Editor: Carlos Leite Ribeiro

               

Travessia do Atlântico :“Élan” de Liberdade...*

 

Por Alice Tomé**

 

 

«Seja como for...fica a SAUDADE do destino repor...»

 

          Escrever um «Prefácio» é sempre um grande desafio, e, mais ainda quando se trata de um grande autor. Apesar da corrida ao tempo, que não nos dá quase nenhum tempo, vamos percorrer esses caminhos e penetrar nesse mundo labiríntico do imaginário na obra: «Excursão ao Litoral do Brasil», de Carlos Leite Ribeiro.

         O leitor encontra o grupo de Arte e Literatura entre Portugal e Brasil, «Cá Estamos Nós – CEN», e Carlos Leite Ribeiro - seu Fundador e Director, navegando à procura de um Mundo desconhecido. A cada passo que avançar nessa fabulosa excursão ao Litoral, descobrirá que essa viagem se torna mais «éclatante», quase se perdendo nesse universo detalhado e, ao mesmo tempo, mergulhando no vasto oceano das múltiplas formas de linguagem de Carlos Leite Ribeiro, cuja escrita extravasa e verbaliza a imortalização do já vivido e sentido. Existência essa que não conhece fronteiras nem limites, conduzindo-nos ao infinito da constante procura de comunicar, enlaçar, abraçar o mundo e indicar metas e caminhos, que terão de ser trilhados e partilhados com os seus parceiros. A mente desliza naturalmente nessas páginas, ficando a conhecer, ao pormenor, localidades e vivências de há milénios, com actores sempre em cena, prontos a inovar, dando um outro “élan” de ousadia aos caminhos a desvendar.

         Lendário é o texto dessa excursão que, como um riacho corre para o rio, desfilando na mente sem o menor esforço, indo e vindo como algo natural. Eis, o milagre do escritor que conquista as mentes pela memória que nelas imprime: transcrevendo o passado e o presente e imaginando o futuro (...). Eis o Carlos Leite Ribeiro construindo a teia do CEN com persistência, sem desfalecer, e convencendo o mundo da sua fabulosa veracidade (...), esse mundo que nos pertence, explorado nesta obra aqui com Arte e vivências plurais. É com este “sabor” e saber de Arte e independência, que o autor conduz o grupo CEN, e, mesmo a discoteca, tinha que se chamar «infinito» (…).

         À maneira do Infante, esta excursão parte de Portugal e viaja rumo ao Brasil, com a missão de «dar novos mundos ao Mundo», consagrando essa aventura Lusa, de porto em porto, de cidade em cidade, nesta viagem ao Litoral. «A vida é ARTE e desmedida que se chama AMAR…, e, …» porque essa «Excursão ao Litoral do Brasil» de Carlos Leite Ribeiro, grande Comunicólogo, Jornalista, Ensaísta , e muito mais ... nos deixa grande Saudade...

Poeticamente pensando, vivendo e educando escrevi:

«Saudade...Saudade....Saudade...do meu Brasil! / Saudade...Saudade....Saudade...de Portugal!

(...).

Naveguei o Oceano/À procura da Saudade/Mas ela se Esconde/No segredo da Amizade!

(...).

*«Prefácio de @Alice Tomé, (3.01:2004), criado para a obra «EXCURSÃO AO LITORAL DO BRASIL» de Carlos Leite Ribeiro (Dr.), Fundador e Director do Portal «Cá Estamos Nós – CEN», Marinha Grande, Portugal, 2004. < www.portalcen.org >

 

**Alice Tomé, <atome@alpha2.ubi.pt>,<http://atome.no.sapo.pt/index.htm>, é Socióloga e Educóloga, Professora Universitária e Directora da Revista Anais Universitários – CSH da Universidade da Beira Interior, UBI, Portugal.

 

Acompanhe a partida.

 

          O lugar de concentração do pessoal para esta excursão, foi a vila ribatejana de Benavente (*), onde a anfitriã foi a Imediata, a Cristina Estrompa. No dia e hora combinados, começaram a chegar os amigos, que foram encontrar a Cristina a pescar, que é um dos seus passatempos preferidos.

          O primeiro a chegar foi o casal Santa, pois como o Humberto é o Radiotelegrafista do "Cuco", segundo ele, tinha que começar a fazer umas experiências, para não haver surpresas desagradáveis em alto mar. Vinha acompanhado pela esposa Margarida, carregada de rolos de papel especial, para poder desenhar os momentos mais marcantes da excursão. Era ajudada pelo TóKandar que, por sua vez, trazia debaixo do braço muitos (alguns) livros do ensino universitário. Este, logo pediu uma cana à Cristina e, por sorte dos principiantes, conseguiu pescar um peixinho o que o deixou muito contente, dizendo logo que a sua tarefa nesse dia, estava feita. Depois chegam os outros: O Tito Olívio, o engenheiro-chefe do navio que logo disse que estava a tirar um curso técnico por correspondência sobre máquinas navais. A Rosélia, a camareira / bisbilhoteira. O von Trina, o dispenseiro-mor que acumula com o cargo de cozinheiro. A comandante Manuela Madeira chegou acompanhada pela misteriosa "Pilota Garrafinha" que mal podia falar, segundo ela por naquele dia ainda não ter "matado o bicho", ou seja, não ter bebido nenhuma bebida alcoólica.

