Antologia Virtual

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Setembro 2012

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46 – MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

Maria João Brito de Sousa nasceu em Lisboa, Concelho de Oeiras, a 4 de Novembro de 1952.
Neta do poeta António de Sousa e de Alice Brito de Sousa, pintora, teve o privilégio de conviver, durante a infância e adolescência, com alguns dos mais representativos nomes da cultura portuguesa do séc XX, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Natália Correia, Manuel Ribeiro de Pavia, Guilherme Filipe e Julio, eram visitas assíduas da casa onde cresceu.
Foi com Manuel Ribeiro de Pavia e ainda muito pequenina que se lançou à aventura dos pincéis e do carvão esta será uma das razões pelas quais, ainda hoje, gosta de se definir como "pintora precoce de trabalhos
adiados". É com cerca de três anos de idade que se inicia nas quadras em redondilha maior, algumas registadas pela mão de seu avô em pedacinhos de papel que ainda hoje guarda.
A sua pintura define-a numa linha expressionista-simbolista, sempre aberta ao surrealismo. A sua Poesia surge na riqueza do vocabulário, na utilização sistemática da metáfora e na musicalidade da rima.
Casou muito cedo e durante quase trinta anos dedicou-se exclusivamente às tarefas de esposa e mãe, pouco tempo lhe restando para se dedicar às Artes que nunca deixaram de a ir chamando. Em 1999, após um doloroso divórcio, renasceu, imperiosa, a necessidade de criar. Em Janeiro de 2000 inaugurou a sua primeira exposição individual de pintura em Lisboa, na Voz do Operário, à qual se seguiram dezassete exposições colectivas, sempre na qualidade de membro da associação de Artistas Plásticos Paço de Artes, da qual se tornou sócia.
Foi também no Salão Nobre desta associação que, em 2007, inaugurou a sua segunda exposição individual; Auto-Retrato. Participou também, em 2007, no leilão “Telas de Esperança”, no Salão Paroquial de Stº. António de Nova Oeiras e em 2010 numa exposição colectiva de pintura promovida pela AMNO - Associação de Moradores de Nova Oeiras, sob o título Nova Oeiras Acontece.
No campo da Poesia, iniciou uma extensa produção de sonetos formalmente clássicos, em Janeiro de 2008, tendo publicado o seu primeiro livro, Poeta Porque Deus Quer, em Janeiro de 2009. Antes da publicação participou no Concurso de Poesia em Rede no Sapo, onde ganhou o primeiro prémio “ex aequo”, com o soneto Territorialidade que dedicou à vila de Oeiras onde terminou o curso complementar dos liceus e onde reside desde 1972.
Enquanto pintora, é membro da Associação de Artistas Plásticos Paço de Artes e é, desde 2005, membro da Associação Portuguesa de Poetas, para a qual entrou pela mão da actual Vice-Presidente, a poetisa Virgínia Branco.

 

“O COMBÓIO"

