"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

MACAPÁ

A Caminho de Macapá

2ª PARTE

Falando da Cidade de Macapá e do Estado do Amapá

Editor:Carlos Leite Ribeiro

 

          Todos sentados no salão principal do Navio Cuco, para falarmos da terra que íamos visitar. Todos os excursionistas escreviam notas sobre aquilo que ouviam. A Gislaine Canales foi a primeira oradora, começando por se apresentar:
          "Sou uma Professora aposentada e é com grande prazer que faço parte desta excursão que vai conhecer o Litoral do meu querido Brasil e, os nossos apontamentos vão correr mundo. Vou começar por falar da cidade de Macapá. Outros oradores se seguirão:

         Macapá

         "Macapá, é cidade brasileira, capital do Estado de Amapá, situada na margem esquerda do canal Norte do Rio Amazonas. É o primeiro porto brasileiro, da exportação de minério de manganês. Foi fundada em 1758, tornando-se capital do Estado em 1944; antes, em 1856, foi elevada a cidade. Conserva uma fortaleza, construída entre 1764 e 1782, que é uma das maiores do período colonial.
          Está ligada por estrada de rodagem ao importante porto de Santana e, por uma auto-estrada federal às cidades de Amapá, Calçoene e Oiapoque."

         A Flóra Cavalcanti, já estava em pé pronta a falar :

         "Sou Pintora/Decoradora. O meu Brasil é simplesmente fascinante!
         "Macapá a capital do Amapá fica localizada a 345 km de Belém do Pará. O nome é de origem tupi, com uma variação de macapaba, que quer dizer lugar de muitas bacabas, um fruto de palmeira nativa da região. Antes de chamar-se Macapá, o primeiro nome dado oficialmente a essa terra foi Adelantado de Nueva Andaluzia, em 1544, por Carlos V, então rei da Espanha, numa concessão a Francisco Orellana navegador espanhol que esteve por aqui."

         A oradora seguinte, foi a Luíza Helena:
          "Meus queridos amigos, eu também sou Professora aposentada, e é com enorme prazer que falo do meu Brasil, tão brasileiro!
         "A cidade não se encontra, como os outros centros populacionais amazónicos, na embocadura de um rio navegável. A evolução de Macapá não se prende com o controlo do comércio e circulação de um vale. O pequeno igarapé onde se encontra a fortaleza, junto a cuja foz nunca foi uma via de penetração, mas desempenhou sempre papel de abrigo de embarcações. Outra diferença que apresenta Macapá em relação às demais cidades da região é que a terra firme contígua se constitui de campos cerrados e não de uma cobertura florestal."

         Em princípio, a Marcia Smith não queria falar, mas perante a insistência dos amigas, acedeu por fim:
         "Sou Astróloga, mas gosto sempre de andar na Lua. Que lindo é o mau Brasil!
         "Os cerrados formam ao longo do litoral uma faixa mais ou menos contínua, que facilita o contacto entre as zonas mais povoadas da costa. Desta forma, as comunicações terrestres assumem aí uma grande importância no resto da Amazónia. A cidade de Macapá, encontra-se sobre um terreno plano situado na extremidade de um amplo interflúvio disposto entre os rios Matapi e Pedreira. A cidade é plana com traçado regular".

         Foi a vez do Nilson Pereira se levantar, para falar também de Macapá:
          "Também sou Professor aposentado, e tal como as anteriores oradoras, o meu Brasil para mim, é simplesmente Maravilhoso!
         "Macapá é a única capital no Brasil, cortada pela linha imaginária do Equador. No Estádio Zerão, uma particularidade: num jogo de futebol os jogadores trocam de hemisfério o tempo todo, a linha do meio do campo também divide o mundo".

         Seguidamente, foi o Paulo Tamiazo chamado para falar da cidade de Macapá:
         "Sou Vareador Camarário. Para mim, o meu Brasil é um gigante (adormecido) em tudo!
         "No monumento Marco Zero do Equador, você também pode fazer isso, de um lado o Hemisfério Norte, do outro o Hemisfério Sul. Nunca foi tão fácil mudar de hemisfério no Brasil. Aqui é um óptimo lugar para ver o fenómeno do Equinócio, a passagem do sol sobre a linha do Equador. Isto acontece nos dias 21 de Março e 23 de Setembro, quando as noites e os dias duram exactamente 12 horas em qualquer lugar do planeta. O Equinócio marca o início de diferentes estações nos dois hemisférios do planeta. No Sul é Primavera e no outro lado ao Norte começa o Outono".

