Edição de Carlos Leite Ribeiro
|
 |
|
Poseidon,Apolo
e Artemis |
MAGAZINE CEN
AGOSTO 2012
|
Maridásio Martins
Salvador – Bahia - Brasil
“INFALÍVEIS AMORES”
Recolhes teus raios,
Te afastas de mim;
Não percebes que sem tua luz,
Me entristeço, me abato...
Mas, aguardo teu novo amanhã.
E na espera vem a noite,
E na noite não fico só:
Na penumbra chega de mansinho,
O meu amor noturno e se aproxima de mim,
Roça levemente minha pele aveludada e fresca;
Desliza, muito suave, sobre minha parte perfumada,
E do meio para o fim se precipita;
Deixa-me e cai ao solo, já molhado...
Mas como por encanto, se reproduz
E de novo me experimenta;
Saciado, desliza sobre mim de novo, rola e cai na relva,
Deixando-me encharcada do seu frescor...
E assim, mais uma noite me satisfaz!
Chega o dia e com ele a luz,
E a luz do dia afugenta o meu amor da noite;
Me arrumo e preparo para novos gozos...
Assim o ritual se repete à exaustão!
Plenamente satisfeita, mas sem força vital,
Cedo lugar à outra que recém-desabrochou;
Feneço e parto para o infinito incerto,
Quem sabe, para o Cosmo Universal?
Maridásio Martins |
|
 |
|
Mário Rezende
Rio de Janeiro
REENCONTRO AO LUAR
Foi a Lua quem me disse:
“Ela te espera, deixa de tolice rapaz!
Eu mesma desenhei a sua sombra
que se alonga tal que sua esperança.
Também fui eu quem fez brilhar
uma lágrima solitária,
carregada de amor e ternura,
que rolou preguiçosa e sofrida,
riscou silenciosa o seu rosto
e se escondeu entre os seios,
cheios da sua ausência,
que esperam, generosos, o seu amor.”
Então eu senti, como uma lufada de vento,
a minha chama se avivar,
pela sensação gostosa de ser amado,
de ouvir o amor sussurrado,
cantado pelo vento no meu ouvido,
da menina ávida de mim.
E do tamanho do seu fascínio
eu me dei conta, enfim.
E o meu barco rumou sereno,
apressando a lentidão do tempo,
trazendo seu homem de volta ao cais.
E, sob o olhar prateado da lua alcoviteira,
estreitei o seu corpo ao meu
e me fundi, feliz, com meu amor.
Mário Rezende
Texto registrado na Biblioteca Nacional: Registro
454.187 livro 853 fl 347
|
|
DIA DOS NAMORADOS EM PARIS
Mário Rezende
Eu estava sentado num café em Paris, lendo um romance de
Zolá, quando ela passou. Encarou-me por alguns instantes
e seguiu o seu destino, senhora de que eu a observava.
Fiquei encantado e não pude de deixar de acompanhá-la
com os olhos. Ela parou na esquina, antes de atravessar
a rua. Provavelmente ia para o metrô. Voltei à leitura
depois que minhas vistas deixaram de alcançá-la.
No dia seguinte, na esperança de revê-la, sentei-me no
mesmo lugar. Era um café literário muito famoso, que já
teve Satre, Picasso, François Truffaut e Simone de
Beauvoir como frequentadores, Café Les Deux Magots.
Estava cheio de casais, era dia dos namorados (St.
Valentine), que na França se comemora no dia quatorze de
fevereiro.
O sol também surgiu, depois de alguns dias cinzentos e
chuvosos, no céu límpido e azul. Um presente da natureza
para os enamorados. Pedi café e fiquei aguardando.
Linda, com seu ar juvenil, ela veio caminhando dos lados
da Place Saint Sulpice, onde existem as melhores
livrarias da cidade, bom sinal. Estava de jeans e
jaqueta com acabamento em veludo adornando o colarinho,
realçando o rosto branquinho, contrastando com os
cabelos escuros e os olhos azuis como o céu de Paris.
Fixei, encantado, meu olhar no seu rosto. Ela percebeu,
sorriu para mim e seguiu o seu caminho. Tive a impressão
que diminuiu o passo até chegar à esquina. Parou e olhou
na minha direção. Então, eu caminhei ao seu encontro.
Ela não atravessou a rua, embora o sinal tivesse aberto,
evidentemente para eu me aproximar.
- Bonjour! Quel est votre nom ?[1]
- Camille. Et le vôtre?[2]
- Victor, Victor Hugo.
- Parlons en portugais?[3] – Ela disse sorrindo.
