Edição de Carlos Leite Ribeiro
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Apolo com as ninfas (o
banho de Apolo)
François
Girardon, entre 1666-75 |
MAGAZINE CEN
AGOSTO 2012
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Nancy Cobo
Rio de Janeiro - RJ
TE DESEJO
Te Desejo em todos os sentidos
quando deito e você não está ao meu lado
penso em tudo o que sentimos
e chego a sentir tuas mãos passeando
pelo meu corpo, sinto teu cheiro,
o gosto do teu beijo, nesse momento
pensando em você eu chego ao êxtase.
Quando você chega e me convida para tomar banho
a água começa a bater no meu corpo,
você vem passando levemente
o sabonete escorregando pelos meus seios
massageando meu ventre , quando enfim
chegando nas coxas, você suavemente
ao abri-las faz com que o doce mel seja bebido
e depois nesse banhar tudo acontece.
Te desejo
tu me realizas
nós nos amamos
Nancy Cobo |
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INTERNET UM BEM QUE FAZ O MAL
Nancy Cobo
A Internet é um bem que faz o mal, principalmente quando
se tem, deduções, interpretações erradas sobre o que se
escreve e quando por um lapso se coloca a virgula em
lugar errado... .
Ao escrever algo temos que ter certeza sobre aquilo que
está escrito.
Acusar alguém de falar mal, de apropriação de obras , de
poemas, é sério demais .
Utilizar de nomes de pessoas que falaram..., é pior
ainda.
Nunca devemos defender uma Bandeira acusando alguém.
Existem pessoas que esperam uma oportunidade dessa para
tomar as dores seja lá de quem ou do que, usam nome
falso prejudicando pessoas tanto do lado da que recebe ,
quanto do lado do nome de quem envia.
A Internet causa um mal danado quando tentam denegrir a
imagem de alguém, para isso temos que ter prova sem ela
precisamos tomar muito cuidado no que escrevemos e
soltamos no mundo.
A Internet faz um Bem danado mesmo através dessa telinha
nos permiti estar mais perto do amigo, por mais que esse
amigo esteja longe que todos os dias nos envia um Bom
Dia, uma Boa tarde e Boa Noite, Um Oi, nos dá uma
alegria imensa quando estamos um pouco ausente, e
recebemos um email de alguém se preocupando e sentindo a
nossa falta.
Ah! como a Internet é boa quando bem usada.
Ah! quantas pessoas voce já recebeu em seu email e se
tornaram GRANDES amigos , aqueles em que começamos a
chamar de irmão escolhido pelo coração. e pasme sem
mesmo ter tido a oportunidade de olhar nos olhos..;
Quantas pessoas do nada se tornaram as mais importantes
da nossa vida.
Porque Não usar a INTERNET assim, com amor, respeito,
carinho, admiração e acima de tudo com a consciência de
que as diferenças existem e devemos aprender a lidar com
elas.
Nunca se esqueçam que os dedos das mãos não são iguais ,
portanto o ser Humano não pensa igual.
Nancy Cobo |
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"NATO" Azevedo
Ananindeua, Pará - BRASIL
TRANSUBSTANCIAÇÃO
Tempo demais se passa acumulando
riquezas e um poder que nos oprime,
sem sequer ver que o pobre, ali vagando,
aguarda a caridade que redime.
E quando ao Mundo adeus nós formos dando
sem a nada levar... é quase um crime
não querer se doar, transubstanciando
a alheia dor em fé, gesto sublime.
Doemos nossos órgãos que a partida
vira canto de amor, belo estribilho
a dar alento à gente desvalida.
Darei à existência raro brilho
ao transformar meu "pó" em nova vida,
pois se doou -- inteiro ! -- o Deus-Filho.
"NATO" Azevedo
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O ETERNO COMBATE DOS
VENCIDOS
"NATO" Azevedo
No imenso vale a circundar o palácio um mar de corpos
jazia e, à distância, em muitos outros lugares e tempos
a batalha pela Vida continuava, surda e
persistentemente, pois os inimigos eram muitos,
desconhecidos e cruéis, naqueles bravos tempos.