         A seguir foi a Regina Lyra:
          "Sou Professora Universitária, e amo demais o minha Pátria, o meu querido Brasil!
         "As origens de Macapá, prendem-se às lutas que os portugueses travaram no século XVll para expulsar da embocadura do Amazonas, holandeses e ingleses. A cidade surgiu como um pequeno povoado em torno do fortim de Santo António de Macapá, nome com que os portugueses o baptizaram, depois de reformá-lo, o forte de Cumáu, tomado aos ingleses. Em 1758, o povoado foi elevado a vila. Nessa época o fortim já se encontrava em ruínas".

         A Vilma Matos foi a oradora seguinte:
         "Sou Pedagoga. O meu Brasil é lindo! É maravilhoso! É fascinante !
         "Foi no entanto, substituído por uma nova fortaleza (Fortaleza de São João de Macapá), construída em 1771, segundo o sistema Vauban (plano em forma que quadrado com baluarte pentagonal em cada ângulo, e muralhas inclinadas para atenuar o impacto da artilharia inimiga). Em 1856, Macapá recebeu a categoria de cidade, mas manteve-se na obscuridade até 1940, ano em que passou a integrar o Território Federal do Amapá, criado em 1944, sendo escolhida para sua capital. Muito contribuiu para a sua demografia, a exploração de manganês da serra do Navio, que é exportado pelo porto de Santana, que fica nas proximidades de Macapá."

         Depois de falarmos da cidade que íamos visitar: Macapá, fizemos uma pausa para todos se descontraírem, trocar impressões e beber uma bebida. A Fofoqueira Rosélia, aproveitou para, surrateiramente, afixar um comunicado seu, numa das paredes do salão:

          VIDAS ALHEIAS - Por Rosélia Martins
          Revista fofoqueira da mais importante viagem do milénio CRUZEIRO do Navio CUCO
          A não perder as suas bisbilhotices
          Incorrendo na pena de ter de lavar
          Toda a louça das jantaradas
          2ªEdição
          Durante a travessia do Atlântico, com mar encrespado ocorreram alguns incidentes deveras dignos de uma boa bisbilhotice
         
VONVON NA COZINHA
          Todo o pessoal sabe que o VONVON é o mestre cozinheiro e despenseiro e também um bom garfo (ou como poderia manter todo aquele presunto!) A certa altura faltou a ração a bordo e a tripulação viu-se a braços com uma crise de subnutrição. Apelaram para terras do Brasil onde as nossas amigas se encontravam já , com binóculos e prontamente enviaram mantimento
          Mas o que se teria passado entretanto, na cozinha. Fui espreitar pelo buraco da fechadura e liguei o télélecuco
          Ei pessoal, nem queiram adivinhar a cena rocambolesca que os meus ouvidos captavam (nham, nham, nham um tão bom nham, nham ,nham , unm ainda mais gostoso). Dentro em breve o VONVON DIZIA " É PÁ AGORA CHEGA UM POUCO PARA LÁ ,QUE PRECISO RESPIRAR! ahhhhhhh Estás a ver assim é mais confortável".
          E lá continuava os tais sons misteriosos. Pensei Vonvon aqui há gato! Ou melhor, aqui há estória e o pessoal com uma destas laricas, ai safado, sempre na mesma. Não resisti e, devagar ,muito devagarinho , não fosse a cena ser perturbada, abri um pouco a porta. Um pouco mais... Ah já via o barrete de cozinheiro do Vonvon e agora...que é aquilo? Ah é o casaco pendurado numa cadeira. Bom não posso perder a oportunidade de apanhar o rapaz no seu devaneio. Abro a porta mais e que vejo? Santo Deus! Quem diria tal Vonvon? Esta não lembrava a ninguém! Sentado à mesa diante de um grande prato estava o mestre cozinheiro, sorvendo uma boa dose de espaguete, carne, fruta...ena pá, o tipo está a devorar tudo E continuava nham a nham nham... e a seu lado, sentado num fardo de palha, mi burro ajudando o mestre Vonvon a comer o belo pitéu, com fios de palha de Abrantes. Foi o máximo! Não me contive e desatei à gargalhada. Foi então que ele me viu e disse" és servida?" -"Não muito obrigada!"-respondi!" Eu também não te dava Isto ainda é pouco para mim"-retorquiu Von Trina. Fui espreitar a dispensa é só cheirava a palha...
          O Vonvon tinha comido tudo e só restavam uns fardos de palha, que o mi burro, por ser mais vagaroso, ainda deixara por precaução
          "Olha garota, disse ele, mas se não contares aos outros ainda te arranjo um pouco de caviar que tenho ali escondido..."
          O caviar desapareceu e a estória do desaparecimento das refeições fica aqui narrada... Bisbilhoteira mas não é parva.

