Edição de Carlos Leite Ribeiro
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Apolo
coroado por Vitoria |
MAGAZINE CEN
AGOSTO 2012
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Pinhal Dias
Amora / Portugal
BURRO-PRIMO CONFESSA SEU DESCONTENTAMENTO
Burro-primo confessa-se ao Visconde Dom Mi-Burro, num
campo de pasto, já sem pasto, por curiosidade lhe pede
uma audiência informativa, de como manter o seu gasto,
por um novo pasto, pois o seu cartão que é de plástico e
já gasto na escassez do seu pasto…
Visconde Dom Mi-burro: - Estou vendo que andas muito
sentido meu Burro-primo com a falta do nosso pasto, tudo
isto se deve à burrice do Relvas-Burro que nos devorou a
nossa relva, em campos de pasto! … E o feno vai por água
abaixo!
Esse brincou e abusou, mas “Cá Estamos Nós” para lhe dar
coices e temos que fazer valer a nossa «lei-do-coice»
Meu Burro-primo vamos agendar um referendo e levar a
efeito p’la nossa Universidade da Burrice, sediada em
Cacilhas; sobre o pretexto de não considerarem mais
burros licenciados com quatro ferraduras de relevo na
Universidade Lusófona da Burrice. Queremos burros sim: -
mais sinceros e honestos, mantendo os seus subsídios de
pasto e não ver outros burros “Abonados pelo Ministério
da Burrice” que zurram por mais cortes…
Visconde Dom Mi-Burro determina e manda publicar, brinca
sem abusar! Somos unidos a zurrar! …
Lahnip |
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Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí – S. Paulo
AMOR MEU...
Ah! Tu me buscavas e a ti eu procurava
Na ânsia de poder estar contigo
Mas a noite escura aos poucos me assustava
Na oração fui então buscar abrigo
Teu choro chegava a mim como tristeza
Transmitindo teu estado de aflição
Meu coração reconhecia a estranheza
De tua dolorosa solidão
Cativa-me a sensibilidade
Expressa nos teus versos solitários
Reconhecia neles a docilidade
Soando como contas de um rosário
Ah! Destino caprichoso
Conspira nosso encontro casual
Interessante, inesquecível e ditoso
Como nunca houve outro igual
Transforma-te em foco precioso
De meu eterno zelo a te cercar
Meu coração que é sempre amoroso
Busca silencioso te encontrar
Agrada-me tua sinceridade
Teu modo despojado de só ser
E fico embriagada de saudade
Enquanto tento em vão sobreviver
Assim, te aguardo ansiosa
Guardando tua imagem na memória
E arrisco seja em verso ou em prosa
Escrever, qualquer dia, nossa história...
Priscila de Loureiro Coelho |
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CICLOS SE FECHAM,
OUTROS SE ABREM...
Priscila de
Loureiro Coelho
Mudanças, apegos e desapegos... Tantos e tantos fazem
parte de nossa vida. Lições que nos são caras, embora
dolorosas. Quando fechamos um ciclo e iniciamos outro,
nem sempre conseguimos captar a dimensão maior deste
momento e assim, nos deixamos ir, um tanto relutantes,
como que perdidos, sem ter convicção do caminho que
vamos seguir. Porém, dentro de nós, no secreto de nossa
alma, lá, onde habita a centelha de Luz, há um suave
movimento, ainda que no sofrimento tenhamos dúvidas que
tal aconteça.
Então, este leve trepidar nos faz sentir a vida aquecer
o frio que incomoda nosso coração. É sem dúvida a reação
de nossa energia. Trêmula, tímida, mas ainda assim,
existente. E esse fiozinho de luz, esta réstia de brilho
que se nos escapa, é responsável por nossa determinação
de prosseguir; por nossa teimosia, que em meio à agonia
se precipita e nos faz chorar.
Não um choro de desespero, mas de confiança, de humilde
solicitação, de entrega e finalmente, de alívio! Essa
energia criadora que pulsa dentro de nós é a força que
irá nos conduzir aos novos caminhos, novas experiências
e acredito, ao nosso destino. Vamos explorando nossa
jornada da melhor forma que podemos, com o melhor que
conseguimos captar e decodificar, o que encontramos pelo
caminho.
