"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

JOÃO PESSOA

A CAMINHO DE JOÃO PESSOA

3ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)

A CAMINHO DE JOÃO PESSOA

3ª PARTE

          ESTADO DA PARAÍBA

          "Este Estado fica situado entre o Rio Grande do Norte, ao Norte; o Oceano Atlântico, a Este; Pernambuco, ao Sul; e o Ceará a Oeste. Tem uma superfície de 56.372 Km2.
          A hostilidade dos índios potiguaras impediu a colonização portuguesa durante quase toso o século XVl. Em 1585, os portugueses, depois de conseguirem o apoio e aliança com o chefe dos tabajaras de nome Pirarajibe, construíram o forte de São Filipe, na foz do Rio Paraíba, onde nasceu a terceira cidade de Brasil, então chamada Filipéia, mais tarde Paraíba e hoje João Pessoa, capital do Estado da Paraíba.. As lutas com os índios continuaram até que uma epidemia de varíola dizimou as tribos e forçou-os a aceitar a paz e o domínio português, em 1599".
          Chamo a minha querida e linda amiga Zena Maciel. Que belo sorriso tem ! ...: -
          Zena: - Parafraseando a Rosélia, vos direi que já pensava que se tinham esquecido de mim. Confesso que já estava ansiosa por dar à língua !: -
          "A partir do início do século XVll, a colonização portuguesa consolidou-se, com a instalação de engenhos de açúcar. Em 1634, a Paraíba caiu sob o domínio holandês, depois de uma lona resistência. Ao contrário do que ocorreu em Pernambuco, a presença dos holandeses não trouxe muitas vantagens ao Estado da Paraíba. Houve apenas algum aumento na produção de açúcar, mas de carácter temporário, pois, com o regresso de Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, a capitania da Paraíba entrou em completa desordem. As tentativas para a libertação foram inúteis até 1654, quando, sob a liderança de André Vidal de Negreiros, os holandeses foram expulsos".
          E chamo a Adriana que não conhecia, mas que é uma bela moça: -
          Adriana: - Desculpem eu estar ainda um pouco acanhada, mas não estou habituada a estas andanças. Mas, é só uma questão de prática : -
          "Com a volta da capitania ao domínio português, as missões religiosas e as expedições de caça aos índios continuaram o desbravamento dos sertões. Por volta de 1670, a expedição pioneira de António de Oliveira Ledo desbravou o sertão parabaibano, penetrando na cordilheira da Borborema e atingindo o rio Piranhas. No final do século XVll, o apresamento e o morticínio dos índios, e os maus tratos recebidos pelos que eram escravizados, provocaram a revolta indígena como Confederação dos Cariris".
          A oradora seguinte, é a Cristina Estrompa, a voz d’ouro do Portal CEN. –
          Cristina: - Olá amigos ! Eu gosto mais de cantar do que falar. As vamos lá e vamos ver como vai sair, pedindo desde já desculpa de qualquer coisinha que não sai bem: -
          "No decorrer do século XVlll, depois de um período de relativa prosperidade, a Paraíba entrou em decadência, causada sobretudo por longos períodos de seca. A Revolução Pernambucana de 1817, alcançou a Paraíba, onde os revoltosos chegaram a instalar um governo, sendo pouco tempo depois dominados pelas forças legalistas. Em 1822, a Paraíba deu o seu apoio a D. Pedro, mesmo antes de proclamada a Independência do Brasil. Durante o reinado de D. Pedro 1º do Brasil, a sede do governo paraibano recebeu iluminação a gás e escolas, e surgiu também o primeiro jornal local".
          Agora chamo o Pedro Mulder que já deve ter tomado banho e ter vestido roupa limpa ... Pedro ... Pedro, ouve !... Lá vem ele com o seu violão: -
          Pedro: - Tal como o meu amigo e colega von Trina, lavro aqui o meu protesto por me ter sido destinado o cargo de ajudante de maquinista do Navio Cuco. Mas aqui estou lavadinho, tanto de corpo como do trajo e, até mentalmente: -
          "Em 1824, a Paraíba participou, conjuntamente com Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, na Confederação do Equador. A Praieira, revolta de cunho liberal iniciada em Pernambuco, em 1848, também teve repercussões na Paraíba. Em 1852, foi deflagrado na província o levantamento do "Ronco da Abelha", contra a lei do registo obrigatório de nascimento e óbito. Em 1874, surgiu o levantamento do "Quebra – Quilos", contra a introdução do sistema métrico decimal".
