1º Dia de navegação: "Mar calmo, sem vento e muito sol. Noventa por cento
da tripulação encontra-se enjoada. Avisei a Pilota Garrafinha a não fazer tantos piões
nem a dar tantas cambalhotas com o navio, o que ela me respondeu : "Comandante Upp,
estou a tentar encontrar o rumo que me deu para(ir) rumar direito a Macapá, Estado de
Amapá, Upp Brasil ...". Como Comandante, estou a ficar preocupada pois a Pilota
deitou fora todas as bússolas que se encontravam no navio. O almoço foi à base de ovos
estrelados com batatas fritas (de pacote) e salada de alface e tomate (de marca
garantida). O jantar foi batatas fritas com ovos estrelados e salada. As bebidas
alcoólicas estão proibidas para a tripulação, salvo para a Comandante e para a Pilota
Garrafinha"
2º Dia
de Navegação: "Como ainda não foi descoberta a sirene do navio, o
radiotelegrafista Humberto, mais uma vez pegou no seu clarim para tocar a alvorada :
"Toca a levantar, toca a levantar .. e vai trabalhar ...". Depois do pequeno
(pequeníssimo) almoço, à base de frutos secos que a Rosélia tinha trazido do Algarve,
todos se dirigiram para as suas ocupações destinadas diariamente. No primeiro turno, a
perscrutar o horizonte com um enorme óculo, no cimo do mastro, calhou ao von Trina. O mar
estava calmo como no dia anterior, mas o sol estava mais quente. Em determinada altura, o
Trina gritou: "Sereia a bombordo !". E. dizendo isto, atirou-se ao mar nadando
com toda a fúria para estibordo. Toda a tripulação subiu ao convés superior para ver a
sereia, o que ninguém conseguiu ver. O pessoal começou a pensar que o Trina não estaria
bom da cabeça ou que tinha apanhado muito sol na cabeça. O certo é que quando foi
puxado para o navio, tinha a barriga e os joelhos esfolados, baton nas faces e, no corpo
foram encontradas umas certas escamas...
Sobre este caso, consultei o
insigne e sabe-tudo, o Prof. Caco Pedra, que me deu a sua opinião: "Não lhe posso
dizer concretamente se o Trina encontrou ou não uma sereia, pois a cabeça dele está
cheia de sereias, umas reais, outras nem por isso. Este caso poderá ser perigoso para o
nosso tripulante pois não sabemos se ele estava ou não protegido contra certas escamas.
Só no futuro é que poderemos ter indicações precisas e concisas". O von Trina foi
medicamentado com 2 aspirinas e um supositório que o seu amigo "Mi-Burro" lhe
deu". O resto do dia decorreu sem outros acontecimentos dignos de registo".
3º Dia
de Navegação: Finalmente foi descoberta a sirene do navio. Encontrava-se (e
encontra-se) no tecto, por cima da roda do leme, que a pedido da garrafinha não é
redonda como é habitual, mas sim de forma sextavada, segundo ela, para maior comodidade.
Ás 14:48 horas, o motor do navio parou, o que deixou o pessoal muito preocupado. Logo o
Engº. Chefe foi chamado e pouco tempo depois verificou que o problema estava nas velas.
Ao ouvir falar em velas, a Rosélia prontificou-se a dar uma das suas mini-saias
(curtinhas) para as velas, assim como a Imediata ofereceu uma vestido de tarrafa, já todo
esburacado. A Margarida ofereceu uma camisola e a Comandante um lenço de pescoço, que
sempre usa em homenagem ao seu Alentejo, embora seja de Lisboa. O Tito Olívio ria-se a
bandeiras despregadas com esta situação. Por fim, elucidou as amigas que as velas a que
se referia, não eram de pano mas sim electrónicas e próprias para motores de explosão.
O mar começou a estar muito picado e que levou a Comandante a mandar que toda a
tripulação vestisse os coletes de salva-vidas. A cor destes coletes é vermelha, o que
levou o von Trina a dizer que lhe fazia recordar o seu Benfica. O Humberto retorquiu-lhe
logo: "Olha von Trina, nem com coletes destes de salvação, o teu clube se safa de
se afundar !". Meio em surdina, a Rosélia respondeu: "Ainda mato este Humberto
...". Devido ao mar agitado, a tripulação passou a tarde quase toda no bar, a beber
água e a jogar às cartas, tendo como banqueira a Comandante que assim, arrecadou alguns
euros".