Entre ondas sucessivas de corpos mutilados de todo tipo,
com trajes retintos de sangue e rostos crispados de dor,
o magnífico faraó caminhava impassível e o séquito de
extasiantes donzelas em alvíssimas vestes lhe cobria os
passos. À vista dele cessavam os gritos, os gemidos
apagavam-se nas gargantas e reacendia-se nos corações a
certeza de que só o Filho do Sol, que apenas o imortal
Pshalou I poderia restituir a saúde a todos. Ali, no
vale dos (semi)mortos, bastava um olhar da divina figura
e muitos se veriam curados, sãos para toda vida, vivos,
enfim.
E o imponente soberano, rosto granítico, olhar comedido
a vasculhar a amplidão, vislumbrou ao longe o que
procurava: seu jogral, alento de suas noites de insônia,
remédio único para sua melancolia, néctar suave para seu
coração amargurado.
-- "Salve-me, Senhor, minha Arte é vossa vida"!,
implorou o poeta real com os olhos, os braços estendidos
em muda súplica.
A um breve aceno do Faraó as jovens conduziram Rayon
para o templo de Osíris, cujo altar de gélido mármore se
transformara em tábua de salvação para alguns ou porta
de entrada para o reino das sombras.
De costas para o céu, rigidamente amarrado e amordaçado,
os esculápios do reino extirpam dele o que não pode mais
ser salvo... a serra rudimentar a fazer o serviço, com o
sangue incontível inundando tudo.
Em poucos minutos finda a operação e o majestoso
monarca, que a assistira com indisfarçável apreensão,
não consegue reter as lágrimas.
-- "Oh, Amon-Rá, eu vi: o Faraó chorou... por mim! Êle
chorou por mim"!
Rayon não poderia estar mais feliz. Recebera, a um só
tempo, a dádiva da vida e de prémio a amizade e a
admiração de Pshalou I, sagradas pérolas em forma de
lágrimas.
Lá fora, mutilados de todo tipo sustentavam (ainda) o
eterno combate dos vencidos da Vida, aferrados
tão-somente à esperança de salvação.
"NATO" AZEVEDO
Este conto é uma singela homenagem a todos os que têm
por função/profissão lutar contra a Morte salvando
vidas.
(Publicado no jornal DIÁRIO DO PARÁ, de Belém/BRASIL, em
4 de abril de 1991.) |
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Nídia Vargas Potsch
Rio de Janeiro - Brasil
ESTILHAÇOS...
Quando um vidro se quebra
ficam cacos espalhados pra todo lado.
Varremos os visíveis, mas inesperadamente,
num canto qualquer, tempos depois,
aparece mais um caquinho...
O mesmo se dá com um coração partido.
Partido ficam os sentimentos, as emoções
e tempos depois... ainda existem cacos
espalhados que nem atinávamos existir...
Mas, neste caso, são cacos invisíveis,
que ferem muito fundo,
muito fundo vão pinicando a alma,
amargurando o coração
e este faz promessas que não cumpre
como nunca mais vir a amar...
Mas, coração, com seu desejo puro e simples
continua a amar... antevendo toda descarga
de adrenalina liberada ao sentir
a presença do outro ou apenas
uma fugidia lembrança cutucando a mente...
Ah! Coração, ladino à sua maneira!
Não importa a quem escolheu
e sim a euforia do estado amante...
E nós à mercê das inusitadas situações criadas,
não sabemos se rimos ou choramos...
Afinal os estilhaços nos pegam à revelia!
@Mensageir@
Rio, 20/08/2012
Carinhosamente,
Nidia.
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Odenir Ferro
Rio Claro, Estado de São Paulo, Brasil
PAZ MUNDIAL
A paz é um enorme vulcão,
Que me implode ao ir, no além de mim,
Levando os ódios todos pelo rumo afora
A caminhar silente no infinitivo deserto
Que se desponta na áspera incerteza do todo!
A paz condensa em si, existências de segmentos
Que de tão certos e providenciais que são,
E de tão densamente humanos que são,
Tornam-se intraduzíveis em palavras
Para poder descrever-lhes na pureza
Das belezas, singelidades,
E plasticidade poética
No além do emocional.
Enfim, esse vulcão vibracional,
É pura concordância especial!
Homogênea a um doce e intenso
Momento de expressivo amor uno ao todo.
Onde este todo é a incansável busca
Do ir ao encontro da pureza
Existente no Afflatus
De Deus!
