Uma Preciosidade
Num apontamento
saído no Jornal do Comércio, do ano de 1900, fala-se do Rio Amazonas e do Estado com o
mesmo nome: "Amazonas é um dos maiores rios do mundo. Nasce no lago Lauricocha, na
Cordilheira dos Andes (Peru), a 4 mil metros acima do nível do mar, com o nome de
Marañon, e banha o Peru, o Brasil, atravessa enormes florestas virgens e lança-se no
Atlântico, no Estado do Pará. É também chamado Solimões, ao entrar, até à
confluência do rio Negro. Curso aproximadamente de 6 mil quilómetros. Recebe um número
considerável de afluentes, sendo os principais na margem direita: o Ucayalle, o Purus, o
Jutahy, o Madeira, o Tapajós, o Xingu; na margem esquerda: o Napo, o Javary, o Iça ou
Putumayo, o rio Negro, o Trombetas, o Paru e o Jary. Banha as cidades de Tabatinga,
Teffé, Manaus, Óbidos e Santarém. A sua largura na planície brasileira é de 6 a 8 Km.
Da confluência do Xingu em diante, o Amazonas passa a ser um imenso estuário, semeado de
ilhas (a maior das quais, a Caviana, tem 84 Km de comprimento), e a sua largura atinge 15,
25 e 40 Km. A largura da sua foz principal é de 92 Km. Na ocasião das cheias, o Amazonas
penetra do Oceano até cerca de 400 Km. A influência da maré estende-se até 790 Km,
acima da foz.
O Amazonas
foi descoberto, em 1500, por Vicente Yanez Pinzon, que lhe deu o nome de Mar-dulce.
Quarenta anos depois, Francisco Orellana substituiu este nome de Amazonas, por haver sido
atacado pelos índios Cumuris, cuja aparência lhe fez supor ter combatido com uma horda
de mulheres guerreira.
Estado
do Amazonas: É um dos 20 Estados da República do Brasil. Confina com a Guiana
inglesa, as Repúblicas de Venezuela, Colombia, Equador, Peru e Bolívia, e os Estados do
Pará e Mato Grosso. A sua superfície é de 1.897.020 Km2. Cortado de rios imensos,
oferece a mais vasta bacia fluvial do mundo. Capital: Manaus. Cidades principais: Tefé,
Itacoatiara, Paratins, Barcelos, etc. A sua população é de 288 mil habitantes e 26
Municípios. O Congresso do Estado compõe-se de uma Câmara com 24 representantes,
eleitos por três anos. Produz borracha, cacau e salsa-parrilha".
HINO do AMAZONAS
O hino atual do
Amazonas é obrigatório sua execução pelos músicos oficiais, na tonalidade RÉ-maior.
É vigorante desde 1o de setembro
de 1980, aprovado pelo governador José Lindoso, pela Lei no 1404
Letra do HINO DO
ESTADO DO AMAZONAS
Letra de Jorge Taufic - poeta e
jornalista, nascido em Sena Madureira, estado do Acre, no dia 13 de setembro de 1930.
Música de Cláudio Santoro -
regente, músico, compositor e articulador, nascido em Manaus, no dia 23 de novembro de
1919.
Nas paragens
da história, o passado
É de guerras, pesar e alegrias
É vitória pousando
Suas asas sobre o verde da paz que
nos guia.
Assim foi que nos tempos escuros
Da conquista apoiada ao canhão,
Nossos povos plantaram seu berço,
Homens livres na planta do chão.
Amazonas, de bravos que doam,
Sem orgulho nem falsa nobreza,
Aos que sonham seu canto e lenda,
Aos que lutam mais vida e riqueza.
Hoje o tempo se faz claridade,
Só triunfa a esperança que luta,
Não há mais os mistérios
E das matas um rumor de alvorada se
escuta
A palavra em ação se transforma
E a bandeira que nasce do povo
Liberdade há de ter no seu pano
Os grilhões destruindo de novo.