4º
Dia de Navegação: "Ninguém está contente com o que se come no CUCO..
Desde sempre que o von Trina é o mais criticado por toda a tripulação. Todos estavam
saturados de comer ovos cozidos, fritos, escalfados, mexidos, omolete, até grelhados,
sempre acompanhados (e nem sempre bem) com batatas fritas, arroz seco (ou aguado). A água
tinha um saber entre caipirinha e cachaça, dizendo o cozinheiro que era um conservante
para não se estragar. Todos se interrogavam se, mesmo má (péssima) a comida dará até
Macapá, pois o amigo do Trina, o "Mi-Burro", já anda a comer as plantas do
navio e nem os arranjos florais escapavam. Tudo se complicou hoje quando a Pilota
garrafinha, alegadamente para não abalroar um OZNI (Objecto Zarolho Não Identificado)
teve que fazer umas cambalhotas com o Navio, e partiu todos os poucos ovos, que ainda
estavam na dispensa. O Trina está a fazer uma enorme omolete ... mas, ainda faltam uns
dias para chegar a Macapá. A situação é muito crítica e esperamos a todo o momento,
uma comunicação do Cozinheiro".
5º
Dia de Navegação: "A situação está muito complicada. Logo após o apita
para a alvorada, o Cozinheiro fez pela rádio, uma dramática comunicação: "Do
Cozinheiro para a Tripulação: "Camaradas ! tenho o dever, melhor, o doloroso dever
de vos informar que a comida acabou ! Sempre tenho tentado com a minha reconhecida
competência profissional, fazer o melhor, mesmo com o orçamento tão pequeno e ainda
mais reduzido pela Ministra das Finanças, mas como se devem estar lembrados, ontem, por
manobras bruscas e esquisitas, a Pilota teve de fazer umas piruetas com o Navio, e partiu
todos os ovos que ainda restavam na dispensa. A situação é gravíssima, mas são nestas
situações que se vê quem é amigo e quem é solidário. Não podemos baixar os braços,
por isso vamos lutar ...".
Aqui, na minha qualidade de
Comandante, tive que interromper o Cozinheiro para convocar toda a Tripulação para o
convés inferior.
Como é óbvio, todos estavam
preocupados com a situação e muito furiosos com o Trina. Quem abriu as hostilidades, foi
o Engº. Chefe que interpelou o responsável (?) pela Cozinha: - "Para já,
considero o Sr. Von Trina o único responsável por esta nossa situação tão crítica !
Concretamente, este sr. Que nos diga o que pretende fazer, melhor, onde vai encontrar
comida para todos nós ?...". O visado, tirando o seu alto chapéu branco (o símbolo
de chefe de Cozinha), e limpando com ele o seu suado rosto, mas podendo falar, tentou
fazer o ponto da situação: "Camaradas desta situação tão crítica, não temos
ovos, não podemos fazer omoletes; não temos carne (a não ser a nossa) e nem peixe
temos...". Aqui, a Margarida interrompeu: "Mas estamos no mar e com certeza que
estamos rodeados de peixes" pela primeira vez seu ouviram alguns aplausos e
vivas à Margarida. Sensatamente, a Imediata Cristina, levantando o seu já arrebitado
narizinho, deu a sua opinião: "Sim, devemos estar rodeados de peixes, pois até
estamos a ver o "leme" dos tubarões ..." logo a Rosélia exclamou :
"Tubarão ? Ai que horror ! Ainda se fosse atum ...". Fazendo um gesto para que
se calasse, a Imediata continuou: "Só precisamos de arranjar um isco e, se for vivo,
melhor será". Recuperando alguma tranquilidade, o von Trina escolheu (ou tentou)
arranjar um isco vivo para pescar tubarão: - "Temos a bordo um rico isco para
apanhar tubarão: o meu amigo "Mi-Burro" !". Ao ouvir isto de quem nunca
pensou em ouvir, o Burro começou logo aos "pontapés de calcanhar" gritando :
"Trina, para já, vai chamar amigo à tua ... !!! Olha que eu sou burro com muita
honra, mas nunca isco vivo para apanhar tubarão !!! Eu, vou queixar-me já à Sociedade
