Todos sentados no salão principal do Navio Cuco, para falarmos da terra que íamos
visitar. Todos os excursionistas escreviam notas sobre aquilo que ouviam. A Gislaine
Canales foi a primeira oradora, começando por se apresentar:
"Sou uma Professora aposentada
e é com grande prazer que faço parte desta excursão que vai conhecer o Litoral do meu
querido Brasil e, os nossos apontamentos vão correr mundo. Vou começar por falar da
cidade de Macapá. Outros oradores se seguirão:
Macapá
"Macapá, é
cidade brasileira, capital do Estado de Amapá, situada na margem esquerda do canal Norte
do Rio Amazonas. É o primeiro porto brasileiro, da exportação de minério de manganês.
Foi fundada em 1758, tornando-se capital do Estado em 1944; antes, em 1856, foi elevada a
cidade. Conserva uma fortaleza, construída entre 1764 e 1782, que é uma das maiores do
período colonial.
Está ligada por estrada de rodagem
ao importante porto de Santana e, por uma auto-estrada federal às cidades de Amapá,
Calçoene e Oiapoque."
A Flóra
Cavalcanti, já estava em pé pronta a falar :
"Sou Pintora/Decoradora. O meu Brasil é simplesmente fascinante!
"Macapá a capital do Amapá
fica localizada a 345 km de Belém do Pará. O nome é de origem tupi, com uma variação
de macapaba, que quer dizer lugar de muitas bacabas, um fruto de palmeira nativa da
região. Antes de chamar-se Macapá, o primeiro nome dado oficialmente a essa terra foi
Adelantado de Nueva Andaluzia, em 1544, por Carlos V, então rei da Espanha, numa
concessão a Francisco Orellana navegador espanhol que esteve por aqui."
A oradora
seguinte, foi a Luíza Helena:
"Meus queridos amigos, eu
também sou Professora aposentada, e é com enorme prazer que falo do meu Brasil, tão
brasileiro!
"A cidade não se encontra,
como os outros centros populacionais amazónicos, na embocadura de um rio navegável. A
evolução de Macapá não se prende com o controlo do comércio e circulação de um
vale. O pequeno igarapé onde se encontra a fortaleza, junto a cuja foz nunca foi uma via
de penetração, mas desempenhou sempre papel de abrigo de embarcações. Outra diferença
que apresenta Macapá em relação às demais cidades da região é que a terra firme
contígua se constitui de campos cerrados e não de uma cobertura florestal."
Em princípio, a
Marcia Smith não queria falar, mas perante a insistência dos amigas, acedeu por fim:
"Sou Astróloga, mas gosto sempre de
andar na Lua. Que lindo é o mau Brasil!
"Os cerrados formam ao longo do
litoral uma faixa mais ou menos contínua, que facilita o contacto entre as zonas mais
povoadas da costa. Desta forma, as comunicações terrestres assumem aí uma grande
importância no resto da Amazónia. A cidade de Macapá, encontra-se sobre um terreno
plano situado na extremidade de um amplo interflúvio disposto entre os rios Matapi e
Pedreira. A cidade é plana com traçado regular".
Foi a vez do
Nilson Pereira se levantar, para falar também de Macapá:
"Também sou Professor
aposentado, e tal como as anteriores oradoras, o meu Brasil para mim, é simplesmente
Maravilhoso!
"Macapá é a única capital no
Brasil, cortada pela linha imaginária do Equador. No Estádio Zerão, uma
particularidade: num jogo de futebol os jogadores trocam de hemisfério o tempo todo, a
linha do meio do campo também divide o mundo".

Seguidamente, foi
o Paulo Tamiazo chamado para falar da cidade de Macapá:
"Sou Vareador Camarário. Para
mim, o meu Brasil é um gigante (adormecido) em tudo!
"No monumento Marco Zero do
Equador, você também pode fazer isso, de um lado o Hemisfério Norte, do outro o
Hemisfério Sul. Nunca foi tão fácil mudar de hemisfério no Brasil. Aqui é um óptimo
lugar para ver o fenómeno do Equinócio, a passagem do sol sobre a linha do Equador. Isto
acontece nos dias 21 de Março e 23 de Setembro, quando as noites e os dias duram
exactamente 12 horas em qualquer lugar do planeta. O Equinócio marca o início de
diferentes estações nos dois hemisférios do planeta. No Sul é Primavera e no outro
lado ao Norte começa o Outono".
