"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

Fortaleza

A Caminho de Fortaleza

2ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Mas tinha chegado a hora de voltarmos ao Navio Cuco, para desta vez falarmos do Estado do Ceará.

         Foi o Abílio Terra a quem calhou começar a dissertar sobre ...:

Estado do Ceará

         "O relevo do Ceará é formado por cinco unidades morfológicas: o Pediplano, planalto com altitudes médias de 400 a 500 metros e que ocupa a maior parte do Estado; As Serras, maciços montanhosos que se erguem do Pediplano, localizadas no Norte do Ceará (Baturité, onde se encontra o ponto culminante do Estado do Ceará, o Pico Alto, a 1.115 metros acima do nível do mar; Uruburetama, Maranguape, Meruoca); as Chapadas, elevações tabulares de grande extensão que delimitam as fronteiras do Estado: Apodi, a mais baixa das três, na divisa com o Rio Grande do Norte; Ibiapaba, que separa o Ceará do Estado do Piauí, e Araripe, no sul, marcando a fronteira com Pernambuco; ao longo das praias entendem-se os Tabuleiros Litorâneos, que nunca ultrapassam 100 metros de altitude."

         Por sorteio, devia ser a Luiza Terra a seguinte oradora, mas recusou alegando não quer andar atrás do marido. E não estava nada de acordo com o que tinha ouvidos os homens dizer, no dia anterior, que o melhor lugar para a mulher, era o "gabinete" da cozinha, a cozinhar, a lavar pratos e a roupa. Esta amiga estava visivelmente perturbada, e assim foi a Henriette Effenberger quem dissertou em seu lugar ...:

         "Acompanhando os cursos dos rios Jaguaribe, Acaraú e outros, encontram-se as Planícies Aluviais ou Várzeas, sujeitas a inundações periódicas. O principais rios cearenses são o Jaguaribe, o Poti, o Acaraú e o Salgado. O mais importante é o Jaguaribe, cuja bacia banha cerca de 50% da área do Estado do Ceará, justamente as terras mais férteis. A maior parte dos rios cearenses são temporários, isto é, secam durante o Verão. Para atenuar este sério problema foram construídos centenas de açudes, dos quais os maiores são os de Orós, Banabujú e Araras. Cerca de 90% da superfície do Estado do Ceará são dominados pela caatinga, uma pequena vegetação constituída por árvores de pequeno porte, arbustos e cactos. Os cerrados ocupam o topo das chapadas, a floresta tropical, as serras e a base das chapadas; e os carnaubais, as várzeas dos rios. A economia cearense tem como base as actividades agrícolas."

         Sempre pronta a falar e a colaborar, a Marisa Cajado foi a oradora seguinte. Como habitualmente, acompanhou as suas palavras tocando o seu violão ...:

         "O principal produto agrícola é o algodão, produzido sobretudo na região do Rio Salgado, no alto Jaguaribe e no sertão central. Outro produto importante é a cana-de-açúcar, plantada em especial na chapada de Ibiapaba e no vale do Cariri. A maior parte da produção é destinada à fabricação de rapadura e de aguardente. O Ceará é o maior produtor brasileiro de caju e banana. Produz ainda feijão, milho, mandioca e mamona. Dos produtos de extracção vegetal, destaca-se a carnaúba, seguida da oiticica, da castanha-de-caju e do babaçu. Todavia, a criação de gado é a actividade económica mais importante do sertão cearense. O principal rebanho é o bovino, sendo também significativos os rebanhos suíno, ovino, caprino, asinino e muar."

         Sempre muito sossegadinha, embora atenta a tudo que a rodeia, a Regina Lyra levantou-se lentamente e lentamente começou a falar. O von Trina chegou junto do Carlos, perguntando-lhe : "Olha lá óh Coordenador, esta moça anda sempre triste, por acaso sabes se ela anda apaixonada ?". O Carlos encolheu os ombros, como a dizer que não sabia ... :

         "A industria concentra-se sobretudo em Fortaleza, sendo o principal sector industrial é o têxtil, compreendendo o beneficiamento, a fiação e a tecelagem do algodão. As indústrias química e farmacêutica abrangem, em especial, a extracção e elaboração de óleo de algodão, mamona, oiticica e babaçu, além do fabrico de sabão. Conta também com uma importante fábrica de asfalto da Petrobrás. A exploração dos recursos minerais cearenses ainda é pouco expressiva, sendo o principal produto o sal, mas também existe a exploração de gesso, calcário, magnesita, dolomita, rutilo, columbita e berilo."

