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AMOR ALÉM DA LENDA -
Diana Lima
- Santo André SP
Ao som de suave e fantástica melodia
Multidão de ecos encantavam
Cintilavam corações que ardiam
Eram outros tempos, outras eras
Estampas, fotografias de uma magia
O ardente desejos de seres
Que mutuamente se buscavam
Se amavam e este amor prometia
Ludibriar a palidez da morte
Viajavam dali em espírito transporte
Reviviam passado, perscrutavam futuro
Reviam cenas de sacrifícios, oferendas
Multidões que espectralmente se moviam
Sem rostos, sem cores
Recordações de uma lenda
Crescia desejo de libertarem-se de vez
Do espectro e do carnal, talvez
Fundindo-se em êxtases de amor
De tanto bem querer
Cruzariam vales de sombras e dor
Muitas vezes em sorrir sem rir
Em chorar sem lágrimas verter
Ao final de tantas transmigrações
Suas almas deveriam se iluminar
Ao ponto de se fundirem, então
Atingiriam o nirvana do coração
Onde desaparecem as ilusões
Hoje, depois de tanto penar
Reencontram-se seres afins
Cumprindo promessas...
Saindo da lenda ...
Diana
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SINA -
Erigutemberg Meneses
Aquela que adormece em outra cama
E embala o devaneio que é meu
Diz que por mim a alma se inflama,
Mas o seu corpo ela a outro deu.
Do ser a alma é a mais pura chama...
Eu sei... E a dela a minha acendeu,
Porém, sozinha à noite a minha clama
Que a dela venha arder nosso himineu.
As flores de verbenas que ela manda
E os beijos e abraços da varanda
Recolho antes que chegue o tormento
De imaginá-la em transe, em outros braços,
E vibrar de volúpia em mil amassos
Que dela só recebo em pensamento.
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Metrópole?
Mudei de Vida - Lu Colossi
Eu, já andei nessas ruas, com a pressa
toda do mundo, já pisei nesse asfalto,
as vezes feito de uma pedra bruta,
tão bruta como os corações dos que
lá caminham, naquele vai e vem
interminável e sofrido.
Eu também olhava e não via, talvez
até você tenha passado desapercebido
por mim, como tantos outros...
E assim os anos me engoliram, e as
sombras dos prédios mofados, me tiraram
a visão de um sol bonito, de uma flor
nascida, que olhava pra mim.
Tive todos os defeitos das demais
pessoas que moram nessas cidades
grandes, fui egoista, gananciosa, poderosa,
e na maioria das vezes atrasada...
e entre os carros eu voava, em meios
fios me equilibrava, para ganhar o pão
de cada dia, o pão de uma vida.
Cansei, eu cansei, dessa terra bruta.
Perdi o viço e o vício, perdi os meus,
os seus nem vi...
Cheguei, aonde agora estou, onde
nunca mais voltei a ser um número, sabe,
aqui eu tenho nome e sobrenome,
aqui a paz tomou conta de mim,
aqui encontrei o consolo nos jardins,
e a calma encontrei nos ninhos do
beija-flor, das rolinhas, em uma
infinidade de plantas e flores, que
estão logo ali, e agora vejo elas
sorrindo pra mim, e como é bom,
esse cheiro de terra molhada.
A paz é tanta, que agora meu irmão,
eu te vi passar, e até tive tempo
de te conhecer, de ver em você,
o que eu não via em mim, e que
agora eu vejo.
Eu vi na lata de lixo, uma flor,
que viveu lindamente, e que
agora vai virar adubo.
Meu Deus...
Como ela era linda...
Lu
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MULIER -
rivkahcohen
Eternamente a renascer qual fenix
Hoje de novo sou viajor terrenus
E como Arthemis rediviva, qual Polux
E Castor, me vi presa em Gêmeos
E vou cumprindo, com vigor de Zeus
Destinum meum, de antemão electum
Pois essa busca sem fim que leva a D'us
É o começo e o fim, é o nihil e o totum
Pois a meta é o ser completus
É subir, subir, e, finalmente ascensus
Alcançar os limites do Universus
Se limites houver, se limites tiver esse
processus!
