Já navegávamos há mais de três hora a caminho da cidade brasileira de Manaus, quando
todas as mulheres que estavam a bordo, subiram para cima de cadeiras e também para cima
das mesas, fazendo grande alarido, gritando histericamente: "Um rato ! Um
rato!".
Foi a vez dos homens entrarem
em acção e, depois de muitas tentativas, lá conseguiram meter o rato dentro de um
recipiente de vidro. O pobre coitado, por sinal um lindo ratinho, como que envergonhado,
ficou todo encolhido, como que a pedir desculpa, num canto do recipiente. Todos
questionavam quem ia matar o ratinho e todos apontavam para que o Abílio Terra fosse o
carrasco, mas este protestou, alegando que não sabia se o rato tinha ou não entrado em
porto português ou brasileiro. A missão passou então para o Tito Olívio, que alegou as
mesmas razões, acrescentando que não queria provocar uma crise internacional. À
cautela, o Humberto Santa foi dizendo que era da mesma opinião. Como ninguém queria
tomar a responsabilidade de matar o rato, foi pedido às nossas juristas, as advogadas
Maria Nascimento e Célia Lamounier, que formassem um tribunal ADOC para julgar o ratinho.
Assim, secretariadas pela Vilma Matos, sendo o Paulo representante do Magistério Público
o Paulo Tamiazo, o von Trina da Defesa e o Nilson da Acusação, deu-se início ao
julgamento. Depois de muitas horas de debates, justificações, argumentações e
contra-argumentações, o veredicto do tribunal foi lido pela secretária Vilma Matos:
"Veredicto deste
tribunal adoc, em que a tripulação e excursionistas do Navio CUCO, interpuseram contra o
arguido, rato s/nome, mas perfeitamente ciente da culpa que deu origem a este processo que
este tribunal julgou, perante as leis dos Homens e a lei de Deus.
Acusação
do Ministério Público:
1º. É arguido neste
processo sumário, o rato s/nome;
2º. Eventualmente um
passageiro clandestino, que entrou no Navio Cuco, em data e local indefinido;
3º. Provocou pânico a
bordo, entre as senhoras;
4º. Eventualmente, provocou
prejuízos no Navio;
Nota: É pedida a
condenação do arguido.
Argumentação
da Defesa:
1º. Nunca foi intenção do
rato s/nome, provocar o pânico entre as senhoras (nem entre os homens);
2º. Entrou, ilegalmente no
Navio Cuco, na tentativa de noutro local, poder ter uma vida melhor para si e para sua
família que deixou no porto onde embarcou. Esta situação é, infelizmente comum entre
os ditos humanos, onde muitos milhares de ratos e ratas estão ilegais em vários países,
ansiando pela legalização que nunca mais chega;
3º. O bom comportamento
cívico, anterior do rato s/nome;
4º. O seu completo
arrependimento pelo seu procedimento, fruto de não estar bem dentro das leis.
Nota final: Pede a
absolvição total do arguido rato s/nome.
Contraposição da
Acusação:
1º. O rato s/nome entrou
deliberadamente a bordo do Navio Cuco, para causar pânico e causar prejuízos incertos;
2º. Nenhum rato (ou rata) em
perfeitas faculdades mentais, invade um navio do tipo do Cuco, no sentido de melhorar a
sua vida e a dos seus;
3º. O comportamento de um
rato s/nome, deverá ser avaliado pelo que faz no presente e, nunca presumível bom
comportamento anterior
Nota final: Pede a punição
do arguido, com a pena capital.
Deliberação
final do tribunal:
Analisando os factos
apresentados a este tribunal, o colectivo deliberou;
1º. Aceitar como prova o bom
comportamento anterior, do arguido rato s/nome;
2º. Não aceitar como
argumentação que o referido rato tivesse entrado a bordo na intenção de provocar o
pânico;
3º. Nem tão pouco causar
prejuízos significativos;
4º. Pelo exposto e
considerando a precária condição financeira do referido rato, deliberamos:
a) Que o
rato s/nome seja condenado;
b) Será metido dentro de uma
caixa de papelão, com uma fatia de queijo, um pão e uma garrafa de água, num terreno a
sete léguas e meia do Navio, no próximo porto;
c) Fica este obrigado para
toda a vida a não se aproximar mais de cinco léguas do Cuco, em qualquer situação;
d) Esta deliberação será
já posta em prática, sem direito a qualquer apelo, tanto da Defesa como da Acusação.
