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Editor: Carlos Leite Ribeiro |

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Travessia
do Atlântico :Élan de Liberdade...*
Por Alice Tomé**
«Seja como for...fica a SAUDADE do destino repor...»
Escrever um
«Prefácio» é sempre um grande desafio, e, mais ainda quando se trata de um grande
autor. Apesar da corrida ao tempo, que não nos dá quase nenhum tempo, vamos
percorrer esses caminhos e penetrar nesse mundo labiríntico do imaginário na obra: «Excursão
ao Litoral do Brasil», de Carlos Leite Ribeiro.
O leitor
encontra o grupo de Arte e Literatura entre Portugal e Brasil, «Cá Estamos Nós
CEN», e Carlos Leite Ribeiro - seu Fundador e Director, navegando à procura
de um Mundo desconhecido. A cada passo que avançar nessa fabulosa excursão ao Litoral,
descobrirá que essa viagem se torna mais «éclatante», quase se perdendo nesse
universo detalhado e, ao mesmo tempo, mergulhando no vasto oceano das múltiplas formas de
linguagem de Carlos Leite Ribeiro, cuja escrita extravasa e verbaliza a imortalização do
já vivido e sentido. Existência essa que não conhece fronteiras nem limites,
conduzindo-nos ao infinito da constante procura de comunicar, enlaçar, abraçar o mundo e
indicar metas e caminhos, que terão de ser trilhados e partilhados com os seus parceiros.
A mente desliza naturalmente nessas páginas, ficando a conhecer, ao pormenor, localidades
e vivências de há milénios, com actores sempre em cena, prontos a inovar, dando um
outro élan de ousadia aos caminhos a desvendar.
Lendário é
o texto dessa excursão que, como um riacho corre para o rio, desfilando na mente sem o
menor esforço, indo e vindo como algo natural. Eis, o milagre do escritor que
conquista as mentes pela memória que nelas imprime: transcrevendo o passado e o presente
e imaginando o futuro (...). Eis o Carlos Leite Ribeiro construindo a teia do CEN
com persistência, sem desfalecer, e convencendo o mundo da sua fabulosa veracidade (...),
esse mundo que nos pertence, explorado nesta obra aqui com Arte e vivências plurais. É
com este sabor e saber de Arte e independência, que o autor conduz o grupo CEN,
e, mesmo a discoteca, tinha que se chamar «infinito» (
).
À maneira
do Infante, esta excursão parte de Portugal e viaja rumo ao Brasil, com a missão de
«dar novos mundos ao Mundo», consagrando essa aventura Lusa, de porto em porto, de
cidade em cidade, nesta viagem ao Litoral. «A vida é ARTE e desmedida que se chama
AMAR
, e,
» porque essa «Excursão ao Litoral do Brasil» de Carlos
Leite Ribeiro, grande Comunicólogo, Jornalista, Ensaísta , e muito mais ... nos deixa
grande Saudade...
Poeticamente pensando, vivendo e
educando escrevi:
«Saudade...Saudade....Saudade...do meu Brasil! /
Saudade...Saudade....Saudade...de Portugal!
(...).
Naveguei o Oceano/À procura da Saudade/Mas ela
se Esconde/No segredo da Amizade!
(...).
*«Prefácio de @Alice
Tomé, (3.01:2004), criado para a obra «EXCURSÃO AO LITORAL DO BRASIL» de Carlos Leite Ribeiro (Dr.), Fundador e Director do Portal
«Cá Estamos Nós CEN», Marinha Grande, Portugal, 2004. <
www.portalcen.org >
**Alice
Tomé, <atome@alpha2.ubi.pt>,<http://atome.no.sapo.pt/index.htm>, é
Socióloga e Educóloga, Professora Universitária e Directora da Revista Anais
Universitários CSH da Universidade da Beira Interior, UBI, Portugal.

O lugar de
concentração do pessoal para esta excursão, foi a vila ribatejana de Benavente
(*), onde a anfitriã foi a Imediata, a Cristina
Estrompa. No dia e hora combinados, começaram a chegar os amigos, que foram encontrar a
Cristina a pescar, que é um dos seus passatempos preferidos.
O primeiro a chegar foi o casal Santa, pois como o Humberto é o Radiotelegrafista do
"Cuco", segundo ele, tinha que começar a fazer umas experiências, para não
haver surpresas desagradáveis em alto mar. Vinha acompanhado pela esposa Margarida,
carregada de rolos de papel especial, para poder desenhar os momentos mais marcantes da
excursão. Era ajudada pelo TóKandar que, por sua vez, trazia debaixo do braço muitos
(alguns) livros do ensino universitário. Este, logo pediu uma cana à Cristina e, por
sorte dos principiantes, conseguiu pescar um peixinho o que o deixou muito contente,
dizendo logo que a sua tarefa nesse dia, estava feita. Depois chegam os outros: O Tito
Olívio, o engenheiro-chefe do navio que logo disse que estava a tirar um curso técnico
por correspondência sobre máquinas navais. A Rosélia, a camareira / bisbilhoteira. O
von Trina, o dispenseiro-mor que acumula com o cargo de cozinheiro. A comandante Manuela
Madeira chegou acompanhada pela misteriosa "Pilota Garrafinha" que mal podia
falar, segundo ela por naquele dia ainda não ter "matado o bicho", ou seja,
não ter bebido nenhuma bebida alcoólica.
