"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

MANAUS

A Caminho de Manaus

1ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

           Já navegávamos há mais de três hora a caminho da cidade brasileira de Manaus, quando todas as mulheres que estavam a bordo, subiram para cima de cadeiras e também para cima das mesas, fazendo grande alarido, gritando histericamente: "Um rato ! Um rato!".
           Foi a vez dos homens entrarem em acção e, depois de muitas tentativas, lá conseguiram meter o rato dentro de um recipiente de vidro. O pobre coitado, por sinal um lindo ratinho, como que envergonhado, ficou todo encolhido, como que a pedir desculpa, num canto do recipiente. Todos questionavam quem ia matar o ratinho e todos apontavam para que o Abílio Terra fosse o carrasco, mas este protestou, alegando que não sabia se o rato tinha ou não entrado em porto português ou brasileiro. A missão passou então para o Tito Olívio, que alegou as mesmas razões, acrescentando que não queria provocar uma crise internacional. À cautela, o Humberto Santa foi dizendo que era da mesma opinião. Como ninguém queria tomar a responsabilidade de matar o rato, foi pedido às nossas juristas, as advogadas Maria Nascimento e Célia Lamounier, que formassem um tribunal ADOC para julgar o ratinho. Assim, secretariadas pela Vilma Matos, sendo o Paulo representante do Magistério Público o Paulo Tamiazo, o von Trina da Defesa e o Nilson da Acusação, deu-se início ao julgamento. Depois de muitas horas de debates, justificações, argumentações e contra-argumentações, o veredicto do tribunal foi lido pela secretária Vilma Matos:
           "Veredicto deste tribunal adoc, em que a tripulação e excursionistas do Navio CUCO, interpuseram contra o arguido, rato s/nome, mas perfeitamente ciente da culpa que deu origem a este processo que este tribunal julgou, perante as leis dos Homens e a lei de Deus.

          Acusação do Ministério Público:
           1º. É arguido neste processo sumário, o rato s/nome;
           2º. Eventualmente um passageiro clandestino, que entrou no Navio Cuco, em data e local indefinido;
           3º. Provocou pânico a bordo, entre as senhoras;
           4º. Eventualmente, provocou prejuízos no Navio;
           Nota: É pedida a condenação do arguido.

          Argumentação da Defesa:
           1º. Nunca foi intenção do rato s/nome, provocar o pânico entre as senhoras (nem entre os homens);
           2º. Entrou, ilegalmente no Navio Cuco, na tentativa de noutro local, poder ter uma vida melhor para si e para sua família que deixou no porto onde embarcou. Esta situação é, infelizmente comum entre os ditos humanos, onde muitos milhares de ratos e ratas estão ilegais em vários países, ansiando pela legalização que nunca mais chega;
           3º. O bom comportamento cívico, anterior do rato s/nome;
           4º. O seu completo arrependimento pelo seu procedimento, fruto de não estar bem dentro das leis.
           Nota final: Pede a absolvição total do arguido rato s/nome.
          
          
Contraposição da Acusação:
           1º. O rato s/nome entrou deliberadamente a bordo do Navio Cuco, para causar pânico e causar prejuízos incertos;
           2º. Nenhum rato (ou rata) em perfeitas faculdades mentais, invade um navio do tipo do Cuco, no sentido de melhorar a sua vida e a dos seus;
           3º. O comportamento de um rato s/nome, deverá ser avaliado pelo que faz no presente e, nunca presumível bom comportamento anterior
           Nota final: Pede a punição do arguido, com a pena capital.

          Deliberação final do tribunal:
           Analisando os factos apresentados a este tribunal, o colectivo deliberou;
           1º. Aceitar como prova o bom comportamento anterior, do arguido rato s/nome;
           2º. Não aceitar como argumentação que o referido rato tivesse entrado a bordo na intenção de provocar o pânico;
           3º. Nem tão pouco causar prejuízos significativos;
           4º. Pelo exposto e considerando a precária condição financeira do referido rato, deliberamos:

           a) Que o rato s/nome seja condenado;
           b) Será metido dentro de uma caixa de papelão, com uma fatia de queijo, um pão e uma garrafa de água, num terreno a sete léguas e meia do Navio, no próximo porto;
           c) Fica este obrigado para toda a vida a não se aproximar mais de cinco léguas do Cuco, em qualquer situação;
           d) Esta deliberação será já posta em prática, sem direito a qualquer apelo, tanto da Defesa como da Acusação.

