Antologia Virtual

- XI -

Outubro 2012

 

ORGANIZADORA:

Maria Beatriz Silva (Flor de Esperança)

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PAULO OLIVEIRA CARUSO

 

APRENDIZADO: UM ABRAÇO NA VIDA


Cruzo cedo o portão da faculdade. Em seguida, fito o pátio por instantes e logo dirijo-me à sala de aula. Tardarão os colegas de turma a vir; o mesmo posso dizer acerca do mestre. Sento-me na segunda fileira à frente do grande quadro e começo a retirar da bolsa o material que, em aproximada hora e meia, deverei passar a utilizar.
Estou exausto após o trabalho no funcionalismo público cumprido em outra universidade. Ponho então os fones nos ouvidos, de modo a poder deliciar-me com o som da mais autêntica música erudita, a qual costuma embalar diversos de meus mais prazerosos momentos. Minutos depois deito a cabeça sobre os braços cruzados e, já com o volume sonoro das canções mais brando, inicio um descanso.
Visto ter eu estatura demasiado alta para dormir numa das cadeiras do recinto, a incômoda posição na qual insisto em continuar faz-me acordar reiteradamente. Mais tarde, o ruído referente à chegada de colegas me desperta de modo efetivo. Por conseguinte, pomo-nos em círculo, com o fito de podermos discutir sobre alguns acontecimentos recentes na política nacional. Contudo, por permanecer de fronte à lousa negra, mantenho o olhar fixo contra a mesma; denuncia ela traços de giz, sobras de aulas pretéritas. A noite chega aos poucos, a fim de assumir o turno laboral deixado pela tarde, enquanto esta concomitantemente toma o rumo de casa, desejando descansar.
Os três colegas percebem-me a distração e põem-se a encarar junto comigo a lousa então morta. Afinal, há algo que a curiosidade não faça? Lâmpadas externas ao recinto estão acesas, mas as internas permanecem apagadas. Em consequência, sentimo-nos esdruxulamente cativados pelas trevas à nossa frente, como se névoa espessa emanasse do citado quadro, vindo de encontro a nós, presas fáceis.
Parecemos perdidos nas entranhas de uma densa floresta, indefesos contra seus perigos e agruras. Estamos absortos pelo breu gélido do quadro negro vazio. Em estado letárgico, somos incapazes de estabelecer qualquer tipo de comunicação com qualquer ser humano, inclusive entre nós mesmos. Nossa cultura e essência foram sopradas pelos ventos da ignorância vindos da janela aberta.
De repente, após vários minutos, forte clarão se firma no local, despertando todos os quatro de forma abrupta e livrando-nos da prisão hostil chamada exclusão sócio-cultural. Isto porquanto o mestre, ínfimos segundos atrás, acendeu as luzes para dar início à aula, parecendo a claridade emanar de uma lanterna não raro portada por equipe de salvamento em mata fechada e vasta.
Por momentos vi-me encarnado em indivíduos postos à margem dos prazeres e necessidades da vida em sociedade. Solidão, fome e horror acompanharam a mim e meus colegas por um período que, conquanto curto, travestia-se de eternidade. Desconhecia a perspectiva de busca por um ideal e sentia-me fadado ao conformismo. Cidadania e dignidade estavam fora de minha posse ou propriedade. Pude vislumbrar a essencialidade que tem a educação – bem do qual não se pode dispor sem sacrifício da sanidade físico-mental, e mesmo da vida.

Paulo Oliveira Caruso

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_p/Paulo_Caruso.htm


ROZELENE FURTADO DE LIMA

 

CASA COMIGO?


Procuro alguém que me ame de verdade
Que me aceite exatamente como eu sou
Que não intencione tirar-me a liberdade
Que receba com carinho o amor que dou
Que renove o amor ao amanhecer
Que no café da manhã beije-me com ardor
Que namore comigo em todo entardecer
E as noites sejam sempre de muito amor
Que a vida seja um contínuo apaixonar
Com você farei o sonhado casamento
Jurar amor eterno enquanto eu durar
E refazer em cada luar o juramento
De corpo e alma em união
De cabeças e um só coração
De lençol, fronha, mesa e pão
De taças, vinho, prazer e emoção
Um pedacinho do reino para morar
Iluminado por estrelas douradas a luzir
O manto do crepúsculo a nos cobrir
E um jardim de rosas para encantar
Estou a sua espera e quando você chegar
Casa comigo? Casa...

Rozelene Furtado de Lima

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rozelene_Furtado_de_Lima.htm


RUI OLIVEIRA

 

SE É ISTO QUE A VIDA NOS TRÁS


tão perto e tão longe da vontade de ter
a eterna esperança de neste mundo vencer
ser alguém
um outro ser
uma tarde num dia
sem nunca me aperceber

algo que sobe na corda
da nossa veracidade
turva-nos a mente
destrói-nos a realidade

construir uma alternada realidade da vida
algo que nos suporta
algo que nos mantém dia a dia
mas algo que não nos importa

em criança sonhamos a vida
mesmo dentro do ventre
sonho sem saída
se não o pusermos à frente

à frente dos nossos amigos
dos nossos conhecidos
de sonhos desfeitos a vida
por não os termos vivido

Rui Oliveira

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rui_Filipe_de_Oliveira_Pereira_Lima.htm


RITA ROCHA

 

JANELAS CERRADAS


Minhas janelas estavam cerradas
E nada se podia fazer...
Meu mundo estava trancado...
Até eu te re-conhecer...

Minhas janelas ficaram cerradas
Por tempo indeterminado...
Mas, como um toque de magia,
Foram-se abrindo pra alegria.

Fez-se um grande estrondo
Todo esse nosso bem-querer,
Que as janelas se abriram,
Pro meu coração parar de sofrer.

Agora é viver da felicidade
e o sofrimento esquecer.
As luzes se fazem presentes
Iluminando o amor crescente.

Toda nossa vida está desperta.
ouvindo sempre um suave acorde
Entrando agora pela janela aberta.

Rita Rocha
Santo Antônio de Pádua, 25/07/2012

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Rita_Rocha.htm


SILVANIO ALVES

 

EU TE AMO. O AMOR VIBRA EM MIM


A primavera é um tempo de encanto
Aonde as flores alegram a natureza
E o amor vem e, enxuga todo pranto
A vida nos faz felizes, tenho certeza

O infinito diz: fomos criados pelo amor
Tudo conspira para que haja felicidade
A natureza floresce, enche a vida de cor
O sorriso da criança encanta a realidade

Diante dessa magia, minha alma se alegra
O meu coração pulsa e não se desespera
Porque sei que o amor é a minha verdade

Por isso, não sinto vergonha da amar assim
A alma não se cansa de dizer o que espera
Busca o prazer de viver a felicidade sem fim

Silvanio Alves

Biografia do Autor em:

http://www.caestamosnos.org/autores/autores_s/Silvanio_Alves_da_Silva.htm


 
     

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