Amazonas, de bravos que doam,
Sem orgulho nem falsa nobreza,
Aos que sonham seu canto e lenda,
Aos que lutam mais vida e riqueza.
Tão radioso amanhece o futuro
Nestes rios de prantos selvagens,
Que os tambores da glória
Despertam ao clarão de uma eterna
passagem.
Mas viver é destino dos fortes,
Nos ensina lutando a floresta
Pela vida que vibra em seus ramos,
Pelas aves, suas cores, sua festa.
Amazonas, de bravos que doam,
Sem orgulho nem falsa nobreza,
Aos que sonham seu canto e lenda,
Aos que lutam mais vida e riqueza. |
BANDEIRA
A atual bandeira do Estado do Amazonas, na forma, tamanho, cores, etc, é vigorante desde
07 de setembro de 1970.
A bandeira do estado tem seu uso
obrigatório nos seguintes lugares e ocasiões:
"Polícia Militar do Estado,
Prefeitura Municipal de todos os municípios, Fundações culturais estaduais e
outros."
É obrigatório o ensino do desenho
da bandeira estadual em todos estabelecimentos de ensino do Estado, primeiro, segundo
graus e ensino profissionalizante.
É proibido colocar qualquer
indicação sobre esta bandeira.
Simbologia
As estrelas de
menor grandeza, correspondem aos 44 municípios do estado, serão aumentadas todas as
vezes que for criado novo município.
No Centro, uma estrela de maior
grandeza, representa o município de Manaus.
1a - fila 12 estrelas
2a - fila 10 estrelas
3a - fila 9 estrelas
4a - fila 12 estrelas
BRASÃO
O brasão do estado do Amazonas foi aprovado pelo Decreto no 204 de 24 de Novembro de 1897
O Brasão do Amazonas foi
constituído por acto do Governo Provisório da República, como se vê na legislação
específica, e regulamentado tempos depois, com o restabelecimento das formas originais.
A ELÍPSE - Significa os rios,
Solimões e Negro, na confluência formando a partir deste ponto o rio Amazonas.
O CAMPO AZUL - Que retrata o céu
brasileiro, uma estrela anunciadora da paz e do progresso.
NO ENGALHAMENTO DOS RIOS - Através
de um barrete Phrygio, representa a nossa lealdade para com a República.
O CAMPO VERDE - Que reflete nossas
florestas.
O ENTRELAÇADO DE DUAS SETAS -
Recordam a génese da nossa grandiosidade, e as DUAS PENAS que as cruzam, a civilização
moderna.
A CORRENTE DE FERRO, ENVOLVENDO A
ELÍPSE - Representa estabilidade da autonomia política no Amazonas.
OS EMBLEMAS DE NAVEGAÇÃO, LIGADOS
POR UM LAÇO VERDE COM DUAS PONTAS DOBRADAS, PENDENDO DA CORRENTE NA PARTE DE BAIXO.
NA PONTA DIREITA - Lê-se a
inscrição 22 de Junho de 1832, data em que a antiga Comarca do Alto Amazonas se
proclamou (por armas) como província independente.
NA PONTA ESQUERDA - 21 de Novembro
de 1889, dia em que o Estado aderiu à revolução ingente, de 15 de Novembro do mesmo
ano.
NA EXTREMIDADE DA ELÍPSE, DESPERTA
O SOL NO ALTO DO ESCUDO, A ÁGUIA AMAZONENSE - De asas abertas, unhas aduncas e o bico
entreaberto, simboliza a grandeza, a força de nossa punjança.
DO LADO DIREITO DO ESCUDO -
Sobressaem os emblemas da indústria.
DO LADO ESQUERDO DO ESCUDO -
Nascendo da âncora, os emblemas do comércio e agricultura.
Depois de visitarmos a linda cidade
de Manaus, a capital do Estado do Amazonas, rumámos direitos a Belém, passando por
terras brasileiras que têm nomes portugueses:
SANTARÉM
(do BRASIL) : A PÉROLA DO TAPAJÓS.
