

MAGAZINE CEN
Junho 2012
Edição de Carlos Leite Ribeiro
- 8º Bloco -
pág. 9

Jorge Xerxes
São Carlos-SP/BR
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O celibatário
Ele caminhava junto a dois outros homens pela trilha
por entre as pedras, arbustos de um verde vívido e
árvores – permitiam apenas a passagem de
privilegiados fachos de luz. Por detrás – e além do
seu campo de visão – sabia do céu límpido, azul, do
sol da manhã a aquecer os seus corpos, garantindo o
hálito úmido daquelas paragens. Nada poderia
desencaminhá-los de seus desígnios. O mais velho
dissertava sobre a importância da alimentação, do
sono e de atividades físicas regulares. Nada em
demasia. O importante era a qualidade e a
regularidade para a garantia da manutenção do corpo
saudável, segundo ele, essencial também para a
elevação do nível mental e da conexão supramental.
“Caso contrário o seu corpo padecerá, irá derreter,
a pele escoará sobre os seus ossos, restando apenas
uma estrutura cadavérica, desprovida de energia e
será o fim de sua jornada nessa terra”. Mas quem era
aquele velho sábio, de olhar penetrante, enérgico; e
também o outro companheiro, aproximadamente da mesma
idade de Renato? Agora o som distante de quedas
d’água a absorver-lhe totalmente a sua atenção. A
trilha parecia levar às cachoeiras da alma, cujo
trabalho das águas havia resultado, através de
sucessivas eras, numa bacia côncava, ampla, plácida,
acolhedora ao mergulho. Renato já não notava a
presença de seus companheiros. Haviam-no deixado
nalgum momento da caminhada. A mata limitava-se aos
bordos do grande lago. A essa altura o céu de um
azul intenso podia ser apreciado em todo o seu
esplendor. O suor escorria sobre a sua face, o sol
presenteava-lhe com o seu calor. Tirou as suas
roupas, calmamente dobrando-as e deixando-as sobre
uma pedra mais saliente. Entrou na água, ela
regenerava o seu corpo cansado do longo percurso.
Mergulhou, afundando todo o seu corpo, deixando-o
alguns poucos segundos ao sabor da corrente. Quando
emergiu, notou a presença de duas ninfas. Eram belos
espécimes femininos, plenas, seguras de seus
atributos; os semblantes plácidos daqueles seres
sencientes de seus poderes – e também de suas
limitações. Uma delas estava na outra margem,
deitada sobre uma grande rocha, as mãos entrelaçadas
sobre os joelhos, o corpo nu arqueado para trás, a
cabeça fitava o céu, a sua pele clara absorvia todo
o espectro luminoso da manhã. A segunda estava de
pé, com a água pouco abaixo dos joelhos, também
próxima àquela margem. Apercebeu-se da presença de
Renato quando ele lhe dirigiu a atenção. Uma
resposta intuitiva da percepção. Era alta, quase da
altura de Renato. O corpo firme, bem torneado. Os
seios fartos e umedecidos pela água pura da
cachoeira, que a brisa insistia em evaporar,
deixando os seus mamilos eriçados. A sua bunda tinha
uma curvatura doce, perfeita em regularidade e
conteúdo de ambos os glúteos. Os longos cabelos