de Protecção dos Animais !!!". Sensatamente, o radiotelegrafista Humberto, passam a
mão carinhosamente pelo lombo do Burro, dizendo-lhe: "Querido amigo
"Mi-Burro", tem calma pois tu tens toda a razão. Quanto a mim, quem deve ser o
isco, é o causador de toda esta situação, ou seja, o Cozinheiro von Trina, pois até é
bem grande e gordinho !". Ao ouvir esta quase sentença, o Trina sentou-se nuns
degraus e quase a chorar, tentou arranjar outro isco: " É certo que sou grande e
gordinho, mas o Coordenador Carlos, também o é, e, além disso é mais velho do que eu
...". O Carlos que se mantém sempre afastado do grupo, alegando que está ali só
como Coordenador, aproximou-se do Cozinheiro em atitude muito agressiva: "Olha lá ao
"lindinho" deixa-te de parvoíces e de pieguices. Tu, é que vais ser a isca
viva para apanhar tubarão e não eu, que sou o Coordenador ! E se alguém não estiver de
acordo comigo, acaba aqui mesmo esta história e eu regresso já à Marinha Grande !. Como
Comandante tive que intervir nesta situação que poderia dar em motim. Assim, propus à
Tripulação: "01º - Que guardássemos a decisão de usar o Cozinheiro von Trina
como isca viva para pescar um tubarão, durante 24 horas; 02º - Daria para todos uma
pequena e pessoal provisão de alimentos que tinha trazido: 1 posta de bacalhau, 3
embalagem de conservas de sardinhas, 1 idem de atum em tomate e um pacote de bolachas
maria; 03º Via rádio, lançar um SOS ao Baçan para nos enviar um helicóptero com
mantimentos". Infelizmente, não encontrámos o Baçan em casa pois tinha ido fazer
compras ao supermerdado ...".
6º
Dia de Navegação: "Aproximava-se a hora do von Trina ser usado como isco
vivo para tentar apanhar um tubarão. Do apelo que fizemos ao Baçan, nem sombras o
víamos. Nem estava contente com esta decisão, mas o que tem de ser tem muita força e,
assim, começámos por despir o Cozinheiro, que pudicamente procurava esconder as suas
partes mais íntimas. Ele, não parava de gritar: "O que me estão a fazer é uma
verdadeira injustiça ! Eu, aqui tudo nu e pronto a ser isca de tubarão ! Quando chegar a
Macapá, peço à Drª Célia Lamounier que meta um processo-crime contra todos vós, mais
os tubarões que me molestarem, quer fisicamente como moralmente ! Eu vingar-me-ei ! Eu
... ". Nesse momento, a Imediata cheia de coragem atirou o von Trina pela borda fora.
O barco começou então a navegar de ré para o Trina não ser apanhado pelo hélice, o
que entre outras causa, podia estragar o próprio hélice e, perder assim a isca viva !.
Quando chegou à água e começou a estrebuchar, o Rosélia cheia de pena do amigo,
perguntou se naquela zona não haveria barracudas, que têm o costume de atacar partes
salientes, o que foi logo sossegada pela Cristina que lhe disse: "Creio que não há
aqui barracudas, mas se por acaso houver alguma, com a água tão fria, não vai encontrar
nada saliente !". Na água, o nosso bom von Trina, não parava de gritar e de
protestar. Em determinada altura, uma enorme tubarão começou a perseguir o Cozinheiro
que ao notar tal perseguição, logo aumentou a intensidade dos seus lancinantes gritos:
"Socorro !!! Socorro !!! Um tubarão está a perseguir-me !!!. Calmamente, a Imediato
lhe respondia: "Tem calma Trina, pois até é bem capaz de ser uma
"tubarona" !". Todos puxavam a corda que prendia o nosso amigo e, quando o
puxaram para o navio, o tubarão (ou tubarona) deu um enorme salto que foi aproveitado
pelo Tito, que logo lançou uma enorme fateixa prendendo o tubarão, que também não
tardou a ser içado para o convés do Cuco. Quem não se calava, era o von Trina que
exigia falar urgentemente com a Drª. Célia. Infelizmente (para ele) a Célia não se
encontrava em casa, pois estava a defender um caso, em tribunal.
