MAGAZINE CEN / Fevereiro 2012 “POESIA“

 

1º BLOCO

 

 

Edição de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 

Alma Lusa
Olhão

E tudo isto para quê?
Se ao atravessarmos o rio Lete em direção ao Hades, na barca de Caronte, o sono do esquecimento tudo apagará na lembrança.

 

Correm mansamente entre margens agrestes
As águas do esquecimento,
Que no rio chamado Lete
E nas brumas cinzentas da madrugada,
Transportam alma adormecida
Em barca deitada.
Caronte, de seu nome,
Barqueiro de face coberta por capuz largo,
Olhos cintilantes, rosto marmóreo,
Remo na mão forte,
Movimenta em ritmo certo,
A alma adormecida e quieta.
Lembranças, memórias de vida passada,
Fundem-se nas brumas da madrugada …
No esquecimento do tempo,
Na orla de Universos…
E a vida continua sincronizada
Com o relógio do tempo,
Indiferente às filosofias e ao querer humano,
A natureza é… e o que é… é! …
 
Alma Lusa
http://www.circulodograal.com        
http://www.graalrik.blogspot.com 

 


 

 

 Angelino Pereira
Guimarães - Portugal

 

Criança em mim


 Criança que mora em mim
não pares o teu pulsar
desabrocha neste jardim
nova flor de encantar
 .
Não esqueças o tempo ido
volta  a brincar como outrora
em meu corpo desvanecido
que a mocidade já chora
 .
E na Primavera da vida
que o tempo volta não tem
minha criança adormecida
acorda e brinca também!

Angelino Pereira

 

 

 

Cibele Carvalho
Rio de Janeiro

AUSÊNCIA

 

 

Quando tu estás distante,
tão afastado assim,
chego a pensar, por instante,
que não te tenho pra mim...
Nem as palavras te alcançam;
após grafadas, se lançam,
vão, e se perdem no espaço.
Nessas horas de saudade,
duvido, até, da verdade
da nossa realidade.
Mas eu sei que ela existe,
pois em meu corpo persiste
o calor do teu abraço.
E do cruel embaraço,
eu, aos poucos, me desfaço.

 

Cibele Carvalho

 

 

 

 

Fahed Daher
Apucarana PR  BR

 

Gritando aos Políticos.     ®  

“Gineteia com valor o corcel da nacionalidade.”

 

 

Cavalga teu corcel de peito forte
que relinchando raios pelas ventas
rompe a neblina, em vibrações sedentas,
entre espinheiros, procurando a sorte
chamada honestidade.
.
Não te amedrontes contra as trovoadas,
elas estouram nestes horizontes
com seus relâmpagos atordoantes,
trazendo a chuva em rápidas rajadas.
Cavalga heroicamente.
.
Cavalga teu corcel, procura o norte,
onde haverá, por certo, a Luz Divina.
No teu galope as aves de rapina
jamais te alcançarão, pois no teu porte
heróico, vencerás.
.
Galopa heroicamente. Pois jamais
serás taxado de patifaria,
se no teu rumo, pela pradaria,
te levará aos pagos imortais
de cavaleiro herói.
.
E galopando sobre as assembléias
hás de vencer no rumo da justiça,
pois tua espada, flamejante, eriça
o fragor incontido das idéias
de amor à humanidade.
.
Galopa sim. Procela não te abate,
se no comando da tua nação
teus músculos mais rijos, e a razão
levando-te a lutar o bom combate,
não te farão cair.
.
Galopa heroicamente. Aos parasitas
que estranhos ao teu mundo te atormentam,
ao teu galope sei que não agüentam,
se diante deles teu pendão agitas
e clamas por teu Deus.
.
Galopa que o futuro é o teu destino
e a vida de canalha não te serve,
desde que o sangue em tuas veias ferve
no turbilhão sonoro deste hino
de amor ao Brasil.

