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CONHEÇA-NOS:

A Casa das Musas

 

O primeiro Instituto de Pesquisa (antes de Cristo)

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 



 
A Casa das Musas
 
Deve-se aos Ptolomeus a criação deste Instituto em Alexandria, conhecido por Mouseion, ou seja, a Casa das Musas (1), de onde derivou a nossa palavra “museu”, que estava dividido em quatro faculdades, ou escolas: Literatura (2), Matemática (03), Astronomia (04) e Medicina (04).
A riqueza de Alexandria depressa transformou a cidade num dos principais centros do mundo grego. Além de mercadores e comerciantes, ela atraiu também artistas, poetas e eruditos. Euclides, o famoso matemático e físico, ali permaneceu durante o reinado de Ptolomeu II, seguindo-se-lhe Arquimedes. Foi em Alexandria que se construiu a primeira biblioteca, que reunia uma vasta colecção de escritores clássicos, com mais de 90 mil obras em 400 mil volumes.
Alexandria ficou famosa pelo seu farol, que foi o primeiro do Mundo, erguido numa pequena ilha denominada Faros, situada em frente da cidade, e logo no início da sua existência a edificação recebeu seu nome. O seu arquitecto foi Sostrato de Cnido. A construção teve início durante o reinado de Ptolomeu I e levou cerca de 20 anos a completar-se. Por volta de 280 antes de Cristo, o farol já estava concluído e em funcionamento. Quando foi construído, a cidade de Alexandria, fundada em 331 antes de Cristo, e assim denominada em honra de Alexandre Magno, era ainda relativamente. Tornou-se próspera em pouco tempo, graças aos seus primeiros governantes, os enérgicos Ptolomeus, que assumiram o governo da parte egípcia do império de Alexandre Magno após a sua morte, em 323 antes de Cristo. Embora a economia da cidade assentasse em alicerces de mão-de-obra egípcia, grande parte da população era grega, formada por colonos vindos do Sul da Itália, da Ásia Menor e das ilhas gregas, assim como das cidades da Grécia propriamente dita.

(01): Na mitologia grega, as musas são filhas de Zeus e de Mnemósine, deusa da Memória. Na época romana adquirem atribuições mais precisas. Clio presidia à História; Euterpe à Música; Talia à Comédia; Melpómene à Tragédia; Terpsicore à Poesia ligeira e à Dança; Érato à Lírica coral; Polímnia à Pantomina; Urânia à Astronomia, e finalmente Calíope à Epopeia. O lugar da sua predilecção era o  monte Hélicon, onde cantavam e dançavam em companhia de Apolo.

