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CARNAVAL PORTAL CEN

2º BLOCO   (de 3 blocos)

 

CARNAVAL 2012

2º BLOCO

Escola de Samba do Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

 

Toka: - E cá estamos nós, novamente. Estamos a transmitir para todo mundo o desfile da Escola do Samba do “Cá Estamos Nós”. Vamos novamente a Niterói para sabermos se o desfile já começou. Alô… Niterói?...

Mônica: - O desfile do CEN, começou mesmo agora. O carro é alegórico à Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Ora Ouçam:

Cidade maravilhosa,
Cheia de encantos mil!
Cidade maravilhosa,
Coração do meu Brasil!
Cidade maravilhosa,
Cheia de encantos mil!
Cidade maravilhosa,
Coração do meu Brasil!


Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n'alma da gente,
És o altar dos nossos corações
Que cantam alegremente.
Jardim florido de amor e saudade,
Terra que a todos seduz,
Que Deus te cubra de felicidade,
Ninho de sonho e de luz.

 

 

 

 

Mônica: - Junto a mim tenho uma linda senhora com a fantasia “Dama Antiga”; seu vestido é comprido e com uma pequena cauda a arrojar pelo chão; na cabeça uma toca arrendada e segura uma sombrinha. Diz-nos o seu nome?

Carmo: - Como vê, sou uma “Dama antiga” e meu nome é, Carmo Vasconcelos, para os amigos, sou a Carminho.

Mônica: E onde mora?

Carmo: - Moro em Odivelas (Lisboa) no lindo Portugal! Se me permite vou dizer uma poesia de minha autoria:

 

“CARNE VALE” *

Carmo Vasconcelos


 
Me enlaçaste, demónio mascarado,
Na rubra pantomina exuberante,
E eu de anjinha, no traje etéreo e aluado,
Segui-te numa dança fascinante.
 
Inventámos um louco carnaval,
Em data desfasada, ambos sem tento,
Que, tal cometa em viagem orbital,
Teve a breve medida de um momento.
 
Em fogueira de penas nos deitámos,
Traje posto, ajustada a mascarilha,
E cegos de porvires nos queimámos
Nesse lume atiçado de armadilha.
 
Hoje, extinta a paixão de carnaval,
Semelhante a comédia do burlesco,
Dançam as cinzas um negro ritual,
Em memória do rubro amor dantesco!

 

* “Carne Vale” ou “Adeus à Carne”  origem etimológica da palavra “Carnaval” – Séc.XI


 


Vilma: - E a Marcha do Centenário vai começar seu desfile. É uma homenagem à linda cidade de Lisboa, que eu tão bem conheço:

 

Marcha Do Centenário

Amália Rodrigues

 

Toda a cidade flutua
No mar da minha canção
Passeiam na rua, pedaços de lua
Que caem do meu balão

Deixem Lisboa folgar
Não há mal que me arrefeça
A rir, a cantar, cabeça no ar
Que eu hoje perco a cabeça

Lisboa nasceu, pertinho do céu
Toda embalada na fé
Lavou-se no rio, ai ai ai menina
Foi baptizada na Sé !

Já se fez mulher e hoje o que ela quer
É cantar e dar ao pé
Anda em desvario, ai ai ai menina
Mas que linda que ela é!

Dizem que a velha sou eu
Há oito séculos nascida
Nessa é que eu não vou, por mim não passou
Nem a morte nem a vida

Um Pagem me fez um fado
Um fado me leu a sina
Não ter namorado, nem dor, nem cuidado
E ficar sempre menina!

 

«»

 

Vilma: - Aproximo-me de uma grande Autora CEN, a Carolina Ramos. Querida amiga, uma poesia?...

Lina: - Não vinha preparada para esse convite. Vamos ver como vai sair:

 

O CARNAVAL COMEÇA...

                      

Rompem-se os diques da alma. Nas retinas,

confundem-se visões do Bem, do Mal!

Momo sacode os guizos. Nas esquinas

e nos salões, estronda a bacanal!