Já quando todos
estavam num churrasco oferecido pela anfitriã, chegou o Coordenador do projecto, o Carlos
que vinha montado no "Mi-Burro", acompanhado pelo Prof. Caco Pedra, que vinha a
pé.
Horas depois, já
com todos bem comidos e bem bebidos (que diga a Pilota Garrafinha), dirigiram-se para o
autocarro (ônibus) que a Joana Madeira, tinha conduzido para levar os excursionistas a
Portalegre, onde ia começar a preparação física de campo, para todo o grupo.
(*) Benavente: Não se sabe bem mas, segundo alguns
escritores, Benavente encontra-se num lugar onde estava assentada a cidade romana chamada
Aritium Pretirium (ou Pretorium), por onde passava em direcção a Mérida (Espanha) uma
das três vias militares, com que os romanos cortaram a Lusitânia. Com certeza, apenas se
sabe que já existia no reinado de D. Sancho l, pois foi ali que este rei confirmou a
Ordem Militar de Avis, no ano de 1200. Nesse mesmo ano, o bispo de Évora D. Paio, deu-lhe
foral. Acerca da etimologia do seu nome, escrevem alguns escritores, que por a fortuna que
favoreceu os cristãos na ocasião de a tomarem aos mouros, que a defendiam
obstinadamente, fez com que os novos senhores denominassem aquela façanha
"Beneeventus", que significa feliz sucesso. Será?... (As
Cidades e Villas da Monarchia Portugueza 1860).
Mais
modernamente, Xavier Fernandes opina: "O nome entrou já formado na nossa língua, o
que parece explicar-se com o facto de Ter sido fundada a povoação por um núcleo de
estrangeiros, no fim do século Xll. Os espanhóis têm, na província de Zamora, a antiga
vila de Benavente e, no tempo dos antigos romanos, já havia a cidade de Benaventum, na
região de Sâmnio (Itália).
A viagem até
Portalegre, decorria normalmente, com conversas desgarradas, sempre em ambiente alegre e
descontraído. A Rosélia andava de banco em banco, com o seu sorriso bem aberto e bem
disposta, procurando sempre bisbilhotar alguma coisa da vida alheia. O Von Trina,
aproveitando a viagem para dormitar um pouco, pois tem sempre "excesso de sono",
num momento em que estava quase acordado, virou-se para a Rosel, dizendo-lhe: -
"Rosel, você está a arranjar matéria para as suas crónicas "Eu falo da minha
vizinha"?". A gargalhada foi geral. Sempre sorridente e bem disposta, embora
desta vez coradinha (vergonha?), logo lhe retorquiu: "Óh von "Terrina",
já estava preocupada contigo, pois desde que entraste no autocarro, não tens feito outra
coisa que não seja dormir. Pois claro que tenho que arranjar umas bisbilhotices para as
minhas colunas nos jornais, pois são eles que me pagam! Olha que não quero ficar
marafada contigo!". O "Mi-Burro" esticando-se todo, disse à Rosélia: -
"Querida amiga, se quiseres saber alguma coisa da minha vida, é só
perguntares!". O Humberto é que não ouvia nada, pois continuava com as suas
experiências no rádio que só lhe respondia com "bips-bips". O TóKandar
também estava preocupado com esta situação, perguntando: "Papá, será que esteja
ligado a algum satélite pirata?". Ficámos com a sensação de quando a Margarida
ouviu chamar "papá" lhe lançou um olhar nada amistoso. O Tito aproveitava para
ir tirando notas de um curso que estava a tirar por correspondência, enquanto a Pilota
Grainha estava muito entretida a beber uma enorme garrafa de whisky escocês. À frente do
autocarro, o Prof. Caco Pedra trocava impressões com a Comandante Manuela Madeira e com a
motorista Joana, enquanto a Imediata Cristina, tentava estudar um livro prático de
"Primeiros Socorros". No banco de trás, observando e gozando todas as
situações, estava o Carlos...
Tudo corria muito
bem, quando a motorista Joana gritou: - "Amigos! Temos um furo e temos que mudar o
pneu! Lá se foi a nossa tranquilidade. Todo o pessoal saiu do autocarro e todos ficaram a
admirar (e a lastimar) o sucedido ao pneu. Mas ninguém dava solução para a mudança do
pneu, o que levou a Comandante a sugerir que era preciso descobrir onde estava o
sobresselente e tirar o que estava furado. Todos começaram a tentar descobrir onde o pneu
estaria e, quando foi descoberto, ninguém sabia como o tirar. Valeu a perspicácia do
nosso Engº. Tito que logo desceu o pneus enquanto mãe e filha faziam subir o elevador
(macaco) do autocarro, desapertavam as porcas dos parafusos e depois deste retirado,
colocaram o sobresselente. Foi um trabalho familiar prefeito!
No final, ambas
(mãe e filha) foram muito aplaudidas.
Sem mais nada de
registo (no Brasil registro), chegámos a Portalegre
(**),
onde ficámos hospedados no Castelo.
CASTELO DE PORTALEGRE
Ergue-se
na parte mais alta da antiga povoação. Foi reforçado por D. Dinis em 1290 e modificado
posteriormente. Era constituído por uma dupla muralha que envolvia o perímetro da vila,
com 12 torres e 7 portas. Actualmente existem apenas 3 dessas portas (de Alegrete, do
Crato e da Devesa).
As muralhas do
antigo castelo estão classificadas como Monumento Nacional, por Decreto de 29 de Junho de
1992.
No outro
dia, a preparação física começou na Serra de Nossa Senhora da Penha.
A
preparação estava programada para ser muito dura, com um horário muito apertado e
preenchido, a saber:
Levantar
às 11:30 horas; pequeno-almoço às 12:00 horas; passeio pela cidade até ao almoço
(13:30 horas); depois descansar até às 17:00 horas, hora em que começava a preparação
física até às 17:50 horas. Depois do jantar, divertimentos vários, incluindo a dança
na mais afamada discoteca, "O Infinito"; Deitar às 03 horas da madrugada.
A meio da semana
já todo o pessoal se encontrava demasiadamente cansado tendo por isso 24 de descanso.

(**) Portalegre: "Frei Amador
Arrais conta-nos que a cidade foi edificada com o material que se aproveitou da cidade de
Medobriga, fundada por Brigo, 4º rei de Espanha. Mais nos diz que tudo isto se passou
cerca de 1900 antes de Cristo. Segundo a lenda teria sido um filho Baco, de nome Lysias,
que um dia, achando lindas estas paragens, mandou edificar uma fortaleza e um templo que
consagrou a Dionísio ou Baco. Tais construções teriam existido no sítio onde está a
ermida de São Cristovão, sítio que domina a cidade actual. Ali perto, o arroio que
corre, ainda hoje é chamado o Ribeiro de Baco.
Embora
faltem os elementos necessários para o provar, o que parece averiguado é que Portalegre
já existia no tempo dos romanos, ainda que com outra localização, não longe da actual.
Segundo a mesma
lenda, Lysias, ao fundar a povoação, deu-lhe o nome de Amaya ou Ameya. A origem de tal
nome deve ter vindo de uma filha do fundador citado, chamada Maya. Ambos foram sepultados
no referido templo.
Os romanos não
mudaram o nome e a Amaya ou Ameya tornou-se em ruínas e ficou sem população, devido às
lutas constantes da Idade Média.
Em 1259, D.
Afonso lll mandou-a reedificar em sítio, onde existiam umas vendas que eram conhecidas
por Portelos. Deve ter vindo daqui e da beleza do local o nome de Portalegre.
As vendas de
Portelos, supõe-se que existiram no local onde mais tarde se edificou a Igreja de São
Bartolomeu, que também já não existe. À volta desse sítio se foram construindo
edifícios com os materiais que existiam da extinta, ou quase, Amaya.
Aconteceu porém,
coisa idêntica com a nova povoação, pois as lutas entre mouros e cristãos continuaram
e no seu horror e na sua violência a destruíram. Assim, transformada em ruínas, os
habitantes que sobreviveram tiveram que a abandonar.
Em 1290, D. Dinis
mandou construir um forte castelo, que já também não existe, duas cercas de possantes
muralhas, que tinham doze torres e oito portas. Estas tinham os nome de: Teresa, Postigo,
de Alegrete, de Elvas, de Évora, do Espírito Santo, de São Francisco, e do Bispo ou de
Crato, algumas das quais ainda existem. As muralhas estão igualmente em bom estado de
conservação.
O mais notável
é que D. Dinis veio a tirar a prova de resistência da fortificação. A população de
Portalegre tomou o partido de seu irmão D. Afonso, o qual se orgulhava do senhorio da
localidade. O rei teve de pôr cerca à então vila, cerco que durou cerca de cinco meses,
acabando pela rendição dos sitiados. D. João lll criou o bispado, em 1549.
Há uma versão
que diz ter vindo o nome da cidade de Portalegre de "Portus Alacer". Portus era
um sítio entre a Penha de São Tomé e o Cabeço do Mouro, e, Alecer veio da bela
situação da povoação. (Casimiro Mourato - 1954) ".
"Portalegre
derivou de porto alegre. Porto significou (como já no latim portus) passagem e neste
sentido também se empregou e emprega em português a significar passo ou terra entre
montes.
O adjectivo
alegre de certo qualificou a alegria da passagem. Como se sabe, a paisagem é idílica
naquele "porto alegre", enquadrado pela serra de São Mamede e alturas de
Marvão e Castelo de Vide. Nota-se que as pessoas de fora dizem "Purtalegre";
mas "Pôrtalégre" é a pronúncia popular, o que ajuda a confirmar a formação
"porto alegre". (Prof. Dr. Vasco Botelho de Amaral -1949).
