Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)
Aproximava-se a hora
da partida do Navio Cuco, para o Recife. No convés do navio, ancorado ao largo de João
Pessoa, iam chegando os passageiros que, ao mesmo tempo, eram passageiros. Com a crise
económica mundial que se faz sentir, a Coordenação e a Comandante Manela, resolveram
acabar com os tripulantes profissionais (para reduzir custos) considerando todos como
passageiros pagando a sua respectiva passagem. Os primeiros a chegar foram os de
"Fortaleza", a Eliane Arruda acompanhada pelas suas amigas, Lena , Angélica
Mello e a Vilma Matos, que logo entabularam uma conversa quase interminável com a bela
Comandante Manela, que se apresentava muito bem penteada e com uma linda permanente de
cachos miudinhos, com madeixas verde / encarnadas. Seguiram-lhe o par Rosélia /
Celestino, com duas enormes malas que, no dizer da comandante e do pessoal de
"Fortaleza" deviam de vir carregadas de pilhas. O Baçan, chegou acompanhado
por: Nelson Haroldo, Kátia Aguiar, Paulo e Adriana Tamiazo, Henrique Lacerda e Elaine e
Selma. Felizmente para estes amigos, o barquito que os transportou do porto de João
Pessoa para o Cuco, só se começou a afundar perto do navio, o que quer dizer, que
fizeram os últimos metros a nado. O casal Abílio e Luiza Terra, chegaram mal-dispostos
um com o outro, discutindo mesmo no barquito, mas quando subiram para o navio, abriram o
sorriso e parecia que estava tudo bem. A Alzira chegou junta com os amigos, Gislaine
Canales, Marcia Smith, Marry Charme e Marcia Agrau. Algum tempo depois, chegou um casal,
muito alegre e feliz, que cantava, dançava, pulava e se beijava: era o António Zumaia e
a Baronesa de Vilalice . Cheios de felicidade, subiram para o Navio Cuco e, qual o seu
espanto, deram de caras com a Alzira Sá, que em pé e com ar muito desagradado e severo,
os aguardava. O casal quase que se atirava ao mar em presença de tal companhia. Valeu o
preciosa intervenção da Comandante Manela, que logo determinou que os três, ficavam no
mesmo camarote. Linda como sempre, chegou a Zena Maciel, de cabelo cortado muito curto e
pintado de negro; logo se ofereceu para chefe de cozinha, pois como sabemos, é uma
cozinheira muito competente, sendo o seu prato favorito, ovos fritos ou omoletes, com
batatas fritas ou cozidas e salada de alface e tomate. Já há muito que tinha passado a
hora apresada para a partida e o von Trina, a Cristina Estrompa e a Rainha, não
apareciam. Todo começaram a ficar muito preocupados com a situação e, quando já a
comandante estava para mandar um radio às autoridades para anunciar o seu
desaparecimento, heis que um barquito foi avista dela Flóra que estava no alto do mastro,
de grande e comprido óculo nas mãos, perscrutando o horizonte. "Amigos, eles
(os três) vêm naquele barco !". Todos olharam na direcção indicada e, logo viram
que o barquito vinha balançando muito, com o von Trina em pé, com uma garrafa na mão,
parecendo que estava discursando. Cambaleando e sempre amparado (?) pela Cristina e a
Rainha, a muito custo, lá conseguiu subir para bordo, onde tentou continuar o discurso:
" (...) numa época ... glop ... tão, tão ... glop ... porque estão a olhar ...