 
Fahed Daher
Academia Virtual S.P.E. (Patrono) /-/ Academia Paranaense da Poesia  
Academia de Letras Centro Norte do Paraná- Criadorr-
Soc.Brasileira de Médicos Escritores (Vice-pres.)
Academia de Letras de Londrina

 

 

 

 

 

Amélia Luz
Pirapetinga/MG

 

Ibéria, Histórica Ibéria.

 

Quando o homem recortou a península
Olhando o céu, dividiu as estrelas,
Contemplando o mar soprou as caravelas
Que vazaram as espumas do oceano
Em busca da expansão ultramarina...
Portugal, herói aventureiro das águas.
A Escola de Sagres: “Navegar é preciso!”
Atravessei o Atlântico em caravelas errantes
Conheci Camões, Pessoa e Eça
De quem herdei e falo a língua-mãe!
Na Hispânia convivi com povos guerreiros
Califados e clero em disputas terrenas
Nas lutas enganosas pela fé.
Cristianismo, Islamismo e Judaísmo,
Aromas misteriosos de incenso forte
E brilho de fogo nos olhos dos mouros...
A valentia semítica enfrentando tempestades
Buscando oásis nos montes da Serra Morena
Ou nas planícies da Andaluzia...
Invadidos e invasores nas rotas sangrentas de Leão e Castela,
Raízes latinas que palpitam na minh’alma
Em sombras e clarões, através dos séculos...
Romanos penetrando em centúrias na península
General, o guerreiro Cipião, trazendo na boca o latim,
Plantando a “flor do Lácio” em novo e rico chão.
A força da Península em missão civilizadora,
O Império Colonial Espanhol e Português,
Batizando a América, meu berço, minha origem!
De barro português fui feita: descobridores cobiçosos,
Bravos bandeirantes, feitores, escravocratas,
Algozes capitães do mato, tropeiros, garimpeiros,
Senhores de Engenho, Barões do Café,
Ou pedreiros, padeiros, feirantes,
Mascates, ferreiros ou carapinas!!!
Ibéria, Ibéria, a mediterrânea, olé... olé...
Portugal, Portugal, ultramar e latino,
Dentro do meu coração de além-mar...
Chora o mesmo fado, a canção, o verso,
Na poesia de todo dia, que teima a bater-me à porta...

 

Amélia Luz

 

 

 

 

 

 

Ana Maria Nascimento
Aracoiaba

 

TRANSFORMAÇÃO



Uns olhos se mostraram bem risonhos
enquanto trafegavam com primor
em um manancial de muitos sonhos
ao lado de um perfeito sedutor.
Embora conduzidos e bisonhos,
por conta do momento tentador,
puderam esquecer que eram tristonhos
e o quanto conheceram muita dor.
Felizes pelo enlace venturoso,
seguiram o caminho, sem receio
de viveram o instante carinhoso.
O fato transformou a trajetória
daqueles que buscavam, sem rodeio,
caminho afortunado para a história.

 

Ana Maria Nascimento

 

 

 

 

 

Antonio Cícero da Silva(Águia)
Carapicuíba/SP

 O CANTO DO SABIÁ


O sabiá é um grande cantor
Ele alegra a toda a floresta
É um verdadeiro provedor
Que o bem estar, sempre manifesta.

O elegante canto do sabiá
Enche o meu coração
Que no meu peito a forte pulsar
Traz a mim, muita emoção.

O sabiá é eterno maestro
Que rege sem vacilar
E em tremendo manifesto
Bons sons ele passa a ensaiar.

O canto do sabiá é lindo
É a real voz da natureza
Em idoneidade ele é limpo
É ave de eterna grandeza.

O sabiá canta e encanta
Por ser provedor de elegância
Ele é o dono da mata espessa
E formador de ótima festança.

O canta do sabiá é completo
Por falar do que é lindo
Por notas musicais é repleto
Que ao cantarolar vai progredindo.

Antonio Cícero da Silva(Águia)
.

 

 

 

 

 

Ari Santos de Campos
Itajaí - SC.

 

 No Meu Inferno


 Felicidade, onde estás!
- É coisa que sempre quis.
Sou da paz, mas incapaz
de ser feliz !
 