          Muito obrigado pela atenção. Aproveito para chamar a Rosélia que está ali danadinha para falar: -
          Rosélia: - Como o Pedro é gentil e bonzinho ! De facto, já pensava que nunca mais era chamada para falar para os meus amigos ... : -
          Neste texto falámos de:
          "André Vidal de Negreiros: - Nasceu em 1606 no Engenho São João PB e faleceu em 1681, no Engenho Novo, Goiana PE. Combateu os holandeses na Bahia e depois em Pernambuco, ode foi o cérebro da Insurreição Pernambucana. Comandou grupos de guerreiros, e destacou-se nas duas batalhas de Guararapes. Foi escolhido pelo Governador – Geral para ir a Portugal comunicar à Corte a rendição da Campina de Taborda em 1654. Em 1555 foi Governador do Maranhão, e do Pernambuco de 1557 a 1661. Também foi Governador de Angola de 1661 a 1666".
          Agora, tenho o prazer de chamar o voo Trinazinho, anda cá menino ... Estás a ver que assim limpinho até não és feio? E também vens calminho, sem essa carinha e beicinho de menino caprichoso e mimalho: -
          Trina:- É muito bom falar, sobretudo quem não tem que estar lá baixo com aquele calor e barulho. Se não fosse a Comandante ter falado comigo, não estaria aqui. Cada vez tenho mais azar aquele Coordenador que está ali apanhar sol e a fingir que está a escrever. Que nervos aquele gajo me mete ... Mas vamos lá ao apontamento que fiz com todo o rigor ...: -
          "Batalha dos Guararapes: - Nome de combates travados entre holandeses e luso-brasileiros nos montes conhecidos por este nome, nas vizinhanças do Recife, entre 19 de Abril de 1648 e 19 de Fevereiro do ano seguinte. Nestes combates distinguiram-se Vidal de Negreiros, Fernandes Vieira, Francisco de Figueiroa, Filipe e Diogo Camarão e Henrique Dias".
          Chamo a minha querida amiga Vilma, que também não concorda com esse Coordenador que nada faz (a não ser grande confusão !): -
          "Padre José de Anchieta: - Missionário jesuíta, teria nascido em 1534 nas Canárias (Ilhas espanholas). Com 19 anos, foi para o Brasil, onde viveu perto de 50 anos, sem mais voltar à Europa. Extraordinário evangelizador dos silvícolas, escreveu poesias em latim, português, espanhol e tupi, além de numerosos autos bilíngues (português e tupi) e de uma gramática de língua geral. Do maior interesse são também as suas cartas em latim, e algumas das quais se encontram as primeiras notícias sobre a fauna, a flora e a etnologia do Brasil. Seu sermões, e biografias dos padres ilustres da Companhia de Jesus".
          Agora, tenho o prazer de chamar... Ou melhor, a nossa querida Comandante quer falar ...
          Manuela: Para começar e como sou contestária, também vos digo que não estou de acordo com o Coordenador, que, quanto a mim, está a fazer um trabalho tendencioso, talvez devido ao Presidente de Portugal, não ter dissolvido a Assembleia Geral, ou, então, tem apanhado sol a mais. As constatações (justas) da Rainha, do von Trina e do Pedro, foram entregues à Drª Célia Lamounier, para elaboração dos respectivos processos-crime contra o Coordenador. Como este, não teve a gentileza de me incluir como oradora, tomo eu essa liberdade, e vou falar mesmo: -
          "D. Pedro 1º do Brasil ( e 1º Imperador); 4º de Portugal : - Nasceu em Queluz em 1798 e faleceu em Lisboa em 1834. Vigésimo rei de Portugal. Chegou ao Brasil em 1808. Em 1821, foi nomeado regente do Reino do Brasil, enquanto seu pai, D. João 6º, voltou a Portugal. A pressão portuguesa sobre o seu governo e as lutas internas dos brasileiros por sua emancipação, levaram D. Pedro a declarar a Independência do Brasil, e 7 de Setembro de 1822, nas margens do Ipiranga (Estado de São Paulo). Nesse mesmo ano, a 12 de Outubro, foi aclamado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Em 1823, demitiu o Ministério de Andrada, dissolveu a Assembleia Constituinte e deportou para a Europa seis deputados, incluindo o próprio José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 1824, outorgou uma Constituição ao Brasil e, em 1826, outra, a Portugal. No mesmo ano, abdicou a Coroa de Portugal em favor de sua filha Maria da Glória (nascida no Rio de Janeiro). Em 1830, sofreu a oposição liberal e a reacção popular, no Brasil, o que o levou a abdicar em favor de seu filho Pedro, em 7 de Abril de 1831. Voltou a Portugal para restaurar os direitos de sua filha, usurpados por seu irmão D. Miguel. Morreu pouco depois da Convenção de Évora Monte, que selava a vitória da causa liberal, de que ele se fizera paladino".
