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ESPLANADA DOS
PROSADORES -
ANO III - MARÇO DE 2010
Criação: Carlos Leite Ribeiro
Participação de Malude Maciel
Edição e Arte Final:
Iara Melo

DIA DA MULHER
Malude Maciel
Outra vez
se aproxima o chamado DIA INTERNACIONAL
DA MULHER. Logicamente que se refere,
não a um grupo privilegiado, A ou B,
mas, à todas as mulheres da face da
Terra, por isso mesmo o olhar, a
atenção, o pensamento e a reflexão
associados a essa data devem observar
tudo o que aconteceu e vem ocorrendo na
trajetória feminina ao longo dos tempos.
Naturalmente seria cansativo para não
dizer, impossível, fazer um levantamento
histórico desde Eva até as "gatinhas" de
hoje, porém, quando se fala nesse tema é
obrigatório fazer um retrospecto mental
das evoluções como também das
decadências que o chamado “sexo frágil”
tem enfrentado no decorrer dos anos. Não
cabem, simplesmente, palavras bonitas
neste momento, mas uma análise real da
situação da personagem em foco.
Falar do
espaço conquistado pelas corajosas e
bravas representantes femininas, à duras
penas, nas áreas de trabalho, educação e
status será desnecessário pois, o mundo
tem assistido, à olho nu, como as
mulheres têm enfrentado e desempenhado
as mais estranhas profissões, cargos e
condutas que antes só eram permitidos e
ocupados pelos varões. A presença da
mulher nas artes, ciências, política, na
área militar e demais lugares onde cada
uma se acha capaz só tem trazido
crescimento e riqueza para todos os
seres humanos que devem ser iguais
perante a Lei e a Justiça. Para que isso
se concretize cada dia mais, urge que as
mentalidades se ampliem no sentido de
cada pessoa saber seu limite, seu papel,
suas capacidades, aptidões e, antes de
tudo, primar pela própria dignidade e a
do próximo, independente de sexo, cor,
posição social ou intelectual. É nesse
ponto que queremos chegar e debater
porque ainda existe muita gente por aí,
sem entender a evolução e sem querer
compreender que lidar com a pessoa
humana é estar diante de um mistério
insondável de dons, potencialidades,
sentimentos, emoções, vida e tudo isto
tem que ser considerado, no entanto,
essa adaptação tem sido lenta e nem
sempre aceita de bom grado. Os homens,
muitas vezes se sentem ameaçados ou
perdidos no seu novo papel de macho, que
indiscutivelmente não poderá ser aquele
dos séculos dos famosos coronéis, onde
imperavam os machões e somente sua
autoridade e absoluta vontade poderia
reinar nas famílias, nas propriedades,
nas empresas, nas conversas, na
política, na religião, em tudo mandavam
e desmandavam. Hoje a mulher tanto vota
como é votada, evoluiu sem perder a
doçura nem a beleza (talvez tenha
perdido um pouco da candura, pureza e
moralidade devido às circunstâncias das
próprias decepções e também a chamada
“evolução dos tempos”) mas, está
consciente de que deseja mais amor e
consideração do que apenas casa e
comida, sabe de seus direitos de cidadã
e pretende passar às gerações futuras
uma nova fórmula de felicidade e
qualidade de vida, com mais razão do que
coração, sem perder a ternura jamais.
Quando
chega o dia 8 de março a cada ano,
sentimos a vontade de passar muita coisa
à limpo, fazer uma grita e dar um basta
para que não nos façam de bobas.
