

MAGAZINE CEN
Junho 2012
Edição de Carlos Leite Ribeiro
- 14º Bloco -
pág. 15

Pedro Pires Bessa
Divinópolis, MG, BRASIL
|
Divinópolis hoje
(CRÔNICA)
1º de junho de 2012, 100 anos de Divinópolis. Uma
cidade moderna,progressista, com brilhante presente
e promissor futuro.
Chama a atenção a enorme quantidade de prédios, de
grande qualidade e beleza; também de mansões de alto
luxo, aqui existentes, que vão surgindo aos montes.
Ainda, construções e reformas de todo tipo são cada
dia mais abundantes.
É impressionante o aparecimento de elevado número de
estacionamentos particulares para veículos, em
vários pontos do centro como da periferia.
Estacionamentos rotativos do poder público ocupam
bom espaço de nossas ruas e avenidas.
Um potente comércio marca-se pelo colossal
surgimento de novos empreendimentos, só comparável à
quantidade deles que fecham suas portas. Ficando um
mês sem passar por algum lugar, certamente vamos
topar com coisas antes não existentes e com o
desaparecimento do que havia por ali, de grande,
médio e pequeno porte.
Tanto na parte central, como no mais remoto
cantinho, templos majestosos e singelos cômodos,
abrigam adeptos de incontáveis religiões.
Acontecimentos admiráveis foram: A saída de camelôs
das ruas, poucos lugares, tanto no Brasil como no
exterior, conseguiram esse feito; há um problema em
relação a melhor instalação do Camelódromo, mas está
sendo encaminhado. O controle do som nas ruas
centrais e nas casas comerciais só vem confirmar que
Divinópolis é uma cidade moderna, que
coloca o bem comum acima de interesses individuais.
Fazer com que a Festa da Cerveja e outros grandes
eventos deixassem de ser um flagelo para a cidade e
se tornassem somente fonte de benefícios para ela, é
algo que merece todos os nossos louvores. Que a
perspectiva de despoluir o Rio Itapecerica se torne
realidade! Muitos outros fatos maravilhosos coroam
Divinópolis nos seus cem anos, só mais um deles, a
literatura de nossa cidade, em todos os gêneros, é a
mais abundante e criativa que conheço, em lugares do
tamanho dessa terra do divino.
Claro que existem problemas que estão sendo
enfrentados, mas há uma calamidade urbanística, de
longa data, que só se agrava cada vez mais: nossos
passeios públicos, um caos indescritível.
Divinópolis, porém, é supermaravilhoso espaço para
se viver. Há aqui uma aura de grandeza única. É
fácil ficar perdidamente apaixonado por essa terra
abençoada!
Pedro Pires Bessa
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Lúcia Ribeiro
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Liberdade
Páginas inteiras pichadas
Com espasmos de palavras…
Incomodativas palavras
Veneno subtil…
“Poison” da alma…
Agoniada pelo indigesto da vida.
Das páginas assim conspurcadas
Colho o deleite asqueroso
Do alívio libertário da alma.
Lúcia Ribeiro
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Perto de ti
Perto de ti
Meu peito regurgita felicidade
Alimentando o amor
que nos une...
Que nos prende
Sem pudor
Pleno de autenticidade.
Lúcia Ribeiro
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Adalberto Caldas Marques
Rio de Janeiro – Brasil
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Canção de
Martírio
Minha terra tinha palmeiras
Onde cantava o sabiá
Hoje elas viraram mesa
Em uma sala de jantar.
As aves que aqui gorjeavam
Agora gorjeiam por lá
Pois a mata foi devastada
E não tem mais onde morar.
Nos riachos de águas claras
Aonde guri ia me banhar
Hoje parece que por milagre
Sobre suas águas posso andar.
Com meu filho me preocupo
Que futuro ele terá?
Se continuarmos desse modo
Onde nós vamos parar?
Adalberto Caldas Marques
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|
Pinga
Pinga
Na minha boca
E minha mente
Vaga
Pela mais bela
E vaga lembrança
Lembrança que o corpo
Não sente
Mas a mente não mente
Só inventa
Uma grande tormenta
De ideias
Que jorram
Como essa água que
Na minha boca
Pinga.
Adalberto Caldas Marques
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Raquel Gastaldi
de Blumenau, mas morando em Curitiba
|
EU FELIZ
Só por hoje,
Vou ser feliz,
Vou gritar e cantar,
De qualquer maneira,
Quem sabe até
Plantar bananeiras.
Vou correr ao vento,
Ao Sol, chuva,
Ou luar.
Vou ser feliz e rezar,
Vou ser feliz
E cantar.
Encantar-me no
Sorriso de uma
Criança,
Perder-me
Num olhar amigo.
Vou ser feliz
Sem nada esperar.
Apenas isso. . .
Ser feliz.
Hoje vou ser feliz
Ao lado de
Qualquer pessoa
Que queira me acompanhar,
Neste largo e infinito
Caminho de amar.
Ser feliz sem cobrar,
Apenas isso,
Ser feliz...
Raquel Gastaldi
|

