MAGAZINE CEN

 

Junho 2012

Edição de Carlos Leite Ribeiro

- 4º Bloco -

pág. 5

 

 

 

 

Dalva Saudo
Campinas/SP
 

 

PLURAL DAS EMOÇÕES

O astral das minhas emoções
Está no PLURAL em meu coração.

Se sou elogiada...
Ressoam - me
Bravos de uma seleta platéia
Ovacionando-me

Se sou ofendida... não entendida...
Ouço gritos na voz...
Que se excede... o quanto me é imaginável!
Num sofrimento atroz !!!

Quando os cientistas inventarão
Uma película para proteger meu coração,
Cujo sangue da emoção não é bombeado,
Mas sim bombardeado?

As alegrias... as tristezas...
Conheço-as quase sempre no plural!

Dalva Saudo

 

 

PROSA POÉTICA

PRECISO ACREDITAR EM DEUS!


Preciso acreditar em Deus, para refugiar meus pensamentos, para concluir meus sofrimentos, para isolar e tentar finalizar essa emoção de luto, corroída pela alma, que nossa separação me causa.
Na saudade causadora da tua ausência, tento fugir da tua presença nas forçadas caminhadas quase fora dos meus limites, andando nos shopings, e nos rítmos rápidos da dança de salão. Quero cansar-me até a exaustão.
Nessa minha desorientação, o céu comigo se comove, parece que sente meu sofrimento, remove as negras nuvens... na umidade da mágoa, chora comigo no ônibus 249 que, para o destino final me locomove!
Poderão dizer: Mas novamente chuva e lágrimas no ônibus?
Sim. Porque o ônibus faz a rota da minha fuga. Tento fugir, mas... de que adianta? A mente me acompanha, como uma bagagem pesada de horror. A chuva e minhas lágrimas atingem meu coração sem para- raios, sem proteção!
É uma fuga que tem minúsculos fragmentos de esquecimentos, mas ao chegar em casa, meus pensamentos chegam juntinhos de mim.
Amanhã tornarei a sair... para me cansar em exaustão.
Tentar fugir inutilmente do amplificador dessa dor. Minha meta é o temporizador. As pernas tentam cansar o corpo, mas a mente é receptora, perseguidora. Está ali, no subconsciente um filme gravado da nossa história, que se renova em constante e implacável replay... replay... renovável replay... do término da história de amor, que para mim se transformou em dor. Mas... é preciso a chuva para purificar e continuar a vida. Preciso acreditar em Deus!

 

Dalva Saudo

 

 

 

 

António Boavida Pinheiro
Lisboa/Portugal
 

A obra do poeta...

Na obra do poeta existe sempre
a sensação de estar incompleta,
por mais que se esforce, faça ou tente,
a vida é limitada, curta e incerta...

Tocar os sentimentos, algo ingente,
quão excessiva ambição é sua meta.
Escrever em rima, ou não, o quanto sente,
e se uma vez ao lê-lo em nós desperta

o sentir de um momento, plasmado
em algo especial e..., tão diferente
daquilo que é vulgar e consumado...,

algo inesquecível porque é arte!
Se tal for alcançado simplesmente...
não lamente o poeta, quando parte...


António Boavida Pinheiro

(Prémio de «Menção Honrosa»/«Destaque Internacional», no VIII Concurso Literário virArte. Santa Maria. Brasil. 2011)


O «Poema»…
(forma de arte e de comunicação…)

Na cabeça do poeta cabe pois imaginar,
A mensagem que resulta da sua inspiração,
Procurar palavras certas, p’ra mesma codificar,
Com regras de estilística e de versificação.

Cabe ao leitor, ao invés, tentar descodificar
O que o autor quis dizer, no que escreveu, e então
Que as «Musas» lhe terão dito, para ele assim rimar,
Dando pois aquele sonho tal configuração.

É assim que neste esquema, o poeta é o «emissor»,
E o seu leitor atento constitui o «receptor»…
Se trata de «obra de arte», saída da sua pena.

Será «comunicação» de um sonho imaginário,
De emoções que sentiu, como fosse um relicário
Que ao abrir dele saiu, essa jóia…, o «POEMA».

António Boavida Pinheiro
Lisboa/Portugal

 

 

Cibele Carvalho
Rio de Janeiro/BR
 

AO ENTARDECER

Na languidez de uma tarde serena,
impossível não se sentir plena,
desfrutando a alegria de viver,
que se renova a cada amanhecer.
Como deixar de ser feliz
se temos nossa vida pela frente
- esta dádiva só da gente?
Tropeços sempre teremos,
mas é certo que conseguiremos
suplantá-los algum dia...
E sairemos fortalecidos,
cada vez mais convencidos
de uma força a nos guiar,
pegar na nossa mão... e levar...

