Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Alexandre Herculano de Carvalho e
Araújo, nasceu a 28 de Março de 1810 e
morreu em Lisboa, a 13 de Setembro de
1877, em Vale de Lobos, Santarém,
Portugal). Escritor romântico e
historiador português. É um dos grandes
escritores da geração romântica,
desenvolvendo os temas da
incompatibilidade do homem com o meio
social e experienciando a dimensão ética
do escritor face à incompreensão do
mundo.
"É um erro confundir o desejar com o
querer. O desejo mede obstáculos; a
vontade vence-os."
"O que seria do mundo sem a mulher. Dai
às paixões todo o ardor que puderes, aos
prazeres mil vezes intensidade, aos
sentidos a máxima energia e convertereis
o mundo em paraíso, mas tirai dele a
mulher, e o mundo será um ermo
melancólico, os deleites serão apenas
prelúdio do tédio."
Alexandre Herculano não pode frequentar
a Universidade por falta de meios. No
entanto, matriculado na Aula do
Comércio, dedicou-se paralelamente ao
estudo de várias línguas e cursou
Diplomática e Paleografia. Em 1831
viu-se obrigado e emigrar por se mostrar
contrário ao absolutismo miguelista,
tendo voltado a Portugal como soldado
incorporado nos 7400 do Mindelo. Durante
o cerco do Porto, dedicou-se à
organização da Biblioteca Municipal, ao
mesmo tempo que se distinguiu como
soldado. Com a queda do miguelismo,
envolve-se fortemente na política sem no
entanto por de lado os trabalhos de
investigação, a poesia e a ficção
histórica. Homem grave, sério e honesto,
intransigente no que considerava a sua
posição intelectual e política, acaba,
desenganado mas não amargurado, numa
quinta em Vale de Lobos, no Ribatejo,
interessado por todos os movimentos e
preocupações dos portugueses que, desde
o rei D. Pedro V, aos políticos e aos
intelectuais da nova geração, a ele
recorrem para conselho. Durante o seu
longo período da sua vida pública,
dirigiu periódicos como “O Panorama” e
colaborou com material diverso em muitas
outras publicações. No entanto, é como
investigador e historiador que se
afirma, recolhendo, compilando,
analisando e publicando manuscritos que
juntou e salvou para o futuro, com rigor
e probidade científica. Homem do início
do Romantismo em Portugal, foi
romancista, crítico, polemista e poeta.
Se não se pode considerar que tenha sido
dos escritores mais admiráveis da Língua
Portuguesa, é inegável no entanto, que
foi das vozes mais graves e empenhadas
do seu tempo, patenteando sinceramente
quer as grandezas do seu espírito, quer
os defeitos.Algumas obras do
Autor:
O Bobo ;
Eurico o Presbítero: “É um romance
histórico de Alexandre Herculano datado
de 1844, fala a respeito do fim do
Império Godo na região que atualmente
compreende a Espanha, diante da
conquista dos muçulmanos que avançaram
pela maior parte da Península Ibérica.
O enredo conta a história de amor entre
Eurico e Hermengarda, que se passa na
Espanha visigótica do século VIII.
Eurico e seu amigo, Teodomiro, lutam ao
lado do imperador da Espanha, Vitiza,
contra os "montanheses rebeldes e contra
a francos, seus aliados". Depois de
vencer o combate, Eurico pede ao Duque
de Fávila a mão de sua filha,
Hermengarda, porém este recusa o pedido
ao saber que se trata de um homem de
origens humildes.
Eurico, então, se entrega à
religiosidade, tornando-se o Presbítero
de Cartéia, para se afastar das
lembranças de Hermengarda, através das
funções religiosas e da composição de
poemas e hinos religiosos.
No entanto, quando ele descobre que os
árabes estão invadindo a Península
Ibérica, liderados por Tarrique, alerta
seu amigo Teodomiro e se transforma no
enigmático Cavaleiro Negro. De maneira
heróica, Eurico, agora Cavaleiro Negro,
luta em defesa de sua terra e, devido a
seu ímpeto, ganha a admiração dos Godos
e lhes dá forças para combater o
invasor.