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SER AUSENTE
Na fuga do presente,
Fingindo um ser ausente,
calo.
Não vejo o homem
Contra a natureza.
Não vejo o homem
Contra o homem.
Não vejo guerras
Só a paz.
Não vejo o ódio
Só o perdão.
Não vejo o morrer
Só o nascer.
Não vejo nada. . .
Não ouço o som barulhento
Dos carros,
Só as cigarras, os pássaros.
Não ouço a voz que me difama,
Só a que me chama.
Não ouço a tempestade no mar,
Só a suave brisa passar.
Não ouço a criança chorar,
Só a brincar.
Não falo com ironia
Só com alegria.
Não falo o mal,
Só o bem.
Não falo do submundo,
Só do mundo.
Não falo academicamente,
Só escrevo
Pura e simplesmente
Raquel Gastaldi
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Dalton Luiz Gandin
São José dos Pinhais/Parná/Brasil
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PALAVRAS DE AMOR
As palavras
podem ter asas,
assim, como as borboletas...
Elas podem adejar plantando,
nos espaços vazios
da nossa alma, os seus jardins.
Esses novos beija-flores
podem afagar,em nosso íntimo,
as suas sementes
como se fossem, eles, jardineiros.
Dalton Luiz Gandin
|

Acelone Custódio
Florianópolis/SC/BR
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Ser tua
Sois o garoto
dos meus sonhos de menina
Sois o príncipe
dos meus castelos encantados
Sois o homem
dos meus desejos de mulher
És o vazio
do meu coração carente
És minha saudade
latente
És meus desejos
indecentes
És minha paixão
ardente
És meu amor
serenamente
Meu céu está sem estrelas
Minha noite sem luar
Meus dias sem sol
e as ondas já não tem mais no meu mar
Sou o que não queres
Mas me deixas nua...
Sou o que quero ser...
Para sempre....tua.
Acelone Custódio
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O amor
passado
Caminhar por entre
sonhos e o passado.
Reencontrar o que
um dia foi amado.
O amor pereceu...
O coração emudeceu.
A paixão de outrora
agora já não mais devora.
A "liberdade" é amiga
como uma canção antiga.
Saudades esquecidas...
Tristezas abandonadas
de uma dor vivida.
O tempo foi justo
Os momentos incertos
o amor foi muito
e a paixão hoje são versos
Acelone Custódio
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Angela Maria Carrocino
Rio de Janeiro - Brasil
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AMANHECER NO
LEBLON
Dois gigantes de pedra zelam seu sono.
Meu Leblon ainda dorme...
Apenas um homem corre
nas calçadas tão vazias...
Apenas o mar se deita
nas areias ainda frias...
O marulho de suas ondas,
quebrando sob o mirante,
é o único som pulsante
Sillenciosamente o sol desponta,
espreguiçando-se de Ipanema ao Leblon,
o céu tingindo de púrpura,
numa gama infinita de tom.
Distende seus raios de par-a-par,
como longos braços de luz,
envolvendo o imenso mar...
As calçadas ficam cheias,
todo bairro se ilumina,
enche-se de vida, gente e som...
e assim desperta o meu Leblon!...
Angela Maria Carrocino
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MEU (QUASE)
