"A Travessia do Atlântico"

Do Livro de Bordo

RECIFE

A CAMINHO DE RECIFE

3ª PARTE

Editor:Carlos Leite Ribeiro

Navio CUCO
Excursão (virtual) ao Litoral do Brasil
(Coordenação e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)

 A Rosélia Martins, vem apresentar o seu apontamento sobre o Estado do Pernambuco: -
          Pernambuco sofreu grande depressão económica. Os anos da guerra e a denominação holandesa exauriram e economia e o contigente humano. As divergências internas fizeram-se sentir após a expulsão dos invasores. Em 1666, a aristocracia rural rebelou-se contra o governador Jerónimo de Mendonça Furtado e destituiu-o . Ao mesmo tempo, ocorriam dificuldades com os escravos, surgindo vários quilombos de escravos fugidos, dos quais o mais famoso foi o de Palmares, destruído em 1695 por uma expedição militar chefiada por Domingos Jorge Velho. Em 1711, eclodiu nova sublevação, conhecida como Guerra dos Mascates. As lutas internas, o crescimento de outras regiões da colónia, principalmente a descoberta de ouro em Minas Gerais, deslocaram o pólo económico, com a consequente diminuição do poder económico de Pernambuco".
          Vem cá Manel, vem aqui junto a mim ... Celestino, não tenhas vergonha pois está no meio de pessoas amigas e de paz e, incapazes de te fazer mal ... : -
          "Alguns factores externos também contribuíram para o declínio da região, como o facto de o açúcar passar a ser produzido pelos holandeses nas Antilhas, dentro de padrões mais modernos e de maior rendimento. O sentimento nacionalista, as ideias libertárias vindas de França e dos E.U.A e o descontentamento pela á administração da capitania, levaram à Revolução Pernambucana em 1817, liderada por Domingos José Martins. A 6 de Março de 1817, a rebelião vitoriosa proclamou-se republicana e separatista. As demais capitanias envolvidas, porém, não tiveram sucesso, com excepção da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Então, expedições legalistas partiram do Rio de Janeiro e da Bahia e, em 20 de Maio de 1817, desembarcaram no Recife. Os líderes revolucionários foram presos e fuzilados. A Independência do Brasil recebeu apoio de Pernambuco, embora houvesse reacções de líderes republicanos que não aceitaram a monarquia".
          E chamo a oradora seguinte, que é, que é ... deixa cá ver ... A Marisa Cajado !: -
          "O descontentamento explodiu na revolução separatista e republicana de 1824, que tentou criar a Confederação do Equador. Forças terrestres, comandadas por Francisco de Lima e Silva, e forças navais sob o comando do lord Cochrane sitiaram o Recife e dominaram a situação. Alguns do líderes foram presos, julgados e condenados à morte. O primeiro a ser executado, em 1825, foi frei Caneca. O reinado de D.Pedro 1º do Brasil e 4º de Portugal, foi marcado por profundas divergências internas, que muitas vezes levaram à luta armada, como a Cabanada, que tumultuou a vida da Província de 1832 a 1835. Durante o 2º reinado, intenso movimento intelectual procedeu os movimentos armados que culminaram, em 1848, na Revolução liberal denominada Praieira. Com a Proclamação da República, Pernambuco tornou-se um Estado da Federação Brasileira. Até à década de 1930, a história pernambucana foi marcada por sérios desentendimentos políticos, destacando-se como líderes políticos, Alexandre José Barbosa Lima, Francisco de Assis Rosa e Silva, Emílio Dantas Barreto e Manuel António Pereira Borba".
          E a querida Maria Nascimento, volta aqui para falar nas figuras e factos descritos no texto que acabámos de ler: -
          Como disse e muito bem a Marisa, falámos de:
          "Palmares: - Quilombo dos Palmares, um dos mais importantes agrupamentos de negros que fugiram do cativeiro no século XVll. Foi o mais célebre pelas suas lutas e pela resistência à escravidão. Era constituído por alguns arraiais, no actual Estado de Alagoas, com aproximadamente 20 mil negros. O governo enviou várias expedições para destruí-lo, cabendo a Domingos Jorge Velho, exterminá-lo em 1695, após um combate sangrento no qual os negros, chefiados por Zumbi, lutaram até à morte sem se renderem. O quilombo durou praticamente um século.
          Domingos Jorge Velho: - Bandeirante paulista e um dos principais vultos do chamado sertanismo de contrato. Organizou uma grande expedição destinada a exterminar o quilombo dos Palmares.
          Revolução Pernambucana: - De 1817, de cariz republicano que irrompeu no Pernambuco e se propagou pelas capitanias vizinhas de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Foi combatida por forças de terra e mar, enviadas da Bahia e do Rio de Janeiro, sendo debelada e os seus chefes postos em fuga, mas logo presos e executados. Entre eles, o seu principal promotor, o negociante Domingos José Martins.