encaracolados caiam-lhe até a metade das costas – a
imagem de uma deusa. Renato olhou nos olhos dela que
fitavam os seus. Ela atravessou a bacia nadando,
calmamente, sem que perdessem o contato visual. De
perto, o seu hálito era doce e ele podia sentir a
sua respiração acelerada. Ele sabia que o sentimento
era recíproco. Aquela bela fêmea enxergava no fundo
de seus olhos um homem seguro, consciente de si, de
seu entorno. O seu pau estava duro como uma imbuia,
latejante, e ela podia perceber a pulsação daquele
nervo erétil. Os seus lábios se tocaram. As línguas
se entrelaçavam num balé delicioso e táctil. Renato
sentia com grande prazer o contato de seu peito
àqueles seios macios e quentes. Ela fez sinal para
que ele se deitasse, beijando o seu pescoço,
descendo suavemente pelo seu peito com sua língua
até cobrir docemente o volume de seu pinto com toda
a sua gula. Ela deliciava-se com aquele aperitivo;
Renato regozijava-se ao menear de seu pau em contato
a sua língua e às superfícies internas de sua
bochecha macia. Depois foi a vez de ele retribuir as
carícias com um longo passeio de sua língua pelas
circunferências que delimitavam os seus mamilos. Ela
demonstrava o seu encantamento com gemidos breves,
doces de prazer. Ele penetrou os dedos pela sua
boceta para sentir aquela reentrância quente e doce
de suas carnes. Depois levou a boca em direção aos
grandes lábios e sua língua a acariciar-lhe o
clitóris vibrante. Ela jogava o seu corpo para trás,
esticava os seus braços, as mãos, os dedos, todas as
suas extremidades num prazer descabido. Ambos sabiam
que as partes funcionando em consonância resultavam
numa energia muito maior que o todo. Então ele
levantou os olhos. Fitaram-se longamente. Renato
penetrou o nervo vivo em sua acolhedora, aveludada e
deslizante caverna. O movimento de seus corpos era
síncrono. E não tiravam os olhos um do outro, como
que fitassem as próprias almas. Seus corpos vibravam
numa dança doce, indescritível. Até que, como um
raio, ambos fossem atingidos simultaneamente por
aquele gozo intenso, paradisíaco. Era como a
descarga de uma grande explosão, que vinha do âmago
de ambos os seres.
Renato despertou. Ele tinha gozado na cama e
precisaria lavar pessoalmente os lençóis para que
ninguém se apercebesse daquilo. “Que merda”, pensou.
Depois ponderou melhor, sorriu, e voltou a cair no
sono. Às cinco e meia da manhã o badalar dos sinos o
despertou. Renato cuidou de sua higiene pessoal,
orou em jejum, das seis às oito, como de costume.
Depois tomou o café da manhã com os outros
seminaristas.
Entretanto, nada mais seria como antes. A vida fluía
intensa pelas areias da ampulheta de seu relógio.
Naquele mesmo dia abandonaria o seu anseio de ser
padre. Pode ser que nunca tivesse uma alma gêmea com
a qual compartilhasse o vislumbre daquele sonho
tórrido. Mas tinha absoluta certeza que lutar por
isso valeria muito mais que todos os fios de cabelo
na sua cabeça.
Jorge Xerxes
www.jorgexerxes.wordpress.com |