Cibele Carvalho

 

 

EU NÃO MORO MAIS AQUI

 

Eu moro no céu do pensamento,
eu moro na magia do momento

dos lugares onde eu te vi.
Moro na lembrança do encanto

das tuas mãos que eu adoro tanto,
moro nos beijos que ganho de ti.

Eu moro na recordação,
das loucuras da tua paixão

nas horas em que nos amamos.
Moro na volúpia do teu beijo
e no fogo do nosso desejo.

Moro nas palavras que trocamos,
moro nos carinhos que nos damos,

moro nos momentos de nós dois.
Não lembro do antes, não vejo o depois.

Cibele Carvalho
RJ,23/05/12

 

 

 

Hiroko Hatada Nishiyama
São Paulo - Brasil
 

Acidental

A estrela se viu um dia
Transformada em sol
De um planeta pequenino:
Terra!
E fizeram-na surgir pela manhã
Por detrás da serra oriental
E, à tarde, sem alarde
Fizeram-na deitar no horizonte,
Onde, sem descanso, com espanto
Se viu arauta de um novo dia
De um outro povo,
Ocidental.
Acidental.
Sem suspeitar
Da noite atrás de si
Como sombra de um sonho
Rascunhado, sem retoques.
Círculo desenhado.
Esboçado um retrato,
Estrela nua,
Lua!

Hiroko Hatada Nishiyama

 

 

 

A procura

 

Um estalido de galho seco revelou a presença de alguém andando na floresta. Esse som era diferente, como se um pássaro pisasse nos ramos mais finos e ressecados.
E por onde andava deixava atrás de si, um odor de... de... não sei dizer, mas talvez fosse um perfume nunca dantes sentido por ninguém.
Os arbustos, as árvores, as flores foram testemunhas desse ser invisível que se fazia presente no momento de alvorecer: assim tinha que ser, no alvorecer, somente no alvorecer, para colher um raminho de uma preciosa planta, com o qual faria um precioso chá para sorver de um gole só. Então o seu sonho aconteceria: não sofreria mais a dor atroz da saudade!
Debalde percorreu a floresta. Dirigiu-se então à uma aldeia onde, haviam lhe dito, encontraria o que procurava.
Entretanto nada achou. Só encontrou pessoas trabalhando alegremente como se nunca sofressem aborrecimentos.
Decepcionado continuou a caminhada, sempre invisível. Os pezinhos já doiam, era urgente descansar. Encolheu-se dentro de um botão de rosa e repousou. Acordou em queda livre: a rosa abrira-se bela, com o frescor da juventude.
Era hora de partir e, novamente foi até outra floresta, onde uma surpresa o aguardava: uma lagarta verde com riscas azuis e amarelas sugava o orvalho da madrugada. Então a lagarta engalanou-se toda em macia seda e com asas de luz subiu aos céus numa lufada de vento!
E foi então que aconteceu: o seu sofrimento milenar não mais o perturbava, pois compreendeu, nesta sofrida procura: há que saber amar, há que saber sofrer, há que saber compreender, há que saber esquecer e há que saber se transformar, porque a saudade só machuca quem não sabe ser feliz!

 

Hiroko Hatada Nishiyama

 

 

 

Maria da Fonseca
Lisboa/Portugal
 

LINDA PRINCESA

Em Évora ainda chove!
Toda a região festeja.
Já o calor abrandou
E toca o sino da Igreja.

O sino da Igreja toca,
Insiste com alegria,
Em marcar todas as horas,
Sempre cantando Maria.

O trovão se fez sentir
E caiu forte chuvada.
Respirar agora é fácil,
Com a atmosfera lavada.

As torres da Sé ao longe,
Cada uma com seu ‘stilo.
E o sino volta a tocar,
Meu coração mais tranquilo.

Foi esta a linda princesa
Que revi hoje à chegada.
Aos anos que te não via,
Alentejana encantada.

Da Igrejinha de S. Brás
O sino volta a chamar
Tocando as ave-marias
Nesta tarde a declinar.

