Aquele Carnaval – de Carlos Leite
Ribeiro
(Recordações da Juventude)
Arte e Formatação de Iara Melo
Teria uns 11 ou 12 anos e recordo-me
com um misto de saudades e
divertido.
Fui com meus pais a um baile de
Carnaval, no clube onde eu nasci, em
plena Estefânia (Arroios – Lisboa).
Como ainda era muito novinho, as
moças nem olhavam para mim, quanto
mais dançarem comigo!
Esse “drama” também o meu amigo
Mário Pires, da mesma idade, sentiu
naquele baile. Cansados daquela
situação de “despercebidos do mundo
feminino juvenil” só com direito a
ver os outros dançarem e
divertirem-se, resolvemos ir até ao
primeiro andar onde se situava a
sala de jogos. Por sorte, na mesa de
ping-pong (ténis de mesa)
encontrámos em cima desta duas
raquetes e uma bola. Tínhamos
encontrado o nosso divertimento para
aquele baile de Carnaval.
Toc para ali, toc para aqui,
estávamos divertidos. Mas há sempre
um mas…
Minutos
depois, apareceu o vice-presidente,
que nos gritou colericamente:
- O que
é que vocês estão aqui a fazer – que
barulho é este? Lá em baixo, toda a
gente está a reclamar pelo barulho
do toc-toc e dos vossos pulos!
Disto
isto, agarrou-nos nos braços e nos
obrigou a descer com ele. Chegados
ao piso inferior, a sala de baile,
entregou-nos a nossos pais, com um
grande “sermão”, a contar
detalhamento o que nós tínhamos
feito. Meu pai, olhou pra mim com
cara de muito zangado (cara de
poucos amigos, como então se dizia).
Valeu a “bondade” da Dona Milú, uma
senhora “feia como trovões, que
pediu licença a meu pai para dançar
comigo. Que desconforto, mas sempre
era (um pouco) melhor do que ouvir o
“sermão” de meu pai.
No intervalo daquela série de
“marchinhas carnavalescas
brasileiras” eu e o Mário,
combinámos quando “fôssemos grandes”
jamais dançaríamos com aqueles
“moças queques") que nos tínhamos
desprezado.
Entretanto, pedi a meu pai que me
levasse para casa, pois estava com
muito sono. Como devem calcular,
durante o percurso até casa, ouvi
outro “sermão daquilo que não devia
ter feito”.
Adormeci pensando em “vingança” para
os próximos Carnavais, ou seja
jamais dançar com aquelas moças que
só queriam dançar com miúdos mais
velhos do que eu.
Não me recordo se nos anos seguintes
cumpri ou não a “vingança”, pois, as
meninas de então, tornaram-se belas
adolescentes…
Carlos
Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal