Edição de Carlos Leite Ribeiro
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Festejos
dos Deuses
Tiziano
Vecelli
Renascentista italiano, pintor e desenhista
1488 - 1576 |
MAGAZINE CEN
AGOSTO 2012
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Adélia Einsfeldt Porto Alegre RS - Brasil
Instante Abarco o horizonte em lonjuras disperso pensamentos em versos lentos no instante tempo dobras do vento.
Adélia Einsfeldt
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Alceu Sebastião Costa
São Paulo
O POETA, A ÉTICA E O FINGIMENTO
Finjo que sou fingidor,
Como o falso poeta
Se faz arauto do amor.
Assim, até oculto a dor
Do cotidiano, da vida,
Qual máscara colorida.
Fazer poesia fingida,
Por mero fingimento frio,
Me fere, me constrange,
Pois, da ética, ao arrepio.
Se me chamam poeta,
Apenas fingindo louvor,
É aval que me atesta
Ser poeta e fingidor.
Se, por conta do original,
Eu já nasci em pecado
E, do amor, fui perdoado,
Por fingimento culposo,
Como seria eu onerado?
Fingir que sou fingidor,
Confesso, não me afeta,
Só quero manter “in albis”
A minh`alma de poeta.
Alceu Sebastião Costa |
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Alice Tomé
Guarda - Portugal
ESCOLA INTER-MULTICULTURAL...
1.
Hoje,
No meu primeiro dia de aulas
Ao entrar na nova escola
No portão encontrei
Um cartaz que dizia:
Escola Inter-multicultural
Educar para a igualdade.
Bem vindo sejas
A este teu espaço
Nada igual ao que já conheces
Aqui somos todos diferentes
Todos iguais...
2.
As letras eram tão gordas
E tão coloridas
Que saltavam
À nossa vista.
Aquele grande palavrão
Chilreava nos meus ouvidos.
Inter-multicultural...Inter...
Que quereria aquilo dizer?!
3.
No pátio da escola
Ouve-se uma algazarra:
O Charles chama o Michel
O Nut o Yin
O Yann o Samuel
A Pilar a Marie
Era uma confusão
De línguas cruzadas
Pareciam sinos a repicar
Lembrando uma alvorada!
4.
Ao entrar no pátio
Ouvi saudações:
Bonjour
Buenos Dias
Good Moning.
Fiquei ainda mais baralhado
E pensei
Mas eu não falo assim
Em minha casa diz-se
Bom dia...
5.
Lembrei-me então do cartaz
Escola Inter-multicultural
Cogitei na mente
Olhei à minha volta
E ninguém parecia compreender-me
Todos falavam outras línguas
Que eu não entendia
Ah! Pensei...
Deve ser isto, o Inter-multicultural.
6.
Rodopiava de um lugar para outro
Quando apareceu o Professor
Que para não falar
Aula de desporto quis dar
Era só seguir o gesto
E o corpo faria o resto.
A aula havia de terminar
Apenas com um au revoir.
Se baralhado já estava
Mais haveria de ficar.
7.
Ao chegar a casa
Parecia uma grafonola a rodar
Não sabia nem por onde começar
Cala-te, diz a mãe
Que estás p’ra aí a desbobinar?
Estou a pensar:
Que p’ra aquela escola
Não vou voltar
Não sou inter-multicultural.
A minha mochila só tem uma cor
Os meus sapatos também
E, sou o único aluno sem cor
Que aquela escola tem!...
8.
Os outros alunos
Não são como eu:
Têm mochilas coloridas
E sapatos também
Falam tantas línguas
Que eu não sei
E, nunca saberei...
9.
Perante este quadro
Logo a mãe começa a magicar
Dizendo ao filho:
A tua mochila vamos pintar
Com todos os continentes
E as línguas vamos cruzar
De forma a ficar
Inter-multicultural
Mãe... tanto trabalho?!
É bem melhor uma escola
Onde todos falem igual.
A essa escola não volto,
E ponto final.
10.
Essa escola é modelo
E tens que assimilar
Que a diversidade existe
E com ela tens de lidar.
Para essa escola voltarás
O que não sabes agora
Mais tarde vais saber
Porque tudo na vida
É preciso aprender.
E,
Contada tal e qual
Esta história real
Passou-se numa escola
Inter-multicultural...
(Versão
original/17jan2008)
©Alice Tomé, «ESCOLA INTER-MULTICULTURAL…», Poema,
(25Agosto2012), dedicado à Professora Doutora Teresa
Pires Carreira, com votos de muitas FELICIDADES...
Teresa Carreira é Professora Universitária, UALG/
Portugal, Doutora em Ciências da Educação, Cientista
Educóloga, Socióloga, Escritora..., tem vários livros e
centenas de artigos científicos publicados a nível
nacional e internacional.
Alice Tomé é Professora Universitária, Portugal, Doutora
em Ciências da Educação, Cientista Educóloga, Socióloga,
Escritora, Poeta..., tem vários livros e centenas de
artigos científicos publicados a nível nacional e
internacional.
"Poeticamente canto a vida
E relato as vivências
Sociologicamente analiso
A lógica da existência"
alice.maria.tome@gmail.com
http://atome.no.sapo.pt/index.htm
Alice Tomé |
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Amélia Luz
Pirapetinga/MG/Brasil
A TERCEIRA MÃO
A terceira mão é a da inclusão,
É a mão da vida! Aquela que agarra
A oportunidade na hora preferida!