Aprendemos na Escola a conjugar os
verbos nos tempos: perfeito e mais que
perfeito e assim teriam que ser TODAS as
nossas ações, como também fomos educadas
para isso, sermos perfeitas, mais que
perfeitas e, sobretudo submissas e
dependentes dos pais, maridos, filhos,
no caso, ao sexo masculino. A coisa vem
mudando, ora a passos de tartaruga, para
as mais conservadoras e sensatas, ora
virando a mesa para as mais
ousadas. Importante é que estamos
caminhando e não podemos parar nem nos
conformarmos diante das estatísticas de
que, a violência física, mental e
psicológica continua muito presente
contra as mulheres. Por ex.: só no mês de
janeiro/2006 foram assassinadas 44
mulheres só no Estado de PE.; aumentou
o índice dos casamentos desfeitos,
separações, divórcios, estupros,
abandonos de lares, exploração de
menores, exploração sexual em geral,
maus tratos, humilhações, etc. afora os
adultérios que machucam, ferem, matam a
alma sonhadora da mulher que espera
fidelidade do parceiro e se revolta
diante dessas realidades cruéis. Há
coisa pior do que uma traição? Dizem
que a maior inimiga de uma mulher
honesta é outra mulher, sendo desonesta,
daí uma concorrência desleal, sem
regras, sem limites passando-se por cima
dos outros com valores invertidos,
gerando desgraças e sofrimentos de ambas
as partes, não apenas no aspecto amoroso
e sentimental, mas deslealdades nos
relacionamentos de amizade, trabalho,
convivência, sem ética, nem pudor, nem
dignidade. Por outro lado sabemos
perfeitamente que somos uma grande
parcela de consumidoras e isso pesa no
marketing do comércio em geral aí
pensamos, será só por isso que somos
lembradas, por interesse meramente
comercial ou estão reconhecendo com
louvor nosso trabalho, dedicação e
afeto, tão importantes nas famílias e em
qualquer lugar onde se encontre uma
verdadeira mulher?
Iremos nos
deparar com aquelas costumeiras
“homenagens” que muitas vezes, não
passam de embromação. Não somos mal
agradecidas, é que, em paralelo com as
flores que nos ofertam, olhamos de lado
e enxergamos muito bem que não existe um
mar de rosas, nem ao menos uma vida
digna para as nossas representantes
nesse planeta. Que o digam as
ocorrências das Delegacias das Mulheres
e a exploração sexual de nossas meninas,
além da desvalorização em geral da
pessoa só pelo simples fato de ser
mulher. Quantas mulheres são mal
tratadas dentro de suas próprias casas e
têm até vergonha de prestar queixa ou
não têm a quem recorrer, permanecendo
numa escravidão mascarada, encoberta
pela falsa moral ou um silêncio cínico
de leis que beneficiam o lado masculino
menosprezando a dignidade da esposa, da
família, da moral e dos bons costumes,
quando os homens podem fazer o que bem
entender sendo aceitos como seres
superiores por uma sociedade decadente.
Fomos
feitos Homem e Mulher como imagem e
semelhança de Deus. Não deixemos o mundo
nos moldar como inferiores jamais. Não
queremos ser hipócritas nem endeusadas,
muito menos doidivanas, porém pessoas
normais, com virtudes e defeitos, que
erram e acertam, mas buscam o equilíbrio
na paz e na harmonia entre os povos.
Toda essa
ideologia de igualdade, liberdade e
fraternidade é muito difícil de
realizar, todavia, temos que continuar
na luta, firmes, de uma forma ou de
outra, porém unidas, (união é outro
ponto fundamental no relacionamento
entre as mulheres, pois a inveja e o
ciúme atrapalham a marcha para a
vitória) pensando no que se tem
conquistado nos diversos campos, no
progresso social pelo qual está se
pagando um alto preço, mas não podemos
baixar a guarda nem tão pouco cair na
vulgaridade, confundindo liberdade com
libertinagem, dando exemplo de
competência e exigindo dignidade,
direitos e deveres como cidadã em
qualquer parte de mundo.
O maior
presente, ou seja, a palavra chave será
sempre o RESPEITO, cultivado no dia a
dia de nossas existências, dentro dos
lares, nas ruas, nas escolas, nos
estabelecimentos, nos transportes, em
qualquer lugar, onde uma mulher estiver
presente, aí terá que existir o Respeito
e o reconhecimento pela sua figura
feminina, de avó, mãe, de filha, irmã,
de esposa, amiga, companheira de todas
as horas, de beleza, amor e
responsabilidade. Aí sim, estaremos
contentes a cada momento, sem precisar
de apenas um dia no ano para se sentir
amada e respeitada como criatura de
Deus.
Afinal, uma
vida plena de responsabilidade e
respeito mútuo não é fácil, porém
possível e, o pior é que quando estamos
aprendendo a viver em harmonia consigo
mesmo e com o próximo, já é quase hora
de partir. Vivamos pois, cada instante
como se fosse o último. Viva a MULHER em
sua plenitude!
Membro da
ACACCIL
Caruaru, Pernambuco,
Brasil

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