Aniversário de Salvador - Bahia - Brasil

29 de Março
 

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo
 


 

Salvador foi fundada por Tomé de Sousa, em 1549 e, foi durante mais de 200 anos, sede do Governo-geral do Brasil. No primeiro século de sua existência, girou em torno da exportação do açúcar, pois as plantações de cana haviam-se expendido ao longo dos rios que desaguam na Baía de Todos os Santos. Para isso, a cidade contava com um porto bem localizado, naturalmente protegido do Atlântico por um promontório. Posteriormente, desenvolveu-se a cultura do tabaco, na região periférica à Baía, ocupando as terras impróprias para a cana-de-açúcar, ao mesmo tempo que, pelo sertão, foi-se expandido a criação de gado, intensificando o movimento portuário. No final do século XVll, a cidade sofreu novo impulso com a construção de palácios, igrejas, conventos e solares. Em 1763, com a transferência da capital do Brasil para o Rio de Janeiro, diminuiu o ritmo de seu crescimento. Contudo, ainda no século XVlll, Salvador começou a exportar ouro e diamantes provenientes da chapada Diamantina. No início do século XlX, o porto exportava, açúcar, tabaco, couro, madeira e oleaginosas. Em 1829, a cidade passou a ter iluminação pública a óleo, para em 1862 passar a gás. Na altura, foi implantado o serviço telegráfico. Em 1912, sob a intervenção federal, sofreu vários bombardeamentos, devido às reacções da população.
Salvador fica situada à entrada da Baía de Todos os Santos, e ocupa a ponta da península que se estende ao Norte e a Leste desta. O terreno em que foi edificada a cidade, apresenta dois níveis: a Cidade Baixa, que fica na faixa litorânea, e a Cidade Alta, aproximadamente a 70 metros acima do nível do mar. Nesta parte da cidade, concentra as funções portuárias e comercial, principalmente os retalhistas. Aí também se encontram bancos, escritórios, o Mercado Modelo e a feira de São Joaquim.
A Cidade Alta é formada sobretudo por bairros residenciais, mas conta também com órgãos administrativos, escritórios e comércio dedicado ao turismo. A Cidade Baixa e a Cidade Alta são ligadas por ladeiras, modernas rampas, dois funiculares e o Elevador Lacerda, que data de 1873. Entre as principais atracções turísticas, estão as igrejas, como a abadia de São Bento, do século XVl, a catedral Basílica Maior e a igreja do Desterro, do século XVll; as igrejas da Ordem Terceira de São Domingos, do Convento de São Francisco, da Ordem Terceira de São Francisco e do Bonfim, todas do século XVlll. Os fortes mais procurados são os de Santo António da Barra (1536) e os de Santa Maria, São Marcelo, São Pedro e São Diogo, todos do século XVll. São também locais turísticos o convento do Desterro, o convento da Lapa, o Solar do Unhão, a Reitoria, a Baixa do Sapateiro, o Largo do Pelourinho e a Rampa do Mercado. Entre as praias da cidade, destacam-se as de Amaralina, Arembepe, Armação, Paraguaçu, Boa Viagem, Farol da Barra, Itapuã, Ondina. Piatã e Pituba. Muito visitada também é a Lagoa do Abaeté.
A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim – Uma promessa do Capitão Teodozio Rodrigues de Faria deu início a irmandade de devoção ao Nosso Senhor do Bonfim em 1745 e às romarias de peregrinação ao templo a partir de 1754. A imagem do santo, feita sob encomenda em Setúbal, Portugal, chegou em 1740 e foi colocada na Igreja de Nossa Senhora da Penha, na Ribeira. A construção da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim durou 14 anos e o tempo foi inaugurado com a entronização da imagem, em 1754. As torres, porém, só foram concluídas em 1772. Sua fachada, voltada para o centro da cidade, é parcialmente revestida de azulejos brancos portugueses de 1873, que contrastam com a pedra morena dos cunhais, portais, contornos e parte frontal. A pintura do teto da nave é uma obra-prima do mestre Franco Velazco. A sala de ex-votos, por sua vez, é uma prova de fé de milhares de peregrinos que aí estiveram agradecendo graças alcançadas. A tradição de amarrar uma fita no pulso com três nós, repetindo em cada um deles o pedido, é sagrada entre os católicos e entre os praticantes do candomblé. Na segunda quinta-feira de Janeiro após o Dia de Reis, uma procissão de baianas de acarajé acompanhada pelo povo sai numa caminhada de oito quilómetros da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia em direcção à Igreja do Bonfim. Tipicamente vestidas e levando potes brancos com flores e água, as baianas lavam o adro e as escadarias do templo em meio a cantorias e saudações. O Hino ao Senhor do Bonfim é uma música sagrada, sendo cantado em solenidades religiosas e cívicas do povo baiano.
Em 29 de Março de 1549, chegava à enseada do Porto da Barra a frota que conduzia Thomé de Souza e os que, com ele, vinham fundar a Cidade do Salvador.
