MAGAZINE CEN

 

Junho 2012

Edição de Carlos Leite Ribeiro

- 7º Bloco -

pág. 8

 

 

 

 

 

Gerson Severo Alves
Viamão-RS.
 

 

Um Novo Mundo é Possível!


Recriar-se, restaurar, reciclar, realçar,
Relembrar, reconquistar, reluzir, e reaprender-mos,
Amar, amar, amar...
Reproduzir a nova realidade que vai despir os Reis,
Reacender nossos rumos, então, reescrever e reaver,
O Curso da nossa história...
Vamos restituir,
E reassumir a retórica!
Está em nossas mãos,
Reconstruir a Nação!
Redescobrir, a Paz,
Na raiz da Igualdade,
Onde a riqueza e a razão,
Estão na Solidariedade!

Gerson Severo Alves

 

 

ONDE ESTÁ A POESIA?


A Poesia está no teu Olhar, está no sorriso aberto, ou contido,
Nas lágrimas de alegria, ou nos lamentos...
No teu jardim, no teu lar, nos parques da cidade...
Nas folhas das árvores, espalhadas no chão e no vento...
Nas árvores que dançam em harmonia, nas cachoeiras, no mar...
No teu andar... Soberano! Esplêndido!
A Poesia passeia entre as estrelas e repousa nas nuvens,
Nas flores, formigas, nas fantasias e no carnaval...
Na dança das borboletas, festejando a Liberdade!
A Poesia sempre estará na Música, em todos os ritmos...
Mas principalmente em você, quando estiver cantando...
A Poesia está na verdade, na mentira, na dúvida e também na traição...
A Poesia apresenta-se na vertical, e nos permite reinventar... Novos Horizontes!
Ela é Eterna... E agora, está aqui! Porque você é Poesia!

Gerson Severo Alves

 

 

 

JANDIRA ZANCHI
CURITIBA – PARANÁ

 

ENLACE


Nas frestas da lua
espreitava estrelas
faceiras coloridas
– mal saídas –
Mancha estreita da noite
Máscara e mácula
de um moreno siderado
do poleiro sol.
Ao mirar no olho cinzento
do branco astro
– estonteado de tantas marés –
esmoreci no arco enviesado
uma ardência insone
atirada à nau sem farpas
e liberta de cor.
Armava-me para longa viagem
direcionada ao abrasar do oceano
em torno as bordas da fúria
aureoladas de finas camadas
cristalizadas e inconseqüentes

(se da alça da noite me
morresse, conseguiria que
jamais me esclarecesse
o esplendor do dia)

Jandira Zanchi

 

 

O RELENTO DA NOITE


Curva-se à sina
e ao senão
dos varados
solventes ventos
varados
lá no ângulo
- dos capatazes –
rebenta a moura corda
do passado
danado
danoso
doloroso
(ao fundo um céu
de chafarizes)
jasmim ribanceira
lareira de lábios
umedecidos
conchas cavadas
no relento da noite

o assobio de uma estrela espuma na terra
como a vingança do açoite da vida.

Jandira Zanchi

 

 

 

Ceres Marylise

 

PARA O MESMO LUGAR


Verbos vazios de vida
são versos enferrujados,
mas ambulâncias
chegam e retornam
carregando agonias
na eterna noite...

Criticamos Roma
e também somos feras
e alimento de feras:
não importa se circo e pão
são realmente a cura
para nossas misérias...

Há profetas crucificados
mas rimos sempre à toa,
e indiferentes,
apesar de sabermos
que todos caminhamos
para o mesmo lugar...

Ceres Marylise

 

 

 

Dária Farion

 

Apoteótico Coral


Explodem as estrelas em diáfana luz,
O céu se ilumina, os lares se enfeitam,
As almas se extasiam , os risos ecoam,
Chocam-se emoções pela energia do amor.

Desabrocham, em todas as cores, os sonhos.
Assomados os desejos nos corações a latejar,
No altar do infinito vão resplandecer para confraternizar.