         Já quando todos estavam num churrasco oferecido pela anfitriã, chegou o Coordenador do projecto, o Carlos que vinha montado no "Mi-Burro", acompanhado pelo Prof. Caco Pedra, que vinha a pé.

         Horas depois, já com todos bem comidos e bem bebidos (que diga a Pilota Garrafinha), dirigiram-se para o autocarro (ônibus) que a Joana Madeira, tinha conduzido para levar os excursionistas a Portalegre, onde ia começar a preparação física de campo, para todo o grupo.

         (*) Benavente: Não se sabe bem mas, segundo alguns escritores, Benavente encontra-se num lugar onde estava assentada a cidade romana chamada Aritium Pretirium (ou Pretorium), por onde passava em direcção a Mérida (Espanha) uma das três vias militares, com que os romanos cortaram a Lusitânia. Com certeza, apenas se sabe que já existia no reinado de D. Sancho l, pois foi ali que este rei confirmou a Ordem Militar de Avis, no ano de 1200. Nesse mesmo ano, o bispo de Évora D. Paio, deu-lhe foral. Acerca da etimologia do seu nome, escrevem alguns escritores, que por a fortuna que favoreceu os cristãos na ocasião de a tomarem aos mouros, que a defendiam obstinadamente, fez com que os novos senhores denominassem aquela façanha "Beneeventus", que significa feliz sucesso. – Será?... (As Cidades e Villas da Monarchia Portugueza – 1860).

         Mais modernamente, Xavier Fernandes opina: "O nome entrou já formado na nossa língua, o que parece explicar-se com o facto de Ter sido fundada a povoação por um núcleo de estrangeiros, no fim do século Xll. Os espanhóis têm, na província de Zamora, a antiga vila de Benavente e, no tempo dos antigos romanos, já havia a cidade de Benaventum, na região de Sâmnio (Itália).

         A viagem até Portalegre, decorria normalmente, com conversas desgarradas, sempre em ambiente alegre e descontraído. A Rosélia andava de banco em banco, com o seu sorriso bem aberto e bem disposta, procurando sempre bisbilhotar alguma coisa da vida alheia. O Von Trina, aproveitando a viagem para dormitar um pouco, pois tem sempre "excesso de sono", num momento em que estava quase acordado, virou-se para a Rosel, dizendo-lhe: - "Rosel, você está a arranjar matéria para as suas crónicas "Eu falo da minha vizinha"?". A gargalhada foi geral. Sempre sorridente e bem disposta, embora desta vez coradinha (vergonha?), logo lhe retorquiu: "Óh von "Terrina", já estava preocupada contigo, pois desde que entraste no autocarro, não tens feito outra coisa que não seja dormir. Pois claro que tenho que arranjar umas bisbilhotices para as minhas colunas nos jornais, pois são eles que me pagam! Olha que não quero ficar marafada contigo!". O "Mi-Burro" esticando-se todo, disse à Rosélia: - "Querida amiga, se quiseres saber alguma coisa da minha vida, é só perguntares!". O Humberto é que não ouvia nada, pois continuava com as suas experiências no rádio que só lhe respondia com "bips-bips". O TóKandar também estava preocupado com esta situação, perguntando: "Papá, será que esteja ligado a algum satélite pirata?". Ficámos com a sensação de quando a Margarida ouviu chamar "papá" lhe lançou um olhar nada amistoso. O Tito aproveitava para ir tirando notas de um curso que estava a tirar por correspondência, enquanto a Pilota Grainha estava muito entretida a beber uma enorme garrafa de whisky escocês. À frente do autocarro, o Prof. Caco Pedra trocava impressões com a Comandante Manuela Madeira e com a motorista Joana, enquanto a Imediata Cristina, tentava estudar um livro prático de "Primeiros Socorros". No banco de trás, observando e gozando todas as situações, estava o Carlos...

         Tudo corria muito bem, quando a motorista Joana gritou: - "Amigos! Temos um furo e temos que mudar o pneu! Lá se foi a nossa tranquilidade. Todo o pessoal saiu do autocarro e todos ficaram a admirar (e a lastimar) o sucedido ao pneu. Mas ninguém dava solução para a mudança do pneu, o que levou a Comandante a sugerir que era preciso descobrir onde estava o sobresselente e tirar o que estava furado. Todos começaram a tentar descobrir onde o pneu estaria e, quando foi descoberto, ninguém sabia como o tirar. Valeu a perspicácia do nosso Engº. Tito que logo desceu o pneus enquanto mãe e filha faziam subir o elevador (macaco) do autocarro, desapertavam as porcas dos parafusos e depois deste retirado, colocaram o sobresselente. Foi um trabalho familiar prefeito!

