo um copo d'água que lhe foi servido e se acomodou em uma cadeira de lona, enquanto todos a rodeavam, cada um também se sentando em uma cadeira de lona e lhe dirigiram muitas perguntas.
          A primeira a falar foi a Rosélia: Oi, Marcella! Como foi a viagem? Enfrentou algum temporal? E a Marcella: - A viagem esteve ótima! Tudo correu muito bem! E, graças a Deus, não surgiu nenhum temporal pelo caminho!
          A Rosélia continuou: - E o seu namorado? Você tem namorado, não? E a Marcella: - Sim, tenho namorado. Ele está estudando muito e não pôde me acompanhar. Antes que a Rosélia se entusiasmasse muito, a Comandante Manuela disse: - Olá, Marcella! Eu sou a Comandante Manuela Madeira. Você é muito bem vinda a bordo do navio Cuco! Fique a vontade! Ao que a Marcella respondeu, com um sorriso, agradecendo a hospitalidade, típica dos portugueses.
          A Arlinda perguntou: - Então, você se formou em Artes Plásticas? E a Marcella: - Sim, acabei de me formar. Gosto muito dessa área. E escolhi fotografia e escultura. Pretendo também fazer cursos de pós-graduação.
          A Arneyde não perdeu tempo: - Parla italiano? E a Marcella: - Não, apesar de ser descendente, por parte de mãe. Falo português e arranho um pouco de inglês, que já estudei. Mas pretendo estudar outras línguas.
          A Célia, sorridente: - Mineirinha, hein? Eu também sou. O que você acha de ser mineira? E a Marcella: Fui criada em Brasília e custei um pouco a me adaptar aos usos e costumes de Belo Horizonte. Mas, agora estou bem mais adaptada.
          A Cristina, apoiando a mão no rosto: - Como você é? Qual o seu jeito de ser? A Marcella, tomando mais um gole de água: - Eu confesso que sou meio tímida, mas luto sempre pelos meus direitos. Quando estou me dedicando a um trabalho, leitura, estudo, entro de cabeça, me concentro mesmo, e confesso que já fiz trabalhos originais, apesar da minha pouca experiência. Sempre gostei muito de animais e luto pela defesa da natureza. Gosto muito também de xamanismo, talvez por influência dos meus pais, que, em certa época, se dedicaram a esse interessante estudo e prática.
          A Henriette, se chegando para a frente: - Você já fez alguma pintura sobre o mar? E a Marcella: - Na verdade, gosto mais da pintura abstrata, não pratico muito a figurativa. Mas o mar me fascina, assim como as montanhas. Afinal de contas, sou mineira! A Malou, cruzando as pernas: - Fale sobre a sua família. O que você acha dela? E a Marcella, sorrindo para o seu pai e a sua mãe: - Gosto muito dos meus pais, e do meu irmão também, que, infelizmente, mora em Brasília; sinto muita falta dele! Mas somos muito unidos, apesar de algumas briguinhas que surgem de vez em quando, que acho que são normais em qualquer família, não é mesmo? A Márcia, retirando os óculos escuros:- Você acredita em esoterismo, astrologia, por exemplo? E a Marcella, pensativa: - Tenho queda para este tipo de conhecimento, na verdade, nunca me liguei muito às religiões tradicionais. O Xamanismo, por exemplo, é um conhecimento muito complexo e profundo, milenar, praticado desde os tempos mais antigos, em todos os continentes. Não conheço muito de Astrologia, mas respeito este conhecimento e os seus estudiosos e praticantes.
          A Marisa, penteando os cabelos: - Você já teve alguma experiência fora do comum, paranormal, como se costuma dizer? E a Marcella, dando um sorriso: - Sim, quando eu era criança; e o meu irmão também. Andamos vendo algumas coisas meio estranhas (almas que vieram nos fazer "umas visitinhas"). Acho que isso acontece com muitas crianças, não é mesmo? A Regina, sorridente: - Você costuma escrever? E a Marcella, sorrindo também: - Escrevo um tipo de Diário e trabalhos escolares. Mas, pretendo me dedicar mais a essa atividade.
          A Flora, ajeitando o seu maiô: - Que tipo de música você gosta? E a Marcella, colocando o chapéu, devido ao sol: - O Pixies é um conjunto que eu gosto muito, apesar de extinto! Gosto muito do rock nacional e estrangeiro, em geral, e de MPB também! Sem me esquecer do Blues! A Vilma, coçando o joelho: - E de viagens, você gosta? A Marcella, coçando o cabelo: - Adoro viajar! Sempre que posso, vou acampar com os meus amigos, amigas, e o meu namorado. E agora, estou aqui com vocês, a bordo do navio Cuco! E estou gostando muito! A Comandante Manuela aproveitou a "deixa" e disse logo: - Venha comigo! Vou mostrar a você todo o navio Cuco! Tenho certeza que você vai adorar! E a Marcella, se levantando de imediato: - Vou mesmo! Vamos lá, Comandante Manuela!
          O papai Abilio e a mamãe Luiza não cabiam em si de tão contentes, pela presença surpreendente da filhota, e pela acolhida tão calorosa que ela recebera dos amigos que com eles compartilhavam dessa deliciosa viagem do navio Cuco!
(Abrações amigos, da Luiza e Abilio)