- Você é brasileira?!
- De São Paulo. Você é do Rio, nem preciso perguntar.
- Por quê?
- Brasileiro e me olhando daquele jeito quando passei
pelo café, só poderia ser carioca.
- Quase não dormi à noite, sabia? Não conseguia tirar
você da cabeça... Eu jamais iria imaginar que fosse
paulista.
- Como assim?
- Você passou por aqui ontem. Hoje eu voltei para lhe
ver.
- Decepcionado porque não sou francesa?
- Claro que não! Você está passeando aqui em Paris?
- Não. Estudo moda no Marangoni. Minha mãe é dona de uma
confecção e eu quero ser estilista.
- Eu estou de férias e ganhei a viagem num concurso.
- Você veio sozinho?
- Vim. E você, tem alguém aqui?
- Tá querendo saber se tenho namorado?
- Não. Perguntei se você está sozinha aqui em Paris.
- Moro com duas amigas que também estão fazendo o curso.
- Você tem namorado?
- Tinha, até semana passada. Eu o vi com outra, uma
gordinha. Vivia dizendo que eu sou muito magra, o
idiota. É um professor lá do instituto, Foi até bom, já
estava de saco cheio dele.
- Eu também não tenho. Quer ficar comigo?
- Hoje é dia dos namorados...
- Eu sei. Você quer ser minha namorada, hoje? Amanhã eu
vou embora...
- Só se você me prometer que este vai ser o dia mais
feliz da minha vida.
- Eu prometo que vou fazer o possível.
Então, saímos de mãos dadas passeando pelos recantos
românticos de Paris. Antes, eu quis fazer uma açucarada
declaração de amor, oferecendo-lhe um bolo especial para
o dia dos namorados, chamado millecoeurs framboise que
estava sendo anunciado numa plaquinha em frente a uma
patisserie[4] chamada Fauchon Paris, mas ela não
aceitou. Disse que não gostava de doces; em compensação,
deu-me o primeiro beijo com a boca carnuda e doce, muito
doce, deixando-me mais apaixonado. Estranho que ela
passou o dia todo comigo e não comeu ou bebeu nada.
Assim, não era de espantar o seu corpinho.
Depois saímos passeando de mãos dadas pela beira
refrescante do Sena. Atravessamos a Ponte dês Arts, uma
das mais bonitas e charmosas de Paris. Nas grades dessa
ponte, os casais, jurando amor eterno, prendem cadeados
onde registram os seus nomes e jogam a chave no rio.
Claro que afixamos um também, com os nossos nomes.
Compramos um cadeado vermelho em forma de coração.
Depois de jogar a chave no rio, beijamo-nos novamente,
no meio da ponte, como se fossemos um casal há muito
tempo.
Fomos ver o mur des jê t’aime[5] em Montmartre. É um
monumento dedicado ao amor, erigido em um jardim
romântico onde está escrita a expressão eu te amo em
várias línguas do mundo inteiro e passeamos pelas ruas
aconchegantes do charmoso bairro boêmio.
Assistimos ao deslumbrante por do sol do alto da Torre
Eiffel. Camille me disse que para ela foi o mais bonito
de toda sua vida, apesar de que naquele dia tudo tinha
uma beleza diferente para mim também.
Ela ficou comigo no hotel. A minha última noite em Paris
foi compartilhada com Camille, namorada por um dia. Uma
mulher de beleza indescritível, cujo corpo magro e
esguio, harmonioso e delicado eu despi com prazer
intenso, encantado com a pele alva e sedosa em contraste
com os pelos escuros em triângulo perfeito da eminência
pubiana. Deliciosa criatura que me proporcionou uma das
noites de amor mais agradáveis que já vivi.
No dia seguinte, antes de partir, fui procurá-la no
instituto em que estudava, a fim de me despedir e
tirarmos uma fotografia juntos. Queria outra lembrança
dela, além daquelas marcadas na minha memória.
A pessoa que me atendeu na secretaria, quando disse que
estava querendo falar com Camille, perguntou:
- Camille Martins?
- Não sei. Ela é brasileira, estuda aqui...
- Um moment.[6]
A mulher saiu da sala, demorou alguns minutos e voltou
acompanhada de outra, que veio falar comigo.
- Ela foi me chamar porque eu falo português. O senhor
está procurando por Camille Martins?
- Acho que sim, eu não sei o sobrenome. Ela estuda moda
nesta escola.
- Só tínhamos uma menina brasileira chamada Camille
estudando aqui, mas ela morreu há uma semana. Foi
atropelada quando atravessou a rua depois de brigar com
o namorado.