          Agora sim chamo a próxima oradora, que é a Rainha Gladinha (palmas !!!): -
          "Ronco da Abelha": - Insurreição de camponeses, em 1825, na região da serra da Borborema, conta a lei censitária por eles chamada "lei de cativeiro".
          E de seguida para não perdermos mais tempo, chamo a Célia Lamounier: -
          Célia: Começo por vos dizer que, um processo antes de ser julgado, fica e segredo de justiça. Ora, a Comandante Manuela cometeu uma enorme gafe ao anunciar que vai processar o Coordenador deste grandioso projecto, pois, este agora, sabendo que lhe estão a meter processos, vai constituir-se com um advogado para rebater as afirmações aqui proferidas, assim como arranjar grande número de testemunhas abonatórias do seu comportamento cívico. É um processo que fica muito debilitado, e, é bem capaz de se prolongar bastante tempo, como o processo de pedofilia da Casa Pia de Lisboa, e ficará tudo em "águas de bacalhau) ... Veremos. Mas vamos aos apontamentos: -
          "Quebra – Quilos" : - Rebelião ocorrida em 1874, contra a adopção do sistema métrico decimal, que se seguiu um aumento de impostos votado pela Assembleia provincial. Com a derrota do Movimento, centenas de pessoas foram submetidas a torturas".
          O orador seguinte é o Lourivaldo Perez Baçan, que já se expressou que vai defender o Coordenador com unhas e dentes. Num aparte, direi que eles faz muito bem. Baçan: -
          Baçan: - Lamento o assunto que trouxeram a este convívio de amigos. Agora, se me dão licença, vou começar a ler os meus apontamentos:-
          "O ideal republicano teve como porta- vozes, na Paraíba, os jornais "Gazeta da Paraíba", na capital, e "Gazeta do Sertão", em Campina Grande. Com o advento da República, a província tornou-se Estado, sendo nomeado presidente provisório o juiz Venâncio Neiva, que convocou para seu secretário Epitácio Pessoa, futuro presidente do Brasil. Durante muitos anos, Epitácio Pessoa liderou a política paraibana, Os dois governadores da Paraíba, antes de 1930, João Suassuna e João Pessoa, foram assassinados por motivos políticos, sendo o do João Pessoa, o estopim da Revolução de 1930. O nome da capital do Estado, que se chamava Paraíba, é uma homenagem e esse político. De 1930 a 1947, o Estado da Paraíba esteve sob intervenção federal. No governo de um dos intervenientes, Argemiro de Figueiredo, foi iniciada a urbanização de capital João Pessoa e introduzida a cultura do sisal".
          Para o tema seguinte, vou chamar o meu querido amigo Valdez: -
          Valdez:- É sempre um prazer poder contactar com tão nobre assembleia: -
          "Governadores do Estado da Paraíba, depois de 1930:
          "1930 – Álvaro Pereira de Carvalho ; depois, José Américo de Almeida
          1930 / 1931 – Antenor de França Navarro
          1932 – Gratuliano da Costa Brito
          1934 – José Marquês da Silva Mariz
          1935 – Argemiro de Figueiredo
          1940 / 1945 – Ruy Carneiro
          1945 – Samuel Duarte
          1945 / 1946 – Severino Montenegro
          1946 – Odon Bezerra Cavalcanti
          1946 / 1947 – José Gomes da Silva"
          Tomo a liberdade de chamar a minha esposa para continuar esta lista: -
          Helena: - Pois bem: -
          "1947 / 1950 – Oswaldo Trigueiros
          1950 / 1951 – José Targino
          1951 / 1953 – José Américo de Almeida
          1953 / 1954 – João Fernandes de Lima
          1954 – 1956 – José Américo de Almeida
          1956 / 1958 – Flávio Ribeiro Coutinho
          1960 / 1961 – José Fernandes de Lima
          1958 / 1966 – Pedro Moreno Godim
          1966 / 1971 – João Agripino Filho
          1971 – 1975 – Emani Sátyro
          1975 – 1979 – Ivan Bichara Sobreira"
          E, para terminar os nomes desta lista, chamo a Regina Lyra: -
          Regina: - Oi amigos, mais uma vez com vocês ! Vamos lá: -
          "1979 – Dorgival Terceiro Neto