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Um cemitério no
meu jardim
Ele estava refestelado ao sol da manhã, para
fugir da dor implacável, mas sua alma permanecia
fria como uma lápide; um espírito contrito.
Fechou o livro. E dirigiu a mim aquelas
palavras.
O ser humano, dito racional, é a causa dessa
minha dor. Esse anseio besta pelo infinito. É só
quando fito o céu noturno, e posso observar as
estrelas em sua permanência de bilhões de anos,
que posso apreender isso a que denominam
eternidade. Todo resto é parte dessa farsa do
efêmero, a grande farsa de nossa civilização.
Uma ampla gama de disciplinas lógicas
desenvolvidas a partir de um erro em sua
essência. Não é preciso grande aprofundamento
nos fundamentos da economia para aperceber-se
que a crença na acumulação de riquezas encontra
a sua restrição nos recursos dessa nossa esfera
celeste. Ainda assim insistimos em revesti-la de
fina camada de concreto e lixo. Assim como não
preciso ser um especialista em biologia para
identificar a espécie que é a verdadeira praga
desse planeta. Estamos a desestabilizá-lo há
milênios e as medidas de contenção são
claramente desastrosas: criar o gado para o
consumo, as grandes plantações de cereais
substituindo áreas imensas de vegetação nativa.
Substituindo e transformando uma grande
diversidade de espécies por sete bilhões de
criaturas orientadas para o consumo desenfreado,
valores distorcidos e a autodestruição.
Levantou da cadeira, deixou o livro sobre ela,
fitou o infinito do céu azul. Se por um lado o
sol aquecia o seu corpo, soprava concomitante a
brisa gelada daquela manhã de outono. Então ele
fitou fundo os meus olhos e prosseguiu.
É coisa que não vem de hoje: a ideia do racional
que é transmitida através das gerações. Ainda
assim, a história descreve em detalhes os ciclos
sucessivos de dominação e da exploração do
humano pelo semelhante. Uma luta desenfreada
pelo poder, a usura desmedida, a arrogância, a
presunção e o enxergar não muito além do próprio
umbigo. O ser humano a espalhar um amplo
espectro da dor e do sofrimento permeado por
ideais de esperança numa paz que nunca chega.
Não, o ser humano não é – nem nunca foi –, em
última instância, racional; e o pior é essa sua
pretensa elevação, atribuída à quimera da
racionalidade.
Dito isso, ele tomou a enxada que estava
encostada num dos pilares da edícula e pôs-se a
cavar. Tchop, tchop, tchop...
O ser humano verdadeiramente humano e consciente
de si deveria cavar um buraco, enterrar-se e
aguardar pela morte enquanto reza para que os
seus nutrientes sejam distribuídos em condições
equânimes aos vermes que habitam as
circunvizinhanças de seu jardim. Ele sabe que
toda a criança chora ao nascer o primeiro dia de
sua morte, toda uma vida de dores e desencantos
pela frente. Então, porque aguardar pelo corpo
senil, cadavérico, pela pele enrugada, um
punhado de ossos carcomidos e desprovidos de
musculatura sadia para doar-se a terra?
Doar-se-ia já!
Há, há, há! Ouvindo-me falar assim você deve
imaginar que sou algum tipo insano de altruísta,
de idealista. Qual o que, meu pai ensinou-me
muito bem: eu sou hu-ma-no! Essa praga da pior
espécie. Sou arrogante, egoísta ao extremo. Eu
sei, para que EU possa prosperar, você deve
perecer.
Ele tomou-me em suas mãos com zelo e disse:
Adeus Brás Cubas! Jogou-me ao fundo da cova
rasa. Ainda pude ouvir o murmurinho do trabalho
com a enxada a cobrir o meu corpo. Tentei
gritar, blasfemei todas as gerações pregressas
de insanos como ele, sem efeito. Fui enterrado
vivo.
Ao longe, abafado pela terra ainda pude ouvir:
Que lindo cemitério de livros eu tenho em meu
jardim!
Mas sou eu que habito o chão desse cemitério a
céu aberto de humanos – ainda tive tempo de
refletir.
Jorge
Xerxes
www.jorgexerxes.wordpress.com |

Rita Rocha
Santo Antônio de Pádua-RJ-Br
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Felicidade
A felicidade mora em meu coração.
Podes crer! Vivo feliz do meu jeito
A saudade passa longe do meu peito
Comigo, o que não mora é a solidão...
Tenho a alma tatuada de perdão
A infelicidade aqui não faz estágio
Porque o sol da felicidade brilha forte
Sem sombras de saudade há boa sorte.
Ser feliz é uma questão de saber viver.
Aceitar o que não se pode mexer...
Conviver como que se tem, e saber agradecer...
Com Deus todo poderoso as dores vencer.
Ser feliz é saber vencer
Não se aborrecer com banalidade
Fazer o certo, pra não se arrepender.
Também é uma forma de felicidade.
Rita Rocha
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Meu Outono
Com a chegada do outono
É bem comum nesta estação
Ver folhas bailando ao vento
E se espalhando pelo chão...
Vão caindo suavemente...
Em bela e doce canção...
Pra agradecer a natureza
O milagre da renovação...
As árvores vão se despindo
Das velhas roupas de então,
Não querem carregar vestígios
Que lhes tragam recordação...
Bem se parece a minha vida
Com determinada estação
Deixando pra trás sem apego
Todo calor do verão...
Rita Rocha |

Fatima de Royes Mello
Bagé/RS/Brasil
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Cansei dos Sonhos ruins..
queria saber com afastar de mim
os sonhos ruins
como deletar de minha vida a tristeza
que consome e corrói minh'alma
queria hoje um colo de mãe
pra deitar e deixar correr
essa lagrima que teima em vir
queria sonhar somente com a alegria
que os dias fossem somente com sol
que a escuridão fosse apenas da noite
mas mesmo assim com um céu estrelado
queria a mansidão de um rio
de águas límpidas sem dejetos dos homens
Ah sonhos bons !
Porque não chegas para mim
cansei de ser a forte a que tudo suporta
que busca carregar o mundo nas costas
cansei de amar intensamente e sem retorno
cansei ...cansei... cansei.
Fátima Mello- fofinha
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SOU
No manancial da verdade
me banho desnuda
entre hibiscos e flores multicor
me deleito em seus perfumes
Sou manha de sol radiante
entardecer de sol poente
sou límpida como cristal
sem macula procurando sempre
da imperfeição me furtar
Procuro ser sempre chuva mansa
que molha a terra sem destruir,
ser sol da primavera
que as arvores ajuda a florir.
Sou verdade sou amiga
O verbo mentir não sei conjugar
prefiro sempre o verbo unir
pra que possa em minha cama dormir.
Fátima Mello [fofinha] |

Fernandes Oliveira
Praia Grande-SP/Brasil
|
o que faz de mim poeta
o que faz de mim poeta
não é a fácil maneira
de contradizer o mundo
e querer consertar o que de conserto se dispensa
o que faz de mim um poeta
é ter um prazer infindo
achar o dia do nascer ao poente,
todo lindo
mesmo que um fina garoa
sobre a cabeça me caia
que ao parco verso
venha não aplauso e sim, vaia
o que faz de mim poeta
é tentar horas, gritar seu nome
provar para o verbo
que o domínio lhe sobrevem
que horas fico insone esperando alguem
que se quer existe
o que faz de mim poeta
é cantar música triste
e poder chorar alegremente, mesmo que só,
e não em becos escuros
o que faz de mim poeta é olhar o passado
e sonhar acordado no presente projetando futuro
o que faz de mim poeta
é poder quebrar toda regra
e ainda sim viver preso a um único sentimento
e transformá-lo em verso.
Fernandes Oliveira |

|
Apedrejem-me, por
favor!
Apedrejem-me, por favor!
Não, não a segure, a primeira pedra lance
quem, dentre vós, não tiver pecados
de cometê-los não perdi nenhuma chance
e se de joelhos em sangue manchados
estiveres vós, não temais se ao alcance
de vossos lábios meu nome num relance
proferido for, deixá-los queimados.
Assim aos carnudos lábios purpúreos
que minha língua toque vossos seios
em leves orgias, vos rasgando os úteros
os fins sempre justificaram os meios
todos meus desejos, que eram inúmeros,
nas doutrinas e sacros ritos efêmeros
eu revelo a todos, sem dó, matei-os.
Fernandes Oliveira |

Ary Franco (O Poeta Descalço)
|
A VOLTA DO PESCADOR
Vento que leva meu barco, enfunando-lhe a vela.
Cabe a mim apenas manter mãos firmes no leme,
Singrando no rumo certo, retornarei até ela.
Graças ao teu sopro, dispensável que eu reme.
Continues forte, assim chegarei mais rápido.
Meu peito está ardente, flechado por Cupido.
Quero de imediato aportar em meu destino.
Cobrir de beijos meu amor, em doce desatino!
Céu estrelado. Minha rota é iluminada pelo luar.
Brisa suave em meu rosto, sigo a rasgar o mar.
Já vejo as luzes da praia no horizonte distante.
Nesse aproximar, tenho o coração palpitante.
Pouco pescado. Só trago no peito muita saudade.
Mas, quando em seus braços, cessará esta ansiedade.
O frio da noite me açoita, mas logo com ela estarei
E, no aconchego dos seus carinhos, me aquecerei!
|

|
ABRAÇA-ME
Sinto frio na ausência
de teu calor.
Nem que seja em pensamento,
Rogo em nome de nosso amor,
Manda-me um abraço como alento...
Esta distância é assaz muito cruel,
Não conto mais contigo junto de mim.
Desde que me devolveste o anel,
Só penso em minha vida dar fim...
Volta, te aguardo de braços abertos!
Traz contigo aqueles mesmos afagos
Que me fazias quando estávamos pertos.
Minha existência está em frangalhos...
Pudesse eu saber do teu paradeiro,
Correria a ti para pedir perdão
E, num empenho derradeiro,
Trazer-te de volta ao meu coração. |

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis - RJ
|
Na garupa da ilusão
Nas trilhas da vida, andei aqui e acolá
colhi ervas, banhei-me nas folhas de chá
Corri pelos caminhos, pulei altos muros
Do outro lado do desafio, sai do escuro
Montei na garupa da ilusão, venci o vento
Enfrentei a rejeição sem nenhum alento
Enrolei beijos doces, pintei lábios e bocas
Aplaudi o espetáculo na casa das loucas
Vi chuva de estrelas na solidão da lua
Vaguei no horizonte da porta da rua
Dormi sem aconchego na cama de palha
Acordei nas tranças da rede de malha
Encontrei as letras guardadas na gaveta
Misturei todas e fiz versos para o planeta
Engoli labaredas de fogo, lacei histórias
Em campo minado construí a memória
Corre o rio, dança a manhã e transcorre o dia
Passa o tempo e a chuva e não passa a agonia
Navego nas ondas do desejo de te encontrar
E no porto do amor nos teus braços ancorar
Rozelene Furtado de Lima |

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TEM MAGOS EM MIM
Sou envolvida numa onda de emoção.
É como se o tempo tocasse uma canção
E eu não soubesse a letra e nem cantar.
Sinais nítidos que a vida vai mudar.
Um vento quente sopra aos meus ouvidos
Versos há muito esquecidos
Um frenesi que me faz perceber
O que o silêncio quer esconder
Tem magos em mim que querem você
Eles me tornam atraente:
Maquiam meus olhos com brilho reluzente,
Aveludam a face e encantam meu sorriso,
Nos lábios, doce sabor de fruta do paraíso.
Nos pés, passos de uma dança sedutora.
Acionam os sentidos de alerta de caçadora.
Colocam todo meu ser em prontidão.
Pressagio você vir em minha direção
Junto com Cupido e outros seres alados,
Sinto suave aroma almiscarado
Que se espalha incensando o ar,
Exortando incontrolável desejo de amar.
Vamos nos encontrar... Enfim!
Tem magos em você que querem a mim.
Rozelene Furtado de Lima |

ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS
PELOTAS-RS-BRASIL
|
A FELICIDADE MORA EM MIM
Geralmente, as pessoas tendem a ver o que podem
extrair de um relacionamento, para sua própria
felicidade e não o que podem oferecer, para o bem do
outro. É uma maneira egoísta de se relacionar.Isto
em qualquer tipo de relacionamento.
Assim, o relacionamento e a convivência tenderá a
ser satisfatória e a dar certo, na proporção da
satisfação que alguém possa ter em função do que
obtiver e não do que proporcionar. Isto significa
que o outro é que tem que estar a nosso serviço, ou
melhor, a serviço de nossa felicidade. É uma atitude
passiva, na qual se verifica que a nossa felicidade
está no outro. Na realidade, a nossa felicidade está
em nós e nas nossas circunstâncias, ou seja no que
podemos fazer, realizar,desenvolver em prol da
realização de nossos desejos, aspirações,de nossa
vocação, procurando sobretudo servir.É um processo
inverso do outro.É outro o raciocínio.Precisamos
repartir para multiplicar.Quanto mais tiramos do
outro, na realidade é porque menos possuímos.É
necessário sair de dentro da casca, de nascer e se
abrir para o mundo, para as pessoas que nos cercam,
ver cada um como único, completo, capaz. Na medida
em que o enxergamos desta maneira, o entendemos
capaz de administrar sua própria vida, sem querermos
ter a pretensão de achar que nós é que sabemos o que
é melhor para ele e com isso nos acharmos no direito
de dizer e ditar regras do que fazer e como fazer, o
que buscar, com o que se contentar achando que os
desejos, gostos e prioridades são os mesmos nossos.
Ignoramos o outro como pessoa. Julgamos-nos donos de
sua vontade. É um posicionamento que tolhe, castra,
ao invés de proporcionar desenvolvimento,
amadurecimento, auto-conhecimento, evolução e
realização. Daí encontrarmos tantas pessoas
infelizes, vivendo como robôs, cumprindo rotina,
tarefas, obrigações de forma a só cumprirem uma
agenda por outros escolhida e determinada, como se
viver fosse uma obrigação e não uma dádiva. Não
estão vivendo sua verdade, não estão realizando um
processo que lhes faça sentir que estão se
desenvolvendo como pessoas. .São robôs a serviço de
terceiro. Prisioneiros de uma relação, escravos de
um senhor e não empreendedores da própria
felicidade. Por isso encontramos tantas pessoas
amarguradas, sofridas, parecendo sem perspectiva de
futuro. Não parecem estar vivendo, no verdadeiro
sentido, isto é, dando-se a possibilidade de mudar.
A vida implica em mudança,
crescimento,desenvolvimento, troca, partilha,
aceitação e sobretudo liberdade, amor e alegria.A
idéia que temos é que estas pessoas vivem como se
tivessem que bater ponto na vida, isto é, cumprir
uma obrigação, uma tarefa com tudo controlado,
pré-determinado e previsto , de forma subordinada .
Bate-se ponto no trabalho, que também deve ser
motivo de alegria, pressupõe liberdade de escolha,
aptidão, realização de potencialidades, processo de
reafirmação e realização da dignidade humana.
Com a vida é diferente. A vida é benção, por isso um
contínuo ato de louvação, de agradecimento, de
compromisso com a liberdade própria e do outro, com
a felicidade, com o amor, com a doação, com a
solidariedade e gratidão.
Isabel Cristina Silva Vargas
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A IMPORTÂNCIA DOS
GRUPOS
Com o aumento da
população idosa, estes passaram a conviver muito
em grupos, para saírem do isolamento e assim
afastarem as tristezas tão características desta
fase, na qual nutrem muitas vezes sentimentos de
desvalia, de abandono, pelo fato de não terem
mais as obrigações de outrora, quando marido e
filhos pequenos exigiam muita atenção e
trabalho. A aposentadoria, perda do cônjuge
também causam depressão assim como
relacionamentos difíceis com os demais parentes.
O grupo é importante na inserção no convívio
social, auxiliando na superação de problemas
desta ordem.
É aconselhável que aqueles que convivem nos
grupos, o façam de modo a buscar alternativas
saudáveis para viverem e conviverem. É um
exercício de tolerância na medida em que é um
espaço que tem que possibilitar a livre
manifestação de todos os participantes
independente das diferentes opiniões e
convicções, de gosto pessoal.
Há pontos que devem ser observados, como a
flexibilidade, pois devem sempre prevalecer as
decisões de consenso e não as opiniões
individuais. Isto significa que não há lugar
para rigidez de posicionamento, devendo cada
participante ser cooperativo e não competitivo.
O salutar não é vencer ninguém, muito menos
adotar posturas que isolem, e sim proporcionar
que todos ganhem e este ganho não é material, é
interior visto que proporciona diversão,
entrosamento, ensina a respeitar opiniões, a
acolher o outro, conviver em harmonia,
respeitando cada um individualmente.
Cada participante tem que saber a hora de dar
espaço para o outro crescer. É saber ser
discreto e aprender que todos têm que ser
protagonistas.
É necessário que haja troca, intercâmbio de
idéias, de sentimentos, conhecimentos,
experiências.
Nestes ambientes há possibilidades infinitas de
crescimento, de apoio, basta escolher aquele que
mais se identifique com cada um, pelos
participantes, pelos objetivos, ou pelas
atividades desenvolvidas.
A intuição (não devemos ignorá-la), a
experiência, as afinidades guiarão cada um para
que a participação seja prazerosa para si e para
o grupo.
Pode ser também espaço de manifestação de fé,
confiança em si e no outro, em Deus e na vida.
É fundamental que proporcione sempre
aprendizagem e crescimento, que podem ser
traduzidas até pela melhor convivência que é
resultante de disposição interior associada à
uma boa dose de disciplina no sentido de cumprir
os objetivos propostos.
O grupo será o resultado da soma das intenções
individuais, que se entrelaçarão formando uma
unidade maior cuja identidade deve abranger e
valorizar cada um como parte integrante,
importante e indispensável no fortalecimento do
todo.
Há oportunidade para conviver, dialogar,
interagir, desenvolver novas habilidades,
divertir-se, auxiliar os que necessitam, mudar
atitudes que prejudicam o participante, o grupo
e até mesmo seus relacionamentos familiares
visando restabelecer e/ou manter a saúde e
oportunizar melhor qualidade de vida.
Isabel Cristina Silva Vargas
|