A
cidade de Santarém ocupa uma posição privilegiada: exactamente na junção de dois
lindos e grandes rios, o Amazonas e o Tapajós ( foto ilustrativa ao lado). Em frente da
cidade você pode testemunhar um dos maiores espectáculos do mundo: o encontro das águas
verde-esmeraldas do Tapajós com as águas ocre-argila do Amazonas, as quais correm juntas
por muitos quilómetros sem se misturarem. Esse fenómeno está absolutamente acima de
qualquer descrição ou comparação.
A 710 quilómetros de Belém,
Santarém oferece uma variedade de atracções turísticas. Lindas praias estão
distribuídas ao longo do rio Tapajós, muitas das quais exóticas e primitivas. Você
pode chegar até elas de barco ou de carro. Entre elas destaca-se Alter-do-Chão, com suas
areias claras e águas cristalinas do Tapajós. Uma das curiosidades desse lugar é o lago
verde, cujas águas mudam de cor durante o dia, de azul para verde.
A pescaria é uma das atracções
mais apaixonantes de Santarém, especialmente a pesca do Tucunaré, um peixe difícil de
pescar, o que faz com que essa actividade seja emocionante e divertida do início ao fim.
Há mesmo um torneio Internacional de pesca do Tucunaré, que reúne pescadores do Brasil
e do mundo.
Há também fazendas de búfalo, e
o festival do Çairé, a mais intrigante e brilhante expressão folclórica da região do
Médio-Amazonas.
Em Santarém o turista encontrará
hotéis, restaurantes, lojas de artesanato e agências de turismo, as quais organizam
viagens e excursões aos diversos pontos da região.
SANTARÉM
(Capital do Distrito do mesmo nome PORTUGAL)
Existem várias
hipóteses para a origem do nome SANTARÉM, como:
"Foi em tempos remotíssimos
uma povoação que se chamou ESCA-ABIDIS, nome transformado por corrupção em Escalábis
e Scalábis.
Conta-se que esta primitiva
designação provém de uma lenda que remonta à guerra de Tróia e segundo a qual um
filho de lendário herói grego, Ulisses e da ninfa Calipso, chamado Abdis ou Abidis, foi
abandonado e veio parar às margens do Tejo, onde encontrou alimentação e mais tarde
fundou o povoado, a que chamou "Esca-Abidis" (esca, em latim, é alimento; a
raiz abd, em hebraico quer dizer servo ou servidor). Depois, durante o domínio romano,
passou a denominar-se "Praesidium Julium (nome dado por Caio Júlio César) e
"Scalabicastrum" (Scalábis Castrum), voltando-se a chamar-se simplesmente
Scalábis, quando tomada pelo conde visigodo Sunierico, no ano de 460."
"No reino do Visigótico do
católico Recesvindo, no meado do século Vll, a povoação, de que aqui tratamos, tomou o
nome de SanctHirennia, latinização do nome grego, que significa a paz,
correspondente às formas arcaicas Herena, Eirea, Eirea, Eyrea e às modernas Iria e
Irene."
"SanctHirennia, nome
dado pelo Cristianismo, evolucionou sucessivamente e transformou-se em Santarém através
de várias formas intermédias, documentadas em textos literários antigos, como sejam,
por exemplo, Sanctaeiren (século X), Sancta Herena (século Xl, Sanctaren (século Xll),
e Sanctarem (século XVl), que precedeu imediatamente a forma actual, cujo significado
etimológico é, portanto, simplesmente Santa Iria."
"Santarém é o estado actual
do nome cristão Sancta Hirennia , virgem mártir cuja lenda é muito conhecida. Essa
lenda foi belamente contada por Garrett nas "Viagens na Minha Terra". Quem
quiser deleitar com o assunto leia as formosas páginas da obra garretiana, onde se
relatam as paixões que causou essa "donzela nobre, natural da antiga Nabância e
freira no convento beneditino e de quem se enamoraram um jovem e um monge, os quais nada
conseguiram da pureza da santa, que resistiu a tudo, "forte na sua virtude",
como diz Garrett. A forma latina Herennia vive hoje ainda nos nomes Irene e Iria, e assim
o nome de Santarém corresponde a santa Irene ou Santa Iria, a virtuosa freira que deu o
nome à terra."
