PORTUGUÊS, PRÊMIO NOBEL DA

LITERATURA

JOSÉ SARAMAGO

FALECEU A 18 DE JUNHO DE 2010
 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Arte Final: Iara Melo

Mensagem: Professora Ilda Brasil

 

 

José de Sousa Saramago, escritor português nasceu em Portugal na freguesia da Azinhaga, do concelho de Golegã, em 16 de Novembro de 1922. Filho dos camponeses José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida. No seu livro "As Pequenas Memórias" (2006), o escritor conta que Saramago era, na verdade, o apelido pelo qual seu pai era conhecido na aldeia, e também o nome de uma planta que serve de alimento para os pobres quando há escassez de comida. Saramago comprou seu primeiro livro aos 19 anos e antes de se dedicar à literatura foi mecânico, desenhador, funcionário público, editor, tradutor e jornalista.  Foi director literário de uma editora, fez crítica na revista “Seara Nova” e comentários políticos no jornal Diário de Lisboa, tendo ainda sido director-adjunto do Diário de Notícias em 1975. A partir de 1976 dedicou-se em exclusivo à literatura e à actividade política, sendo autor de poemas, contos, crónicas, ensaios políticos, peças de teatro e romances. Publica desde 1994 o diário "Cadernos de Lanzarote" – 5 volumes até 1998, do nome da ilha das Canárias onde fixou residência. A sua obra adquiriu projecção internacional, sendo um dos autores portugueses mais traduzidos.

José Saramago foi escritor da nova geração do romance em Portugal. Dedicou-se, além do romance, ao conto e ao teatro, tendo suas primeiras produções datadas de 1966. Memorial do Convento é de 1982 e representa uma investida no campo da narrativa histórica. O volume percorre um período de aproximadamente 30 anos na História de Portugal à época da Inquisição. O cenário é rico, registrando não só o fato histórico, mas reconstituindo a vivência popular, numa viagem a diferentes povoados ao redor de Lisboa. O rei D. João V necessitava de herdeiros e o ventre de D. Maria Ana não os concebia. Fez ele, então, uma promessa de levantar um convento em Mafra, para que a concepção ocorresse. Em paralelo, segue-se o registro da vida do povo, através do enfoque do soldado que perdeu a mão esquerda na guerra contra os espanhóis. Baltasar Sete-Sóis, em um espetáculo da Inquisição, conheceu Blimunda, mulher de poderes mágicos, que enxergava dentro das pessoas, e cuja mãe, por ter poderes semelhantes, havia sido desterrada para Angola. Desafiando os rigores da religião, ambos se "casam" através de um ritual de sangue. Baltasar torna-se ajudante do Padre Bartolomeu Lourenço, que, sob a proteção do rei, concebia uma máquina de voar, (a passarola). Sob o signo da máquina de voar unem-se ideais: os cultos, representados pelo padre Bartolomeu de Gusmão e pelo músico Scarlatti, e os populares, ancorados em Blimunda e Baltasar. Padre Bartolomeu viaja, enlouquece e morre. Blimunda, após o sumiço de Baltasar, passa a procurá-lo, encontrando-o nove anos depois em circunstâncias trágicas. A narrativa segue direto, sem interrupções, vigorosa e rica. Saramago procura dar à linguagem o tom das crónicas históricas, reveste o vocabulário de termos ricos e realiza malabarismos sintáticos.

Casou-se com sua primeira esposa, Ilda Reis, em 1944, com quem teve uma filha, Violante. Em 1988, casou-se com Pilar del Río, com quem viveu até o fim da vida.

Obra de José Saramago

Poesia: Os poemas possíveis de 1966-;- Provavelmente alegria de 1970 -;- O ano de 1993 de 1975.

Crónicas: Deste mundo e do outro de1971 -;- A bagagem do viajante de1973 -;- As opiniões que o DL teve de 1974 -;- Os apontamentos, 1977.

Viagens: Viagem a Portugal de 1981.

Peças de teatro: A noite de 1979 -;- Que farei com este livro? de 1980 -;- A segunda vida de Francisco de Assis de 1987 -;- In Nomine Dei de 1993 -;- Don Giovanni ou O dissoluto absolvido de 2005.

Contos: Objecto quase de 1978 -;- Poética dos cinco sentidos - O ouvido de 1979 -;- O conto da ilha desconhecida de 1997.
Romances: Terra do pecado de 1947 -;- Manual de pintura e caligrafia de1977 -;- Levantado do chão de 1980 -;- Memorial do convento de 1982 -;- O ano da morte de Ricardo Reis de 1984 - A jangada de pedra de 1986 -;- História do cerco de Lisboa de 1989 -;- O Evangelho segundo Jesus Cristo de 1991 -;-Ensaio sobre a cegueira de 1995 -;- A bagagem do viajante de 1996 -;- Cadernos de Lanzarote de 1997 -;- Todos os nomes de 1997 -;- A caverna de  2000 -;- O homem duplicado de  2002 -;- Ensaio sobre a lucidez de 2004 -;- As intermitências da morte de 2005 -;- As pequenas memórias de 2006.
 

Em 1998, o prestígio de que goza José Saramago, então prestes a completar 76 anos, atinge o zénite: a Real Academia Sueca distingue-o com o Nobel da Literatura.

 


O seu nome ganha notório relevo, particularmente no universo lusófono, de mais de 200 milhões de falantes, em que dois outros grandes escritores já haviam também sido apontados como sérios candidatos ao prestigioso prémio - o português António Lobo Antunes e o brasileiro Jorge Amado.
No anúncio do prémio, a Academia destacou o talento de Saramago, que "com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia, torna compreensível uma realidade fugidia." Os elogios que a obra do escritor vinha suscitando desde há anos faziam perceber que algo nos seus romances escapava à lógica meramente historicista, linear e redutora a que a visão do mundo e do homem do autor poderia condená-los.

Ele próprio tinha disso consciência, explicitando-o num entrevista que concedera em Janeiro de 1983 ao semanário ‘O Jornal'. Afirmara então que, embora estivesse "atento ao fluxo histórico", se considerava também alguém com "um certo respeito pelas coisas elementares, que são o tempo, o sol, a terra e as pessoas que andam nela." Invocando uma das fantásticas personagens do seu romance ‘Memorial do Convento', Saramago reconhece: "Blimunda representa um elemento mágico não explicado."

A atribuição do Nobel intensificou em Lanzarote a chuva de convites para conferências, congressos, exposições, sessões de autógrafos. Apesar do carácter austero, Saramago, já habituado a muito viajar, incrementou as deslocações e os encontros. Segundo informação constante do site da Editorial Caminho, o escritor participou, num período não explicitado, em 188 iniciativas de 41 países. Uma tão intensa actividade não prejudicou o ritmo de publicação de novas obras.

Os defensores de Saramago sempre contestaram o empenho promocional que lhe era atribuído como motivação das idas ao Brasil. E sublinharam, em abono da sua tese, o facto de o autor de ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis' ter sempre rejeitado a aplicação da ortografia, semântica e sintaxe brasileiras às obras que publicou além-Atlântico, o que certamente dificultou a sua maior difusão.

A Saramago não importava, obviamente, a promoção sem critério. O escritor recusou o convite que lhe foi dirigido pela actriz brasileira Dina Sfat para autorizar a venda de ‘Memorial do Convento' à próspera indústria de telenovelas, que proporcionaria muita publicidade aos seus nome e obra. Na ocasião, o Nobel argumentou: "Não tenho qualquer razão para querer ser rico."

O corpo de José Saramago chegou em 19 de Julho, ao aeroporto de Figo Maduro. Seguiu depois para a Câmara Municipal de Lisboa, onde ficou em câmara ardente até domingo, dia em que se realizou o funeral.

Saramago foi cremado e as cinzas ficaram em Portugal.

Autoridades e anónimos visitaram câmara ardente em Tías, Lanzarote.
Responsáveis locais, incluindo autarcas e outros responsáveis municipais e muitos anónimos visitaram a câmara ardente com os restos mortais de José Saramago que desde as 17:00 esteve aberta na biblioteca com o seu nome em Tías (Lanzarote, Espanha).

O corpo do escritor foi vestido com um fato escuro e com óculos, numa urna aberta rodeada por quatro velas e instalada no centro do espaço.

Portugal decretou luto nacional pela morte de José Saramago.

 

ARTE DE AMAR

José Saramago


Metidos nesta pele que nos refuta,
Dois somos, o mesmo que inimigos.
Grande coisa, afinal, é o suor
(Assim já o diziam os antigos):
Sem ele, a vida não seria luta,
Nem o amor amor. (Os Poemas Possíveis)
  
Aos Escritores Portugueses da
LIGA DOS AMIGOS DO PORTAL CEN,
os nossos sentimentos
pelo falecimento do Escritor José Saramago.

Profª Ilda Maria Costa Brasil e Alunos 

 

***

 

Obrigada, louvável escritor JOSÉ SARAMAGO,

por enaltecer a nossa

amada língua portuguesa.

Esteja em PAZ !

Com gratidão, admiração,

respeito e afeto.

Iara Melo

 

 

 

 

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Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

 

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