MAGAZINE CEN

 

Junho 2012

Edição de Carlos Leite Ribeiro

- 13º Bloco -

pág. 14

 

 

 

 

Mônica Caetano Gonçalves
Belo Horizonte - MG - Brasil

 

 

A Dança das Estações


Hoje, muda,
Embala-me a melodia
Que a dança da vida
Em mim recria.

Mais tarde, silente,
Lanço sementes
De sonhos e desejos
Ao vento.

E por breves e eternos momentos,
Saboreio os doces frutos
Que o calor de teu sol
Fez brotar em minha terra.


Mônica Caetano Gonçalves

 

 

Quadros e Esquadros


Quero retas eretas
Em curvas acentuadas.
O côncavo e o convexo
Em movimentos suados...
A vida
E sua concretude abstrata.
O corpo que pulsa,
A alma que sente...
Dualidades complementares
E dúvidas cartesianas...


Mônica Caetano Gonçalves

 

 

ODENIR FERRO
RIO CLARO, Estado de SÃO PAULO, BRASIL

 

CANÇÃO FEITA DE AMORES E SONHOS!


A vida, é sempre este exuberante, e intenso fascínio transpondo
Os despertamentos das realidades, nas mudanças de estações.
Nestes ciclos intermináveis, nuns avanços contínuos, mutantes,
Enquanto todas as estruturas locais permanecem sempre
As mesmas; muito embora constantemente, momento a
Momento, vão renovando-se com a força da constância
Atuante entre a metafísica da Vida, o Tempo, e as forças
Envolventes entre todos os locais naturais, espalhados
Pelo nosso arqui bilionário ancião eterno planeta Terra!

Enquanto aqui, na América Latina, começamos a nova
Realidade da estação outonal, pelas grandes partes da
Europa, começa a reflorir-se a primavera, recriando todos
Os seus novos encantos. Por aqui, as folhas começam a
Desprenderem-se das árvores, e a temperatura vai,
Gradativamente, tornando-se mais amena; e tudo
Vai ficando mais aconchegante, preparando-nos
Para o rigoroso, ou não, inverno que logo, logo,
Chegará até nós. Transmutando-se dentre dele
Mesmo, todos os magnifícos cenários locais.

Portanto, entretanto, acolá, na Europa, as claridades
Das manhãs, já se enfeitam de flores tremeluzentes ao
Som dos ventos, dos pássaros, dos murmúrios das águas
Que vão circundando-se entre as pedras, compondo cores
Nos sons dançantes dos impulsos da vida que se revigora,
No tépido clima ameno da primavera, que se refloresce
Perpetuando-se na realidade dos ciclos das estações!

E assim, vamos caminhando dentro desta invisível e
Sempre tão criativa história acolhida pela Sabedoria
Inquestionável da Divindade Criativa da força de Deus!
Sempre regendo esta orquestra invisível, para dar-nos,
Ano a ano, momento a momento, estes seus misteriosos,
Supremos acordes da Canção feita de Amores e Sonhos!


Odenir Ferro

 

 