         Entretanto, a hora do almoço chegou, e fomos a terra almoçar no Restaurante Brasileirão, que fica na Rua General Rondon. Durante o almoço, foi comentado que a turma brasileira tão alegre, ainda não tinha cantado um samba. Para mais, sabemos que quando uma brasileira dança o samba, até as unhas dos pés se mexem. O pessoal brasileiro ficou muito calado, olhando uns para os outros, como se estivessem a combinar alguma coisa. No final e ainda no restaurante, a Célia Lamounier levantou-se, procurou um pauzito, que lhe servia de batuta e gritou: "Cantaaaaa Brasillll !!!". Todos se levantaram e a festa começou:

Canta Brasil

         Samba / Alcyr Pires Vermelho / David Nasser

         "As selvas te deram nas noites ritmos bárbaros... / Os negros trouxeram de longe reservas de pranto... /
          Os brancos falaram de amores em suas canções... / E dessa mistura de vozes nasceu o teu pranto...//

         Brasil,
          Minha voz enternecida, / Já dourou os teus brasões, / Na expressão mais comovida, /
          Das mais ardentes canções...//

         Também,
          A beleza deste céu, / Onde o azul é mais azul, / Na aquarela do Brasil, / Eu cantei de Norte a Sul, /
          Mas agora o teu cantar, /
          Meu Brasil quero escutar, / Nas preces da sertaneja, / Nas ondas do Rio Mar, / Ôh, este Rio turbilhão, / Entre selvas e rojão, / Continente a caminhar.//

         No céu ! / No mar ! / Na terra ! / Canta, Brasil !!!"

         A farra tinha começado ! Seguidamente, a Maria Nascimento pegou na batura, gritando:

Brasil Pandeiro!!!

         Samba / Assis Valente / 1ª Gravação feita pelo conjunto vocal Anjos do Inferno, na Gravadora Columbia, em 1941.

         "Chegou a hora dessa gente bronzeada, / Mostrar seu valor, / Eu fui a Penha e pedi a padroeira, /
          Para me ajudar, / Salve o morro do vintém, / Pindura a saia que eu quero ver, /
          O Tio-Sam tocar pandeiro, / Para o mundo sambar.//

         O Tio-Sam está querendo, / Conhecer a nossa batucada / Anda dizendo que o molho da baiana, / Melhorou seu prato, /
          Vai entrar no cuscuz, acarajé e abará, / Na Casa-Branca já dançou a batucada, / Com Ioiô e Iaiá... /
          Brasil, Brasil, esquentai / vossos pandeiros, / Iluminai os terreiros, / Está na hora de sambar.//

         Há quem sambe diferente, / Noutras terras, outra gente, / Num barulho de matar, oi, /
          Batucada reuní vossos valores, / Pastorinhas e cantores, / Expressões que não tem par, / Oh ! Meu Brasil, / Brasil, esquentai vossos pandeiros, / Iluminai os terreiros, /
          Que nós queremos sambar... ô, ô, ô..." .

         A malta portuguesa, malandra como sempre, começou a dizer: "Esta turma brasileira, é muito púdica e ainda não cantou nadinha malandreco...". Logo a Marisa Cajado reagiu: "Galera! Vamos passar ao baião! Ai que já estou de Cabeça Inchada

Baião

Hervê Cordovil

         "Eu to doente, morena, / Doente eu to, morena, / Cabeça inchada, morena, / to, to e to. //

         Ai, morena, moreninha, meu amor, / Você diz que me namora, morena, / Mentira, morena, agora morena, / Namora, não.//

         (Já estou com a cabeça inchada !!!...)

