MAGAZINE CEN / Fevereiro 2012 “POESIA“

 

2º BLOCO

 

 

Edição de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 

 

Carmo Vasconcelos
Lisboa  Portugal

 

CONSTRUINDO A PONTE...


Suave e lentamente, desligo-me do mundo.
Sem pena nem tristeza; nem asceta...
Sem depressão ou euforia, apenas circunspecta,
preparo a outra vida que vislumbro ao fundo...
Para trás, a estrada já vencida, o “dejá-vu”
que, perdido o espanto,
tal amantes desgastados de eu e tu,
já não empolga mais...
Na nova esfera introspectiva
há silêncios de catedrais,
cores a desbravar num imo de vitrais.
Dos satélites pulsantes ao redor,
já conheço os estafados movimentos e quadrantes.
O caminho, sem arestas de temor,
faz-se agora para dentro,
numa rota ponderada de regresso ao antes.
Guardo os olhos para as paisagens Superiores
e os ouvidos para sinfonias Divinais.
Prevejo, até... uma nova poesia
por sinais aromados de incensos,
luzes, toques, brisas calmas,
linguagem enigmática das almas.
Pressinto orgias transcendentais,
orgasmos cósmicos deslumbrantes,
anjos e vestais
fazendo amor num céu de debutantes.
Largo as vestes da vaidade,
a nudez visto de branco,
descalço-me de intentos,
despeço louvores, rebatizo sentimentos,
experimento o desapego franco.
Abafo o ego prepotente,
queimo o lixo material e poluente.  
Na mala... apenas os valores invisíveis:
aprendizado, conhecimento, justeza,
doação, desprendimento.
Não há limite de peso para a bagagem
dos possíveis que estou juntando em sossego.
Quantos mais... maior leveza.
Ah! Minha vontade fraqueja…
Pesos ainda da carne que lateja.
Das paixões, persistem sombras torturantes,
pecados veniais, sedutores e fascinantes,
e as feras, sequiosas de prazer, rondam a fonte...
Mas, por entre a força e a fraqueza, a certeza
do paraíso defronte.
Sem data agendada para a passagem,
 estou construindo a ponte!

Carmo Vasconcelos 
Lisboa-Portugal
http://carmovasconcelosf.spaces.live.com

 


 

 

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Carolina Ramos
Santos SP

 

Encantamento


Como se a luz de um palco se abrandasse
velada pelas nuances da cortina,
assim  o fim-do-dia inteiro dá-se,
num cenário de encanto que fascina!
 
O sol, como se o leito procurasse,
reduz o ardor da audácia matutina.
Um toque de rubor colore a face
das nuvens com recatos de menina.
 
Volta em bando ruidoso o passaredo,
 não é mais dia e não é noite ainda,
ganham mais vida os galhos do arvoredo!
 
A tarde se desfaz... o céu deslumbra...
e a natureza, cada vez mais linda,
mergulha, pouco a pouco, na penumbra!

Carolina Ramos

 

 

 

Ceres Marylise Rebouças de Souza
Itabuna - Bahia

SOBRE A FELICIDADE


Felicidade é despertar a cada aurora,
Ter a certeza que ainda estamos vivos,
Olhar a vida ao redor de nossa história
E louvarmos ao Criador agradecidos.
 
É não sabermos porque a todo instante,
Sorrimos bobos por qualquer motivo.
É estarmos fortes mesmo que não tanto,
E crer num mundo feito ao nosso estilo.
 
É sentirmos o coração regozijado
Por tudo que lhe é próprio e decidido,
Ter sentimentos bons manifestados
Ao sentir que eles são correspondidos.
 
Mas é difícil, não é fácil consegui-la,
Quando pensamos que a possuímos,
Já se escapou de nós esbaforida,
Deixando um oco insano e dolorido.
 
É que ela não tem dono permanente
E escolhe com seus dedos seletivos
A quem fazer feliz... e logo vai
Buscar a outros para seduzi-los.
 
Quanto custa encontrá-la e aqui retê-la,
E muito mais, perdê-la a qualquer hora!
No momento em que de nada suspeitamos
Ela escapa e de repente, vai-se embora!

Ceres Marylise Rebouças de Souza

 

 

 

 

Clara da Costa
Praia de Pipa/RN

 

POEMA INACABADO



Tal barco à deriva,
a mente está sem rumo,
ando sem pressa,
não sei para onde vou,
perambulo nas madrugadas sombrias
vazias,
vadias...
Um suspiro,
um gemido,
um não sei o que,
sentimentos à flor da pele,
...sinto falta de ti,
do teu abraço na chuva,
do teu sorriso onde vi imenso mar,
de tua voz acariciada pelo beijo,
teu cheiro uma presença ausente.
A música embala-me,
transforma-me em espera
...não sei se estou triste ou feliz,
tanto faz...

O poema está inacabado...
ele espera por ti!

 

Clara da Costa

 

 

 

 

 

 

Dalton Luiz Gandin
São José dos Pinhais/ Paraná

 

GRALHA - AZUL

Pássaro
não passará
Paraná

 

Dalton Luiz Gandin

 

 

 

 

 

 Eliane Triska
Canoas

 

 NO SILÊNCIO DAS AREIAS...



Ferino o teu silêncio aos meus sentidos
Massacre da Guernica de Picasso.
Ó cansaço! Que filho dos gemidos
Faria do silêncio estardalhaço?