         Se ser chamada, pois não seria ela o seguinte orador, a Luiza Terra levantou-se, dizendo: "Agora é que é a minha vez de falar, pois o tema seguinte é "Culinária" ! Não quero (de maneira nenhuma) desiludir os "gentis" homens que estão no Cuco, quando dizem que o melhor "gabinete" para a mulher é a cozinha ...". A Comandante Manuela fez-lhe um sinal para ela se contiver e assim começou a falar ...:

Culinária

          "A culinária cearense é uma mistura saborosa da cozinha portuguesa, que prioriza o peixe, com a alimentação indígena e o tempero de origem africana. A gastronomia baseia-se, fundamentalmente, na pesca, na pecuária e em algumas culturas agrícolas. Da pesca sobrevêm a lagosta, as inúmeras variedades de peixes, o camarão, o caranguejo e pratos como a peixada, o camarão ensopado a alho e óleo, o caranguejo cozido, as patinhas a milanesa e o casquinho de caranguejo, dentre outros. Da produção agrícola destacam-se a macaxeira, a batata-doce, o coco e o milho, responsáveis pelos bolos, cuscuz, mungunzá, canjica, pamonha e pé-de-moleque. O feijão e o arroz oferecem um dos pratos mais típicos da região: o baião-de-dois com manteiga e queijo de coalho. Da cana-de-açúcar produzida no Estado é extraído o caldo, a popular rapadura e a cachaça, bebida que tem no Ceará um dos maiores produtores e consumidores do Brasil. A carne seca, herança do ciclo do couro, é aproveitada no preparo da paçoca (carne misturada com farinha de mandioca), que acompanha o baião-de-dois. A panelada, a buchada, o sarrabulho (ou sarapatel) são ainda exemplos de pratos salgados difundidos no Estado. Das frutas tropicais (caju, mamão, coco, manga, goiaba, maracujá, cajá, dentre outras) são elaborados doces, sucos e sorvetes. No caso do caju, ressalte-se ainda um dos seus principais subprodutos, a cajuína, uma bebida fermentada de gosto doce e suave."

         A seguir, o Engº. Tito Olívio apresentou um notável trabalho de pesquisa que elaborou ... :

