"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

NATAL

A CAMINHO DE NATAL

2ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)

         

A cidade de Natal, a capital do Estado do Rio Grande do Norte estava quase à vista. Era tempo de começar a falar um pouco de Natal. Depois de ter sido feito o sorteio, calhou à Célia ser a primeira oradora (e que grande oradora !), que começou:

         
NATAL (cidade)

          "Natal é capital do Estado do Rio Grande do Norte, está situada junto da embocadura do Rio Potenji. O local urbano é constituído por uma planície litorânea arenosa, com dunas móveis, dominada por tabuleiros terciários, sobre os quais se instalou a cidade na margem direita do Rio Potenji. Apenas os sectores mais pobres é que ocupam a encosta do tabuleiro e a parte contígua da planície arenosa".
          A segunda oradora devia de ter sido a Arlinda Lamêgo, que não gosta mesmo nadinha de falar e arranja, quase sempre, justificação para não falar. Deste vez, alegou que tinha que ir colocar um penso em cima de um calo do pé esquerdo da Vilma ... Enfim ... Mas gostosamente, a Arneyde tomou o lugar dela:
          "A expansão da cidade nesta planície vem sendo impedida pelo deslocamento das dunas e pelos ventos constantes carregados de areia. Desta forma as belas praias de Natal, com excepção da Praia de Areia Preta, não puderam ser aproveitadas para a instalação de bairros residenciais. Ponto de convergência das principais vias de comunicação do Estado do Rio Grande do Norte, a cidade de Natal tornou-se, além de Capital político-administrativa, a sua capital económica".
          A "detective" Luiza Helena, apressou-se logo para seguir à Arneyde, mas com a precipitação, ao levantar-se deixou cair os apontamentos que tinha na mão. Sempre gentil, o Engº Tito Olívio logo se debruçou e apanhou os apontamentos. E assim, pode começar a sua dissertação:
          "A cidade teve início em 1598, com a construção do Forte dos Reis Magos, após a expulsão dos franceses e a pacificação dos seus aliados, os índios potiguares. O crescimento da cidade foi lento e, em 1614 possuía apenas 12 casas e uma igreja pobre e sem portas; em 1759 somente 118 casas. O seu desenvolvimento teve início no princípio do século XX, quando se concluíram as obras do porto, iniciadas em 1892. O seu desenvolvimento verdadeiro deu-se durante a 2ª Grande Guerra, com a instalação de uma importante base aeronaval, destinada a controlar as comunicações com a África através do Atlântico".
          "Agora é a vez do Abílio, o meu querido maridinho !". Todos se riram e apreciaram o carinho da Luiza para o seu esposo, que se encontrava junto dela, talvez para a ajudar caso ela caísse ..:
          "Desde a data do descobrimento do Brasil, até o final do século XVI, o território correspondente ao atual Estado do Rio Grande do Norte era habitado pelos indígenas. A região era freqüentada por piratas franceses, que mantinham relações comerciais com os índios potiguares. Do escambo realizado entre eles, os franceses contrabandeavam madeiras nobres, peles de animais, penas de aves raras, âmbar, minérios, fios de algodão, cereais, plantas medicinais e outros produtos da terra. Temendo perder o território, para os corsários franceses, o rei de Portugal ordenou a colonização da Capitania do Rio Grande. Em 1598, foi iniciada a construção da Fortaleza dos Reis Magos e, em 1599, fundada a Cidade que e a Capital do Rio Grande do Norte. O povoamento da Capitania foi muito lento. Em 1630 existiam apenas trinta casas de taipa em Natal.
          A Vilma foi a seguinte oradora. Uma voz se elevou para lhe perguntar se a Drª. Arlinda lhe tinha feito um bom tratamento a seu calo. No meu de uma risada geral, ela mostrou o seu pezinho com um enorme penso... :
          "A invasão holandesa, em 1633, interrompeu bruscamente a evolução urbana da Cidade recém fundada. Após a expulsão dos flamengos (1654), a Cidade foi reedificada. A partir das primeiras décadas do século XVIII, teve início a sua expansão em direção a Ribeira. Em 1757, já existiam cento e dezoito casas em Natal, alem dos prédios, das igrejas, cadeia, erário,. praça e pelourinho. Natal media oitocentos e oitenta metros de comprimento por cento e dez de largura. No início do século XIX, estimava-se uma população em torno de setecentos habitantes. O bairro da Ribeira já indicava sua vocação comercial. As grandes transformações sociais, políticas e culturais ocorridas na Colônia com a instalação da corte portuguesa no Brasil a partir de 1808, repercutiu na Província do Rio Grande do Norte".
          E a Vilma armada em apresentadora, anunciou a próxima oradora: "E seguidamente, tenho o grato prazer de apresentar a minha amiga, Flora Cavalcanti iiiii !!!". Ao contrário do habitual, a Flora não apareceu com o seu habitual pincel, mas sim, com uma matéria entre mãos, a qual com calor vai ficando mais rija ...:
          "O estilo neoclássico, trazido pela Missão Artística ao Brasil, atravessou todo o século XIX e deixou alguns exemplares arquitetônicos significativos, ainda existentes no Rio Grande do Norte, especialmente em Natal. O século XX trouxe consigo o progresso decorrente da Revolução Industrial. Natal antecipou-se ao Movimento Modernista Nacional, com a criação do primeiro Plano Urbanístico da Cidade, através da Resolução nº 15 de 30/12/1901, que criou a Cidade nova, compreendendo os bairros do Tirol e Petrópolis. O plano foi traçado pelo arquiteto Antônio Polidrelli. Em 1902, a instalação da Comissão das Obras do Porto impulsionou o povoamento do Ribeira".
          Ainda com ar algo comprometida, com aquele caso do Nepturno, a Henriette levantou-se para ler os seus apontamentos:
          "Em 1929, Giacomo Palumbo, a convite do prefeito Omar O'Grady elaborou o Plano de Sistematização para Expansão Urbana de Natal. Quando ocorreu, no Brasil, a decretação do "Estado de Guerra", por ocasião da Segunda Guerra Mundial, o Rio Grande do Norte, devido a sua privilegiada posição geográfica, foi o local escolhido pelos militares americanos para instalação de uma base aérea. Natal tornou-se então conhecida como o "Trampolim da Vitória". A partir daquele período foi crescente a evolução urbana de Natal. A cidade expandiu-se, novos bairros foram criados e abertas largas avenidas. Natal continua crescendo a cada dia. A via costeira foi implantada, com uma ampla rede de confortáveis hotéis. Novos prédios são construídos diariamente. O elevado número de turistas que visita Natal, já elevou a Cidade a condição de Pólo Turístico Regional".
          Estava na altura de fazer uma pausa para o almoço. Assim, todos foram almoçar a um restaurante do centro da cidade. Como habitualmente, depois da refeição e ainda no restaurante, foram cantadas canções brasileiras e portuguesas. O brasileiros começaram com o samba:

          Brasil Pandeiro - Samba de Assis Valente
         
          Chegou a hora dessa gente bronzeada, / Mostrar seu valor, / Eu fui a Penha e pedi a padroeira, /
          Para me ajudar, / Salve o morro do vintém, / Pindura a saia que eu quero ver, /
          O Tio-Sam tocar pandeiro, / Para o mundo sambar. / O Tio-Sam está querendo, /
          Conhecer a nossa batucada / Anda dizendo que o molho da baiana, / Melhorou seu prato, /
          Vai entrar no cuscuz, acarajé e abará, /
          Na Casa-Branca já dançou a batucada, / Com Ioiô e Iaiá... / Brasil, Brasil, esquentai vossos pandeiros, / Iluminai os terreiros, / Está na hora de sambar. //
         
          Há quem sambe diferente, / Noutras terras, outra gente, / Num barulho de matar, oi, /
          Batucada reuní vossos valores, / Pastorinhas e cantores, / Expressões que não tem par, /
          Oh ! Meu Brasil, / Brasil, esquentai vossos pandeiros, / Iluminai os terreiros,
          Que nós queremos sambar... / ô, ô, ô....

          Os portugueses replicaram com uma canção vencedora do Grande Prémio RTP – 1972. Os "maestros" voo Trina e Cristinha, deram o tom:

          A Festa da Vida - Música: José Calvário - Letra: José Niza
         
          Que venha o sol o vinho e as flores / Marés, canções de todas as cores /
          Guerras esquecidas por amores;//
         
          Que venham já trazendo abraços / Vistam sorrisos de palhaços / Esqueçam tristezas e cansaços;//
         
          Que tragam todos os festejos / E ninguém se esqueça de beijos / Que tragam pendas de alegria /
          E a festa dure até ser dia;//
         
          Que não se privem nas despesas / Afastem todas as tristezas / Pão vinho e rosas sobre as mesas; /
          Que tragam cobertores ou mantas / E o vinho escorra p'las gargantas / E a festa dure até às tantas;//
         
          Que venham todos de vontade / Sem se lembrarem de saudade / Venham os novos e os velhos /
          Mas que nenhum me dê conselhos! //
         
          Que venham todos de vontade / Sem se lembrarem de saudade / Venham os novos e os velhos /
          Mas que nenhum me dê conselhos!

          Aproveitando a contra-luz de uma janela em que realçava a sua bela figura e o seu violão, a Marisa Cajado cantou uma das suas canções originais:

          Prece do Poente - Marisa Cajado.
         
          Cai a tarde / Róseo véu encobre o céu / Peito arde e uma paz / A alma invade / No silêncio a noite / Vem devagarinho / E cá dentro recolhido / O coração reza baixinho //
         
          Oh! Tu que fizeste o luar / Que coloriste o céu / Puseste água no mar / Oh! Tu que acendeste as estrelas / Me deste olhos para vê-las / E me dás o dom de amar / Oh! Tu que sempre move o vento / Faz a flor cada momento / Seu perfume espalhar / Que magia destes às matas / Que derrama as cascatas / E põe o sol para as manhãs dourar / Que rege a natureza em sinfonia / Oh! Meu Deus minh'alma guia /
          Pra fazer parte de um teclado / Ou de um instrumento afinado / Com a tua melodia.

          No final do repasto e da festa, todos regressaram ao Navio Cuco, desta vez para falar do Estado de que a cidade de Natal é capital.
          Calhou à Comandante Manuela Madeira começar a falar do Estado do Rio Grande do Norte:

         
"Estado do Rio Grande do Norte

          A Capitania do Rio Grande do Norte foi doada a João de Barros, mas só foi ocupada pelos portugueses no final do século XVl. Em 1535, um expedição organizada pelo donatário e pelos seus sócios Aires da Cunha e Fernão Álvares de Andrade, foi impedida de desembarcar pelos franceses, que na altura exploravam as riquezas naturais do litoral, e pelos índios, amigos dos franceses e hostis aos portugueses. Em 1597, foi organizada uma expedição com a finalidade de combater os franceses, construir uma fortaleza e fundar uma cidade. Esta expedição foi comandada por Manuel Mascarenhas Homem, Feliciano Coelho de Carvalho e Jerónimo Albuquerque. O começo da construção do Forte dos Santos Reis Magos, foi iniciada e Janeiro de 1598 e concluída em Junho do mesmo ano.
          Embora procure sempre fugir, alegando que é artista plástica ( grande, acrescentamos nós) a Malu estava procurando esconder-se, e, quando o coordenador a chamou, ela quando passou pelo Carlos, disse-lhe em tom de ameaça: "ainda mato você!":
          "O combate aos franceses estendeu-se até ao fim do ano, o que determinou a fundação da cidade de Natal, em 1599. O povoamento da região ocorreu lentamente, até 1633, ocasião em que foi invadida pelos holandeses. A exploração do sal, a cultura da cana-de-açúcar e a expansão de pecuária foram os principais objectivos dos holandeses. Mas em 1654, deu-se a sua expulsão, continuando a exploração do sal e da pecuária. Mas como os donos das terras não tinham dinheiro para comprar escravos africanos, passaram a aprisionar índios. Por volta de 1683, várias tribos indígenas rebelaram-se contra esta situação, e a rebelião ficou conhecida como Confederação dos Carris e, prolongou-se até ao início do século XVlll, quando foi dominada por tropas paulistas chefiadas por bandeirantes paulistas".
          A seguir foi convidada uma moça de enormes e belos olhos: a Regina Lyra, que sorrindo, começou a ler os seus apontamentos:
          "O principal foco da luta foi o Sertão do Rio Grande do Norte. Em 1701, a coroa portuguesa submeteu o Rio Grande do Norte ao governo de Pernambuco, o que trouxe prejuízos imensos para a capitania, e uma resolução real de 1758, a capitania proibiu a comercialização do sal e a partir de 1788 a capitania também ficou proibida de exportar carne seca. Somente no século XlX, após a Independência do Brasil, o Rio Grande do Norte retomou o seu desenvolvimento. Em 1820, foi criada a Alfândega Independente de Natal, o que deu novamente autonomia às exportações da capitania. Com a independência do Brasil, a capitania passou a província do Império. A instalação dos Correios em 1829, foi muito importante para a província, assim como o transporte ferroviário em 1873 e o telégrafo em 1879".
          O Paulo Tamiazo, que já estava a mostrar a sua impaciência para apresentar o seu trabalho, quando ouviu chamar o seu nome, levantou-se rapidamente e dirigiu-se ao palco. Ao passar pelo voo Trina, este interpelou-o: "Óh pá, tu és uma pessoa tão atenta e tão protestante, será "defeito de fabrico" ?. O Paulinho olhou para ele, respondendo-lhe: "Nós logo conversamos...". E começou a sua actuação:
          "Todavia, a grande seca de 1877 prejudicou bastante o desenvolvimento norte-rio-grandense. Com a proclamação da República, a província foi transformada em Estado, cuja política durante muitos anos foi dominada pelo chefe republicano Pedro Velho de Albuquerque. Em 1935, quando em vários pontos do Brasil os comunistas deflagraram rebeliões, instalou-se em Natal um Comité Popular Revolucionário, comunista, que se apossou do governo sem encontrar grande resistência, mas durou só cerca de quatro anos. A Segunda Grande Guerra Mundial apressou o desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte, pois a sua situação geográfica próxima do Sul da Europa e do Norte de África, dava-lhe enorme importância estratégica. Em 1940, os Aliados transformaram o tabuleiro do Parnamirim, ao Sul de Natal, numa base aérea para as suas operações contra o poderia nazista no norte de África. Afluíram para esta região militares de vários países, que utilizaram as reservas de tungsténio da região para fins militares, activando a economia do Estado".