E neste inspiracional emotivo, intuitivo,
Julguei que em paz, estivesse...
Quando para as minhas mãos olhei,
Vi que estavam elas, guarnecidas
Com um par de luvas; e feridas
Vivas, no meu peito senti! Pensei:
"Se em paz estou, esta paz entristece
A natureza morta, que em mim sobrevive."
Pois o couro que me embeleza, me guarnece,
É pele igual à de muitas outras vidas
Que em abatedouros, tanto perecem...
Odenir
Ferro |
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Texto Poético:
QUEM DIVIDE, SOMA E AMA!
Odenir
Ferro
Muitas vezes eu gosto de ficar olhando para uma
janela, ou seja, admirar a composição arquitetonica
de uma janela.
E então, assim me disponho a pensar, refletindo
sobre muitas nuanças que a vida nos impõe, ou nos
apresenta.
Fico a contemplar uma janela e então começo a
perceber que uma janela não é somente uma separação
de ambientes internos e externos de uma casa,
fazendo com que a mesma continue tendo uma coligação
com o ambiente externo que a cerca, através duma
janela.
Sim! Uma janela separa, divide ou até unifica
mundos.
Eu me refiro a pessoas, mundos, universos
diferentes. E quando olho para uma janela, muitas
vezes, numa associação de ideias, eu a associo aos
nossos olhos.
Nossos olhos são, como se fossem janelas.
Percebo que no Computador, tudo também se abre
através de janelas. Link que não deixam de serem
portanto, janelas.
Mas, querendo aprofundar um pouco mais, uma janela
divisa casas de outras casas, em outras casas que
moram gentes, pessoas, que nós costumamos a chamar
de vizinhos.
Os Seres Humanos nasceram para viverem agregados uns
aos outros, mesmo que simbolicamente até, existam as
separações, as cercas, as divisas, as divisões...
Embora hajam, as janelas!
Mamíferos que somos, somos uns ávidos curiosos.
Nas janelas de nossas casas, existem as frestas...
Dizemos corriqueiramente que é para ventilar. Mas as
frestas servem, e muito, para espiar, para comparar,
para se exibir, para confrontarmos atitudes e
comportamentos, com o nosso próximo.
Assim também se dá, com os nossos olhos, muitas
vezes, através dos nossos olhares!
As janelas são apenas um prolongamento dos nossos
estilos de vida. Nós vivemos nos espelhando nas
atitudes do nosso próximo, muito embora temos uma
tendência a reprovarmos o que vem do nosso próximo.
Nós, seres humanos que somos, na nossa grande
maioria, somos uns curiosos natos.
Se torna muito gostoso, ás vezes, espiarmos pelas
frestas das janelas e até bisbilhotarmos a
intimidade do nosso próximo.
E agora, nessa Era Globalizada em que vivemos,
conectados a cameras, filmadoras, fios invisíveis,
celulares que fotografam, fica tudo cada vez mais
difícil de criarmos nossos oásis de privacidade.
Nessa nova realidade que o mundo virtual da Era
Globalizada a nós nos impõe como condições e estilo
de vida, ou melhor, praticamente como uma obsessiva
condição de vida, vamos quase que inconscientes,
criando, gerando, e nos adaptando aos nossos novos
estilos, cada vez mais ávidos e envoltos nas
pequenas sutilezas das ações subjetivas, no tocante
mundo virtual em relação ao tópico que agora exponho
em questão: -Privacidade!
Janelas, divisas, olhos, privacidade!
A cada dia fica mais difícil vivermos dentro das
razões introspectivas da nossa própria
individualidade.
Eu sou como um caracol! Sou como um avestruz! (Às
vezes! Mas, muitas e outras tantas e tantas vezes,
não!) Eu confesso que adoro enfiar minha cabeça pra
dentro de mim mesmo e sondar, sondar, rondar a minha
volta, observar, aprovar, repudiar, enfim,
administrar o meu universo interior. Sempre,
constantemente faço isso!
Sinto que sou um desconhecido de mim mesmo, e quanto
mais eu procuro me achar, mais eu me perco e quanto
mais eu me perco muito mais eu me acho, quando então
eu me disponho a doar-me, a dividir-me, a
repartir-me...