É a que dá as cartas, bate o curinga
Enfrenta o desafio, supera o fracasso
Arranca o espinho, cumpre o dever
Ao ter a impressão digital
Que identifica o ser ou não ser...
A terceira mão é a mão do perdão,
É a que consola, a que afaga,
A que apaga a dor do amor perdido
Na hora amarga da solidão!
É a que dá de beber, a que estende a esmola,
A que vai embora e a que dá o último adeus...
É aquela que firme, segura as rédeas,
Do cavalo a galope do destino, na noite escura!
É a mão que, sensível, procura o corpo frágil,
Da mulher-amante, e sai de braços dados,
No dia dos namorados
Na passarela dos invisíveis.
É a que fecha as cortinas,
A que despetala em silêncio a rosa do amor
Na hora plena do encontro dos apaixonados...
É a mão benta do menino que escreve o poema
Na luz rara da manhã ensolarada...
É a mão da liberdade que abre a mala dos segredos
E deixa sair o último pássaro prisioneiro,
Em vôo livre, passageiro!
Amélia Luz |
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Amélia Luz
DIA DE AZAR
(Imagens do Brasil rural)
Que confusão! A bezerrada vazou a cerca, nem sequer
leite para o café, todo perdido!!! O bolo ficou solado,
o feijão queimado, a goiabada passou do ponto, o queijo
azedou na despensa...
A vaca malhada perdeu a cria e o alazão do Afonsinho
saiu em disparada pela estrada da matinha.
O sol se escondeu de repente e a casa ficou no escuro! O
patrão pão-duro, não comprou a vela, nem querosene para
o lampião. Tudo na contramão!!! A menina tagarela perdeu
a chave da fechadura da despensa. Todos ficaram sem
alimento!
Um enxame-formigueiro invadiu a sala
assustando a família. Entornou-se o tinteiro na mala,
manchou o linho branco do enxoval e Mariazinha chorou de
tristeza!
A roupa lavada sujou no varal, era dia de forte
temporal! O padre, com preguiça, não acordou, nem rezou
a missa! A noiva arrependida fugiu do altar o sino não
tocou no cruzeiro
e o Sinhozinho perdeu todo o seu dinheiro...
O forno não assou o pão, o cão não latiu no quintal
porque comeu todos os ovos do galinheiro. Os ladrões
entraram e levaram a canastra de jóias. Não teve omelete
quentinha, o
fogão ficou apagado, a lenha estava molhada, depois do
temporal chovia fino no telhado cheio de muitas
goteiras...
A Sinhá nervosa rezava ladainha na hora dos anjos, no
cair da noite! O patrão emburrado cochilava na cadeira
de balanço com o cachimbo apagado no canto da boca. A
cozinheira parecia encantada, vagava pela cozinha
balançando os beiços, zangando com a meninada que não
parava de pular...
A chuva caiu pesada estragou a horta, derrubou as frutas
do pomar e ainda devastou todo o milharal e as bonecas
de milho estão todas perdidas no chão.
O carrilhão carrancudo batia compassadas as dezoito
pancadas da Ave-Maria!
A família se recolheu quietinha pensando na dureza da
vida. Rezaram o terço e fizeram a reza para Nossa
Senhora.
Era sexta-feira, dia treze na folhinha... Que azar, que
desgosto! Era também, mês de agosto! Não era encosto nem
mera superstição, tudo que aconteceu foi “coisa feita”,
depois da “benzeção” a velha Carola disse com autoridade
batendo seu galho de arruda:
- É tudo inveja mermo, ôio gordo, mau oiado e fizero
feitiço na incruziada pra prijudicá o patrão. Vamu fazê
pinitença prá tudo vortá ao norma. Minha santinha
patroinha vá correno no artá da capela e coloca um vaso
de fulô pra mode agrada a virge rezano de jueio novi
avimaria e a viege do céu abençoa e tudo há de passa!
Faiz uma premessa de nunca mais cortá us cabelo e a cum
sacrifiço esse feitiço num ganha força e nem mardade
contra ôceis tudo. Inveja é coisa pirigosa mas com
“benzeção” o mar si afasta da
casa dos patrão e a Fazenda São Jorge fica livre de toda
mardição.
Amélia Luz |
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Angelino Pereira
Guimarães - Portugal
Se eu pudesse
Dar-te-ia este mundo
Que tenho agarrado na minha mão
Se eu pudesse...
Germinaria em ti um mundo novo
E a minha continuação.
Ah! Se eu pudesse!
Dar-te-ia tudo e a alma
Meu ser, meu abrigo,
Pelo sabor e esta calma
No tempo que estou contigo...
Angelino Pereira |
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No
tempo que tenho guardado a dúvida: ”se eu pudesse” Sinto
o quanto desgasta e me mata, nesta tempestade que
desacata, os tempos de ser eu para estar,
permanentemente, em ti. Disperso, nas mágoas do teu
mundo, vou consumindo os meus dias, na esperança de te
ver surgir no renascer do meu mundo.
E se o último será inevitável para todos eu espero pelo
menos uma vez viver-te tão perto como esperam Pedro e
Inês.
Então, definitivamente, colherei o fruto que desejo E
transformarei tudo num beijo...
Na vida do meu universo...
Angelino Pereira |
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