         Ai morena, moreninha meu amor, / Você diz que por mim chora, morena, / Mentira, morena, /
          Não chora morena, / Não chora não".

         
          A festa estava a ficar muito boa e muito quente, mas tínhamos que regressar ao Navio Cuco, para preparar a nossa visita a Macapá. Mas todos prometeram que a festa continuaria noutra altura. Já a bordo, a primeira oradora foi a Maria Nascimento:
          "Sou Advogada, mas antes fui Jornalista. Não encontro palavras que justifiquei o prazer de Falar do meu Brasil !. Vamos começar a falar do:

         ESTADO DE AMAPÁ

         "Fica situado entre os Estado do Pará, a S e a W, a Guiana Francesa a Norte e o Oceano Atlântico a E. Tem uma área de 140.276 Km2.
          Pelo
Tratado de Tordesilhas, em 1494, a região pertencia à Espanha. Entretanto, com a ocupação de Portugal pela Espanha, entre 1580 e 1640 (60 anos !), permitiu que fosse explorada tanto por portugueses como por espanhóis. Com o nome de capitania hereditária da Costa do Cabo Norte, foi doada em 1637 ao português Bento Manuel Parente. Entretanto, os franceses, ingleses e holandeses estabelecidos nas Guianas, invadiam com frequência entrando pelo estuário do Amazonas, o que obrigou os portugueses a fundar o forte de Cumaú, com o nome de Santo António de Macapá".

         Em seguida, a convidada foi a Célia Lamounier:
         "Sou Advogada. Gosto semias do meu Brasil brasileiro! :
         "Os ingleses foram logo expulsos, mas os franceses prosseguiram com ataques e suas reivindicações sobre a região. Em 1713, pelo
Tratado de Utrecht, a França aceitou o rio Oiapoque (ou Vicente Pinzón) como fronteira entre os territórios franceses e portugueses na América do Sul. Mas, como os franceses não respeitassem o tratado, estendendo os seus domínios até ao Rio Araguari, Portugal resolveu construir a fortaleza de São José do Macapá, povoando a região com colonos açorianos e marroquinos".
         
          Foi a vez do Abílio Terra mostrar os seus dotes oratórios:
         "Sou Economista aposentado. Que prazer sinto em falar do Brasil!
         "No século XlX, a descoberta de ouro, e mais tarde, a valorização da borracha, atraíram muitos colonos para Amapá. Em 1856, Macapá foi elevada a cidade, o mesmo acontecendo com Mazagão, em 1889. Por outro lado, os franceses, que ainda não haviam desistido da região, reivindicavam a posse das jazidas de ouro e invadiram o povoado da Amapá. Foram rechaçados pelas tropas comandadas por
Francisco Xavier da Veiga Cabral
. Para resolver definitivamente a questão, a França aceitou a arbitragem internacional".

         A Malou já começava a dizer que ainda "matava um" se a não deixassem falar:
          "Sou profissional de Belas Artes. Brasil, meu querido torrão natal!
         "Assim, em 1900, o presidente da Suiça, Walter Hauser, que presidia à Comissão Internacional de Arbitragem, aceitou a argumentação do representante do Brasil, o Barão do Rio Branco, e deu razão de causa ao Brasil. Foi então criado, o território de Araguari, incorporado ao Pará, sendo desmembrado em 1943, pelo Decreto 5.714, como nome de Território Federal de Amapá".

         Calmamente, a Marisa Cajado levantou-se e apresentou-se:
          "Sou Professora aposentada. Dou Graças a deus por ter nascido num país tão belo como a Brasil!      
          "O relevo do Estado do Amapá, apresenta altitudes médias abaixo dos 300 m, embora chegue a mais de 500 m na serra de Tumucumaque, na fronteira com a Guiana Francesa. No litoral há numerosos lagos e o terreno é alagadiço. Os principais rios são o Jari, na fronteira com o Pará, o Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, o Cassiporé, o Calçoene e o Araguari. O rio Amazonas banha o SW do Estado".

         Muito distraída estava a Arlinda Lamêgo, quando foi chamada para falar do Estado do Amapá:
          "Sou Médica e, muito orgulhosa de ser brasileira !:
         "O Estado do Amapá é cortado pela linha do Equador, o que determina um clima quente, húmido e chuvoso, com médias anuais entre 25 e 26o C e, índice de chuvas de 2.500 mm. A floresta tropical cobre quase todo o território, com manchas de cerrados e campos a E".