          O amigo Baçan, gentil como sempre, no final das apresentações da Marcella, com uma bebida, que é uma sua receita, que titulou: Uma Caipirina à Baiana. "Cortar um limão em 6 partes, colocar num copo e macerar com um socador de madeira. Acrescentar açúcar cristal, de preferência. Socar mais um pouco. Acrescentar cachaça da boa em boa dose, bastante gelo e, para coroar a criação, pasmem, um fio de licor de cacau. Mexer e saborear!".

          Claro que todos gostaram e foram de opinião que o Baçan, além de ser um grande Webmaster, é também um apreciável barman !

          Como estávamos a poucas horas de aportar a Fortaleza, todos se reuniram para falar um pouco da cidade que íamos visitar. Como habitualmente, procedeu-se a um sorteio para a ordem dos oradores. Em primeiro lugar, coube à Drª. Arlinda Lamêgo, começar a sua dissertação sobre:

Fortaleza

          "A cidade de Fortaleza desenvolveu-se sobre suaves ondulações litorâneas, às margens do Rio Pageú. Está localizada no litoral norte do estado do Ceará e limita-se: ao norte e ao leste com o Oceano Atlântico e com os municípios de Eusébio e Aquiraz; ao sul com os municípios de Pacatuba e Itaitinga e a oeste os municípios de Caucaia e Maranguape. Recebe em sua região metropolitana 16 bacias hidrográficas, sendo as mais importantes as dos rios Ceará, Pacoti, Cocó e Maranguapinho. Juntas, elas somam uma uma extensão de 336Km2. A cidade abriga ainda sete lagoas de médio porte: Messejana, Parangaba, Maraponga, Mondubim, Opaia, Pajuçara e Jaçanaú."

          A segunda oradora foi a Malou, que alegre como sempre, começou por dizer que não queria "matar ninguém" e para desculparem qualquer coisa que não lhe corresse bem ...:

          "A primeira tentativa de colonização do Ceará foi feita em 1603, por Pero Coelho de Sousa, que veio para cá com a mulher e filhos. Numa estratégia militar para expulsar os franceses que se tinham apoderado do Maranhão, os portugueses estabeleceram no litoral do Ceará um posto avançado e de apoio logístico. Assim, em 1612, Martim Soares Moreno fundou junto à foz do Rio Ceará, o Forte de São Sebastião. A aldeia em redor foi colocada sob a protecção de Nossa Senhora do Amparo Em 1613 Martins Soares Moreno segue para Pernambuco com o intuito de combater os holandeses e não mais retornou ao Ceará. Na ausência de Soares Moreno a colonização portuguesa começa a decair. Assim, foi possível, em 1637 a Barra do Ceará ser ocupada por holandeses, sob a chefia de Gedion Morris de Jonge".