Titulares do Governo Estadual do CEARÁ – CE

16.11.1889 a 10.02.1891 LUÍS ANTÔNIO FERRAZ, Tenente-Coronel
10.02.1891 a 28.04.1891 BENJAMIN LIBERATO BARROSO, Major - Vice-Governador
28.04.1891 a 18.02.1892 JOSÉ CLARINDO DE QUEIROZ, General
18.02.1892 a 12.07.1892 BENJAMIN LIBERATO BARROSO, Major - Vice-Presidente
12.07.1892 a 27.08.1902 ANTÔNIO PINTO NOGUEIRA ACIÓLI - Vice-Presidente
27.08.1892 a 12.07.1896 JOSÉ FREIRE BEZERRIL FONTENELLE, Tenente-Coronel
12.07.1896 a 12.07.1900 ANTÔNIO PINTO NOGUEIRA ACIÓLI
12.07.1900 a 12.07.1904 PEDRO AUGUSTO BORGES
12.07.1904 a 12.07.1908 ANTÔNIO PINTO NOGUEIRA ACIÓLI
12.07.1908 a 24.01.1912 ANTÔNIO PINTO NOGUEIRA ACIÓLI
24.01.1912 a 14.07.1912 ANTÔNIO FREDERICO DE CARVALHO MOTA, Coronel - Vice-Presidente
14.07.1912 a 15.03.1914 MARCOS FRANCO RABELO, Tenente-Coronel
15.03.1914 a 24.06.1914 FERNANDO SETEMBRINO DE CARVALHO, General
24.06.1914 a 12.07.1916 BENJAMIN LIBERATO BARROSO
12.07.1916 a 12.07.1920 JOÃO TOMÉ DE SABÓIA E SILVA
12.07.1920 a 01.08.1923 JUSTIANO DE SERPA
01.08.1923 a 12.07.1924 ILDEFONSO ABREU ALBANO, Vice-Presidente
12.07.1924 a 19.05.1928 JOSÉ MOREIRA DA ROCHA
19.05.1928 a 12.07.1928 EDUARDO HENRIQUE GIRÃO, Presidente da Assembléia Legislativa
12.07.1928 a 08.08.1930 JOSÉ CARLOS DE MATOS PEIXOTO
08.08.1930 a 22.09.1931 MANOEL DO NASCIMENTO FERNANDES TÁVORA
22.09.1931 a 05.09.1934 ROBERTO CARLOS VASCO CARNEIRO DE MENDONÇA, Capitão
05.09.1934 a 26.05.1935 FELIPE MOREIRA LIMA, Coronel
26.05.1935 a 11.11.1937 FRANCISCO DE MENESES PIMENTEL
11.11.1937 a 31.10.1945 FRANCISCO DE MENESES PIMENTEL
31.10.1945 a 21.01.1946 BENEDITO AUGUSTO CARVALHO DOS SANTOS
21.01.1946 a 16.02.1946 ACRÍSIO MOREIRA DA ROCHA
16.02.1946 a 28.10.1946 PEDRO FIRMEZA
28.10.1946 a 04.02.1947 JOSÉ MACHADO LOPES, Coronel
04.02.1947 a 01.03.1947 JOSÉ FELICIANO AUGUSTO DE ATAÍDE
01.03.1947 a 31.01.1951 FAUSTINO DE ALBUQUERQUE E SOUSA
31.01.1951 a 30.06.1954 RAUL BARBOSA
30.06.1954 a 25.03.1955 STÊNIO GOMES DA SILVA, Vice-Governador
25.03.1955 a 03.07.1958 PAULO SARASATE FERREIRA LOPES
03.07.1958 a 25.03.1959 FLÁVIO PORTELA MARCÍLIO, Vice-Governador
25.03.1959 a 25.03.1963 JOSÉ PARSIFAL BARROSO
25.03.1963 a 12.09.1966 VIRGÍLIO DE MORAES FERNANDES TÁVORA, Major
12.09.1966 a 15.03.1971 PLÁCIDO ADERALDO CASTELO
15.03.1971 a 15.03.1975 CÉSAR CALS DE OLIVEIRA FILHO, Coronel
15.03.1975 a 01.03.1978 JOSÉ ADAUTO BEZERRA, Major
01.03.1978 a 15.03.1979 JOSÉ VALDEMAR DE ALCÂNTARA E SILVA, Vice-Governador
15.03.1979 a 15.05.1982 VIRGÍLIO DE MORAES FERNANDES TÁVORA, Major
15.05.1982 a 15.03.1983 MANOEL DE CASTRO FILHO, Vice-Governador
15.03.1983 a 15.03.1987 LUIZ GONZAGA DA FONSECA MOTTA - Substituto
JOSÉ ADAUTO BEZERRA, Major - Vice-Governador
15.03.1987 a 15.03.1991 TASSO RIBEIRO JEREISSATI - Substitutos:
VALTER NOGUEIRA E VASCONCELOS
FRANCISCO CASTELO DE CASTRO, Vice-Governador
CARLOS FACUNDO
FRANCISCO PINHEIRO LANDIM
15.03.1991 a 07.09.1994 CIRO FERREIRA GOMES
Observação: Renunciou ao Governo do Ceará para assumir o cargo de Ministro de Estado da Fazenda, a convite do Senhor Presidente da República.
LUCIO GONÇALO DE ALCANTARA, Vice-Governador
JULIO GONÇALVES REGO, Subsituto
07.09.1994 a 07.10.1994 FRANCISCO ADALBERTO BARROS DE OLIVEIRA LEAL, Desembargador
Presidente do Tribunal de Justiça
Observação: Assumiu o Governo, por motivo de pedido de renúncia do Vice-Governador Lúcio Alcântara, que candidatara-se a uma vaga no Senado, e pela desvinculação do cargo do Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Francisco Aguiar, para disputar a reeleição.
08.10.1994 a 01.01.1995 FRANCISCO DE PAULA ROCHA AGUIAR - Presidente da Assembléia Legislativa
01.01.1995 a 01.01.1999 TASSO RIBEIRO JEREISSATI
MORONI BING TORGAN, Vice-Governador
01.01.1999 a 01.01.2003 TASSO RIBEIRO JEREISSATI, Reeleito
BENEDITO CLAYTON VERAS ALCANTARA, Vice-Governador
01.01.2003 a LÚCIO GONÇALO ALCÂNTARA
FRANCISCO DE QUEIROZ MAIA JÚNIOR - Vice-Governador