CALEIDOSCÓPIO INTERIOR


Dentro do profundo tocante sobre tudo o que pretendo traduzir em palavras no conteúdo do enredo do livro Caleidoscópio Interior, procuro referir-me de forma muito enfática, principalmente aos sentimentos que vamos carregando dentro do nosso universo interior. Creio que somos exímios marinheiros das histórias, velejando incansável e habilidosamente, pelas ondas da vida. Num contínuo vai e vem de sentimentos que vão se espalhando pelos ares das estações que transmutam as energias deste nosso Planeta!
Sempre predispondo-nos a avançarmos com os nossos mais profundos anseios. Modelando-os dentro do nosso incessante ato de sonhar, construir, realizar, todas as nossas obras inacabadas. Espelhando-nos, nos grandes amores e grandes exemplos de grandes personalidades que já fizeram as suas gloriosas travessias, cada qual no seu tempo, por este amável, exótico e exuberante Planeta Terra...
E também aqueles grandes homens e àquelas grandes mulheres que ainda circulam entre nós. Vivendo o cotidiano do dia a dia. Sempre aprendendo, aprimorando, evoluindo a alma com as exuberâncias que se mostram em cada momento, no decorrer da vida.
Caleidoscópio Interior, procura retratar o nosso cotidiano simples, mas que está a cada dia mais, ficando complexo. Creio que estamos passando por inumeráveis e bruscas transformações em muitos sentidos. Enquanto vamos viajando pelos incógnitos caminhos desta vida afora, somos nós, os grandes personagens de nós mesmos. Formando o corpo de um todo existencial humanitário.
Vivendo, íntegros, dentro deste Imenso Palco Giratório, que se espelha dentro do viver nosso de cada dia. Nós somos os primores das grandes obras ainda inacabada, e que criados fomos, pelas sapientíssimas mãos modeladoras da Arte mais Inspirativa e incondicional do Amor de Deus! E por nos apresentarmos tantas vezes frágeis, volúveis, inseguros, dentro da nossa própria pretensão e arrogância soberba, vamos aprendendo a viver, sem muitas pretensões de fazermos muitas transgressões às Leis naturais que vêm do Universo!
A nossa fé sempre se mostra como uma rica fonte de Luz imensurável, aonde depositamos a cada segundo do nosso viver, os nossos mais profundos anseios. Tão impregnados que somos pelo éter perfumado de fortes esperanças. Esperanças de que tudo o que estamos produzindo, realizando, sonhando, amando, sentindo, vibrando, dentro deste universo que se molda dentro de nós, poderá gradativamente transformar-se num avolumado quadro carregado com fortes tons feitos por enérgicas pinceladas cheia de luzes cores e sombras, que vão moldando e delineando os mais fimbrio fios dos tracejados da nossa alma! Expondo-nos vivos, dentro de uma fortaleza exuberante aonde poderemos expor os nossos amores e sonhos, desencontros e encontros, encantos e desencantos, derrotas, conquistas... E acima de tudo, uma grande e significativa somatória de muitas e enternecidas, emocionantes, alucinantes, vitórias!
Somos vitoriosos somente pelo fato de existirmos. Somos bravios guerreiros empreendedores de muitas lutas! Carregamos nos genes as mais complexas estruturas adquiridas, herdadas, dos nossos ancestrais. Que amando, viveram e morreram por nós, atravessando muitas e muitas Eras... E quanta beleza indescritível há, nisto tudo!
Até nas mais ínfimas realizações e crenças que temos, depositamos a força do amor. Sempre predispostos a saciarmos a sede de justiça, ao saborearmos os frutos das nossas vitórias! Pois por mínimas que sejam, elas sempre são muito significativas para a nossa evolução pessoal.
Amar é uma Arte! Talvez a mais sublime de todas as Artes! Tudo na vida espelha-se na força enaltecedora dos corações que são impulsionados pelo magnetismo carismático que se desprende das Artes! E as Artes, são uma sublime e inenarrável manifestação do Amor!
E Amar é uma Arte, pois todas as Artes se concentram nas origens da força sublime de uma única e imensa Arte: - A Arte do Amor!
E nós somos as incondicionais sementes geradas pela Arte do Amor!
Nós seres humanos, somos perpétuos, porque somos eternamente sublimes!...
Enquanto vamos vivendo a constância de cada dia, vamos realizando os nossos anseios, projetando as nossas vontades, procurando a possível realidade de se ser feliz, ao menos que temporariamente, sendo de que forma for. Sofremos! Mas, realizamos dentro de nós a doce arte de ao menos, procurar os íntimos caminhos da felicidade!
Amamos, porque acreditamos na luz soberana dos nossos sonhos!
E amando, vamos realizando o cotidiano tracejado nos aspectos expressados dos Registros de Vida.
Registro que o temos intimamente escrito dentro do nosso mundo interior. E que segundo a segundo, vamos escrevendo-o ou transcrevendo-o, dentro das páginas pessoais da nossa ímpar história. Vamos assim realizando a construção do nosso imenso quebra-cabeça, formando o nosso Caleidoscópio Interior! Crentes que acima de tudo, um fascinante mundo espiritual nos assemelha e nos afeiçoa numa Perfeição que amorosamente se faz, ao nos auxiliar a realizarmos a construção da História sempre inacabada que reside na perpetualidade do nosso espírito. E que é a primordial essência da alma corpórea que nos apresenta em vida, e, na qual através dela, nos manifestamos física e química intelectual e espiritualmente, perante os caminhos que percorremos na trajetória do nosso viver.
Sempre rumando incógnitos e errantes, através deste nosso imenso belíssimo e apaixonante Planeta Terra!