         No final, ambas (mãe e filha) foram muito aplaudidas.

         Sem mais nada de registo (no Brasil registro), chegámos a Portalegre (**), onde ficámos hospedados no Castelo.002.jpg (10793 bytes)

CASTELO DE PORTALEGRE

         Ergue-se na parte mais alta da antiga povoação. Foi reforçado por D. Dinis em 1290 e modificado posteriormente. Era constituído por uma dupla muralha que envolvia o perímetro da vila, com 12 torres e 7 portas. Actualmente existem apenas 3 dessas portas (de Alegrete, do Crato e da Devesa).

         As muralhas do antigo castelo estão classificadas como Monumento Nacional, por Decreto de 29 de Junho de 1992.

          No outro dia, a preparação física começou na Serra de Nossa Senhora da Penha.

003.jpg (6145 bytes)         A preparação estava programada para ser muito dura, com um horário muito apertado e preenchido, a saber:

         Levantar às 11:30 horas; pequeno-almoço às 12:00 horas; passeio pela cidade até ao almoço (13:30 horas); depois descansar até às 17:00 horas, hora em que começava a preparação física até às 17:50 horas. Depois do jantar, divertimentos vários, incluindo a dança na mais afamada discoteca, "O Infinito"; Deitar às 03 horas da madrugada.

         A meio da semana já todo o pessoal se encontrava demasiadamente cansado tendo por isso 24 de descanso.

         (**) Portalegre: "Frei Amador Arrais conta-nos que a cidade foi edificada com o material que se aproveitou da cidade de Medobriga, fundada por Brigo, 4º rei de Espanha. Mais nos diz que tudo isto se passou cerca de 1900 antes de Cristo. Segundo a lenda teria sido um filho Baco, de nome Lysias, que um dia, achando lindas estas paragens, mandou edificar uma fortaleza e um templo que consagrou a Dionísio ou Baco. Tais construções teriam existido no sítio onde está a ermida de São Cristovão, sítio que domina a cidade actual. Ali perto, o arroio que corre, ainda hoje é chamado o Ribeiro de Baco.

         Embora faltem os elementos necessários para o provar, o que parece averiguado é que Portalegre já existia no tempo dos romanos, ainda que com outra localização, não longe da actual.

         Segundo a mesma lenda, Lysias, ao fundar a povoação, deu-lhe o nome de Amaya ou Ameya. A origem de tal nome deve ter vindo de uma filha do fundador citado, chamada Maya. Ambos foram sepultados no referido templo.

         Os romanos não mudaram o nome e a Amaya ou Ameya tornou-se em ruínas e ficou sem população, devido às lutas constantes da Idade Média.

         Em 1259, D. Afonso lll mandou-a reedificar em sítio, onde existiam umas vendas que eram conhecidas por Portelos. Deve ter vindo daqui e da beleza do local o nome de Portalegre.

         As vendas de Portelos, supõe-se que existiram no local onde mais tarde se edificou a Igreja de São Bartolomeu, que também já não existe. À volta desse sítio se foram construindo edifícios com os materiais que existiam da extinta, ou quase, Amaya.

         Aconteceu porém, coisa idêntica com a nova povoação, pois as lutas entre mouros e cristãos continuaram e no seu horror e na sua violência a destruíram. Assim, transformada em ruínas, os habitantes que sobreviveram tiveram que a abandonar.

         Em 1290, D. Dinis mandou construir um forte castelo, que já também não existe, duas cercas de possantes muralhas, que tinham doze torres e oito portas. Estas tinham os nome de: Teresa, Postigo, de Alegrete, de Elvas, de Évora, do Espírito Santo, de São Francisco, e do Bispo ou de Crato, algumas das quais ainda existem. As muralhas estão igualmente em bom estado de conservação.

         O mais notável é que D. Dinis veio a tirar a prova de resistência da fortificação. A população de Portalegre tomou o partido de seu irmão D. Afonso, o qual se orgulhava do senhorio da localidade. O rei teve de pôr cerca à então vila, cerco que durou cerca de cinco meses, acabando pela rendição dos sitiados. D. João lll criou o bispado, em 1549.

         Há uma versão que diz ter vindo o nome da cidade de Portalegre de "Portus Alacer". Portus era um sítio entre a Penha de São Tomé e o Cabeço do Mouro, e, Alecer veio da bela situação da povoação. (Casimiro Mourato - 1954) ".

         "Portalegre derivou de porto alegre. Porto significou (como já no latim portus) passagem e neste sentido também se empregou e emprega em português a significar passo ou terra entre montes.