A seguir foi a
Regina Lyra:
"Sou Professora
Universitária, e amo demais o minha Pátria, o meu querido Brasil!
"As origens de Macapá,
prendem-se às lutas que os portugueses travaram no século XVll para expulsar da
embocadura do Amazonas, holandeses e ingleses. A cidade surgiu como um pequeno povoado em
torno do fortim de Santo António de Macapá, nome com que os portugueses o baptizaram,
depois de reformá-lo, o forte de Cumáu, tomado aos ingleses. Em 1758, o povoado foi
elevado a vila. Nessa época o fortim já se encontrava em ruínas".
A
Vilma Matos foi a oradora seguinte:
"Sou Pedagoga. O meu Brasil é
lindo! É maravilhoso! É fascinante !
"Foi no entanto, substituído
por uma nova fortaleza (Fortaleza de São João de Macapá), construída em 1771, segundo
o sistema Vauban (plano em forma que quadrado com baluarte pentagonal em cada ângulo, e
muralhas inclinadas para atenuar o impacto da artilharia inimiga). Em 1856, Macapá
recebeu a categoria de cidade, mas manteve-se na obscuridade até 1940, ano em que passou
a integrar o Território Federal do Amapá, criado em 1944, sendo escolhida para sua
capital. Muito contribuiu para a sua demografia, a exploração de manganês da serra do
Navio, que é exportado pelo porto de Santana, que fica nas proximidades de Macapá."
Depois de
falarmos da cidade que íamos visitar: Macapá, fizemos uma pausa para todos se
descontraírem, trocar impressões e beber uma bebida. A Fofoqueira Rosélia, aproveitou
para, surrateiramente, afixar um comunicado seu, numa das paredes do salão:
VIDAS
ALHEIAS - Por Rosélia Martins
Revista fofoqueira da mais
importante viagem do milénio CRUZEIRO do Navio CUCO
A não perder as suas bisbilhotices
Incorrendo na pena de ter de lavar
Toda a louça das jantaradas
2ªEdição
Durante a travessia do Atlântico,
com mar encrespado ocorreram alguns incidentes deveras dignos de uma boa bisbilhotice
VONVON NA COZINHA
Todo o pessoal sabe que o VONVON é
o mestre cozinheiro e despenseiro e também um bom garfo (ou como poderia manter todo
aquele presunto!) A certa altura faltou a ração a bordo e a tripulação viu-se a
braços com uma crise de subnutrição. Apelaram para terras do Brasil onde as nossas
amigas se encontravam já , com binóculos e prontamente enviaram mantimento
Mas o que se teria passado
entretanto, na cozinha. Fui espreitar pelo buraco da fechadura e liguei o télélecuco
Ei pessoal, nem queiram adivinhar a
cena rocambolesca que os meus ouvidos captavam (nham, nham, nham um tão bom nham, nham
,nham , unm ainda mais gostoso). Dentro em breve o VONVON DIZIA " É PÁ AGORA CHEGA
UM POUCO PARA LÁ ,QUE PRECISO RESPIRAR! ahhhhhhh Estás a ver assim é mais
confortável".
E lá continuava os tais sons
misteriosos. Pensei Vonvon aqui há gato! Ou melhor, aqui há estória e o pessoal com uma
destas laricas, ai safado, sempre na mesma. Não resisti e, devagar ,muito devagarinho ,
não fosse a cena ser perturbada, abri um pouco a porta. Um pouco mais... Ah já via o
barrete de cozinheiro do Vonvon e agora...que é aquilo? Ah é o casaco pendurado numa
cadeira. Bom não posso perder a oportunidade de apanhar o rapaz no seu devaneio. Abro a
porta mais e que vejo? Santo Deus! Quem diria tal Vonvon? Esta não lembrava a ninguém!
Sentado à mesa diante de um grande prato estava o mestre cozinheiro, sorvendo uma boa
dose de espaguete, carne, fruta...ena pá, o tipo está a devorar tudo E continuava nham a
nham nham... e a seu lado, sentado num fardo de palha, mi burro ajudando o mestre Vonvon a
comer o belo pitéu, com fios de palha de Abrantes. Foi o máximo! Não me contive e
desatei à gargalhada. Foi então que ele me viu e disse" és servida?"
