IGREJA DE
NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM (Recife, PE)
Semira Adler
Vainsencher
semiraadler@gmail.com
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

A Igreja
de Nossa Senhora da Boa Viagem, até a metade
do século XVII, estava localizada no antigo
território da Barreta, correspondente a toda
a área costeira, que se estendia desde o
frontal do Pina até a povoação das Candeias.
Não se tem conhecimento, porém, de uma fonte
precisa que assegure a data da abertura da
igreja.
Antes de 1848, o templo pertencia à paróquia
de Nossa Senhora da Paz, em Afogados; e, só
em 8 de setembro daquele ano, conseguiu ser
elevado ao nível de paróquia independente.
O documento mais antigo sobre a igreja, é
uma escritura datada de 6 de junho de 1707.
Nela, Balthazar da Costa Passos e sua
esposa, Ana de Araújo Costa, doam, ao padre
Leandro Camelo, um local onde havia um
"oratório ou presepe a Jesus e Maria,
juntamente com o solo que estava perto, que
era um sítio de terras na Barreta, com cem
braços de frente e uma légua de fundo, desde
a praia até o Rio Jordão".
Ainda por testamento, aqueles doadores (por
serem muito religiosos) anexam, ao
patrimônio da capela, mais um sítio, ao
lado, "com 500 braços de terra, com trinta e
tantos pés de coqueiros, onde está uma casa
de taipa à venda, em que antigamente morava
Manuel Setubal".
Uma outra informação, extraída de documentos
históricos, ressalta que o padre Leandro
Camelo, empregando tudo o que possuía, manda
fazer uma imagem com o título da Boa Viagem,
em obséquios de Maria Santíssima,
colocando-a em uma magnífica Igreja que
erige, distando duas léguas do Recife, sobre
as praias do mar.
Segundo os estudiosos do assunto, a Igreja
de Nossa Senhora da Boa Viagem, no período
do Brasil-colônia, embora modesta,
representava um dos templos de maior
rendimento patrimonial do Recife. O seu
usufruto era de cinco grandes sítios, quatro
pequenos, e vinte casas térreas no povoado,
além de um pequeno sítio de coqueiros na
praia, doado pelo padre Luís Marques
Teixeira, com o único compromisso de ser
retirada, de sua renda, "a quantia
necessária para se conservar acesa dia e
noite a lâmpada da capela-mor da Igreja".
As grandes reformas, na Capela de Nossa
Senhora da Boa Viagem, são iniciadas em
1862. No lugar do prédio anterior, ergue-se
um novo, com uma estrutura mais solene.
Existia, antes disso, uma pequena igreja com
linhas simplórias, e um alpendre erguido em
sua frente, que mais parecia um daqueles
templos modestos da zona rural.
Vale ressaltar que o acesso a Boa Viagem, no
começo do século XX, era bastante difícil.
Em 1908, por exemplo, de acordo com os
estudiosos do assunto, via-se, apenas, umas
60 casas de construção regular,
desalinhadas, e uma capela. A povoação só
apresentava alguma vida nos meses de
setembro a março, período em que a estação
balneária era freqüentada.
Distando 11 km do centro do Recife, Boa
Viagem só toma impulso depois que a Avenida
Beira-Mar é construída. Isto possibilita à
população utilizar o bonde elétrico para ir
à praia. Antes disso, porém, em se tratando
de transporte público, só havia uma linha de
bondes, puxados por burros, inaugurada em
1899.
Outro fator relevante para o crescimento de
Boa Viagem é a construção, depois da Segunda
Guerra Mundial, dos aeroportos civil e
militar, no Ibura; assim como do hospital
dos norte-americanos, e do Parque da
Aeronáutica, em Piedade.
Durante a grande reforma (1862), os
religiosos preservaram alguns altares, entre
os quais o da sacristia da Igreja de Nossa
Senhora da Boa Viagem. Datado de 1745, esse
altar foi entalhado pelo mestre João
Pereira, e dourado pelo artista Francisco
Teixeira Ribeiro, no ano de 1772.
Fonte consultada:
GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios
históricos. Recife: Fundação Guararapes,
1970.