"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

JOÃO PESSOA

A CAMINHO DE JOÃO PESSOA

1ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)

          Bonita e elegante com a sua farda branca, muito bem penteada e maquilhada, a Comandante Manuela Madeira foi a primeira pessoa a chegar ao Navio Cuco, ancorado perto da cidade de Natal.
          A Agência do navio tinha alugado uns barcos rápidos para transportar os passageiros do cais para o navio e, a primeira passageira a chegar, foi a Angélica acompanhada pelo sua cachorrinha maltês Nanny, que, enquanto a dona e a comandante trocavam cumprimentos, ela no convém fez um enorme monte de excrementos intestinais, com grande arrelia da dona. A comandante, disse logo à sua grande amiga: "Angélica, mais chegou vai já entrar em funções. Na dispensa da casa das máquinas, estão lá uns baldes e umas vassouras. Também lá vai encontrar detergentes. Peço-lhe que limpe tudo sem deixar nódoa e, veja se a Nanny se comporta melhor". Seguidamente chegou o casal Celestino e Rosélia, com excesso de peso nas suas bagagens pois traziam centenas de pilhas. À Rosélia coube a tarefa de ir para a cozinha começar a descascar batatas. Ao seu esposo, a comandante entregou-lhe um enorme óculo de grande alcance, para ele ir para o cimo do mastro perscrutar o horizonte, num alerta aos piratas do mar e, ao mesmo tempo ir avisando os passageiros que iam chegando do cais no barquito. Não tardou em "perscrutar" uma garota pequena que vinha no barco e, logo questionou se a comandante recebia miúdas a bordo. Muito intrigada, a Manuela subiu ao mastro e pelos seus binóculos viu que a tal pequenina, não era mais do que a Vilma. Quando subiu para o Cuco, embora alegando grande cansaço, foi-lhe logo destinada a missão de organizar uma grande festa a bordo. Aproximava-se novamente o barquito e desta vez, uma alta e elegante figura, tocava violão e cantava como um trovador da Idade Média. Era a Marisa, que logo ficou incumbida de lavar e limpar os vidros do navio. "Aproxima-se uma linda e bela loura ! Vem toda sorridente !". Claro que era a Zena, que trazia na mão uma imagem da santa da sua devoção, a Nossa Senhora da Inocência, padroeira das louras. Como a Zena é bacharel em Turismo, foi-lhe incumbida a missão de pilota do Cuco. O Celestino chamou a atenção para o facto do barquito parecer que se ia afundar, pois, segundo ele, devia de transportar peso a mais. E tinha razão, pois nele vinham além do Pedro, a Cristina e o von Trina, e, também, um tonel de 200 litros, que alegadamente e segundo o Trina, era água, mas que cheirava a vinho. A comandante encolheu os ombros e disse em voz baixa: "Este parece que trabalha a álcool". Ao Trina e ao Pedro, foi dada a missão de serem os "homens das máquina", e ambos, de muito má vontade, lá desceram para a casa das máquinas. À Cristina, como canta maravilhosamente, ficou encarregue de servir as refeições. Chegou a seguir a Regina Lyra, com uma enorme embalagem de t-shits, com a sua esfinge e o nome dos seus livros, para oferecer à comandante, antes que esta lhas pedisse. Ficou encarregue de fazer as camas dos passageiros, missão que ela gostou muito. A Márcia Smith chegou com u lindo manto azul e um grande chapéu do feitio de um cone, e nas mãos uns mapas astrais. Ficou encarregue da limpeza e conservação de todos os cortinados do navio. Quem chegou e seguida, é uma lindíssima dama que, vá para onde for, leva sempre nas mãos um enorme pincel. Claro que era a Flóra, que logo ficou encarregue da decoração dos interiores do navio. O casal que chegou em seguida, vinha muito envergonhado, pois não estava acostumado a estas andanças. O Paulo e a Adriana ficam encarregues dos dois bares do Cuco. Outro casal chegou em seguida, o Abílio e a Luiza, ambos encarregues da pintura e decoração do exterior do navio. O casal Valdez e Helena chegaram num lindo iate particular. Depois dos habituais cumprimentos, a comandante destinou ao Valdez o radar e à Helena as transmissões. A Célia, sempre sorridente e simpática, chegou logo a seguir. Como tem prática de carros carnavalescos, ficou encarregue ao gerador da energia eléctrica. O passageiro seguinte, chegou a nado com uma enorme embalagem de madeira cheia de livros. Não custa nada a adivinhar que era o Baçan, que logo a comandante o encarregou de ser o 2º Comandante com direito a farda e boné branco. A seu pedido, também acumula a missão de bibliotecário. Quando já a Comandante Manuela Madeira tinha dado ordem de levantar ferro (âncora), do alto do mastro, o Celestino "perscrutou" uma linda e bem engalanada galeota, com 24 remadores e mais o timoneiro, tendo ao meio do esguio barco, um palanque com um trono, em que estava sentada uma belíssima dama, com um vestido branco, com racha quase até à cintura e um longo véu da mesma cor. A seu lado mas atrás do trono, duas belíssimas donzelas abanavam-na com duas enormes plumas. Toda a malta (turma) se precipitou para amurada, fazendo adornar o navio, pondo em risco a sua estabilidade. Quando a dama subiu para o navio, todas a reconhecera. :"É a Rainha Gladinha !". A Manuela ficou hesitante com a missão que podia dar a tão ilustre dama, resolvendo-se por fim, encarregá-la de levantar as mesas depois das refeições e lavar a louça.
          Quando o Navio Cuco começou a navegar, a pilota Zena, muito aflita, perguntou à comandante qual o rumo que devia de tomar. Como habitualmente, esta começou a "escangalhar-se a rir" e foi dizendo à Zena: "A sobrevivência da mulher, deve-se à sua grande intuição, percepção e coragem. Os portugueses descobriram o Caminho Marítimo para a Índia, avistando sempre terra do lado esquerdo. Aqui, é o contrário, pois tens de avistar terra sempre do teu lado direito". Este comandante é um espanto !
          Naquela noite, todos começaram a estudar os seus apontamentos, pois, no outro dia, iam começar a falar da cidade de João Pessoa e do Estado da Paraíba, numa brincadeira, diremos, muito séria. Vão falar da História, da Geografia e até de personagens parabainos.