         O adjectivo alegre de certo qualificou a alegria da passagem. Como se sabe, a paisagem é idílica naquele "porto alegre", enquadrado pela serra de São Mamede e alturas de Marvão e Castelo de Vide. Nota-se que as pessoas de fora dizem "Purtalegre"; mas "Pôrtalégre" é a pronúncia popular, o que ajuda a confirmar a formação "porto alegre". (Prof. Dr. Vasco Botelho de Amaral -1949).

         Apontamento do ano de 1900, tirado do "Jornal do Comércio":

         "Portalegre é cidade, capital de distrito e cabeça de concelho. Tem uma população de 11.893 habitantes e é servida pelo Caminho-de-Ferro da Companhia Real. Tem 10 freguesias com 18.510 habitantes. Tem fábricas de lanifícios, moagens, cortiça.

         O distrito de Portalegre tem uma superfície de 6.230,60 Km2 e uma população de 124.431 habitantes. Compreende 15 concelhos e 72 freguesias. Os concelhos são: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Niza, Ponte de Sôr, Portalegre e Sousel. A serra principal é a de São Mamede com a altitude de 1.025 metros. É banhada pelo rio Tejo, que o separa do distrito de Castelo Branco, e pelos rios Sever, Niza, Figueiró (afluentes do Tejo da margem esquerda); pelo rio Raia e seus afluentes, e pelo rio Guadiana, que o separa de Espanha numa curta extensão, também pelo Rio Caia, afluente do Guadiana.

         Tem produtos agrícolas, criação de gado, grandes montados de azinheiras.".

         Capital do distrito do mesmo nome, Portalegre é uma cidade com condições próprias que lhe dão um encanto singular.

         Situada numa das mais belas regiões de Portugal, edificada num planalto da serra de São Mamede, tem simultaneamente características da serra verdejante e da campina alentejana, que se conjuram num variado conjunto paisagístico.

         Rica em água e rodeada de quintas, hortas e pomares, é actualmente uma cidade com 15 mil habitantes, fortemente industrializada e também dedicada ao comércio.

         A sua origem perde-se na lenda recolhida por Frei Amador Arrais, que foi o terceiro bispo de Portalegre. Conta ele que a cidade foi fundada, 1900 anos antes de Cristo, por Lysias, filho de Baco (o deus do vinho), que, achando o sítio muito aprazível, mandou construir nele uma fortaleza e um templo dedicado a Baco, instalando-se aqui com a sua gente. Tais construções teriam existido no local da actual Ermida de São Cristóvão, onde ainda se encontram os restos mortais de Lysias, num cofre de madeira com epitáfio escrito em letra grega, descoberto no século XVlll, durante as obras de ampliação e colocado actualmente num nicho, no lado direito do altar-mor.

         Segundo a lenda, Lysias, em memória de sua filha Maya, aqui tragicamente falecida. Os Romanos não lho mudaram e a urbe chegou a ter nessa época a elevada categoria de município romano.

         Mas acabou por ficar despovoada e em ruínas durante as lutas medievais.

         Repovoada após a Reconquista, Portalegre viu erguer-se muito próximo, poucos anos após a morte do santo, o Convento de São Francisco, para o qual contribuíram todos os moradores das redondezas, tendo o convento atraído mais população.

         A então vila, em 1259, recebeu foral de D. Afonso lll; D. Dinis cercou-a com uma cintura dupla de muralhas, consciente da sua estratégica posição fronteiriça.

         Primitivamente, a população circunscreveu-se ao recinto das muralhas, mas, com o andar dos tempos, foi-se dilatando. Construíram-se então ruas paralelas, mas, como não havia muito espaço, os habitantes começaram a ocupar o lado da Misericórdia (lado norte).

         Em 1549, D. João lll , intercedeu junto do papa Paulo lll para a sua elevação a diocese, que foi criada nesse mesmo ano. No ano seguinte, D. João lll elevou Portalegre a cidade.

         Em 1556, foi lançada a primeira pedra da nova Sé, consagrada a Nossa Senhora da Assunção.

         A imponente construção, que ainda hoje é o principal monumento da cidade, ficou concluída no tempo de Frei Amador Arrais, que mandou fazer os retábulos da capela-mor e o de Nossa Senhora do Carmo e à sua própria custa lajeou e ladrilhou todo o pavimento do templo. A Sé foi posteriormente enriquecida com vários melhoramentos, como o grandioso orgão e uma valiosa colecção de paramentos.

         Na parte antiga, dentro do recinto das velhas muralhas, nas ruas dos Besteiros e do Castelo, ficavam as moradas dos nobres em prédios de acanhadas proporções, alguns dos quais ainda se podem admirar, embora mais ou menos modificados.

         Um dos mais belos monumentos da cidade é o convento de São Bernardo, adaptado a quartel, que possui um magnífico pórtico barroco. Num dos seus pátios centrais pode admirar-se uma grandiosa fonte de mármore com 16 bicas, encimada uma figura de Neptuno artisticamente trabalhada.

         A sepultura de D. Jorge de Melo, fundador do convento, é considerada a mais sumptuosa e soberba de Portugal, com os seus 12 metros de altura por 6 de largo.