As despesas
de tribunal e honorários do colectivo de juizes, são da responsabilidade da Assistência
Social do Navio Cuco.
Segue-se a
data e duas assinaturas
irreconhecíveis.
Depois de
resolvido este problema, todos se juntaram no bar, para falar da terra que íamos visitar.
Como é lógico, este trabalho esteve a cargo do pessoal brasileiro. Calhou à Luiza
Helena começar a dissertação sobre :
MANAUS
"Manaus foi fundada em no século XVll; na margem esquerda do Rio Negro, junto da sua
confluência com o Rio Amazonas. Até aos últimos decénios do século XlX, época em que
o surto da borracha a transformou numa cidade moderna e activa, Manaus não passou de um
pobre povoado, cuja população era em grande parte constituída por índios. Depois,
surgiu como um pequeno arraial que se foi formando em torno da Fortaleza de São José do
Rio Negro, fundada em 1669. Em 1774 contava apenas com 220 habitantes, e chamava-se então
Barra e, a fortaleza que lhe tinha dado origem se encontrava em ruínas, tendo sido
demolida em 1791".
Seguiu-se a
Vilma Matos que alegou estar um pouco rouca, mas por fim acedeu a falar:
"Anos mais tarde, em
1791, tornou-se sede da capitania de São José do Rio Negro, criada em 1758. Perdeu essa
função oito anos depois, só a recuperando em 1808, sendo elevada a vila, em 1833,
ocasião em que passou a chamar-se Manaus. Em 1888, foi elevada à condição de cidade,
tomando então o nome de Barra do Rio Negro, para em 1856, voltar a chamar-se novamente
Manaus. Na altura, não passava de um aglomerado urbano de importância reduzida, que
reflectia o atraso geral da região amazónica naquela época. Quando esta começou a
prosperar, motivada pela exploração da borracha, Manaus começou a prosperar deixando de
ser uma grande aldeia, para se transformar numa verdadeira cidade".

O Nilson,
sempre a brincar com uma bola de futebol, mas sempre atento, continuou:
"O efémero ciclo da
borracha marcou o período áureo de Manaus. Entre 1890 e 1920, a cidade viveu uma época
de realizações e de grandes riquezas. Datam desse período grandes obras públicas, como
aterros e desaterros, canalização de água, pontes sobre igarapés que atravessam a
cidade, abertura da principal avenida (sobre um pântano Aterrado), construção de
edifícios públicos, inclusive do famoso Teatro de Manaus. Na época, tornou-se a segunda
cidade brasileira a utilizar a iluminação eléctrica (1896). O desenvolvimento da
cidade, durante o ciclo da borracha deveu-se à posição ocupada pela cidade na
convergência com os importantes rios da região, que recebiam a borracha extraída da
floresta amazónica, sobretudo do rio Acre".
A Marisa
Cajado, sempre preocupada com o seu visual, estava no momento a tratar das unhas das mão
e, quando foi chamada, ainda perguntou: "Sou eu a seguir ?...":
"Ainda por meio desses
rios, Manaus distribuía pela enorme área produtora de borracha, as importações
destinadas à população que trabalhava nos seringais, tornando-se assim, o entreposto
comercial de toda a Amazónia. Depois deste ciclo tão importante, Manaus com que
estagnou, só voltando a animar-se, sob uma nova influência agrícola".
Sempre
atenta a estas dissertações, está a Regina Lyra. Nem foi preciso chamá-la!
"Manaus, encontra-se a 20
Km da sua confluência com o Rio Amazonas, cujo curso a montante tem o nome de Solimões;
a jusante da embocadura do Rio Negro fica o rio Madeira e a montante o Rio Purus. Embora
situada nas margens do Rio Negro, Manaus não está sujeita às inundações na ocasião
das suas cheias".
O seguinte
orador a ser chamado foi o Paulo Tamiazo:
"A capital amazónica
fica instalada em terra firme, num ponto onde o rio dela se aproxima. A cidade encontra-se
no baixo planalto amazónico, a uma altura de 20 a 30 metros acima do nível médio do
rio. Esse planalto termina ao lado do rio por pequenas escarpadas que caem sobre a sua
margem".
Nesta fase,
a última a ser chamada foi a Malou. Quando se levantou, uma voz elevou-se dizendo:
"Cuidado que a Malou ainda mata você !" :
"Aí, por ocasião do
estio, o rio encontra o seu nível mais baixo, formando-se então pequenas praias arenosas
que desaparecem durante a época das cheias. A superfície do planalto é constituída por
um conjunto de colinas suaves. Vários igarapés cortam o planalto e dividem-nos em
compartimentos ligados, num e noutro local, por pontes. O traçado da cidade é
quadricular".