Apontamento do
ano de 1900, tirado do "Jornal do Comércio":
"Portalegre
é cidade, capital de distrito e cabeça de concelho. Tem uma população de 11.893
habitantes e é servida pelo Caminho-de-Ferro da Companhia Real. Tem 10 freguesias com
18.510 habitantes. Tem fábricas de lanifícios, moagens, cortiça.
O distrito de
Portalegre tem uma superfície de 6.230,60 Km2 e uma população de 124.431 habitantes.
Compreende 15 concelhos e 72 freguesias. Os concelhos são: Alter do Chão, Arronches,
Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte,
Niza, Ponte de Sôr, Portalegre e Sousel. A serra principal é a de São Mamede com a
altitude de 1.025 metros. É banhada pelo rio Tejo, que o separa do distrito de Castelo
Branco, e pelos rios Sever, Niza, Figueiró (afluentes do Tejo da margem esquerda); pelo
rio Raia e seus afluentes, e pelo rio Guadiana, que o separa de Espanha numa curta
extensão, também pelo Rio Caia, afluente do Guadiana.
Tem produtos
agrícolas, criação de gado, grandes montados de azinheiras.".
Capital do
distrito do mesmo nome, Portalegre é uma cidade com condições próprias que lhe dão um
encanto singular.
Situada numa das
mais belas regiões de Portugal, edificada num planalto da serra de São Mamede, tem
simultaneamente características da serra verdejante e da campina alentejana, que se
conjuram num variado conjunto paisagístico.
Rica em água e
rodeada de quintas, hortas e pomares, é actualmente uma cidade com 15 mil habitantes,
fortemente industrializada e também dedicada ao comércio.
A sua origem
perde-se na lenda recolhida por Frei Amador Arrais, que foi o terceiro bispo de
Portalegre. Conta ele que a cidade foi fundada, 1900 anos antes de Cristo, por Lysias,
filho de Baco (o deus do vinho), que, achando o sítio muito aprazível, mandou construir
nele uma fortaleza e um templo dedicado a Baco, instalando-se aqui com a sua gente. Tais
construções teriam existido no local da actual Ermida de São Cristóvão, onde ainda se
encontram os restos mortais de Lysias, num cofre de madeira com epitáfio escrito em letra
grega, descoberto no século XVlll, durante as obras de ampliação e colocado actualmente
num nicho, no lado direito do altar-mor.
Segundo a lenda,
Lysias, em memória de sua filha Maya, aqui tragicamente falecida. Os Romanos não lho
mudaram e a urbe chegou a ter nessa época a elevada categoria de município romano.
Mas acabou por
ficar despovoada e em ruínas durante as lutas medievais.
Repovoada após a
Reconquista, Portalegre viu erguer-se muito próximo, poucos anos após a morte do santo,
o Convento de São Francisco, para o qual contribuíram todos os moradores das redondezas,
tendo o convento atraído mais população.
A então vila, em
1259, recebeu foral de D. Afonso lll; D. Dinis cercou-a com uma cintura dupla de muralhas,
consciente da sua estratégica posição fronteiriça.
Primitivamente, a
população circunscreveu-se ao recinto das muralhas, mas, com o andar dos tempos, foi-se
dilatando. Construíram-se então ruas paralelas, mas, como não havia muito espaço, os
habitantes começaram a ocupar o lado da Misericórdia (lado norte).
Em 1549, D. João
lll , intercedeu junto do papa Paulo lll para a sua elevação a diocese, que foi criada
nesse mesmo ano. No ano seguinte, D. João lll elevou Portalegre a cidade.
Em 1556, foi
lançada a primeira pedra da nova Sé, consagrada a Nossa Senhora da Assunção.
A imponente
construção, que ainda hoje é o principal monumento da cidade, ficou concluída no tempo
de Frei Amador Arrais, que mandou fazer os retábulos da capela-mor e o de Nossa Senhora
do Carmo e à sua própria custa lajeou e ladrilhou todo o pavimento do templo. A Sé foi
posteriormente enriquecida com vários melhoramentos, como o grandioso orgão e uma
valiosa colecção de paramentos.
Na parte antiga,
dentro do recinto das velhas muralhas, nas ruas dos Besteiros e do Castelo, ficavam as
moradas dos nobres em prédios de acanhadas proporções, alguns dos quais ainda se podem
admirar, embora mais ou menos modificados.
Um dos mais belos
monumentos da cidade é o convento de São Bernardo, adaptado a quartel, que possui um
magnífico pórtico barroco. Num dos seus pátios centrais pode admirar-se uma grandiosa
fonte de mármore com 16 bicas, encimada uma figura de Neptuno artisticamente trabalhada.
A sepultura de D.
Jorge de Melo, fundador do convento, é considerada a mais sumptuosa e soberba de
Portugal, com os seus 12 metros de altura por 6 de largo.
