Edição de Carlos Leite Ribeiro
 
 

MAGAZINE CEN

 

 

Comemorativo do Dia Mundial da Poesia

Março 2012

 

 

2ª Página

 

 

 

 

Wilson de Jesus Costa
Rio de Janeiro

Ser poeta

Ser poeta é cantar o amor em prosa e verso
É chorar em um poema um amor perdido
É brincar com a rima e com a métrica
Mas com o direito ao verso livre
Pois além, muito além de qualquer mundo, a vida é livre
Enquanto o quanto pudermos sejamos irreverentes
 
Ser poeta é sentir com amor o perfume das flores
Ficar embevecido com o cantar dos pássaros
Fazendo desse cantar sua música preferida
Dedilhar em um velho alaúde medieval
A música do amor, da paixão e da saudade
É transformar desesperança em esperança
 
Ser poeta enfim é conquistar o mundo
É sonhar os sonhos dos sonhos sentidos
Fazer de seus poemas enigmas profundos
Sorrir com a alma, se porventura alma sorri
Ser poeta é cantar a vida é cantar a morte
É não deixar tristeza no coração, é ser forte.

 

 

 

 

 

 

 

Amelia Marcionila Raposo da Luz
(Amélia Luz)
Pirapetinga/MG/Brasil
 

Versos Plurais

 

O poeta estava no cio.
Ávido procurava papel e tinta,
as palavras o atormentavam...
Tateava os versos
em toques, em carícias,
transbordando toda
a sua estranha sexualidade!
Desejava a morte heróica
representando toda a sua geração
sentimento, espaço, tempo!
Ampliava a sua travessia,
agigantava-se, engrandecia-se,
superando os meros limites
humanos, banais, mortais!
Um fogo vivo ia além
saindo do seu silêncio enigmático.
Incendiava o papel virgem
sem destruí-lo, sem queimá-lo,
registrando sua dor, seu amor,
em palavras inflamadas,
anunciação da sua sexualidade aflorada.
A engenhoca misteriosa era noturna
plena de significações e gemidos orgásmicos!
O sonhador de versos expunha-se,
mostrando seu rosto desnudo,
autista, no espelho da vida!
Criava sua cotidiana mitologia
que na verdade, era o bem maior
que lhe pertencia!
Os dedos deslizavam viris
compondo a relação língua/poesia
na alcova santificada
do seu sagrado ofício: era tudo que queria!
Sangrava e se feria, buscando a emoção máxima,
exorcizando a ingênua palavra
que explodia incontida
Ao toque hábil dos seus dedos sedutores!

Amélia Luz


 

 

 

 

 

Angelino Pereira

Guimarães - Portugal

 

 

Canto do Poeta

 

Poetas que cantam o amor

no combate às suas mágoas

lutam  por um mundo melhor

com a guerra das palavras.

 

Cantam fados sem guitarra

enquanto choram d'amor

e num canto de cigarra

combatem a fome e a dor.

 

Triste cigarra que cantas

sabendo que vais sofrer

homem sofrido espantas

com a força do teu querer.

 

Chorai poetas chorai

amigos que o homem eleva

no  vosso canto se esvai

razões que levam à treva.

 

 (In "mensagem no tempo"

Angelino Pereira_1997)

 

 

 

 

 

 

Antonio Ferreira

(António Zumaia)

 

 

Alma de poeta

 

 Afinal o que é ser-se poeta?

É andar nos meandros da beleza?

Ter alma doce… mas irrequieta?

Ou é amar sem ter uma certeza?

 

Dileto o mundo da poesia…

Arranca do peito versos de dor.

No sonho o poema escrevia

e confunde saudade com amor.

 

Doce amalgama de muita ternura;

No olhar… ter uma mulher dileta,

que empresta ao poema sua ventura.

 

É luta na sua alma de esteta,

para quem a vida é sempre pura;

Nos meandros da alma de poeta.

 

António Zumaia

 

 

 

 

Aurea Abensur
(Orinho)
Salvador - Bahia - Brasil

 

 

LOUCA

 
Louca por silêncio
jurando unicamente pelo amor
hoje fui a ti, em busca de energia
para conseguir continuar
viver em poesia
Transformei meu corpo
e meu ser por inteiro
para que em ti me incorporasses
Caminhei, garimpei, chorei
e contigo me misturei
Tentei em ti buscar
e quem sabe encontrar
neste teu sublime marejar
a rosa da roda
o resultado do jogo da vida
a chave do cofre
sem esperar por mais adiante
apenas sendo, amando
e poetando

Salvador, buscando...