Qual destas hipóteses está certa
?... ninguém ainda sabe.
O imponente perfil monumental da
velha Praesidium Julium dos Romanos coroa a abrupta e verdejante colina alcantilada sobre
o rio Tejo, que lhe corre fronteiro, com uma cinta de muralhas de belo recorte, pinaculada
pelas torrelas das antigas igrejas e pela invulgar torre quinhentista do Cabeceiro.
Não obstante só em 1868 lhe ter
concedido o foro de cidade, Santarém ocupou sempre um lugar cimeiro na vida urbana do
Ocidente Peninsular, desde os tempos "antediluvianos" até à macrofalia de
Lisboa. Como uma das primeiras urbes da Península Ibérica, a sua história está
indissolluvelmente articulada com a dos povos que percorreram o tempo no espaço ibérico.
A sua situação geoestratégica, os encantos paisagísticos e o conjunto monumental
justificaram, pois, o refrão que o militar silesiano Erick Lassota Steblovo, ao serviço
de Filipe ll (1º de Espanha), registou no seu diário: "Vila por vila, Valladoid en
Castilla e SantArein en Portugal.
Na sua descoberta andaram
peregrinos medievais, santos, bruxos como Frei Gil, humanistas da Renascença como Cataldo
Parísio Siculo, aristocratas como Cosme de Médicis, pintores, militares, engenheiros, os
"Garretts" das "Viagens da Minha Terra", Herculano com a sua corte,
Fialho, arqueólogos, curiosos e investigadores.
Por escavações realizadas no
nosso tempo, a velha lenda do rei Abidis - narrada por contadores de histórias do século
XVll não deixa de ganhar algum sentido, pois, os artefactos encontrados revelam
ocupação humana desde os finais do Neolítico.
Conquistada pelos Romanos, a velha
cividade dos Tórdulos chamar-se-á por muitos anos Scallabis, até ao raiar da conquista
muçulmana, e será no viário e sede de um convento jurídico.
Foi durante o período muçulmano
que caiu em desuso o topónimo romano e em sua substituição se impôs o de
SantArein, cuja origem se prende ao culto de Santa Iria.
O bairro popular e ribeirinho da
Ribeira de Santarém, onde o culto se desenvolveu, veio depois a determinar o actual
topónimo da cidade, afirmando-se sobre a zona estratégica e aristocrática de Alcáçova
Marvila. Quando o cruzado britânnico Osberno relatou a conquista de Lisboa em
1147, usavam-se ainda, curiosamente, os dois topónimos, mas a força do novo vocábulo
impôs-se rapidamente. O padrão que à santa as Alta Idade Média foi levantado no tempo
de D. Dinis, na ribeira dos Barcos, junto ao rio Tejo, e posteriormente restaurado e
resguardado por cobertura metálica (século XVll e 1755), é um importante elemento da
vida quotidiana dos habitantes. Durante as periódicas cheias, o padrão serve de
nilómetro indicativo da altura das águas e condiciona o comportamento das populações.
Subtraída ao Garbe (ocidente) do
Al-Andaluz numa empresa arriscada do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques, e integrada
toscamente no Estado que se talhava, definem-se-lhe os apoios sociais e o tipo de urbe
militar, condicionantes necessários à prossecução da conquista para o Sul.
O foral de 1179 é a sua primeira
carta de alforria e o seu primeiro "código" de posturas.