(02): Literatura, desde Aristóteles, a retórica, reflexão geral sobre as estratégias do comunicação, especializou-se em poética, ou codificação dos diferentes géneros da escrita, restringindo-se apenas à elocutto, ornamento, arte de dizer, em detrimento da inventio – invenção, procura de argumentos; e dadispositio – disposição, ordenação. Estabeleu-se uma hierarquia, do estilo nobre (ou sublime) ao estilo baixo (ou trivial)passando pelo medíocre, correspondente às três classes da sociedade – nobres, burgueses, camponeses. Para simplificar, podem caracterizar-se as obras literárias a partir dos pronomes pessoais e dos tempos verbais nelas dominantes. Ao eu (presente) corresponde o género lírico, ao tu o teatro – cómico ou trágico, segundo a natureza dos personagens; ao ele – passado, a epopeia, o texto narrativo. Os teóricos aplicaram-se em definir as regras que convém a cada género e a designar cada uma das suas categorias internas – é este, essencialmente, o objecto das “artes poéticas. De modo que se estabelece um pacto, um contrato de leitura, entre o autor, inscrevendo o seu texto num dado conjunto, e o leitor, que sabe precisamente o tipo de emoções que deve esperar, ou a que princípios estéticos se apela sob uma dada etiqueta. Mas qualquer codificação rigorosa acaba por desagradar ao verdadeiro criador, que procura libertar-se dela ou situar-se noutro lugar; do mesmo modo o leitor cansa-se das formas convencionais.
Prosa e poesia: a poesia distingue-se do discurso lógico e prático, destinado a nomear os objectos reais, , a exprimir as suas relações evidentes, a definir os fins e os meios de acção. Distingue-se da prosa como uma linguagem eurítmica e eufónica, próxima do canto. Mas, sendo também um discurso na medida em que é linguagem, o canto poético tem sempre um peso para a prosa, do mesmo modo que esta é sempre capaz de se elevar para a poesia. O exame das etimologias permite traçar com mais segurança uma tal linha de demarcação: à prosa (oratio pró – r-  sa), discurso que vai “direito” ao seu referente; opõe-se a mensagem essencialmente organizada pelo regresso (vertere, versus), o pôr em correspondência ou em ressonância de unidade de linguagem, no texto poético. Assim, critérios estruturais presidiam à distinção entre um tipo poético e tipos narrativos, descritivos ou argumentados. A versificação já não surge assim a não ser como uma manifestação particular e institucionalizada do princípio mais geral de repetição.
Regras Poéticas e regra social: Da Idade Média à época clássica, a poesia aparece frequentemente submetida a uma arte de dizer que tem por objecto a procura do belo medido segundo o rigor da submissão às regras – regra poética, mas também regra social. O poeta é alternadamente o protegido do senhor, do príncipe ou do rei. O século XVIII, não pensando que as “luzes” possam vir da poesia, manospreza-a. As convulsões políticas e sociais dos finais dos séculos XVIII e XIX suscitam um questionamento radical do homem, que experimenta subitamente uma dívida para com o mundo e consigo próprio: o princípio da unidade - do mundo, do homem, rompe-se; a poesia dá conta disso. Os românticos lançam o primeiro grito de alarme para denunciar as contingências de uma arte, que já não pode satisfazer a expressão da multiplicidade das aparências descobertas. Mas permanecem ainda submetidos à lei do verso, ao regime do género. Situação que se vai modificando nos séculos seguintes.

O Romance: A narrativa romanesca é essencialmente prosaica, se tomarmos o adjectivo na sua dupla acepção: “escrito em prosa” e “anti-idealista”. Mesmo redigido em verso, o romance toca sempre na prosa pela utilização de uma linguagem corrente, de uma linguagem que, sem ser a de toda a gente, é utilizada quotidianamente por algumas classes privilegiadas: na sua origem, o fenómeno narrativo chamado “romance” é grafado numa linguagem românica, meio erudita, meio popular, língua nacional falada e lida por aqueles que querem ser os criadores e os chefes de uma nação. Os factores linguísticos, políticos e sociais que determinam o aparecimento do romance no Ocidente cristão têm os seus homólogos nas terras do Islão, no Japão ou na China. Prosaico é-o também o romance enquanto confronta tantos os seus heróis como os seus leitores com todos os aspectos da existência dos homens, nos planos social, psicológico e moral. Assim, nas suas origens, os romances de cavalaria relatam as aventuras que um herói atravessa para obter o bem pelo qual luta – na maior parte das vezes, o amor de sua dama – e já não os grandes feitos realizados ao serviço de uma causa, como celebram as canções de gesta.
O romance e a história: seja ele o aliado ou a negação do determinismo histórico, o romance é uma ficção de carácter histórico, a qual considera o homem comprometido num futuro e numa história colectiva. O romance de educação que descreve a formação moral e intelectual de um herói, é uma das grandes tradições do romance europeu. Do confronto com a história resulta uma grande variedade de tipos humanos, heróis de romance e representantes da sua época: do ambicioso, ao homem revoltado até ao homem estranho a si próprio. Esta relação com a história e com um futuro aberto traduz-se no plano narrativo. O romance recria as condições de experiência do presente histórico: aumento das percepções do mundo, incertezas e obscuridade do futuro.
O sabor do real faz parte do prazer da leitura de romances, e podemos pensar que o sucesso do romance realista do século XIX tinha igualmente a ver com o apetite de conhecimento de leitores para os quais os romances, publicados em folhetins na imprensa, constituíam a principal abertura ao mundo. Com o impulso das ciências humanas e da história das mentalidades, por um lado, da multiplicação dos meios de informação, por outro, os romancistas do século XX perderam o apanágio desta função de instrução. Reinvestiram nas funções de imaginação, estética e crítica, passando pela questionação do romance tradicional – daí o divórcio observado entre “romance de consumo” e “romance de criação”. Mas a leitura de romances é também a entrega ao “romanesco”, terreno de jogo intelectual com as mil e uma convenções através das quais se instaura a ilusão do real. Com isto, o romance surge sempre como o paraíso da leitura e o lugar de emergência de todas as possibilidades.