          Era a vez da Luiza Terra, que alegando uma passageira má disposição, delegou em seu marido para falar por ela. O Abílio, avisou logo que a Luiza tinha "letra de médico" que lhe ia dificultar a leitura. Até aí muito caladinha, a Arlinda Lamêgo logo se levantou, protestando: "Médica sou eu, e tenho a letra bem redondinha e bem desenhada !". (o que é uma raridade, acrescentamos nós). Entretanto, o Abílio tinha mudado de óculos para poder ler melhor o que sua esposa tinha escrito:
          "O grande problema de sempre do Rio Grande do Norte, foram as secas, que provocam migrações para as cidades, para a Amazónia e para o Sul do Brasil. O relevo do Estado é dominado por planícies e chapadas que raramente ultrapassam 300 metros de altitude. O planalto, que corresponde à extremidade norte da serra da Borborema, penetra pelo sul do Estado do Rio Grande do Norte, mantendo-se afastado do litoral. No centro-sul a sua altitude média eleva-se a mais de 600 metros. As terras baixas cercam o planalto a leste, norte e oeste, correspondendo às faixas costeiras. As serras surgem a sudoeste, na zona fronteiriça com a Paraíba e o Ceará. Alguns maciços isolados alcançam mais de 600 metros de altitude, como a serra dos Martins, ponto culminante do Estado".
          O Humberto, alegando uma forte dor de coluna, convidou a sua esposa para ler o que tinha escrito, em bela letra do computador. Mas a Margarida, não aceitou, alegando que a tinta que tinha posto nos cabelos, não estava ainda bem seca. "Vai tu, meu querido ... tu até tens uma linda voz e eu, muito gosto de te ver em cima do palanque ... E assim convenceu o Humberto, que não teve outro remédio senão leu o que tinha escrito:
          "Os rios dividem-se em dois grupos: os que desembocam no litoral leste (Maxaranguape, Ceará-Mirim, Potenji ou Grande do Norte e Curimataú), e os que desembocam no litoral norte (Apodi ou Moçoró e Piranhas ou Açu). Todos estes rios são temporários, isto é, secam no Verão. A caatinga domina a maior parte deste Estado, cobrindo as porções central e oeste do território, o Sertão. Na parte leste, domina o Agreste, enquanto a floresta tropical só é encontrada no extremo sudeste. No litoral leste, o clima é tropical húmido, com temperatura média de 24º C. Este Estado é pouco extenso e de população reduzida e, a sua economia tem como base as actividades agropecuárias. Cultivado principalmente no Sertão e no Agreste, o algodão é o principal produto agrícola".
          A Henriette seria a oradora seguinte, mas estava a atender uma demorada chamada, falando e rindo de tal maneira, que mesmo os mais bisbilhoteiros não conseguiam entender patavina. Em seu lugar, foi chamada a Gislaine Canales, que por acaso naquela altura, não se encontrava a pescar, e que falou por ela e pela sua amiga Arneyde:
          "O segundo produto é o feijão, e o sisal, introduzido posteriormente, é o terceiro produto. Com a importância menor, segue-se a produção de mandioca, cana-de-açúcar, milho, batata-doce e coco-da-baía. A cera de carnaúba é o produto mais importante da extracção vegetal. Também merecem destaque a oiticica e a castanha-de-caju. Em quase todo o Estado, a pecuária aparece como actividade secundária, mais voltada para o consumo local. O principal rebanho é o bovino, concentrado no Agreste. A indústria norte-rio-grandense limita-se praticamente à transformação e aproveitamento de produtos agrícolas. Todavia, a extracção de produtos minerais desempenha papel importante na economia. O litoral norte é a mais importante área salineira, e assim o Rio Grande do Norte contribuí com a maior produção de sal do Brasil".
         