Riv
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Aurora -
Terezinha Manczak
Rosas e açucenas na janela,
champanhe, luz de velas e depois
a noite, o mar, a lua bela,
o beijo apaixonado entre nós dois
Mar noturno, brisa, maresia
estrelas no infinito anunciando
lábios em dueto, melodia
minha boca, louca, te buscando
tua boca, doce, procurando
labirintos, vales, poesia
veredas, labareda incendiando
o caminho de volta percorrendo
do céu crepuscular ao novo dia
nós dois, em luz, nos transformando
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SONETO DA
CORAGEM NO CORAÇÃO - Tchello d'Barros
Há os que buscam se superar
E transcender sua capacidade
São os que tem coragem de lutar
Com confiança e força de vontade
São os que não temem acreditar
Pois tem fé em sua tenacidade
São os que fazem do verbo amar
Uma tradução da felicidade
Com a força em nosso interior
É que traçamos os nossos caminhos
E escrevemos o nosso destino
E os elos da corrente do amor
É que nunca nos deixam sozinhos
Por sermos humanos num reino divino
Tchello d'Barros
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SORRISO DE MULHER -
Vilma Matos
O sol aquece o frio,
O vento sopra ondulando o mar,
Acariciando o rosto da mulher ou de quem
fica a admirar,
O belo da vida
Ou a beleza do mar.
O sorriso nos lábios da mulher
Deve ser uma forma de agradecer
Por pertencer a este mundo
Que lhe acolheu
Deixando-lhe viver.
O sorriso de alegria
É sorriso conquistado.
O sorriso de harmonia
É sorriso sublimado.
No meio a tantos sorrisos
Não sei com qual ficar
Apenas sei que podem iluminar.
O sorriso do recém-nascido, criança. Do
velho,
São sorrisos que acalantam
São sorrisos de mistérios.
Os sorrisos vêm de encontro de rostos
alegres ou tristes.
E aqueles que não o querem
Terminam se entregando
A um sorriso encantador.
O sorriso não é vendido
Porém quem quiser dar um sorriso
Fará com que o seu
Seja multiplicado.
Vilma
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As Minhas Lembranças
- Basílio Artur Pereira
- Leiria
(Portugal)
Um querido
amigo que nasceu em Agosto de 1913, a quem
carinhosamente lhe chamamos "O último
Alcaide do Castelo de Leiria". Sempre se
interessou pelo "Cá Estamos Nós" (Rádio) e
"Cá Estamos Nós" (Internet). É uma figura
ímpar da Cidade do Lis, de uma educação
extrema e de uma simpatia enorme como o
Castelo. Carlos Leite Ribeiro
Os dias de
Rádio
Foi na Rádio
Clube de Leiria que iniciei os primeiros
passos como partiipante e colaborador na
rádio. Aqui deixo expresso o meu modesto
trabalho agradecendo de algum modo à dona
Emília, a "Mila", pela paciência que me
aturou ao longo de todo esse tempo e bem
assim como a seu falecido marido, o senhor
Cabral, o qual teve o atrevimento, passe a
expressão, de me chamar Fernando Pessoa.
Lembro com saudade, o tempo que passei
naquele estúdio, a amizade e a simpatia que
todos me dispensaram, entre eles, a dona
Voni Ferreira, poetisa de mérito, o João
Guerreiro, o António Sá Pessoa, o Alberto
Santos, o Mário Monteiro, o Soares Duarte e
muitos outros que agora não me ocorrem.
Lembro com
saudade de um programa na Rádio Batalha,
pelos meus setenta e cinco anos, onde
Joaquim Santos me convidou a participar;
foram três horas em que os ouvintes tiveram
a paciência de me escutar. Nunca havia tido
um tempo tão longo de antena. Tive pelo
menos vinte e cinco intervenções e, quando
saímos do estúdio, eu e o Joaquim Santos
estávamos esgotados. Mas valeu a pena, pois
o restaurante "O Maneta" esperava por nós.
Basílio
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Anindeuá -
Paulo Câncio - Salvador BA
Com a coragem de um leão, Anindeuá sonhava
ser um bravo. Observava os guerreiros com a
atenção que um cientista dedica ao estudo de
uma nova espécie, imitava-os com o empenho
de um ator merecedor de Oscar na criação de
um personagem, especulava os segredos que
faziam aqueles homens serem como eram.