Já o Teatro surge sempre associado à religião ou em fases da vida social e política não estabilizadas. Essa relação religiosa surge-nos comprovada através de formas rituais, onde rito, liturgia e cerimónia são formas embrionárias de “espectáculos” só compreensíveis no espaço lúdico que todas as sociedades expressam numa simbiose entre o sagrado e o profano. A Poética, de Aristóteles, os tratados hindus, como o Natyastra, de Bharata, ou os princípios expostos por Zeami para o teatro japonês – embora diferenciados temporalmente – são a expressão teórica de uma prática social do teatro na sua estreita articulação com o sentimento religioso, primeiro de pequenas comunidades ou, mais tarde, da cidade como lugar cívico por excelência, de que a polis grega é a expressão mais evidente. No teatro ocidental o primado da estética aristotélica vai ser dominante. Desde logo porque ela obrigará a repensar a diferença fundamental entre o teatro enquanto género literário dramático, por um lado, e, por outro, a sua projecção cénica, representada por actores num palco e dita perante o público. O florescimento da tragédia grega, paradigmaticamente representada pela produção de Esquilo, Sófocles e Eurípedes, irá assumir uma importância decisiva no estabelecimento de uma poética e prática teatrais que determinarão decisivamente os grandes vectores da criação dramática até aos nossos dias.