-"Não muito obrigada!"-respondi!" Eu também não te dava Isto ainda é
pouco para mim"-retorquiu Von Trina. Fui espreitar a dispensa é só cheirava a
palha...
O Vonvon tinha comido tudo e só
restavam uns fardos de palha, que o mi burro, por ser mais vagaroso, ainda deixara por
precaução
"Olha garota, disse ele, mas
se não contares aos outros ainda te arranjo um pouco de caviar que tenho ali
escondido..."
O caviar desapareceu e a estória
do desaparecimento das refeições fica aqui narrada... Bisbilhoteira mas não é parva.
Entretanto, a hora
do almoço chegou, e fomos a terra almoçar no Restaurante Brasileirão, que fica na Rua
General Rondon. Durante o almoço, foi comentado que a turma brasileira tão alegre, ainda
não tinha cantado um samba. Para mais, sabemos que quando uma brasileira dança o samba,
até as unhas dos pés se mexem. O pessoal brasileiro ficou muito calado, olhando uns para
os outros, como se estivessem a combinar alguma coisa. No final e ainda no restaurante, a
Célia Lamounier levantou-se, procurou um pauzito, que lhe servia de batuta e gritou:
"Cantaaaaa Brasillll !!!". Todos se levantaram e a festa começou:
Canta Brasil
Samba /
Alcyr Pires Vermelho / David Nasser
"As
selvas te deram nas noites ritmos bárbaros... / Os negros trouxeram de longe reservas de
pranto... /
Os brancos falaram de amores em
suas canções... / E dessa mistura de vozes nasceu o teu pranto...//
Brasil,
Minha voz enternecida, / Já dourou
os teus brasões, / Na expressão mais comovida, /
Das mais ardentes canções...//
Também,
A beleza deste céu, / Onde o azul
é mais azul, / Na aquarela do Brasil, / Eu cantei de Norte a Sul, /
Mas agora o teu cantar, /
Meu Brasil quero escutar, / Nas
preces da sertaneja, / Nas ondas do Rio Mar, / Ôh, este Rio turbilhão, / Entre selvas e
rojão, / Continente a caminhar.//
No céu ! / No
mar ! / Na terra ! / Canta, Brasil !!!"
A
farra
tinha começado ! Seguidamente, a Maria Nascimento pegou na batura, gritando:
Brasil Pandeiro!!!
Samba
/ Assis Valente / 1ª Gravação feita pelo conjunto vocal Anjos do Inferno, na Gravadora
Columbia, em 1941.
"Chegou a
hora dessa gente bronzeada, / Mostrar seu valor, / Eu fui a Penha e pedi a padroeira, /
Para me ajudar, / Salve o morro do
vintém, / Pindura a saia que eu quero ver, /
O Tio-Sam tocar pandeiro, / Para o
mundo sambar.//
O Tio-Sam
está querendo, / Conhecer a nossa batucada / Anda dizendo que o molho da baiana, /
Melhorou seu prato, /
Vai entrar no cuscuz, acarajé e
abará, / Na Casa-Branca já dançou a batucada, / Com Ioiô e Iaiá... /
Brasil, Brasil, esquentai / vossos
pandeiros, / Iluminai os terreiros, / Está na hora de sambar.//
Há quem sambe
diferente, / Noutras terras, outra gente, / Num barulho de matar, oi, /
Batucada reuní vossos valores, /
Pastorinhas e cantores, / Expressões que não tem par, / Oh ! Meu Brasil, / Brasil,
esquentai vossos pandeiros, / Iluminai os terreiros, /
Que nós queremos sambar... ô, ô,
ô..." .
A malta
portuguesa, malandra como sempre, começou a dizer: "Esta turma brasileira, é muito
púdica e ainda não cantou nadinha malandreco...". Logo a Marisa Cajado reagiu:
"Galera! Vamos passar ao baião! Ai que já estou de Cabeça Inchada
Baião
Hervê Cordovil
"Eu to
doente, morena, / Doente eu to, morena, / Cabeça inchada, morena, / to, to e to. //
Ai, morena,
moreninha, meu amor, / Você diz que me namora, morena, / Mentira, morena, agora morena, /
Namora, não.//
(Já estou com
a cabeça inchada !!!...)