 

Contudo, há mais Pierrôs e Colombinas,

Palhaços e Arlequins, na vida real,

que os que atiram    confetes, serpentinas,

alegria a fingir no Carnaval!

 

Cinzas! Máscaras rolam. Mas, só a morte,

a derradeira máscara é quem tira.

Momo sorri -  talvez,  da própria sorte!

 

Quanto amargor na dúvida se expressa:

- O Carnaval findou?! - Cruel mentira!

- A vida marcha... e o Carnaval começa!

 

Vilma: - Muito Obrigado! Saiu muito bem!

 

 

 

 

Mônica: - Vou-me dirigir a outra “Dama antiga”, com botas até aos tornozelos e de salto um pouco alto; saia branca e comprida; camisa aos folhos branca e por cima desta uma jaqueta preta; na cabeça uma toca arrendada e segurando uma sombrinha de cor clara. Seu nome, de onde veio e se pode dizer uma poesia?...

Donzília: - Vim de Paredes (norte de Portugal) e meu nome é Donzilia da Conceição Ribeiro Martins. A poesia:
 

Carnaval


Carne! Engano! Máscara! Fantasia!
A farsa que o corpo veste para se travestir!
A ilusão, o canto, a cor, a magia e a sedução
Com que queremos iludir as amarras presas no coração.
Morrer para ressuscitar o homem novo
A mentira desumana com que tentamos iludir a nós próprios e ao povo!
Olhamos o mundo desamparados! E, num relance de qualquer mal
Corremos desalmados como um rio a desaguar num lago de carnaval.
Morrer! Ai se morrer pudesse a fantasia, a máscara cairia.
Se das palavras corressem lágrimas de alegria,
Se em toda a mão estendida se exorcizasse os medos,
A máscara da vida, colorida e fria, seria apagada.
A alma, como pássaro de sonho, abraçaria o real de tudo e nada.
No cais do Entrudo perdido se calaria a voz
E nasceriam desertos, gritos floridos a cantar dentro de nós.
Não mais a máscara, a mentira, a podridão da folha caída
Veste-te de azul, bebe dum trago o mar, despe o carnaval e vive a vida.

 

 

 

 

Katarina: - E o Balancê vai começar seu desfile, muito aplaudido:

 

BALANCÊ 

(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1936)

Ô balancê balancê
Quero dançar com você
Entra na roda morena pra ver
Ô balancê balancê

Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
No balancê balancê

Você foi minha cartilha
Você foi meu ABC
E por isso eu sou a maior maravilha
No balancê balancê

Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
E o tempo passa e eu vou me acabando
No balancê balancê

 

 

 

 

 

Katarina: - Vejo daqui outra grande Autora CEN. Deixe-me passar por favor… obrigado… Boa noite, amiga, além de lhe pedir para lhe dizer uma poesia, também lhe peço seu nome e de onde veio?...

 

Ivone: - Sou daqui de Niterói RJ, meu nome é, Ivone Boechat e vou tentar dizer a poesia pedida, Não sei se reparou, mas vim fantasiada de “A vitoriosa”:

 

Minha fantasia

Estou fantasiada de mim mesmo,
eu mereço,
escolhi o brilho, a serpentina
e o perfume proibido
das palavras sacrificadas
pela ditadura do silêncio.
Nos braços, como adereço,
vou pendurar o protesto dos abraços
que nunca foram dados a esmo,
porque a vida censurou!
Na cabeça, fixei o esplendor
dos pensamentos
que valeram a pena arquivar,
os outros, aqueles que me fizeram sofrer
todo tipo de mal,
foram sapateados pelo bloco
do meu eu vencedor
no último carnaval.


 

 

 

Beatriz: - Já está a desfilar a corso “Lá vai Lisboa”, marcha imortalizada pela grande e saudosa Amália Rodrigues:

 

 Lá Vai Lisboa

Amália Rodrigues


Vai de corações ao alto nesta lua
E a marcha segue contente
As pedrinhas de basalto cá da rua
Nem sentem passar a gente
Olha o castelo velhinho, que é coroa
Desta Lisboa sem par!
Abram, rapazes, caminho,
Que passar vai a Lisboa
Que vai a Alfama passar!