glop ... para mim ... glop ... com essas caras ? ... glop ... todos estão com duas ou
três ... glop ... caras ...glop". A Rainha, com a voz trémula, foi desculpando
que tinha ido a uma feira de chop e
que tinha bebido uns copos, mas que, tanto ela como a Cristina, não estavam, digamos,
etilizadas . A Cristina até foi um pouco mais longe ao afirmar que, estavam sim um pouco
tontas, mas era devido ao bafo do von Trina ! A Manela não se deixou convencer,
lamentando o sucedido e, sobretudo, não a terem convidado para os chopinhos. Como
castigo, foram mandados para a casa das máquinas. Quando estavam a ligar os motores,
deu-se uma explosão e, quase de seguida, os três apareceram no convés todos
mascarrados, dos cabelos aos pés, incluindo as unhas. Ao verem aquelas figuras, toda a
turma se "desmancharam" a rir, pois esta turma só se ri com as desgraças dos
outros ! Pedindo voluntários para pôr os motores a trabalhar para seguir viagem, a
Comandante teve a sorte de os amigos, Henrique, Abílio e Celestino se oferecerem para tal
serviço e, assim, o Navio Cuco começou a sua viagem rumo ao Recife.
Depois de alguns dias de
navegação sem problemas de maior, a não ser uns protestos (sem fundamento) que o comer
não seria do mais saboroso e, cada dia que passava, o pobre António Zumaia,
apresentava-se cada vez mais arranhado e com imensos hematomas espalhados pelo corpo (até
onde era permitido ver ... Tinha chegado a hora, de a turma começar a falar um pouco da
cidade do Recife e do Estado do Pernambuco. O Imediato Baçan, efectuou um sorteio para os
oradores, e o primeiro a sair, foi o von Trina que pediu dispensa pois ainda estava de
"rescaldo" dos hectolitros de chop que tinha bebido. No seu lugar, foi convidada
a Zena Maciel, que embora protestasse pelo facto de estar com o almoço atrasado, subiu ao
pequeno palco do salão do Navio Cuco, e começou a falar da sua cidade do Recife : -
"Por volta de 1548, o Recife surgiu de um pequeno núcleo de pescadores que se
estabeleceram na zona peninsular, na foz dos rios Capibaribe e Beberribe. A chamada
Povoação dos Arrecifes logo se transformou em porto de Olinda, que era a sede do governo
da capitania de Pernambuco. A invasão holandesa, em 1630, foi um facto marcante para a
história do Recife, pois a povoação, em função do seu porto, foi escolhida sede do
governo holandês no Brasil. Data dessa época o início do desenvolvimento da cidade,
sede do governo de Maurício de Nassau, que assistiu à construção de pontes, canais,
edifícios públicos e palácios. Este governador holandês, ainda instalou um jardim
botânico, um zoológico e um observatório astronómico e meteorológico, o primeiro das
Américas. Com a expulsão dos holandeses, prosseguiu a expansão da cidade, já então
com grande movimento portuário e núcleo do comércio açucareiro".
Terminada a sua dissertação, chamou a próxima oradora, a Eliane Arruda ...: -
Que começou assim: No texto
anterior, falámos de:
"Rio Capibaribe: - Tem o
comprimento de 250 Km, e desagua na cidade do Recife, que divide em três bairros,
incorporando-se à paisagem urbana.
Rio Beberribe: - Tem o comprimento
de 30 Km, banha a cidade de Olinda e desagua no Oceano Atlântico juntamente com o rio
Capibaribe.
Olinda: - Fundada em 1535 por
Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania do Pernambuco. Com o desenvolvimento da
cultura da cana-de-açúcar, tornou-se um dos mais importantes centros da colónia. Hoje
está incorporada na área metropolitana do Recife, destacando-se como atraente local de
turismo, com os seus templos, conventos, fortes e casarões antigos".

Para continuar ainda com este tema,
convido a minha querida amiga, a Lena Ommundsen (vamos ver se o Coordenador aprendeu a
escrever o nome dela). Minha querida, o palco e o microfone é seu ...: -
Alegre e descontraída como sempre,
a Lena Ommundsen, começou por saudar todos os presentes e desejar as melhoras ao von
Trina, e por fim apresentou os seus apontamentos : -
"Vou falar um pouco de: "Maurício de Nassau: - Johann Mauritius van Nassau
Siegen, militar e administrador colonial holandês, nasceu em 1604 e morreu em
1679, na Alemanha. Nomeado governador das possessões holandesas no Brasil, chegou ao
Recife em 1637. Fortaleceu o domínio batavo no Pernambuco, na Paraíba, e chegou a
assenhorear-se do litoral de Sergipe e do Maranhão, mas fracassou na tentativa de
conquistar a Bahia, em 1639. Incrementou no Nordeste Brasileiro a economia açucareira,
introduziu métodos aperfeiçoados do cultivo da cana e do tabaco e, modernizou a cidade
do Recife. Regressou à Europa em 1644 e, oito anos depois, foi feito príncipe do Sacro
Império. Na guerra contra a França, foi nomeado marechal-de-campo".