Tanto o túmulo
como a fonte são atribuídos ao grande mestre João de Castilho.
Em miradouros
privilegiados, como o de São Cristóvão, o da serra de São Mamede ou o da serra da
Penha, o visitante pode admirar toda a grandeza da cidade e estender o olhar pelos campos
povoados de "montes" (chamados "alentejanos").
A SERRA DE SÃO MAMEDE
A serra
estende-se por muitos quilómetros, formando o famoso triângulo turístico: Portalegre
Castelo de Vide Marvão.
Os percursos são
aprazíveis, e as estradas nada más. A paisagem surpreende a cada curva, porque a
frescura e o silêncio da serra, os pinhais e os soutos têm o seu contraponto nos vales
salpicados de casinhas brancas e singelas ermidas rodeadas de pomares e hortas.
Alguns
contrafortes da serra dispõem de condições ideais de defesa, encostas escarpadas,
terreno acidentado e abundância de recursos de água.
Assim, se
justifica a existência de vilas como Marvão (que tem um magnífico e panorâmico
castelo) e Castelo de Vide, que exerceram durante séculos o seu papel na defesa das
regiões fronteiriças.
Neste percurso
deparam-se-nos vales frescos e aprazíveis, como o de São Salvador da Aramenha, onde
apetece parar de deixar o tempo correr. Compreende-se facilmente que, desde a Antiguidade,
os povos se tenham fixado nestas paragens.
Mas além do
triângulo turístico, existe um circuito mais pequeno, de cerca de 14 Km. Geralmente
chamado "volta à serra", iniciando-se em Portalegre, passando-se por Monte
Paleiros, Ribeira de Nisa, onde podemos admirar a bela piscina fluvial, enquadrada em
ambiente rural e da qual se podem observar animais bovinos a pastar, arvoredos e
vegetação diversa, continuando o circuito, segue-se em direcção a Alegrete, passa-se
pelo Reguengo, onde se encontra outra piscina fluvial com a refrescante água do nascente
existente não longe do local e, finalmente, volta-se à cidade de Portalegre. É um
belíssimo percurso que atravessa as encostas da serra, chamada de Portalegre, coberta de
vegetação muito complexa.
No último dia
passado em Portalegre, todos os excursionistas foram visitar a Igreja do Senhor do Bonfim.
IGREJA DO SENHOR DO BONFIM
Foi
mandada edificar no local então chamado "Bonfim de S. Tomé" pelo bispo D.
Álvaro Pires de Castro Noronha que lançou a 1ª pedra a 21 de Dezembro de 1721. Foi um
centro importantíssimo de peregrinações, e desse passado ainda restam, em anexo, as
casas destinadas ao alojamento dos peregrinos. Possui painéis de azulejos e rica talha
barroca.
Já na entrada
para o autocarro que nos ia levar à Praia de Manta Rota, tivemos a primeira desistência:
a do nosso amigo TóKandar, alegando que tinha de regressar à Universidade, não só para
estudar como também para protestar contra o aumento das propinas. Mas todos notaram que
ele estava muito cansado logo na primeira parte da preparação física no monte de N.S.
da Penha, além de não gostar muito de praia, melhor, da água.
Já em plena
estrada, a Rosel notou que tinha deixado no Castelo os seus apontamentos de "Vida
Alheia". Com toda a calma, a Joana fez inversão de marcha e voltámos ao Castelo.
Entretanto, o amigo (da onça?) von Trina ia perguntando à Rosel se ela de noite, não
teria usado os tais apontamentos como papel higiénico. Mas teve de para com a brincadeira
pois ela começou a ficar marafada de todo.
Com este atraso,
chegámos à Praia de Manta Rota
(***),
muito tarde e já não arranjámos nenhum restaurante que nos servisse o almoço.
Tivemos que nos
contentar com uma comida quase sintética de Mac Donald´s, com grandes protesto do von
Trina que alegava que: "Um corpinho como o meu, não se enche com esta comida !"
A Segunda parte
da preparação física decorreu como estava previsto. A intensidade dos exercícios foi
aumentada, assim como o programa social. A alvorada era às 10:00 horas e logo a seguir
todos se dirigiam para a praia, para exercícios em motas de água, mergulhos com botija
de oxigénio, banhos de água salgada e antes do almoço, banhos de água doce. O almoço
às 12:00 horas e logo a seguir todos recolhiam aos seus quartos para um merecido descanso
até cerca da 19:30 horas, onde depois do jantar rumavam para Faro, onde faziam a
preparação nocturna, semelhante à do período anterior, em Portalegre
(***) Praia de Manta Rota: De
uma ondulação suave, de água cálidas e calmas, fica localizada entre o estuário do
Rio Guadiana e o início da Ria Formosa; engloba uma praia de 12 Km, uma das mais extensas
da Europa.
FARO
Existem várias
opiniões sobre a origem do seu nome. Vamos aqui apresentar algumas:
"Dizem
alguns escritores que o seu primeiro nome foi "PHARO" (Faro), por causa dum
farol que os seus fundadores aqui edificaram, para guia dos navegantes. É certo que faro,
fano e fanal é de origem grega...