O
denir Ferro

 

 

Ivonita Di Concílio
São José - Santa Catarina - Brasil

 

A ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO
“A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo”
(Olavo Bilac)


Ah! Meu querido Olavo, se já existisse aquela tão almejada máquina do tempo e se voltasses à vida, hoje, certamente terias que rever teus conceitos. Não acredito que persistirias nessa idéia, pois acredito que ao pronunciares essa sentença, nossa Pátria ainda estava longe da miscigenação verbal que se propagou e ainda se reproduz.
Com o advento da Internet e suas consequências, cada vez mais são criados novos hieróglifos – alguns de dar inveja aos escribas pré-históricos.
Então, meu caro Olavo, deves reconhecer que estavas errado e que nada mudou depois do teu soneto “Última Flor do Lácio”, pois juntando as corruptelas dos escravos e indígenas com dialetos colhidos dos imigrantes das várias nacionalidades, os regionalismos de um país tão diversificado, como o Brasil, mais os galicismos, americanismos e outros ismos, acrescentando o dialeto internetês, nossa Língua Portuguesa, antes tão rica ficou muito pobre e transformou-se numa Babel descomunal.
Misturam-se os pronomes e o Vossa Mercê da tua época ficou sendo você e desbancou o velho tu, que perde-se no vocabulário dos jovens que não sabem como aplicar os verbos na segunda pessoa do singular(muito menos do plural). Fica, então, para os puristas aquele constrangimento ao ouvir:
- se você quiser, eu te levo...
Ou:
- eu disse prá senhora que tu tem que fazer isso...
E outras barbaridades do gênero.
É, meu querido poeta, as coisas mudaram muito e a Pátria, modernizada, adota um idioma e um povo que está longe daquele que deveria caracterizar os teus preceitos.
É bom que tenhas partido com essa ilusão.
Um abraço, meu poeta e continua conversando com as estrelas.


Ivonita Di Concílio

 

 

DA PENA DE GANSO À ESFEROGRÁFICA


Desde a antiguidade, chega até nós o uso de canetas para registros de fatos triviais ou, mesmo, históricos. Inicialmente eram usadas penas de gansos, ou outras aves, cuja ponta era mergulhada em tinta para imprimir nos pergaminhos ou outro tipo de base para a escrita. Com o tempo, a evolução foi transformando as hastes das penas, até que surgiu uma inovação: a primitiva caneta. Penas foram substituídas por cilindros de madeira, com um artefato apropriado para gravar as letras, ao qual chamaram “pena”, numa referência ao antecessor da caneta.
Quem usou esse artefato deve lembrar os problemas que a tal pena causava quando “se abria” e borrava todo o trabalho – principalmente os deveres escolares. Pobres de nós, crianças que estreávamos essa novidade, nos “exames de fim de curso”, pois as provas eram feitas em sala de aula, com todos os borrões e aberturas de penas... Uma pena...
Surge então, em 1939, uma caneta-tinteiro! Solução para os problemas de derrames de tinta nas carteiras escolares e na mesa de casa... É a magnífica, moderníssima e perene Parker 51, que foi criada para comemorar os 51 anos de fundação da fábrica Parker, dos EUA e nos acompanha até hoje. Ah... Foi o supra-sumo da elegância e da limpeza. Era oferecida em estojos próprios para presentear, com mérito, qualquer vitorioso. Acredito até que o orgulho de ostentar um anel específico, quando o universitário colava grau ficou em segundo plano, pois ganhar uma Parker 51 devidamente gravada com seu nome era a glória. Isso acontece até hoje, se não me engano...
A revista Times, de 1944, mostra em sua capa, o General Eisenhover com uma Parker 51, após assinar o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, com a mesma caneta, o General assina a rendição da Alemanha de Hitler.
Mas, embora ainda faça o orgulho de muitos, seu lançamento foi, na época, uma espécie de transição para uma revolucionária inovação.Falo da esferográfica, ou mais precisamente, a BIC. Lançada na França, em 1950 terminou com o suplício dos estudantes, que não tinham acesso à Parker e continuavam usando a antiga “caneta de pena” e seus consequentes derramamentos. De plástico, baratinha e acessível para todos os bolsos, o sistema de mini-esfera na ponta da caneta mantinha a letra uniforme e muito mais fácil de desenhar. Das invenções, nessa área, essas duas foram de enorme valia.