A batuta do maestro, vibrando no universo,
Orquestrando a harmonia do cosmos em festa,
Explode o coral das esferas, em apoteótica canção.

Onipresente Jesus
Vem com os homens cantar, no coral do infinito junto entoar:

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.

Magia, alegria, milagre de Jesus , os corações choram, as lágrimas
Em cascatas de luz se derramam, o universo majestoso se engalana.

Dária Farion

 

 

0 CÉU REGISTROU


Poesia incriada na ressonância mórfica
Bordou sob o céu todas as formas de estesia
O poeta deslumbrado fez versos, muitos versos
Nas entrelinhas espelhou a face de Deus.

Em estado de estesiogenia semeou valores
Para os neófitos seguir caminhos de luz
Ver poesia na folha que cai, na folha que brota
Colher flores fragrantes, sonhos verdadeiros.

Vertente inesgotável do desejo, o engenho homem
Uniu mente e coração, construiu templos de saber
Sonhou...Com passos firmes os sonhos perseguiu,
A felicidade, quintessência do amor encontrou.

Havia ainda tantos vazios no tempo/espaço
Mas havia também escaninhos com sementes do futuro
Prosseguir, tentar, ir à fonte buscar água lustral
Regar a coragem, bendizer as lutas e o amor.

Espaços vazios ?
Preencheram-se num parêntesis de berços rosas e azuis.
No santuário do lar abre-se a cortina do palco ao alvorecer
Minutos cheios, dias corridos sombrearam, iluminaram as vigílias.

Fantástico! Ver surgir deste singular universo, pódios abençoados.
Um campo mórfico de amor holístico no ritual preeminente da vida
Com oplon divino, tomias salvadoras, decisões acertadas
Orquestrando no sacerdócio, cânticos por um mundo melhor.

Acrisolado no casulo da ventura, hermético na sublime missão
Cego ao adverso, agora no ângulo de repouso, pelos favônios da fé
O poeta dá graças pelos labirinto palmilhados, pelos sonhos realizados
Pelos versos, poemas prefeitos, reflexo no espelho.

Faria tudo de novo.

Dária Farion

 

 

 

Therezinha Aparecida Válio Corrêa (There Válio)
Pilar do Sul/SP. Brasil

 

Soneto I


Fugiste de mim como a tarde finda...
Que o Sol se põe para entrar a noite.
Deixou-me triste para o pernoite,
Com a dor da solidão infinda...

Que no meu coração apaixonado
Fixou sua intermitente morada,
Deixando-me a dor, atravessada,
Da tua ausência... num poeta desolado.

Olho o luar que foi nossa inspiração
E choro a dorida saudade de você,
Musa dos meus versos e canção!

Nada mais resta a não ser saudade...
Minha amada, minha vida e paixão,
Que menosprezou um amor de verdade!

Therezinha Aparecida Válio Corrêa

 

 

CREPÚSCULO (Indriso)


Finda a tarde e o sol se despede...
Deixando um rastro dourado.
No crepúsculo minhas lembranças se afloram,

Sinto em meu peito uma saudade dorida...
Juntinhos, sentados na relva macia,
Admirados ante a rara beleza do astro rei,

Selávamos com um beijo apaixonado esse momento...
Que ficou todo fim de tarde... em minhas saudosas lembranças!

Therezinha Aparecida Válio Corrêa

 

 

 

J.R.Cônsoli
Belo Horizonte -MG. Brasil

 