 por POETA PORQUE DEUS QUER


Que ser era aquele? Imenso, ruidoso como um interminável trovão, atacou-me com a rapidez do raio e não parou, sequer, para me dar o golpe de misericórdia. Atirou-se a mim com a voracidade do tigre e, incompreensivelmente, não ficou para se alimentar da carne que destroçara. Que estranho ser era aquele?
Levava no ventre muitos outros seres. Seres com olhos, ouvidos e mãos. Seres conflituosos, agarrados a coisas que não fazem sentido, indiferentes à dor que então me consumia.
Que ser tão estranho...
Não ameacei as suas crias. Não tentei conquistar as suas fêmeas. Se, acaso, invadi o seu território, fi-lo por absoluta necessidade. Procurava um desses seres que ele levava no ventre e a quem dediquei toda a minha vida.
Sei que estou velho e pouco atraente. Durante esta minha insana busca, raras vezes encontrei alimento. Emagreci. Vivi muitos sóis e muitas luas alimentado, unicamente, pela certeza de voltar a encontrar o meu amigo. Aquele por quem daria – e dei – a vida. Aquele que um dia partilhou comigo habitação e alimento, aquele que me pôs ao pescoço esta coleira, agora velha e sem brilho como eu, que selou entre nós um pacto sagrado e irreversível.
Eu era então um cão jovem e –perdoa-me a vaidade – bonito como poucos. Ajudei-o a educar as suas crias. Não havia cão, gato ou ser humano mal intencionado que se aproximasse delas. Guardei-lhe a porta com o meu rosnido mais assustador e mostrei-lhe a minha imensa gratidão a cada segundo do dia e da noite. Velei-lhe o sono. Quando o tempo, lá fora, gelava até aos ossos, aqueci-lhe os pés com o calor do meu corpo e, com toda a energia que me foi concedida pelo universo em que nasci, zelei e rezei pela sua saúde e alegria. Pela abundância no seu pequeno território. Multipliquei-me em carinhos e brincadeiras sempre que a tristeza lhe invadia o olhar. Lambi cada uma das suas pequenas feridas até estar seguro da sua completa cicatrização. Cacei para que nunca lhe faltasse o alimento.
Sei que também ele me amou à sua maneira... dessa forma inacabada e insólita que vocês usam para amar. Eu era património seu e, forte e bonito exemplar que era, orgulhava-se de me mostrar aos seus amigos. Garantia que a ele ninguém assaltaria a casa... e tinha razão. Garantia que não havia melhor cobridor do que eu, e também estava certo.
Tu, que agora me vês agonizar, hás-de encontrar o brilho dos meus olhos em muitos outros cães que encontrarás pelas ruas. Deixei, como era meu dever, semente de vida no ventre de muitas companheiras. Agora que estou de partida, evoco esses filhos da minha carne com a certeza de me ter perpetuado neles pelas muitas luas que estão por vir.
Sabes que me surpreendeste? Eras um dos seres que viajavam dentro do demónio que me trucidou. Vi-te chegar carregada de coisas estranhamente inúteis. Sacos e saquinhos contendo pequenas coisas que não amas, mas proteges. Vinhas suada e arquejante, como eu velha e gasta e, no entanto, olhaste-me com a doçura com que me olhou a minha mãe quando me pôs no mundo. No teu olhar uivaste a minha dor. Agradeço-te por isso. Não o poderia fazer com estes maxilares fracturados que pingam sangue e nesse mesmo sangue afogam o meu justificado lamento.
Pegaste num estranho artefacto que estava no teu bolso e falaste para ele. Estavas entre zangada e mansa. Mas estavas, sobretudo, determinada.
Não sei exactamente o que queres, mas sei que não desistirás. Sei, acima de tudo, que não me abandonarás até que a morte venha aliviar-me desta imensa dor. A dor que partilhas comigo e , portanto, se torna mais suportável. Cobres o meu corpo com o teu sempre que um demónio de ferro percorre, rugindo, o temível espaço que ousei pisar. De tal forma sentes o que eu sinto que espantas os meus medos e vais anulando a tremenda vontade que me impele a continuar à procura do “dono”. Mesmo sem membros. Mesmo sem sangue.
Passa uma eternidade. Cantas baixinho para mim, nessa estranha língua cheia de modulações idênticas às do meu dono. Vou-te compreendendo pouco a pouco. Já me não doem tanto os ossos triturados, já se não impõe a necessidade de encontrar aquele que, um dia, se esqueceu de mim, algures, na Marginal. Tu amas tão profunda e incondicionalmente como eu e tudo recomeça a fazer sentido. Até os estranhos artefactos que trazes contigo parecem ganhar alma e se me tornam familiares.Como se fossem prolongamentos de mim. De nós. De tudo aquilo que continuamos a ser quando ultrapassamos as fronteiras do corpo e nos diluímos na infinita serenidade de uma força que apenas vislumbrávamos. Para além do beijo que me deste no focinho no momento da libertação.


5 Dez 2008
Maria João Brito de Sousa

 

 

 

47 - MARIA JOSÉ ZOVICO

É difícil falar sobre mim. Sou Maria José Zovico, meu nome de solteira, (apelidada de Zezé desde que nasci), nascida em Limeira- São Paulo- Brasil, em 04 de abril de 1950. Sou contadora aposentada, casada, mãe de três filhos homens, avó de um casal de netos.Desde pequena gostava de fazer rimas e versinhos; a primeira coisa que coloquei no papel, teria uns treze anos. Não gosto muito de participar de concursos; participei de poucos, ganhei menção honrosa em um. Prefiro mais participar de saraus, roda de poesia... Atualmente participo de várias cirandas pela internet. Além de poesia e prosa, escrevo também trovas. Gosto muito de trovas.
Tenho poesias hospedas em:
Vmussi@uol.com.br (da minha amiga virtual, Vera Nunes Mussi), amantesdoamor@candysaad (da amiga Candy Saad,que posto para participar de cirandas), AmorAmizadeeCarinho@yahoogrupos.com.br (posto poesia no grupo de vez em quando), serenidade-coragemesabedoria@googlegroups.com (posto poesia no grupo de vez em quando; este grupo e mais voltado para poesia)


DEIXA ILUDIR-ME !