         
Bandeira do Estado do Rio Grande do Norte
          Lei n. 2.160 de 03 de dezembro 1957 (transcrição da publicação)
         
          Institui Bandeira para o Estado do Rio Grande do Norte.
          O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE:
          Faço Saber que o Poder Legislativo decreta e eu sancionao a seguinte lei:
          Art. 1º - A Bandeira do Estado do Rio Grande do Norte, é constituida de um retângulo com um metro e meio ( 1m,50) por um metro (1m,00) dividido ao meio do sentido horizontal, sendo a parte superior de côr verde idêntica à da Bandeira Nacional, e a parte inferior de côr branca. Ao centro do retângulo, um campo amarelo em fórma de escudo, servindo de fundo ao brazão do Estado, instituido pelo decreto n. 201, de 1º de julho de 1909.
          Art. 2º - O desenho original da Bandeira será arquivado na Secretaria do Interior e Justiça e dêle se tirará uma cópia autêntica , destinada ao arquivo do Instituto Histórico e Geográfico.
          Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.
          Natal, 3 de dezembro de 1957, 69º da República.
          DINARTE DE MEDEIROS MARIZ
          Lélio Augusto Soares da Câmara
          Anselmo Pegado Cortês
          Tarcísio de Vasconcelos Maia
          Dary de Assis Dantas
          Claudionor Telogio de Andrade
         