Então, nesse estado de viver, dessa forma, eu me
acho próximo do meu próximo, compartilhando coisas,
experiências, somando vidas, sentimentos, dores,
amores, decepções, enfim, tudo o que for possível. E
creio que tudo é possível compartilhar...
Eu procuro me dividir muito, em muitos eus, me
dividindo como posso ou puder, da forma que posso ou
puder, ou quiser, pois eu Amo a Humanidade! ´E assim
que eu me sinto Humano, é dessa forma que eu me
sinto vivo, habitante desse nosso Querido Planeta
Terra!
Procuro muito me doar, me dividir, compartilhar,
principalmente dentro da Arte de Escrever! Escrever
é Amar! Escrever é Dividir-se! Escrever é Somar!
E quem divide, soma e Ama!
Odenir
Ferro |
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Olympio da Cruz Simões Coutinho
Belo Horizonte (MG) - Brasil
CA(OE)RÊNCIA
Quando alguém chegar perto de você
e lhe pedir um abraço
não pense que ele sofre de carências afetivas
ou coisas semelhantes.
Os carentes,
geralmente,
não abraçam ninguém.
Se isolam em mesas de bares,
percorrem as ruas,
se encostam nas esquinas da vida
e se compensam em noites infernais.
Olympio da Cruz Simões
Coutinho |
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QUANDO ÉRAMOS CRIANÇAS...
Olympio da Cruz Simões
Coutinho
Do meu tempo de criança não há nada que tenha ficado
mais gravado na minha memória que as viagens que meu
pai fazia aos grotões da Zona da Mata Mineira para
vender adubo. No seu Ford 28, ele se aventurava por
estradas poeirentas e esburacadas para visitar seus
clientes e ganhar a comissão que sustentava uma
família de 11 filhos.
Era uma alegria quando a gente o ouvia dizer a
mamãe: “Vou levar os meninos. Preciso deles pra
abrir porteira!”. Ficávamos ouriçados e tratávamos
logo de arrumar a gaiola que aprisionava um
canarinho da terra – o “chama” – e pelo menos dois
alçapões. A vara de pescar também fazia parte de
nossa “bagagem”, bem como casacos mais grossos – a
gente nunca sabia o que podia acontecer...
Na noite anterior, a gente mal dormia, sonhando com
a roça... a roça com cheiro de capim e bosta de boi
e vaca, a roça das plantações e das frutas no pé,
dos regatos, do verde mato e dos passarinhos – dos
tizius, das rolinhas e dos sanhaços. A roça dos
canarinhos da terra, pardos e amarelinhos, nosso
objeto de desejo naqueles tempos em que desejo era
apenas vontade de viver.
De manhã bem cedo, lá estávamos nós prontos para a
grande aventura. Mamãe nos entregava uma trouxinha
toda xadrezada e com nó no alto cheia de coisas
“para comer no caminho”. Era doce ver o carinho da
mamãe...
“Vai com Deus, marido! Meninos, tomem cuidado!”.
Assim ela resumia todas suas preocupações, que,
acredito, eram várias.
Não foram poucas as vezes em que a chuva e a lama
das estradas impediram a nossa volta e ficávamos
abrigados em um sítio dias e noites seguidas
esperando o tempo melhorar e a estrada dar passagem
para o Fordinho. Isso naqueles tempos em que não
havia telefonia rural e o jeito era confiar em Deus
– e, graças a Deus, mamãe confiava.
Quando o tempo demorava a melhorar, havia sempre a
alma boa do sitiante hospedeiro, que, vendo a
preocupação de papai, chamava um homem e o mandava a
Ubá para avisar mamãe:“Seu marido tá bem e os
meninos também!”. Para mamãe era Deus que chegava a
cavalo.
Na volta, quando muitas vezes há tristeza e
arrependimento, nada disso havia. O que havia era a
mesma alegria da ida e a saudade das coisas vividas
na roça. A roupa suja de poeira ou lama, os sapatos
sujos de barro e a gaiola cheia de canarinhos da
terra eram os nossos troféus, as provas da nossa
grande aventura, que haveríamos de contar aos
amiguinhos com os exageros próprios das crianças...
que um dia fomos.
Olympio da Cruz Simões
Coutinho |
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