PRIMEIRO ROMANCE
Não sou muito dada a escrever textos em prosa,
mas às vezes surgem idéias que se impõem,
inclusive quanto à forma. Nessas ocasiões,
rendo-me à elas e escrevo contos ou crônicas que
acabam perdidas no fundo de alguma gaveta.
Certa vez, me propus a escrever um romance
policial e comecei um trabalho insano à cata de
personagens que já não se tivessem tornado
batidos demais, um crime diferente da maioria e
um final inusitado. Disso não abriria mâo: o
final teria que ser totalmente inesperado!
Não queria nada que pudesse lembrar ao leitor
uma história de Agatha Cristie, de Edgar
Wallace, Ellery Queen ou qualquer outro autor
conhecido. A história deveria conter uma boa
dose de suspense, sem lembrar Hitcock. Como
vêem, era uma empreitada deveras pretenciosa.
Sentia, às vezes, a cabeça quase fumegar de
tanto que exigia dela... Mas o resultado ia aos
poucos tomando o rumo do que planejara. O vilão
era bonito, culto, mau, extremamente astuto e
sem carater algum. Mas, ao mesmo tempo, era tão
carismático que levava o leitor a torcer para
que não fosse desmascarado.
Também cometia pequenos erros na execução de
seus delitos e por algumas vezes esteve a ponto
de ser descoberto. Era quando usava melhor sua
inteligência e conseguia reverter a situação,
muitas vezes tornando aquele que estava mais
próximo da verdade, em principal suspeito.
Eu vivia um momento de extrema felicidade.
Finalmente meu primeiro romance tomava forma!
Foi quando fiz uma descoberta tão inesperada,
que levou-me a queimar o manuscrito que
consumira três longos anos de trabalho e
pesquisa. Imaginem vocês que o meu personagem,
que eu aprendera a amar, pretendia matar a única
pessoa realmente capaz de o desmascarar: eu, o
autor!!!
Angela Maria Carrocino
|

Ariovaldo Cavarzan
Campinas (São Paulo) Brasil
| LIBERDADE
Do rés do chão de navios,
ecoavam negros murmúrios,
em cadência de tantãs e atabaques,
prenunciando tristes augúrios.
Ai!... ia e vinha o lamento,
da caixa escura a vogar,
mareando cabeças e fazendo chorar.
A tal infindo singrar,
sobreveio duro trato ao chão,
no manejo de enxada e enxadão,
na longa noite da escravidão.
Troncos, terreiros, correntes,
senzalas, sinhás, senhores,
catres, chibatas, feitores,
em vão intentavam a revolta vergar.
Lanhos em lombos sulcados,
sonhos de liberdade faziam jorrar,
maculando açoites de maldades,
feito soluços que não queriam cessar.
Cotas de dor repartidas,
flagrantes de crueldades vertidas,
em boletos de eterno pagar.
Liberdade,
de quantos Palmares irás precisar?
Canta enfim o campo em flor,
de uma heróica gente a dor,
que se de aflição chorava outrora o canto,
de alegria exulta agora o pranto,
na liberdade que um dia viu raiar.
Ariovaldo Cavarzan
|
(Texto em homenagem à libertação da escravatura no
Brasil, no dia 13 de Maio de 1888, em cumprimento à Lei
Áurea, assinada pela Princesa Izabel, filha de D. Pedro II)