Ai morena,
moreninha meu amor, / Você diz que por mim chora, morena, / Mentira, morena, /
Não chora morena, / Não chora
não".
A festa estava a ficar muito boa e
muito quente, mas tínhamos que regressar ao Navio Cuco, para preparar a nossa visita a
Macapá. Mas todos prometeram que a festa continuaria noutra altura. Já a bordo, a
primeira oradora foi a Maria Nascimento:
"Sou Advogada, mas antes fui
Jornalista. Não encontro palavras que justifiquei o prazer de Falar do meu Brasil !.
Vamos começar a falar do:
ESTADO DE
AMAPÁ
"Fica
situado entre os Estado do Pará, a S e a W, a Guiana Francesa a Norte e o Oceano
Atlântico a E. Tem uma área de 140.276 Km2.
Pelo
Tratado
de Tordesilhas, em 1494, a região pertencia à Espanha. Entretanto, com a ocupação
de Portugal pela Espanha, entre 1580 e 1640 (60 anos !), permitiu que fosse explorada
tanto por portugueses como por espanhóis. Com o nome de capitania hereditária da Costa
do Cabo Norte, foi doada em 1637 ao português
Bento
Manuel Parente. Entretanto, os franceses, ingleses e holandeses estabelecidos nas
Guianas, invadiam com frequência entrando pelo estuário do Amazonas, o que obrigou os
portugueses a fundar o forte de Cumaú, com o nome de Santo António de Macapá".
Em seguida, a
convidada foi a Célia Lamounier:
"Sou Advogada. Gosto semias do meu
Brasil brasileiro! :
"Os ingleses foram logo
expulsos, mas os franceses prosseguiram com ataques e suas reivindicações sobre a
região. Em 1713, pelo
Tratado de Utrecht, a França
aceitou o rio Oiapoque (ou Vicente Pinzón) como fronteira entre os territórios franceses
e portugueses na América do Sul. Mas, como os franceses não respeitassem o tratado,
estendendo os seus domínios até ao Rio Araguari, Portugal resolveu construir a fortaleza
de São José do Macapá, povoando a região com colonos açorianos e marroquinos".
Foi a vez do Abílio Terra mostrar
os seus dotes oratórios:
"Sou Economista aposentado. Que
prazer sinto em falar do Brasil!
"No século XlX, a descoberta
de ouro, e mais tarde, a valorização da borracha, atraíram muitos colonos para Amapá.
Em 1856, Macapá foi elevada a cidade, o mesmo acontecendo com Mazagão, em 1889. Por
outro lado, os franceses, que ainda não haviam desistido da região, reivindicavam a
posse das jazidas de ouro e invadiram o povoado da Amapá. Foram rechaçados pelas tropas
comandadas por
Francisco Xavier
da Veiga Cabral. Para resolver definitivamente a questão, a França aceitou a
arbitragem internacional".
A Malou já
começava a dizer que ainda "matava um" se a não deixassem falar:
"Sou profissional de Belas
Artes. Brasil, meu querido torrão natal!
"Assim, em 1900, o presidente
da Suiça, Walter Hauser, que presidia à Comissão Internacional de Arbitragem, aceitou a
argumentação do representante do Brasil, o Barão do Rio Branco, e deu razão de causa
ao Brasil. Foi então criado, o território de Araguari, incorporado ao Pará, sendo
desmembrado em 1943, pelo Decreto 5.714, como nome de Território Federal de Amapá".
Calmamente, a
Marisa Cajado levantou-se e apresentou-se:
"Sou Professora aposentada.
Dou Graças a deus por ter nascido num país tão belo como a
Brasil!
"O relevo do Estado do Amapá,
apresenta altitudes médias abaixo dos 300 m, embora chegue a mais de 500 m na serra de
Tumucumaque, na fronteira com a Guiana Francesa. No litoral há numerosos lagos e o
terreno é alagadiço. Os principais rios são o Jari, na fronteira com o Pará, o
Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, o Cassiporé, o Calçoene e o Araguari. O
rio Amazonas banha o SW do Estado".
Muito distraída
estava a Arlinda Lamêgo, quando foi chamada para falar do Estado do Amapá:
"Sou Médica e, muito
orgulhosa de ser brasileira !:
"O Estado do Amapá é cortado
pela linha do Equador, o que determina um clima quente, húmido e chuvoso, com médias
anuais entre 25 e 26o C e, índice de chuvas de 2.500 mm. A floresta tropical cobre quase
todo o território, com manchas de cerrados e campos a E".
