Edição de Carlos Leite Ribeiro
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Apolo |
MAGAZINE CEN
AGOSTO 2012
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Anna Paes
Brasilia - Brasil
CERTEZAS
Alma minha, vagará
triste e confusa
Voará entre as nuvens
Ou se cobrirá de
saudade?
A despedida se dará a
tarde?
Levarás as flores e os
perfumes
dos jardins cultivados?
Sem abraços tardios,
romperemos
Carne - essência.
Com certeza a matéria
em pó se esvanecerá!
Só um grito ecoará entre
as nuvens:
- Liberdade!
Alma minha, só tu
resitirás ao tempo
Ao eterno clique do Pai
Indo e vindo entre
matérias
Estrelando em outro
palco,
Alma minha,
roupagem diversa te
cobrirá!
E, nos palcos d'outra
era - estrelarás!
Anna Paes
18/02/2012
Brasilia - DF 12h58 |
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Ariovaldo Cavarzan
Campinas (SP) Brasil
LENDA DO AMOR, DO ÓDIO E DA DOR
Conta-se que nos primórdios da construção das palavras,
ocupou-se o artesão em separar apenas seis letras, para
com elas representar os extremos dos humanos
sentimentos: o Amor e o ódio.
Ao concebê-las assim, paradoxais e incompatíveis, cuidou
de acomodar em ambas uma mesma e única letra, a fim de
que, para todo o sempre restassem entrelaçadas, conforme
a gênese que inspirou suas criações.
A partir de então, o Amor passou a pairar acima do ódio,
deixando-se exaurir através da única letra igual entre
ambos, feito gotejar de lágrimas, a escorrer ao encontro
do chão.
Com o passar do tempo, tornou-se inevitável conceber
outra palavra, para representar a filha dileta dessa
co-relação: a dor.
Dedicou-se então o artesão a ajustar nova estrutura
entre elas, passando a monossílaba dor, por mais leve, a
equilibrar-se de cima para baixo, apoiando-se na última
casa do Amor, enquanto a pesada ódio a seguir cadente da
penúltima, a fim de render-se à evidência de que,
atuando por sobre ela e o Amor, passaria a existir para
todo o sempre a dor.
Firmou-se assim a grande e eterna lição:
Enquanto a dor se equilibra no Amor
e nele se faz apoiar,
o ódio dele se faz derramar,
intentando fazê-lo findar.
Ariovaldo Cavarzan |
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PIPAS NA
PAREDE
Ariovaldo Cavarzan
Eram de diversos tamanhos e variados matizes de verde,
azul, amarelo e vermelho, farfalhando ao sopro da brisa
fresca da manhã, penduradas em pequenos pregos fincados
na parede, ao lado do espelho.
Eram rabiós, ou com longas caudas e rabichos laterais,
para maior equilíbrio, quando içadas ao céu.
As etapas de criação iam do recorte do papel manteiga,
ao afilamento das varetas de bambu e sua fixação, com
pedacinhos de papel untados em cola de farinha, eis que
quase nunca se podia contar com a goma arábica
essencial.
A arte mais importante consistia em vergar no ângulo
certo a vareta do meio, de forma que pudesse ficar um
pouco arqueada, depois que a pipa estivesse toda colada,
efeito que se conseguia com um discreto enrolar da linha
nas extremidades da vareta, no exato ponto onde já se
achava amarrada, ensejando a que, com suavidade e
elegância, a pipa pudesse ser empinada.
Era com a maior alegria que se aguardava o dia seguinte,
a ser vivenciado entre meninos de pés descalços, calças
puídas e bufantes, sustidas em suspensórios que se
cruzavam nas costas, no melhor estilo pinto calçudo.
A simples contemplação das pipas, na parede da casa,
constituía ingrediente infalível ao bom sono da noite,
povoado de sonhos que enfeitavam o amanhã.
Outra criação encantada era a maquininha, espécie de
carretel esculpido em tabuinhas de madeira, encaixadas
em forma de cruz e trespassadas por grosso arame a lhes
servir de manivela, tudo apoiado em pequenas ripas de
madeira, dispostas em sustentações laterais e em base
retangular.
A linha dez ainda não conhecia a maldade do cerol e o
dia seguinte já se prenunciava com nova e inesquecível
competição, após o café preto e a fatia de pão, para ver
quem empinava mais alto a pipa, façanha às vezes somente
atestada pelo teor da umidade trazida de volta por
aquelas recolhidas de seus passeios às cercanias das
nuvens, eis que tinham por limite apenas o céu.
Vez ou outra, a barriga da pipa era o destino de
bilhetinhos, que subiam saracoteantes pela linha,
levando registros de sonhos de meninos.
Sempre que pendurava pipas na parede da casa, o filho do
Patriarca fazia transcender sua imagem, de caprichoso
artesão e pai amoroso de filhos do seu coração, a quem
ensinava segredos de pipas, linhas, bilhetinhos,
maquininhas e colas de farinha.
Importante era não deixar a pipa dar cabeçadas, pegar
carona em ventanias, forçar muito para cima, inclinar-se
para baixo, perder altitude, ou mesmo projetar-se, em
parafuso, de encontro ao chão.