          A alvorada foi às 09 horas. Como a Rosélia não tinha feito o café, o voo Trina deu logo a sugestão para aquela imergência: Em vez do café, dar aos passageiros "sopa de cavalo cansado", que na gíria portuguesa, não é mais do que sopas com vinho ...
         
          Depois do pequeno almoço (café), todos se reuniram no salão nobre do Navio Cuco, para falarem da cidade que íamos visitar. Iam mostrar o valor das suas pesquisas feitas para a preparação desta excursão (virtual) ao litoral do Brasil. Fizeram um sorteio para que todos soubessem em que altura iam intervir e, o primeiro lugar coube ao Valdez Cavalcanti...: -
          Valdez: - É com muito prazer que vou falar de João Pessoa, cidade onde resido e que amo": -

         
JOÃO PESSOA – ESTADO DA PARAÍBA


          "João Pessoa, é uma cidade com 421 anos de história e a terceira cidade mais antiga do Brasil;
          a segunda mais verde do mundo, de acordo com a ONU – Organização das Nações Unidas, devido em parte a: Mata do Buraquinho (Jardim Botânico), a Mata do Amém e à área do Parque Arruda, mais conhecido como Bica;
          é a 26ª cidade brasileira em número de habitantes;
          a Ponta do Seixas é a mais oriental das Américas;
          João Pessoa é a terra onde o sol nasce primeiro.
          Foi fundada em 1585, marcando a fim das lutas empreendidas pelos portugueses contra os franceses e índios, que lhes disputavam a posse do litoral parabaibano, e marca também o início da colonização da várzea do Rio Paraíba, expandindo-se a cultura da cana do açúcar".
          Chamo o seguinte orador, que é o amigo Baçan:
          Baçan: - Começo por agradecer o carinho com que fui recebido a bordo do Navio Cuco, que é o prolongamento da amizade que sempre me devotaram. Falar de João Pessoa, é para mim um enorme prazer. Com um pequeno contratempo de ter perdido os apontamentos, vou falar de memória e vamos ver se não passa qualquer pormenor, mas se passar, conto que os amigos seguintes, os corrigiam ...: -
          "A 5 de Agosto de 1585, foi feito um tratado de paz, entre os índios da região, chefiados por Piragibe e os portugueses, representados por João Tavares.
          Na época havia duas grandes raças de índios: Tupis e os Cariris (também conhecidos por Tapuias. Os Tupi ainda se dividiam por: Tabajaras e Potiguares, ocupando estes a região entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Os Cariris dividiam-se em várias tribos, como: sucuru, icós e pegas, paiacú, e tapuias pegas, grandes adversários nas lutas contra os bandeirantes. Eram tribos nómadas e, nas suas constantes deambulações, iam construindo aldeamentos, ocupando áreas ainda não habitadas. A língua falada pelo índios, era o Tupi-Guarani, língua essa que o Padre José de Anchieta elaborou uma gramática, tornando mais fácil a comunicação entre colonos e os índios".
          Chamo o Paulo Tamiazo:
          Paulo: - É com enorme prazer que eu e minha esposa, a Adriana, integramos este grupo de amigos. Vou tentar, resumidamente, explanar os apontamentos de pesquisa que fiz ...: -
          "Situada na foz do Rio Sanhauá, pequeno afluente do Paraíba, a cidade teve papel importante pois desempenhou a função de ponto de contacto entre as comunicações terrestres e marítimas, o que lhe valeu certo desenvolvimento. Mais tarde, o desenvolvimento da navegação, que levou à utilização de navios de maior calado, provocou a transferência do ancoradouro para o Cabedelo, situado no foz do Paraíba, a 19 Km da jusante. Porém, não perdeu a sua condição de centro económico da região litorânea. A capital do Estado da Paraíba, foi fundada com o nome de Nossa Senhora das Neves, recebendo a denominação de Filipéia, em homenagem a Filipe 2º da Espanha, na altura Filipe 1º de Portugal. Durante o domínio holandês, ou seja entre 1634 e 1654, chamou-se Frederikstadt (Frederica), em homenagem ao príncipe de Orange, Frederico Henrique. Nome dos administradores holandeses: Servais Carpentier – Ippo Elyddens – Elias Herckmans – Sebastian Voo Hogoveen – Daniel Aberti – Gilberk de With – Paulo de Lince".
          E de seguida chamo o von Trina ... von Trina ... Demora um pouco a chegar pois está na casa das máquinas ... Mas lá vem ele ... :-