Quando estavam a preparar o
tubarão para ser cozinhado, encontraram ovas o que logo a Imediata murmurou entre dentes:
"Bem me parecia a mim que era uma "tubarona" ...".
Enquanto o Cozinheiro recuperava,
nos seus aposentos daquela dramática situação. A Rosélia e a Margarida foram cozinhar
o tubarão que, com a fome que todos estavam, foi quase todo devorado. Até "Mi
Burro" comeu as barbatanas e as espinhas ...".
7º
Dia de Navegação: "O Cozinheiro von Trina continua cheio de pieguice, o
que não será estranho os cuidados que a Imediata tem tido para com ele. Como não
existem medicamentos anti-depressivos no Navio Cuco, a Cristina tem feitos uns unguentos
com ervas sagradas para lhe untar todo o corpo e umas rezas para o tranquilizar,
dizendo-lhe (só para o animar) que lhe foram perdoados todos os enormes pecados que ele
tem feito cá pela terra. E ele, segundo parece, está a acreditar que é um novo
"velho ladrão". Já tentei entrar em contacto com a Drª. Arlinda Lamêgo (a
medica responsável pela saúde no Cuco), mas só de pensar que ela poderá estar
comprometida com o programas do Ministro da Saúde de Portugal, desisti da ideia. Do apelo
que fizemos ao amigo Baçan, ainda nem sequer recebemos a resposta. E o tubarão está
quase todo devorado, e a preocupação com a falta dos mantimentos, mantém-se. Vou
ampliar o pedido de auxílio a todos os excursionistas brasileiros, que ainda estão em
terra".
8º
Dia de Navegação: " Mais um dia de mar calmo mas de estômagos vazios. Só
tivemos uma resposta aos nossos apelos, da querida amiga Marcia Smith, que nos mandou o
seu sentimento de estar connosco (com fome), mas que não nos mandou (nem nos deu
esperança de mandar) qualquer tipo de alimento. Agradecemos do coração, muito embora,
os nossos estômagos não possam agradecer. Falei hoje com o Coordenador de Carlos,
solicitando-lhe a sua ajuda efectiva, pois sem ajuda exterior, não será possível
prosseguir a viagem. Embora delicadamente, respondeu que é um simples Coordenador e está
ali só com a missão de observação. Remeteu-me para o Prof. Caco Pedra que também não
resolveu nada, dizendo: "Comandante, a esperança é a última coisa a perder. Para
mais, ainda existe o "Mi-Burro", e no Atlântico, não existe nenhuma
delegação da Sociedade Protectora de Animais". Vamos aguardar até amanhã de
manhã para ver se a situação se modifica. Entretanto, começo a pensar no
"Mi-Burro" ..."
9º
Dia de Navegação: "Ainda não tinha soado o apito da alvorada, quando o
telegrafista Humberto anunciou: "Do Telegrafista a toda a Tripulação: De Vitória,
Estado do Espírito Santo, recebemos da Arneyde Marcheschi, a seguinte comunicação:
"Amigos calma!!!! Estou mandando por um helicóptero (Garoto) um sortimento pra
vocês de massas congeladas que preparei ontem e um barril de cachaça do meu
tio...canunha especialissima.. mas cuidado com a nossa chuquinha........( a nossa Pilota
garrafinha que adora pinga)..senão não vai dar ate eu
chegar.....kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkke olhem os molhos tão fresquinhossssssssss os
tomates são da minha horta e o Baçan vai mandar agora pra vocês um pouco de frutas
frescas... aguardem por favor e mantenham a calma. beijinhos ternos e meu sorriso
ARNEYDE". Toda a tripulação se levantou não esperando pelo apito da alvorada.
Todos se espalharam pelos convés do Navio, na esperança de verem o helicóptero.
Passaram-se algumas horas, e de helicóptero nem sombras.