         .

         A Rosélia estava danadinha de começar a falar, pois tem um "calo" na língua. Com a sua condição de Fofoqueira-mor, esta nossa querida amiga não será bem "a querida" de alguns, devido às suas broncas. Mas todos a escutaram em silêncio e com muito interesse... :

Brasão do Ceará

         "O brasão é composto por um campo verde dividido, sendo um lado semeado de estrelas e outro ocupado por um pássaro de cor branca.
Na figura oval estão a enseada do Mucuripe, o farol, uma jangada e uma carnaúba na praia, iluminados pelo sol nascente. Sobre o escudo aparece uma fortaleza antiga."

         A Flora Cavalcanti, além de uma bela artista plástica, é uma apaixonada pela História do Brasil. Desta vez, para falar, nem trouxe nenhum pincel na mão ... :

Bandeira do Ceará

         "Foi a de Portugal, a primeira bandeira que se hasteou no Ceará, a simbolizar então o domínio luso, de que nosso país era colônia. Posteriormente, vieram os holandeses, ocorrendo então a mudança das cores que então tremulavam no mastro do Forte de São Sebastião. Expulsos os invasores flamengos, as vilas nascentes não tiveram outra alternativa heráldica, senão a de voltar a erguer armas e bandeiras portuguesas.
         Os capitães-mores e governantes dos períodos colonial e monárquico foram todos indiferentes às representações simbólicas dessa natureza. Foi necessário que um homem de múltiplas ocupações econômicas tornasse a iniciativa de reparar o descaso cívico. Esse patriótico cidadão foi o comerciante João Tibúrcio Albano, filho do Barão de Aratanha, chefe da firma J. Albano & Cia., diretor da Associação Comercial do Ceará e tesoureiro de nossa Santa Casa de Misericórdia.
         Esse atuante homem de negócios tinha por vivenda o antigo solar do Visconde de Cauípe, situado no Alagadiço e conhecido pela denominação de Vila Nous Autres. Nessa chácara ele costumava hastear o pavilhão maranhense, em homenagem à sua esposa, natural daquela província. Daí lhe surgiu a idéia de içar a bandeira de sua própria terra e, dando pela sua inexistência, resolveu fazer uma para uso próprio. Adaptou as armas estaduais à bandeira brasileira, apenas retirando desta o círculo azul pontilhado de estrelas e a legenda Ordem e Progresso.
         Por muito tempo a bandeira idealizada por João Tibúrcio Albano serviu de modelo a muitas outras que tremularam nas sacadas dos nossos educandários em dias de festa cívica.
         Só em 1922 o Presidente Justiniano de Serpa veio a assinar decreto instituído o pavilhão cearense. No ato oficial, determinou que este fosse constituído de um retângulo verde e o losango amarelo da bandeira nacional, tendo ao centro um círculo branco e no meio deste o escudo do Ceará.
         O Decreto nº 1.971, de 25 de agosto de 1922, seria modificado pela Lei nº 8.889, de 31 de agosto de 1967, sancionada pelo então, Governador Plácido Aderaldo Castelo. Em seu art. 2º dizia esse instrumento legal: - "Considerado o módulo arbitrário M, serão observadas na bandeira as seguintes proporções: a altura corresponderá a 14 m; a largura a 20m; os vértices do losango estarão a 1,7m dos lados do retângulo; o raio do círculo corresponderá a 3,5m a distância da parte superior e da inferior das armas, em relação ao círculo corresponderá a 1m; e os flancos, também em relação ao círculo, 2m".
         Com a adoção desses requisitos heráldicos, o Estado do Ceará ganhava a sua bandeira definitiva, num esforço meritório de um dos seus mais eruditos governantes: o educador e acadêmico Plácido Aderaldo Castelo. E este, na execução dessa obra cívica, contou com a valiosa ajuda do historiador Raimundo Girão, então Secretário da Cultura."

