
Olá, a meus amigos e leitores do CEN,
hoje trago-vos várias poesias e uma
entrevista, com a poetisa, Schyrlei
Pinheiro, espero que apreciem este 2º
número de minha revista, Horizontes e
Paralelos, bem-hajam, a todos.

Vende-se/ Aluga-se
rivkahcohen
Vês aquela casa
com a porta trancada?
Um dia, para mim,
foi encantada!
Tinha muita música,
risos,
gargalhas
que ainda posso ouvir..
Não havia quem nela estivesse
que ficar não quisesse
e de preferência, morar,
para um pouco sorrir.
Na alegria, tem disso,
todos querem se agrupar,
pegar nem que seja o resquício
desse indefectível verbo amar..
Morava ao lado,
a solidão..
Nunca de vestido estampado,
olheiras de quem não dorme nada,
cuidando da situação.
Uma bobeira,
um entrar enganado,
ela que a tudo esgueira,
vem pegar os pedaços
e com que satisfação!
Hoje é só uma casa fechada,
com cortina rasgada
e alguma flor em botão..
Não! Não adianto mais nada!
Querendo,
está para ser alugada
ou até mesmo, vendo!
Quem mora ao lado?
Ah, é claro!
A solidão,
mas quem sabe tendo cuidado..

FADO
MENOR
© Alberto Peyrano
Nostalgias de um tempo eterno
envolto em auras de ausência
meu barco navega quieto
pelas águas deste fado
e busca que a teus beijos
o levem as brancas velas.
Fado de meu coração ferido,
fado de canções antigas
que se adornaram de flores
de teu jardim tresnoitado.
fado que hoje me tem preso
nas cordas de cem guitarras
que te pedem esta noite
não deixes de escutar minha esperança.
O barco segue seu rumo
até um porto de vento.
Capitão de velhos mares,
vai navegando até um faro
em fado menor, minha alma.

Inútil Domínio
Marise Ribeiro
As pétalas de uma rosa são entre si
diferentes
Nem todas as flores se mostram aos
beija-flores atraentes
Renasço a cada dia exalando distintos
perfumes...
Minhas palavras têm doçuras ou azedumes.
Como um rio, posso ser cristalina ou
barrenta
Deixar-me correr serena ou turbulenta...
Meu eco grita de dor ou repete um canto
de louvor
Meus versos nascem da cor do meu humor.
Posso ser primavera, outono, inverno ou
verão
Parar conflitos com a branca bandeira da
paz
Fazer sangrar o peito rasgando a
desilusão...
Ganhar um abraço, um beijo e pedir até
muito mais.
Dançar, adormecer, sorrir, chorar,
morrer...
Posso tudo! São vontades que sou eu quem
as decreta
Até amanhecer e chover também faço
acontecer
Mas rimar o teu querer não posso, mesmo
sendo poeta.
09/01/07

Levar a palavra certa
luz sampaio
Na
multimídia, pelo universo das letras,
aventuram-se poetas e escritores
levando suas palavras, pérolas de
ternura,
que esvanecem,
tocando e deleitando a alma dos
leitores.
A pecularidade que os distingue
e o amor que se dedica a essa arte,
é o que o fará tornar-se eterno
neste vasto chão da literatura,
onde cada palavra escrita
será um facho de luz irradiando a
espiritualidade
e o mais nobre pensamento do escrevedor.
Levar a palavra certa é um ofício
difícil,
é uma missão de responsabilidade
para com a humanidade,
que permanentemente esta sempre
à procura da verdadeira felicidade.
Luz Sampaio
Japão, 15 de setembro 2007

Até
quando?
Margaret Pelicano
Até quando o poder do teu fascínio
vai ensopar-me de pranto,
de saudades e músicas de acalanto,
quando ao deitar-me, à noitinha, sinto
teu encanto?
Até quando ao amanhecer,
vou fazer o café com aquele querer,
o coração cheio de canto, de rezas e
agradecer?...
por ter tido um grande companheiro, e
que espanto...
chegar ao quarto e ver meu homem
ressonando, acordando, espreguiçando
e dizendo: - bom dia! Te amo!
E aquele sorriso iluminava o passar das
minhas horas,
agradecida a Deus por ter-te encontrado
e transformado minha vida em raios de
felicidade...
... agora não te tenho mais...
Vou ficar sem ti, até quando?
Brasília - 10/12/2006

Pedaços
by P@ulo Monti
Frio: 9ºC
Na rua
E no peito.
Em rios distantes passo
Tão perto
Feito vento
Vago veloz.
Vejo vidraças vazadas:
Último refúgio do sol!
Pedaços de mim
Fora de lugar
Mosaico
Retrato
Fragmentos da vida
Deixada
Sugada
Exaurida.