(03) – Matemática, é a ciência que estuda, através do raciocínio dedutivo, as propriedades de entes abstractos – número, figuras geométricas, funções – espaços, etc. – bem como as relações que se estabelecem entre eles. Matemática é uma ciência que foi criada a fim de contar e resolver problemas com uma razão de existirem. Teorias das mais complexas contadas pelos matemáticos mais extraordinários sobrevoaram a mente humana de como a Matemática foi criada. Essa ciência difícil e com complexidades pós o conhecimento humano foi criada a partir dos primeiros seres racionais há milhões de anos dos Homo Sapiens. Ela foi criada com o intuito de inventar uma lei sobre todas as quais ela é soberana e determina o possível e o impossível com uma questão de lógica. Essa lógica serviu para os primeiros raciocínios, desde trocas à vendas, de que nossos ancestrais necessitavam. Até mesmo hoje, ela supera todas as ciências em necessidade humana, chegando até a superar a necessidade de se comunicar por meio de um idioma compreensível de tal região. A Matemática foi, é, e será uma grande necessidade humana. Nossos ancestrais também necessitavam de conhecimento dentre os quais poderiam se comunicar, comerciar e trocar. Desde aí, os princípios básicos do início da Matemática foram se aperfeiçoando. Poucos milénios antes de Cristo, a inteligência humana se desenvolveu mais, e a necessidade de uma ciência complicada para resolver desde os mais simples problemas até grandes vendas também. Os grandes matemáticos surgiram antes de Cristo e depois de Cristo, inventando novas fórmulas, soluções e cálculos. A inteligência do homem era algo tão magnífico, que a Matemática evoluiu mais rápido do que as próprias conclusões e provas matemáticas do homem. Adição, subtracção, multiplicação, divisão, raiz quadrada, potência, fracções, razões, equações, inadequações, termos, leis, conjuntos, etc., todos esses princípios e centenas de milhares de outros estavam dentro da ciência complexa, difícil, explicável e lógica que se chamava Matemática. Antigos acreditavam que a soma de duas unidades de algo, somado a mais outras duas unidades de algo, daria cinco. Comprovado pela matemática de sumérios, uma vida e tanto do garoto e seu biscoito. Os primeiros grandes astrónomos e filósofos deram o essencial a essa complexidade. Vários povos se destacaram, como os egípcios, sumérios, babilónios e gregos. Grandes mentes surgiram e inventaram outros princípios mais complexos e mais difíceis. Por volta dos séculos IX e VIII A.C., a matemática engatinhava na Babilónia. Os babilónios e os egípcios já tinham uma álgebra e uma geometria, mas somente o que bastasse para as suas necessidades práticas, e não de uma ciência organizada.
Na Babilónia, a matemática era cultivada entre os escribas responsáveis pelos tesouros reais. Apesar de todo material algébrico que tinham os babilónios e egípcios, só podemos encarar a matemática como ciência, no sentido moderno da palavra, a partir dos séculos VI e V A.C., na Grécia. A matemática grega se distingue da babilónica e egípcia pela maneira de encará-la. Os gregos fizeram-na uma ciência propriamente dita sem a preocupação de suas aplicações práticas. Do ponto de vista de estrutura, a matemática grega se distingue da anterior, por ter levado em conta problemas relacionados com processos infinitos, movimento e continuidade. As diversas tentativas dos gregos de resolverem tais problemas fizeram com que aparecesse o método axiomático-dedutivo. O método axiomático-dedutivo consiste em admitir como verdadeiras certas preposições (mais ou menos evidentes) e a partir delas, por meio de um encadeamento lógico, chegar a proposições mais gerais. As dificuldades com que os gregos depararam ao estudar os problemas relativos a processos infinitos (sobretudo problemas sobre números irracionais) talvez sejam as causas que os desviaram da álgebra, encaminhando-os em direcção à geometria. Realmente, é na geometria que os gregos se destacam, culminando com a obra de Euclides, intitulada "Os Elementos". Sucedendo Euclides, encontramos os trabalhos de Arquimedes e de Apolónio de Perga. Arquimedes desenvolve a geometria, introduzindo um novo método, denominado "método de exaustão", que seria um verdadeiro germe do qual mais tarde iria brotar um importante ramo de matemática (teoria dos limites). Apolónio de Perga, contemporâneo de Arquimedes, dá início aos estudos das denominadas curvas cónicas: a elipse, a parábola, e a hipérbole, que desempenham, na matemática actual, papel muito importante. No tempo de Apolónio e Arquimedes, a Grécia já deixara de ser o centro cultural do mundo. Este, por meio das conquistas de Alexandre, tinha-se transferido para a cidade de Alexandria. Depois de Apolónio e Arquimedes, a matemática grega entra no seu ocaso. A 10 de Dezembro de 641, cai a cidade de Alexandria sob a verde bandeira de Alá. Os exércitos árabes, então empenhados na chamada Guerra Santa, ocupam e destroem a cidade, e com ela todas as obras dos gregos. A ciência dos gregos entra em eclipse. Mas a cultura helénica era bem forte para sucumbir de um só golpe; daí por diante a matemática entra num estado latente. Os árabes, na sua arremetida, conquistam a Índia encontrando lá um outro tipo de cultura matemática: a Álgebra e a Aritmética. Os hindus introduzem um símbolo completamente novo no sistema de numeração até então conhecido: o ZERO. Isto causa uma verdadeira revolução na "arte de calcular". Dá-se início à propagação da cultura dos hindus por meio dos árabes. Estes levam à Europa os denominados "Algarismos arábicos", de invenção dos hindus. Um dos maiores propagadores da matemática nesse tempo foi, sem dúvida, o árabe Mohamed Ibn Musa Alchwarizmi, de cujo nome resultaram em nossa língua as palavras algarismos e Algoritmo. Alehwrizmi propaga a sua obra, "Aldschebr Walmakabala", que ao pé da letra seria: restauração e confronto. (É dessa obra que se origina o nome Álgebra). A matemática, que se achava em estado latente, começa a se despertar. No ano 1202, o matemático italiano Leonardo de Pisa, cognominado de "Fibonacci" ressuscita a Matemática na sua obra intitulada "Leber abaci" na qual descreve a "arte de calcular" (Aritmética e Álgebra). Nesse livro Leonardo apresenta soluções de equações do 1º, 2º e 3º graus.  