Hino do Estado do Ceará

Letra: Thomaz Lopes - Música: Alberto Nepomuceno

Terra do sol, do amor, terra da luz!
Soa o clarim que a tua glória conta!
Terra, o teu nome a fama aos céus remonta
Em clarão que seduz!
Nome que brilha - esplêndido luzeiro
Nos fulvos braços de ouro do cruzeiro!
Mudem-se em flor as pedras dos caminhos!
Chuvas de pratas rolem das estrelas...
E despertando, deslumbrada ao vê-las,
Ressoe a voz dos ninhos...
Há de florar nas rosas e nos cravos
Rubros o sangue ardente dos escravos.
Seja o teu verbo a voz do coração,
Verbo de paz e amor do Sul ao Norte!
Ruja teu peito em luta contra a morte,
Acordando a amplidão.
Peito que deu alívio a quem sofria
E foi o sol iluminando o dia!
Tua jangada afoita enfune o pano!
Vento feliz conduza a vela ousada
Que importa que teu barco seja um nada,
Na vastidão do oceano
Se à proa vão heróis e marinheiros
E vão no peito corações guerreiros?
Se, nós te amamos, em aventuras e mágoas!
Porque esse chão que embebe a água dos rios
Há de florar em meses, nos estios
E bosques, pelas águas!
Selvas e rios, serras e florestas
Brotem do solo em rumorosas festas!
Abra-se ao vento o teu pendão natal
Sobre as revoltas águas dos teus mares!
E desfraldando diga aos céus e aos mares
A vitória imortal!
Que foi de sangue, em guerras leais e francas
E foi na paz, da cor das hóstias brancas!

          Para falar em figuras históricas referidas nestes textos, foram convidados os nossos três especialistas em História: o Carlos, o Paulo Tamiazo e o von Trina:

         Pero Lopes de Sousa: "Navegador português, em 1530, acompanhou ao Brasil seu irmão Martim Afonso de Sousa, a fim de defender a costa e iniciar a colonização do território brasileiro. Explorou o Rio da Prata, fixando os limites portugueses. Tendo naufragado no rio Paraná, reuniu-se novamente ao irmão, retornando a São Vicente, onde se estabeleceu o primeiro núcleo colonial português no Brasil. Em 1532, combateu os franceses em Pernambuco e, com a divisão do Brasil em capitanias hereditárias, recebeu três porções de terra. Em 1539, quando voltava da Índia para Portugal, naufragou nas costas de Moçambique".

         Em 1606, o Ceará sofreu a primeira seca de que há memória, e assim, Pero Coelho de Sousa foi obrigado a retirar-se para o Rio Grande do Norte. Outra tentativa foi feita em 1607, pelos jesuítas Francisco Pinto e Luís Figueiredo . Em 1611, outra expedição chegou ao Ceará, deste vez chefiada por Martim Soares Moreno, que em 1619 conseguiu o direito de explorar a capitania, onde permaneceu até 1632."

         Luís Figueira: "Padre missionário jesuíta português, entrou para a Companhia de Jesus em 1592, e em, 1602, foi para o Brasil, onde desenvolveu actividades missionárias durante cerca de vinte anos. Esteve no Maranhão e no Amazonas. Naufragou e foi morto pelos índios na Ilha de Marajó. Autor de diversos documentos importantes do século XVll".