O Enigma


Dito assim, tão rapidamente, não me foi possível perceber o valor daquelas informações... só mais tarde, pensando sobre os acontecimentos do dia, pude perceber a exatidão científica daquele trabalho: um oceano de questionamentos e afirmações interessantes de que eu não tinha me dado conta.
Mas, o que fazer agora? O navio já havia partido há pelo menos cinco horas e a noite aproximava-se de mansinho. O ano de 1834 chegava ao fim; a cidade do Rio de Janeiro experimentava uma feliz movimentação devido à véspera do Natal.
Naquela noite as pessoas andavam apressadamente, carruagens e cavalos competiam por um lugar nas ruas, as lojas do centro estavam superlotadas.
Caminhando pela calçada aproximava-se uma senhora elegantemente vestida dando a mão a uma menina dos seus oito anos, que mais parecia dançar no seu andar alegre e saltitante, fazendo balançar suas tranças louras, mostrando o rosto radiante enfeitado por olhos densamente azuis.
Não, não pode ser - pensei - Adelaide já devia estar bem longe das costas do Brasil, mas... que semelhança incrível! Segui as duas, até que pararam junto a uma vitrina de uma loja de brinquedos na confluência da Ouvidor com Av. Rio Branco.
Mantive-me a certa distância, e cada vez mais me impressionava os trejeitos da jovem senhora, que para mim não era outra senão a própria Adelaide.
Por momentos duvidei da minha sanidade... será que estou tendo um tipo de alucinação, estarei sonhando por acaso? Resolvi aproximar-me... nesse exato momento as duas entravam pela porta principal do estabelecimento.
A menina pulava de alegria, por certo já tinha escolhido o seu presente, provavelmente aquela boneca grande que estava bem próxima ao vidro da vitrina, na entrada da loja.
Entrei... qual não foi minha surpresa ao ser reconhecido pela madame que imediatamente veio ao meu encontro, me chamando pelo nome:
- Haroldo há quanto tempo! Por onde anda meu amigo? - Não me diga que tu és a Adelaide!... exclamei cheio de espanto! - Ora, será que eu mudei tanto assim, será que o tempo me maltratou tanto, a ponto de você não mais me reconhecer?
_ Não, não é isso... eu estou meio confuso, preciso conversar contigo:
O que aconteceu, porque o navio voltou?
- O quê!... que história é essa Haroldo, que navio é esse?
- Ora Adelaide, hoje mesmo presenciei o teu embarque para a Europa, estivemos conversando por alguns instantes na sala de espera, ouvi tuas revelações sobre a tese que defenderias numa Universidade francesa, e agora te encontro aqui - estou realmente espantado!
- Olha amigo, não estou entendendo nadica de tudo isso, não estive com você hoje, não embarquei - tanto é que estou aqui - e a tese de que fala, são águas passadas, eu a defendi no ano passado, lembra-se?
O silêncio e uma certa desconfiança mútua tomaram conta dos momentos seguintes. Adelaide pediu licença, foi finalizar a compra do brinquedo, pois era grande a ansiedade da menina que, insistentemente, a puxava pelas mãos.
Caminhei em direção à porta para esperá-la e respirar um pouco de ar puro.
O que será que aconteceu? Que episódio mais estranho... é inacreditável!
Atravessando a rua passava um menino, sobraçando jornais - olhos vivos, assobio nos lábios, pés descalços.
– Vai um aí moço? – disse-me sorridente.
– Sim, tome aqui alguns tostões e pode ficar com o troco!
– Não!?...
(- Jornal do Commercio, Rio de Janeiro - 24 de dezembro de 1835 -)

J.R.Cônsoli

 

 

 

GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA
Nazaré-Bahia-Brasil

 

GRITO DE CRIANÇA


Vocês já ouviram um grito
De criança, faminta e miserável?
O grito é diferente.
Vocês já ouviram?

É um grito fraco e poderoso.
Vocês já ouviram?
Eu acho que não.

É um grito tão alto
Que ninguém é capaz de ouvir,
Porque a ninguém importa.
Se não foi a criança rica quem gritou?
Se não foi o patrão quem berrou?

É um grito fascinante.
É um grito insinuante.
Que dá o que pensar,
Que dá o que escrever.

Mas vocês não ouviram os gritos
Porque suas barrigas estão cheias.
Ninguém pode fazer nada, nem os pais,
Porque também eles
Não tem como fazer.
Acordem. Concordem com o socialismo.
É a única esperança
De não mais ouvir…
O GRITO!

