MAGAZINE CEN

 

Junho 2012

Edição de Carlos Leite Ribeiro

- 5º Bloco -

pág. 6

 

 

 

 

 

Maura Soares
Florianópolis,SC/BR
 

 

DE REPENTE, NO ÚLTIMO VERÃO

De repente, no ultimo verão,
me libertei das amarras que me prendiam a ti.
De repente, foi-se a angústia,
foram-se os dissabores,
foram-se as lágrimas à noite
sozinha no leito à tua espera.
De repente, no ultimo verão, o calor conseguiu
aquecer meu corpo e senti brisa suave da tarde
a soprar no meu rosto dando-me
a sensação de leveza e de tranquilidade.
De repente, no ultimo verão, compreendi que a vida
é pra ser vivida na sua plenitude
e que os arremedos de paixão
vão-se com o vento,
vão-se com a chuva que tudo lava no final da tarde.
De repente, no ultimo verão,
vi que a minha vida valia a pena
e que não estava atrelada a ti,
mas que era a minha vida
e eu teria que vive-la plenamente,
mesmo que sozinha sem a tua presença.
De repente, no ultimo verão,
o sol veio e com ele a luz,
a alegria,
o ardor do peito por coisas boas.
De repente, no ultimo verão,
libertei-me das amarras,
os elos da cadeia se soltaram deixando-me livre
para viver o Amor como ele deve ser vivido
sem culpas,
sem mágoas,
sem arrependimentos.
De repente, no ultimo verão,
vi que a minha vida
valia realmente a pena.
Acordei do longo inverno da tua ausência.

Maura Soares,
aos 09 de abril de 2012, 20.25h

 

 

 

JÁ VAI LONGE...

 

Já vai longe o tempo da brincadeira na calçada 5 Marias, comidinhas, pular corda...
Já vai longe o primeiro dia de aula, a primeira merenda, sopinha de feijão, leite em garrafinha, a alfabetizadora num tempo severo de estudo...
Já vai longe o primeiro dia no ginásio hoje dito ensino fundamental em que se saía do regaço de uma única professora para se encontrar um ser diferente em cada disciplina...
Já vão longe os primeiros olhares para os meninos da classe ou das outras classes no velho Instituto de Educação e o primeiro poema de amor...
Já vai longe o primeiro choro de saudade do amor que ficou para trás e que nos traz deliciosas recordações...
Já vai longe a primeira dança rosto colado ao som do bolero que evoluiu para “de que vale tudo isso se você não está aqui”...
Já vai longe o primeiro vestibular, o nervosismo, o nome na lista de aprovados, professores mais preparados pelas suas trajetórias em especializações...
Já vai longe a primeira formatura com muitos cursos juntos num mesmo salão a escutar aqueles discursos enfadonhos de paraninfos, oradores sempre dizendo os mesmos chavões e quase nada mudou nos dias atuais...
Tudo já vai longe, pois depois de tudo isso os sucessivos empregos, o nascimento do filho, a entrada em grupos literários, outra faculdade, os prêmios de teatro e poesia, e a imortalidade em uma academia de letras.
Já vai longe...
Na entrada da sétima década de vida tudo já vai longe e deixa a sensação do dever cumprido e, claro, sem arrependimento de nada, pois se tivesse que fazer tudo de novo, com outra cabeça, outro pensamento como estou agora, faria sim, só que melhor e muito mais gostoso.
Saberia aproveitar melhor as oportunidades que se apresentaram e por timidez, não fui adiante.
Amaria mais e melhor, entregar-me-ia ao Amor mais e melhor.
Sem arrependimentos.

Maura Soares, aos 30 de março de 2012, 08.15h
http://www.lachascona.blogspot.com/

 

 

 

 

ORPHEU LUZ LEAL
RIO DE JANEIRO / BRASIL
 

O CHORO

 

Por que as pessoas choram
De tristeza ou de alegria
Nos momentos que afloram
Emoções do dia -a- dia?

Na tristeza é natural
Chorar por várias razões:
Pelas dores de algum mal
Ou por outras aflições.

Quando se chora de dor
Causada por algum trauma,
O caso é desolador,
Que aflige o corpo e a alma.

Mas chorar de alegria,
Mexe com a alma da gente,
A emoção nos contagia,
Confortando-nos docemente.

ORPHEU LUZ LEAL

 

 

 

Cyroba Braga Ritzmann
Curitiba/BR
 

 

Mãe

Confiante em Deus, cheia de esperança,
com seu olhar meigo a nos fitar,
semeava amor em eterna bonança,
era a felicidade em nosso lar.

Alicerce que marcou em nossa vida
conceito de direitos e deveres,
sem ter deixado a humildade esquecida,
pelo exemplo ,esculpiu os nossos sêres.

Sempre a Mãe amiga, divina luz.
Tua falta tornou o céu cinzento,
áspero o caminho que nos conduz.

Hoje ainda te sinto envolvendo a ar,
tua cadeira balançando ao vento
e a saudade ocupando o teu lugar!

Cyroba Braga Ritzmann

 

 

 

Adélia Einsfeldt
 

Pétalas lilases

Um pé de Jacarandá
se debruça na janela
derrama pétalas lilases
no chão da minha sala.
Um presente da natureza
todos os dias
durante a primavera.
Tal qual um poema
me encanta e emociona.

Adélia Einsfeldt

 

 

 

José Hilton Rosa
Belo Horizonte-MG
 

O CHORO DA MÁGOA

Com olhos vivos
toquei meus pensamentos,
felinas na noite para voar
como uma pluma que cai.

Um choro de criança
me diz que posso amar
correndo no tempo
não sentimos o envelhecer.

Bebendo o sangue de outrem
dizendo o que não deve
não chora sono eterno
acorda tarde para o amor.

Um brinde em taças rancorosas
quebra qualquer prazer
como um felino esperto
rouba até o néctar sonhado.

O vôo de um pássaro
é exemplo de serenidade
não alimente de lágrimas
grita a busca de qualquer prazer.

Caminhando no escuro sem os olhos
voando no espaço sem as asas
encontra o vazio apenas em um choro
pede a Deus um lugar para o sono.

Um beijo sonhado
Um desejo esquecido
Uma boca sem voz
Um filho sem pai

Assim é o tempo antes da morte!

José Hilton Rosa

 

 

 

Heidy Keller
São Paulo/BR
 

BRANCO NO PRETO

 

Agora escrevo em branco,
Mas agora em um papel preto,
Para que as palavras que escrevo,
Sejam destacadas por completo.

Os sentimentos visíveis,
Em branco eu os formo,
As frases limpas sensíveis,
Aos poucos se transformam .

No preto da cor fúnebre,
O papel se encanta,
De palavras de amor,
É o branco que espanta.

Um novo contraste,
Quem na ousadia vive,
Não deixa que nada te arraste,
Mudam-se as cores e o desgaste.

Heidy Keller

 

 

AURORA IMAGINAVEL

 

Depois que a alma se vai,
E o espírito evapora,
De nada vale as lamurias,
A sua lagrima rola,
Sem sentido, em demora.
Se for para expressar o amor,
Então que seja agora,
De nada vale o seu sofrer,
Depois que se foi embora.
Teve o tempo que o tempo deu,
Tevês os dias teve a hora,
É sua culpa se escondeu,
E a que ficou vivendo e acordou agora.
Ficou tarde ficou escuro,
Virei uma grande aurora,
Imagem de um pensamento,
Que em meu coração mora.

Heidy Keller

 

 

 

Jorge Cortás Sader Filho
Niterói/BR
 

Antero do Sino

 

Vindo ainda pequeno de Feira de Santana com pai, mãe e irmãos, Antero Siqueira desfrutou da calma e da camaradagem dos seus novos amigos que moravam na cidade onde o pai tinha escolhido para sair da Bahia.
Não existiam motivos para a saída da cidade baiana, até que o pai de Antero, Honorato Siqueira, meteu a faca num adversário maldoso e antigo que tinha. Cupelo morreu na hora, não resistiu aos golpes recebidos. Azar o dele, não tinha nada que se meter com Glorinha, filha mais velha de Honorato. Descaradamente, Cupelo havia passado a mão nas pernas da moça, na feira, quando ela fazia compras para a mãe. Embora vistosa e com cara muito bonita, a moça de apenas 16 anos não merecia a gracinha de Cupelo, visto e revisto na cidade como um conquistador audacioso e barato.
Quando Honorato interrompeu os goles de pinga que o safado estava calmamente bebendo, e pediu satisfações ao namorador ordinário conhecido, este não teve dúvidas. Abriu o paletó e mostrou a garrucha que sempre o acompanhava. Esqueceu, porém que quando um pai vai tomar satisfação de mal feito a filho seu, não costuma ir desarmado. E aconteceu o inevitável. Honorato já não estava calmo, nem razões havia para isto. A faca que carregava, desta do tipo de escoteiro, não muito comprida, mas amolada e guardada na bainha de couro, apareceu rápida nas mãos do pai injuriado – era como ele via o fato. Os médicos que examinaram Cupelo constataram três ferimentos, mas ninguém presente, nem mesmo Honorato, contou os golpes desferidos no debochado que deveria saber que mais cedo, mais tarde, ia terminar desta forma nas mãos de um pai, noivo ou marido.
Até resolver direito o que faria, Honorato ficou sob a proteção do coronel Elias, proprietário de um mundão de terras na região. Podia continuar na fazenda, mas não queria viver como bicho coitado.
O coronel, homem de conhecimentos, sugeriu a cidade no interior de São Paulo. Tinha um irmão que morava lá, vivia da lavoura e proclamava a pequena cidade como sendo o próprio paraíso. Honorato mais mulher e três filhos rumou para a cidade, onde já o aguardava o irmão do coronel Elias, que também era conhecido seu.
Enquanto não arranjou onde ficar, morou na fazendola do Quincas, que o conhecia muito bem, trabalharam juntos numa pequena fundição em Salvador, quando jovens. Faziam muitas peças, praticamente todas sob encomenda. O negócio pequeno não era nada ingrato; rendia uns bons trocados.
E foi exatamente uma pequena fundição, em sociedade com o velho amigo e ainda saudoso de ver o metal líquido ganhando forma, que Honorato começou vida nova. Quincas arranjou um empréstimo com o irmão, o investimento não era de monta, mas também não era de assustar ninguém.
A fundição foi inaugurada e os moradores da pequena e calma cidade ficaram orgulhosos de existir naquela pacífica terra um negócio de cidade grande, segundo eles pensavam.
A cidade era toda arborizada, clima ameno, gente tranqüila jogando cartas ou dominó nas praças onde não faltavam canteiros floridos.
O tempo passou, Glorinha casou, Honorato foi avô de uma linda menina com os olhos claros, pois sobravam italianos e descendentes na cidade.
Antero foi bom aluno, podia ter estudado para ser doutor, mas preferiu trabalhar com o pai, na fundição. Em pouco tempo, dominava a arte de construir moldes, conhecer a exata temperatura do forno para derreter metais e compor ligas que faziam a parte final do que executavam. As encomendas eram quase todas de fora da cidade.
Têm fatos que não se explicam. Num temporal furioso, um raio destruiu a torre da igreja da cidade, e o sino veio abaixo, rachando não muito, mas o suficiente para soar muito mal, quando tocado.
Cidade do interior sem igreja não é cidade. Tão logo moradores que tinham por ofício a construção, repararam a torre. Deu trabalho, mas valeu a pena. Ficou faltando o sino, guardado nos fundos da igreja, num pequeno pátio.
Lembraram logo de Antero, que agora dirigia a pequena fundição, para reparar o sinaleiro das horas e instrumento indispensável nas festas.
Antero examinou, pensou, mediu. O sino no pátio tinha conserto e cabia no seu forno. Depois de cuidadosamente reparado, tendo atenção especial para quando soasse não dar a impressão que tinham batucado numa lata velha, mas num instrumento de respeito, o sino voltou ao seu lugar original.
Para encantamento dos moradores e do próprio Antero e os homens que conseguiram recuperar a peça, seu som ficou mais bonito.
Comemoração geral, agradecimentos até do bispo!
E o já não moço fundidor ganhou o apelido de Antero do Sino. Nunca havia desejado fama ou riqueza, mas ficou conhecido, comprou um forno maior e contratou novos empregados, que ele mesmo se encarregou de ensinar o ofício e trabalhar observando sempre o cuidado, o amor pelo que se faz.
O tempo passa célere, e assim aconteceu com Antero e outros moradores. Antero do Sino já havia completado 40 anos.
O filho mais velho do Cupelo tinha um pouco menos idade. Mas guardava o rancor ainda dentro do peito, esta coisa amaldiçoada que destrói gente e o mundo. Descobrira onde estava o homem que matara seu pai, e havia jurado vingança. Honorato estava muito velho, quase não fazia mais do que comer e dormir. Permitia-se, e que ninguém se metesse, a tomar um trago de pinga antes do almoço, e só. Nem cartas ia jogar mais com os velhos amigos, só aos sábados comparecia.
Canalhas não merecem nomes para a posteridade. O filho de Cupelo, na tocaia, atirou quatro vezes contra Antero. Não vai pai, vai filho, pensou a cabeça imunda.
Antero tombou mortalmente. A antiga história de Feira de Santana permaneceu desconhecida.
No seu enterro, o sino da igreja tocou todo o tempo. Som triste, choroso, despedindo-se de quem lhe havia dado alma.