         Quando dominaram o nordeste brasileiro, os holandeses ocuparam o Ceará entre 1637 e 1644, e depois entre 1649 e 1654. Depois do domínio holandês, a capitania do Ceará ficou sob a autoridade de Pernambuco até 1799, quando recuperou a autonomia. Durante o domínio holandês, muitos portugueses fugiram para os sertões, o que muito contribuiu para o povoamento do interior da capitania, onde se desenvolveu a criação de gado. Da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas, os criadores de gado também avançaram para o sul do Ceará, surgindo assim nos sertões cearenses um característica, baseada no boi e no couro.

         A Revolução Pernambucana de 1817, que visava à independência e à República, encontrou muitos adeptos no Ceará, sobretudo no Crato, para onde foi um dos líderes revolucionários, o José Martiniano de Alencar (***), e onde foi proclamado um governo republicano que durou apenas nove dias. Depois de 1822, o Ceará participou da campanha contra as tropas portuguesas que no Piauí não aceitavam a emancipação brasileira. A Confederação do Equador, movimento republicano e separatista iniciado em Janeiro de 1824 em Pernambuco, alcançou grande repercussão no Ceará, onde os revoltosos proclamaram um novo presidente da província, o Tristão Gonçalves, um dos heróis da história do estado. Os revoltosos foram vencidos pelo inglês Thomas Cochane , que estava ao serviço do Imperador do Brasil D. Pedro l."

         José Martiniano de Alencar: "Político brasileiro, que participou na Revolução Pernambucana de 1817, da Revolução de 1824 e foi duas vezes Presidente do Ceará. Pai do escritor, e o mais representante dos prosadores românticos brasileiros, José de Alencar".

         Thomas Cochrane: "Conde de Dundonald, marquês do Maranhão, almirante inglês nas batalhas de Annsfield (1775) e da Kensington (1860). Processado e expulso da Marinha britânica, aceitou, em 1817, um convite do Chile para ajudar a consolidação da sua independência. Em 1822, por sugestão de José Bonifácio, o Imperador do Brasil, D. Pedro l, contratou-lhe os serviços. Tendo-se destacado em operações navais no litoral da Bahia, no Maranhão e no Nordeste. Foi agraciado pelo Imperador, em 1823, com o título de marquês do Maranhão. Em 1827, assumiu o comando das forças navais da Grécia. Reintegrado na Marinha britânica, foi em 1842 nomeado almirante. Deixou, além de um livro de memórias, "Narrativas de Serviços na Libertação do Chile, Peru e Brasil".

         O Ceará foi uma das províncias em que mais intensa foi a campanha a favor da libertação dos escravos. Quatro anos antes da Abolição, em 25 de Março de 1884, era declarada extinta a escravidão no Ceará. O maior problema do Estado do Ceará, ainda é o da distribuição irregular das chuvas em quase todos o seu território. O relevo deste Estado é formado por cinco unidades morfológicas: o Pediplano, planalto com altitudes médias de 400 a 500 metros e que ocupa a maior parte do Ceará; as Serras, maciços montanhosos que se erguem ao norte, sendo o mais o pico Alto com 1,115 metros de altitude".

         Os principais rios são o Jaguaribe (que nasce como nome de Carrapateira e tem 739 Km de comprimentos), o Poti, o Acaraú e o Salgado. O mais importante é o Jaguaribe, cuja bacia banha cerca de 50% dá área do Ceará, justamente as terras mais férteis. A maior parte dos rios cearenses são temporários, pois secam durante o Verão. A sua economia tem como base as actividades agrícolas".

         Os meus agradecimentos aos amigos Lourivaldo Perez Baçan, e também a Abílio e Luiza Terra, pela sua preciosa colaboração. Uma saudação muito amiga a todos os "excursionistas" desta virtual viagem ao Litoral do Brasil.

         A seguir, visitaremos (virtualmente) Natal (Estado do Rio Grande do Norte)

         Carlos Leite Ribeiro

A seguir: "A Caminho de Natal, Rio Grande do Norte"

A seguir:(01)

índice da Viagem

Música de Fundo: Raul Ferrão - Letra: José Galhardo