Começámos a pensar que a localização que a
Pilota garrafinha deu ao helicóptero, provavelmente, não estariam correctas. Mas
estavam, pois os motores do helicóptero começaram a serem ouvidos e, minutos depois
apareceu. O piloto ainda tentou aterrar na piscina do CUCO, mas não foi possível pois a
piscina estava cheia de água. Por isso, resolveu soltar o oleado com embalavam os
mantimentos, dentro da mesma piscina, molhando todo o pessoal e provocando uma grande
descontrolo no navio. Alguns ainda chamaram "nomes bonitinhos" ao piloto, por os
ter molhado, mas este com um aceno de adeus, afastou-se direito à base. A embalagem foi
logo retirada da piscina e, quando a Imediata viu os tomates, ficou delirante: "Ai,
tomates frescos ! Há quanto tempo não tinha o privilégio de os comer, para mais, estes
são de horta de pessoa conhecida !". Foi um momento de alegria, em que esses
mantimentos foram devorados em pouco tempo. O Cozinheiro von Trina não esteve presente
quando da divisão dos alimentos, mas, mais tarde foi encontrado na cozinha, a assar umas
postas de bacalhau ..."
10º
Dia de Navegação: "O mar está picado e o vento está forte, mas a
previsão meteorológica, anuncia melhoria para a tarde. A chuva também está a ajudar a
limpar o Navio Cuco, pois, com estes períodos de fome, a tripulação se relachou um
pouco com as limpezas. Até a Fofoqueira da Rosélia, alegando que não queria sujar as
mãos, atirou ao mar os pratos que estavam sujos. Tive que lhe dar um castigo:
"Proibida de bisbilhotar durante 24 horas". O que para ela foi terrível e, num
momento de desespero, tentou atirar-se ao mar. Mas estávamos outra vez com problemas de
mantimentos. A todo o momento perguntávamos ao Humberto se ele não tinha recebi nova
comunicação de envio de mais comida. Mas o mau tempo também não era nada favorável
para a deslocação de qualquer helicóptero. A Imediata Cristina, deve andar com visões,
pois afirma que viu o Nepturno (com tridente e tudo) no meio do Atlântico, e que lhe
acenou e mandou-lhe um beijinho. Enfim ... Mas ninguém a desmentiu, e ela ficou muito
contente pelo facto. O tempo levantou e todo o mundo foi para os convés procurando ver
chegar o helicóptero que a nossa querida Maria Nascimento no tinha prometido e que já
devia ter levantado voo do Calçadão do Rio de Janeiro, em Copacabana. Já quase ao
findar do dia, recemos uma comunicação via rádio da Maria Nascimento: " À
Tripulação do Navio CUCO:
Desejo a vocês, que se encontram
em rotas internacionais à bordo do "CUCO" que estejam com saúde e fazendo um
esforço sobrenatural para não desmaiarem de inanição enquanto nós, os passageiros em
trânsito para Macapá, enviaremos os mantimentos e a água que vocês tanto necessitam.
Como autêntica alagoana, vou
enviar toneladas de crustáceos e moluscos, ( camarão, ostra, maçunim, lagosta, sururu
etc.), recomendando muita cautela para o seu uso exagerado, uma vez que seu preparo é
feito com leite-de-coco, que não é utilizado por muita gente, tendo em vista o seu alto
teor de gordura.
Na bagagem seguirá também
leite-de-coco, coentro, jerimum, que combina muito com frutos do mar, água potável em
abundância, arroz, feijão preto, açúcar e sal, na certeza de que minha doação será
de grande utilidade.
No entanto, recomendo ao nosso
querido Coordenador, CARLOS LEITE RIBEIRO a não chegar nem perto das iguarias feitas com
moluscos e crustáceos, uma vez que ainda se encontra em recuperação da cirurgia a que
se submeteu recentemente. E, segundo à teoria nordestina, eles são
"carregados", isto é, são reimosos, impróprios para o uso por quem está
dodói.
Solicito ao nosso Telegrafista,
HUMBERTO SANTA, acusar, telegraficamente, tão logo seja esvaziado o helicóptero, o
recebimento dos produtos, cujo endereço para remessa é : Sra. Caco de Calçadão de
Copacabana, Calçadão de Copacabana - Copacabana, Rio de janeiro - RJ. Brasil.
Com a minha singela contribuição
envio um grande abraço para todos os tripulantes, almejando muito sucesso para o "
CUCO " que se encontra nos Mares da Ventura, transportando uma pleiade de "
Cucas privilegiadas ", que muito engrandecem e são motivo de muito orgulho para o
nosso querido PORTAL "CÁ ESTAMOS NÓS".