          Quando o von Trina foi chamado, tão distraído estava que chegou a perguntar se a seguir era a vez dele. O Carlos até lhe disse que ele estava sempre na Lua. Ele sorriu, encarou o Coordenador, dizendo-lhe: "Um dia que deixe de ser romântico e distraído, mato-me". Por fim, com a sua voz de "trovão" começou a falar de Fortaleza:

          "Os holandeses, ao contrário dos portugueses, não tiveram bom relacionamento com os índios, assim em 1644, os índios atacaram o forte matando todos que lá se encontravam. O Ceará ficou então entregue aos ameríndios, até que 1649, ano em que aportou a expedição chefiada por Matias Beck, que pelo historiador Raimundo Girão é considerado o fundador da cidade de Fortaleza. Matias Beck chegou até às margens do Rio Pajeu, instalou seu Forte, que baptizou com o nome de Forte de Schoonenborch. O assédio dos índios levaram Matias Beck e seu povo a uma situação de pavor. Sem possibilidade de sair de seu reduto, estavam os holandeses quase a passar fome, e os índios em seu redor aguardavam o momento favorável para a repetição do massacre da Barra do Ceará. Em 1654, com a chegada de Álvaro de Azevedo Barreto, Matias Beck rende-se sem nenhuma reacção. Na verdade, Álvaro de Azevedo salvou Beck e seu povo da fúria dos índios".

          A oradora que devia de ser a seguir; era a Imediata Cristina Estrompa, que alegou estar com a garganta inflamada. Assim, a Vilma Matos tomou o seu lugar. Começou por dizer que gosta mais de recitar e cantar, mas que se ia esforçar para fazer o melhor possível. E saí-se bem ... :

          "A retirada dos holandeses, o forte passou para a administração dos portugueses, e passou a denominar-se Forte de Nossa Senhora da Assunção. Foi em torno deste Forte desenvolveu-se a povoação de Fortaleza. A 13 de abril de 1726 foi definitivamente instalada a Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, pelo capitão-mor Manuel Francês. Em 1799, tornou-se sede da capitania, quando esta se separou de Pernambuco. Foi elevada a cidade já na qualidade de capital provincial, em 1823. O desenvolvimento de Fortaleza, começou a tomar vulto no século XlX, tornando-se na maior cidade da província ...".

          O Paulo Tamiazo, sempre pronto para falar de História, principalmente do seu Brasil, foi o orador seguinte:

          "O seu progresso baseou-se no desenvolvimento das áreas agrícolas serranas. Essas elevações que se encontram dispersas no meio do sertão, são beneficiadas por uma pluviosidade (chuvas de Verão), muito abundantes e até mesmo regulares. Assim, mas sobretudo pelas sucessivas secas que periodicamente assolavam o sertão, foram-se povoando as serras do Ceará, onde culturas de algodão, café, cana-de-açúcar, mandioca e milho ganhavam grande importância sócio-económica. O porto de Fortaleza, a que a ponta de Mucuripe empresta abrigo, passou então a contar com um interior activo, as serras de Baturité, Maranguape e outras, situadas nas suas proximidades".

          A Drª. Maria Nascimento, nordestina de nascimento e de convicção, sempre sorridente e muito bem disposta, falou com grande sentimento de Fortaleza:

          "Outro factor de progresso foi o desenvolvimento da navegação, pois as embarcações de maior tamanho, voltaram-se para Fortaleza, cujo porto era mais vantajoso. Outro factor importante, foi o advento da ferroviária, que, em 1877, estabeleceu a ligação com Baturité, situada na encosta do mesmo nome. O caminho de ferro prolongou-se por todo o Ceará e foi atingir o Cariri, importante região agrícola situada no sopé da chapada do Araripe".

