Antologia Virtual

- XI -

Outubro 2012

 

ORGANIZADORA:

Maria Beatriz Silva (Flor de Esperança)

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ISABEL C S VARGAS

 

PAI PEÇO-TE, SUSTENTA-ME!


Pai, no outono de minha vida,
Reitero meu amor por ti
E, por Maria tua bendita Mãe.
Somente teu amor por nós
Permitiu-me passar por toda a dor
Com a perda de meu amado filho,
Em meu desespero lembrei-me
Daquele pelo qual passou Maria.
Então, pedi-lhe com todo ardor
Para cuidar meu doce menino
Tão lindo e tão amado.
De ti, meu pai, recebi a força
Que até hoje me sustenta e,
Impede de sucumbir.
Pai sustenta-me até o fim da jornada
Cuida sempre de minha família
Mantém-nos na trilha de tua luz
No aconchego de tua paz infinita.

AMÉM!

Isabel C S Vargas

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Isabel_C_S_Vargas.htm
 


IRAÍ VERDAN

 

 UMA LIÇÃO DE CULTURA
Conto - Ficção


Era uma bela manhã de setembro, na aldeia Tuyuka - arredores do rio brasileiro Alto Tiquê, em que o indiozinho Buabi morava com seus pais e parentes.
Da rede em que Buabi dormia no grande salão da maloca, ao acordar podia ver os raios do Sol, que entravam pelas frestas das palhas que cobriam o teto. O menino pulou rapidamente da rede e correu para o grande terreiro! Logo, Somara, sua irmã e os outros irmãozinhos vieram também. Estavam todos com muita fome. Do lado de fora da cabana as brasas ardiam sob a chapa quente do fogão à lenha, onde sua mãe preparava o café da manhã.
Enquanto isso, os meninos, sem camisas e de calções coloridos, comandados por Buabi, começaram a rolar pelo grande terreirão, uma bola de meia, suja e já bastante surrada. Em pouco tempo, a algazarra dos meninos era grande demais, atrás da pequena bola e as meninas comandadas por Somara, sentadas ao redor, riam das rasteiras e dos tombos dos meninos. Os sons das risadas eram misturados aos sons dos cacarejos das galinhas, dos grunhidos dos porcos soltos, perambulando pelo quintal, ora invadindo a quadra improvisada. Os cantos das aves e passarinhos no alto das árvores, demonstravam em seus gorjeios a alegria do despertar... Logo, aquela sinfonia de tantos sons engoliram o silêncio da manhã.
Da porta da maloca ouvia-se o chamado: “Meninos, venham comer. O café tá pronto!”. Era a mãe de Buabi chamando-os para a primeira refeição do dia. E conforme a tradição, todos os adultos já dentro da maloca, homens de um lado e mulheres no outro, aguardavam sentados em círculo os alimentos e a chegada dos meninos.
Os indiozinhos chegaram esbarrando-se uns nos outros, querendo entrar todos de uma só vez na pequena e única porta.
No meio da maloca a mãe de Buabi e as suas tias colocaram os alimentos nas vasilhas para todos: o biju recheado com côco da região, sobre as folhas da bananeira. Uma panela fervendo com a “quinhãpira” (caldo de peixe apimentado) e a bola de pão feita de massa de mandioca, iguaria preferida na aldeia, que depois de seca era misturada ao amendoim com um pouco de água, para amolecer, e depois de assada no braseiro do fogão era colocada na gamela de madeira, para todos se servirem.
Nessa hora do convívio diário familiar, o grande chefe da tribo sempre aproveita para falar e ensinar sobre a cultura dos habitantes da Aldeia Tuyuka. E nessa manhã, falou da origem da língua Tukano falada pelo seu povo, originária da aldeia vizinha com o mesmo nome. Falou ainda, que o seu povo tinha mais conforto e facilidade para viver, por causa das relações de amizades com outras etnias, das trocas de diversos produtos produzidos por seu povo; sobre a agricultura, que era dever dos homens preparar a terra, mas das mulheres a semeadura. Que nunca podiam deixar morrer as mudas e sementes do plantio da mandioca, do feijão, do amendoim, do cará e da batata. Que era também dever das mulheres trazer nos cestos fabricados na aldeia a colheita para alimentar a todos. Que era dever dos homens, fabricar os instrumentos de caça e pesca, canoas para serem vendidas para outras aldeias e para o trabalho de trazer a própria pesca.
Após a fala do respeitável chefe sobre a cultura dos seus ancestrais, começaram a comer, crianças e idosos, conforme a tradição. Depois de satisfeitos todos se levantaram. Os homens já estavam saindo para caçar e pescar, preparados com flechas e os tacapes quando o pai de Buabi perguntou:
- Quem vai com a gente? Em côro os indiozinhos responderam: " Eu vou! Eu vou!". Mas, a mãe de Buabi logo interferiu: " Agora, não! Vocês vão todos para a escola, para cada índio se formar no Ensino Fundamental, conforme a nossa tradição, afim de conhecer sobre os costumes e a língua falada em nossa terra".
Buabi chegou à Escola com a palavra "cultura" martelando em sua cabecinha. Lembrou das raízes tiradas da terra... Da batata, do aipim, do amendoim... Do cultivo das culturas da aldeia e sobre os costumes, que ouvira naquela manhã.
Por coincidência ou não, a professora iniciou a aula falando também sobre Cultura! Que o significado da palavra é tirado do vocabulário agrícola, ligado à terra, que tem as mesmas relações: raízes, tradição, renovação e perpetuação dos povos. E a professora continuou dizendo: Que o significado da palavra é complexo e abrangente, mas inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei e a moral, os costumes e os hábitos adquiridos pelo homem não somente em família, mas em sociedade também.
Depois da aula, Buabi e Somara voltaram para casa com os primos, muito contentes pelo que aprenderam, com as palavras semelhantes dos ensinamentos do seu pai naquela manhã, soando em seus ouvidos como o repicar dos tambores da aldeia em dia de festas.
Iraí Verdan
Magé, RJ, 30 de setembro de 2011.