          1979 / 1982 – Tarcísio Buruty
          1982 / 1983 – Clóvia Bezerra
          1983 – 1986 – Wilson Braga
          1986 – Riveldo Bezerra Cavalcante
          1986 / 1987 – Milton Cabral
          1987 – 1991 – Tarcísio Buruty
          1991 / 1994 – Ronaldo Cunha Lima
          1994 / 1995 – Cícero Lucena
          1995 – António Mariz
          1995 – José Maranhão"
          E vamos continuar com a presença da nossa querida amiga, Zena Maciel: -
          "O relevo paraibano divide-se em três superfícies bem distintas, que se sucedem em faixas paralelas à costa marítima para o interior, com prolongamentos pelos estados vizinhos. A Baixada litorânea estende-se pela costa e apresenta uma largura média de 80 a 90 Km. A Oeste, a altitude chega 150 m acima do nível do mar, decrescendo suavemente até ao nível do mar. Na parte central do Estado, a Oeste da Baixada litorânea, fica o Planalto da Borborema, que é a região mais elevada da Paraíba, com altitudes médias de 500 a 600 metros".
          Tenho o prazer de chamar a Angélica e a sua cachorrinha. Oi, Angélica, é com você !: -
          Angélica: - Desculpe, mas estava distraída. O meu marido tem sobrevoado de helicóptero o Navio Cuco, e vocês nem tem notado. Vamos ver se encontro os apontamentos ... ora aqui estão: -
          "Entre a Borborema e a fronteira com o Ceará, fica o Planalto do Rio Piranhas, onde se observa a presença de morros isolados e pequenas serras, com altitudes que variam de 150 a 300 metros. Os rios banham a Paraíba, são e grande parte, intermitentes, e dividem-se em dois grupos: os que descem da Borborema e correm para Leste, até ao Atlântico, como o Curimataú, o Mamanguape e o Paraíba do Norte; e a bacia formada pelo Rio Piranhas e seus afluentes, como o Peixes e Espinhara".
          E a palestra vai continuar com a Luiza Helena, que eu não conhecia, mas que é uma excelente companheira, mineira de gema: -
          Luiza: - Muito obrigado à Angélica ! Para mim, é uma honra estar aqui junto a estes amigos: -
          "A Baixada litorânea e os trechos mais húmidos da borda do Planalto (o Brejo) são recobertos pela floresta tropical perene. Na parte mais húmida da borda do Planalto, encontra-se uma floresta tropical temporária, o chamado Agreste. Todo o interior do Planalto da Borborema e o Planalto do Rio Piranhas são dominados pela caatinga. A economia da Paraíba tem como base as actividades agrícolas".
          E, para terminar, costuma-se dizer que "os últimos são os primeiros", estando neste caso o meu marido: -
          Abílio: - Tenho acompanhado deste o seu início este grande projecto. E. Com grande prazer ! :-
          "Aproximadamente 70% da mão de obra estadual estão empregados neste sector. O Agreste e o Brejo são as principais áreas agrícolas da Paraíba. Este Estado é dos primeiros produtores de abacaxi, sisal, pimenta-do-reino, batata, cana de açúcar e algodão, sendo também importantes as produções de mandioca, milho e feijão. Na pecuária predomina a criação de bovinos, seguida pelos rebanhos caprino, ovino e suíno. A principal área de criação é o Sertão".
         
          No final, foi cantado o Hino do CEN, pela sua autora Marisa Cajado, acompanhada pelo Grupo "O Seu Contrário" e o coro (desafinado) dos passageiros:

          Marisa Cajado
         
         
          Esta familia
          É sensacional
          Vai reunindo
          Brasil e Portugal
          Cantando fado
          E um samba
          Requebrado
          Aprendendo um xaxado
          Dança aqui tradicional.
          Numa ciranda,
          Vamos todos dando a mão
          Entoando uma canção
          Pra mostrar nossa união
          Nossa energia
          Vai crescendo e irradia
          É o CEN é alegria
          Todos juntos afinal
          É a poesia
          É a prosa em sintonia
          Fortaleza e Leiria
          É Brasil e Portugal

          Foram uns dias maravilhosos passados no Estado da Paraíba, nomeadamente, na sua capital João Pessoa. Mas a excursão tinha que continuar, sendo a próxima cidade o RECIFE ( Estado do Pernambuco).

          Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal.

         Carlos Leite Ribeiro

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