Com a inocência da criança que era, Anindeuá
brincava com os outros indiozinhos.
Embrenhavam-se pelo mato em aventuras que só
são possíveis para aqueles que ainda bebem
da água da pureza. E o menino brincava e
corria e nadava e sorria e até chorava, mas
isso era raro e ele procurava fazê-lo
escondido, sozinho ou no colo da mãe, por
não considerar o ato digno de um futuro
guerreiro.
Um dia, apareceram na aldeia, homens
estranhos, diferentes, com pano pelo corpo
todo. Como seriam eles por debaixo de toda
aquela roupa? Os índios adultos, inclusive
os guerreiros, estavam encantados com
misteriosos objetos que os desconhecidos
traziam consigo; aqueles seres de outras
terras trocavam os seus pertences por pedras
amarelas que não tinham lá grande utilidade,
mas que faziam seus olhos brilharem como as
mais luminosas estrelas. Mas que artefatos
seriam aqueles? Havia mais olhos arregalados
naquele momento do que em horas de
aparecimento súbito de uma onça ou de uma
enorme sucuri que, a final de contas, faziam
parte da paisagem; enquanto a ferocidade de
um animal mobilizaria a tribo para ação
intensa, o caráter peculiar daqueles itens
enigmáticos imobilizava a todos, tornando-os
prisioneiros da própria perplexidade. O
candidato a guerreiro ficou interessado; o
menino curioso, também.
Anindeuá achava que aquele dia era muito
especial, a data mais significativa que já
havia presenciado em toda sua curta vida;
vendo a reação dos adultos, que pareciam
contemplar sinais dos deuses, Anindeuá
chegou a pensar que talvez estivesse diante
de um dos fatos mais extraordinários que já
ocorrerá naquela terra.No entanto, o mais
importante, naquele 22 de abril, estava bem
na sua frente e Anindeuá não viu – não
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1998 - a
Fundação e o Arranque do "Cá Estamos Nós" -
Carlos Leite Ribeiro
Tudo começou
em meados de Janeiro de 1998, num almoço de
radialistas em Fátima. Na parte final do
repasto, dois colegas e amigos me falaram
nas vantagens de grande divulgação que a
Internet estava a dar aos escritores de
valor. O Artur do Carmo até me disse:
“Carlos, com a tua originalidade e
criatividade, ias ter um enorme êxito na
Net, porque do que tenho navegado e tenho
lido, encontram-se pouquíssimos indivíduos
com a tua capacidade”. Em princípio,
confesso, não liguei muito ao que me diziam,
embora ainda me dissessem: “Olha,
comparativamente aos carros, encontram-se lá
muitos utilitários Citroen, mas tu serias um
Ferrari...”.
Para ser como São Tomé (ver para crer), nos
os últimos dias desse Janeiro já estava na
Net, a ver como era. Fiquei encantado com o
que vi e logo deslumbrei as vantagens de
dali podiam advir. Não me recordo bem como
entrei em contacto com a Gladis Lacerda, mas
creio que foi algo como: “Poetisa e Ave do
Paraíso” e um pouco mais tarde encontrei
numa dessas “navegações”, a Lídia Lúcia (LILOCAS)
e o seu lindo site. Mantivemos contacto e em
Abril, a Lilocas faz-me a minha primeira
página com trabalhos literários meus. A
partir daí, sempre incentivado
principalmente pela Gladis, comecei a
arquitectar um projectos que mais tarde
daria em “Cá Estamos Nós”, o nome (registado
em 1988) do meu último programa
radiofónico que esteve no ar cerca de oito
anos.
Assim, em 15 de Julho desse mesmo ano,
nascia o Magazine “Cá Estamos Nós” com
alguns escritores amigos da Gladis e, em
pouco tempo já tínhamos grandes escritores /
poetas, como: Márcia Leite, Lynn, Asta
Vonzodas, Isabel Machado, José Félix,
Douglas Mondo, Henriette, Wadad e tantos
outros, que deram grande impulso ao que é
agora o Portal CEN – “Cá Estamos Nós”.
(...)
Carlos
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CEN SEMPRE ! |