          Em 1848 teve início a iluminação pública da cidade, que deveria ser, segundo historiadores, a óleo de peixe. Ao progresso económico correspondeu o desenvolvimento da urbanização, assim, em 1855 as ruas da cidade foram calçadas. O desenvolvimento demográfico acompanhava a evolução económica. Em 1848, contava com 8.900 habitantes, e em 1872 com 42.500, chegando aos 50 mil no final do século. A cidade de Fortaleza desenvolveu-se sobre suaves ondulações litorâneas que se erguem nas margens do córrego Pajeú. A Ponta de Mucuripe, prolongada por um dique, oferece o abrigo costeiro que faz de Fortaleza o mais importante porto do Ceará".

          O Humberto Santa, com a sua bela voz, foi chamado para dissertar um pouco sobre a cidade que íamos visitar: Fortaleza ... :

          "A topografia de Fortaleza, suave permitiu um traçado ortogonal das ruas, e avenidas radiais que convergem para o centro da cidade. Este é formado pela Praça do Ferreira e ruas vizinhas, onde se conservam antigas casas térreas e sobrados. Na Aldeota, na direcção da praia de Iracema, surgiu um bairro de modernas residências. Fortaleza tem dois distritos: Messejana e Parangaba. O recente crescimento da cidade se deu em primeiro momento para o leste, e agora para o sul. Marcando assim as áreas nobres da cidade. As áreas históricas são os bairros: Centro, Gentilândia, Jacarecanga, Praia de Iracema...".

          A Arneyde que, por motivo que ninguém soube explicar, ficou fora no sorteio, levantou-se resolutamente dizendo que era a sua vez de falar, pois já estava farta de estar calada ..."

          "!Fortaleza, capital do Estado do Ceará (Brasil), que fica localizado entre o Estado de Piauí a oeste, ao norte o Oceano Atlântico, o Rio Grande do Norte a este, Paraíba a sueste e a sul Pernambuco; tem uma superfície de 146.871 Km2. Capitania desde 1535, somente em 1603 os portugueses fizeram a primeira tentativa para conquistar o Ceará. Pero Coelho de Sousa, (*) venceu os índios tabajaras e seus aliados franceses. Anteriormente, franceses, ingleses e holandeses tiveram contactos com os indígenas, com os quais trocavam produtos e faziam alianças".

Brasão de Fortaleza

          Para falar do Brasão heráldico de Fortaleza, calhou ao Baçan. Sempre foi dizendo que não era de "História" mas sim de "Literatura", mas que também gostava de falar na "História do Brasil" ... :

          "O verde e o amarelo retratam as matas e as riquezas minerais. O farol, a jangada e a carnaúba simbolizam, em ordem, Fortaleza, o cearense e o extrativismo vegetal. Inicialmente Território Federal, delimitado pelo Decreto nº 5.188, de 07.04.1904, passou à categoria de Estado pela

Lei nº 4.070, de 15.06.1962.
ÁREA: 145.711,8 km².
Relevo: planalto, planícies e várzeas (Leste e Oeste).
Ponto mais elevado: pico Serra Branca, na serra do Olho d'Água (1.154 m).
Principais rios: Jaguaribe, Salgado, Conceição, Acaraú, Pacoti, Piranji.
Vegetação: caatinga em quase todo o território; vegetação de restinga e salinas em estreita faixa litorânea.
Clima: tropical.
Municípios mais populosos: Fortaleza (2.138.234), Caucaia (250.246), Juazeiro do Norte (211.858), Maracanaú (174.599), Sobral (155.120), Crato (104.377), Itapipoca (94.340), Maranguape (87.770), Iguatu (85.737), Crateús (70.815) (2000).
Hora local: a mesma. (Horário de Brasília)."

