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"A
Travessia do Atlântico"
Do Livro de Bordo
JOÃO
PESSOA
A CAMINHO DE JOÃO PESSOA
2ª PARTE
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Editor:Carlos Leite Ribeiro |
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Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)
Já em terra, fomos
visitar a casa do Valdez, um 12º andar com uma soberba vista para o mar, onde nos
foi oferecido um delicioso almoço. Da parte da tarde, voltámos ao Navio Cuco para um
passeio (lindo) ao litoral de João Pessoa. Naquela noite e depois do jantar a bordo, todo
se reuniram para falarem, desta vez, do Estado da Paraíba.
Como é obvio, quem deu o pontapé
de saída (começou a falar) foi o Valdez: -
Valdez: - Vamos começar por
falar da :
BANDEIRA
DO ESTADO DA PARAÍBA
"A palavra NEGO consta na bandeira da Paraíba para registrar um fato histórico
que teve muita repercussão nas décadas de 20/30. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque
era Presidente (Governador) da Paraíba desde 22.10.28. João Pessoa tinha muito
prestígio por ser sobrinho do ex-presidente Epitácio Pessoa e Ministro do Supremo
Tribunal Militar, daí ter sido indicado para presidir a Paraíba. Na época, era
Presidente da República Washington Luiz, paulista. Em 1929, iniciou-se o processo de
eleição para o novo Presidente da República. Existia a chamada aliança
café-com-leite, pela qual São Paulo e Minas se revezavam no exercício da Presidência
da República: esse acordo era apoiado por Epitácio Pessoa. Washington Luiz rompeu o
acordo e indicou como seu candidato à Presidência outro paulista, de nome Júlio
Prestes".
A minha esposa, a Helena, vai
continuar: -
Helena: - Oi amigos, tudo bem ? Vou
então continuar: -
"João Pessoa,
inconformado, NEGOU o apoio da Paraíba ao candidato Júlio Prestes, apoiando a
candidatura de Getúlio Vargas, gaúcho, lançado pelo Presidente de Minas Gerais,
António Carlos. Foi formada então a Aliança Liberal, composta dos Estados de Minas
Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, sendo João Pessoa escolhido candidato a
vice-presidente na chapa aliancista. João Pessoa teve a coragem cívica de passar um
telegrama ao Governo Federal negando qualquer apoio, daí o famoso NEGO, inserido na
bandeira da Paraíba, num vermelho de sangue e preto de luto".
E, para completar, chamo a Regina
Lyra: -
Regina: - Pois não, é para mim um
enorme prazer: -
"O NEGO de João Pessoa foi
um gesto de altivez que teve repercussão nacional, sendo registrado como um fato
histórico: mudou a bandeira da Paraíba que, no seu todo, representa uma homenagem a
João Pessoa, assassinado logo após, em 26.07.30, ainda no exercício do governo do
Estado da Paraíba. A bandeira foi idealizada nas cores vermelha e preta, sendo que o
vermelho representa o sangue derramado por João Pessoa e o preto, o luto que se apossou
da Paraíba com sua morte. Todos esses fatos desencadearam a Revolução de 1930, que
culminou com a deposição de Washington Luiz em 24.10.30".
Falámos neste texto nas seguintes
figuras históricas:
A oradora seguinte foi a Gladis
Lacerda: -
Gladis: - Sei que não é o momento
próprio para fazer um protesto, mas ... Pensando melhor, não vou protestar pela missão
que me atribuíram, decerto uma distracção da nossa querida Comandante. Mas continuando:
-
"João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque: - Nasceu em 1878 em Umbuzeiro PB e
faleceu em 1930 no Recife. Em 1920, foi Ministro do Superior Tribunal Militar. Seis anos
depois foi eleito Presidente da Paraíba. Em 1929, candidatou-se à Vice
Presidência do Brasil, em oposição ao Governo Federal e, enfrentou rebeliões no seu
Estado, como o levantamento armado no município de Princesa. Sufocou este levantamento,
mas foi assassinado, facto de grande repercussão no Brasil e considerado como um dos
factores que desencadearam a Revolução de 1930. No Governo de Getúlio Vargas, foi dado
o seu nome à capital paraibana".