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

A ARMA NOSSA DE CADA DIA


O poeta está armado...
Disse ele empunhando uma caneta.
O pintor está armado...
Disse ele empunhando um pincel.
A policia está armada...
Disseram eles, combatendo o povo.
Chegou a tropa de choque, abrilhantando a desgraça.
O camponês está armado...
Disse ele empunhando uma foice.
O operário está armado...
Disse ele empunhando um martelo.
O povo está armado...
Disseram eles de encontro à esperança.
O governo está armado...
Disseram eles promovendo o terror.
A desgraça brilha na praça.
O povo de encontro à desgraça.
E a desgraça brilha... na praça.

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

 

Donzilia Martins
Paredes/Portugal

 

Memórias


Há memórias eternas que duram para sempre!
Quando lhes tocamos ressoam vida, magia, saudade,
Paragem curta no tempo onde tudo era verdade.
Os momentos tristes, a memória se encarrega de nimbar.
Agora só as horas felizes em sons sonantes tocam hinos de alegria
Nas vibrantes cordas do coração.
Nelas adormecemos como se sempre houvéssemos sido anjos
Com asas azuis voláteis pelos espaços voando.
Repassam os momentos ledos, aqueles que embalaram os sonhos
Os desejos, os anseios, os medos, as conquistas consagradas
Dos tempos inesquecíveis que não voltam mais.
Sentados no colo do tempo, pegamos na memória. Embalada na mão
Ela se aninha carinhosamente em nosso peito.
Fala-nos do amor, da vida, do caminho, dos sonhos,
E, como um filme na tela, repassa tudo o que somos daquilo que fomos.
O céu veste-se de novo de azul, transparente
Acenando ainda farrapos de sonhos espalhados pelo que aparentamos ser.
Sorrimos. Estendemos o abraço, os beijos, os olhares, para apanharmos as coisas.
Elas, aladas pairando no ar, fora do alcance do abraço sorriem para nós!
Mas apenas sorriem! Tentamos então atar os laços da memória
Damos-lhe o beijo adormecido no peito.
Ela, amiga, companheira inseparável do tempo, abre o caminho com jeito
E, de alma esfarrapada reescrevemos de novo a nossa história.

Donzilia Martins,11de Maio 2012

 

 

O Amor


Amor! Amor! Amor!
Da mãe, dos filhos, dos amigos, do esposo amante.
O que importa é que da alma brote o amor,
Aquela dádiva, aquela chama, aquela paixão inquietante
Que se dá em troca de tudo e nada.
O amor dá-se, verte-se, respira-se, vive-se e ilumina
Para encher de luz a vida dos que amamos.
Amor não é só paixão. É muito mais que isso
É tudo o que fica depois que tudo acabou.
Estende-se para além do outro, do tempo, do espaço, de nós.
Vive pela eternidade, é eterno, infinito, singular, até é sol e luar.
É quando no imperfeito, tudo é perfeito e imortal.
Amor é um cântico de esplendor soando assim estendido em quadra popular:
“Dizes que és meu amigo, eu por obra o quero ver
O dizer sou teu amigo, pouco nos custa a dizer.”
O amor quer obras, mãos, laços, abraços, entregas em cada olhar.
O amor é cada dia feito de pequenas coisas que sempre fazem sonhar:
De infinitos gestos calados a encher a vida inteira,
Uma flor silvestre, uma paciente espera, uma palavra doce,
Um hino de louvor, quando apetece gritar.
O amor é assim: não precisa de ter dia nem de santo Valentim
Nem 14 de fevereiro ao namoro dedicado
Todos os dias de amor são altares de namorado.
Que o sintas, que o dês, que o vivas, que o toques sem cansar
E que o amor sempre brilhe nessa luz do teu olhar.