A Arneyde já
estava um pouco nervosa, pois nunca mais era chamada. Foi roendo as unhas, mas por fim
chegou a sua vez:
"Sou Professora aposentada.
Era incapaz de viver noutro país, que não fosse o Brasil!
"A base da sua economia é a
extracção de manganês, concentrada na serra do Navio. As jazidas foram descobertas em
1945 e foram calculadas em 30.000.000, sendo este Estado, o maior produtor
brasileiro".
Por último
chegou a vez da Henriette:
"Sou Bancária aposentada.
Céu. Terra e o Brasil!
"Também possui grandes
reservas de ferro e petróleo (a 80 Km da costa); e também ouro, cassiteria, tantalita e
columbita. No extrativismo vegetal merecem citação a produção de borracha,
castanha-do-pará e madeira. Na agricultura, o predomínio de mandioca, cana-de-açúcar,
arroz, feijão e milho. Na pecuária, destacam-se os rebanhos bovinos e de suínos".

Nestes textos falámos de:
Tratado de Tordesilhas - «A 7 de Junho de
1494, os procuradores de D. João II, rei de Portugal, e de Fernando e Isabel, reis de
Aragão e Castela, assinaram na vila de Tordesilhas dois tratados com amplas repercussões
nos destinos ibéricos, mormente no que era para os finais do século XV uma das linhas de
acção fundamentais para qualquer das partes: a expansão para fora do quadro peninsular.
Do lado português estiveram presentes Rui de Sousa, senhor de Sagres e Beringel, o seu
filho João de Sousa, almotacém-mor, e Aires de Almada, vedor dos feitos civis na corte e
do desembargo real: a embaixada era secretariada por Estêvão Vaz e tinha como
testemunhas João Soares de Siqueira, Rui Leme e Duarte Pacheco Pereira. Por parte de
Castela e Aragão participaram o mordomo-mor D. Henrique Henriquez, D. Gutierre de
Cárdenas, comendador-mor, e o Dr. Rodrigo Maldonado; secretariados por Fernando Álvarez
de Toledo, levavam como testemunhas Pero de Leon, Fernando de Torres e Fernando Gamarra».
O primeiro Tratado de Tordesilhas «traduziu-se numa repartição de esferas de
influência no espaço atlântico e nas conquistas ultramarinas. Da sua leitura extraímos
os seguintes passos fundamentais: a) Seria traçada uma linha divisória de pólo a pólo
distante 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde, para oeste, pertencendo a parte
ocidental a Espanha e a oriental a Portugal; b) Uma delegação de igual número de
astrónomos, pilotos e marinheiros de ambas as nacionalidades devia fixar essa linha no
prazo de dez meses; c) Garantia-se aos navegadores espanhóis o direito de passagem para
ocidente, mas só esse; d) Uma vez que estava então em curso a segunda viagem de
Cristóvão Colombo, estipulava-se que seriam de soberania espanhola as terras por ele
achadas até 20 de Junho para lá de um limite de 250 léguas a oeste de Cabo Verde,
revertendo a favor de Portugal quaisquer descobertas feitas dentro desse limite ou depois
dele mas efectuadas em data posterior àquela e até ao semimeridiano definitivo das 370
léguas, único a considerar depois de 20 de Junho; e) Os contratantes comprometiam-se a
não recorrer ao «Santo Padre nem a outro nenhum legado ou prelado» para alterar estas
disposições, antes se pedia ao papa que as ratificasse na sua exacta forma» (in
Dicionário de História dos descobrimentos portugueses, vol. II - Minuta original do
Tratado de Tordesilhas 7 de Junho de 1494".
Primeiro Tratado de Utrecht
- 11 de abril de 1713
Dom Joam, por graça de Deos Rey de
Portugal, . . .