Chamo a Rosélia Martins, que há
muito tempo "está em pulgas" (ansiosa) para falar ...: -
Rosélia: - Estava a ver que não
chegava a minha vez ! Isto de uma algarvia ter que estar calada, é deveras difícil.
Pronto, já não falo mais nestes problemas pois a Manela já me está a fazer sinais e
cara feia. Vamos então ao apontamento: -

"Epifácio da Silva Pessoa:
- Nasceu em 1865 Umbuzeiro PB e faleceu em 1942 em Petrópolis RJ). De 1898 a 1901, foi
Ministro da Justiça e de Negócios Interiores, no governo de Campos Sales, elaborando
nessa altura o projecto Civil e o código do Ensino. Em 1902, foi Ministro do Supremo
Tribunal Federal, elaborando em 1912 um projecto de Código de Direito Internacional
Privado. Entre 1919 e 1922, foi Presidente da República do Brasil".
Vou-me embora, por agora, mas quero
voltar a falar ! Chamo de seguida a Célia Lamounier: -
Célia: - Se é difícil para uma
algarvia ( natural do Algarve Portugal) ter que falar pouco, o que será para uma
advogada? Mas, vamos ao assunto: -
"Washington Luiz Pereira de Sousa: - Nasceu em 1870 em Macaé Rj e faleceu em 1957
em São Paulo. Em 1926 foi eleito Presidente do Brasil, numa fase complicada e conturbada,
agravada pela crise económica de 1926. Vitoriosa a revolução de 1930, foi deposto por
uma junta militar. Durante o seu mandato, tentou atender às exigência do Brasil, em
matérias como as comunicações, transportes e circulação de riquezas. Publicou vários
artigos sobre a História Paulista e um livro "Contribuições para a História da
Capitania de São Paulo".
Quem está também ansiosa para
falar, é a Vilma Matos, a quem convido para tomar a palavra: -
Vilma: - Sabia que não se iam
esquecer, pelo menos desta vez, de mim ! Claro que eu e a minha língua estão ansiosas de
poder falar : -

"Júlio Prestes de
Albuquerque: - Nasceu em 1882 em Itapetinga SP e faleceu em 1946 em São Paulo. Fez
intensa campanha pela nacionalização dos Caminhos de Ferro (Estrada de Ferro)
Sorocabana, que passou para o Estado de São Paulo. No governo deste Estado, tomou medias
relacionadas com o Ensino, criou o Departamento das Pescas e fundou o Manicómio
Judiciário. Chegou a ser eleito para Presidente do Brasil, mas não chegou a tomar posse,
e virtude da Revolução de 1930. Esteve exilado até 1934".
Convido a Luiza Helena a continuar:
-
Luiza: - Oi amigos ! Que felicidade
poder estar entre vocês ! Vamos lá então: -
"Getúlio Dornelles Vargas: - Nasceu em 1883 em São Borja RS e faleceu em 1934 no
Rio de Janeiro. Foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, e daí, lançou-se a
candidato à Presidência do Brasil, pela Aliança Liberal, concorrendo em oposição a
Júlio Prestes. Liderou a Revolução de 1930, que depôs o então Presidente Washington
Luís, subindo ao poder a 3 de Novembro desse mesmo ano. No seu primeiro mandato, Getúlio
Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e estabeleceu medidas de
legislação trabalhista. Em 1932, teve que debelar a Revolução Paulista
"Constitucionalista". No ano seguinte convocou uma Assembleia Constituinte,
eleita por voto secreto controlada pela recente criada Justiça Eleitoral".