Quando a vitória parece certa para os
Godos, Sisibuto e Ebas, filhos do
imperador Vitiza, traem seu povo, a fim
de ganhar o trono espanhol. Logo após,
Roderico, rei dos Godos, morre em
batalha e o povo passa a ser liderado
por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes
invadem o Mosteiro da Virgem Dolosa e
raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro a
salva quando o "amir" estava prestes a
profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda
é levada até as Astúrias, onde está seu
irmão Pelágio. Em segurança numa gruta,
Hermengarda encontra Eurico e declara
seu amor por ele. Contudo, Eurico não
acredita que esse amor possa se
concretizar, devido às suas convicções
religiosas, e revela a real identidade
do Cavaleiro Negro. Ao saber disso,
Hermengarda perde a razão e Eurico,
ciente de suas obrigações, parte para um
combate suicida contra os árabes.
A Harpa do Crente : “Obra
publicada em 1838, é onde se reúne os
primeiros poemas de Alexandre Herculano.
Foi em A Harpa do Crente que o chamado
ultra-romântismo bebeu inspiração. Em
1850, se juntaram alguns poemas
inéditos, dando lugar à obra de título
Poesias. Os temas desta obra são a
guerra civil, o exílio, a liberdade,
Deus e a morte, onde Alexandre Herculano
descreve tudo isso de modo sóbrio e a um
tempo vigoroso e de linguagem pura. As
poesia da obra são profundamente
mística”.
O Monge de Cister : " Vasco da
Silva deseja matar Lopo Mendes, que
tinha casado com Leonor , sua bem-
amada; também queria vingar o pai,
ofendido por um cavaleiro que, ainda por
cima, tinha abusado de sua irma Beatriz.
Depois que assassina o rival, Vasco se
arrepende profundamente, e torna-se
padre. Enquanto isso , o sedutor de
Beatriz - Fernando Afonso - a abandona.
D. João de Ornelas , abade de Alcobaça,
incentiva o ódio de Vasco, dizendo - lhe
que Fernando Afonso era amante de Leonor
( a mulher que Vasco nunca deixara de
amar) . Beatriz morre e Vasco conta ao
rei D. João Ï o tenebroso, nefando,
terrível e maldoso, além de maléfico,
passado de Fernando Afonso, que é
condenado a morrer queimado, ou seja na
fogueira. Por fim - uff! - Vasco morre e
a narrativa acaba . A ação do romance
transcorre no século XIV (1385).
Com seus 3 romances históricos -
Eurico, o Presbítero , O Monge de Cister
e O Bobo - Herculano pretendia
reconstituir a história de Portugal,
desde as lutas da reconquista do
território aos árabes invasores, até o
final da Idade Média, com a formação do
Estado português".
Historia da Origem e
Estabelecimento da Inquisição em
Portugal : " Lançado originalmente em
três pequenos volumes na década de 1850.
Um clássico do Autor mundialmente
conhecido ALEXANDRE HERCULANO. Baseado
totalmente na correspondência do monarca
português D. João III, seus
embaixadores, o clero de Roma. Descreve
detalhadamente os fatos e acontecimentos
mais importantes da tribuna
inquisitorial em Portugal. Sempre
procurando conciliar uma síntese
histórica nos assuntos abordados em suas
obras, Herculano escreveu dentre outros,
O monge de Cister, Eurico, o Presbítero
e O Bobo. Despontando sempre como um dos
expoentes da renovação das letras em seu
País no século XIX".
História de Portugal: " Escrita
entre 1846 e 1853, é considerada a
primeira escrita com preocupação de
rigor científico.
Produto de longos anos de investigação
documental levados a cabo por Alexandre
Herculano entre fins da década de 1830 e
inícios da década de 1840, esta
monumental obra historiográfica teve
como ponto de partida as "Cartas sobre a
História de Portugal", inspiradas nas
Lettres sur l'histoire de France de
Augustin Thierry, publicadas em 1842 na
Revista Universal Lisbonense. Segundo o
propósito inicial de Herculano, a obra
deveria estender-se até ao período da
Restauração da Independência. Na
realidade, a forte reacção provocada
logo pelo primeiro volume, fez com que a
obra não ultrapassasse o reinado de D.
Afonso III.