         Tanto o túmulo como a fonte são atribuídos ao grande mestre João de Castilho.

         Em miradouros privilegiados, como o de São Cristóvão, o da serra de São Mamede ou o da serra da Penha, o visitante pode admirar toda a grandeza da cidade e estender o olhar pelos campos povoados de "montes" (chamados "alentejanos").

A SERRA DE SÃO MAMEDE

         A serra estende-se por muitos quilómetros, formando o famoso triângulo turístico: Portalegre – Castelo de Vide – Marvão.

         Os percursos são aprazíveis, e as estradas nada más. A paisagem surpreende a cada curva, porque a frescura e o silêncio da serra, os pinhais e os soutos têm o seu contraponto nos vales salpicados de casinhas brancas e singelas ermidas rodeadas de pomares e hortas.

         Alguns contrafortes da serra dispõem de condições ideais de defesa, encostas escarpadas, terreno acidentado e abundância de recursos de água.

         Assim, se justifica a existência de vilas como Marvão (que tem um magnífico e panorâmico castelo) e Castelo de Vide, que exerceram durante séculos o seu papel na defesa das regiões fronteiriças.

         Neste percurso deparam-se-nos vales frescos e aprazíveis, como o de São Salvador da Aramenha, onde apetece parar de deixar o tempo correr. Compreende-se facilmente que, desde a Antiguidade, os povos se tenham fixado nestas paragens.

         Mas além do triângulo turístico, existe um circuito mais pequeno, de cerca de 14 Km. Geralmente chamado "volta à serra", iniciando-se em Portalegre, passando-se por Monte Paleiros, Ribeira de Nisa, onde podemos admirar a bela piscina fluvial, enquadrada em ambiente rural e da qual se podem observar animais bovinos a pastar, arvoredos e vegetação diversa, continuando o circuito, segue-se em direcção a Alegrete, passa-se pelo Reguengo, onde se encontra outra piscina fluvial com a refrescante água do nascente existente não longe do local e, finalmente, volta-se à cidade de Portalegre. É um belíssimo percurso que atravessa as encostas da serra, chamada de Portalegre, coberta de vegetação muito complexa.

         No último dia passado em Portalegre, todos os excursionistas foram visitar a Igreja do Senhor do Bonfim.

IGREJA DO SENHOR DO BONFIM

         Foi mandada edificar no local então chamado "Bonfim de S. Tomé" pelo bispo D. Álvaro Pires de Castro Noronha que lançou a 1ª pedra a 21 de Dezembro de 1721. Foi um centro importantíssimo de peregrinações, e desse passado ainda restam, em anexo, as casas destinadas ao alojamento dos peregrinos. Possui painéis de azulejos e rica talha barroca.

         Já na entrada para o autocarro que nos ia levar à Praia de Manta Rota, tivemos a primeira desistência: a do nosso amigo TóKandar, alegando que tinha de regressar à Universidade, não só para estudar como também para protestar contra o aumento das propinas. Mas todos notaram que ele estava muito cansado logo na primeira parte da preparação física no monte de N.S. da Penha, além de não gostar muito de praia, melhor, da água.

         Já em plena estrada, a Rosel notou que tinha deixado no Castelo os seus apontamentos de "Vida Alheia". Com toda a calma, a Joana fez inversão de marcha e voltámos ao Castelo. Entretanto, o amigo (da onça?) von Trina ia perguntando à Rosel se ela de noite, não teria usado os tais apontamentos como papel higiénico. Mas teve de para com a brincadeira pois ela começou a ficar marafada de todo.

         Com este atraso, chegámos à Praia de Manta Rota (***), muito tarde e já não arranjámos nenhum restaurante que nos servisse o almoço.

         Tivemos que nos contentar com uma comida quase sintética de Mac Donald´s, com grandes protesto do von Trina que alegava que: "Um corpinho como o meu, não se enche com esta comida !"

         A Segunda parte da preparação física decorreu como estava previsto. A intensidade dos exercícios foi aumentada, assim como o programa social. A alvorada era às 10:00 horas e logo a seguir todos se dirigiam para a praia, para exercícios em motas de água, mergulhos com botija de oxigénio, banhos de água salgada e antes do almoço, banhos de água doce. O almoço às 12:00 horas e logo a seguir todos recolhiam aos seus quartos para um merecido descanso até cerca da 19:30 horas, onde depois do jantar rumavam para Faro, onde faziam a preparação nocturna, semelhante à do período anterior, em Portalegre

         (***) Praia de Manta Rota: De uma ondulação suave, de água cálidas e calmas, fica localizada entre o estuário do Rio Guadiana e o início da Ria Formosa; engloba uma praia de 12 Km, uma das mais extensas da Europa.

 

FARO

         Existem várias opiniões sobre a origem do seu nome. Vamos aqui apresentar algumas:

         "Dizem alguns escritores que o seu primeiro nome foi "PHARO" (Faro), por causa dum farol que os seus fundadores aqui edificaram, para guia dos navegantes. É certo que faro, fano e fanal é de origem grega...