Faço saber aos que esta minha
Carta virem, que havendo todas as Potencias que concorreram para a presente guerra,
concordado em que na Villa de Utrecht se formasse hum Congresso de todos os
Plenipotenciarios dellas, para nelle se conferirem os pontos, e meios proporcionados para
pôr fim às hostilidades . . . concordaram e ajustaram hum Tratado de Paz entre as Coroas
de França e de Portugal, pela maneira seguinte:
EM NOME DA SANTISSIMA TRINDADE
Havendo a Providencia Divina
disposto os animos do muito Alto e muito Poderoso Principe Luis XIV, pela graça de Deus
Rey Christianissimo de França . . . do muito Alto poderoso Principe Dom João o V, pela
graça de Deos Rey de Portugal, . . . convieram nos artigos seguintes:
ART. I
Haverá huma Paz perpetua, huma
verdadeira amizade, e huma firme e boa correspondencia entre Sua Magestade
Christianissima, seus Descendentes, Sucessores e Herdeiros, todos seus Estados e
vassallos, de huma parte, e Sua Magestade Portuguesa, seus Descendentes, Sucessores e
Herdeiros, todos seus Estados e vassallos, da outra, . . .
ART. II
Haverá de huma e outra parte hum
inteiro esquecimento de todas as hostilidades, . . .
ART. III
Todos os prisioneiros de guerra,
por huma e outra parte se restituirão promptamente, . . .
ART. IV
. . .
ART. VIII
A fim de prevenir toda a occasião
de discordia, que poderia haver entre os vassallos da Coroa de França e os da Coroa de
Portugal, Sua Magestade Christianissima desistirá para sempre, como presentemente desiste
por este Tratado pelos termos mais fortes . . . qualquer direito e pretenção que póde,
ou poderá ter sobre a propriedade das Terras chamada do Cabo do Norte, e Situadas entre o
Rio das Amazonas e o de Japoc ou de Vicente Pinsão, sem reservar, ou reter porção
alguma das ditas terras, para que ellas sejam possuidas daqui em diante por Sua Magestade
Portugueza . . .
ART. IX
Em consequencia do Artigo
precedente, poderá Sua Magestade Portugueza fazer reedificar os fortes de Araguari e
Camaú, ou Massapá, e os mais que foram demolidos em execução do Tratado Provisional
feito em Lisboa aos 4 de Março de 1700 . . .
ART. X
Sua Magestade christianissima
reconhece pelo presente Tratado, que as duas margens do Rio das Amazonas, assim Meridional
como Septentrional, pertencem em toda a Propriedade, Dominio e Soberania a Sua Magestade
Portuguesa, e promette que nem elle nem seus Descendentes, Successores e Herdeiros farão
jamais alguma pretenção sobre a Navegação e uso do dito Rio, com qualquer pretexto que
seja.
ART. XI
Da mesma maneira que Sua Magestade
Christianissima desiste em seu nome, e de seus Descendendtes, Successores e Herdeiros, de
toda a pretenção sobre a Navegação e uso do Rio das Amazonas, cede de todo o direito
que pudesse ter sobre algum outro Dominio de Sua Magestade Portuguesa tanto na America,
como em outra parte do mundo.
ART. XII
E como he para recear que haja
novas dissenções entre os Vassalos da Coroa de França e os da Coroa de Portugal, com a
occasião do Commercio, que os moradores de Cayena podem intentar no Maranhão e na
entrada do Rio das Amazonas, Sua Magestade Christianissima promette por si, seus
Descendentes, Successores e Herdeiros, que não consentirá que os ditos moradores de
Cayena, nem quaesquer outros seus Vassallos vão commerciar nos lugares acima nomeados, e
que lhes será absolutamente prohibido passar o Rio de Vicente Pinsão, para fazer
commercio, e resgatar escravos das Terras do Cabo do Norte, como tambem promete Sua
Magestade Portugueza por si, seus Descendentes, Successores e Herdeiros, que nenhum dos
seus Vassallos irão commerciar a Cayena.
ART. XIII
. . .
ART. XIX
As ratificações do presente
Tratado, dadas em boa, e devida forma, se trocarão de ambas as partes dentro do termo de
50 dias a contar do dia da assignatura, ou mais cedo se for possivel.
Em fé do que, e em virtude das
Ordens, e Plenos poderes que nós abaixo assinados recebemos de nossos Amos, El Rey
Christianissimo, e El Rey de Portugal, assinamos o presente Tratado e lhe fizemos pôr os
sellos de nossas Armas. Feito em Utrecht a 11 de Abril de 1713.
(L.S.) Huxelles. ______________
(L.S.) Conde de Tarouca.