Quatro anos de genocídio no Darfur,
Sudão.
Quatro anos de milhares e milhares de
mortes, perseguições, violações e
barbáries inimagináveis, sem qualquer
outra razão que não a estupidez humana.
O ódio irracional de pessoas contra
pessoas.
De pois do Holocausto, do Cambodja, da
Bósnia, do Ruanda…
Como é possível que esta barbaridade
continue a repetir-se, perante a
passividade geral?
Como é possível que o resto do mundo
continue pacatamente na sua vidinha, a
olhar para o lado e a assobiar para o
ar?
***
OS FILHOS MUTILADOS DO RUANDA
Oh, mundo insano, olhai para teus
filhos,
Vede como eles sofrem com as guerras,
Pois tudo isso são todos teus
pecadilhos,
Que em teu núcleo subterrâneo encerras.
Se eu fosse a guerra e tu a paz,
trocaria
De lugar contigo, pois muito me apraz,
Ver chegar o sucinto e derradeiro dia,
Em que finalmente todos vivamos em paz.
No Ruanda crianças morrem todos os dias,
Para alimentar os senhores da guerra,
E os abutres esperam o suspiro da terra,
Para se alimentarem da carne em
disenteria,
Como num gesto obsceno e contra natura,
Longe, bem longe, da mui esperada cura.
Jorge Humberto
16/04/07
***
RUANDA NUNCA MAIS
Corpos mutilados, à força da catana;
Membros decepados e cotos cuidados
À pressa, que já lá vem o sacana,
De arma na mão e olhos enviesados;
Mais a milícia e toda a sua propaganda,
Arrastando velhos, destrambelhados;
Mulheres violadas, de seu nome, Ruanda,
Com os filhos ao colo – degolados;
Corpos enforcados, entornados no chão;
Assassínio em massa, na cidadela;
Crianças chorando por um pouco de pão;
Poder-se-ia chamar, Darfur, a esta
aldeia,
Tal o protagonismo que tomou conta dela,
Mas foge de mim toda e qualquer ideia.
Jorge Humberto
21/09/07