          Domingos José Martins: - Político brasileiro, nasceu em 1781, em Itapemirim e morreu no Recife em1817. Foi um dos principais líderes da Revolução Pernambucana de 1817".
          Já quase completamente refeito do "mal" que o apoquentou e, enquanto faz o tratamento da água mineral, chamo o querido amigo von Trina: -
          Cochrane: - Thomas Cochane, almirante inglês, nasceu em 1775 em Annsfield (Inglaterra) e morreu na sua pátria, em 1860, em Kensington. Foi Conde de Dundonald e Marquês do Maranhão. Processado e expulso da Real marinha britânica, aceitou em 1817, o convite do Chile para ajudar a consolidação da sua independência. Em 1822, por sugestão de José Bonifácio, o 1º Imperador do Brasil contratou-lhe os serviços. Tendo-se destacado em operações navais no litoral da Bahia, no Maranhão e no Nordeste. D. Pedro 1º do Brasil, agraciou-o com Dom e com o título de Marquês do Brasil, em 1823. Em 1827, assumiu o comando das forças navais da Grécia. Reintegrado na Real Marinha inglesa, foi em 1842, nomeado almirante. Escreveu, além de um livro com as suas memórias, outro de narrativas dos serviços prestado na libertação do Chile, Peru e Brasil".
          E agora chegou um grande momento: Tenho o prazer de chamar o meu grande e querido amigo: Nelson Haroldo ! Palmas para ele ! : -
          "Frei Caneca: - Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, sacerdote e político brasileiro, nasceu no Recife em 1779 e morreu em 1825. Professor em Alagoas e Pernambuco, aderiu ao Movimento Republicano do Pernambuco e participou, como voluntário, da Revolução de 1817. Derrotada esta, foi encarcerado na Bahia, sendo posto em liberdade em 1821. Após a Independência, participou na Convenção do Equador, mas desbaratado o movimento, foi preso no Ceará, condenado por uma comissão militar e fuzilado.
          Revolução Cabanada: - Insurreição conservadora que irrompeu em 1832, no Pernambuco e parte de Alagoas, com o propósito de restituir o poder a D. Pedro 1º do Brasil, que havia abdicado no ano anterior. Seus chefes conseguiram a adesão de camponeses, escravos fugidos e indígenas do Jacuípe, e, o grupo de origem popular, assim formado manteve o movimento por meio de encarniçados combates, sob o comando de líderes rústicos, entre os quais se salientou Vicente Ferreira de Paulo. Mesmo depois da morte de D. Pedro a luta continuou, tendo somente cessado após a intervenção do bispo D. João da Purificação Marques Perdigão, em 1835".
          E quem vem a seguir, traz um belo penteado de trancinhas. É a Kátia Aguiar ! Palminhas para ela ! :-
          "Revolução Praieira: - Insurreição de carácter liberal, ocorrida no Pernambuco, entre 1848 e ano seguinte. Após a abdicação de D. Pedro 1º, as disputas entre os Partidos Liberal e Conservador, agravaram-se. O movimento nasceu como expressão de rebeldia contra o oligarquia dominante, inspirado nu sentimento populista contra o latifúndio e o monopólio do comércio lusitano. Com o seu jornal, O Diário Novo, órgão da campanha oposinista, estivesse instalado na Rua da Praia, os adversários do dirigente da Província, Francisco do Rego Barros, receberam o nome de praieiros, sendo os conservadores denominados guabirus. Iniciada a revolta em Olinda, a sete de Novembro, foram travados vários combates, destacando-se entre os revoltosos, o capitão Pedro Ivo Veloso da Silveira e António Borges da Fonseca. Em 1849, a insurreição foi sufocada pelas forças governamentais, com a morte de vários rebeldes".
          E o orador seguinte, é novamente o Paulo Tamiazo : -
          "Francisco de Assis Rosa e Silva: - Político brasileiro, nasceu em 1857 no Recife e morreu no Rio de Janeiro em 1929. Membro do Partido Conservador, foi deputado – geral pela sua província de 1886 a 1889 e Ministro da Justiça, em 1889. Proclamada a República, foi vice-presidente de 1898 a 1902, tendo ocupado a presidência por ocasião da viagem de Campos Sales à Argentina, em Outubro / Novembro de 1900. Foi várias vezes senador.
          Emílio Dantas Barreto: - Militar, político e escritor brasileiro, nasceu em 1850, em Bom Conselho PE, e morreu no Rio de Janeiro, em 1931. Participou na Guerra do Paraguai e da Campanha dos Canudos, alcançando no Exército, a patente de general-de-divisão, para se reformar como marechal em 1918. Foi Ministro da Guerra (1910 / 1911), Governador do Pernambuco de 1911 a 1915, Senador pelo seu Estado de 1916 a 1918. Publicou obras de história militar e romances".