Dizem outros que,
tendo-se com o andar dos tempos desenvolvido a navegação e o comércio nestas paragens,
se edificou aqui um farol para governo dos navegantes, e que à povoação se principiou a
chamar Vila de Faro (Farol).
Ainda outros,
porém, que não querendo os mouros estar pelo nome que os cristão impuseram à
povoação (Santa Maria), lhe deram o nome de Faraon, que significa "povoação de
cavaleiros", lhe deram o nome de Faraon, que significa "povoação dos
cavaleiros", porque farás significa o cavalo e fares o cavaleiros.". (Dr. Pinho
Leal - 1874).
"O nome da
cidade de Faro proveio, segundo o arabista David Lopes e o fidólogo José Joaquim Nunes,
do nome de um príncipe mouro chamado Hárune.
O "h"
árabe passou a "f". O mesmo sucedeu, por exemplo em Mafoma, cuja variante está
citada no Dicionário de Dificuldades.
Hárune deu Faro,
porque além da mudança do "h" em "f", a parte final é facilmente
explicável por uma passagem de "rune" em "rom", "rão" e
"ro". Hárune Fárom Fárão Faro.
A ideia de
prender FARO a farol ou facho chamado faro não tem fundamento, em virtude das formas
antigas Faaron, etc., que postulam o tal nome mouresco de Hárum, príncipe farense."
(Prof. Dr. Vasco Botelho do Amaral).
Apontamento de 1900
recolhido do "Jornal do Comércio":
"Faro
é cidade capital de distrito e cabeça de concelho, com 11.835 habitantes e é servida
pelo Caminho-de-Ferro Sul e Sueste. É cidade muito antiga; as grandes ruínas de Estoy
ficam muito próximas. Os arredores da cidade são muito cultivados e produzem abundantes
frutos e legumes. Grande indústria de pesca do atum. O concelho tem 6 freguesias e 34.270
habitantes.
Distrito
de Faro
"O distrito
de Faro tem uma superfície de 5.018,9 Km2, e 15 concelhos: Albufeira, Alcoutim, aljezur,
Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Silves, Tavira, Vila do
Bispo, Vila Nova de Portimão, Vila real de Santo António. É banhado pelos rios
Guadiana, Odeceixe, Odelouca, Aljuzur, Bensafrim. Serras principais são as de Monchique,
de Fóia e Espinhaço de Cão. Os cabos de mar principais são: São Vicente e o de Santa
Maria. As baías são: de Sagres e de Lagos. Tem grandes matas de castanheiros, sobreiros
e alfarrobeiras, na zona serrana; figueiras e amendoeiras mais junto ao litoral. Tem
belíssimas praias e um clima sempre ameno.".
O desenvolvimento
de Faro deve ter-se processado em virtude da decadência da antiga cidade de Ossónoba,
que se erguia nas proximidades.
No século Xl
Ossónoba passou a ser denominada Hárune, de onde derivou o nome Faro.
Foi conquistada
em 1249 por D. Afonso lll e recebeu seu primeiro foral em 1266.
Gozando ao longo
dos séculos da protecção real, foi elevada a cidade por D. João lll em 1540. Na época
da deminação espanhola. Faro foi assaltada e devastada pelas tropas do conde de Essex,
no regresso da expedição a Cádis.
Todas as
bibliotecas e cartórios foram queimados, destruindo-se assim importantes documentos
ilustrativos da história da cidade. Dos monumentos apenas escaparam ao saque as Igrejas
da Misericórdia e de São Pedro.
Foi das primeiras
cidades, senão a primeira, a possuir uma tipografia, tendo sido aqui impresso, em 1487, o
mais antigo incunábulo português.
Uma imagem de
Nossa Senhora da Conceição sobre a muralha é o brasão da cidade capital do Algarve.
Diz a lenda que, ao tomarem posse da aldeia de pescadores erguida na margem da ria
Formosa, os Árabes teriam encontrado uma imagem da Virgem que arremessaram ao mar. Como
por castigo divino, as águas deixaram de dar peixes, anteriormente tão abundantes.
Recuperada a imagem e restituídas as antigas honras, a pesca voltou.
Foi esta a imagem
respeitada pelos senhores da praça durante o seu domínio, a ponto de a aldeia passar a
ser conhecida por Santa Maria, distinguindo-se de outras povoações do mesmo nome por
determinativos geográficos (de Garde ou do Ocidente) ou epónimos (de Ibn Harum). De
facto, em certo momento da sua história, foi senhor de Faro Mohamed Bem Said Bem Harum.
Porto importante
no tempo dos árabes, foi-se a povoação desenvolvendo dentro dos seus muros, numa zona
hoje ainda bem delimitada a que os farenses chamam Vila-a-Dentro. Para lá se entrar, era
necessário franquear as poucas portas de que dispunha e que, sem grande alteração,
correspondem às que hoje existem.