Ivonita Di Concílio

 

 

Susana Zilli de Mello

 

ALMA DE POETA


Quem irá entender
a alma de um poeta,
que é capaz de chorar,
quando sorri,
que ama a vida,
os amores
e os dissabores.
Rejeita o impossível,
aceita o desafio
na sua grandiosidade.
Vive de pensamentos
e de cada momento,
restando apenas uma saudade.


Susana Zilli de Mello

 

 

A PARTIDA


A tarde se deitava, o sol se desmoronou sobre o horizonte, que se transformava pouco a pouco num braseiro coberto de um imenso manto. A noite calmamente chegou, o mar vibrava de emoção e os pássaros em revoada agradeciam por mais um dia. Pelos caminhos dos homens, mendigos estendiam a mão numa súplica e o forte olhar impedia um não vibrante. Pelas águas do mar, navios se despediam. As águas molhadas e sem medo corriam sucessivamente para a praia e lá se perdiam na areia quente. Nos campos trabalhadores deixavam seus afazeres e ingeriam o sacrifício ganho naquele dia, e o repouso era somente uma pausa para o amanhã. Um poeta ao longe gritou: Noite, és ao mesmo tempo glória e sepultura, pureza e impureza dos corações amantes. O transparecer da água, o brilho dos olhares longínquos, o romper dos abraços e o último som se fez ecoar. Pelas fazendas galos corriam entre os milhos espalhados pelo chão, por entre cascalhos de pedras e poças de lama. Um canto encheu de saudade, amor, lágrimas, de ritmos suaves um olhar de criança. Por entre os cabelos a noite se fazia presente, nos olhos o dia era tranqüilo e claro, anunciando mais um raiar do sol, que ainda se sentindo lento e sonolento se despertou. As mãos estendidas agradeciam essa nova promessa de vida num pedido suplicante e sem cessar, quase como um devaneio dizendo sem pausa: volta, volta, volta.


Susana Zilli

 

 

Idê Maria Bitencourt Beck
Florianópolis - SC - BR

 

LUZ
A ponte do tempo


Nasceste de um sonho!
Fortaleza do amanhecer
E do anoitecer...
És bela, forte, exuberante
Com teus braços independentes
Uniste a Ilha ao Continente.

A inauguração...
Numa tarde chuvosa de maio
Não impediu de mostrar
Tua incomparável beleza.

A tua forte presença
Aliviou o sofrimento
Não só dos habitantes desta Ilha!

Por ti passaram...
Pedestres
Bicicletas
Carroças
Carros... Diversos

Passaram governantes
Passaram muitos sonhos!
Incontáveis amores
Ah!! Incertezas também
Veio a saudade!
Por ti!
Mas...

O tempo é um grande amigo
O tempo te conquistou
O tempo te amou
O tempo te guardou
Como um troféu!

Sendo uma rainha
Recebeste a coroa
Para marcar
Teu imenso reinado.

Nesse salão em mar aberto
As luzes...
Refletem o teu brilho
Dançam por ti
Nas águas desse mar
Nas noites enluaradas.

Os olhares do mundo
Encantaram-se...
E por mais que passe o tempo
Não se cansam de te admirar
E se encantar...
Com a tua marcante beleza.

E enches de alegria
Olhares de todos
Os que aqui chegam
Nessa Ilha de sol e mar
Onde és...
Luz, beleza e Ponte!