A cidade, que foi a Capital do Império Português na América e a Capital do Atlântico Sul, não é assim o resultado da evolução de um grupo vicinal às categorias de povoado, vila e, finalmente, cidade. Já nasceu com todas às prerrogativas de sede de governo, local de decisões políticas e administrativas.
Com Thomé de Souza (que acumulava o título de Governador, o de Capitão desta capitania que fora doada a Francisco Pereira Coutinho e revertera ao domínio pleno da Coroa ) chegaram cerca de mil homens - entre voluntários, marinheiros, degredados, soldados, e sacerdotes. Este grupo, mais a tripulação da nau de um certo Gramatão Teles, que viera dar notícias da Fundação decidida em Lisboa, somado ao que restava da Vila do Pereira, fundada treze anos antes pelo donatário e mantida pela liderança do "Caramuru", e que implanta a cidade e lhe dá vida.
Apesar de fundada em 1549, noventa e seis anos depois da data que livros didácticos convencionaram como sendo a do fim da Idade Média, a Cidade do Salvador ainda foi influenciada por muitos e muitos factores medievais na escolha do sítio do seu núcleo inicial e no sistema de defesa que nele se desenvolveu.
Os planos discutidos na metrópole e aqui implementados pelo "mestre de risco e pedraria" que foi Luís Dias, determinavam, basicamente, a construção de uma "fortaleza grande e forte". A preocupação com a defesa superava todas as outras. A habitação e a circulação ficavam em segundo plano, subordinadas aos propósitos de segurança militar para a "cabeça da colónia do Brasil" e para as frotas que buscavam abrigo da baía de Todos os Santos nas suas rotas para o Oriente, seja pelo caminho do Cabo da Boa Esperança, seja pela rota do Pacífico, contornando o extremo sul da América.
Foram estas ideias que determinaram a escolha do ponto mais alto da costa em torno do golfo, para nele situar a cidade. Preferiu-se o local que oferecia maiores facilidades naturais à defesa, tanto dos possíveis ataques pelo mar, quanto das investidas dos índios agredidos com os novos fatos da presença colonizadora.
Limitou-se a cidade, ao sul, pela porta de Santa Luzia, no sítio onde, actualmente, a rua Chile encontra-se com a Praça Castro Alves. Ali, a escarpa natural, hoje desaparecida com as muralhas do próprio largo e as das ladeiras da Conceição e da Montanha, compunha a defesa em acidente natural que se estendia por toda a face oeste desse núcleo básico - a "montanha da cidade".
Pela face leste, uma escarpa de menor porte, uma barroca pequena - e por isto Barroquinha - também apoiava a defesa em sistema integrado com a "vala na cidade", curso d'água nascente onde se fizeram as Hortas de São Bento, no local do primeiro matadouro que por lançar ali os seus restos baptizou o curso de Rio das Tripas.
O limite norte da cidade, conquanto tenha apresentado alguns pontos de controvérsias entre historiadores, ficou perfeitamente definido em pesquisas e interpretações mais recentes. Esteve, ainda que por breve tempo, na porta de Santa Catarina, no limite actual. entre a Praça Municipal e a Rua da Misericórdia, junto da esquina com a Ladeira da Praça. Daí foi logo avançando para a actual. Face esquerda do Palácio Arquiepiscopal, onde bem mais tarde foi levado para o meio do declive, hoje ocupado pelo Largo do Pelourinho, onde podem ser encontrados restos da muralha fortificada.
A conjuntura que inspirou a fundação da Cidade do Salvador e sua locação neste ponto da costa do Brasil foram elementos básicos do traçado do seu destino. Ainda hoje, quem nela habita está, naturalmente, vinculado àquelas opções.
Hão de ser especificamente referidos os jesuítas da primeira leva e os Oficiais do Senado da Câmara.
Quando D. João III iniciou o trabalho de por ordem e dar rentabilidade ao império que alcança a sua maior amplitude no reinado anterior de D. Manuel 1º, cuidou de se prover de respaldo religioso para as terras do Brasil, da África e da Índia. As ordens que vinham da Idade Média, apoiados em uma visão contemplativa da Fé, já tinham dado o melhor da sua presença. Surgia àquele tempo uma nova visão caquéctica, criada por Inácio de Loiola: a Companhia de Jesus. Nela, o rei de Portugal buscou homens para mandar ao ultramar.
De início, lhe foram dados os padres Francisco Xavier e Simão Rodrigues. O primeiro, logo viajando para o Oriente, seria o Apóstolo das Índias, com marcada presença em Goa e no Japão. O segundo organizou a "assistência" de Portugal, e a ele se deve o recrutamento e o envio do Padre Manoel da Nóbrega chefiando os jesuítas que vieram na armada da fundação.
Saltando na Barra e exercendo os primeiros ministérios na "maneira de igreja" que já encontraram em devoção a Nossa Senhora da Graça, os inacianos foram dos primeiros a se transferirem para cidade que se fundava e, certamente, os responsáveis pela fisionomia da sua face setentrional, com a locação do seu colégio e da sua igreja. A eles coube não só o trabalho de pregação, como todo o aparelho pedagógico da colónia, aspecto em que exerceram o monopólio até a expulsão de 1759.