Lá vai Lisboa com a saia cor de mar
Cada bairro é um noivo que com ela vai casar!
Lá vai Lisboa com seu arquinho e balão,
Com cantiguinhas na boca e amor no coração!

Bairro novo, bairro velho, gente boa
Em casa não há quem fique!
Vai na marcha todo o povo de Lisboa,
Da Graça a Campo d´Ourique!
Olha o castelo velhinho, que é coroa
Desta Lisboa sem par!
Abram, rapazes, caminho,
Que passar vai a Lisboa!
Que vai a Alfama passar!

 

 

 

 

Beatriz: - Uma linda senhora, uma linda fantasia; também uma grande Autora CEN. Parabéns pela sua fantasia, seu nome e de onde veio?...

 

Glória: - Minha fantasia é uma Flor Silvestre da Serra de Monchique (Algarve), meu nome é Glória Marreiros e vim do Sul de Portugal, Portimão. A minha poesia:
 

 

MÁSCARA FLORIDA

Glória Marreiros


 
Peguei na minha máscara de flor
e fui bailar no centro dum jardim,
dizendo à natureza que, por fim,
o Carnaval levou a minha dor.
 
Vesti-me de perfume, luz e cor,
para dar róseo beijo num jasmim
que esperava a sentença do meu sim,
para consolidar o nosso amor.
 
Fui majestosa flor, a mais perfeita,
Vestida em tons de anil, rainha eleita,
em magia secreta, original.
 
Dancei até o sol pousar no sonho,
para saber, ao certo, onde deponho
a flor que me vestiu, no Carnaval.

 

 

 

 

 

Vilma: - Olá amiga! Tive o prazer de a conhecer em Blumenau no 3º Encontro do nosso querido Portal CEN. Para os nossos estimados ouvintes, diga qual a sua fantasia, nome, de onde veio e, também e aproveitando a embalagem, uma poesia?...

Efi: - Minha fantasia é o FREVO. Está a ver que até trago uma sombrinha de várias cores? Meu nome é Efigênia Coutinho e vim de Balneário Camboriú – SC. Agora, a poesia:

DO RECIFE O FREVO

Efigénia Coutinho

 

Nesta dança que nossas pernas bailam
Do Recife com Frevo não tem outro igual
Neste sentir da emoção que nos animam
Quero sair na Avenida com alto astral...

Na terra do Recife e dos belos Coqueiros
Com Frevo, quero o poema, tema, e lira
Com alegria e com meu amor cair na folia
Viva o Frevo, que ferve com o sanfoneiro.

Ah Recife eu desejo dançar até o dia raiar
Em teus braços esquecer do amanhã
Viver fantasias e ilusões até abrasar
Nesse fascínio alucinante ser teu talismãs!

 

 

 

Mônica: - E com muita alegria e muito ritmo começa o desfile da Linda Morena:  

 

LINDA MORENA

(Lamartine Babo - 1932)

Linda morena, morena
Morena que me faz penar
A lua cheia que tanto brilha
Não brilha tanto quanto o teu olhar

Tu és morena uma ótima pequena
Não há branco que não perca até o juízo
Onde tu passas
Sai às vezes bofetão
Toda gente faz questão
Do teu sorriso

Teu coração é uma espécie de pensão
De pensão familiar à beira-mar
Oh! Moreninha, não alugues tudo não
Deixe ao menos o porão pra eu morar

Por tua causa já se faz revolução
Vai haver transformação na cor da lua
Antigamente a mulata era a rainha
Desta vez, ó moreninha, a taça é tua

 

 

 

 

 

Mônica: - Outro Autor CEN. Qual a sua fantasia, de onde veio e seu nome. E também uma poesia – de acordo?

 

Adriano: - A fantasia é de Palhaço, vim de São Paulo – SP e meu nome é, Adriano Augusto da Costa Filho. E agora a poesia pedida pela simpática Mônica!

 

Carnaval !!!
Adriano Augusto


Na vida sou grande palhaço,
No carnaval sempre me acho.
Gosto mesmo de me fantasiar
Porque o Carnaval eu sei amar !