Aurea Abensur
(Orinho)

 

 

 

 

 

Dalton Luiz Gandin

São José dos Pinhais / PR

 

 

Poema vivo

 

Sou papel
que a vida
pega.

Eu sou versos
que a vida
versa.

Sou assim poema.
Na vida,
poeta.


Dalton Luiz Gandin

 

 

 

 

 

 

Gerci Oliveira Godoy

Porto Alegre

   

Ser poeta

 

Poeta não é um ser que sente

somente

É ave que voa, cão caçador

escafandrista, surfista

Poeta não pensa

se pensasse, rasgaria seus versos

Poeta acorda palavras

que se alçam ao revés dos ventos

pandorga na mão de uma criança

 

Então...

Não quero medir meus versos

prefiro musicá-los

deixá-los livres

Quero que passeiem na linha

como se bailassem

que se amarrem, se façam táteis,

que se amem

Que os leve o vento

que os perfume o tempo

Sem métrica

 

Gerci Oliveira Godoy

 

 

 

 

 

 

João Roberto Cônsoli

Belo Horizonte - MG. Brasil

 

 

  Ser Poeta

 

 

Ser poeta... Sentir bem junto ao peito,
Arroubos de uma alma comovida
É traduzir em verso bem perfeito,
As muitas emoções da nossa vida.
 
E versos faz o poeta num crescendo,
Versos de amor, de sonhos, de saudade:
São flores que ele vai oferecendo,
Pra amenizar a dor da humanidade.
 
Às vezes, versos tristes, desenganos!
Lembram amores e passados idos...
Cenas comuns do nosso cotidiano.
 
Mas, a vida é passagem... Num momento!
Desaparecem os versos comovidos,
Resta do poeta o triste esquecimento.
 

 J.R.Cônsoli

 

 

 

 

 

José Hilton Rosa
Belo Horizonte- MG- Brasil

 

"Alma de Poeta"

 

Alma que vive escondida
Dentro de cada poeta
Solitária alma, alegre
Vida de poeta, asilado em teu ser
Transpira emoções que transcende-as
Pedindo socorro com seus versos
Pagão para consigo mesmo
Filho obediente, chamando para orar
Santo para todas as emoções
Velho caminhante. Ser poeta.

 
J.Hilton

 

 

 

 

 

 

Lígia Antunes Leivas
Pelotas, RS, BR

 

SER POETA

 

Cresceu sem ver que as estações passavam.
A cada gota de chuva seus olhos inundavam-se
e a terra era árdua... A cada noite de sombras
temia o horror das faces contraídas
e o mundo parecia não ter cores.
Cresceu aos pedaços, embrutecido talvez,
entristecido por dentro... defendendo seu corpo
(onde guardava o coração) dos horizontes de aço.
Viveu...  Lutou sobre cada dia.
Resistiu. Sobreviveu.
...descobriu-se POETA!
 
Lígia Antunes Leivas

 

 

 

Luiz Carlos Leme Franco

 


A alma da poesia

 
Poemas são  apenas letras dispostas
 de modo especial em algum lugar.
Poemas são simples arranjos de idéias
em uma forma gráfica e sonora agradáveis.
 
A arte da poesia faz só métricas e rimas.
O coração é o poeta.

Luiz Carlos Leme Franco

 

 

 

Mavi Lamas

Fortaleza-Ceará

 

 

 A alma do poeta

 

Queria escrever  sobre minhas emoções
Mas um poema é um mistério...
E dele também me espanto...
Procuro explicações...
Construção de palavras...É pedaço de vida...
E que vai fazer seu caminho em  mim e fora de mim...
Tão meu e tão d'outro...
Exercício de mergulho em mim mesma...
Parte da gente que se vai
Buscar por estradas insabidas
E é espanto como o é um filho
 
A mente, lugar mágico onde as emoções se encontram
Vividas em intensas ilusões
No peito sons de carrilhões ignorando o silêncio
Do triste coração que num mar de indagações
Procura a alegria, a felicidade perdida.
O poeta sente a solidão na fragilidade de sua realidade
Sente a saudade como ninguém...
E torna o espaço físico do mundo menor que o amor que sente...
 
 Sem a presença do amor...De sua magia perdida...
As palavras ressoam  como tábuas de salvação
Na falta do amor...Daquela beleza fugaz desaparecida
Para ele o mundo assim diminuía,
Se restringía...Se empobrecia...
De onde me veio a força de inserir no mundo
Algo tão meu e tão alheio a mim?
Como escrever poemas
Que não sejam de amor? 

Mavi Lamas

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