Maria Nascimento Santos
Carvalho"
Foi uma grande alegria para toda a
malta tripulante do Navio "Cuco" quando recebeu esta mensagem. Íamos ter
novamente comer ! Desta vez, o piloto (que por acaso era pilota) do helicóptero, teve de
largar o fardo em pleno mar aberto, o que deu trabalho acrescido para o içar para bordo.
A Rosélia, o von Trina e o "Mi-Burro", movidos talvez por uma combinação à
revelia, dos outros elementos da tripulação, açambarcaram logo todas as lagostas e as
guardaram nos seus aposentos. Isto de camaradagem, já deu o que tinha a dar. Foi uma
noite de farra, onde a Imediata e o von Trina deram aso aos seus "jograis". Já
estava a amanhecer, quando regressaram aos seus camarotes, visivelmente bem dispostos, bem
comidos e melhor bebidos".
11º
Dia de Navegação: - O tempo piorou muito nas últimas horas, o que deu enjoos
na tripulação. Uma das que sofreu mais com esta situação, foi a Fofoqueira Rosélia,
que até confidenciou à Imediata Cristina, que estava com medo de estar grávida. A
Pilota tem estado no seu posto durante horas e horas, mas a preocupação da tripulação
é que ela a todo o momento poderá esgotar todo o stock de cachaça, whisky, Cachaça e
até de Caipirinha. O tempo melhorou um pouco a meio da tarde, quando recebemos um rádio
da Gislaine Canales: "Para a tripulação do Navio Cuco, em viagem atlântica rumo ao
Litoral do Brasil!
Estou chegando de helicóptero com
muita bolacha, lasanha e Vinho do Porto! Me aguardem! Vou ficar com vocês. Me aceitam, no
meio do oceano? Beijos para todos! Gislaine". Antes de receber a resposta, já a
Gislaine estava a bordo do Cuco, perguntando a todos : "Não vim estorvar nada, pois
não ? Até sou bem vinda a bordo, não sou ?". Claro que com um sorriso amarelo,
todos disseram que ela era muito bem vinda. O pior, é que ela acreditou ... Mas ao fim e
ao cabo, a Gislaine trazia muitos apontamentos sobre Macapá e Amapá. Valha-nos isso. Já
era noite quando se levantou uma grande tempestade tropical, o que de certeza vai atrasar
a nossa chegada a Macapá".
12º
Dia de Navegação: "Logo após a alvorada, avistámos a Ilha de Marajó,
portanto, já muito perto de Macapá. Foi uma enorme alegria para todos. Contornámos esta
ilha, mas depois teríamos de passar por outras mais pequenas e, como o mar estava com
ondulação muito alta e o vento era forte, resolvemos ancorar, não muito logo de
Marajó. Entretanto, recebemos um rádio dos nossos amigos Abílio e Luíza: "
Comandante Manuela Madeira: A Luiza está providenciando um prato típico de Minas, o
feijão tropeiro, acompanhado de alguns litros da boa cachaça mineira (artesanal).
Enviaremos de helicóptero, a tempo de reforçar os mantimentos, tão necessários a esse
grupo de elite. Um grande abraço amigo, Abilio/Luiza".
Quando recebemos a encomenda destes
nossos amigos, logo assaltámos o manjar, pois, na tripulação só a Pilota conhecia o
feijão tropeiro, que achámos delicioso, talvez também por estarmos com muita
fome". A Pilota, ficou radiante com a cachaça e até queria fazer o restante da
viagem, o que eu, como Comandante, recusei logo, pois era muito perigoso com aquele estado
de tempo. Depois da refeição, fomos jogar "à bisca" para o bar, e não foi a
feijões, pois ainda consegui arrecadar uns "cobres" (grana, cacau, dinheiro). A
Gislaine foi a única que conseguiu adormecer profundamente (e a ressonar), o que levou
alguns tripulantes a pedir que se ligasse os motores, para atenuar aquele ruído. De
Londrina, Estado do Paraná, foi recebida uma mensagem via rádio, da nossa querida Flóra
Cavalcanti: "Comandante Manuel Madeira - Coordenador Carlos Leite Ribeiro - Editor
Baçan - Excursionistas - Tripulação do Navio Cuco: Eu gostaria de fazer uma linda
decoração no Navio aqui no Brasil, aceita esta sugestão? melhor, a Manela será que
deixa a gente deixa-lo em estado de luzes e flores? O que acham?