          As despesas de tribunal e honorários do colectivo de juizes, são da responsabilidade da Assistência Social do Navio Cuco.

          Segue-se a data e duas assinaturas irreconhecíveis.          

          Depois de resolvido este problema, todos se juntaram no bar, para falar da terra que íamos visitar. Como é lógico, este trabalho esteve a cargo do pessoal brasileiro. Calhou à Luiza Helena começar a dissertação sobre :
          
          
MANAUS

           "Manaus foi fundada em no século XVll; na margem esquerda do Rio Negro, junto da sua confluência com o Rio Amazonas. Até aos últimos decénios do século XlX, época em que o surto da borracha a transformou numa cidade moderna e activa, Manaus não passou de um pobre povoado, cuja população era em grande parte constituída por índios. Depois, surgiu como um pequeno arraial que se foi formando em torno da Fortaleza de São José do Rio Negro, fundada em 1669. Em 1774 contava apenas com 220 habitantes, e chamava-se então Barra e, a fortaleza que lhe tinha dado origem se encontrava em ruínas, tendo sido demolida em 1791".

          Seguiu-se a Vilma Matos que alegou estar um pouco rouca, mas por fim acedeu a falar:
          "Anos mais tarde, em 1791, tornou-se sede da capitania de São José do Rio Negro, criada em 1758. Perdeu essa função oito anos depois, só a recuperando em 1808, sendo elevada a vila, em 1833, ocasião em que passou a chamar-se Manaus. Em 1888, foi elevada à condição de cidade, tomando então o nome de Barra do Rio Negro, para em 1856, voltar a chamar-se novamente Manaus. Na altura, não passava de um aglomerado urbano de importância reduzida, que reflectia o atraso geral da região amazónica naquela época. Quando esta começou a prosperar, motivada pela exploração da borracha, Manaus começou a prosperar deixando de ser uma grande aldeia, para se transformar numa verdadeira cidade".

          O Nilson, sempre a brincar com uma bola de futebol, mas sempre atento, continuou:
          "O efémero ciclo da borracha marcou o período áureo de Manaus. Entre 1890 e 1920, a cidade viveu uma época de realizações e de grandes riquezas. Datam desse período grandes obras públicas, como aterros e desaterros, canalização de água, pontes sobre igarapés que atravessam a cidade, abertura da principal avenida (sobre um pântano Aterrado), construção de edifícios públicos, inclusive do famoso Teatro de Manaus. Na época, tornou-se a segunda cidade brasileira a utilizar a iluminação eléctrica (1896). O desenvolvimento da cidade, durante o ciclo da borracha deveu-se à posição ocupada pela cidade na convergência com os importantes rios da região, que recebiam a borracha extraída da floresta amazónica, sobretudo do rio Acre".

          A Marisa Cajado, sempre preocupada com o seu visual, estava no momento a tratar das unhas das mão e, quando foi chamada, ainda perguntou: "Sou eu a seguir ?...":
          "Ainda por meio desses rios, Manaus distribuía pela enorme área produtora de borracha, as importações destinadas à população que trabalhava nos seringais, tornando-se assim, o entreposto comercial de toda a Amazónia. Depois deste ciclo tão importante, Manaus com que estagnou, só voltando a animar-se, sob uma nova influência agrícola".

          Sempre atenta a estas dissertações, está a Regina Lyra. Nem foi preciso chamá-la!
          "Manaus, encontra-se a 20 Km da sua confluência com o Rio Amazonas, cujo curso a montante tem o nome de Solimões; a jusante da embocadura do Rio Negro fica o rio Madeira e a montante o Rio Purus. Embora situada nas margens do Rio Negro, Manaus não está sujeita às inundações na ocasião das suas cheias".

          O seguinte orador a ser chamado foi o Paulo Tamiazo:
          "A capital amazónica fica instalada em terra firme, num ponto onde o rio dela se aproxima. A cidade encontra-se no baixo planalto amazónico, a uma altura de 20 a 30 metros acima do nível médio do rio. Esse planalto termina ao lado do rio por pequenas escarpadas que caem sobre a sua margem".

          Nesta fase, a última a ser chamada foi a Malou. Quando se levantou, uma voz elevou-se dizendo: "Cuidado que a Malou ainda mata você !" :
          "Aí, por ocasião do estio, o rio encontra o seu nível mais baixo, formando-se então pequenas praias arenosas que desaparecem durante a época das cheias. A superfície do planalto é constituída por um conjunto de colinas suaves. Vários igarapés cortam o planalto e dividem-nos em compartimentos ligados, num e noutro local, por pontes. O traçado da cidade é quadricular".