          Tenho o prazer de chamar a Eliane Arruda para nos ler mais um seu apontamento: -
          "Em Julho de 1930, João Pessoa, candidato da oposição à vice-presidência da República do Brasil, no tempo de Getúlio Vargas, foi assassinado no Recife. O crime foi o motivo para a Revolução de 1.930 . Pouco mais de trinta anos depois, portanto em 1964, a política desenvolvida em Pernambuco pelo governador Miguel Arrais, que visava a profundas alterações económicas e sociais, foi um dos motivos do Movimento Militar de depôs o Presidente da República, João Goulart".
          E chamo novamente a querida Lena Ommundsen : -
          "O relevo do Estado de Pernambuco compõe-se de três unidades distintas, no sentido do mar para o interior: Baixada Litorânea, Planalto da Borborema e a Depressão Sernateja. Estas três unidades, com suas particularidades de clima e vegetação, correspondem, respectivamente, às três grandes regiões em que está dividido o Estado: Zona da Mata, Agreste e Sertão. Os rios de Pernambuco, dividem-se em dois grupos, os quais se dirigem para o Oceano Atlântico, destacando-se o Goiana, o Capiberibe, o Beberibe, o Ipojuca, o Camarajibe e o Una; e os afluentes da margem esquerda do grande Rio São Francisco: Moxotó, Pajeú, Ipanema e Rio do Navio".
          E sem pretender entrar numa Ditadura Militar, chamo o Henrique Lacerda: -
          Com excepção do São Francisco e alguns rios do primeiro grupo, todos os rios do Estado de Pernambuco são temporários, ou seja, correm apenas na estação das chuvas. Encontra-se três tipos de vegetação no Estado: a floresta tropical atlântica, a floresta tropical semidecídua, e a caatinga. Antigamente, a floresta tropical atlântica cobria a Zona da Mata, mas quase desapareceu, dando lugar a plantações, sobretudo da cana-de-açúcar e a pastagens. A floresta tropical semidecídua cobre o Agreste, enquanto a caatinga é a vegetação própria do Sertão. Na Baixada Litorânea o clima é tropical; no Centro e no Oeste do Pernambuco o clima é semi-árido. A agricultura é a base da economia pernambucana. O produto agrícola mais importante é a cana-de-açúcar, cultivada, em sua quase totalidade, na Zona da Mata".
          E aproveito para chamar a Luiza Terra: -
          "A produção menor do Agreste e do Sertão é absorvida por pequenos engenhos que fabricam rapadura e aguardente. Entre outros produtos agrícolas do Pernambuco, destacam-se o algodão, cultivado sobretudo no Sertão e no Agreste; o tomate, a mamona, a cebola, o café e o sisal. Em termos de extracção de vegetal, o Estado é o primeiro do Brasil de caroá, além de ter uma produção considerável de castanha-de-caju. A principal área de criação de gado é o Sertão, que possui a maior parte dos ovinos, bovinos e caprinos. No entanto, o Agreste é o maior produtor de leite. Apesar de ser o mais industrializado dos Estados do Nordeste, a produção industrial de Pernambuco tem pouco peso na economia brasileira".
          Meu amado Abílio, por gentileza, chega aqui ... : -
          "Tal actividade concentra-se sobretudo na indústria têxtil e na de produtos alimentícios. A industria química e a da transformação de minérios não metálicos, como o cimento, cerâmica e vidro, têm importância secundária. A área metropolitana do Recife constitui o principal centro industrial, no qual se incluem os núcleos de Jaboatão, São Lourenço da Mata e Escada. Os principais produtos minerais são o calcário, o gesso e sobretudo a fosforita".
          E para terminar esta já longa assembleia, chamo o nosso querido amigo, Baçan !:
          "(Apontamento de 1900 do "Jornal do Comércio" Lisboa – Portugal): "Pernambuco é um dos 20 Estados do Brasil, confina com os Estados do Paraíba, Ceará, Piaui, Bahia, Alagoas e com o Oceano Atlântico. Tem uma superfície de 128.395 Km2 e uma população de 1.550.000 habitantes. Sua capital é a cidade do Recife e também como cidades principais: Olinda, Vitória, Cabo, Escada, Goiana, Limoeiro, Rio Formoso, etc. O Estado compõe-se de 59 Municípios. O Congresso é composto de uma Câmara de Deputados, eleitos por três anos, e de um Senado, eleito por seis anos. Produções principais: açúcar, cereais, café, algodão. Pernambuco foi teatro dos mais gloriosos episódios da guerra holandesa, bem como de revoluções e movimentos políticos importantes".

         
          Trabalho de pesquisa e de coodenação de:
         
Carlos Leite Ribeiro
          Marinha Grande - Portugal                   

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