A linha tinha que ser presa a um ponto certo da barriga,
um pouquinho acima do meio, feito situações de lida que
nos fazem equilibrar entre o partir e o ficar.
Do chão do terreiro, era solta ou recolhida a linha
mensageira, em tenteios manuais e manobras de
carretilha, movida a manivela de arame.
Às vezes, rompia-se a linha, levando consigo sonhos e
trabalho de quase uma noite inteira, umedecidos em
lágrimas de meninos que já se ajustavam a choros de
futuros sonhos de vida, sonhados na contemplação de
paredes de muitos pregos, fincados para pendurar Volpis,
Henrys, Aldemires e Ínos.
Mas quadros não são pipas e não farfalham ao sopro da
brisa fresca das manhãs.
Ariovaldo Cavarzan |
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Augusta
Schimidt Campinas/SP Em busca da emoção
Natureza... Inspiração... Cheiro de mato no ar Passa o vento ligeiro Derrubando em seu roteiro Flores pelo chão
E as folhas rodopiando Algumas feito pião Formam tapetes orvalhados Servindo de passarela Para aquelas que seguem em giro Tal qual uma bailarina Solta, sutil Dançando em busca da emoção.
Augusta
Schimidt |
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Aurea Abensur
(Orinho)
NATUREZA
Natureza,
paraíso dos pássaros
dos poetas, dos pintores
e dos filósofos
Como gosto
de sentar-me num galho
solto, esgalhado
seja de árvore
ou de pele em vida
e apenas sentindo-me assim
nua, escancarada pra vida
sonhar e sonhar
com os pensamentos arregalados
sentindo o dia esmaecer
e poder através do vento
cheinho de magia mandar-te dizer
que te amo e tu sabes desde quando
Salvador, no tempo...
Aurea Abensur |
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Carlos Costa
O CHORO TRISTE DA FLORESTA AMAZÔNICA!
Horas há em que a Floresta Amazônica chora, inundando os
Rios Negro e Solimões que, sem pedir licença, invadem as
ruas das cidades. É um protesto silencioso, um pedido de
socorro talvez, só para ver se alguém escuta o soluço
copioso brotando das entranhas da floresta saindo das
raízes e das copas de suas árvores, em forma de fumaça
também. Se nada for feito para socorrer seu lamento
triste, estará próximo seu desaparecimento e será
horrível para seus habitantes. Horas há que ao contrário de chorar copiosamente, manda
o sol inclemente sugar suas lágrimas, deixando à mostra
apenas uma terra nua e seca, por onde antes deslizavam
suavemente os frondosos leitos dos Rios Negro e
Solimões, como pedindo socorro contra os incautos e
gananciosos exploradores, irresponsáveis e insensíveis
também! Ah, minha floresta, o que estão fazendo com você?
Poderiam muito bem explorá-la em suas riquezas sem
destruí-la em sua pujança de biodiversidade mas, ao
contrário, preferem destruí-la para depois chorar sobre
“leite de seu látex derramado” ou “sobre o roubo
realizado” desde o século XIX quando um “botânico”
passou por aqui, entrou em suas entranhas e roubou de
suas mães, suas filhas, as sementes de seringueiras e as
deu de presente ao Rei da Inglaterra, que mandou
plantá-las na Malásia e tornou um caos a economia do
Amazonas! Ah, minha floresta, tão subtraída, tão desprezada, tão
maltratada, embora como uma mãe zelosa, sempre acolhe a
todos que lhe desejam conhecer e conhecendo-a,
exploram-na de forma criminosa, irracional e também
irresponsável! Como sangue de cores do pau-rosa em toras
levado para a França para fixar perfumes e cores negras
de suas queimadas, as lágrimas da floresta parecem que
são invisíveis aos administradores públicos. Ah, minha floresta! As outroras águas preocupantes que
banham as cidades causando preocupações, estados de
calamidade pública e muito dinheiro gasto para a limpeza
do lixo deixado pelos homens, ou quando a floresta chora
ou também quando secam devido ao sol enxugar suas
lágrimas pela parceria da floresta com o Rei, é apenas o
resultado de sua progressiva destruição lento,
gradativa, mas de forma constante. Quando as águas dos Rios Negro e Solimões despejaram
suas revoltas impiedosas nas cidades do interior e
depois secarem completamente e só deixando aparecer os
dentes de peixe em suas terras nuas e as vértebras e
esqueletos que nos alimentava com fatura mas que agora
são jogados no lixo todo o excedente, foi apenas a forma
de protestar que a Floresta Amazônica encontrou, se
defendendo das agressões que vem sofrendo, com muito
lixo jogado em suas veias que não transportam vida;
apenas, morte em forma de lixo, muito lixo, mas parece
que ninguém entende o seu pedido de ajuda desesperado.
Ah, quem escutará um dia minha floresta amazônica em seu
canto triste e penoso, sem ser um canto belo de sereia,
que encanta os náufragos? Não sei! Não sei! Ah, minha floresta, até quando....?
Meu Blog:
http://carloscostajornalismo.blogspot.com/
Carlos Costa |
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