Nessa época a Álgebra começa a tomar o seu aspecto formal. Um monge alemão. Jordanus Nemorarius já começa a utilizar letras para significar um número qualquer, e ademais introduz os sinais de + (mais) e - (menos) sob a forma das letras p (plus = mais) e m (minus = menos). Outro matemático alemão, Michael Stifel, passa a utilizar os sinais de mais (+) e menos (-), como nós os utilizamos actualmente. É a álgebra que nasce e se põe em franco desenvolvimento. Tal desenvolvimento é finalmente consolidado na obra do matemático francês, François Viete, denominada "Algebra Speciosa". Nela os símbolos alfabéticos têm uma significação geral, podendo designar números, segmentos de rectas, entes geométricos etc. No século XVII, a matemática toma nova forma, destacando-se de início René Descartes e Pierre Fermat. A grande descoberta de R. Descartes foi sem dúvida a "Geometria Analítica" que, em síntese, consiste nas aplicações de métodos algébricos à geometria. Pierre Fermat era um advogado que nas horas de lazer se ocupava com a matemática. Desenvolveu a teoria dos números primos e resolveu o importante problema do traçado de uma tangente a uma curva plana qualquer, lançando assim, sementes para o que mais tarde se iria chamar, em matemática, teoria dos máximos e mínimos. Vemos assim no século XVII começar a germinar um dos mais importantes ramos da matemática, conhecido como Análise Matemática. Ainda surgem, nessa época, problemas de Física: o estudo do movimento de um corpo, já anteriormente estudados por Galileu Galilei. Tais problemas dão origens a um dos primeiros descendentes da Análise: o Cálculo Diferencial. O Cálculo Diferencial aparece pela primeira vez nas mãos de Isaac Newton (1643-1727), sob o nome de "cálculo das fluxões", sendo mais tarde redescoberto independentemente pelo matemático alemão Gottfried Wihelm Leibniz. A Geometria Analítica e o Cálculo dão um grande impulso à matemática. Seduzidos por essas novas teorias, os matemáticos dos séculos XVII e XVIII, corajosa e despreocupadamente se lançam a elaborar novas teorias analíticas. Mas nesse ímpeto, eles se deixaram levar mais pela intuição do que por uma atitude racional no desenvolvimento da ciência. Não tardaram as consequências de tais procedimentos, começando por aparecer contradições. Um exemplo clássico disso é o caso das somas infinitas, como a soma abaixo:
S = 3 - 3 + 3 - 3 + 3...........
supondo que se tenha um nº infinito de termos.  Se agruparmos as parcelas vizinhas teremos:
S = (3 - 3) + (3 - 3) + ...........= 0 + 0 +.........= 0
Se agruparmos as parcelas vizinhas, mas a partir da 2ª, não agrupando a primeira:
S = 3 + ( - 3 + 3) + ( - 3 + 3) + ...........= 3 + 0 + 0 + ......... = 3
O que conduz a resultados contraditórios. Esse "descuido" ao trabalhar com séries infinitas era bem característicos dos matemáticos daquela época, que se acharam então num "beco sem saída'. Tais fatos levaram, no ocaso do século XVIII, a uma atitude crítica de revisão dos fatos fundamentais da matemática. Pode-se afirmar que tal revisão foi a "pedra angular" da matemática. Essa revisão se inicia na Análise, com o matemático francês Louis Cauchy (1789 - 1857), professor catedrático na Faculdade de Ciências de Paris. Cauchy realizou notáveis trabalhos, deixando mais de 500 obras escritas, das quais destacamos duas na Análise: "Notas sobre o desenvolvimento de funções em séries" e "Lições sobre aplicação do cálculo à geometria". Paralelamente, surgem geometrias diferentes da de Euclides, as denominadas Geometrias não euclidianas. Por volta de 1900, o método axiomático e a Geometria sofrem a influência dessa atitude de revisão crítica, levada a efeito por muitos matemáticos, dentre os quais destacamos D. Hilbert, com sua obra "Fundamentos da Geometria" ("Grudlagen der Geometrie" título do original), publicada em 1901. A Álgebra e a Aritmética tomam novos impulsos. Um problema que preocupava os matemáticos era o da possibilidade ou não da solução de equações algébricas por meio de fórmulas que aparecessem com radicais. Já se sabia que em equações do 2º e 3º graus isto era possível; daí surgiu a seguinte questão: será que as equações do 4º graus em diante admitem soluções por meio de radicais? Em trabalhos publicados por volta de 1770, Lagrange (1736 - 1813) e Vandermonde (1735-96) iniciaram estudos sistemáticos dos métodos de resolução. À medida em que as pesquisas se desenvolviam no sentido de achar tal tipo de resolução, ia se evidenciando que isso não era possível. No primeiro terço do século XIX, Niels Abel (1802-29) e Evariste de Galois (1811-32) resolvem o problema, demonstrando que as equações do quarto e quinto grau em diante não podiam ser resolvidas por radicais. O trabalho de Galois, somente publicado em 1846, deu origem a chamada "teoria dos grupos" e à denominada "Álgebra Moderna", dando também grande impulso à teoria dos números.