HINO DE MANAUS
Letra :
Madre Dias - Música: Autor Desconhecido
Manaus, terra das florestas
terra da castanha
e dos seringais
Manaus, terra dos Barés
dos igapós
rios colossais
O rio negro magestoso
vai correndo pressuroso
o amazonas engrossar
e com suas negras águas
no oceano afogar
Manaus
A vitória-régia, flor
ostentando linda cor
tem no seu desabrochar
teus sorrisos, teus afagos
nos teus grandes, belos lagos
onde garças vão pousar
Manaus
Tuas róseas madrugadas
de baunilhas perfumadas
trazem alento ao pescador
ao trépido vaqueiro
ao heróico seringueiro
no seu regional labor
Manaus
Minha cidade risonha
o Brasil contigo sonha
um futuro a ti sorrir
tu serás farto celeiro
deste povo brasileiro
algum dia no provir
Manaus
De tu ó minha cidade
terei um dia saudade
se de ti me separar
tuas selvas tem magia
ó manaus que poesia
nas tuas noites de luar!
Manaus |
Fizemos uma pausa para o almoço e fomos almoçar ao Restaurante Canto da Peixada, na Rua
Emílio Moreira, 1677, Praça 14. Como já vai sendo habitual, depois da refeição, os
nossos amigos brasileiros deram um showzinho. A Marisa Cajado, com um certo sentimento
começou a cantar a bela canção:
Luar Do Sertão
Autoria: Catullo da Paixão Cearense e João Pernambuco
Não
há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão / Não há, ó gente, oh não, / Luar
como esse do sertão /
Oh, que saudade do luar da
minha terra, lá na serra, / Branquejando folhas secas pelo chão! /
Este luar cá da cidade, tão
escuro, / Não tem aquela saudade do luar lá do sertão.
Se a lua
nasce por detrás da verde mata / Mais parece um sol de prata prateando a solidão /
E a gente pega na viola que
ponteia, /
E a canção é lua cheia a
nos nascer do coração
Não
há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão / Não há, ó gente, oh não, / Luar
como esse do sertão
Coisa
mais bela neste mundo não existe / Do que ouvir um galo triste, no sertão se faz luar! /
Parece até que a alma da lua
é que descanta, / Escondida na garganta desse galo, a soluçar!
Ai! Quem
me dera que eu morresse lá na serra, / Abraçado à minha terra, e dormindo de uma vez! /
Ser enterrado numa grota
pequenina, /
Onde à tarde a sururina
chora a sua viuvez! / Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão /
Não há, ó gente, oh não,
/ Luar como esse do sertão
Decididamente, o pessoal estava mesmo voltado ao sentimento, ou então às saudades que
já começavam a sentir de suas casas e de seus amigos. Quase que espontâneamente,
começaram a cantar :
Ave Maria no Morro
Autoria: Herivelto Martins
Barracão
de zinco / Sem telhado, sem pintura / Lá no morro / Barracão é bangalô /
Lá não
existe / Felicidade de arranha-céu / Pois quem mora lá no morro / Já vive pertinho do
céu/
Tem
alvorada, tem passarada / Alvorecer / Sinfonia de pardais / Anunciando o anoitecer/
E o
morro inteiro no fim do dia / Reza uma prece Ave Maria / Ave Maria... Ave/
E o
morro inteiro no fim do dia / Reza uma prece Ave Maria / Ave Maria...Ave/
E quando
o morro escurece / Elevo a Deus uma prece / Ave Maria/
E quando
o morro escurece / Elevo a Deus uma prece / Ave Maria/
Para terminar o show, o Paulo
propôs que se cantasse uma coisa alegre. Depois de uma breve troca de impressões, todos
concordaram em cantar :
A Banda
Chico Buarque
Estava à toa na vida, o
meu amor me chamou / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor /
A minha gente sofrida,
despediu-se da dor / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor /
O homem sério que contava
dinheiro parou, / O faroleiro que contava vantagem parou /
A namorada que contava as
estrelas parou / Para ver, ouvir e dar passagem /
A moça triste que vivia
calada sorriu /
A rosa triste que vivia
fechada se abriu / E a meninada toda se assanhou /
Pra ver a banda passar
cantando coisas de amor
Estava à toa na vida, o meu
amor me chamou / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor /
A minha gente sofrida,
despediu-se da dor / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do
cansaço e pensou / Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou /
A moça feia debruçou na
janela / Pensando que a banda tocava pra ela /
A marcha alegre se espalhou
na avenida e insistiu / A lua cheia que vivia escondida surgiu /
Minha cidade toda se enfeitou
/ Pra ver a banda passar cantando coisas de amor /
Mas para meu desencanto o que
era doce acabou /
Tudo tomou seu lugar depois
que a banda passou / E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor /
Depois da banda passar
cantando coisas de amor / Depois da banda passar cantando coisas de amor /
Depois da banda passar
cantando coisas de amor / Depois da banda passar cantando coisas de amor.