IGREJA DA GRAÇA: Local de peregrinação de quase todos os brasileiros que
visitam Portugal, pois, nesta igreja encontram-se os restos mortais do grande navegador
português, Pedro Álvares Cabral. Pertenceu ao extinto Convento dos Ermitas Calçados de
Santo Agostinho (Gracianos). O pórtico é formado por quatro arquivoltas de arcos
quebrados, de cairéis, sobre colunas capitelizadas de motivos vegetalistas, e termina num
majestoso acogulhado do tipo conopial, ou de quarena, inscrito no painel de pedraria
bordada, onde em linhas de arcaturas trilobadas, se releva o escudo liso do fundador.
Remata o conjunto, ao alto, um friso de motivos florais, interrompido ao centro pelo gomo
terminal do arco de querena.
O interior, restaurado em 1951, é
de três amplas naves, separada por doze colunas capitelizadas, donde irrompem arcos
ogivais, vendo-se num dos capitéis, seguro por anjos relevados, o escudo liso dos
doadores. A capela-mor e as absidíolas são cobertas por uma abóbada de nervuras
firmada, num dos fechos, pelo escudo do fundador. A meio do pavimento da capela-mor, fica
o epitáfio de Pedro Álvares Cabral.
ÓBIDOS - (do Distrito de
Leiria - PORTUGAL)
"Alguém,
seduzido pelo maravilhoso, pretendeu que o nome ÓBIDOS foi tirado de "Abidis",
seu suposto fundador, mas figura meramente lendária, que, como filho de Ulisses e da
princesa Calipso, entra também na popular lenda da fundação de Lisboa e de outras
terras.
Mais aceitável, mas ainda assim
pouco satisfatória e duvidosa, é a hipótese, segundo a qual o topónimo ÓBIDOS teria
resultado da junção de três monossílabos latinos, "ob" "id"
"os", confome alguém se lembrou de dizer e tão repetido sem sido. Ora, o
locução latina "od id" era realmente muito empregada com os significados de
"por causa disto, por isto (ou mesmo) em frente disto, diante disto - que significa
boca, abertura ou entrada.
Daqui a suposição de que noutros
tempos, se designava por "ob-id-os" uma grande boca do oceano ou entrada do mar,
que nesses tempos vinha ter junto à vila segundo se diz, e que modernamente se conserva
dela afastada cerca de uma légua, com o nome de Lagoa de Óbidos.
Assim,a designação comum teria
passado a topónimo da povoação, o que só com reservas aceitamos. (Dr. Xavier Fernandes
- 1944).".
Óbidos é uma vila edificada sobre
os alicerces de um "oppidum" luso romano, , foi tomada aos mouros em 1148 pelo
primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Recebeu o primeiro foral de D. Isabel de
Aragão, mulher de D. Dinis, e chamada Rainha Santa Isabel.
Preserva uma pitoresca fisionomia
de conjunto atravessou, sem grandes obliterações, diversas conjunturas históricas.
Constituída por unidade geológica
dominante, esta região do distrito de Leiria, a que a suavidade do relevo empresta uma
amenidade calmante, apresenta-se na sua maior parte com uma aparência bastante
homogénea. Mas tanto para nascente como para poente surgem elevações.
À suavidade da paisagem junta-se a
lembrança do espírito magnânimo da rainha D. Leonor de Lencastre, mulher de D. João
ll, fundadora das Misericórdias, frequentadora das águas medicinais das Caldas da
Rainha, que por tal se chama de "Rainha" em reconhecimento pela sua presença e
porquanto a rainha lhes ofereceu em seu favor.
Amenidade da Natureza a influenciar
os habitantes da região e aqueles que a visitam. E o próprio mar parece também ter sido
influenciado quando, ao entrar pela lagoa de Óbidos, se espraia pela terra adentro,
docemente quebrado nos seus ímpetos.
Só Óbidos, na elevação onde se
alcandorou, oferece um contraste, já pelo seu destacado isolamento, já pela feição
guerreira das suas muralhas, em defesa já não das gentes, mas das recordações do
passado que tão ciosamente guarda para desvendar à vista curiosa e surpreendida do seu
visitante.