         A Arneyde já estava um pouco nervosa, pois nunca mais era chamada. Foi roendo as unhas, mas por fim chegou a sua vez:
          "Sou Professora aposentada. Era incapaz de viver noutro país, que não fosse o Brasil!
         "A base da sua economia é a extracção de manganês, concentrada na serra do Navio. As jazidas foram descobertas em 1945 e foram calculadas em 30.000.000, sendo este Estado, o maior produtor brasileiro".

         Por último chegou a vez da Henriette:
          "Sou Bancária aposentada. Céu. Terra e o Brasil!
         "Também possui grandes reservas de ferro e petróleo (a 80 Km da costa); e também ouro, cassiteria, tantalita e columbita. No extrativismo vegetal merecem citação a produção de borracha, castanha-do-pará e madeira. Na agricultura, o predomínio de mandioca, cana-de-açúcar, arroz, feijão e milho. Na pecuária, destacam-se os rebanhos bovinos e de suínos".

         
         
Nestes textos falámos de:


         
Tratado de Tordesilhas - «A 7 de Junho de 1494, os procuradores de D. João II, rei de Portugal, e de Fernando e Isabel, reis de Aragão e Castela, assinaram na vila de Tordesilhas dois tratados com amplas repercussões nos destinos ibéricos, mormente no que era para os finais do século XV uma das linhas de acção fundamentais para qualquer das partes: a expansão para fora do quadro peninsular. Do lado português estiveram presentes Rui de Sousa, senhor de Sagres e Beringel, o seu filho João de Sousa, almotacém-mor, e Aires de Almada, vedor dos feitos civis na corte e do desembargo real: a embaixada era secretariada por Estêvão Vaz e tinha como testemunhas João Soares de Siqueira, Rui Leme e Duarte Pacheco Pereira. Por parte de Castela e Aragão participaram o mordomo-mor D. Henrique Henriquez, D. Gutierre de Cárdenas, comendador-mor, e o Dr. Rodrigo Maldonado; secretariados por Fernando Álvarez de Toledo, levavam como testemunhas Pero de Leon, Fernando de Torres e Fernando Gamarra». O primeiro Tratado de Tordesilhas «traduziu-se numa repartição de esferas de influência no espaço atlântico e nas conquistas ultramarinas. Da sua leitura extraímos os seguintes passos fundamentais: a) Seria traçada uma linha divisória de pólo a pólo distante 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde, para oeste, pertencendo a parte ocidental a Espanha e a oriental a Portugal; b) Uma delegação de igual número de astrónomos, pilotos e marinheiros de ambas as nacionalidades devia fixar essa linha no prazo de dez meses; c) Garantia-se aos navegadores espanhóis o direito de passagem para ocidente, mas só esse; d) Uma vez que estava então em curso a segunda viagem de Cristóvão Colombo, estipulava-se que seriam de soberania espanhola as terras por ele achadas até 20 de Junho para lá de um limite de 250 léguas a oeste de Cabo Verde, revertendo a favor de Portugal quaisquer descobertas feitas dentro desse limite ou depois dele mas efectuadas em data posterior àquela e até ao semimeridiano definitivo das 370 léguas, único a considerar depois de 20 de Junho; e) Os contratantes comprometiam-se a não recorrer ao «Santo Padre nem a outro nenhum legado ou prelado» para alterar estas disposições, antes se pedia ao papa que as ratificasse na sua exacta forma» (in Dicionário de História dos descobrimentos portugueses, vol. II - Minuta original do Tratado de Tordesilhas 7 de Junho de 1494".
         