Idê Bitencourt

(Esse poema é uma homenagem à Ponte Hercílio Luz de Florianópolis -SC)

 

 

Izabel Eri Camargo
Porto Alegre/ RS

 

Cruzada do tempo


Embarquei no oceano
dei a volta ao mundo
tremi de medo das ondas
ingeri o calmante das águas
firmei os olhos aos céus
cruzei a tempestade
vi um novo tempo
cheguei ao ancoradouro
pisei na Terra firme
senti abraço de mãe
o ar gelado me recebeu
bati pedra com pedra
a faísca clareou fogo
na madeira prosperou
aqueceu meu coração
na mesa Terra trabalhei
com a ferramenta de arte
Fogo Água Ar ventoso
a escultura comecei
na madeira brasileira
obra de arte apresentei...


Izabel Eri Camargo

 

 

Saudação
“Consciência em expansão”


Aos cantadores do refrão:
desejo manifestar
minha grande saudação
masculinos, femininos
buscando harmonização
ao passar para outra dimensão
com corpos conectados.
O físico fala centrado
apoiado no mental
passa a ponte do astral
integrado ao causal
soa a voz do eletrônico
irradiando energia
para os corpos que ele guia.
Cantadores do refrão
são seres muito especiais
olhos firmes no holismo
percepção extrasensorial.
Peço à estrela da manhã
que os oriente na caminhada
para que cheguem com êxito
a cada nova morada
agradecidos ao Mestre
pela vida diplomada....


Izabel Eri Camargo

 

 

Iza*Bel Marques Fernandes
Silves - Portugal

 

Pintei meu rôsto da cor das papoilas
no suor da meia tarde, deu-me gozo
e prazer, ver minhas faces rosadas,
como se fosse o Sol a nascer,
ao romper da madrugada, na jovialidade
dos meus verdes anos, apreciando
o crescer das searas de trigo, no campo
dos sonhos realizados, amadurecidos
no seio da Primavera e assimetrados,
no Verão caloroso a restolhar,
nos meus ouvidos, a ceifa por entre
o murmúrio da água fresca da fonte,
bebida a golfejos; tilintando na garganta
de quem trabalha a terra, com sabor
a cortiça e argila, provente do cocharro,
barril ou bilha de barro, contendo
a frescura dos veios submersos da terra,
nos campos da Natureza, aonde
se construiram fortalezas e castelos,
recheados de medos, por entre o sorriso
do trigo e das papoilas, na juventude
do meu tempo, ora adormecidos,
na censurada mas persistente vontade
de acordar. Choram nos braços da terra
memórias daqueles que se dedicaram de alma
e coração a produtivas searas, que o tempo
vai levando ao mesmo tempo que arrasta
resteas de sementes, na cor viçosa do caule
e do rosto bem rosado, das papoilas
que continuam a germinar, renascendo-lhes
sempre um sorrir de esperança, em tantos
campos, ao abandono nas Terras do meu País!


Iza*Bel Marques Fernandes

 

 

Meus Cânticos


Eu canto ao luar e ao vento,
à brisa vinda do Mar, ao Sol
disperto que abraça o ar,
às nuvens feitas algodão de água,
cada alegria, cada mágoa,
canto às aves sem agasalho,
que poisam despidas em cada galho,
canto a tesouros que são crianças,
Jovens e Seniores, esperanças
que nasceram para saborear em pleno
a vida, e nesta Terra Portuguesa,
canto também para o Mundo nas dunas
do areal deserto, aonde desagua um caudal,
vivo… que não quedou porque o canto,
por enquanto, expressa o cântico do amor,
na sua liberdade vestida de multicôr,
canto à Bandeira da Paz,
a imensa alegria que ela traz,
e na minha meia tarde da Vida,
canto e continuarei a cantar,
de forma bem sentida
meus cânticos de Amor,
até ao meu Sol-Pôr!

