Quantas vezes me disse-te:

- Tu és demasiadamente selectivo para com teus amigos e conhecidos; em contrapartida, és um melaço populacho para as tuas conhecidas …, e olha menino, eu não sou a tua telefonista e muito menos tua secretária particular.

Eu ria-me e pedi-lhe desculpa vezes sem fim. Mas que fazer se eu era um compulsivo pecador ?

Recordo-me daquela vez em que uma conhecida apareceu lá em casa acompanhada pela mãe para tirar informações do Sr. “engenheiro Carlos”. Minha Mãe revelou-se na altura uma grande actriz e lá convenceu as duas que o  tal  " sr. Engenheiro" tinha partido

naquela manhã para Angola em trabalho profissional e para casar e, só regressaria dois anos depois. Quando cheguei a

casa ao fim do dia, com um sorriso

nos lábios e convencido de ter a

consciência em paz, vi

os rostos fechados

de meus pais e

tias; minha avó

estava com cara

de gozo e meu

 

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irmão ria-se a bandeiras despregadas.

Sem saber se havia de chorar ou rir, perguntei inocentemente:

- Passou-se alguma coisa ?

Meu pai olhou severamente para mim e quase gritou: - “Senta-te que temos que falar …”.

Obedeci e ouvi de meu Pai e de minha Mãe um enorme raspanete. Meu irmão continuava a rebolar a rir-se enquanto minhas tias estavam caladas. Quem aliviou a tensão daquele momento, foi minha avó ao aconselhar meus pais a deixarem sair para a rua a mim e ao meu irmão. No Largo de D. Estefânia, nós dois rimos tanto que até os nossos estômagos ficaram doridos.

Quando regressámos a casa, comemos qual- quer coisa e fomos para o nosso quarto. 

Minha Mãe foi ter connosco na

 intenção de continuar a ralhar,

mas perante a nossa boa 

disposição também 

começou a rir-se 

 e a contar 

as peripécias

daquela manhã.

A certa altura

ouvimos

 

Continua   08