          Primeiro
Tratado de Utrecht - 11 de abril de 1713
          Dom Joam, por graça de Deos Rey de Portugal, . . .
          Faço saber aos que esta minha Carta virem, que havendo todas as Potencias que concorreram para a presente guerra, concordado em que na Villa de Utrecht se formasse hum Congresso de todos os Plenipotenciarios dellas, para nelle se conferirem os pontos, e meios proporcionados para pôr fim às hostilidades . . . concordaram e ajustaram hum Tratado de Paz entre as Coroas de França e de Portugal, pela maneira seguinte:
          EM NOME DA SANTISSIMA TRINDADE
          Havendo a Providencia Divina disposto os animos do muito Alto e muito Poderoso Principe Luis XIV, pela graça de Deus Rey Christianissimo de França . . . do muito Alto poderoso Principe Dom João o V, pela graça de Deos Rey de Portugal, . . . convieram nos artigos seguintes:
          ART. I
          Haverá huma Paz perpetua, huma verdadeira amizade, e huma firme e boa correspondencia entre Sua Magestade Christianissima, seus Descendentes, Sucessores e Herdeiros, todos seus Estados e vassallos, de huma parte, e Sua Magestade Portuguesa, seus Descendentes, Sucessores e Herdeiros, todos seus Estados e vassallos, da outra, . . .
          ART. II
          Haverá de huma e outra parte hum inteiro esquecimento de todas as hostilidades, . . .
          ART. III
          Todos os prisioneiros de guerra, por huma e outra parte se restituirão promptamente, . . .
          ART. IV
          . . .
          ART. VIII
          A fim de prevenir toda a occasião de discordia, que poderia haver entre os vassallos da Coroa de França e os da Coroa de Portugal, Sua Magestade Christianissima desistirá para sempre, como presentemente desiste por este Tratado pelos termos mais fortes . . . qualquer direito e pretenção que póde, ou poderá ter sobre a propriedade das Terras chamada do Cabo do Norte, e Situadas entre o Rio das Amazonas e o de Japoc ou de Vicente Pinsão, sem reservar, ou reter porção alguma das ditas terras, para que ellas sejam possuidas daqui em diante por Sua Magestade Portugueza . . .
          ART. IX
          Em consequencia do Artigo precedente, poderá Sua Magestade Portugueza fazer reedificar os fortes de Araguari e Camaú, ou Massapá, e os mais que foram demolidos em execução do Tratado Provisional feito em Lisboa aos 4 de Março de 1700 . . .
          ART. X
          Sua Magestade christianissima reconhece pelo presente Tratado, que as duas margens do Rio das Amazonas, assim Meridional como Septentrional, pertencem em toda a Propriedade, Dominio e Soberania a Sua Magestade Portuguesa, e promette que nem elle nem seus Descendentes, Successores e Herdeiros farão jamais alguma pretenção sobre a Navegação e uso do dito Rio, com qualquer pretexto que seja.
          ART. XI
          Da mesma maneira que Sua Magestade Christianissima desiste em seu nome, e de seus Descendendtes, Successores e Herdeiros, de toda a pretenção sobre a Navegação e uso do Rio das Amazonas, cede de todo o direito que pudesse ter sobre algum outro Dominio de Sua Magestade Portuguesa tanto na America, como em outra parte do mundo.
          ART. XII
          E como he para recear que haja novas dissenções entre os Vassalos da Coroa de França e os da Coroa de Portugal, com a occasião do Commercio, que os moradores de Cayena podem intentar no Maranhão e na entrada do Rio das Amazonas, Sua Magestade Christianissima promette por si, seus Descendentes, Successores e Herdeiros, que não consentirá que os ditos moradores de Cayena, nem quaesquer outros seus Vassallos vão commerciar nos lugares acima nomeados, e que lhes será absolutamente prohibido passar o Rio de Vicente Pinsão, para fazer commercio, e resgatar escravos das Terras do Cabo do Norte, como tambem promete Sua Magestade Portugueza por si, seus Descendentes, Successores e Herdeiros, que nenhum dos seus Vassallos irão commerciar a Cayena.
          ART. XIII
          . . .
          ART. XIX
          As ratificações do presente Tratado, dadas em boa, e devida forma, se trocarão de ambas as partes dentro do termo de 50 dias a contar do dia da assignatura, ou mais cedo se for possivel.
          Em fé do que, e em virtude das Ordens, e Plenos poderes que nós abaixo assinados recebemos de nossos Amos, El Rey Christianissimo, e El Rey de Portugal, assinamos o presente Tratado e lhe fizemos pôr os sellos de nossas Armas. Feito em Utrecht a 11 de Abril de 1713.
          (L.S.) Huxelles. ______________ (L.S.) Conde de Tarouca.
          (L.S.) Menages. ______________ (L.S.) Dom Luis da Cunha