HINO DE MANAUS

          Letra : Madre Dias - Música: Autor Desconhecido

          
           Manaus, terra das florestas
           terra da castanha
           e dos seringais
           Manaus, terra dos Barés
           dos igapós
           rios colossais
           O rio negro magestoso
           vai correndo pressuroso
           o amazonas engrossar
           e com suas negras águas
           no oceano afogar
           Manaus
           A vitória-régia, flor
           ostentando linda cor
           tem no seu desabrochar
           teus sorrisos, teus afagos
           nos teus grandes, belos lagos
           onde garças vão pousar
           Manaus
           Tuas róseas madrugadas
           de baunilhas perfumadas
           trazem alento ao pescador
           ao trépido vaqueiro
           ao heróico seringueiro
           no seu regional labor
           Manaus
           Minha cidade risonha
           o Brasil contigo sonha
           um futuro a ti sorrir
           tu serás farto celeiro
           deste povo brasileiro
           algum dia no provir
           Manaus
           De tu ó minha cidade
           terei um dia saudade
           se de ti me separar
           tuas selvas tem magia
           ó manaus que poesia
           nas tuas noites de luar!
           Manaus

           Fizemos uma pausa para o almoço e fomos almoçar ao Restaurante Canto da Peixada, na Rua Emílio Moreira, 1677, Praça 14. Como já vai sendo habitual, depois da refeição, os nossos amigos brasileiros deram um showzinho. A Marisa Cajado, com um certo sentimento começou a cantar a bela canção:

Luar Do Sertão

Autoria: Catullo da Paixão Cearense e João Pernambuco

          Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão / Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão /
           Oh, que saudade do luar da minha terra, lá na serra, / Branquejando folhas secas pelo chão! /
           Este luar cá da cidade, tão escuro, / Não tem aquela saudade do luar lá do sertão.

          Se a lua nasce por detrás da verde mata / Mais parece um sol de prata prateando a solidão /
           E a gente pega na viola que ponteia, /
           E a canção é lua cheia a nos nascer do coração

          Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão / Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão

          Coisa mais bela neste mundo não existe / Do que ouvir um galo triste, no sertão se faz luar! /
           Parece até que a alma da lua é que descanta, / Escondida na garganta desse galo, a soluçar!

          Ai! Quem me dera que eu morresse lá na serra, / Abraçado à minha terra, e dormindo de uma vez! /
           Ser enterrado numa grota pequenina, /
           Onde à tarde a sururina chora a sua viuvez! / Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão /
           Não há, ó gente, oh não, / Luar como esse do sertão

           Decididamente, o pessoal estava mesmo voltado ao sentimento, ou então às saudades que já começavam a sentir de suas casas e de seus amigos. Quase que espontâneamente, começaram a cantar :

Ave Maria no Morro

Autoria: Herivelto Martins

          Barracão de zinco / Sem telhado, sem pintura / Lá no morro / Barracão é bangalô /

          Lá não existe / Felicidade de arranha-céu / Pois quem mora lá no morro / Já vive pertinho do céu/

          Tem alvorada, tem passarada / Alvorecer / Sinfonia de pardais / Anunciando o anoitecer/

          E o morro inteiro no fim do dia / Reza uma prece Ave Maria / Ave Maria... Ave/

          E o morro inteiro no fim do dia / Reza uma prece Ave Maria / Ave Maria...Ave/

          E quando o morro escurece / Elevo a Deus uma prece / Ave Maria/

          E quando o morro escurece / Elevo a Deus uma prece / Ave Maria/

          
           Para terminar o show, o Paulo propôs que se cantasse uma coisa alegre. Depois de uma breve troca de impressões, todos concordaram em cantar :

A Banda
          
Chico Buarque
          
           Estava à toa na vida, o meu amor me chamou / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor /
           A minha gente sofrida, despediu-se da dor / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor /
           O homem sério que contava dinheiro parou, / O faroleiro que contava vantagem parou /
           A namorada que contava as estrelas parou / Para ver, ouvir e dar passagem /
           A moça triste que vivia calada sorriu /
           A rosa triste que vivia fechada se abriu / E a meninada toda se assanhou /
           Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
          
           Estava à toa na vida, o meu amor me chamou / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor /
           A minha gente sofrida, despediu-se da dor / Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
          
           O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou / Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou /
           A moça feia debruçou na janela / Pensando que a banda tocava pra ela /
           A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu / A lua cheia que vivia escondida surgiu /
           Minha cidade toda se enfeitou / Pra ver a banda passar cantando coisas de amor /
           Mas para meu desencanto o que era doce acabou /
           Tudo tomou seu lugar depois que a banda passou / E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor /
           Depois da banda passar cantando coisas de amor / Depois da banda passar cantando coisas de amor /
           Depois da banda passar cantando coisas de amor / Depois da banda passar cantando coisas de amor
.