         Dizem outros que, tendo-se com o andar dos tempos desenvolvido a navegação e o comércio nestas paragens, se edificou aqui um farol para governo dos navegantes, e que à povoação se principiou a chamar Vila de Faro (Farol).

         Ainda outros, porém, que não querendo os mouros estar pelo nome que os cristão impuseram à povoação (Santa Maria), lhe deram o nome de Faraon, que significa "povoação de cavaleiros", lhe deram o nome de Faraon, que significa "povoação dos cavaleiros", porque farás significa o cavalo e fares o cavaleiros.". (Dr. Pinho Leal - 1874).

         "O nome da cidade de Faro proveio, segundo o arabista David Lopes e o fidólogo José Joaquim Nunes, do nome de um príncipe mouro chamado Hárune.

         O "h" árabe passou a "f". O mesmo sucedeu, por exemplo em Mafoma, cuja variante está citada no Dicionário de Dificuldades.

         Hárune deu Faro, porque além da mudança do "h" em "f", a parte final é facilmente explicável por uma passagem de "rune" em "rom", "rão" e "ro". Hárune –Fárom – Fárão – Faro.

         A ideia de prender FARO a farol ou facho chamado faro não tem fundamento, em virtude das formas antigas Faaron, etc., que postulam o tal nome mouresco de Hárum, príncipe farense." (Prof. Dr. Vasco Botelho do Amaral).

         Apontamento de 1900 recolhido do "Jornal do Comércio":

         "Faro é cidade capital de distrito e cabeça de concelho, com 11.835 habitantes e é servida pelo Caminho-de-Ferro Sul e Sueste. É cidade muito antiga; as grandes ruínas de Estoy ficam muito próximas. Os arredores da cidade são muito cultivados e produzem abundantes frutos e legumes. Grande indústria de pesca do atum. O concelho tem 6 freguesias e 34.270 habitantes.

         Distrito de Faro

         "O distrito de Faro tem uma superfície de 5.018,9 Km2, e 15 concelhos: Albufeira, Alcoutim, aljezur, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Silves, Tavira, Vila do Bispo, Vila Nova de Portimão, Vila real de Santo António. É banhado pelos rios Guadiana, Odeceixe, Odelouca, Aljuzur, Bensafrim. Serras principais são as de Monchique, de Fóia e Espinhaço de Cão. Os cabos de mar principais são: São Vicente e o de Santa Maria. As baías são: de Sagres e de Lagos. Tem grandes matas de castanheiros, sobreiros e alfarrobeiras, na zona serrana; figueiras e amendoeiras mais junto ao litoral. Tem belíssimas praias e um clima sempre ameno.".

         O desenvolvimento de Faro deve ter-se processado em virtude da decadência da antiga cidade de Ossónoba, que se erguia nas proximidades.

         No século Xl Ossónoba passou a ser denominada Hárune, de onde derivou o nome Faro.

         Foi conquistada em 1249 por D. Afonso lll e recebeu seu primeiro foral em 1266.

         Gozando ao longo dos séculos da protecção real, foi elevada a cidade por D. João lll em 1540. Na época da deminação espanhola. Faro foi assaltada e devastada pelas tropas do conde de Essex, no regresso da expedição a Cádis.

         Todas as bibliotecas e cartórios foram queimados, destruindo-se assim importantes documentos ilustrativos da história da cidade. Dos monumentos apenas escaparam ao saque as Igrejas da Misericórdia e de São Pedro.

         Foi das primeiras cidades, senão a primeira, a possuir uma tipografia, tendo sido aqui impresso, em 1487, o mais antigo incunábulo português.

         Uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre a muralha é o brasão da cidade capital do Algarve. Diz a lenda que, ao tomarem posse da aldeia de pescadores erguida na margem da ria Formosa, os Árabes teriam encontrado uma imagem da Virgem que arremessaram ao mar. Como por castigo divino, as águas deixaram de dar peixes, anteriormente tão abundantes. Recuperada a imagem e restituídas as antigas honras, a pesca voltou.

         Foi esta a imagem respeitada pelos senhores da praça durante o seu domínio, a ponto de a aldeia passar a ser conhecida por Santa Maria, distinguindo-se de outras povoações do mesmo nome por determinativos geográficos (de Garde ou do Ocidente) ou epónimos (de Ibn Harum). De facto, em certo momento da sua história, foi senhor de Faro Mohamed Bem Said Bem Harum.

         Porto importante no tempo dos árabes, foi-se a povoação desenvolvendo dentro dos seus muros, numa zona hoje ainda bem delimitada a que os farenses chamam Vila-a-Dentro. Para lá se entrar, era necessário franquear as poucas portas de que dispunha e que, sem grande alteração, correspondem às que hoje existem.