Horizontes & Paralelos, traz hoje, para
o seu bloco de entrevistas, Schyrlei
Pinheiro, mulher e poetisa de forte
carácter. Segue-se abaixo um resumo de
vida, escrito pela autora, seguido de
perguntas e respostas, que a poetisa
amavelmente acedeu em comentar.
À própria gostaria muito de agradecer a
amabilidade pela sua disposição e
consentimento, para levar avante esta
entrevista. Obrigado!
A
autora:
“Nada tenho de especial, sou uma pessoa
simples, com uma vida normal. Vivo
apaixonada por tudo que se acerca de
mim. Procuro ser justa, sou muito franca
e digo o que penso, sem receio algum.
Tenho muita facilidade para fazer, e
preservar amizades; creio não ter
inimigos, e sim alguns desafetos, que me
seguem na paralela da vida, um passo à
frente, ou atrás, sabendo que não lhes
dou a menor importância; escuto-os,
vejo-os e reconheço a todos através da
sensibilidade. sem temer qualquer risco,
pois sigo sempre o meu caminho,
iluminada pela verdade; se paro no meio
do trajeto, é para deixar o negativo
sucumbir nas trevas, ou pegar o atalho
das sombras, que não podem apagar o
brilho do sol e as pegadas da verdade,
que seguem as linhas do horizonte.
Casei-me aos dezasseis anos de idade com
o amor de minha vida, vou completar este
ano 41 anos de vida em comum feliz,
tenho 3 filhos, todos com vida estável e
equilibrados, que só me deram orgulho, e
netas, que são as flores do jardim de
minha vida. Quanto aos meus escritos,
nunca tive pretensões de tornar-me uma
literata, brinco com as letras e escrevo
o que sinto em meu coração, pouco me
importando com as rimas e métricas, que
seguem um principio estabelecido em um
passado que já não faz parte do
presente, que procura sobreviver em
liberdade, contextando o retrocesso e
deixando novos passos como opções
futuras. Tudo se modifica, tudo evolui
e nada poderá mais ficar preso à
regras. Pensando assim, aderi à poesia
livre não tenho livros meus publicados,
embora os tenha catalogados em
protótipos, com todos meus devaneios
registrados. Participei de alguns
eventos literários, e, além de dois
livros virtuais que recebi de presente,
estou em muitos outros, elaborados
através de grupos que participo, ligados
à poesia. Meus escritos são livres e
podem ser observados por todos, em
vários sites, ou em páginas especiais
dos grupos que frequento, entre eles: o
News Brazilian Art e Culture, News
Intnatl América, Luso Brasileiro, CEN (Cá
estamos Nós), Grupo Italo Spanico
Latino, Grupo Amor em Palavras, Avpb
Academia Virtual Poética do Brasil, Abvl
Academia Brasileira Virtual de Letras,
onde figurei com a Primeira Antologia
Histórica, Grupo Escritores e Poetas,
também participando de sua primeira
Antologia, Grupo Ciranda e Cirandeiros,
Grupo Encantos e Poesias, Grupo Gente
Humana, Grupo de Imagens e Poesias, Meu
Aconchego, Novos Mensageiros, Portico
Literopoetiko, Poetando com Angélica,
Vidas e Poesias, e outros ligados a
literatura da arte cultural politico
Nacional. Anexo, envio uma pequena
biografia. Além do que aqui está
escrito, afirmo que o único fator que
soma em minha vida é a felicidade de
conhecer e conviver com pessoas
especiais, que a mim dignificam com a
troca de calor humano”.
http://geocities.yahoo.com.br/schyrleipinheiroamigos/index.htm
Jorge Humberto – Olá, Schyrlei.
Concluis, na tua afirmação, que a
amizade é o teu bem mais precioso, na
Internet as coisas dão-se muito
rapidamente, são as amizades também
repentinas?
Schyrlei Pinheiro – Nada acontece por
acaso. Creio que existe uma explicação
para tudo. Somos passageiros do tempo e
estamos aqui por uma determinada razão.
Amigos são elos positivos, que
encontramos neste universo, para
possibilitar a troca de energia, e,
juntos, caminhamos lado a lado por um
tempo indefinido; cruzamos, na
caminhada, com várias pessoas e tenho
certeza que nenhuma delas passa por nós
sem um motivo; a simples presença,
desconhecida, é reconhecida na troca de
um olhar, sorriso, ou palavra, sem que
seja preciso o toque das mãos. Na
Internet acontece o mesmo, de forma
virtual, através da palavra, que encurta
distancias, à velocidade da luz.
J.H. – Dizes que não tens pretensões a
escritora mas tens vário protótipos de
livros teus, como vês as editoras
internáuticas, não deviam elas
desempenhar um papel maior ao editar
livros de autor, indo mais à frente do
que a edição de Ebooks e/ou Antologias?
S.P.- É verdade, o futuro é uma caixinha
de surpresas. Tenho todos os meus
escritos registrados, como sementes
colhidas de meus sonhos, sem
pretensões. Quanto às Editoras
internáuticas, elas descobriram o
caminho; seu desenvolvimento depende dos
internautas levarem a ideia avante.
Ninguém chega ao futuro, sem passar pelo
hoje, avaliado no ontem, que resguarda,
na história, os erros e os passos das
conquistas desfrutáveis, para que isto
seja real. A verdade precisa das
sementes e as minhas estão guardadas,
esperando a hora certa do plantio. –
J.H. – “Acérrima” defensora da nova
poesia, de novos autores, pergunto se
essa é ainda uma prática que valha a
pena, agora que os poetas da rede já
criaram um invólucro impermeável, onde
massajar o seu ego parece ser o mais
importante?
S.P. – A vaidade tem tempo curto e é
obrigada a vergar-se no tempo infinito.
Sem renovação, a poesia não conseguiria
passar pelo portal da fama. Os novos
valores não substituem, nem matam a raiz
fecunda, eles somam e multiplicam a
beleza, perpetuando o bom perfume. Os
impermeáveis são céticos e tornam-se
críticos pequenos, olham o desabrochar