(04) Astronomia: estuda principalmente o sistema solar (o Sol, os planetas e seus satélites, os asteróides e os cometas, as poeiras interplanetárias, o vento solar); a Galáxia à qual pertence o sistema solar, com as suas estrelas e a sua matéria interestelar (nebulosas); as galáxias que povoam o Universo no seu todo. Na parte inicial da sua história, a astronomia envolveu somente a observação e a previsão dos movimentos dos objectos no céu que podiam ser vistos a olho nu. O Rigveda refere-se aos 27 asterismos ou nakshatras associados aos movimentos do Sol e também às 12 divisões zodiacais do céu. Os antigos gregos fizeram importantes contribuições para a astronomia, entre elas a definição de magnitude aparente. A Bíblia contém um número de afirmações sobre a posição da Terra no universo e sobre a natureza das estrelas e dos planetas, a maioria das quais são poéticas e não devem ser interpretadas literalmente; ver Cosmologia Bíblica. Nos anos 500, Aryabhata apresentou um sistema matemático que considerava que a Terra rodava em torno do seu eixo e que os planetas se deslocavam em relação ao Sol. O estudo da astronomia quase parou durante a Idade Média, à excepção do trabalho dos astrónomos árabes. No final do século IX, o astrónomo árabe al-Farghani, escreveu extensivamente sobre o movimento dos corpos celestes. No século XII, os seus trabalhos foram traduzidos para o latim, e diz-se que Dante aprendeu astronomia pelos livros de al-Farghani. No final do Século X, um observatório enorme foi construído perto de Teerão, Irão, pelo astrónomo al-Khujandi, que observou uma série de trânsitos meridianos do Sol, que permitiu-lhe calcular a obliquidade da eclíptica, também conhecida como a inclinação do eixo da Terra relativamente ao Sol. Como sabe-se hoje, a inclinação da Terra é de aproximadamente 23°34', e al-Khujandi mediu-a como sendo 23°32'19". Usando esta informação, compilou também uma lista das latitudes e das longitudes de cidades principais. Omar Khayyam,  foi um grande cientista, filósofo e poeta persa que viveu de 1048 a 1131. Compilou muitas tabelas astronómicas e executou uma reforma do calendário que era mais exacto do que o Calendário Juliano e se aproximava do Calendário Gregoriano. Um feito surpreendente era seu cálculo do ano como tendo 365,24219858156 dias, valor esse considerando a exactidão até a sexta casa decimal se comparado com os números de hoje, indica que nesses 1000 anos pode ter havido algumas alterações na órbita terrestre. Durante o Renascimento, Copérnico propôs um modelo heliocêntrico do Sistema Solar. No século XIII, o imperador Hulagu, neto de Gengis Khan e um protector das ciências, havia concedido ao conselheiro Nasir El Din Tusi autorização para edificar um observatório considerado sem equivalentes na época. Entre os trabalhos desenvolvidos no observatório de Maragheg e a obra "De Revolutionibus Orbium Caelestium" de Copérnico, há algumas semelhanças que levam os historiadores a admitir que este teria tomado conhecimento dos estudos de Tusi, através de cópias de trabalhos deste existentes no Vaticano. O modelo heliocêntrico do Sistema Solar foi defendido, desenvolvido e corrigido por Galileu Galilei e Johannes Kepler. Kepler foi o primeiro a desenvolver um sistema que descrevesse correctamente os detalhes do movimento dos planetas com o Sol no centro. No entanto, Kepler não compreendeu os princípios por detrás das leis que descobriu. Estes princípios foram descobertos mais tarde por Isaac Newton, que mostrou que o movimento dos planetas se podia explicar pela Lei da gravitação universal e pelas leis da dinâmica. Constatou-se que as estrelas são objectos muito distantes. Com o advento da Espectroscopia provou-se que são similares ao nosso próprio Sol, mas com uma grande variedade de temperaturas, massas e tamanhos. A existência de nossa galáxia, a Via Láctea, como um grupo separado das estrelas foi provada somente no século XX, bem como a existência de galáxias "externas", e logo depois, a expansão do universo dada a recessão da maioria das galáxias de nós. A Cosmologia fez avanços enormes durante o século XX, com o modelo do Big Bang fortemente apoiado pelas evidências fornecidas pela Astronomia e pela Física, tais como a radiação cósmica de microondas de fundo, a Lei de Hubble e a abundância cosmológica dos elementos.