A Marisa Cajado vai continuar ainda
com este tema: -
Marisa: - E é um tema que gosto de
falar. Todo o mundo por aí está rolando ? Vou ler o meu apontamento, acompanhada
por notas musicais do meu violão: -
"Em 1937, Getúlio Vargas
articulou "O Golpe de 10 de Novembro" que instaurou o Estado Novo; assim, com
uma Constituição outorgada, concentrou praticamente nas suas mãos, todos os poderes
executivos e legislativos até 1945. Durante o Estado Novo, foram criados o Plano Nacional
de Electrificação em 1937; O Conselho Nacional do Petróleo em 1938 e a Siderurgia de
Volta Redonda. Ainda neste seu mandato, o Brasil entrou na 2ª Guerra Mundial, ao lado dos
Aliados. Em 1945, embora o Presidente tivesse admitido a convocação de eleições par 2
de Dezembro, os receios criados nas áreas militares pela campanha "Queremista",
apoiada pelos comunistas, precipitaram a sua deposição, em 29 de Outubro, por um
movimento armado".
E a Flóra Cavalcanti, vai
completar este tema: -
Flóra: - Gosto mais de fazer
pintura e escultura. Mas quando é preciso, também falo, e é o que vou agora fazer: -
"Depois de deposto, Vargas
candidatou-se ao Senado e à Câmara em vários Estados, reunindo sozinho 17% dos votos
(1.300.000). Pela sua tão grande popular penetração política, levou-o mais uma vez ao
Catete, em 1950. Retomando a orientação nacionalista e populista, Getúlio Vargas, nesse
novo período, criou a Petrobrás e encaminhou a Electrobrás. Mas, perante uma cada vez
mais violenta oposição e à beira de nova deposição, suicidou-se na madrugada de 24 de
Agosto de 1954".
Nesta altura, fizeram uma pausa
para tomarem um cafezinho e dar "dois dedos de conversa", no bar a cargo dos
eficientes Paulo e Adriana. Minutos depois, voltaram a sentarem-se para continuarem com o
tema proposto.
Coube novamente ao Valdez reiniciar
os trabalhos: -
Valdez: - Chegou a vez de falar
nas: -
AS ARMAS DO ESTADO DA
PARAÍBA
"As Armas do Estado da
Paraíba foram oficializadas em 21 de setembro de 1907, pelo então Vice-Presidente
Monsenhor Walfredo Soares dos Santos Leal, através da Lei 266. Ocupam o fundo do escudo
duas paisagens, uma representando um trecho do litoral com o sol nascente e outra um campo
de criação com rebanho e pegureiro. Circunda o escudo uma ramagem composta de
cana-de-açúcar à esquerda e algodoeiros à direita entrelaçadas no ponto de junção
por uma faixa, dentro da qual se lê a legenda - 5 de agosto de 1585".
E tomo a liberdade de chamar a
minha esposa e a Regina Lyra, para cantarmos:
O
HINO DO ESTADO DA PARAÍBA
Letra de: Francisco Aurélio de
Figueiredo e Melo (1856-1916)
Música de: Abdon Felinto
Milanez (1858-1927)
Apresentado pela 1º vez em
30/06/1905
"Salve, berço do
heroísmo,
Paraíba, terra amada,
Via-láctea do civismo
Sob o Céu do Amor traçada!
No famoso diadema
Que da Pátria a fronte aclara
Pode haver mais ampla gema:
Não há-Pérola-mais rara!
Quando repelindo o assalto
Do estrangeiro, combatias,
Teu valor brilhou tão alto
Que uma Estrela-parecias!
Tens um passado de glória,
Tens um presente sem jaça:
Do Porvir canta a vitória
E, ao teu gesto-a Luz se faça!
Salve, ó berço do heroísmo,
Paraíba, terra amada,
Via-Láctea do civismo
Sob o Céu do Amor traçada!" |
Depois de termos cantado em coro o Hino da Paraíba, foi chamada a seguinte oradora, a
Márcia Smith:-
Márcia: - Como é bom estar aqui
entre amigos ! Uma saudação muito amiga a todos ! ... :

Carlos Leite Ribeiro
A seguir: (03)
índice da Viagem |
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