          Trina: - Começo por dizer, ou melhor, não digo um palavrão de protesto pela missão que me deram. Eu, que gosto tanto de apanhar sol e vento, fui metido num porão quentíssimo, pouco ventilado e com um barulho intenso dos motores; além de encardir o meu corpo com aquele nauseabundo óleo de lubrificação. Protesto, protesto e não falo. Atrevo-me a convidar o Coordenar deste protesto a tomar o meu lugar, não só aqui, mas sobretudo, no porão, junto às máquinas ...
          Comandante Manela: - von Trina, desculpa interromper-te. Não tens razão em protestar pois alguém terá de ter essa missão de condutor de máquinas. Se não quiseres falar, não fales e, aconselho-te a tomares um banho e a mudares de roupa, pois é lamentável tu apresentar-te nesse estado aqui neste nobre salão. Chamo o orador seguinte que é ... que é, deixa ver, é o Celestino ...: -
          Celestino: - Começo por lamentar este incidente com o amigo voo Trina, fruto, talvez, da sua pilha estar demasiadamente carregada ou, então, do tal tonel que ele diz ser de água. Mas vamos ao que mais interessa neste momento, para mais não posso abandonar por muito tempo o posto de vigia...: -
          "Na época dominação holandesa, havia dois grupos de população: os homens livres (holandeses, portugueses e brasileiros) e os escravos, de procedência brasileira e africana. Durante este período, não houve mistura de raças. O índio Poti, lutou contra os holandeses e foi herói na Batalha dos Guararapes. Após a expulsão destes, passou a denominar-se Paraíba, nome mudado em 1930 para João Pessoa".
          Amigo Abílio Terra, é a sua vez ... : -
          Abílio: - Começo por saudar todos os presentes. O simples apontamento que vou ler, é pesquisa da minha querida esposa, a Luiza Helena, a quem agradeço: -
          "João Pessoa encontra-se na extremidade meridional do estuário do Rio Paraíba, a 19 Km da sua foz no Oceano Atlântico. Para quem entra pela foz, as colinas, em forma de tabuleiros da série Barreiras, e que aí se erguem constituindo o primeiro trecho de terras firmes, entre as áreas alagadiças e os terrenos arenosos que separa o estuário do Atlântico".
          E tenho o prazer de convidar a querida amiga Angélica a tomar a palavra ...: -
          Angélica: - Olá amigos. Começo por pedir a todos a vossa solidariedade no sentido de pedirem à nossa querida Comandante, que dê autorização para que a minha querida e fiel cachorrinha maltês, a Nanny, seja solta da jaula em que a meteram por ela ter feito ... enfim, uns montes de massa orgânica. Muito obrigado ! Posto isto e depois de colocar os óculos, vou ler o meu apontamento: -
          "O estilo do Barroco: "A talha dourada e o azulejo são a contribuição mais original do barroco do espaço português e colonial, em conjuntos ímpares". (...) embora no século XVlll, eram estilisticamente ambíguas: a planta rectangular é cortada nos cantos, definido um espaço poliédrico octogonal. A feição barroca concentra-se na talha dos retábulos, em esculturas e vários pormenores. Aliás, seria no campo da ornamentação que o barroco ganharia maior originalidade em Portugal (e colónias), um tanto na decoração arquitectónica das frontarias (portais, janelões, empenas, torres) e muito mais na talha dourada e no azulejo, ambos com características nacionais, combinados em sábios e harmoniosos conjuntos, sem par na época".
          Chamo a minha querida amiga Regina Lyra, que como sempre, veste uma linda t-shit estampada com o seu nome e a gravura de um dos seus livros. Querida, não tem uma t-shit para esta sua amiga ?...: -
          Regina: - Tenho pena minha querida, mas as t.shits que trouxe, dei-as à Comandante. Como tenho tido o tempo muito ocupado, só tive tempo de fazer estes apontamentos: -
          "Igrejas do tempo colonial e João Pessoa: A Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves – Igreja da Misericórdia – Igreja das Mercês – Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – Capela de Nossa Senhora da Mãe dos Homens - Igreja do Bom Jesus dos Martírios Igreja e Convento de São Francisco".
          Nesse momento, do alto do mastro que não tinha cesta da gávea, o Celestino munido do seu longo óculo extensivo, perscrutando atentamente o horizonte, gritou: - "Terra à vista ! Já avisto a cidade de João Pessoa ! E mais ao longe, naquele pequeno cabo, a casa do amigo Valdez !"

         Carlos Leite Ribeiro

A seguir:(02)

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