14 de fev 2012
Donzilia Martins

 

 

 

Dhiogo José Caetano
Uruana/BR

 

GRANDE BEST SELLER


A vida, o ser, a cor, a história...
Em papéis, tintas, lápis, molduras, portais...
Um artista que expressa e da vida aos sentimentos.
A arte que de forma sublime alimenta o artista.
A expressão de forma simples e complexa se eterniza diante daquele que vê.
A música dança, palcos, cenários...
Aprisionado!
Subjugado!
Nego o meu ser!
Já não sei quem sou...
Será que tenho vida?
Vida!
Penso que existo...
Infinitamente arte...
Uma dança ao som de uma bela música clássica.
Aquela menina bailando como um anjo que paira no ar.
Não consigo definir sua forma, mas a sua beleza é inigualável.
Todos se encantam, com tão grande beleza.
A métrica se funde com a musicalidade.
Rima poética, trova poética, prosa poética e tudo poema.
Poema é tudo em meio ao nada.
Poema é vida.
Vida é poema.
Tudo é poema.
O nada também é poema.
A dor é poema.
A noite é poema.
Poema é amor, paz, felicidade...
Na minha escrivaninha as palavras...
Uma saga de expressões, sonetos e indrisos.
A verbalização das palavras, sentimentos, rumores e lirismos linguísticos.
Do inicio ao infinito se semeia a clarividência das palavras.
Palavras que são lançadas ao léu, que pairam no tempo e tornam-se elementos, signos, estilhaços, cordéis, simulacros das vozes dos vários poetas.
Erotismo, romantismo, lirismo, cubismo, essencialmente poema.
Meus poemas, nossos poemas, tudo poema...
Dores, amores, tristezas, angústias, sentimentalismos a flor da pele.
Encontro de gênios e artistas.
Inspiração, criação, ilusão, misticismo, psicografia, fascinação, livros e poematização.
Aqui, lá, ontem, hoje e sempre.
Poema sempre poema.
Uma forma, mil formas, sem forma...
Um portal literal de emoção e narração.
Romeu, Julieta, Monalisa, pedras na estrada, moreninha, Iracema, canção do poeta, versos e rosas.
Poema humano, humanístico poema...
O silêncio das três horas da tarde anuncia um conflito sentimental.
O tique-taque do relógio soa.
Os cachorros latem, os gatos miam e galos cantam.
Os sons dos carros provocam o causo em meio à calmaria daquele lugar.
Fazia muito calor.
Na lembrança o passado revivia.
Lembrava das flores do meu jardim que não mais existiam.
Das pessoas amada que por diferentes motivos não mais faziam parte da minha vida vazia.
Do prazer surreal que na noite passada me consumia.
Lembrei da infância, dos momentos difíceis de uma vida marcada com muita dor, solidão, injustiça, medo e descaso das pessoas que ali existiam.
Em meio a minha casa ecológica em um espaço totalmente urbano, pensava e contemplava as estrelas que no céu avista.
Sentia uma solidão profunda, um desequilíbrio da alma.
Buscava forças de Deus e do universo para suportar.
As lágrimas jorravam dos meus olhos negros, e profundamente assassinados pela ilusão de uma existência inóspita.
Que frio sentia naquela noite vazia.
A solidão me consumia.
Durante anos pensei, vivi e busquei ser feliz.
Hoje longe de casa, descobrir que ser feliz é algo simples.
Os almoços nos domingos em família era algo sublime...
Ir à casa da minha amada avó era simplesmente mágico, inesquecível.
As palavras da minha mãe alimentavam a minha alma.
As pessoas a minha volta completava o meu ser.
As flores do meu jardim me mantinham vivo.
Os pássaros que cantavam na minha janela alegravam os meus dias.
O que achava simples era de extrema complexidade na minha vida que se preenchia naquelas noites frias.
Eu era feliz e não sabia!
Hoje de muito longe lembro de tudo, mas o tudo simplesmente evaporou no ar.
E mesmo tendo tudo materialmente falando, posso dizer que nada tenho!
Pois as maiores riquezas da minha existe, não existem mais!
Tudo que me resta e lembrar, lembrar e lembrar.
E na mais perfeita harmonia o meu eu e os poemas se misturam.
Não sou palavra, mas sou poema.
Sou trova que completa a luz desta existência.
Sou verso que no dia a dia renasce na fala, no sorriso, no olhar e na alma dos apaixonados.
Sou a paz que buscamos todos os dias.
Sou a liberdade e a esperança de um novo amanhã.
Sou o dia, sou o nada.
Sou o sentimento que emana a vida.
O prazer, a emoção contemplativa da natureza.
O poema que nasce em me renova na leitura do outro que não conheço, tornando real o prazer de viver e de poematizar o meu eu em você.