         Da porta virada ao mar, coincidente ou não com a Porta das Festas, pouco se sabe. Parece ter sido destruída devido à construção de uma antiga fábrica de cerveja. A porta nova que hoje existe é a mais recente de todas e realmente não passa s de uma abertura na muralha. O mesmo não sucede com a Porta do Repouso, cheia de tradições e em restauro.

         Uma terceira porta situava-se virada a norte, no local onde se encontra actualmente o Arco da Vila, talvez o mais conhecido monumento de Faro. Erguido por D. Francisco Gomes, encerra o arco vestígios da antiga porta medieval e dele partem ruas que coincidem com as mais antigas vias de circulação de Vila-a-Dentro.

         Uma lenda pretende que teria existido uma Quarta porta, a Porta da Traição, por onde uma moura teria facilitado a entrada aos cristãos. A porta abrir-se-ia na muralha sobre a ria, em orientação simétrica ao Arco do Repouso.

         Em pleno centro da velha vila, o Largo da Sé é um dos mais belos conjuntos arquitectónicos de todo o Algarve. Vem a propósito referir um acontecimento infeliz ligado à história de Faro e à Diocese do Algarve.

         Foi no reinado de D. Sebastião, que D. Jerónimo Osório, bispo de Silves, conseguiu que a sede da diocese fosse transferida para Faro (cidade há menos de 40 anos). Já antes houvera uma tentativa abortada de transferência para Portimão. Sediada em Faro, embora com o título de Bispado do Algarve, que ainda hoje conserva, procuraram os prelados ilustrar a nova capital episcopal e muniram-na de uma importante biblioteca. Além do primeiro bispo, também D. Francisco Mascarenhas a dotou de novas espécies, adquirindo inúmeras obras.

         Perdida a Independência em 1580, foram Portugal e suas colónias objecto de cobiça de todos os inimigos de Espanha. Não admira, pois, que em 1596, Faro fosse assediada pelos soldados ingleses do conde de Essex, que, ao encontrarem a cidade abandonada pelos seus apavorados habitantes, se entregaram a verdadeiros actos de pirataria, destruindo ou roubando tudo o que viam.

         Entre os bens arrebatados, conta-se toda a biblioteca do paço, que o conde-corsário resolveu oferecer a um dos seus amigos e que hoje constitui a Biblioteca Bodleyana, em Oxford.

VILA ROMANA DE MILREU

         A cerca de 10 Km de Faro, numa entrada que liga esta cidade a São Brás de Alportel, perto de Estói, fica situada a Vila Romana de Milreu..

         O templo muito bem conservado, foi construído no século lV depois de Cristo e consagrado a divindades aquáticas, mas cristianizado no mesmo século, tendo-lhe sido acrescentado o baptistério.

         De cela quadrada e abside, rodeado por uma bela colunata coríntia com cancelas de mármore nos intercolúnios, erguia-se sobre um embasamento revestido de mosaico com configurações de peixes.

         Da casa de habitação do proprietário da vila, que está apenas parcialmente escavada, são visíveis várias dependências em torno de um peristilo (pátio com colunas) e umas termas com vestiário frigidário (duas banheiras, uma circular e outra quadrangular), tepidário e caldário.

         Neste local foram encontrados os bustos de Agripina e Adriano, actualmente no Museu do Infante D. Henrique, de Faro, e o de Galieno, que se guarda no Museu de Lagos.

INFANTE D. HENRIQUE

         O chamado "pai" das Descobertas ficará para sempre ligado ao Algarve, nomeadamente a Sagres.

         Henrique, o Navegador, primeiro Duque de Viseu, ilustre infante da Ínclita Geração, era filho de D. João l e de D. Filipa de Lencastre.

         Nasceu no Porto no ano de 1394, tornou-se num dos nomes mais ilustres da nossa História. Homem de exemplares virtudes, de "grande conselho e autoridade", ligou-se desde muito cedo ao movimento expansionista de Portugal, tendo tomado parte na conquista do porto marroquino de Ceuta.

         De regresso a Portugal, estabeleceu-se na vila de Sagres (Algarve), de onde empreenderia um conjunto de acções determinantes para o sucesso da expansão portuguesa.

 

         O grande dia da travessia do Atlântico aproximava-se a passos largos. Todos procuravam transportar para o Navio "CUCO" tudo o que podiam e que eram capazes. Imaginem que a Comandante Manuela até queria transferir para o navio, a sua agência bancária; a Rosélia, a sua casa de campo do Alentejo; a Imediata Cristina, a organização do seu Rally Papper; 0 von Trina tentou esconder no navio parte das suas amiguinhas de Bragança; O "Mi-Burro" também...; O Tito Olívio, todos os seus trofeus literários; o Humberto, todos os tratados de entrada de navios nos portos internacionais e um certo barracão do porto de Setúbal; a Margarida, uns enormes rolos de papel de cenário; o Carlos, o seu pseudo escritório; a Pilota Grainha, enorme quantidade de whisky "puro" de Sacavém, que segundo ela, é o melhor do mundo. Só o Prof. Caco Pedra não tentou meter clandestinamente no navio, a sua enorme biblioteca, alegando que tem tudo na cabeça.