(05) – Medicina. Na Antiguidade, a medicina grega é dominada pelo grande nome de Hipócrates e pelos sessenta tratados da “colecção hipocrática”. A escola de Hipócrates inventa o exame do doente e a deontologia médica. Roma, através de Galeno, mantém e desenvolve a tradição hipocrática e encoraja o raciocínio clínico. Na Idade Média, a medicina retoma as doutrinas da Antiguidade, por intermédio da medicina de língua árabe, e ilustra-se pelas primeiras escolas de medicina (Córdova e Montpellier). O Renascimento é marcado pelo desenvolvimento da anatomia e da experimentação. Vesálio, graças às dissecações, edifica uma obra monumental. Ambroise Pare faz progredir a cirurgia, que se adianta à medicina. Harvey descobre a circulação do sangue. No século XVII, A. Van Leewenhoek, através das suas observações ao microscópio, prepara as descobertas dos séculos seguintes. No século XVIII, Bichat funda a histologia, Jenner fabrica a vacina contra a varíola e Pinel liberta os alienados que se encontravam acorrentados. A primeira metade do século XIX é marcada pelos trabalhos de Laenec, Trousseau e Bretonneau. A cirurgia avança com Corvisat, Dupuytren, Lisfranc, Velpeau, para alargar seus horizontes, com a descoberta da anestesia por Horace Wells, Morton e Simpson, com possibilidades infinitas. Na segunda metade do século, Pasteur introduz a medicina na era moderna, ao descobrir a natureza infecciosa de várias doenças, ao criar a vacina contra a raiva e ao permitir a anti-sepsia em cirurgia. Enquanto Chacot transforma a neurologia, o Hospital Saint-Louis especializa-se na dermatologia.
A primeira metade do século XX é marcada pelo desenvolvimento das aplicações da física, da química e da bioquímica. Os meios de diagnóstico e tratamento desenvolvem-se consideravelmente. As especialidades médicas individualizam-se.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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