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_i/Irai_Verdan.htm


JACÓ FILHO

 

ULTIMA FRONTEIRA


Vi no fim dos tempos, a terra em chamas,
Mas num fogo brando e em tons sublimes,
Translúcida nos céus que o pecado redime.
Na ultima fronteira, meu espírito declama...

Um poema divino, dizendo está cumprida,
Da ultima profecia, a mais linda promessa...
Ninguém se ajoelha, e tão pouco, confessa,
Quem venceu as provas dantes, assumidas...

Reduzidas dimensões e afinadas sintonias,
Circundam a nova terra, que ora, evoluída,
Abriga seres leves em nova forma de vida...

Da centelha até aqui somente Deus avalia,
As forças que usei pra vencer esta corrida,
Até ter sublimada a consciência expandida...

Jacó Filho

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Jaco_Filho.htm


JORGE DAS GRAÇAS

 

DE PORTUGAL VEIO


Lindolpho Fernandes da Silva e seus pais vieram para o Brasil. Ele adquiriu as suas terras. Gerou três filhos e quatro filhas; a mais velha era Leonor Augusta da Silva, que foi forçada a casar com o próprio tio, Juca Fernandes, ela, com, apenas, quinze anos de idade. Quando se emancipou aprendendo a costurar, deixou o tio-marido. A política-administrativa e educativa de Lindolpho era ensinar a sobreviver. Cada filho deveria conseguir seus bens – propriedades ou profissões. Leonor dedicou-se a costura e a pagar aluguel já na cidade. Dos filhos, só um continuou no ramo de agricultura e era dentista. Lindolpho deixou as suas terras de herança para os escravos. Dizia:
- “Eles só sabem fazer isso, então, eles ficarão com tudo”.
- Ninguém discutiu. Cada qual cuidou de si.
- Leonor coabitou com “bidéco” e gerou Maria da Penha. Ensinou Maria a arte da costura.
- Maria: - Mamãe, a senhora faz o paletó e eu faço a calça tá?
– Disse Leonor: Está certo, minha filha!
– Havia uma mesa grande para o corte e duas máquinas.
– Maria: - Vou anunciar que costuramos, para o pessoal da Leopoldina – Estrada de Ferro.
- Leonor: - Está bem! Estamos preparadas para atender aos pedidos.
– Começaram a chegar os clientes vindos da COMPANHIA ESTRADA DE FERRO LEOPOLDINA, outros e os vizinhos. Elas acordavam às seis horas e as sete começavam a trabalhar. Maria parava as dez para fazer o almoço e as onze almoçavam; o feijão já estava no fogo, era só temperar. O retorno era ao meio dia e às duas horas, era o café com pão... Às quatro da tarde era o encerramento. Um dia de descanso semanal.
– Maria: - Mamãe, eu vou ao Mercado Municipal comprar frutas, verduras e legumes.
– Leonor: - Eu vou adiantando o almoço.
– Comprava: - um cento de laranjas e tudo mais. Maria tinha um filho, era mãe solteira. O menino ia junto para ajudar – coitadinho! Que peso!
– Ela dizia: Pare um pouquinho e logo vamos!
– Ele dizia: Está pesado mamãe!
– Todo domingo tinha a ida ao Mercado Municipal e na volta, os preparativos das empadas, pasteis e as bebidas. Para o menino guaraná. Era conforme uma festa. O almoço saía mais tarde.
– Maria: Já está tudo pronto. Vamos almoçar?
– O menino: - Vamos sim mamãe. Vem vovó!
– Sempre a mesma rotina.
Há muita gente assim. Tudo tem um fim. Lindolpho, Leonor e Maria passaram e o menino envelheceu... Novas histórias acontecem, mas não são contadas.

Jorge das Graças

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Jorge_Rocha.htm


JOSÉ HILTON ROSA

 

VIAGEM


Sou um pássaro viajante
De penas finas,
Canto no sereno
Ouvindo no escuro

Voando às alturas
Procurando a resposta
Trazendo no bico
A esperança.

No território da ilusão
Sonhando um dia
Encontrar meu ninho
Viagem e sonhos.

Percebendo tantos ares
Voando alto, também baixo
Pedindo socorro à natureza
Sonhando um dia acomodar.

Fazer um ninho
Nele morar.
Encontrando a paz
Podendo dormir e sonhar.

José Hilton Rosa
Belo Horizonte - MG

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_j/Jose_Hilton_Rosa.htm


 
     

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