Pequena História:
Perdem-se nas brumas do passado as
origens de Óbidos, supostamente habitada desde remotas eras, como o atesta a estação
arqueológica do vizinho Outeiro da Assenta, onde foram encontrados numerosos objectos do
período calcolítico, o que permite pensar poder a sua existência situar-se em épocas
bem recuadas.
Remotos escritores, entre os quais
o autor da "Corografia Portuguesa" atribuem a fundação do futuro
"castro" aos turdulos e celtas por volta do ano 308 antes de Cristo, que o
fortificaram e rodearam de sólidas muralhas.
O seu nome parece derivar das
palavras latinas "-ob-id-os" devido à boca ou braço de mar que outrora chegava
té às muralhas de Óbidos. Há porém, quem considere pueril esta etimologia assim como
outras, porventura mais fantasiosas, inclinando-se a maioria pela sua edificação sobre
os alicerces de um "oppidum" luso-romano.
Vislumbra-se a influência dos
romano, assinalada em vários troços das muralhas e numa ou outra decrépita ruína. São
obscuros os inícios da passagem de outros povos primitivos pela região. Apenas
conjecturas associadas à invasão da Península Ibérica pelos bárbaros, em numerosas
hordas, de que Óbidos seria forçada trilha.
O burgo teria assim sofrido
sucessivamente o domínio dos Alanos, Suevos, Godos e Árabes. É mais acentuada a
presença dos mouros que o Castelo, parte das muralhas, bairro da mouraria e lendas de
"doces moirinhas" evocam. A hegemonia árabe termina com a conquista, em 10 de
Janeiro de 1148, por Gonçalo Mendes da Maia o Lidador (que morreu em plena batalha
contra os mouros, contando 90 anos), esforçado fronteiro-mor de D. Afonso Henriques,
após longo assédio.
Enquanto D. Afonso Henriques
atacava com as suas hostes o lado sul, onde era mais encarniçada a resistência da
moirama, o Lidador acompanhado por um punhado de guerreiros, a coberto de seculares
gingeiras e agaves, penetra, após espinhosa escalada, na soberba fortaleza do castelo,
conquistando para Portugal a localidade que Camões assinala.
Acarinhada pelos reis da dinastia
afonsina (primeira dinastia), que não raro dela fizeram morada, é reedificada e ampliada
por D. Afonso Henriques, fortalecida e povoada por D. Sancho l, que em 1186 fixou
residência durante algum tempo. Óbidos foi em 7 de Dezembro de 1210, doada por D. Afonso
ll a sua mulher D. Urraca.
As conhecidas desavenças de D.
Sancho ll com o clero e a nobreza, que em 1224 o trouxeram a fixar temporariamente
residência em Óbidos, atraíram numerosos fiéis, que junto de D. Mácia, rodeada de
damas e donzelas formaram improvisada corte.
É no reinado deste infeliz monarca
que D. Afonso ainda Conde de Bolonha, mais tarde D. Afonso lll, impôs apertado assédio a
Óbidos, que durante oito longos e heróicos anos tenazmente resistiu ao cerco, escrevendo
sublime página da sua história.
Era então Alcaide-Mor de Óbidos,
D. Fernando Ourigues de Aboim, fidalgo cavaleiro, que acompanhado por outros dois
fidalgos, Vasco Moniz e Gonçalo de Sequeira e outros nobres, defendeu os direitos de D.
Sancho recusando obediência ao Bolonhês, até se certificar da legalidade dos seus
direitos. A resistência heróica dos moradores, auxiliados por Frei D. Pedro Gonçalves,
Abade de Alcobaça, não permitiu a conquista de Óbidos, tendo D. Afonso lll depois de
coroado rei, galardoado essa fidelidade concedendo-lhe além de privilégios e mercês, o
título de "sempre leal" que alia ao de "mui nobre" como já se
ornava.