Pulsa um célere raio em minha aorta,
O silêncio se afoga em laico grito.
Sangue abismal o náufrago te exorta:
Cai, ó terra! Levanta-te infinito!

A caverna solar ergue seu cetro.
Com o gesto de abrir almas inteiras,
Deixa o palco noturno ser desperto...

Contrai-se o mar e mostra, à noite, o ventre,
Parindo, no silêncio das areias,
Tua voz que me diz: - Eternamente!...

 

Eliane Triska

 

 

 

 

 

Gislaine Canales
Balneário Camboriú- SC

 

 O AMANHECER


 
É uma manhã de luz, o Sol nascendo,
vai dando a tudo um novo colorido,
e o dia implora para ser vivido
na sua plenitude, num crescendo!
 
Ao escutar, então, esse pedido
o mar, nesse calor, vai se aquecendo,
e em ondas de alegria se envolvendo,
beija a areia e o castelo construído!     
 
E o mundo todo vibra de emoção,
se ouve até, o bater de um coração
que pulsa forte, em meio a tanta cor!
 
É sempre muito lindo o amanhecer,
vamos então, a Deus, agradecer
pela alvorada, dádiva de amor!

 

Gislaine Canales

 

 

 

 

Heidy Keller
SÃO PAULO SP 

 

EU TE CONDUZIREI  AGORA

 


Ah, hoje eu quem pegarei em tua mão,
Te mostrarei o caminho, a direção,
Verás a verdadeira intenção,
Do meu desejo a minha pretensão.
Não ficarei esperando sua afirmação,
O tempo passando sem resolução,
É chegada a hora da aproximação,
Não posso mais esperar a sua permissão.
Sentirá a verdadeira vibração,
Onde o meu e teu coração,
Jamais tiveram tamanha  conexão,
E seu ego se encherá de satisfação.
Então sua mão será guiada rumo a paixão,
Verás as estrelas finalmente brilharem na escuridão,
E neste caminho não terás mais emigração,
Ficarás para sempre nessa exaltação.
Chega de esperar por uma indicação,
Eu conheço o caminho a sua  afeição,
Não vou mais perder o tempo a direção,
Se sei que só precisa, é de minha sedução.
 

HEIDY

 

 

 

 

 

*/***

Helena Armond
São Paulo

fantasia  ...  acredito  na  escolha ...
relativa  a  nosso  oposto  papel
dando  chance  a  experimentar
" um  outro / outra "  personagem
e ...  alegria  alegria   a   tudo mais !!!  
ver  lavada  e  levada  às  cinzas
confetes   serpentinas  suores
e preservadas ... nossas  digitais

Helena Armond

 

 

 

Hiroko Hatada Nishiyama
São Paulo

Dois amigos surreais



Numa noite de lua cheia
Quando o aroma do amor
Espalha-se pelo ar
O gato Mindão saiu desvairado
Doido para amar!
E lá por vielas encantadas
Encontrou umas gatinhas charmosas, dengosas!
O gato Mindão levou um tucunaré cheiroso
Para um banquete faustoso!
Eis que surge um gatão de bombachas
Todo estufado, todo garboso,
E, sem mais, apresentou uma travessa
Com um churrasco de costela, apetitoso...
Foi um alvoroço, um sucesso sem igual!
E, então os dois gatões, o Mindão e o Bombachão
Fitaram-se apreensivos... mas só por um segundo!
E, acreditem-me... eu juro que vi:
A silhueta de dois gatos abraçados
Como se fosse uma renda Richelieu desenhada
Na lua prateada!
Uma cena sem igual,
Como uma pintura surreal!

hiroko hatada nishiyama

 

 

 

 

Humberto Rodrigues Neto
 São Paulo

AS NOVE MUSAS



Liberadas por Zeus lá no Parnaso,
as nove musas resolveram vir
ao nosso mundo, num adejo raso
para outras musas tentar descobrir.
 
Calíope empunha a prancha e o buril,
traz Clio de um pergaminho os simulacros;
Euterpe sopra a flauta pastoril,
entoa Polímnia suaves hinos sacros...
 
Dedilha Érato a melíflua lira
e poemas canta no rigor do metro;
ao compasso de Urânia o globo gira,
dança Terpsícore da lira ao plectro...
 
E se Tália à Comédia se cingia,
e de hera coroada gargalhava,
Melpômene a Tragédia resumia,
na máscara da dor, grinalda e clava!
 
Finda a pesquisa, feita em muda enquete,
conclui o grupo o seu trabalho e estima
que há milhares de musas na Internet
tão boas quanto aquelas lá de cima!

 

Humberto Rodrigues Neto

 

 

 

 

 

Isabel Pakes
Cerquilho/SP

 

 Nostalgia



Nostalgia é um instante
que escapole do seu tempo
pra reavivar boas lembranças
dormentes no coração.
Teletransporta-se em flores,
cheiros, paisagens, melodias,
em noites enluaradas,
tardes chuvosas, poesias...
Circunstâncias que relembram
o que foi vivido um dia.
Doces momentos provados
num tempo do nunca mais.

Nostalgia é um instante
deslocado do passado
despertando no presente
o que na mente dormia.
É um instante de dois tempos
num mesmo tempo fundidos.
É a canção da alegria,
na voz da melancolia.

 

Isabel Pakes

 

 

 

 

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