         Francisco Xavier da Veiga Cabral (Cabralzinho) - No dia 1 de maio de 1895, na então pequena vila de Amapá, Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, rechaçou uma invasão francesa ao comando do capitão Lunier. Este fato foi o mais radical da questão do Contestado do Amapá, que foi resolvido somente cinco anos mais tarde, através de arbitragem internacional.
          Isto aconteceu há 104 anos (Estamos em 2000). Os franceses comandados por Lunier chegaram para obedecer às ordens do governador de Caiena, Mr. Charvein, que queria a prisão imediata de Cabralzinho caso este não colocasse em liberdade o "delegado" francês Trajano, que havia sido feito prisioneiro do Exército Defensor do Amapá, uma força paramilitar comandada por Cabralzinho.
          Por ter defendido a vila de Amapá, Cabralzinho foi consagrado herói nacional pelas Forças Armadas, que lhe deram o título de General Honorário do Exército Brasileiro, e pela Maçonaria, a qual Cabralzinho era membro.

         Bento Manuel Parente - No período que precedeu à conquista do Pará, em 1616 pelos portugueses, sabe-se que ingleses e holandeses faziam comércio com os índios que habitavam a foz do Amazonas e, para assegurar seus empreendimentos, construíram pontos fortificados naquele rio.
          Entre os pontos fortificados, criados pelos holandeses, achava-se o de Mariocaí, situado à margem direita do rio Amazonas e no lugar onde hoje se encontra a sede municipal.
          Em 1623, esse forte, foi arrasado por Bento Manuel Parente, que se intitulava, nos documentos oficiais, Capitão-Mor da Capitania do Pará e primeiro descobridor e conquistador de Gurupá e rios do Amazonas, tendo fundado, no mesmo local de Mariocaí, o Forte de Santo Antonio de Gurupá que, pela falta de conservação, acabou em ruínas e, apesar de várias tentativas de reconstruí-lo, as obras não foram concluídas.
         
          Na nossa visita à linda cidade de Macapá, incluímos uma visita ao Lago Ambé localiza-se a 74 km de Macapá, na região das pedreiras, constituída por campos, lagos e igarapés, que juntamente com a fauna e a flora da Amazónia, formam um quadro paisagístico de beleza impar. O lago é bastante visitado por praticantes de pesca desportiva, além de proporcionar banhos refrescantes nas águas frias e um contacto directo com a natureza.

          DADOS SOBRE O ESTADO - Tirados do site Oficial de Amapá

          Símbolos do Estado - Decreto Nº 008, de 23 de Abril de 1984

         
         
A BANDEIRA

         Representa uma simbologia que procura identificar, de maneira figurativa, o passado do povo amapaense representado pela figura geométrica da Fortaleza de S. José, motivo e origem da evolução da cidade capital do Estado. Escolhida por uma comissão designada pelo governador Anníbal Barcellos (Decreto nº 4, de 30 de janeiro de 1984), a Bandeira possui formato retangular e é confeccionada a partir das cores azul, verde, amarelo e branco, constantes na Bandeira Nacional, e o negro.

         - O campo azul simboliza a justiça e o céu amapaense;
          - O verde representa 90% da área do Estado, de floresta nativa, ainda preservada. Simboliza o verde também a esperança, o futuro, o amor, a liberdade e a abundância
          - O amarelo simboliza a união e as riquezas do subsolo
          - O branco a pureza e a paz, a vontade do Estado do Amapá em viver com segurança e em comunhão com todos os que nele vivem, significando ainda que a discórdia não pode ter guarida entre o Poder Público e a População.
          - O negro simboliza o respeito permanente aos que tombaram no passado, em lutas ou não, e que em vida fizeram algo de bom para o engrandecimento desta região
          A feitura da Bandeira obedece às seguintes regras básicas:
          A largura é de 14 partes iguais, e cada uma das partes será considerada uma medida ou um módulo. O comprimento é de 20 módulos
          Traça-se uma linha partindo-se dos vértices em ângulo de 45 graus. Paralelo a esta linha e a 0,5cm, considera-se o módulo de 28x40cm, uma tarja preta de 0,5cm dos dois lados, deixando a faixa de 1 cm entre as tarjas (de 0,5cm em cada).