A Rainha Gladis seria a próxima oradora, mas como está a colar uma unhas postiças, pois
as suas verdadeira ficaram queimada no explosão que o estômago e intestinos provocaram
na explosão na casa das máquinas, chamo a nossa querida Selma Amaral. Palmas para ela !
: -
A Selma, muito envergonhada, a
muito custo se levantou da cadeira onde estava sentada, e dirigiu-se ao palco : - Como
sabem, eu gosto mais de escrever do que falar, mas, como tenho de falar, vou ler este
pequeno apontamento: -
"Em 1710, o Recife
emancipou-se de Olinda, após a guerra dos Mascates. Foi elevada a cidade em 1823 e de
capital da província em 1827. De 1837 a 1840, durante o governo de Francisco de Rego
Barros, foram construídas novas pontes, estradas, extensos cais, o Palácio do Governo, o
teatro Santa Isabel e foi instalado o serviço de abastecimento de água. Nos séculos XlX
e seguinte, Recife foi palco de importantes movimentos intelectuais e políticos. Em 1930,
ocorreu no Recife o assassínio de João Pessoa, o qual acelerou o desencadeamento da
Revolução de 1930".
Chamo a Alzira Sá ... Mal começo
a falar, a voz da Baronesa de Vilalice fez-se ouvir: "Não é a Alzira não sei de
quantos, que vai falar e seguida, mas sim eu a Baronesa ! Ora tomem atenção:-
"O Município do Recife, é cortado por vários rios, que formam alagados e mangues.
A região costeira é formada de penínsulas e ilhas, como a do Recife, a de António Vaz
e da Boa Vista, numa linha de recifes que segue paralela à costa. O plano urbanístico
demonstra um esforço de adaptação às condições adversas à expansão da cidade, como
pode ser observado pelo grande números de pontes e aterros". Estava para continuar,
se não fosse a Alzira Sá chegar junto dela, e, delicadamente, lhe pegasse num braço,
quase a empurrando do palco abaixo. Com enorme descontracção, pegou no microfone,
começando a ler os seus apontamentos: -
"O principal bairro é o do
Recife que é o núcleo da cidade, situando-se nele a portuária, comércio e bancos. Na
ilha de Santo António localizam-se o Palácio do Governo, repartições públicas e o
comércio de luxo".
Visivelmente aborrecido com a
atitude da Alzira perante a atitude que ela tomou com a Baronesa, o António Zumaia subiu
ao palco e tirou o microfone das mãos da sua grande amiga e ex-secretária, acabando de
ler os seus apontamentos: -

"Enquanto esta se desenvolveu
com arquitectura moderna, a ilha de São José conserva construções do período
colonial. Na parte continental, zona principalmente residencial, destacam-se os bairros da
Boa Vista e Santo Amaro. Na periferia de bairros e subúrbios concentram-se os mocambos,
casebres erguidos em terrenos alagadiços".
Agora, vou passar a palavra ao meu
querido amigo, Henrique Lacerda. Henrique, Henrique ! Interrompe por uns momentos os
"SóKarinhos" com a Elaine e chega até aqui ...: -
Meus amigos que queridas amigas, no
bloco de textos que foi lido, falámos de:
"Guerra dos Mascates: -
Conflito ocorrido em Pernambuco, no início do século XVlll, entre habitantes de Olinda e
do Recife.