O tempo urge, eu tenho pressa em viver...
Ora! Vem, vem iludir-se comigo.
E... Nos prados floridos renascer...
Na verdade... Parece meio antigo?

Ah! Não tem importância... Vem sonhar!
O vento canta uma nova canção,
Colibris nos precedem a bailar!...
Vamos depressa, dê-me sua mão!

Veja ali! Uma rosa!... E está sorrindo!
Olha! Dois pirilampos brincando
Tu me perguntas se estou fingindo?...
Oh! Não... De tão feliz, estou sonhando!...

Ouça bem... A lua está nos chamando
Vamos? Pelo caminho enluarado?...
Sei lá... Sem rumo... Sem estrada... Voando...
Para chegar num jardim encantado?

Quem sou? Um resto de clássica poesia,
Que nos teus braços se moderniza
Um pouco de loucura... Fantasia...
Sou uma fada ou talvez... Uma poetiza...

Hoje, trago-te meus sonhos... Não queixa.
És a mais doce ilusões que já tive!
Mas, agora... Deixa iludir-me deixa!
Ah! Porque de ilusão, também se vive!...

Maria José Zovico
Limeira- São Paulo- Brasil

 

 

 

48 - MARIA MENDES CORRÊA

Maria Mendes Corrêa é professora, pedagoga, psicopedagoga e escritora, possuindo o curso superior de Pedagogia-Administração, Supervisão e Orientação, Curso Normal Superior e Pós- Graduação em Psicopedagogia Institucional. Na busca de reflexões sobre o ser humano cursou Relacionamento Humano, Teologia e vários cursos na Educação. Desenvolve trabalhos voluntários, visitas e palestras, relacionados á luta pela inclusão do ser humano na sociedade a qual pertence. Nasceu em Itapecerica- MG, em 7 de julho de 1954. Reside em Mateus Leme- MG, há 30 anos e leciona atualmente em Juatuba. È autora de três livros: Poesias.com.Sentimentos, Sob a nuance acinzentada da terra / Mensagens e A Cortina da Existência .
Todo poeta é antes de tudo um sonhador! Sonha com um mundo melhor, onde o amor ao próximo possa falar mais alto no coração da humanidade!

 

GRANDES MESTRES


Encontramos em nossas vidas
Grandes mestres a nos educar
São como jóias preciosas
Sempre dispostos a ensinar.

Ensina o encanto do mundo
Na maravilhosa arte de amar
Amar a escola, os colegas, os estudos
Tem a nobre missão de educar.

É capaz de perdoar nossos erros
E um novo caminho seguir
Dirigir nossos passos incertos
Na esperança de um novo porvir.

Encanta-nos com sua amizade
E com a doce alegria de ensinar
Vai caminhando e educando
Na certeza de nos ver brilhar.

Grandes mestres são bênçãos de Deus
Como um lago de águas cristalinas
Que mata a sede do andarilho
Que cansado atravessa colinas.

As sementes que plantam com amor
Que cobrirá sua vida de glórias
Darão flores e frutos um dia
E cobrirá de encantos sua história.

Agradecemos cada gesto de amor
Que os educadores trazem numa lição
São como ensinamentos divinos
Que recebemos através de suas mãos.

Maria Mendes Corrêa

 

 

 

49 - MALUDE MACIEL

Nome: Maria de Lourdes Sousa Maciel
Cognome: Malude Maciel
Natural de Caruaru - PE.
Estado civil: casada
Mãe de 3 filhos
Bela. em Direito pela Faculdade de Direito de Caruaru
Ex - Funcionária Pública Federal do INPS atual INSS
Ex-Funcionária da OAB - Subsecção Caruaru
Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras
Presidente do Lioness Clube de Caruaru pela 2ª vez.
Voluntária da Creche Tia Malude (Lions Clube de Caruaru) e do Projeto Viver
Livros publicados: No Meu Caminho e Reminiscências

 