(L.S.) Menages. ______________
(L.S.) Dom Luis da Cunha
Francisco Xavier da Veiga Cabral
(Cabralzinho) - No dia 1 de maio de 1895, na então pequena vila de Amapá,
Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, rechaçou uma invasão francesa ao
comando do capitão Lunier. Este fato foi o mais radical da questão do Contestado do
Amapá, que foi resolvido somente cinco anos mais tarde, através de arbitragem
internacional.
Isto aconteceu há 104 anos
(Estamos em 2000). Os franceses comandados por Lunier chegaram para obedecer às ordens do
governador de Caiena, Mr. Charvein, que queria a prisão imediata de Cabralzinho caso este
não colocasse em liberdade o "delegado" francês Trajano, que havia sido feito
prisioneiro do Exército Defensor do Amapá, uma força paramilitar comandada por
Cabralzinho.
Por ter defendido a vila de Amapá,
Cabralzinho foi consagrado herói nacional pelas Forças Armadas, que lhe deram o título
de General Honorário do Exército Brasileiro, e pela Maçonaria, a qual Cabralzinho era
membro.
Bento Manuel Parente - No período que precedeu
à conquista do Pará, em 1616 pelos portugueses, sabe-se que ingleses e holandeses faziam
comércio com os índios que habitavam a foz do Amazonas e, para assegurar seus
empreendimentos, construíram pontos fortificados naquele rio.
Entre os pontos fortificados,
criados pelos holandeses, achava-se o de Mariocaí, situado à margem direita do rio
Amazonas e no lugar onde hoje se encontra a sede municipal.
Em 1623, esse forte, foi arrasado
por Bento Manuel Parente, que se intitulava, nos documentos oficiais, Capitão-Mor da
Capitania do Pará e primeiro descobridor e conquistador de Gurupá e rios do Amazonas,
tendo fundado, no mesmo local de Mariocaí, o Forte de Santo Antonio de Gurupá que, pela
falta de conservação, acabou em ruínas e, apesar de várias tentativas de
reconstruí-lo, as obras não foram concluídas.
Na nossa visita à linda cidade de
Macapá, incluímos uma visita ao Lago Ambé localiza-se a 74 km de Macapá, na região
das pedreiras, constituída por campos, lagos e igarapés, que juntamente com a fauna e a
flora da Amazónia, formam um quadro paisagístico de beleza impar. O lago é bastante
visitado por praticantes de pesca desportiva, além de proporcionar banhos refrescantes
nas águas frias e um contacto directo com a natureza.

DADOS
SOBRE O ESTADO - Tirados do site Oficial de Amapá
Símbolos do
Estado - Decreto Nº 008, de 23 de Abril de 1984
A BANDEIRA
Representa
uma simbologia que procura identificar, de maneira figurativa, o passado do povo amapaense
representado pela figura geométrica da Fortaleza de S. José, motivo e origem da
evolução da cidade capital do Estado. Escolhida por uma comissão designada pelo
governador Anníbal Barcellos (Decreto nº 4, de 30 de janeiro de 1984), a Bandeira possui
formato retangular e é confeccionada a partir das cores azul, verde, amarelo e branco,
constantes na Bandeira Nacional, e o negro.
- O campo azul
simboliza a justiça e o céu amapaense;
- O verde representa 90% da área
do Estado, de floresta nativa, ainda preservada. Simboliza o verde também a esperança, o
futuro, o amor, a liberdade e a abundância
- O amarelo simboliza a união e as
riquezas do subsolo
- O branco a pureza e a paz, a
vontade do Estado do Amapá em viver com segurança e em comunhão com todos os que nele
vivem, significando ainda que a discórdia não pode ter guarida entre o Poder Público e
a População.
- O negro simboliza o respeito
permanente aos que tombaram no passado, em lutas ou não, e que em vida fizeram algo de
bom para o engrandecimento desta região
A feitura da Bandeira obedece às
seguintes regras básicas:
A largura é de 14 partes iguais, e
cada uma das partes será considerada uma medida ou um módulo. O comprimento é de 20
módulos
Traça-se uma linha partindo-se dos
vértices em ângulo de 45 graus. Paralelo a esta linha e a 0,5cm, considera-se o módulo
de 28x40cm, uma tarja preta de 0,5cm dos dois lados, deixando a faixa de 1 cm entre as
tarjas (de 0,5cm em cada).