JOÃO PEREIRA CORREIA FURTADO
CIDADE DA PRAIA-REPUBLICA DE CABO VERDE
|
PARA MINHA FILHA, MÃE BELMA
Tu és, hoje, mãe da minha neta
E eu nem dei pelo tempo passado
Continuo vendo-te, filha, brincando
Enquanto no papel com a caneta
Estava eu a procura da concentração…
Tu exigias toda a minha atenção!
É na tua filha que te revejo
Ela é igualzinha em quase tudo
Acha-se dona do meu mundo
Na ânsia de satisfazer todo desejo
Usa e abusa do mimo dado, Belma
E ela tem razão, onde está o problema?
Hoje, um dia do mês de Maria
Para ti que és mãe, minha filha
Tu que és encantadora maravilha
E só me deu razão de ter alegria
Mereces este dia e poema que te dedico
Babado, de ti, sinto contentamento único!
João Furtado
http://joaopcfurtado.blogspot.com
|

| PARA MÃE
DOS MEUS FILHOS
Hoje amor, fui
bisbilhotar o nosso canto
Tu estava quase a dar luz, o nosso filho
Era o primeiro e estávamos em Julho
Tu estavas... Emanavas luz, um encanto!
Bela, a futura mãe... Tu eras a felicidade
E eu, que por ti ia ser pai, muito ansioso
Sempre fui assim, um pouco nervoso
De mãos dadas andávamos na cidade!
Encontrei aquela histórica fotografia
Lembras dela? É à branco e preto
Mas nela vi as lindas cores que de perto
A recordação trás cheio de alegria!
Hoje amor, no mês que a mãe é o tema
Eu te homenageio com este teu poema!
João Furtado
http://joaopcfurtado.blogspot.com |

Amilton Maciel Monteiro
São José dos Campos/SP - Brasil
|
Ventania
Hoje ventou demais! E eu me assustei
Muito mais que o comum a toda gente...
Foi um vento do Sul, nem frio ou quente,
Mas com a força fortíssima de um spray!
Seu sopro arrasador, só num repente,
Dizimou toda a minha pobre grei
E até o pomar tão farto que plantei,
Visando garantir a vida à frente...
Essa perda me fez lembrar o dia
Em que você se partiu sem dar aviso,
Destruindo os meus sonhos tão vitais...
Desde então nunca mais sinto alegria,
Pois qualquer aflição já somatizo,
Por bem saber que as perdas são fatais!
Amilton Maciel Monteiro
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Raymundo de Salles Brasil
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A BÍBLIA
Uma estrela caiu na minha mão.
De um céu todo estrelado, era a maior,
Que para iluminar meu coração
Deus viu que não podia ser menor.
Só ela tem poder e tem clarão,
Tem força, tem saber e tem calor,
Tem fios afiados, tem penetração,
E foco que revela um Deus de Amor.
A Palavra tem brilho incandescente,
Mostrou-me os vãos escuros da minh’alma,
E mostra Cristo ao coração da gente.
A voz de Deus, uma constatação,
A ESTRELA MOR, que vem pousar na palma
Do pecador, e nunca pousa em vão.
Raymundo de Salles Brasil
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