Maria da Fonseca

 

 

 

LINHA DO HORIZONTE

 

A recordar que a linha do horizonte é, por definição, a linha de contacto aparente entre o céu e a terra, permaneço diante do oceano soberbo, limitado por uma linha curva perfeita.Esta visão sempre me encanta ano após ano. Não me lembro de outra linha tão nítida como esta. Transparência rara! O Senhor a criou com seu divino compasso e não permite que seja maculada. É imperceptível a olho nu qualquer alteração na pureza dessa curva. Agora não existem dúvidas quanto à certeza de a Terra ser esférica. Mas aqui, até a criança que brinca na praia compreenderia a antiga justificação. Não se vislumbra qualquer objecto vindo do Sul que afecte a bela linha imaginária que separa o mar profundo tinto de azul forte do céu azul celeste límpido sem mancha. Cair de tarde magnífico a transmitir serenidade, poesia!
Se do lado de cá vemos barcos, velas, gaivotas pousadas onde o Sol ainda ilumina e banhistas retardatários, para lá do horizonte só se nos apresenta o que a imaginação do poeta conceber.Procurando melhor, reparo em duas faixas, uma rosada e outra lilácea que se desenvolvem paralelamente à linha do horizonte. Quanto mais me afirmo mais a cor lilás se propaga elevando-se no céu de maneira a desaparecer a luz. É o Sol que se está a pôr. Muito breve chegará a noite e a saudade da maravilhosa vista que desfrutei sobre o Atlântico. Se Deus assim o quiser amanhã nascerá um novo dia!

 

Maria da Fonseca


 

 

 

 

Mercedes Silva
Rio de Janeiro/Brasil
 

NAMORADOS ...

Um verso antecipado,
Faz remissa ao passado,
Ansioso pelo presente;
Dizendo a cada instante,
Que um amor é constante,
Junto, par a par, ou ausente.

Hoje é dia dos namorados,
Alguns queridos e idolatrados,
Outros aceitos por compulsão.
Não creio ser este nosso caso,
Pois cada vez que extravaso,
Você extravasa em comunhão.

Recebe, pois, assim, humildemente,
Certa de que não me sai da mente,
Oferta tão ínfima, mas lembrada.

Aceita com os carinhos que lhe dou,
Mas não esquece que quem ofertou
Ofereceu-o à pessoa amada.

Mercedes Silva

 

 

LONGA AUSÊNCIA

Vê, lá no fundo, no horizonte,
Em que se construiu a ponte
Da eterna e imorredoura felicidade.
Vê, com ânsia e amor,
Cheia de vida, com destemor,
O frenesi do amor, com intensidade.

Vê, a cada instante e momento,
Que a ausência é um tormento,
Que conseguimos, frustrar,
Pois que em pensando e vivendo,
Vamos, assim, nos mantendo,
Sequiosos e ávidos para amar.

Vê, e entende, agora e sempre,
Que mesmo você ausente,
Se faz presença firme, incontida;

Por seres minha razão de viver,
Querendo, pela vida, te querer
Vivendo, em ti, minha própria vida.

Mercedes Silva

 

 

 

Alfredo Santos Mendes
Lagos/Portugal
 

DIVAGANDO

Sonhei ter-te a meu lado sussurrando,
Ternas frases de amor e de carinho.
Que sentia teu hálito fresquinho,
Meus lábios para um beijo convidando.

Envolvido em tão doce companhia,
No calor do teu colo me aninhei.
Eu não sei quanto tempo assim fiquei,
Somente desejei não mais ser dia.

O sonho terminou, eu acordei.
Agarrando a almofada murmurei:
Que pena ser um sonho, mas que pena!

E sorrindo pensei: que noite assim,
Devia ser mais longa, não ter fim,
E não devia ser, assim, pequena!

Alfredo Santos Mendes

 


RICO OU POBRE

 

Há ricos que são tão pobres,
Gerindo sua riqueza.
Que um mendigo com uns cobres,
É mais rico com certeza.

(Quadra de: Alfredo Mendes
Glosada por:A.M.)

Por viverem n’opulência,
Mostrarem por evidência,
Mesa farta, salões nobres.
Não lhes dá a garantia,
Nem serve de mais valia,
Há ricos que são tão pobres.

Quando o livro da razão,
É apenas condição,
Do haver, uma certeza.
É escravo do vil metal,
Quem se porta como tal,
Gerindo sua riqueza.

Se teu viver são cifrões;
Os amigos, teus milhões;
Muitos amargos encobres.
Teu paupérrimo viver,
É bem pior podes crer,
Que um mendigo com uns cobres!

Ser pobre não é vergonha.
E não há pobre que ponha,
Entraves à sua mesa.
Seus amigos, seu parceiro.
Não os tem por ter dinheiro,
É mais rico com certeza!