Em edições subsequentes, o título
completo da obra passou a ser Historia
de Portugal desde o começo da Monarchia
até o fim do reinado de Affonso III,
tornando claro que o período abordado
não ia além de 1279, pelo que hoje
interessa, acima de tudo, a
historiadores da Idade Média ou das
Instituições.
O tomo I (1846): aborda as origens da
monarquia até ao fim do reinado de D.
Afonso I. Foi reimpresso no mesmo ano e
novamente em 1853 com a indicação de 2.ª
edição; dez anos depois saiu uma 3.ª
edição.
O tomo II (1847): contém os reinados de
D. Sancho I, D. Afonso II e D. Sancho
II. Em 1854 saiu uma 2.ª edição com
alterações importantes.
O tomo III (1849): trata do reinado de
D. Afonso III e apresenta o
desenvolvimento da história social da
monarquia durante os reinados
precedentes. Teve uma 2.ª edição em
1858.
O tomo IV (1853): aborda o período de
1211 a 1247.
Todos os volumes têm sido regularmente
reeditados. A Bertrand publicou uma útil
reedição de toda a obra em 1980-1981,
com anotações críticas de José Mattoso.
Em 2007-2008, a História de Herculano
volta a ser reeditada pela Bertrand.
A publicação do primeiro volume, em
1846, suscitou de imediato violenta
reacção por parte de alguns sectores do
clero, por excluir qualquer intervenção
sobrenatural na batalha de Ourique. Os
textos desta polémica estão reunidos nos
opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba,
publicados em 1850. Note-se que
Herculano era católico e politicamente
conservador, mas opunha-se à
interferência da igreja na vida política
nacional. Esse confronto com sectores
clericais está também na origem da
publicação da sua História da Origem e
Estabelecimento da Inquisição em
Portugal (1854-1859).
A História de Portugal de Alexandre
Herculano, bem como toda a sua obra
historiográfica, tiveram uma enorme
influência em todas as Histórias de
Portugal que posteriormente se
escreveram.
Lendas e Narrativas: " Foram
publicadas em volume em 1851 e
conheceram até à morte do Autor, em
1877, mais três edições (1858, 1865 e
1877), o que é desde logo revelador do
enorme sucesso que a obra conheceu. A
colectânea é constituída, na sua
maioria, por textos publicados entre
1839 e 1844 na revista O Panorama,
embora o Autor, nesse mesmo período,
tenha publicado no mesmo local várias
outras narrativas que, no entanto, optou
por não incluir na publicação em volume.
O conjunto de lendas e narrativas que
Herculano seleccionou para editar não
sofreu alterações nas três reedições da
obra a que ele ainda assistiu, mas veio
a ser alterado em algumas publicações
posteriores da colectânea. De entre
estas edições, que modificaram o
conjunto de textos da edição princeps,
merece destaque pela sua importância no
estudo da obra herculaniana a edição
feita em 1970 por Vitorino Nemésio, na
qual este investigador acrescenta à
selecção de Herculano alguns textos
publicados na revista O Panorama e que
não tinham feito parte da escolha
original do Autor, e suprime outros,
publicando-os separadamente. Dado o peso
e a importância do romance histórico no
conjunto da obra de Herculano, é difícil
não ceder à tentação de entender parte
significativa destes textos como uma
preparação para os grandes romances
históricos do Autor, dos quais Eurico, o
Presbítero é talvez emblema, uma relação
genética que na verdade é sustentada
pelo próprio Herculano na "Advertência"
à obra, quando faz referência às
"primeiras tentativas do romance
histórico". De salientar ainda a
decisiva contribuição que os estudos
históricos de Herculano tiveram para a
elaboração da sua obra narrativa: são as
reflexões permitidas pelo trabalho
científico de análise directa das fontes
historiográficas que ele vai utilizar
como critérios de base que tornam
possível o trabalho criativo patenteado
na sua obra literária. Ao apresentarem
quadros da História de Portugal que
retratam pormenorizadamente contextos
sociais passados, alguns textos de
Lendas e Narrativas são justamente
reveladores do profundo conhecimento
histórico de Herculano, constituindo-se
claramente como exemplos do
aproveitamento aludido”.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal |
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