Hino de Fortaleza

Letra: GUSTAVO BARROSO Música: ANTÔNIO GONDIM
                              I
Junto à sombra dos muros do forte
A pequena semente nasceu.
Em redor, para a glória do Norte,
A cidade sorrindo cresceu.
No esplendor da manhã cristalina,
Tens as bênçãos dos céus que são teus
E das ondas que o sol ilumina
As jangadas te dizem adeus.
Refrão
Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar
                       
  II
O emplumado e virente coqueiro
Da alva luz do mar colhe a flor
A Iracema lembrando o guerreiro,
De sua alma de virgem senhor.
Canta o mar nas areias ardentes
Dos teus bravos eternas canções:
Jangadeiros, caboclos valentes,
Dos escravos partindo os grilhões.
(Refrão)
                     
  III
Ao calor do teu sol ofuscante,
Os meninos se tornam viris,
A velhice se mostra pujante,
As mulheres formosas, gentis.
Nesta terra de luz e de vida
De estiagem por vezes hostil,
Pela Mãe de Jesus protegida,
Fortaleza és a Flor do Brasil.
(Refrão)
                    
IV
Onde quer que teus filhos estejam,
Na nobreza ou riqueza sem par,
Com amor e saudade desejam
Ao teu seio o mais breve voltar.
Porque o verde do mar que retrata
O teu clima de eterno verão
E o luar nas areias de prata
Não se apagam no seu coração.
(Refrão)

         Para falar do Folclore, foi escolhida a Drª. Célia Lamounier, que começou por dizer o que nós já sabíamos: Que gosta muito da dança e de dançar. Mas aqui, a dança foi outra ...:

"As principais manifestações folclóricas cearenses têm suas raízes na miscigenação das crenças e costumes dos brancos e negros que aqui chegaram nos primórdios de nossa povoação, com os dos indígenas que aqui já estavam. Fortaleza sempre representou para o folclore cearense um excepcional canal de divulgação. As manifestações folclóricas cearenses mais conhecidas são: Bumba meu-boi ou Boi-Ceará - cantos e danças de culto religioso ao boi, de tradição lusuibérica. Dança do Côco - originária dos negros. Na praia é somente para homens e no sertão é dançada aos pares. Torém - dança indígena originária dos Tremembés. Maracatu - de origem africana, consiste num cortejo dançante e, homenagem aos reis."

         Entretanto tínhamos chegado a Fortaleza e aproveitámos para ir almoçar a um restaurante no Centro Dragão do Mar, onde comemos uma saborosa refeição. Ainda no restaurante, como vem sendo habitual, o pessoal brasileiro brindou todos com um conhecido samba:

SAMBA DA MINHA TERRA - (DORIVAL CAYMMI)

"O SAMBA DA MINHA TERRA
DEIXA A GENTE MOLE
QUANDO SE CANTA
TODO MUNDO BOLE

QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA
BOM SUJEITO NÃO É
É RUIM DA CABEÇA
OU DOENTE DO PÉ

EU NASCI COM O SAMBA
NO SAMBA ME CRIEI
DO DANADO DO SAMBA
NUNCA ME SEPAREI"

         Em que a malta (turma) portuguesa replicou com o fado coimbrão:

Coimbra é uma lição  - (fado de Coimbra
Música: Raul Ferrão - Letra: José Galhardo)

 "Coimbra do Choupal,
Ainda és capital
Do amor em Portugal,
Ainda.

Coimbra, onde uma vez,
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês
Tão linda!

Coimbra das canções,
Tão meiga que nos pões
Os nossos corações
A nu.
Coimbra dos doutores,
P'ra nós os teus cantores
A fonte dos amores
És tu.

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua a faculdade
O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer
Saudade."

A seguir:(02)

índice da Viagem

Música de Fundo: O Samba da Minha Terra - Dorival Caymmi