como uma ameaça ao trono da vaidade
efêmera, que murcha, e seca sob a luz da
verdade. Acredito no novo perfume, vejo
neles o brilho de uma estrela, que traz
na alma o colorido da esperança,
produzindo o néctar das flores, que
purificam a constelação amor, ao reino
de nossas vidas.
J.H. – Como pessoa extremamente sincera
nos julgamentos, na sua maneira de ser,
achas plausível aqui o critico de
poesia, ou este não faz falta?
S.P. – O critico nasce da massa falida.
A meu ver, não tem valor algum; eles se
julgam profundos conhecedores,
entretanto, perdem-se nas suas próprias
avaliações, mescladas pela
incompetência, que não lhes permitem
criar. Do nada, infecundo, retiram o
desejo de aparecer e fazem sombras,
levantam muros, mas não podem deter a
luz que os dispersam.
J.H. – Como se critica uma obra sem
interferir com amizades ou admirações?
Abstém-se a critica?
S.P. – Na verdadeira amizade não
existem criticas, o amigo é porta
aberta, é luz, apontando a verdade,
abrindo caminhos, construindo pontes
sobre abismos; é o parceiro da dor e a
fonte do respeito, que cala, chora, mas
não julga nem se abstém da luta, que
nos momentos difíceis, que o obriga, à
sós, suportar o sabor da derrota, para
defender a integridade do amigo
J.H. – Qual é o lema da tua vida?
S.P. – Viver todos os momentos, da
melhor maneira possível.
J.H. – O que achas da poesia que corre
nos Grupos de poesia?
S.P. – Isto depende dos objetivos do
Grupos. Eu faço parte de alguns, e, em
cada um, observo diferenças básicas.
Generalizando, eu os considero como uma
escola, que, dentro dos limites,
permitem-nos um vasto aprendizado.
J.H. – Já nos conhecemos vai para três
anos, achas que houve uma evolução de
poetas de qualidade desde então, já que
antes, nos Grupos, a tudo se chamava de
poesia?
S.P. – Não sei se entenderás a minha
resposta, mas digo-te que a evolução
segue o seu curso natural, como um rio,
sem deter-se diante da "qualidade" das
pedras que ficam à margem de sua
passagem. Em poesia, não existem
parâmetros culturais avaliatórios. A
pretensão filosófica vem, há séculos,
recolhendo as pedras do caminho e
rotulando seus estudos por estilos
épicos e a eles atribuem o codinome de
"poesia". Longe, permanece a descoberta
fundamental, oculta na razão, sem
lógica. . Nem tudo é poesia, mas a
poesia está em tudo o que o homem toca,
escuta, vê, pensa, faz, diz, ou acalenta
dentro de si, com o perfume impar, que
espelha os fragmentos do seu ser.
J.H. – Insisto nos Grupos pois estes têm
ou deviam ter um maior desempenho
relativo à escrita, quanto deles deixa a
desejar, nesse seu papel primordial, que
devia ir muito além de ser um recipiente
de tudo o que se diz poema, crónica ou
afins?
S.P. – Os Grupos são núcleos, que
apresentam uma proposta comunitária,
proporcionando o encontro social não
especifico, ou com o objetivo de assumir
a responsabilidade de selecionar os
escritos que os afins expõem em suas
vitrines.
J.H. – Termino perguntando-te se te
sentes realizada enquanto poetisa, não
há nenhum tipo de resignação?
S.P. – Amigo, o termo "realizado" é
para os resignados, que estancam,
vencidos pelo tempo. Eu dou asas à minha
imaginação, e, livre, passo o meu tempo
espalhando no ar, sementes
despretensiosas, deixando que o vento
as leve até o ponto certo, onde o berço
da vida abraça o destino, que não para
de brotar sob a terra, antes que a luz
possa espelhar a plenitude divina, onde
a resignação tem o nome de imortalidade.
Minha Biografia:
Meu nome é Schyrlei Vlasta Scoralick
Pinheiro. Nasci no Rio de Janeiro,
cidade maravilhosa, que, apesar de
ter alguns problemas, continuará com
seus encantos, sendo a menina dos olhos
do Brasil, razão porque considero-me
abençoada por aqui ter nascido e
constituído a minha família.
Casei com o homem certo, temos três
filhos, gerados com amor e que estão
dando continuidade aos princípios de
dignidade, que recebemos como herança
de nossas famílias, o que certamente
manterá acesa a chama dos nossos
sentimentos, o mesmo que despertou em
mim a poesia, sem receios ou
compromissos que me obrigue a seguir um
determinado estilo.
Livre, dou asas à minha imaginação,
podendo flutuar nas ondas, plantar
sementes e remar nas águas, mesmo
revoltas, sob o céu sempre iluminado
pelo carinho de todos que merecem, por
mim, serem amados e respeitados.
Meu Tempo.
Schyrlei Pinheiro
Cronometrado no espaço,
encurta e alonga distâncias.
Entre perguntas, me ensina
a compreender, muda,
o que o nada responde.
Vivo investindo nos mistérios,
aprendendo a renascer em meus sonhos.
Eternamente sei que te manterás um jovem
menino,
brincando, incansavelmente com o meu
existir,
sempre à procura de razões
para prosseguir seguro,
sentindo o desequilíbrio
do saber estável, pairar no ar,
encantando a vida
entre as reticências,
exclamando, em cada canto,
a verdade da fonte da magia,
que canta com muita alegria
a reconhecida felicidade,
que só o amor fecunda.
***
Orfandade
Schyrlei Pinheiro
Quando estrelas sobem ao céu,
e na terra brotam as lágrimas de saudade,
minha alma chora tristezas infindas.
Sinto a dor do vazio ocupando o espaço,
ouço o silêncio das preces e me lembro
que caminho, solitária.
Órfã do amor, que não morreu,
partiu sem despedida, dos meu sonhos,
que fazem meu lamento despertar aos gritos,
sem suportar o peso da verdade,
sepultada no corpo vivo,
que pulsa dentro de mim, dizendo te amo!
Não quero aprender a dizer adeus,
creio na promessa do Pai,
de que voltaremos a nos encontrar um dia,
sob a luz da Paz.
Até breve...
Esperem por mim