D. Dinis, que ampliou Óbidos e
reedificou o Castelo, concedeu-lhe por carta régia o senhorio da Vila, como prenda de
casamento juntamente com outras vilas e castelos, a sua mulher, D. Isabel de
Aragão, também conhecida por Rainha Santa Isabel, ficando desde então pertença da
"Casa das rainhas", até 1834, em que foi extinta.
Nos últimos anos do reinado de D.
Afonso lV esteve recolhida neste castelo, a infeliz D. Inês de Castro, tendo D. Pedro
doado mais tarde à Câmara extensos terrenos pantanosos que separavam a Vila da Lagoa e
chamada a Veiga de Óbidos.
D. Fernando l reformou o castelo,
reparou as muralhas e mandou construir a Torre de Menagem, tendo doado também Óbidos a
sua mulher, D. Leonor Teles.
Continuando a pertencer à
"Casa das rainhas" foi domínio de D. Filipa de Lencastre o aprazível passadio
de D. João l que aqui mudou, em 12 de Agosto de 1427, o calendário da era de César para
a de Cristo.
Existem reminiscência de ter sido
em Óbidos que D. Duarte escreveu o seu livro "A arte de bem cavalgar toda a
sela".
Foi na Igreja de Santa Maria que D.
Afonso V contraiu matrimónio com sua prima D. Isabel.
É, porém, da época de D. João
ll que Óbidos conserva as suas mais piedosas recordações. Foi nesta vila de D. Leonor
de Lencastre, veio pratear em 1491 a morte desastrosa de seu filho D. Afonso, aqui
fundando a segunda Misericórdia de Portugal, em 1498, na Capela do Espírito Santo, na
Capela do Espírito Santo, que dotou de fartas rendas e mercês. Deve-se ao seu amor pelos
pobres a fundação do Hospital de Caldas da Rainha, no termo da Vila de Óbidos, que
dotou com grande liberalidade.
Data do tempo de D. Manuel l a
última reforma do castelo, concedendo a Óbidos novo foral em 20 de Agosto de 1513,
substituindo o dado por D. Isabel, a Rainha Santa, em 1326.
Falámos em Alter do Chão (Brasil)
mas em Portugal existe também este topónimo.
Alter do
Chão (Distrito de Portalegre - Portugal)
"A
antiga Coudelaria Real foi uma das instituições, talvez a mais importante para a
divulgação do nome de Alter do Chão. Foi fundada em 1748, no reinado de D. João V, por
iniciativa do então ainda príncipe D. José, e destinava-se a fornecer cavalos de boa
qualidade produzidos em Portugal. A produção foi iniciada com 40 éguas andaluzes e
depressa o número de cabeças ultrapassou as duas centenas. Daqui saiu o cavalo
"Gentil", modelo do cavalo da estátua de D. José (Praça do Comércio
Lisboa). A raça conseguiu manter-se pura até às Invasões Francesas. Nessa época,
juntaram-lhe éguas francesas, assim como cavalos ingleses e alemães, e a coudelaria
entrou em decadência. Diminuiu a corpulência e a falta de ardor. Na tentativa de
recuperar a raça, pensando em obter cavalos de corrida, utilizaram-se garanhões árabes,
o que tornou a cabeça dos descendentes um pouco mais pequena. Nos finais do século XlX,
voltaram a juntar-lhe cavalos espanhóis, numa tentativa de conseguir de novo a
rusticidade e envergadura, perdidas. Já no século XX reintroduziram-lhe cavalos
orientais, agora com a intenção de se obterem cavalos militares. Porém, pela década de
1930, a raça dos cavalos de Alter estava praticamente extinta.
Sobre a História de Alter do
Chão, sabe-se que foi povoação importante no tempo dos romanos, situando-as na Via
Lisboa-Mérida. Chamava-se então Elteri ou Eltori e, teria sido destruída pelo Imperador
Adriano por se ter rebelado contra ele. Como testemunho dessas épocas, encontram-se
inúmeros vestígios romanos no aro da vila. As tradições pagãs mantiveram-se durante
séculos, embora cristianizadas".
A seguir: Belém, a capital do
Estado do Pará.