Imaginem: Em cada camarote, (que
acredito eu que será individual... risoss, já imaginou dormir com alguém que
ronca?...hahahaha.. Vai que tem gente que ronca a noite toda, então cada um no seu
camarote.) Então em cada camarote na cabeceira da cama, vou colocar uma caixinha bem
linda com Trufas e com laços dourados na caixinha, terá uma dedicatória e será
personalizada, isso é muito "chique", imagine? Bem no salão principal do
navio, logo na entrada, colocar um painel de 2.50X 300 Mts. decorado com rosas champanhe,
heras, margaridas brancas, fios de junco e tango amarelinho, e no centro dele, um tecido
de cetim salmão com outro bege pelo lado, dando um toque romântico. Ao centro na frente
do painel em cima do pano, uma mesa de suporte com uma linda toalha de renda portuguesa
rebordada ao centro, e sobre ela lembrancinhas desta viagem, por exemplo, livros, poemas,
alguma peça de artesanato e outras coisas que cada um coloque ali para o outro amigo
levar para si. Os poemas podem ser escritos em algum papel florido, ou em disquete, ou
CDs. No centro desta mesa, vou colocar um bouquet alto decorado somente com rosas
champanhe e no meio do arranjo uma vela acesa, dando uma suavidade ao ambiente. Isso é
logo na entrada. Cada uma das mesas do salão, terá um arranjo combinado com as rosas da
entrada, com toalhas brancas cobrindo tudo e uma salmão pequena por cima.
Num dos salões, onde a gente pode reunir para trocar idéias, contar piadas, falar sobre
literatura, talvez um colóquio sobre poemas e poesias, para ficar em clima de
despojamento, a gente decorar com uns quatro candelabros grandes, com algumas telas,
livros espalhados em vários pontos, tudo bem despojado, num ambiente acolhedor com
almofadas ao chão, tapetes, poltronas bem antigas. Uma viagem aos sentimentos da escrita.
Pura meditação a criatividade de ler e escrever". Em resposta, dei a minha
autorização para esta decoração, que muito vai alindar o nosso Navio CUCO. O tempo
melhorou substancialmente e dei ordem para avançarmos até Macapá. Passámos
cuidadosamente por entre várias ilhas, e por fim lá veio o grito: Macapá à vista !
Amarámos ao cais e amarrámos muito bem o Cuco. Combinámos a alvorada para o meio-dia e
fomos descansar para os camarotes".

Como alguns excursionistas chegaram a Macapá
Baçan
Para chegar a Macapá, vou tomar um
avião em Londrina/PR, viajar até São Paulo/SP, onde tomo um outro avião com destino a
Belém/PA. Uma vez lá, tomarei um barco que contornará a Ilha de Marajó, pelo Oceano
Atlântico, com destino a Macapá.
Um abraço
Baçan
Henriette Effenberger
Para chegar à Macapá! : Pegarei
um avião no aeroporto Internacional de Guarulhos e descerei em Macapá para receber os
"de além-mar". Que todos a bordo se preparem pois sou a tesoureira do grupo e
até agora não vi a cor do "din-din". Não por acaso estão sem provisões,
ninguém pagou nada como poderia o Von Trina providenciar as compras? Que no caminho se
ajeitem com peixe, quando chegarem aqui e efetuarem os devidos pagamentos passarei um
pouco do dinheiro para o VON Trina providenciar as compras para a segunda parte do
percurso.
Não se esqueçam que é de praxe a
tesoureira ficar com 10% do total arrecadado a título de seguro-fidelidade. Preciso
também da relação completa das pessoas que estarão a bordo, para o devido pagamento da
tripulação.
Outra coisa: É de suma
importância que o pagamento seja efetuado em moeda corrente ( euro ou real), não se
aceitarão prosas e versos para o pagamento da dívida.
Da tesoureira do Cuco - Henriette
Effenberger
MALOU
Pegarei um vôo para Macapá saindo
do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Imagino que deva ser pelo menos 5 horas de
viagem.