Não há porque temer a mudança, nem cabe aqui desgaste
nos momentos das escolhas de novos rumos. Mas podemos
pressentir o receio nos rondando de mansinho, pronto a
nos arrebatar na primeira oportunidade. Um embate
repleto de silêncios, um quase alvoroço sutil e
intermitente, a nos afligir.
Interessante nossa conduta frente ao que desconhecemos.
Talvez, tenhamos mais receio de mudarmos do que de
aceitar a própria mudança que a vida nos impinge. Há de
brilhar algo especial, pois a alma tem luz própria e
certamente reluzirá, iluminando os trechos mais escuros
e oferecendo pistas para novos horizontes.
Acredito que não estamos sós. O Criador, embevecido com
sua criação, envia anjos para nos acompanhar. Por certo
na intenção de facilitar nossa senda e acelerar nossa
evolução.
Priscila de Loureiro Coelho |
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Raymundo de
Salles Brasil
Salvador-BA.
UMA MARMELADA QUE DEU ZEBRA
Plácido Bandeira, ao lado de ser um cavalheiro, cidadão
muito querido e muito conceituado na sociedade, era um
homem muito forte e bem treinado nas artes marciais. Era
um verdadeiro atleta. Íldon Rocha – um trabalhador –
igualmente bem quisto e respeitado, jamais frequentara
uma academia. Mas era um homenzarrão que possuía, sem
dúvida, uma força descomunal. Dizem até – e isto fica
por conta do folclore – que certa vez um burro tento
dar-lhe um coice e ele, segurando-lhe a pata, bradara
enfurecido: “Você pode
ter mais do que eu inteligência, mas força não.”Íldon
Rocha era, normalmente, uma moça no trato, mas zangado,
era uma fera.
Plácido e Íldon eram amigos e viviam, em Santo Amaro,
uma vida pacata e ordeira. Na década de 40, houve um ano
de poucos recursos financeiros na tesouraria de uma
daquelas comissões encarregadas dos festejos de
determinado Santo idolatrado pela grande maioria da
população santo-amarense. Na proximidade do dia
comemorativo, a comissão, preocupada, reuniu-se para
buscar uma solução, uma maneira de angariar recursos,
para não pôr em risco o brilho da festa. Conversa vai,
conversa vem, cada um dava a sua ideia; umas pouco
brilhantes, eram logo desconsideradas, outras
estapafúrdias e inexequíveis.
Entre estas, no entanto, uma foi considerada passível de
análise. A genial ideia foi a seguinte: “Vamos realizar
uma luta livre no Cine Teatro Santo Amaro.”
Aparentemente nada de estapafúrdio, nem de inexequível.
Porém o dono da brilhante ideia não tinha, em mente,
sequer, os nomes dos lutadores, o que derramou um balde
de água fria
sobre aqueles que se animaram. Mas outra ideia logo
surgiu – a comissão era repleta de luminares – um nome
foi aventado – Plácido Bandeira! E todos eufóricos,
quase que unânimes exclamaram – Plácido Bandeira! Estava
definitivamente, solucionado o problema. E quando já
começavam a delinear os planos para a luta, um deles,
menos empolgado, dissera calmamente: – quem será o
desafiado? Outro balde de água fria e a comissão
retornou às reflexões, até que um dos luminares daquela
plêiade lembrou-se do nome do pacato Íldon Rocha, que
jamais se imaginara lutando, a menos que lhe dessem um
coice.
Apesar de alguns contra argumentarem que seria uma luta
desigual, considerando que Plácido era um lutador
treinado nas artes marciais e Íldon era apenas uma força
bruta, a
sugestão foi eleita pela maioria e tratou-se logo de
nomear uma subcomissão com a incumbência de levar o
convite – ou intimação – aos supostos contendores.
Plácido a princípio relutou por não ter um adversário à
sua altura, “ mas se Íldon concordar” – dissera ele –
“faremos apenas uma demonstração, até porque , nós somos
bons amigos e Íldon não é um lutador e quando o
adversário não tem técnica , quanto maior for, melhor
será a queda”. Dissera já em tom de superioridade. Íldon,
consciente de que jamais poderia lutar de igual para
igual, com um profissional, recusou-se de inicio, ao que
ele denominou de uma palhaçada. Entretanto, convencido
pela hábil comissão de que a luta seria um faz de conta,
uma simples demonstração e que não haveria vencedor,
aquiesceu desejando colaborar para uma causa que ele,
também, considerara nobre.