Penso voltar ao passado
para mudar o que fiz,
mas o meu mundo enfadado 
é infeliz ! 
 
Chegam às trevas da noite,
- a noite da solidão.
Lanço minha alma ao açoite,       
sem compaixão.     
 
Vou prosseguir apressado,
peço a meu Deus encontrar
a minha vida ou pecado      
para voltar.
 
Longas, desertas colinas
como de bronze, ao luar,
desço por entre as ruínas
para te achar.
 
Nessa jornada, pregressa,
vou perseguindo um clarão
que permanece; não cessa,
feito um vulcão.
 
Por labirintos perdidos,    
entre lavas, sobre o chão,
ouço murmúrios - pedidos
de compaixão...
 
Onde estarás, oh querida !
- Quero dar-te o coração
e também a minha vida
por um perdão.
 
E no final do caminho,
entre denso fogo eterno,
de repente estou sozinho
no meu inferno. 
          
(Ari Santos de Campos)

 

 

 

 

 

Candy Saad
Jundiaí-São Paulo

 

Sou Outono


Sou outono
Melancólica ...
Gosto do vento
Da paisagem bucólica...
Sinto no ar
o perfume seco das folhas
rolando num farfalhar...
Outono é  romântico
Espalha carícias
em forma de lamento
por cada folha que cai
A lua parece ficar triste
Esperando um amor distante
Com a mesma incerteza
do destino das folhas a rolar.


Candy Saad
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T3002187

 

#

A arte dos pincéis e versos


 Ser musa ou modelo é bem parecido,
dá-se na mente do autor de forma idêntica...
O artista pode ter uma mulher nua
á sua frente e pintar uma manga madura,
pensando em chupá-la em seguida...
O poeta pode estar amando e escrevendo
sobre ódio ,dor ou outro sentimento mesquinho qualquer.
Vi muitos quadros negros ,tristes e agressivos,
assim como versos de toda espécie,
sendo eu admiradora deles desde a adolescência,
pude conhecer alguns dos donos das obras
e constatar como são idênticos ,mesmo abordando
temas diferentes , ao analisarmos sempre encontraremos
o fundinho da alma de cada um.
Lemos no nosso dia á dia pessoas com clareza de alma
e demonstram isso nos seus escritos,
alguns dão aos versos um picante e gostoso humor ,
muitos escrevem de uma forma linda e gostosa de se ler
sobre a sensualidade /sexualidade ,amor,paixão ,dor e saudades.
A poesia assim como a pintura nos transporta para outro mundo,
na dimensão e vibração em que foi escrita ou pintada e podemos sentir a alma do autor.
Outros tiram seus demônios de dentro da alma e
jogam ao vento e fazem disso excelente terapia além de tudo.
O ser humano nunca pode dar o que não tem,
apenas camufla , esconde e omite seus sentimentos ,
porém ao pintar ou escrever ,sempre expõe o mais profundo de sua alma.
Escrever ... pintar são dons de Deus e
assim como outros dons deveriam ser usados
para edificação do ser humano e nunca destruição ,
maledicência ou tristeza ao ler ou ver,
porque ao término de uma leitura ou análise de uma obra
podermos levar algo dela conosco por todo o dia ou pelo resto de nossas vidas!!!

O artista pinta com as cores de sua alma (Vincent Van Gogh)
O poeta descreve sua alma em versos( Shakespeare)
A arte apenas a manifestação do céu ou do inferno de cada um (V.Baxem)


 Candy Saad
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T140248

 

 

 

Ariovaldo Cavarzan

 

Campinas (SP)

 

 

A TEIA

 

 

O coração

tateia

tentando tecer

da paixão

a teia,

enredando fios

em cadeia,

como se fossem

laços, abraços,

não como

indesatáveis

nós.

 

Nesse afã

de artesão,

a compulsão

incendeia;

primeiro,

a fumaça

o amor

entonteia,

depois,

ateia

a chama,

tornando

irrecicláveis

pós,

a teia.

 

29/11/2008

Ariovaldo Cavarzan

 

 

 

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