O Senado da Câmara, ou seja, os vereadores da cidade merecem, na história destes primeiros tempos, referência muito destacada e específica.
Em uma estrutura de governo absoluto, quando o rei podia tudo sobre as pessoas e as coisas, funcionava, paralelamente, um colegiado eleito a que cumpria a administração civil da cidade. E, mais do que isso: além da vigilância ao bom cumprimento das posturas que elaborava, ainda lhe era inerente a fiscalização do bom cumprimento dos ofícios dos servidores do Reino. Ao ponto de ser disposição específica o fato da cadeia pública ter que funcionar, necessariamente, no mesmo prédio das suas reuniões, como forma directa e material de colocar, sob permanente vigilância, qualquer possível abuso de autoridade. Estas atribuições aos vereadores da cidade dão bem a medida da importância do seu papel naqueles dias iniciais.
Cabe, ainda, uma referência especial à Santa Casa da Misericórdia, ou Casa da Santa Misericórdia para usar a expressão coeva. O Concílio de Trento ordenando as chamadas "obras de misericórdia" como que legislou sobre o que, hoje, chamaríamos de "obrigações providenciarias" dos estados em que a religião católica era culto oficial.
O estado português não tinha nem vocação, nem condição para implementar tais serviços. A instituição das Misericórdias, que vinha do tempo do milagre da rainha Isabel, era a naturalmente indicada para tais encargos.
Funcionando como polo gregário, agência de prestígio e organização de serviços públicos, a Misericórdia da Bahia, desde os primeiros dias da fundação da cidade, desempenhou todos aqueles papéis que a tornaram supletiva da actividade assistêncial de um poder público que se voltava, fundamentalmente, para a actividade fiscalista destinada a enriquecer, cada vez mais, um Reino deslumbrado com suas conquistas.
Fora de portas, a "praia" e o caminho do conselho. Na "praia", os estaleiros onde se faziam e consertavam naus de todos os calados, usando a boa madeira das matas do vale do Jaguaribe. Na Ribeira dos Galeões, hoje ocupada pelos edifícios de capitania dos Portos, carpinteiros e calafates, vindo de Portugal e seus aprendizes que se formam na Bahia fazem urcas, caravelas, patachos e quanto mais tipo de embarcação lhe fosse encomendado. Na estreita rua, colada ao sopé da montanha, o atestado do carácter internacional da cidade.
Quando a administração Portuguesa retirou Tomé de Souza do encargo que lhe cometera, a cidade já estava implantada e, já merecendo que dela se gostasse. Inclusive o próprio fundador que declara em frase registada por Frei Vicente do Salvador : "... verdade é que eu o desejava muito, e me crescia água na boca quando cuidava em ir para Portugal; mas não sei que é que agora se me seca a boca de tal modo que quero cuspir e não posso". 
A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso fomentou a ideia de construção da cidade. O rei D. João III, então, nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa na América.
Em 29 de Março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.
O trecho que vai da actual. Praça Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais alto do sítio, foi escolhido para a construção da cidade fortaleza. Thomé de Souza chegou com uma tripulação de cerca de mil homens – entre voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes, que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.
Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a cidade prosperou, principalmente devido a actividade portuária, cultura da cana de açúcar e comercialização o algodão o fumo e gado do Recôncavo.
A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Durante 11 meses, de Maio de 1624 ao mês de Abril de 1625, Salvador ficou sob ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa de invasão da Holanda, desta vez com o Conde Maurício de Nassau que não obteve êxito.
A cidade foi escolhida como refúgio pela família real portuguesa ao fugir das investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o príncipe regente D. João abriu os portos às nações amigas e fundou a escola médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina do País.
Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de Julho do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais importantes acontecimentos históricos para o estado e que consolidou a total independência do Brasil. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.
Dos planos iniciais de D. João III, expressos na ordem de aqui ser construída "A fortaleza e povoação grande e forte", o compromisso foi cumprido por Thomé de Souza e continuado pelos que os sucedem. São filhos de Catarina e Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe África e legaram à Salvador a força de suas raças criando um povo "gigante pela própria natureza".

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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