Durante a
tarde falámos do Estado do Amazonas, cuja capital é Manaus, a cidade que vamos visitar
antes de viajarmos até Belém, no Estado do Pará.
Assim, os nossos amigos
brasileiros começaram a dissertar sobre este tema. Foi a Maria Nascimento que começou:
ESTADO
DO AMAZONAS
"Estado
brasileiro localizado no centro da região Norte. Tem como limites: Venezuela e Roraima
(N), Colômbia (NO), Pará (L), Mato Grosso (SE), Rondônia (S), Acre e Peru (SO). Ocupa
uma área de 1.577.820,2km2. A capital é Manaus. As cidades mais importantes são:
Manaus, Manacapuru, Tefé, Parintins e Itacoatiara. Tem ao mesmo tempo as terras mais
altas (pico da Neblina, 3.014m) e a maior extensão de terras baixas (menos de 100m) do
Brasil. Juruá, Purus, Madeira, Negro, Amazonas, Içá, Solimões, Uaupés e Japurá são
os rios principais. A economia se baseia no extrativismo, mineração, indústria e
pesca".
A Marcia
Smith, sempre simpática e muito alegre, continuou:
"Este Estado, durante os
séculos XVl e XVll, foi percorrido por vários exploradores, como Pinzón que descobriu a
foz do Amazonas em 1500; Orellana desceu todo o rio em 1541, partindo do Equador e, Pedro
Teixeira fez o caminho inverso, em 1638. Estes pioneiros encontraram grande população
indígena que muitas vezes lhe era hostil: Tupis, no Pará e no Maranhão; Caraíbas, em
Romaima e Amapá, Aruaques, entre o Rio Negro e as Guianas; Jês, no Tocantins; Panos,
entre o Solimões e o Purus. Inicialmente, a região era visitada por holandeses, ingleses
e franceses, que estabeleceram feitorias para comercializar, com os índios as
"drogas do sertão" (plantas aromáticas e especiarias)".
A Henriette
Effenberger, como tesoureira do Navio Cuco, antes de começar a falar, lembrou aos
excursionistas que ainda não tinham pago a sua taxa diária. A Comandante Manuela fez-lhe
um sinal para que ela tivesse calma. E assim, ela começou a falar:
"A fim de expulsá-los e
assegurar para os portugueses a posse da terra, também disputada pelos espanhóis, foram
construídas fortificações militares. Além dos comerciantes de "drogas",
também vieram ter à região sertanistas que procuravam índios para escravizar e
missionários que pretendiam cristianizá-los. Ao redor dos fortes e das missões
religiosas surgiram as povoações que originaram as principais cidades da região. No
século XlX, a Amazónia foi visitada por numerosos naturalistas europeus, como : Humboldt
(1800), Von Martius e Spix (1817-1820), o príncipe Adalberto da Prússia (1842-1943,
Louis Agassiz (1865-1866)".
A Gislaine
Caneles é uma apaixonada pela pesca, não perdendo uma ocasião para estar com a cana na
mão. Quando foi convidada para falar, um peixe tinha "picado" e, assim tivemos
que fazer uma pausa para que ela tirasse um peixinho de 0,080 Kg ! Debaixo de aplausos
pela sua façanha, a Gislaine começou a sua intervenção:
"Estudaram a fauna, a
flora, os minerais e os aspectos étnicos e linguísticos dos indígenas. No fim desse
século, a região prosperou com o ciclo da borracha, havendo então uma grande
imigração de nordestinos, fugidos da seca de 1877-1879. Entretanto, a partir de 1911, a
concorrência da borracha cultivada racionalmente nas colónias inglesas e holandesas,
precipitou a sua decadência. Em 1953, o Governo Federal criou a Superintendência do
Plano de Valorização Económica da Amazónia (SPVEA), substituída, em 1966, pela
Superintendência do Desenvolvimento da Amazónia (SUDAM), para aplicar recursos
financeiros e desenvolver a região".