         
         
O HINO ESTADUAL

         O Hino do Estado do Amapá é composto pelo poema denominado "Canção do Amapá", cuja letra é de autoria de Joaquim Gomes Diniz e a música e arranjos do maestro Oscar Santos. A adaptação é em Fá Maior, para canto e em Si Bemol para execução, por bandas de música.

         Canção do Amapá
          Letra de Joaquim Gomes Diniz
          Música de Oscar Santos

          Eia povo destemido
          Deste rincão brasileiro.
          Seja sempre teu grito partido
          De leal coração altaneiro
          Salve rico o torrão do Amapá
          Solo fértil de imensos tesouros
          Os teus filhos, alegres, confiam
          Num futuro repleto de louros

          Refrão
          Se o momento chegar algum dia
          De morrer pelo nosso Brasil
          Hão de ver deste povo a porfia,
          Pelejar nestes céus cor de anil
          (Bis)
                              
  II
          Heia povo herói, varonil
          Descendente da raça guerreira
          Ergue forte, leal, sobranceira,
          A grandeza de nosso Brasil
          Salve rico o torrão do Amapá
          Solo fértil de imensos tesouros
          Os teus filhos, alegres, confiam
          Num futuro repleto de louros

          Refrão

 

O BRASÃO DE ARMAS

         As Armas Estaduais são compostas por um escudo laureado pelas cores azul e vermelho, que retratam o antigo uniforme da Guarda da Fortaleza. A feitura das Armas Estaduais deve obedecer às seguintes disposições:

          I - Ao topo a estrela branca e as arestas amarelas simbolizando o surgimento de mais um Estado da Nação. A cor branca simboliza a pureza, a serenidade e paz. O amarelo nossas riquezas.
          II - Logo abaixo, a faixa com os dizeres "Aqui começa o Brasil".
          III -Na parte superior do Brasão, lados esquerdo e direito, são apresentadas as formas da Fortaleza de S. José de Macapá.
          IV - Seguindo as laterais, verificam-se as formas dos escudos nobres, até juntarem-se os lados, com retas e semi-círculos de raios opostos, sendo que um dos raios internos dos que estão situados do lado direito tem como ponto de partida a Capital do Estado.
          V – O Brasão é de ordem do corte horizontal, sendo que este representa a linha divisória do hemisfério, ou seja, a linha do Equador, com o seu marco 00 graus, 00 minutos e 00 segundos, localizado em Macapá.
          VI – No interior tem-se o mapa geográfico do Estado do Amapá, mostrando a riqueza de solos, dada a sua expansão no espaço que ocupa da Federação. Sua cor amarela representa as riquezas minerais, no solo e no subsolo. Simboliza, ainda, a união, a fé e a constância nos atos.
          VII – No centro do mapa tem o amapazeiro, árvore que deu origem ao nome Amapá, por ser pomposa no seu porte e rica em madeira de lei; seu leite, folhas e frutos serviam como medicamento e alimento aos primeiros habitantes dessa terra. Sua cor verde-musgo representa a esperança, a fé no futuro, o amor, a liberdade, a amizade, a abundância e a cortesia.
          VIII – ao pé do amapazeiro apresenta o mesmo verde simbolizando, ainda, os nossos férteis campos agrícolas.
          IX – Abaixo da linha do Equador, ou seja, ao corte nobre horizontal, enraiam-se vinte e cinco (25) arestas negras, fazendo lembrar a convergência para um ponto comum no mapa do Estado, cuja cor simboliza a honestidade vivida e pregada, a obediência à Lei e à autoridade, a desilusão, a tristeza, a aflição e a morte.
          X – O Brasão é guardado ainda, pelas palmas protetoras do amapazeiro e seus frutos. Os dois segmentos de palmas são unidos por um laço branco, simbolizando a fita do Divino Espírito Santo (folclore amapaense).
         
Estudo elaborado por Edgar Rodrigues

         Também visitámos a linda Praia da Fazendinha distante cerca de 13 km de Macapá, onde se pode saborear o camarão regional e praticar desportos náuticos.

         Zarpámos e fomos pelo Rio Amazonas direitos a Manaus. Vamos passar por Santarém (brasileiro) e vamos falar do Santarém português, onde está sepultado Pedro Álvares Cabral, e que tem uma linda lenda.

Música de Fundo: Canta Brasil

 A seguir:(01)

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