As minhas malas já estão prontas
, incluindo material de desenho e pintura além de máquina digital e filmadora para
registrar essa incrível viagem a bordo do Cuco . Não vejo a hora de encontrar todos os
amigos!
beijão com carinho da
Malou
Flóra Cavalcanti
Carlitos, o jeito que eu chegarei a
Macapá, é bem rapidinho, daqui de Londrina vai a São Paulo, em (Guarulhos)de lá um
vôo para Macapá.
Flóra Cavalcanti
Nilson Pereira
Como sou de Santa Catarina,
sobrevoei todos os demais estados brasileiros que costeiam a orla marítima, menos o Rio
Grande do Sul. Uma olhadinha no mapa ajuda a entender.
Como não há vôo direto, a partir
de Araranguá, fui de carro até a capital e tomei o avião, em Florianópolis, deixando a
mulher com os filhos que lá residem.
Em Macapá, adquiri, em uma loja,
traje de gaúcho, somente para fazer uma brincadeirinha com os amigos.
Ao nos encontrarmos, reconheci
algumas figuras que trocaram fotos comigo, via Internet.
O interessante é que, ao vivo, as
pessoas são diferentes do que imaginamos.
Quando lemos o que escrevem,
concebemos uma imagem que não bate com a figura real.
Outrossim, as fotos não mostram o
interior das pessoas que contém os aspectos que realmente importam.
Foi um enorme prazer conhecer todos
vocês.
Abraços do
Nilson
Arneyde
Bem, da minha cidade Vitória - E. Santos
situada no sudeste do Brasil terei que pegar um avião para chegar ao meu destino e
encontrar com vocês meus queridos. mas essa viagem é um pouco longa, pois corta que
quase todo o Brasil e passarei por diversas cidades lindas, como Ilhéus. Salvador.
Alagoas. Recife. Paraiba. Natal. Maranhão- Amazonas..
Levarei comigo postais para
distribuir para os amigos que ainda não tiveram oportunidade de conhecer esse maravilhoso
Brasil. Vou partir com minha câmara digital e, em cada porto que chegar mandarei minas
fotos para vocês, acompanhadas de muito amor e carinho, e ansiosa para encontrar essa
tripulação linda, do meu navio do Amor (Navio CUCO), e doididnha para chegar e
abraça-los
beijinhos ternos mamma Arneyde
Arneyde!!! Amigos excursionistas do
"CUCO":
Acabo de ter uma idéia! Já que
moro tão perto da Arneyde, será que não podemos ir juntas?
O que acha, Arneyde? Passo o caso
à sua apreciação!
Como nasci em Recife, posso também
visitar minha terra natal, onde tenho muitos parentes, e matar as saudades.
Só ronco um pouquinho, caso
tenhamos que dividir acomodações em hotel, mas dizem que é suportável. Se você se
importar com isso providenciarei tampões de ouvido.
Bom, também tenho alguns hábitos
horríveis, durmo às 4 da manhã e acordo às 2 da tarde.
Logicamente que durante o percurso
até Macapá terei de alterar "levemente" estes hábitos, o que me fará ficar
com um humor azedo, todos os dias, até que cheguem as 2 da tarde.
Mas, no mais, acho que poderemos
ser boas companheiras de viagem.
Como de tudo, especialmente...como
tudo, portanto é melhor pedir com fartura, nos restaurantes. Tudo o que estiver sobre a
mesa. Gasto umas três horas no desjejum, principalmente se o hotel tiver aquela mesa
enorme....( ai, pecado da gula...), vou e volto lá reabastecendo umas quantas vezes.
Bom, não demoro demais no banheiro
( quarto de banho?), tomo banho depressa e não faço bagunça.
Fico no aguardo para saber a
resposta da colega. Caso ela tenha por bem querer ir sozinha, retornarei, Carlos, com meu
itinerário.
Por enquanto é isso. Arneyde,
aguardo!
Carlos, um beijão e muita saúde!
P.S. Se a situação estiver muito
problemática aí no Cuco, em relação à comida, tenho uma sobrinha na Força Aérea,
que usando de seus amigos, talvez possa sobrevoar o navio e jogar uma carga emergencial de
caviar russo, bacalhau norueguês, uísque escocês e champanhe francesa, além de nozes,
frutas secas, e o que vocês, amigos, estiverem a precisar. Entendo que esta humilde
colaboração visa principalmente minimizar os problemas imediatos, portanto esta oferta
de gêneros de primeira necessidade. Não levem a mal...