Da porta virada
ao mar, coincidente ou não com a Porta das Festas, pouco se sabe. Parece ter sido
destruída devido à construção de uma antiga fábrica de cerveja. A porta nova que hoje
existe é a mais recente de todas e realmente não passa s de uma abertura na muralha. O
mesmo não sucede com a Porta do Repouso, cheia de tradições e em restauro.
Uma terceira
porta situava-se virada a norte, no local onde se encontra actualmente o Arco da Vila,
talvez o mais conhecido monumento de Faro. Erguido por D. Francisco Gomes, encerra o arco
vestígios da antiga porta medieval e dele partem ruas que coincidem com as mais antigas
vias de circulação de Vila-a-Dentro.
Uma
lenda pretende que teria existido uma Quarta porta, a Porta da Traição, por onde uma
moura teria facilitado a entrada aos cristãos. A porta abrir-se-ia na muralha sobre a
ria, em orientação simétrica ao Arco do Repouso.
Em
pleno centro da velha vila, o Largo da Sé é um dos mais belos conjuntos arquitectónicos
de todo o Algarve. Vem a propósito referir um acontecimento infeliz ligado à história
de Faro e à Diocese do Algarve.
Foi no reinado de
D. Sebastião, que D. Jerónimo Osório, bispo de Silves, conseguiu que a sede da diocese
fosse transferida para Faro (cidade há menos de 40 anos). Já antes houvera uma tentativa
abortada de transferência para Portimão. Sediada em Faro, embora com o título de
Bispado do Algarve, que ainda hoje conserva, procuraram os prelados ilustrar a nova
capital episcopal e muniram-na de uma importante biblioteca. Além do primeiro bispo,
também D. Francisco Mascarenhas a dotou de novas espécies, adquirindo inúmeras obras.
Perdida a
Independência em 1580, foram Portugal e suas colónias objecto de cobiça de todos os
inimigos de Espanha. Não admira, pois, que em 1596, Faro fosse assediada pelos soldados
ingleses do conde de Essex, que, ao encontrarem a cidade abandonada pelos seus apavorados
habitantes, se entregaram a verdadeiros actos de pirataria, destruindo ou roubando tudo o
que viam.
Entre os bens
arrebatados, conta-se toda a biblioteca do paço, que o conde-corsário resolveu oferecer
a um dos seus amigos e que hoje constitui a Biblioteca Bodleyana, em Oxford.
VILA ROMANA DE MILREU
A cerca de 10 Km
de Faro, numa entrada que liga esta cidade a São Brás de Alportel, perto de Estói, fica
situada a Vila Romana de Milreu..
O templo muito
bem conservado, foi construído no século lV depois de Cristo e consagrado a divindades
aquáticas, mas cristianizado no mesmo século, tendo-lhe sido acrescentado o
baptistério.
De cela quadrada
e abside, rodeado por uma bela colunata coríntia com cancelas de mármore nos
intercolúnios, erguia-se sobre um embasamento revestido de mosaico com configurações de
peixes.
Da casa de
habitação do proprietário da vila, que está apenas parcialmente escavada, são
visíveis várias dependências em torno de um peristilo (pátio com colunas) e umas
termas com vestiário frigidário (duas banheiras, uma circular e outra quadrangular),
tepidário e caldário.
Neste local foram
encontrados os bustos de Agripina e Adriano, actualmente no Museu do Infante D. Henrique,
de Faro, e o de Galieno, que se guarda no Museu de Lagos.
INFANTE D. HENRIQUE
O chamado
"pai" das Descobertas ficará para sempre ligado ao Algarve, nomeadamente a
Sagres.
Henrique, o
Navegador, primeiro Duque de Viseu, ilustre infante da Ínclita Geração, era filho de D.
João l e de D. Filipa de Lencastre.
Nasceu no Porto
no ano de 1394, tornou-se num dos nomes mais ilustres da nossa História. Homem de
exemplares virtudes, de "grande conselho e autoridade", ligou-se desde muito
cedo ao movimento expansionista de Portugal, tendo tomado parte na conquista do porto
marroquino de Ceuta.
De regresso a
Portugal, estabeleceu-se na vila de Sagres (Algarve), de onde empreenderia um conjunto de
acções determinantes para o sucesso da expansão portuguesa.
O grande dia da
travessia do Atlântico aproximava-se a passos largos. Todos procuravam transportar para o
Navio "CUCO" tudo o que podiam e que eram capazes. Imaginem que a Comandante
Manuela até queria transferir para o navio, a sua agência bancária; a Rosélia, a sua
casa de campo do Alentejo; a Imediata Cristina, a organização do seu Rally Papper; 0 von
Trina tentou esconder no navio parte das suas amiguinhas de Bragança; O
"Mi-Burro" também...; O Tito Olívio, todos os seus trofeus literários; o
Humberto, todos os tratados de entrada de navios nos portos internacionais e um certo
barracão do porto de Setúbal; a Margarida, uns enormes rolos de papel de cenário; o
Carlos, o seu pseudo escritório; a Pilota Grainha, enorme quantidade de whisky
"puro" de Sacavém, que segundo ela, é o melhor do mundo. Só o Prof. Caco
Pedra não tentou meter clandestinamente no navio, a sua enorme biblioteca, alegando que
tem tudo na cabeça.
