IGREJA DE NOSSA
SENHORA DO PILAR (Recife, PE)
Semira Adler Vainsencher
semiraadler@gmail.com
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

A igreja de Nossa
Senhora do Pilar, situada na Praça Nossa Senhora do
Pilar, no bairro do Recife, foi construída em 1680,
sobre os alicerces do Forte de São Jorge. A
capela-mor do templo tem o formato de uma abóbada
semi-esférica, e é revestida de azulejos lusos
raríssimos.
Em 1630, o Forte de São Jorge, comandado pelo
capitão Antônio de Lima, resistiu heroicamente ao
desembarque holandês, bombardeando-lhe os navios,
durante mais de 20 dias. Apesar de contar com a
presença de 37 homens, apenas, a qualidade da defesa
e a coragem dos combatentes pernambucanos fez com
que os flamengos (em quantidade maior de homens e
mais bem armados) suspeitassem que, no Forte, estava
presente uma tropa mais numerosa. Capitularam
somente quando as suas muralhas vieram abaixo, e já
havia morrido um quantitativo considerável de
soldados.
Alguns escritores holandeses ressaltaram, na época,
a resistência encontrada junto ao Forte de São
Jorge, dizendo que os pernambucanos, nisto,
realizaram verdadeiras maravilhas. Com a expulsão
dos flamengos, em 1654, ninguém mais falava do Forte
São Jorge. Uma única referência é encontrada em
relação a ele, como o Forte de Terra situado entre o
Forte do Brum e as baterias do Porto do Recife.
Quando foi abandonado em ruínas, o governador Aires
de Souza Castro doou o Forte de São Jorge ao
capitão-mor João do Rego Barros, mediante uma carta
de sesmaria datada de 31 de maio de 1679. Contudo, a
carta fazia uma ressalva importante: naquele local
era para ser fundada uma igreja de Nossa Senhora do
Pilar.
Nas obras de construção da igreja, aquele capitão
utilizou todo o material do Forte demolido: as
antigas muralhas, os tijolos e as pedras. Registra a
História que João do Rego Barros teve que ir a
Portugal prestar conta do dinheiro gasto nas obras.
Como a contabilidade não estava correta, ele temia
que os lusos não aprovassem o orçamento gasto.
Recorrendo à Nossa Senhora do Pilar, e conseguindo
livrar-se do problema, o capitão mandou fazer uma
imagem da santa no Porto, cidade situada ao norte de
Portugal, e colocou-a no templo. Na época, muitos
pernambucanos acreditavam, inclusive, que ela era
uma das santas mais milagrosas.
Tendo sido preso e recolhido ao Forte do Brum, por
seu envolvimento na guerra dos Mascates, João do
Rêgo Barros falece em 1712. É enterrado em local não
identificado, na Igreja de Nossa Senhora do Pilar.
Vale ressaltar que a data registrada na fachada da
igreja - 1899 - diz respeito ao ano em que a mesma
foi reparada. A obra, conduzida pelo padre João
Augusto do Nascimento, foi efetuada pelos próprios
moradores de Fora-de-Portas - denominação pela qual
era chamada a antiga zona do bairro do Recife.
Fontes consultadas:
FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife:
Secretaria de Educação e Cultura, 1977.
GUERRA, Flávio. Velhas igrejas do Recife, Olinda e
Igarassu. [Recife?: s.n.], [196?].
_________. Velhas igrejas e subúrbios históricos.
Recife: Fundação Guararapes, 1970.
MENEZES, José Luiz Mota. Recife: Arrecifes: Revista
do Conselho Municipal de Cultura do Recife, ano 3,
n. 2, p. 27-31, 1987.