Dhiogo José Caetano

 

 

Mentes Famintas


Inúmeros olhares, um só desejo.
Um sonho multiplicado por dezenas de sonhadores.
Perguntas, respostas, tempo e regras.
O senhor tempo está no controle.
O raciocínio precisa ser lógico e ilimitado.
Que pena!
Queria entender a vida e suas regras.
Nada é por acaso!
Neste momento de encontro, também é de despedida.
A busca por um sonho nos faz emocionar, sentir a pressão psicológica de mais uma vez tentar.
Vamos tentar, vamos acreditar, vamos além do que imaginamos!

Dhiogo José Caetano

 

 

 

Cida Valadares

 

Pensando em Você
Pensando em você...
Percebi quando minha alegria se fez triste,
e meu olhar se perdeu na longínqua estrada
do infinito!
Quando meu peito se oprimiu e até
me faltou o ar,
dando-me a certeza de que já não mais era
o alimento de minha vida.
Pensando em você...
Assisti ao desfile de intermináveis madrugadas
em minhas noites insones, insalubres,
camuflando meus sonhos,
em meio aos meus pesadelos.
Quando meu corpo retesou
todos os meus desejos e,
letárgico, não me aqueceu ao leito.
Pensando em você ...
Eu chorei lágrimas de sangue
quando senti de seus afagos, devoluto o
meu coração,
afogando-me, somente,
em vazios e escuridão.
Onde será,que se encontra agora , você,
único personagem da minha memória?
Por quê se foi e levou consigo a minha alegria,
a minha vida, os meus sonhos e os meus mais ansiosos desejos?
Por quê, não levou, também...
Esta saudade que me acorda todos os sentidos
e estas lágrimas que percorrem em minha face
este vazio...e todas as respostas que se calaram,
emudecendo-me a razão.
Apenas...
Sinto o embalo do vaivém de minhas dores trúcidas,
quais ondas agigantadas por mais um lamento
suspirado, estilhaçado,
sufocando meu peito
e deitando-o no leito
num eterno adormecer.
Fechando-me, enfim, os olhos,
cerrados pelos abrolhos
Quando me fez...
Morrer!

Cida Valadares

 

 

TEU RETRATO


Ah, meu amor, é na penumbra,
que a minha mão passeia, tão carente…
Busca no passado o teu sorriso ausente,
o teu abraço, aconchego do meu corpo, em solidão!

E os meus olhos, mergulhados em quimeras,
Já não suportam mais trilhar tantas esperas, nesta
carência ensandecida, do meu coração…

Eu só queria olhar-te uma vez mais,
e no tremular da vela do candelabro,
Hipnotizar-me enquanto toco o teu retrato,
tateando teus traços, docemente…

Esquecer a dor que engravidou-me o peito,
Que me sufoca e cresce de solidão meu leito,
convulsionando meu corpo de…desejo.
Este desejo que sopra e arde, qual fornalha,
atiçando o fogo na mortalha com que me dispo,
esperando o corpo teu…

E para não sentir mais, nenhum maltrato,
Adormeço, acariciando entre mil beijos…
A doce imagem que me restou de ti:

O Teu Retrato!

Cida Valadares

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