A subcomissão, exultante, correra para uma reunião,
previamente marcada, onde relatara o êxito de sua
incumbência. O trabalho agora seria a propagação da
grande peleja.
No entanto isto foi feito com muita competência e, logo,
a cidade se encheu de panfletos e anúncios, o que gerara
– pelo inusitado evento – o assunto principal nas
esquinas, nos bares, no Jardim dos Casados, no adro da
Igreja, nos lares, enfim, em toda a cidade. Chegado o
dia da grande luta obviamente que o Cine Teatro Santo
Amaro estava repleto, mais do que repleto, superlotado:
Pessoas se amontoavam no corredor do centro, nos espaços
laterais entre a parede e as cadeiras e ao fundo uma
multidão se aglomerava para ver a chegada dos
gladiadores na arena. Ao soar de um pequeno sino -
daqueles que, na época, eram usados para anunciar a hora
das refeições - trazido por um luminar daquela plêiade,
o momento tão esperado aconteceu com a entrada, no
ringue, de Plácido Bandeira e , concomitantemente , os
aplausos da turba ávida por sangue. Logo em seguida, a
entrada pálida de Íldon Rocha: todo acanhado, totalmente
sem jeito, palmas quase nenhuma. Plácido, de braços
erguidos, já se sentindo um vitorioso, incitava a
multidão a mais aplausos.
Ao novo soar do sino, começara a luta e, à primeira
investida, uma queda, uma segunda investida e uma queda
maior; e assim, de queda em queda, foram-se incitando a
vaidade de Plácido e a fúria de Íldon que, em
determinado momento, com o sangue a quase brotar- lhe
pelos poros e a boca espumarosa de raiva, num vacilo de
seu antagonista, conseguiu abraçar-lhe o pescoço com as
suas duas mãos poderosas; e convicto de sua força
descomunal, bradara para que toda plateia ouvisse: Saia
daqui, agora, filho da puta!
Foi um Deus nos acuda: o juiz – que fora escolhido
porque estava acostumado a apitar os clássicos entre
Botafogo e Ideal no Campo do Riachuelo – apavorado,
vendo Plácido já com a língua um palmo fora da boca,
suplicava, de joelhos, o socorro da plateia, que, a
muita força, conseguira separar, o pescoço do atleta
treinado nas artes marciais, das mãos poderosas e
enraivecidas da força bruta.
Raymundo de
Salles Brasil
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Regina Bertoccelli
Brasil
MEU VELHO PIANO
Sobre meu piano um metrônomo insiste
em marcar um andamento,
mas meus dedos cansados e envelhecidos,
não conseguem mais a virtuosidade de outrora
As teclas de marfim guardam notas perdidas
de uma partitura esquecida, envelhecida...
Perdi os sons vibrantes,
os acordes marcantes...
Resta-me a docilidade infantil de apenas
brincar sobre o teclado
já amarelado pelo tempo
Notas desafinadas repercutem na sala vazia,
entre fusas e semifusas destoantes
O brilho envernizado de meu velho piano,
reflete meu semblante triste e saudoso
Sem desistir, insisto em reviver os sons
do passado, mesmo pressentindo
que não os trarei de volta
Vencida pelas tentativas vãs, meus dedos
se recolhem diante de minha
fragilidade e comoção
E calo abruptamente as teclas
Fecho meu piano, recolho os fragmentos
de minh'alma entristecida e vencida
Quem sabe amanhã, ou depois,
o tempo me devolva a agilidade perdida
Quem sabe...
Regina Bertoccelli |
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Rita Rocha
Santo Antônio de Pádua RJ BR
AUSÊNCIA
É a saudade doendo no peito
Pela carência do amor ausente
Um sonho que foi desfeito
E a mágoa que a gente sente.
No choro que brota de qualquer jeito
Entristecendo a alma da gente
E o coração vai vivendo contrafeito
Vive de saudade... deprimente.
Nada na vida fica direito
É contínua a dor silente
Ninguém nota a dor no peito
Mas ela está presente.
E seguindo vida afora... afeito
Cheia de recordações dolentes
Ainda há um sorriso perfeito
Pra quem nos olha sorridente.
Rita Rocha |
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