Louvemos o poema nosso de cada dia.
Ai do dia sem poesia!
É momento triste, bruma fria,
Vivamos poeticamente,
Mesmo que seja silenciosamente:


S I L Ê N C I O


Por vezes, necessitamos, intensamente,
De um silêncio parcial ou profundo
Parar, um pouco, conscientemente,
Buscar e compreender a si e o mundo

Em meio ao constante turbilhão da vida,
O silêncio também é necessário
Pra refazer a força n´alma, embutida,
Suportar e superar o desafio diário

O silêncio é amplo, tem vários matizes,
Por resposta, por respeito, escutar o outro, silêncio de Paz.
Ouvir a consciência, refletir, corrigir os deslizes.
Sair de cena, se ocultar, orar, se achar capaz.

O silêncio é, assim, tão puro e penetrante,
Ensina a ter paciência e a amar
Pode-se pensar, elevar a alma a Deus, a todo instante,
Diz muitas coisas sem precisar falar,

É silenciosamente que nos encontramos,
Sem palavras, com gestos de Amor,
Generosidade e cuidados demonstramos,
No silêncio, chegamos ao Criador...

Malude Maciel

 

 

 

 

50 - MAIA DE MELO LOPO

Nascida a 25 de Janeiro de 1954 é natural de Lisboa. Artista Plástica Curso Artes Gráficas-Escola de Artes Decorativas António Arroio 1969-1974. Curso pintura mestra alemã Maria Luíza Pertl Heberhardt. Participou em exposições Individuais e Colectivas e está representada em vários Museus Nacionais como Internacionais. Medalhas de honra Portugal. Menções honrosas Brasil. Direito de Autor: Melopo.
Maia de Melo Lopo. Como poetisa iniciou-se em Coletânea de Poesia na Antologia Delicatta IV e Reflexões Para Bem Viver, livros editados pela Editorial Scortecci na Bienal Internacional do Livro 2010/S. Paulo Brasil.
Participou também da Antologia Alimento da Alma Vol. IV edição da Editora All Print e recebeu das mãos da Comendadora e poetisa Jane Rossi diploma de participação e medalha de Poetisa Destaque.
Autora e artista executiva da capa e contra- capa da Antologia Alimento da Alma Vol. V Bienal Internacional Rio Janeiro 2011. / Mil poemas a Pablo Neruda-Chile. / Melhores Poetas Brasil 2011. São Paulo. Brasil. / Mil poemas a Cézar Vallejo- Perú. / Mil poemas a António Guimarães Dias- Caxias- Brasil. / Mil poemas a Miguel Hernandéz- Espanha./Brasil.
Poetisa Movimento Internacional Poetas del Mundo. Membro da Academia de Letras Teófilo Otoni- Minas Gerais./Brasil.
Embaixadora Universal da Paz Cercle Universel Ambassadeurs la Paix- Orange- France & Genève / Suiss.
Medalha de Mérito Pero Vaz de Caminha, Medalha Palmas Académicas França Brasil. Comenda criada por Napoleão Bonaparte e condecorada pelo Presidente e poeta Thiago de Meneses FALASP. São Paulo/ Brasil e Academia de Ciências de Lisboa.
Registo e Direito de Autor- Maia de Melo Lopo.
Lisboa-PT.

 

CHEGARÃO



Chegarão todas as mortes!
Chegarão! Ai chegaram as mortes,
espalham-se na terra, nas vastas águas dos Oceanos,
dançam danças de chuva e apagam todas as luzes das estrelas.
Chegaram as mortes do Inferno, tanta raiva, loucos gemidos,
princesas das trevas mudam a realidade do tempo,
dormem em corredores e durante a noite roubam-nos os sonhos,
o céu desvia o sol da verdadeira hora real,
e o luar sangrando abandona corações esquecidos.

Chegarão todas as mortes!
Sem que os ventos da alma mudem as tempestades,
porque o amor só será real quando o ódio deixar de apunhalar,
sem que as violentas paixões devastem as folhas dos campos,
e a traição no escuro adormeça no caminho da solidão.
Chegaram as mortes nas recordações do Norte,
o Sul consola sombrias dores, trás na luz sagradas flores,
perfumes da noite, e na briza dos mares lembranças de ti.
Que importa o que vivi? Chegarão todas as mortes.

Maia de Melo Lopo.12

 
      

                                 para 12ª pág.