No dia anterior
ao começo da gloriosa travessia do Atlântico, os amigos von Trina e "Mi-Burro"
não compareceram no acampamento da Praia da Manta Rota. A preocupação foi geral, e logo
houve quem alvitrasse participar o acontecimento às autoridades, pois não fosse alguma
das muitas organizações pedófilas que consta existir em Portugal, os ter raptado. Mas
por fim os dois amigos apareceram, cambaleando cada qual para seu lado, muito alegres e
muito bêbados (não de batido de H2o). Antes de adormecerem (e ressonarem) profundamente,
foram dizendo que andaram a tratar de "burras" em zonas não proibidas, ou seja,
em zonas de alterne.
No outro dia,
quando a Comandante os inquiriu se tinham transportado e arrumado, todas as provisões
alimentícias para o navio, embora hesitantes, responderam que sim. Veremos...
Todos se tinham
esquecido das vacinas necessárias para esta grande excursão. O "Mi-Burro" foi
procurar as vacinas nas farmácias da região, mas não encontrou a quantidade e
diversidade desejada. É que isto de vacinas, não é coisa para quando são precisas, mas
sim, quando as há e, mesmo assim, quase que é preciso fazer um requerimento ao Governo.
Mas a Imediata Cristina (Estrompa) e não Estromba, pois senão o seu narizinho ainda fica
mais arrebitado e bem capaz de mandar a boca dizer coisas feias, resolveu a contendo a
situação: Queimou umas ervas e fez uma rezas e todo o pessoal ficou vacinado!
No dia do
embarque, a Pilota Grainha bem procurou a sirene do navio, mas não a encontrou. Perguntou
onde ela estava ao Engº. Chefe que também não sabia, mas prometeu consultar os planos
de construção do "Cuco" e, no próximo porto (neste caso o de Macapá) já
saber a sua localização.
Com toda a
tripulação no convés inferior do navio à espera, não se sabe muito bem do quê, quem
salvou a situação foi o Humberto, que se lembrou dos seus tempos de militar, agarrou num
clarim e com o microfone aberto, começou a tocar: "Para a forma... para a forma...
seu camelo"; segundos depois tocou: "Bazaruco... firme"; e por fim
"escravo... sentido
" Com o pessoal todo em sentido, a Camandante Manuela
Madeira e a Imediata Cristina, passaram revista à tripulação. Depois, a Comandante
subindo uns degraus da escada que ligava ao convés superior, deu as boas-vindas a bordo,
da tripulação:
"Tripulação,
escusado será dizer que conto com a vossa competência, brio profissional e honestidade,
para podermos levar a bom porto esta nossa perigosa missão. Serei implacável para quem
não cumpra o regulamento e, benévola para quem me apoie sempre! Muita coisa vai ficar
por dizer, mas são coisas que todos sabem e aprendidas nestes dias de preparação
activa, em que todos estivemos empenhados. Estamos preparados para a missão, e vamos
prová-lo no teatro das operações (perdão, no mar). E para terminar, depois de
destroçar, limpem essa porcaria que o "Mi-Burro" fez no convés, enquanto eu
discursava, e que me está a enojar. Humberto, toque a destroçar!
E o Humberto
fez-lhe a vontade: "Destroçar, destroçar... e vejam para onde vão"!
Depois do pessoal
ter recolhido às suas cabinas para arrumar os seus pertences, e quando já todos estavam
a conviver e a tomar um Porto (genuíno) no bar; a voz da Comandante fez-se ouvir:
"Da Comandante à tripulação: Chegou a hora da partida. Não vou permitir choros
nem velas, nem sequer fita amarela. Vamos começar a nossa gloriosa missão que nos vai
levar ao belo litoral do Brasil. Como ainda não localizámos a sirene do navio, peço
mais uma vez ao Humberto que toque ao ataque. Tenho dito".
"Ao ataque,
ao ataque, ao ataque... Marchar!".
Novamente a voz
da Comandante se fez ouvir: "Da Comandante à Pilota: Rumo Latitude 0º 04 N;
Longitude 51º 04 W", ou seja, o porto de Macapá, do Estado de Amapá,
Brasil"
A Garrafinha
confirmou: "Da Pilota Upp para a Comandante: Eu cá não percebo mesmo nada de Upp
graus nem de minutos Upp, pois, nunca sei a quantas ando Upp. Vou à procura Upp dos
Elísios Upp, tenho dito"
E a viagem da
travessia do Atlântico começou, a partir do Cabo de Santa Maria (Algarve
Portugal).

O
Farol do Cabo de Santa Maria é constituído por uma torre circular branca com um
edifício anexo. Tem uma altura de 48 metros, sendo de 45 a altura da respectiva luz.
Junto a este Farol encontra-se a entrada comum de Faro-Olhão que constitui o principal
canal de acesso à Ria Formosa.
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