Jorge Cortás Sader Filho

 

 

 

 

Ruth Gentil Sivieri
 

Segredo de Amor

De tudo que se vive o amor é uma doçura
Feita de sonhos, fragrâncias e poesias
E o segredo mais bonito é a ternura
Sendo o legado de várias fantasias.

A luz do olhar é exaltada em sonhos
Os versos que jamais foram grafados
Daqueles encontros felizes e risonhos
Que nunca, jamais, serão tomados.

Os anos passam, mas fica a ansiedade,
De compartilhar os segredos com alguém
Mas dividi-los seria uma atrocidade
E quem iria compreendê-los? Ninguém!

Há lembranças que ficam na memória
Que somente o sepulcro as pode retirar
Visíveis somente a dor e aquela história
De um segredo de amor para guardar.

Ruth Gentil Sivieri

 

 

 

GUIDA LINHARES
Santos/SP/BR
 

SONHO DE ESTRELAS

 

Em sonho subo às estrelas
Feliz e contente a cantar
Parece-me que ao vê-las
Minh`alma põe-se a brincar

E fica louca de espanto
Com tanto brilho e tanta luz
São estrelas com seu manto
Tecido de amor por Jesus

Minh`alma tão pequena
Em meio ao sonho, serena
Resplandece em tanta paz

É como estrela cadente
Que rasga o céu de repente
E muita sorte nos traz

GUIDA LINHARES

 

 

MERGULHO AMOROSO

No mar das incertezas chegamos vazios
derramando lágrimas e enxugando prantos
descemos no fundo da alma em desvarios
deixados pela saudade em todos os cantos

Mergulhamos bem no fundo no coração
para sentir quais devaneios possam ser
aqueles que nos trazem a sutil dimensão
de tudo o que a vida ofereça de bel prazer

Fundo no mar do afeto buscamos o eco ideal
que nos afasta rápido do afundar dos céticos
trazendo o desejo de vivenciarmos o amor real

Tal qual aquele mostrado em sonhos poéticos
substituindo o vazio da vida pelo sentir afinal
o entrelaçamento de almas em corpos elétricos

GUIDA LINHARES

 

 

 

Mercília Rodrigues
Araçatuba/MG/BR
 

 

Bússola

Estrelas, bússola da noite aos navegantes,
Quantas vezes buscaram-te em conflito !
Almas perdidas e sem rumos...errantes,
Olharam-te como Luz do infinito!

À desesperança por ideais sonhados
Entregaram-se almas segurando o pranto ,
No desfalecer em dor, amargurados,
Perderam em si o vilumbrar do encanto !

Na solidão intensa da noite aflora,
Tocando as fibras do ser em toda dor !
Teima em molhar o rosto o olhar que chora,
Ao tentar lavar o sofrer do desamor !

Irmão prostrado em luta, sofredor!
Deixa a luz dos sóis iluminar a estrada !
Volta! Vê ! Aqui ainda há florescido amor...
Aceita as bênçãos do sol na madrugada!

Recomeça ! É nascido o novo dia ...
Prossegue na estrada com coragem,
Enche tua alma com calor e alegria,
Deus não te deixa só nesta viagem!

Mercília Rodrigues

 

 

...E EU TE AMEI

Nessa divinal luz de uma vivência,
Num despertar mágico da existência
Fez-se vida numa expressão do amor...
E o céu aberto cobriu-se em esplendor!
Enquanto a razão adormecida hibernou,
A aurora do amor imerso que imanta,
Nos corações em que a luz se instalou,
Ungiu-se na fé e força da alavanca!
Por labirintos da vida... segui.
Muita luz iluminando o caminho,
Vencendo os desafios, eu antevi:
Esperava-me à beira do destino!
Trazia as mãos raladas pelos espinhos.
O coração palpitante, tão inquieto !
Amei-te entre urzes e desalinhos...
Mas a luz que me seguia bem de perto,
Um atalho, no emaranhado, eu achei
Para entregar-te o amor que resguardei!

Mercília Rodrigues

 

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