Francisco Rego Barros: - Primeiro
Barão com grandeza, Visconde com grandeza e Conde da Boa Vista. Político brasileiro,
nasceu em 1802 e morreu em 1870. Bacharel em Matemática pela Universidade de Paris, foi
deputado - geral por Pernambuco de 1830 a 1852, e, seu Presidente por dois períodos (1837
/ 1841 e 1841 / 1844. Presidente e Comandante das Armas do Rio Grande do Sul em 1865,
alcançando no Exército, o posto de brigadeiro".
Aproveito para chamar a minha
esposa, para continuar este tema: Elainezinha, vem aqui ao teu querido maridinho ... : -
"Revolução de 1930: - O
último Presidente da Primeira República foi Washington Luís Pereira de Sousa,
ex-governador de São Paulo, que seria deposto em Outubro de 1930, pela revolução
chefiada por Getúlio Vargas, ex-governador do Rio Grande do Sul, ex-Ministro da Fazenda e
candidato derrotado pelo ex-governador de São Paulo, Júlio Prestes de Albuquerque, nas
eleições para a Presidência da República".
Muito obrigado pela vossa atenção
e Karinhos ! Chamo a querida amiga, Regina Lyra ! Palma para ela ! : -
"Os principais pontos de atracção turística da cidade, são o Palácio do
Governador, na Praça da República; o Teatro Santa Isabel; a cadeia; o Palácio
Episcopal; as igrejas de Nossa Senhora do Carmo, de Santo António, Nossa Senhora da
Conceição dos Militares, de Nossa Senhora da Boa Vista; as capelas dos Noviços, de São
Francisco e de Nossa Senhora da Conceição; os fortes do Brum e das Cinco Pontas; as
praias do Pina e Boa Viagem".
Aproveito para chamar a querida
amiga, Vilma Matos ! Querida, onde estás tu ? ... Já consegui vê-la. Chega aqui por
favor: -
Antes de começar a ler o
apontamento, quero dar um beijinho a todos os amigos. "O Recife é o maior centro
comercial, industrial e cultural do Nordeste do Brasil, e a sua influência estende-se a
Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. A actividade comercial é basicamente exercida
pela exportação, sobretudo de açúcar, álcool, cigarros, tecidos, óleos vegetais,
ladrilhos, azulejos e melaço. A cidade também se destaca como o principal centro
industrial do Nordeste, sendo as indústrias mais importantes a alimentícia, a têxtil, a
do tabaco, a da bebida, a da transformação de minerais não metálicos, a metalúrgica e
a química".
E, chegou a hora do nosso querido
Lourivaldo Perez Baçan, vir aqui ler o seu apontamento:-
"(Apontamento de 1900
publicado no "Jornal do Comércio" Lisboa Portugal): "Recife, cidade
e capital do Estado do Maranhão, Brasil. Situada na foz dos rios Capibaribe e Beberibe,
que a divide em diversos bairros. Posição extremamente pitoresca e que tem feito
comparar o Recife a Veneza. Comércio muito activo e com Caminhos de Ferro Central de
Pernambuco (Great Western). População do Município 140 mil habitantes. Deve o seu nome
a um estreito e extenso recife de rochas, que corre paralelo à costa e que serve de
quebra-mar do porto. Tomado pelos holandeses em 1630, foi-lhes reconquistada em 1654,
após um cerco memorável".
A hora do almoço tinha chegado e,
quando já todos estavam sentados nas suas mesas, a Zena Maciel, visivelmente
comprometida, veio com a notícia que o almoço que, segunda ela, estava muito saboroso,
se tinha queimado. Um enorme broá ecoou pelo salão quando os passageiros ouviram a
explicação da Zena. Mas esta, já mais calma, lhes foi dizendo que tinha pedido ajuda ao
marido da Angélica Mello, e, que o mesmo não devia de tardar com comida boa do Recife. E
deu certo, pois, alguns minutos depois, um helicóptero começou a sobrevoar o Navio Cuco
e logo pousou quase em cima do mastro. A comida tinha chegado na hora, mas também na
hora, a Angélica seguiu com o marido, alegando que ia dar uma "voltinha com ele e
que voltava depois ...".
Carlos Leite Ribeiro
A seguir:
(02)
índice da Viagem
Midi: Pombo Correio - Moraes Moreira