A
seguir foi convidada a Flóra Cavalcanti, que na altura estava a decorar o bar do Cuco.
Ficou algo atrapalhada, nem sabia o que fazer ao pincel que tinha na mão. Tão nervosa
estava que o utilizou como se fosse um microfone. A risada foi geral quando começou a
falar:
"O solo do Estado do
Amazona, é constituído principalmente por terrenos sedimentares, formando tabuleiros
baixos que descem em direcção aos rios. Ao Norte, esses terrenos, elevam-se pouco a
pouco, constituindo o planalto das Guianas, de formação cristalina, onde se encontram os
pontos culminantes do Brasil: picos da Neblina (3.014 metros de altitude), Trinta e Um de
Março (2.992 m) e Roraima (2.772 m). Ao Sul, a bacia sedimentar é limitada pelas
encostas setentrionais do planalto brasileiro, com terrenos bastante erodidos, formando
extensos degraus de escarpas abruptas. A Oeste, estende-se até aos confortes dos Andes. A
grande bacia fluvial do Amazonas possui 1/5 da disponibilidade mundial de água doce e é
recoberta pela maior floresta equatorial do mundo, correspondendo a 1/3 das reservas
florestais da Terra".
A Célia
Lamounier, quando começou a falar, colocou os óculos na cabeça. Logo o von Trina lhe
perguntou se esse gesto era para poupar as lentes. Ela sorriu e logo retorquiu: "Não
meu amigo, é que eu comprei óculos para pessoa mais alta do que eu !. Mas se me dão
licença, vou começar":
"Compreende a mata de
terra firme, a mata da várzea e a mata de igapó. Há pequenas zonas de campos naturais
espalhados pela Amazónia, alguns de terra firme e outros de várzea, como os de Marajó.
O clima é do tipo equatorial, quente e húmido, com a temperatura variando pouco durante
o ano, embora com grandes variações entre o dia e a noite. Os multi-climas ocorrem
devido à maior ou menor precipitação das chuvas. Ventos frios que sopram de Sul, a
friagem no Oeste da região. Na Amazónia, o grande vazio demográfico dificulta a
exploração dos recursos naturais".
A Arneyde
estava ao telefone com uma sobrinha que é aeromoça, pedindo-lhe para que ela quando
voasse por cima do navio, que lhe atirasse umas sandálias que ela tinha deixado em casa
por esquecimento. Ultimamente a Arneyde queixava-se de dores num calo do dedo mindinho do
pé. Consultou ao Drª Arlinda, que lhe aconselhou a cortar o respectivo dedo... Mas,
mesmo com dores de calos, a Arneyde começou a falar do Estado do Amazonas:
"As maiores
concentrações encontram-se no baixo e no médio Amazonas e em torno das principais
cidades. A vida da população centraliza-se em torno dos rios, quase sempre navegáveis,
que lhe fornecem alimento, água, meios de transporte e de comunicação. A economia é
dominada pelo extrativismo vegetal, devido à grande variedade de espécies. Além da
seringueira, de onde é extraída a borracha, são colectadas a castanha-do-pará, vários
tipos de madeira, gomas, guaraná, babaçu, a malva e muitas outras".
A Arlinda
Lamêgo não perdia um minuto disponível para estar ao sol. Já estava com um bronze
lindíssimo ! Deitada numa rede, leu o seu apontamento:
"A extracção mineral
assume importância, já que a região possuí numerosos recursos, como: ouro, no Pará,
em Romaima e no Amapá; ferro, no Pará (Serra dos Carajás), no Amapá e no Amazonas;
sal-gema, no Amazonas e no Pará; manganês no Amapá (Serra do Navio), no Pará e no
Amazonas; além de calcário, cassiterita, gipsita, linhito, cobre, estanho, caulim,
diamantes, chumbo e bauxita. Na agricultura, as principais lavouras são as de juta,
cacau, mandioca, pimenta-do-reino e as subsistências".

Por
último, foi o Abílio a falar:
"A criação de gado
bovino concentra-se na ilha de Marajó, no baixo e médio Amazonas, em Roraima, nos
arrendores de Porto Velho, no Amapá e nos Estados de Goiás, Maranhão e Mato Grosso. A
pesca do pirarucu e outros peixes, serve o consumo local. O transporte fluvial ainda é o
mais importante, mas começa a ser complementado pelas rodovias federais, como a
Trasamazónica e Belém-Brasília e a Manaus Porto Velho".
FIM DA 1ª PARTE