           Durante a tarde falámos do Estado do Amazonas, cuja capital é Manaus, a cidade que vamos visitar antes de viajarmos até Belém, no Estado do Pará.
           Assim, os nossos amigos brasileiros começaram a dissertar sobre este tema. Foi a Maria Nascimento que começou:

           ESTADO DO AMAZONAS

          "Estado brasileiro localizado no centro da região Norte. Tem como limites: Venezuela e Roraima (N), Colômbia (NO), Pará (L), Mato Grosso (SE), Rondônia (S), Acre e Peru (SO). Ocupa uma área de 1.577.820,2km2. A capital é Manaus. As cidades mais importantes são: Manaus, Manacapuru, Tefé, Parintins e Itacoatiara. Tem ao mesmo tempo as terras mais altas (pico da Neblina, 3.014m) e a maior extensão de terras baixas (menos de 100m) do Brasil. Juruá, Purus, Madeira, Negro, Amazonas, Içá, Solimões, Uaupés e Japurá são os rios principais. A economia se baseia no extrativismo, mineração, indústria e pesca".

          A Marcia Smith, sempre simpática e muito alegre, continuou:
          "Este Estado, durante os séculos XVl e XVll, foi percorrido por vários exploradores, como Pinzón que descobriu a foz do Amazonas em 1500; Orellana desceu todo o rio em 1541, partindo do Equador e, Pedro Teixeira fez o caminho inverso, em 1638. Estes pioneiros encontraram grande população indígena que muitas vezes lhe era hostil: Tupis, no Pará e no Maranhão; Caraíbas, em Romaima e Amapá, Aruaques, entre o Rio Negro e as Guianas; Jês, no Tocantins; Panos, entre o Solimões e o Purus. Inicialmente, a região era visitada por holandeses, ingleses e franceses, que estabeleceram feitorias para comercializar, com os índios as "drogas do sertão" (plantas aromáticas e especiarias)".

          A Henriette Effenberger, como tesoureira do Navio Cuco, antes de começar a falar, lembrou aos excursionistas que ainda não tinham pago a sua taxa diária. A Comandante Manuela fez-lhe um sinal para que ela tivesse calma. E assim, ela começou a falar:
          "A fim de expulsá-los e assegurar para os portugueses a posse da terra, também disputada pelos espanhóis, foram construídas fortificações militares. Além dos comerciantes de "drogas", também vieram ter à região sertanistas que procuravam índios para escravizar e missionários que pretendiam cristianizá-los. Ao redor dos fortes e das missões religiosas surgiram as povoações que originaram as principais cidades da região. No século XlX, a Amazónia foi visitada por numerosos naturalistas europeus, como : Humboldt (1800), Von Martius e Spix (1817-1820), o príncipe Adalberto da Prússia (1842-1943, Louis Agassiz (1865-1866)".

          A Gislaine Caneles é uma apaixonada pela pesca, não perdendo uma ocasião para estar com a cana na mão. Quando foi convidada para falar, um peixe tinha "picado" e, assim tivemos que fazer uma pausa para que ela tirasse um peixinho de 0,080 Kg ! Debaixo de aplausos pela sua façanha, a Gislaine começou a sua intervenção:
          "Estudaram a fauna, a flora, os minerais e os aspectos étnicos e linguísticos dos indígenas. No fim desse século, a região prosperou com o ciclo da borracha, havendo então uma grande imigração de nordestinos, fugidos da seca de 1877-1879. Entretanto, a partir de 1911, a concorrência da borracha cultivada racionalmente nas colónias inglesas e holandesas, precipitou a sua decadência. Em 1953, o Governo Federal criou a Superintendência do Plano de Valorização Económica da Amazónia (SPVEA), substituída, em 1966, pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazónia (SUDAM), para aplicar recursos financeiros e desenvolver a região".

