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Querida e saudosa Mãe - Carlos
Leite Ribeiro
Sempre foi tão difícil escrever
ou falar sobre ti, querida Mãe,
pelo muito respeito e admiração
que por ti sempre tive. Nunca
gostei de chorar à frente de
ninguém; quando eu tenho que o
fazer, é no meu quarto, na minha
cama e em cima de almofada.
O caso agravava-se desde
Setembro e, naquele fim e frio
de dia 31 de Dezembro de 1996,
deste o último suspiro. Embora
esperado, no momento final é
sempre um choque para nós. E
anos antes, já tinha passado por
algo parecido com a morte de
minha mulher…
Naqueles momentos passou pela
minha memória factos passados
como um filme, com final triste.
Do teu ventre fiz meu mundo
quentinho, sossegava ao som do
teu coração e tua voz fazia-me
sorrir. Tua dor foi grande
quando nasci, mas passou mal
olhaste para mim. Do teu peito
mamei o néctar do amor, doce e
abundante. |