Vou de roupa bem folgada,
Para a garotada dar risada.
Fico dando cambalhota
Parecendo um patota !

De palhaço sempre brinco,
Porque dele eu me sinto.
vou rir até me esgoelar
E as marchinhas vou cantar !

No Carnaval ser frouxo é ofensa,
Brincar muito só recompensa.
Brincar,pular,cantar ao extremo,
Para o folião é bem supremo !
 
Nos carnavais de outrora,
Tudo era em boa hora.
Nos carnavais de agora
Quem não brinca só se borra !

 

 

 

 

 

Katarina: - Vou aproximar-me de outro Autor CEN, que é Trovador. Por favor … sua fantasia, seu nome, de onde veio e, por gentileza, umas Trovas – valeu?

Hermo: - Como a Katarina está vendo, minha fantasia é Máscara Negra (que faz sempre grande sensação); vindo do outro lado da Baía de Guanabara, a bela Rio de Janeiro e meu nome é: Hermoclydes Siqueira Franco. E duas Trovas, que em Portugal são Quadras, que lhe dedico:

 

Rainha da bateria
de uma escola do Encantado
Fez a sua fantasia
com um confete dourado!...

 

Não sou aquele pierrot
nem tu és a colombina...
Carnaval de "camelô"
É beijar a... concubina!

 

Hermoclydes

 

 

 

 

Beatriz: - Depois da Katarina ter entrevistado um grande Trovador, vou procurar entrevistas um grande sonetista, também Autor do CEN. Não se faça desentendido, pois é com você mesmo que eu quero falar! Qual a sua fantasia, seu nome e de onde veio. Além de uma poesia – tá?...

 

Humberto – Eu sou “O Monstro Sanguinário” (eu sou mauuuu – cuidado comigo! Rsss). Meu nome? Bem, como você pediu, aqui vai: Humberto Rodrigues Neto; vim de São Paulo SP. Sobre a poesia, como você parece boa moça, aqui vai:

 

 

É  CARNAVAL!

Humberto Rodrigues Neto
 


Depois de se esfalfar o ano inteiro
o povo espera o mês de fevereiro
para as mágoas lavar no carnaval...
E é nessa transitória fantasia
que ele busca a ilusória anestesia
à dor sem cura de viver tão mal!
 
Em casa, na TV, na arquibancada,
extasia-se ao vibrar da batucada
e ao gingar das cabrochas na avenida!
Todo o desfile das escolas segue,
e de alma livre, já não se acha entregue
á corrosiva agrura desta vida!
 
Envolta em tais momescas terapias,
toda a platéia adere a tais folias
gingando aos pares, ou sem par nenhum!
E a bateria mescla os sons num só:
“telecoteco do borogodó...
balacobaco do ziriguidum”!
 
Mas chega a quarta-feira, e em tons ranzinzas...
do carnaval só restam plúmbeas cinzas
que a madrugada vai levando embora...
Só então a plebe vê, em cabal catarse,
que a farra foi um cômico disfarce
da máscara que a vida jogou fora!

 

 

 

 

Vilma: - Cheira Bem, Cheira a Lisboa, marcha imortalizada pela saudosa Amália Rodrigues. Vai começar seu desfile:
 

Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro eléctrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira

Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondida
Cheira a iscas com elas e a vinho

(Refrão)
Um craveiro numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar

Cheira bem, cheira a Lisboa (2x)

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar
Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é Verão

Teus lábios têm o cheiro de um sorriso
Manjerico tem o cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas
(Refrão)

Cheira bem, cheira a Lisboa (2x)

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar

 

  

 

Vamos aqui fazer um pequeno intervalo e anunciando os nossos patrocinadores:

 

“Lixivia (água sanitária) “Limpa Tudo!”

Até mesmo a má-língua!”

 

“Use Água do Chuveiro que com um bom sabão Macaco,

Ficará bem lavado e com pouco dinheiro”

 

“Cuidado com seus pés – Não ande descalço!

E lave os pés mensalmente!

 

 

 

A seguir 3º e último BLOCO

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