O local onde aconteceu o acidente, segundo a mulher me
informou, foi justamente a esquina onde nos conhecemos.
[1] Olá! Qual é o seu nome?
[2] Camille. E o seu?
[3] Vamos conversar em português?
[4] Tipo de padaria francesa especializada em bolos e
doces.
[5] Muro do eu te amo.
[6] Um momento.
Mário Rezende
Texto registrado na Biblioteca Nacional: Registro
533.376 livro 1013 fl 494
|
|
Marisa Schmidt
Bertioga-SP
IN(VERSÃO)
No final, todas as guerras viram História
E ela cria heróis e vilões de oportunidade
As dores e as mortes tatuam na memória
Os rostos de filhos e de pais em saudade.
Nas brumas do tempo a verdade repousa
Quem vence a batalha, determina a versão
Os nomes dos vencidos são marcas na lousa
E os dos generais ornam as praças da nação
A vida seguindo em despreocupada ironia
Coloca crianças em brincadeiras na praça
Promovendo suas guerras de areia e fantasia
No banco os namorados dão um beijo sensual
Enquanto os pombos, na mais inocente chalaça,
Defecam sobre o bronzeado busto do general.
Marisa Schmid |
|
Nadir A D'Onófrio
Serra Negra SP
PENSAMENTOS DE INVERNO
O outono inspira!
Poetas respiram sua beleza...
E exalam versos coloridos
Tais folhas, que recobrem o chão
Hoje chega o inverno
Trará dias nublados!
Tardes com ventanias
Noites vazias de nós!
Eu e meus pensamentos...
Na varanda do antigo casarão
Que é testemunha dos momentos
Em que monólogo com a solidão...
Outras vezes, da esperança
Que invade meu ser!
Ao lembrar-me que, em setembro
Terei estação das flores e você
Junto a elas o perfume!
Borboletas multicores
Polinizaram as espécimes
Nós, por de trás da vidraça!
Na maciez aconchegante do ninho
... Fertilizaremos nossos momentos...
Nadir A D'Onófrio
21/06/2010*18:03h
Serra Negra/ |
|
Naida Terra
Osasco-Sp - Brasil
ENAMORADA
Meus pensamentos são teus,
como são as múltiplas formas de
encantos que surgem em meu sonhos...
Bailam para mim um festival de flores e,
cada uma delas tem seu cheiro adocicado...
Estou completamente enamorada,
perdida de amor e em silêncio profundo,
sinto a beleza da tarde que vivemos juntos,
maravilhosa e interminável...
Tudo está tão iluminado e tangível que tenho
vontade de gritar ao mundo loucamente
a cor da luz que vibrou naquele momento...
Não sei o que me arrasta para os teus braços,
mas minha alma aliviada se entrega, extasiada...
Enamorada de ti, apaixonada pela ternura,
pela cilada do teu olhar, um sonho
azul que me carrega, me cega...
Sei de você e sabes de mim, nossas vidas
foram entrelaçadas por um desenho mágico
que nunca se apagará, é eterno e nosso.
Contei as estrelas nossos segredos e,
entre risos e algumas lágrimas, o desfecho
de nossos sonhos, todos eles...
Inquietas, querem mais de nós dois...
Quem sabe um dia, uma outra tarde...
Naidaterra |
|
SEM A MALEDICÊNCIA
Naidaterra
Como seria bem mais bela a vida se a maledicência
fosse extinta da face da terra. Pessoas que não tem
condições de medir seu próprio valor, o fazem pelo
desvalor dos outros, pura ilusão, sensação
momentânea de poder e prazer pensando que
conseguiu roubar a luz nata do homem de bem...
A pessoa frustrada, não realizada em sí mesma tem a
tendência de falar mal dos outros, pobre criatura
por ela mesma sentenciada ao seu próprio abismo, sem
luz própria...
Para o espírito, a maledicência tem o mesmo efeito
das piores drogas, como a cocaína ou o vício da
bebida, provocando grandes buracos na sua aura que o
levará a destruição, caminhos da dor...
Todos somos estrelas, manter seu brilho ou melhorar
a intensidade dele, só depende da evolução de cada
um de nós, do nosso entendimento...
O amor, a humildade, a bondade e a compaixão já é um
largo passo para se manter este brilho...
É tão fácil, é so ter força de vontade e ser fiel
aos sentimentos bons, aqueles, que nos levam a
felicidade de se estar vivo...
Naidaterra |
Registre sua opinião no
Livro de Visitas:
|
|
| | | | |