          A seguir foi convidada a Flóra Cavalcanti, que na altura estava a decorar o bar do Cuco. Ficou algo atrapalhada, nem sabia o que fazer ao pincel que tinha na mão. Tão nervosa estava que o utilizou como se fosse um microfone. A risada foi geral quando começou a falar:
          "O solo do Estado do Amazona, é constituído principalmente por terrenos sedimentares, formando tabuleiros baixos que descem em direcção aos rios. Ao Norte, esses terrenos, elevam-se pouco a pouco, constituindo o planalto das Guianas, de formação cristalina, onde se encontram os pontos culminantes do Brasil: picos da Neblina (3.014 metros de altitude), Trinta e Um de Março (2.992 m) e Roraima (2.772 m). Ao Sul, a bacia sedimentar é limitada pelas encostas setentrionais do planalto brasileiro, com terrenos bastante erodidos, formando extensos degraus de escarpas abruptas. A Oeste, estende-se até aos confortes dos Andes. A grande bacia fluvial do Amazonas possui 1/5 da disponibilidade mundial de água doce e é recoberta pela maior floresta equatorial do mundo, correspondendo a 1/3 das reservas florestais da Terra".

          A Célia Lamounier, quando começou a falar, colocou os óculos na cabeça. Logo o von Trina lhe perguntou se esse gesto era para poupar as lentes. Ela sorriu e logo retorquiu: "Não meu amigo, é que eu comprei óculos para pessoa mais alta do que eu !. Mas se me dão licença, vou começar":
          "Compreende a mata de terra firme, a mata da várzea e a mata de igapó. Há pequenas zonas de campos naturais espalhados pela Amazónia, alguns de terra firme e outros de várzea, como os de Marajó. O clima é do tipo equatorial, quente e húmido, com a temperatura variando pouco durante o ano, embora com grandes variações entre o dia e a noite. Os multi-climas ocorrem devido à maior ou menor precipitação das chuvas. Ventos frios que sopram de Sul, a friagem no Oeste da região. Na Amazónia, o grande vazio demográfico dificulta a exploração dos recursos naturais".

          A Arneyde estava ao telefone com uma sobrinha que é aeromoça, pedindo-lhe para que ela quando voasse por cima do navio, que lhe atirasse umas sandálias que ela tinha deixado em casa por esquecimento. Ultimamente a Arneyde queixava-se de dores num calo do dedo mindinho do pé. Consultou ao Drª Arlinda, que lhe aconselhou a cortar o respectivo dedo... Mas, mesmo com dores de calos, a Arneyde começou a falar do Estado do Amazonas:
          "As maiores concentrações encontram-se no baixo e no médio Amazonas e em torno das principais cidades. A vida da população centraliza-se em torno dos rios, quase sempre navegáveis, que lhe fornecem alimento, água, meios de transporte e de comunicação. A economia é dominada pelo extrativismo vegetal, devido à grande variedade de espécies. Além da seringueira, de onde é extraída a borracha, são colectadas a castanha-do-pará, vários tipos de madeira, gomas, guaraná, babaçu, a malva e muitas outras".

          A Arlinda Lamêgo não perdia um minuto disponível para estar ao sol. Já estava com um bronze lindíssimo ! Deitada numa rede, leu o seu apontamento:
          "A extracção mineral assume importância, já que a região possuí numerosos recursos, como: ouro, no Pará, em Romaima e no Amapá; ferro, no Pará (Serra dos Carajás), no Amapá e no Amazonas; sal-gema, no Amazonas e no Pará; manganês no Amapá (Serra do Navio), no Pará e no Amazonas; além de calcário, cassiterita, gipsita, linhito, cobre, estanho, caulim, diamantes, chumbo e bauxita. Na agricultura, as principais lavouras são as de juta, cacau, mandioca, pimenta-do-reino e as subsistências".

          Por último, foi o Abílio a falar:
          "A criação de gado bovino concentra-se na ilha de Marajó, no baixo e médio Amazonas, em Roraima, nos arrendores de Porto Velho, no Amapá e nos Estados de Goiás, Maranhão e Mato Grosso. A pesca do pirarucu e outros peixes, serve o consumo local. O transporte fluvial ainda é o mais importante, mas começa a ser complementado pelas rodovias federais, como a Trasamazónica e Belém-Brasília e a Manaus – Porto Velho".

FIM DA 1ª PARTE

Música de Fundo: Luar do Sertão

 A seguir:(02)

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