         
Brasão do Rio Grande do Norte
          Decreto n. 201, de 1º de Julho de 1909 (transcrição da publicação)
          Crêa o brazão de armas do Estado do Rio Grande do Norte O Governador do Estado do Rio Grande do Norte, tendo ouvido a respeito o Instituto Historico e Geographico,
          Decreta:
          Art. 1º - O brazão de armas do Estado do Rio Grande do Norte é um escudo de campo aberto, dividido a dois terços de altura, tendo no plano inferior o mar, onde navega uma jangada de pescadores, que representam as industrias do sal e da pesca. No terço superior, em campo de prata, duas flores aos lados e ao centro dois capulhos de algodoeiro. Ladeiam o escudo, em toda sua altura, um coqueiro á direita e uma carnaúbeira á esquerda , tendo os troncos ligados por duas cannas de assucar, presas por um laço com as côres nacionaes. Tanto os móveis do escudo, como os emblemas, em cores naturaes, representam a flora principal do Estado. Cobre o escudo uma estrella branca, symbolizando o Rio Grande do Norte na União Brasileira.
          Art 2º - O desenho original deste brazão de armas, executado pelo sr.
          Corbiniano Villaça, será archivado na Secretaria do Governo e d'elle se tirará uma copia authentica para o archivo do Instituto Histórico e Geographico do Estado.
          Art 3º - Revogam-se as disposições em contrario.
          Palacio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, 1º de Julho de
          1909, 21º da Republica.
          ALBERTO MARANHÃO
          Henrique Castriciano de Souza
         
         
Hino do Estado do Rio Grande do Norte
          Lei n. 2.161, de 3 de dezembro de 1957 (transcrição da publicação)
         
          Oficializa o hino do Estado do Rio Grande do Norte. O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE:
         
          Faço Saber que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte lei:
          Art. 1º - Fica oficializado o hino do Rio Grande do Norte, de autoria do poeta Norteriograndense dr. José Augusto Meira Dantas e música de José Domingos Brandão.
          Art. 2º - Os versos e a música serão arquivados na Secretaria do Interior e Justiça do Estado.
          Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário
         
          Natal, 3 de dezembro de 1957, 69º da República.
          DINARTE DE MEDEIROS MARIZ
          Lélio Augusto Soares da Câmara
          Anselmo Pegado Cortês
          Tarcísio de Vasconcelos Maia
          Dary de Assis Dantas
          Claudionor Telogio de Andrade

   HINO DO RIO GRANDE DO NORTE
          I
          Rio Grande do norte esplendente
          Indomado guerreiro e gentil,
          Nem tua alma domina o insolente,
          Nem o alarde o teu peito viril !
          Na vanguarda , na fúria da guerra
          Já domaste o astuto holandês !
          E nos pampas distantes quem erra,
          Ninguém ousa afrontar - te outra vez !
          Da tua alma nasceu Miguelinho,
          Nós, como ele, nascemos também,
          Do civismo no rude caminho,
          Sua glória nos leva e sustém !
          ESTRIBILHO
          A tua alma transborda de glória !
          No teu peito transborda o valor !
          Nos arcanos revoltos da história
          Potiguares é o povo senhor !
          II
          Foi de ti que o caminho encantado
          Da Amazônia Caldeira encontrou,
          Foi contigo o mistério escalado,
          Foi por ti que o Brasil acordou !
          Da conquista formaste a vanguarda,
          Tua glória flutua em Belém !
          Teu esforço o mistério inda guarda
          Mas não pode negá-lo a ninguém !
          É por ti que teus filhos descantam,
          Nem te esquecem, distante, jamais !
          Nem os bravos seus feitos suplantam
          Nem teus filhos respeitam rivais !
          III
          Terra filha de sol deslumbrante,
          És o peito da Pátria e de um mundo
          A teus pés derramar trepidante,
          Vem atlante o seu canto profundo !
          Linda aurora que incende o teu seio,
          Se recama florida e sem par,
          Lembra uma harpa, é um salmo, um gorjeio,
          Uma orquestra de luz sobre o mar !
          Tuas noites profundas, tão belas,
          Enchem a alma de funda emoção,
          Quanto sonho na luz das estrelas,
          Quanto adejo no teu coração

         Carlos Leite Ribeiro

A seguir:(03)

índice da Viagem

 

Música de Fundo: Brasil Pandeiro - Assis Valente