|
LENDA DOS
FIOS D'ÁGUA
Conta-se que há muito tempo,
viajores cansados buscaram refazimento,
à sombra de um caramanchão,
para contar relembranças,
ouvindo o cantar de fios d'água,
a levar pra bem longe esperanças,
guardadas no coração.
Vida que esvai e que escorre,
é feito fio d'água guiado em leito de pedra,
acidentado, fresco e curvo,
ora cristalino e ora turvo,
a arrastar nuanças de bem e de mal querer,
ou sonhos que nunca se quer esquecer.
Impossível convergir a um só curso,
fios afluentes a deslizar paralelos,
eis que um mesmo destino
um dia os irá misturar.
Impensável fundí-los num só,
se a cada qual ficou decidida
diversa e especial caminhada,
às vezes cumprida
em mesma e acidentada jornada.
Seguem alegres os fios d'água,
ora abraçando ondulações
em seus leitos de pedra,
ora deslizando em calmarias
de profundos grotões
e ora despencando em decepções.
Importa seguir enfeitados
do colorido de flores e borboletas,
em seus bailados desajeitados,
e em algazarras brincalhonas da passarada,
que a sede ali vem saciar,
eis que todos devem seguir a voar.
Escorram cantantes fios d'água,
em sinas de nunca voltar,
sonhando um sonho sem mágoa,
esperando um dia poder se juntar
ao murmúrio festivo das águas do mar.
Ariovaldo Cavarzan
|

Adalto Marques Machado
Cantagalo / RJ / Brasil
|
COLHEITA INCERTA
Surgiu!
Num por de sol quase noite
o vento chicote açoite
_prenúncio de temporal.
Caiu!
E veio em nuvem enrolada,
estendendo na madrugada,
alagando o capinzal.
Choveu!
O rio fartou o leito
e a terra estufou o peito
num rio de festival.
Molhou!
Três meses lá no sertão,
quarenta léguas de chão
_caatinga sonhou cerrado.
Eu vi!
No olhar do matuto a esperança,
na boca um gosto de vingança,
nos pés um pisar vingado.
Manhã!
Um fogão esfumaçado,
bolo de milho amassado
_bom começo de estação.
É dia!
Aquelas mãos calejadas,
o vai e vem das enxadas
_a terra engolindo o grão.
À noite!
Aquela paz que consola,
o amor, a pinga e a viola
_um desabafo a canção.
É festa!
Minha gente satisfeita
vai sonhando com a colheita
_que virá se Deus quiser.
Se não...
Matuto bicho valente
tira do peito um repente
_canta o que der e vier.
Adalto Marques Machado
|

Pedro Lyra
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SONETO DE
AFIRMAÇÃO – XVII
O que é que nos arrasta pela Terra?
“A Fé”
– responde em coro a Religião,
apontando a um espaço transcendente.
Mas, a Filosofia:
– “É a Razão”,
erguendo a nossa marca essencial.
“É o Interesse”
– brada a Economia,
exibindo as mais simples atitudes.
Mas, a Psicologia:
– “É o Desejo”,
expondo as privações em cada olhar.
Fundindo os quatro mitos
talvez temos
a síntese da humana condição:
um cava o Salvamento;
outro, a Verdade;
outro, o Poder;
outro, a Felicidade.
Mas, dentro a todos, tem que estar o Amor.
Pedro Lyra
|

|
SONETO DE
AFIRMAÇÃO – XXI
Entre destino e liberdade
o Ser
vai cumprindo
ou forjando
a sua trilha:
ou ela está traçada
– e cego a cumpre,
ou ela não existe
– e tonto a forja.
Preso ao destino,
há um Destinador
que já sabe aonde vamos,
ignaros;
em liberdade,
o que há é um desafio
e escolhemos o rumo,
a cada repto.
Traçada aquela trilha,
a nossa vida
se estende ao Infinito;
mas forjando-a,
a nossa lida se restringe
ao chão
– numa fria inversão dos atributos –
que nos dará
a chave
do Mistério
quando sem serventia de acioná-la.
Pedro Lyra
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