         No dia anterior ao começo da gloriosa travessia do Atlântico, os amigos von Trina e "Mi-Burro" não compareceram no acampamento da Praia da Manta Rota. A preocupação foi geral, e logo houve quem alvitrasse participar o acontecimento às autoridades, pois não fosse alguma das muitas organizações pedófilas que consta existir em Portugal, os ter raptado. Mas por fim os dois amigos apareceram, cambaleando cada qual para seu lado, muito alegres e muito bêbados (não de batido de H2o). Antes de adormecerem (e ressonarem) profundamente, foram dizendo que andaram a tratar de "burras" em zonas não proibidas, ou seja, em zonas de alterne.

         No outro dia, quando a Comandante os inquiriu se tinham transportado e arrumado, todas as provisões alimentícias para o navio, embora hesitantes, responderam que sim. Veremos...

         Todos se tinham esquecido das vacinas necessárias para esta grande excursão. O "Mi-Burro" foi procurar as vacinas nas farmácias da região, mas não encontrou a quantidade e diversidade desejada. É que isto de vacinas, não é coisa para quando são precisas, mas sim, quando as há e, mesmo assim, quase que é preciso fazer um requerimento ao Governo. Mas a Imediata Cristina (Estrompa) e não Estromba, pois senão o seu narizinho ainda fica mais arrebitado e bem capaz de mandar a boca dizer coisas feias, resolveu a contendo a situação: Queimou umas ervas e fez uma rezas e todo o pessoal ficou vacinado!

         No dia do embarque, a Pilota Grainha bem procurou a sirene do navio, mas não a encontrou. Perguntou onde ela estava ao Engº. Chefe que também não sabia, mas prometeu consultar os planos de construção do "Cuco" e, no próximo porto (neste caso o de Macapá) já saber a sua localização.

         Com toda a tripulação no convés inferior do navio à espera, não se sabe muito bem do quê, quem salvou a situação foi o Humberto, que se lembrou dos seus tempos de militar, agarrou num clarim e com o microfone aberto, começou a tocar: "Para a forma... para a forma... seu camelo"; segundos depois tocou: "Bazaruco... firme"; e por fim "escravo... sentido…" Com o pessoal todo em sentido, a Camandante Manuela Madeira e a Imediata Cristina, passaram revista à tripulação. Depois, a Comandante subindo uns degraus da escada que ligava ao convés superior, deu as boas-vindas a bordo, da tripulação:

         "Tripulação, escusado será dizer que conto com a vossa competência, brio profissional e honestidade, para podermos levar a bom porto esta nossa perigosa missão. Serei implacável para quem não cumpra o regulamento e, benévola para quem me apoie sempre! Muita coisa vai ficar por dizer, mas são coisas que todos sabem e aprendidas nestes dias de preparação activa, em que todos estivemos empenhados. Estamos preparados para a missão, e vamos prová-lo no teatro das operações (perdão, no mar). E para terminar, depois de destroçar, limpem essa porcaria que o "Mi-Burro" fez no convés, enquanto eu discursava, e que me está a enojar. Humberto, toque a destroçar!

         E o Humberto fez-lhe a vontade: "Destroçar, destroçar... e vejam para onde vão"!

         Depois do pessoal ter recolhido às suas cabinas para arrumar os seus pertences, e quando já todos estavam a conviver e a tomar um Porto (genuíno) no bar; a voz da Comandante fez-se ouvir: "Da Comandante à tripulação: Chegou a hora da partida. Não vou permitir choros nem velas, nem sequer fita amarela. Vamos começar a nossa gloriosa missão que nos vai levar ao belo litoral do Brasil. Como ainda não localizámos a sirene do navio, peço mais uma vez ao Humberto que toque ao ataque. Tenho dito".

         "Ao ataque, ao ataque, ao ataque... Marchar!".

         Novamente a voz da Comandante se fez ouvir: "Da Comandante à Pilota: Rumo Latitude 0º 04’ N; Longitude 51º 04’ W", ou seja, o porto de Macapá, do Estado de Amapá, Brasil"

         A Garrafinha confirmou: "Da Pilota Upp para a Comandante: Eu cá não percebo mesmo nada de Upp graus nem de minutos Upp, pois, nunca sei a quantas ando Upp. Vou à procura Upp dos Elísios Upp, tenho dito"

         E a viagem da travessia do Atlântico começou, a partir do Cabo de Santa Maria (Algarve – Portugal).

 

         O Farol do Cabo de Santa Maria é constituído por uma torre circular branca com um edifício anexo. Tem uma altura de 48 metros, sendo de 45 a altura da respectiva luz. Junto a este Farol encontra-se a entrada comum de Faro-Olhão que constitui o principal canal de acesso à Ria Formosa.

 

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