Alfredo Santos Mendes

 

 

 

Sonia Salete
São Paulo/BR
 

É...talvez!

Sei que você pode
estar querendo me esquecer...
Talvez nem se lembre mais
como é bom viver a vida com um querer!

É ...
Talvez as lembranças não batam à tua porta
como na minha,
elas insistem em bater!

Falando em saudades, as minhas
só querem saber de você...
Reclamando da solidão do meu viver!

Bem que você podia aparecer !

Sonia Salete

 

 

 

Vera Salbego
 

QUERO ESCREVER

 

Quero escrever
Ao ser humano
Algo que o faça
Despertar
Para o mundo.
Que o faça parar
De destruir a natureza.
E tomar consciência
Que a natureza é o pulmão
Do mundo.
E de nossa existência.
E dela precisamos
Para nossa sobrevivência
Neste planeta terra.

Vamos unir nossas forças
E tentar salvar
O que resta ainda
Da nossa Floresta Amazônica
De nossa Mata Atlântica.

Vamos plantar mais árvores
E preservar a vida
Do nosso planeta.
Unindo forças no mundo todo
A Natureza será preservada
Para as novas gerações
Conhecer a beleza da Fauna e Flora
De nossa Terra.
Assim, escrevo com a consciência.
De poeta e o coração de ser humano.
Para espalhar aos quatro ventos
A sinfonia do amor a Natureza.

Vera Salbego

 

 

 

 

Luiz Carlos Leme Franco
 

A CHUVA


Pinga que pinga.
E eu sinto que pinga. Guerra.
Pingos grossos, pingos esparsos.
Pinga que pinga
pingos constantes
Pingos seguidos. Desalentos.
E a chuva cai,
rola, corre, molha,
desce e deságua.
Pinga que pinga.
E eu vejo que pinga.
Peste. Misérias.
Pingos bastantes,
pingos freqüentes.
Pinga que pinga,
pinga em gotas,
gotas e pingos.
De pobreza.
E a chuva esfria,
rega, goteja,
umedece e enlameia.
O mundo.
Pinga que pinga
E eu ouço pingar
Pingos barulhentos,
Pingos e ventos (pranto),
Ventos de pingos.
Lágrimas.
E a chuva . . .
continua a pingar,
a molhar, a destruir,
a enlutar. . .
Chove ( sangue) na Terra !

Luiz Carlos Leme Franco

 

 

O Brasil é país de frutas.
Umas dos campos, outras das grutas.
Umas dão em arbustos,
outras em árvores frondosas.
Porém, umas e outras,
são todas elas gostosas.

Temos o cacau e a carnauba,
o buriti, o coco
e também a macauba,
entre as frutas das palmeiras,
o palmito e a paineira,
Cada qual com seu uso.
Umas pelo gosto, outras pelo cheiro,
são consumidas no Brasil, inteiro.

O Brasil produz cajus belos.
A natureza
fê-los vermelhos ou amarelos.
Além da beleza
são eles gostosos também.
Temos ainda a (ibi)pitanga,
o mamão e a gostosa manga,
além da cereja e da pera.
Umas produzem óleos,
outras nos dão cera.
Mas todas elas,
sejam feias ou belas,
servem aos brasileiros.
Umas são preparadas
em braseiros,
outras em estufas,
ou até enlatadas.

Há frutas ardidas
como a pimenta
ou doce como a uva.
Existem também as amargas
e as azedas.
Todas são bem comidas.
Não há quem não conheça
as bananas, as maçãs,
as laranjas ou as romãs.

Além das nativas temos as importadas.
É o caso da oliva
que veio do Oriente.
De umas comemos as frutas,
de outras as sementes.
O Brasil produz maracujá.
A Tâmara, aqui também dá.
Além desta e outras frutas,
Quantas ao certo eu não sei.
Só sei que nossa terra,
Sem precisar pedir à Inglaterra,
à Itália, à França ou Espanha,
satisfaz nossos consumidores
e ainda manda para fora
as frutas que aqui produz.

Boas, bonitas e gostosas
nossas frutas são, ou não.
Não importa.
O que vale é que nossos pomares,
Invadem o mundo todo,
por terra ou pelos mares,
alimentando pessoas,
matando a fome.

Das frutas do Brasil,
In natura ou embaladas,
em doces, cozidas ou fermentadas,
todo mundo e o mundo todo come.

Luiz Carlos Leme Franco

 

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