Iza*Bel Marques Fernandes

(Poetisa / Embaixadora da Paz, desde 21 de Março de 2011, pelo C Universel A de la Paix Suisse/ France
Dama Comendadora de Justiça, desde 27 de Janeiro, S O E P da P. Reg. nº 1008 / 2012 - A.D. Brasil

 

 

Carlos Couto

 

'A SUSTENTÁVEL LEVEZA DE SER '


Ser criança. Ser imaginação. Quando o fardo da vida fica demasiadamente pesado e sufocante, é prá minha infância que de vez em quando viajo, num doce regresso. E não é fuga, é só uma busca por momentos de leveza. Funciona. Ataúlfo alves, disse, em Saudades de Miraí, " que daria tudo que tivesse / Prá voltar aos dias de criança ", e acrescenta " eu não sei porque que a gente cresce / Se não sai da gente essa lembrança " . Quando visito o passado, e me desligo do corre-corre angustiante, vejo o moleque que fui, em dias de chuva, tampando com troncos de bananeira a boca da manilha, do pequeno córrego que cortava nosso quintal, fazendo-o transbordar. Me vejo subindo nas mangueiras, cajazeiros, abiuzeiros e todas, absolutamente todas as árvores escaláveis, sempre " xixizando" a cabeça dos que ficavam embaixo. Gosto de lembrar da cara de ódio e dos xingamentos do nosso senhorio "Seu" Bernardo, hoje de saudosa memória, mas na época um chato, quando por pura vingança defequei em cima do seu bicho de estimação, uma enorme tartaruga, detalhe, era dia de festa, o quintal estava cheio, e ela foi caprichosamente para próximo dos convidados. Pique esconda, pique beijo, esse meu preferido, se pegássemos a garota, beijávamos, se fôssemos pégos, éramos beijados. Garota bonita, corríamos pouco, para sermos logo alcançados, garota feia, voávamos. Peão, bola de gude, pipa, pelada, pular corda, etc, etc, etc...
Hoje vejo meu neto em frente ao computador, feliz, interagindo, brincando com seus joguinhos. Penso, são outros tempos aqueles. Como Belchior diz na canção, era "quando havia galos, noites e quintaes". Me conforta a idéia de que ele não sofre, porque não conhece o que conhecí, não vivenciou. Ataúlfo Alves disse com propriedade; daría mesmo tudo que tivésse. Só discordo, quando ele diz que "era feliz e não sabia". Eu sabia. Sempre soube.


Carlos Couto

 

 

Roze Alves
Rio de Janeiro/BR

 

Inútil Saltimbanco


Quando me pedistes que te seguisses, e eu não quis,
lembro-me bem do espanto surgindo em teu frio rosto.
Achavas que tinhas poder, me manipulavas a teu gosto,
só não percebias que em minha vida não terias um bis.

Recordo que desfolhastes um canteiro de maravilhas,
que por certo estava insana em deixá-lo sozinho partir.
Tu que não me conhecias, não iria teu caminho seguir,
não era um albatroz que sobrevoa em todas as ilhas

Tua vida era uma imensa coleção de coisa alguma.
Em meu baú, colecionava muitas caixas de esperança,
sonhava em ser uma estrela, isso vinha desde criança

Me prometestes amor feliz e um palco com luzes douradas.
Mentira, não me amavas e só me destes lâmpadas apagadas,
eras um péssimo saltimbanco, não valias coisa nenhuma.


Roze Alves
Amanhecer-M
RJ: 28/05/2012

 

 

Larissa Loretti

Rio de Janeiro/BR

 

AMANHECER SOBRE A SAUDADE


No retângulo do tempo-
como num espelho -
a imagem do amor antigo
ressurge.
Talvez o último sonho
possa abrigar-se
na lembrança.
É apenas um espectro, eu sei.
É insensatez, eu sei.
Assim mesmo te bendigo.
No farrapo da esperança,
teia rompida.
Mas a força da vida
traz o sol da poesia...
E nas horas frias
desta saudade,
acordo o dia
sobre o painel
da minha fantasia.


Larissa Loretti

 

 

SONETO EM LUZ E SOMBRA


Nos braços da saudade estás presente...
Nos meus olhos um pranto prematuro
não te verá., na dor que agora sente,
nas esquinas vazias do futuro...

Salvar o coração, infelizmente,
sempre nos vãos do tempo, enfim, procuro...
A minha vida é como um sol poente,
que morre, pelo céu, em dia escuro...

Só em meus versos sigo meu caminho,
a saudade dormindo em nosso leito,
junto a taças vazias, sem o vinho...

Nosso amor tão imenso agora é nada,
no projeto de vida, já desfeito...
sombra de dor na luz da madrugada!...


Larissa Loretti
Poeta, escritora, musicista, trovadora, cronista, contista

 

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