O HINO ESTADUAL
O Hino do Estado
do Amapá é composto pelo poema denominado "Canção do Amapá", cuja letra é
de autoria de Joaquim Gomes Diniz e a música e arranjos do maestro Oscar Santos. A
adaptação é em Fá Maior, para canto e em Si Bemol para execução, por bandas de
música.
Canção
do Amapá
Letra de Joaquim Gomes Diniz
Música de Oscar Santos
Eia povo destemido
Deste rincão brasileiro.
Seja sempre teu grito partido
De leal coração altaneiro
Salve rico o torrão do Amapá
Solo fértil de imensos tesouros
Os teus filhos, alegres, confiam
Num futuro repleto de louros
Refrão
Se o momento chegar algum dia
De morrer pelo nosso Brasil
Hão de ver deste povo a porfia,
Pelejar nestes céus cor de anil
(Bis)
II
Heia povo herói, varonil
Descendente da raça guerreira
Ergue forte, leal, sobranceira,
A grandeza de nosso Brasil
Salve rico o torrão do Amapá
Solo fértil de imensos tesouros
Os teus filhos, alegres, confiam
Num futuro repleto de louros
Refrão
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O BRASÃO DE ARMAS
As
Armas Estaduais são compostas por um escudo laureado pelas cores azul e vermelho, que
retratam o antigo uniforme da Guarda da Fortaleza. A feitura das Armas Estaduais deve
obedecer às seguintes disposições:
I - Ao topo a
estrela branca e as arestas amarelas simbolizando o surgimento de mais um Estado da
Nação. A cor branca simboliza a pureza, a serenidade e paz. O amarelo nossas riquezas.
II - Logo abaixo, a faixa com os
dizeres "Aqui começa o Brasil".
III -Na parte superior do Brasão,
lados esquerdo e direito, são apresentadas as formas da Fortaleza de S. José de Macapá.
IV - Seguindo as laterais,
verificam-se as formas dos escudos nobres, até juntarem-se os lados, com retas e
semi-círculos de raios opostos, sendo que um dos raios internos dos que estão situados
do lado direito tem como ponto de partida a Capital do Estado.
V O Brasão é de ordem do
corte horizontal, sendo que este representa a linha divisória do hemisfério, ou seja, a
linha do Equador, com o seu marco 00 graus, 00 minutos e 00 segundos, localizado em
Macapá.
VI No interior tem-se o mapa
geográfico do Estado do Amapá, mostrando a riqueza de solos, dada a sua expansão no
espaço que ocupa da Federação. Sua cor amarela representa as riquezas minerais, no solo
e no subsolo. Simboliza, ainda, a união, a fé e a constância nos atos.
VII No centro do mapa tem o
amapazeiro, árvore que deu origem ao nome Amapá, por ser pomposa no seu porte e rica em
madeira de lei; seu leite, folhas e frutos serviam como medicamento e alimento aos
primeiros habitantes dessa terra. Sua cor verde-musgo representa a esperança, a fé no
futuro, o amor, a liberdade, a amizade, a abundância e a cortesia.
VIII ao pé do amapazeiro
apresenta o mesmo verde simbolizando, ainda, os nossos férteis campos agrícolas.
IX Abaixo da linha do
Equador, ou seja, ao corte nobre horizontal, enraiam-se vinte e cinco (25) arestas negras,
fazendo lembrar a convergência para um ponto comum no mapa do Estado, cuja cor simboliza
a honestidade vivida e pregada, a obediência à Lei e à autoridade, a desilusão, a
tristeza, a aflição e a morte.
X O Brasão é guardado
ainda, pelas palmas protetoras do amapazeiro e seus frutos. Os dois segmentos de palmas
são unidos por um laço branco, simbolizando a fita do Divino Espírito Santo (folclore
amapaense).
Estudo elaborado por
Edgar Rodrigues

Também
visitámos a linda Praia da Fazendinha distante cerca de 13 km de Macapá, onde se pode
saborear o camarão regional e praticar desportos náuticos.
Zarpámos e fomos
pelo Rio Amazonas direitos a Manaus. Vamos passar por Santarém (brasileiro) e vamos falar
do Santarém português, onde está sepultado Pedro Álvares Cabral, e que tem uma linda
lenda.